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História Entrelinhas - Capítulo 8


Escrita por: HelloMendes

Capítulo 8 - Capítulo sete


Cameron James

Definitivamente, se eu pudesse escolher um lugar para se estar, não seria um presídio. Olho os muros altos e o tanto de segurança que o lugar tem, é inevitável não sentir um aperto no peito ao lembrar que é o lugar onde o meu pai se encontra.

Seguro algumas coisas, dentre elas, comida que minha mãe fez para ele. Justin queria vir no meu lugar, mas a nossa mãe achou melhor não, já que isso o afetaria de alguma forma. Depois de passar por todo o protocolo de segurança, encontro meu pai sentado em uma das mesas da sala de visitas, mal posso controlar a emoção que sinto ao vê-lo. Dou um abraço apertado nele, enquanto recebo um olhar duro do policial que circula ao nosso lado, me sento à sua frente, feliz por finalmente abraçá-lo depois de meses.

Meu pai tem uma barba rala no rosto, seus olhos demonstram cansaço e rapidamente me pergunto se ele conseguiu dormir.

- Você está mais forte, anda malhando, hum? - meu pai está sorridente, o que me deixa aliviado.

- Quando sobra tempo. - respondo, querendo perguntar sobre ele. - E como estão as coisas?

- Melhor do que quando entrei, estou dividindo a cela com um detento que é meu amigo, ele é velho demais e quase sempre está dormindo. - ele ri, olhando ao redor. - Consegui um trabalho, então a partir da semana que vem já vou poder fazer ligações mais frequentes para vocês.

- Pai, isso é ótimo! - ele só podia fazer uma ligação por semana, e era apenas por telefone fixo que era mais barato, então minha mãe que atendia.

- Como a Lídia está? Liguei essa semana, mas Justin quem atendeu e disse que ela não estava em casa. - meus pais eram separados, mas eles sempre tiveram um carinho um com o outro. Na época em que ele foi preso, estavam perto de assinar o papel de divorcio, mas não houve tempo para isso, então legalmente ainda são casados.

- A mamãe está bem, ela mandou esses biscoitos, disse que fez de madrugada depois que chegou do trabalho. - podia ver nos olhos do meu pai o quanto ele ainda parecia sentir falta dela.

- Ah, sem dúvidas são os melhores biscoitos que já comi. - meu pai sorriu enquanto falava isso.

O tempo de visita soou incrivelmente rápido e em alguns minutos eu já estava fora daquele lugar, foi inevitável não sentir um aperto no peito quando precisei deixar a sala.

***

Nova York provou que conseguiria sim ser mais quente do que o normal, eu, como um cara extremamente caseiro, havia planejado o meu dia de folga na pensão. Resultaria em um dia inteiro dormindo para compensar todas as noites mal dormidas da semana, mas a Eve tem uma mania que obriga as pessoas a saírem com ela, é claro que eu havia recusado, mas a persuasão dela foi infinitamente maior.

Ela me convidou para ir a Coney Island, a família do Zach tinha uma casa lá e ele faria uma festa nesse fim de semana, totalmente o oposto do que eu planejei. Era um sábado de manhã, eu havia descansado durante a noite e isso era raro, então levantei após receber uma mensagem de Eve me intimando para ajudá-la a guardar algumas caixas no porão.

- Achei que você tivesse sido abduzido. - reclamou ela, após eu chegar no jardim.

- Bem que eu queria. - resmunguei pegando duas caixas nos braços.

- Ah, é só um fim de semana, não é pra tanto. E sem contar que você vive naquele hospital, eu como sua amiga tenho a obrigação de arrastar você. - ela me acompanhou atrás de mim, tagarelando o quanto esse fim de semana seria legal e que eu deveria levar a Tiffy.

- Tiffy está de plantão no fim de semana. - respondi empilhando as caixas no porão, estava bem úmido lá, provavelmente não tinha sido aberto a alguns dias.

- Sério? Gostei muito dela, qualquer dia podemos sair todos juntos novamente. - Eve sugeriu.

- Qualquer dia podemos combinar de novo. - dei de ombros enquanto saía do porão. Holly surgiu magicamente na nossa frente, seus cabelos ruivos estavam amarrados e ela estava de moletom.

- Oi, Cameron. - ela sorriu levemente, se voltando em seguida para Eve. - Preciso da sua ajuda, prometo que será rápido.

As duas saíram andando para dentro da casa e eu terminei de guardar as caixas dentro do porão.

Fazia algumas semanas que eu não via a Holly, mesmo que ela estivesse morando debaixo do mesmo teto, pelo que Eve comentou, ela havia terminado o namoro com aquele babaca do Vince. Eu não duvido nada que devia estar sendo um inferno para ela, ter que trabalhar tendo o seu ex namorado babaca como chefe.

Entrei dentro de casa e fui na cozinha, antes de entrar no cômodo, pude ouvir as duas conversarem enquanto aparentemente Eve ajudava ela a cozinhar algo.

- A Stella está furiosa, ela soube por uma revista de fofoca e não quer olhar na minha cara. - a voz de Holly estava baixa, ela parecia bem abatida e Eve a consolava.

- Olha pelo lado bom, ela vai de uma vez por todas te deixar em paz com essa história de casar você com o Vince.

- Eu conheço a Stella, ela tem algum tipo de admiração louca por aquela família, eles são como Deus na Terra para ela, Eve.

Decidi que outra hora eu iria na cozinha, ouvir conversas dos outros não era legal e eu não fazia o tipo "fofoqueiro".

***

Segundo Eve, Zach já estava em Coney Island, então iríamos todos no meu carro. Coloquei a mala de Eve no porta-malas e achei que ela havia exagerado na quantidade de coisas que estaria levando, já que seria apenas dois dias fora. Holly veio com a sua mala, em um tamanho bem menor e colocou junto com a de Eve, ela se sentou no banco de trás e ficou ao lado da janela, em silêncio. O caminho inteiro seria assim se não fosse as músicas latinas de Eve tocando, em um momento ou outro, podia ver Holly rir de algo que sua amiga fazia ou falava, mas era tudo muito contido.

Duas horas depois, estacionei o carro em uma vaga, em frente a uma casa de frente para o mar, era surreal como a energia já mudava quando envolvia natureza. Carreguei as malas para dentro, mesmo Holly querendo levar a dela.

Zach e três amigos estavam organizando algo ao lado da piscina, tinha dois caras e uma garota de cabelos escuros juntos. Cumprimentamos o pessoal e guardamos nossas coisas em quartos individuais, tirando Eve e Zach, já que a casa tinha diversos cômodos, o que a tornava ainda maior.

Zach explicou que teria mais gente quando a festa começasse, eu pretendia estar o mais longe possível da música alta e meus tímpanos agradeceriam se eu fizesse isso.

 

Holly McCoy

O pôr do sol era encantador visto da praia, meus cabelos balançavam de um lado para o outro com a brisa do mar e a festa havia começado sem hora para acabar, visto que o consumo de álcool deixava as pessoas alheias ao tempo.

Eu estava com um vestido branco florido, ele era de alcinhas finas e seu tecido se movimentava junto com o vento, o clima estava me agradando, visto que o verão é minha estação favorita. Se eu pudesse escolher, viveria em um lugar regado a água salgada e o calor, tudo parecia muito mais bonito do que quando está inverno - não que ele não tivesse sua beleza.

Estou na parte de trás da casa, perto da área da piscina, onde tem muita gente dançando e dentro da água. Me contive com um copo de suco de laranja que o barman, vulgo Zach fez para mim. A música alta martela a minha cabeça e a apreciação da vista do mar se torna meio impossível com esse barulho todo, e Eve, que está do outro lado da casa, conversa com algumas mulheres.

Decido descer a escadinha que leva até a areia da praia e sigo caminhando, percebendo que o som vai diminuindo conforme me distancio, percebo que era disso que estava precisando, não do barulho e da festa, mas de um tempo para me reconectar comigo mesma.

Sento na areia e fecho os olhos, ouvindo apenas o barulho do mar e alguns resquícios de alguma música que está sendo tocada na festa. Ouço alguém se aproximar e abro os meus olhos, vejo Cameron caminhar até onde estou, seus cabelos balançam com vento e sua camiseta de botões parecem grudar no seu corpo esguio.

- Fugindo do barulho? - perguntei rindo.

- Como você descobriu? - ela se sentou ao meu lado, rindo levemente.

- Não é muito difícil perceber quando alguém não está afim de estar em um lugar. - respondo, atraindo sua atenção.

- Então Eve também te obrigou a vir?

Ri, afirmando que sim.

- Deveria ter trazido a Tiffy, vocês aproveitariam o fim de semana juntos. - sugeri, abraçando meu corpo, o sol estava se pondo e estava ficando um pouco frio.

- Ela está de plantão esses dias. - Cameron respondeu olhando o mar, as ondas estavam calmas agora.

- Ela também é médica?

- Enfermeira.

- Entendi.

Fiquei em silêncio, pensando se eu deveria voltar para a festa e aproveitá-la. Não estava com ânimo para isso, mas não custava nada tentar se divertir.

- Você está bem? Soube que terminou o namoro. - Cameron perguntou, cauteloso.

- Não sei, esses dias estão sendo estranhos. - admiti. Eu não sabia o que estava sentindo, na verdade, era tudo muito confuso e complicado demais.

- É uma reação normal para um término, Holly. Imagino o quanto esteja sendo dificil. - falou, demonstrando compreensão em sua voz.

O sol já estava indo embora e o céu tinha uma tonalidade laranja com rosa, quis admirar a natureza com toda a minha atenção naquele momento, e eu sentia que as coisas poderiam ficar bem, não era o fim do mundo o que eu estava passando.

Quando escureceu, decidimos que seria melhor voltar para a casa, e notei o quanto as pessoas estavam mais alcoolizadas do que quando saí. Cameron parou em frente a um pessoal que estava jogando Flip Cup e eu parei ao seu lado, também olhando.

- Você vai? - perguntei para ele, arrancando uma risada divertida da sua boca.

- Quando eu era calouro na faculdade, provavelmente sim, acho que me tornei um idoso hoje em dia. - riu, cruzando os braços em frente ao peito.

- Eu vou no banheiro, volto já. - falei, saindo da área externa e adentrando a casa.

Ela estava movimentada, mas lá fora a quantidade de gente era maior. Entrei no banheiro do andar de baixo, que por sorte estava vazio e fiz xixi. O barulho da música parecia ter abaixado mais, desde que fui na praia, provavelmente Zach deve ter percebido que até o final da festa todo mundo estaria surdo.

Lavei minhas mãos e olhei minha aparência no espelho, meu cabelo estava com alguns nós do vento que levei, passei os dedos, desatando os nós e percebendo que agora estava melhor. A maquiagem estava leve, então as minhas sardas eram um pouco notadas se olhadas de perto.

Saí do banheiro, atravessando a multidão de pessoas no meio dos corredores e saindo para a área externa, quando um cara com várias tatuagens e com uma lata de cerveja na mão me para.

- Oi, eu tava te observando há um tempo e queria saber se você não queria dançar comigo. - ele indicou a pista de dança improvisada com a latinha e sorriu. Eu não me lembrava dele, nem de tê-lo visto hoje mais cedo, não sabia se deveria ir e quais eram as intenções dele.

Era errado deixar o Cameron sozinho no meio da festa? Olhei para trás do cara que me parou e vi ele conversando com alguns caras, dentre eles o Zach.

- Claro. - sorri, olhando para o homem de tatuagens, que pareceu se animar. Ele me puxou pela mão e me conduziu até a pista de dança improvisada. Ele me soltou e foi até o dj, falando algo no ouvido, o rap que antes tocava, deu lugar a uma música calma que fez alguns casais começarem a dançar. O cara tatuado, se aproximou e uniu nossos corpos, me puxando para dançar conforme a música lenta que tocava. Ele aproximou a boca do meu ouvido, perguntando:

- Ainda não sei o seu nome. - levantei meus olhos para encará-lo, porque eu estava visivelmente alheia àquela dança.

- Holly. - respondi, balançando-me conforme a música.

- Sou o Matthew, linda. - Matthew sorriu me puxando contra o seu corpo, e eu quis afastar o contato.

Meus olhos percorreram o local, ainda dançando conforme a música, Cameron estava há alguns metros de onde estou, ainda com Zach e os amigos dele, pude perceber seu olhar pairar na minha direção, segundos a mais do que o suficiente, no mesmo momento em que Matthew me gira, pegando-me de surpresa. Ele direciona sua mão, que está na minha cintura, mais abaixo, e meu instinto é tirar ela da minha bunda.

- Qual é gata, a gente pode ir em um dos quartos. - Matthew segura meu braço e tenta me beijar a força, meu punho vai em direção a sua boca e ele grunhe de dor. A música cessa e só então noto o sangue escorrendo em sua boca e as pessoas em volta. - Você é louca! - grita ele entre dentes.

É inevitável não soltar palavrões quando sinto a dor lancinante em minha mão, a única reação que tenho é sair dali. Ouço meu nome ser chamado repentinas vezes, mas apenas continuo andando segurando minha mão, subo as escadas até o meu quarto e paro em frente a porta, ouvindo Eve e Cameron me chamar.

Resmungo com a dor e entro dentro do quarto, eles entram também e me sento na ponta da cama.

- Você socou o Matthew, eu estou muito surpresa, você não é disso, Holly. - Eve diz, em pé na minha frente.

- Ele queria me beijar a força! - respondi e seus ombros caíram.

- Eu não sabia... - ela se senta ao meu lado.

- Deixa eu ver sua mão. - ele pede e eu estico, sentindo muita dor ao fazer isso.

Ele analisa e me pede para eu abrir ela, não consigo. Cameron examina mais um pouco e eu resmungo quando ele aperta em alguns locais.

- Você fraturou a mão, mas é bom fazer uma radiografia para ter certeza. - ele segura minha mão com cuidado e seu polegar faz um afago leve em meu pulso, antes de receber seu olhar de desaprovação.

- Então eu preciso ir agora no hospital? - perguntei.

- Não seria necessário agora, eu vou colocar uma tala e você vai tomar alguns anti inflamatórios.

- Graças a Deus! - Eve suspirou aliviada ao nosso lado.

Havia um kit de primeiros socorros na cozinha e a minha amiga tratou de ir buscar.

- Você é durona. - Cameron comentou enquanto permanecia agachado na minha frente, ainda olhando o meu pulso.

- Na verdade não, foi um impulso desesperado de me livrar do Matthew. - respondi baixo, olhando concentrada para o chão.

- É incrível como tem caras que não aceitam receber um não. - ele me olhou pensativo.

Suspirei, quieta, a dor já não me incomodava tanto e eu percebi que o som havia cessado, não sei se a festa havia acabado, mas não existia sinal de barulho naquele quarto. A porta foi aberta por Eve, tirando-me dos meus devaneios.

 

 

 

 



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