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História Envolvida - Capítulo 29


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Capítulo 29 - Aquele com o puto telefonema


O dia não fora considerado fácil: Delegacia, almoço as presas e trabalho que não acabava mais. Sinto-me virada, pisada e surrada, além de ligeiramente irritada, em decorrência da discussão com Mário. Estou exausta; louca para tomar um banho e dormir, mas ainda tenho a consulta com Pedro.  

Quando Alba abre-me a porta do carro, concedendo-me um sorriso gentil, sinto-me um tanto melhor.  

Adoro essa mulher, e, por mais que não conversássemos, ou sequer tivéssemos um relacionamento de amizade, sinto um imenso carinho por ela. 

- Itz! – Saudou-me, enquanto eu adentrava o automóvel.  

- Hola, Alba...  

- Hey, meu doce... 

- Hola... – O sorriso não chegou-me aos olhos, enquanto acomodava-me sobre o banco confortável, do carro, em meio a um suspiro.  Mantive-me calada por um tempo, e quando Álvaro não suportou mais o silêncio, constatou: 

- Você está calada. – Sua voz era carregada de preocupação – Que passou? – Encarava-me com os olhos em expectativa, enquanto Alba dirigia com eficiência, pelas ruas de Madrid, abarrotas de outros carros. 

- Hoje tive um dia daqueles, na redação. – Dei de ombros – Comecei a pesquisar sobre as perspectivas do novo comércio exterior, sai para realizar uma entrevista com um cara que anda vestido de espanhola e fui até a delegacia. O delegado falou que vai tentar descobrir quem invadiu o apartamento, mas para ele, isso parece ser apenas mais um furto comum;

- E ele sabe quem é você? – Esbravejou, irritado, e fitei-o, sem entender o que queria dizer com aquilo. 

- E quem eu sou, Álvaro?  

- Itziar, meu doce, – Respirou fundo, antes de continuar, e pelo jeito, seu dia também não tinha sido nada bom. – Você é minha namorada, e a essa altura, o país inteiro sabe disso. Por isso, todos devem tratar você com respeito, presteza e restrita cordialidade. 

- Ay, por favor! –  Bufei, em cóleras – Seu trabalho não deve interferir na minha vida e isso inclui ser tratada como todo mundo.  

Álvaro acha que, só por que sou sua namorada, as pessoas devem jogar-se aos meus pés? Não aceitaria isso. Não é o que quero para mim. 

- Você não é apenas minha namorada. Você é mais que isso... – Parecendo ler-me os pensamentos, afrouxou o nó de sua gravata , tirando-a, logo em seguida, ao passo que desgrenhava suas madeixas em impaciência. – Você é a mulher da minha vida e quero que as pessoas tratem-na com toda a pompa dessa puta Espanha!  

- Álvaro... – Permiti-me rir um tanto, descrente, enquanto maneava a cabeça em negação: – Você é... 

- Não precisa falar nada, meu doce. Entendo que não esteja habituada a esse tipo de tratamento mais carinhoso. 

- Não é isso! – Permiti-me rir com vontade agora – Você é tão intenso que me soa piegas... 

- Posso lidar com isso, contanto que – Ele encarou-me descontente; a voz séria e mais grossa – Não duvide nem por um momento dos meus sentimentos por você. É piegas, sim, mas isso acontece raramente entre duas pessoas, onde apenas com um olhar, sabem que passarão o resto da vida um ao lado do outro. 

- E crês que é isso que passará conosco? Crês que passaremos o resto de nossas vidas juntos? 

- Tenho certeza que vamos ficar juntos. – Ele parecia convicto no que dizia.  

- Se dizes... – Dei de ombros, divertindo-me – Quem sou eu para dizer o contrário! 

Quando chegamos ao consultório, não estava nervosa. Algo em mim fez-me querer ter mais coragem e seguir confiante com o tratamento.  

Às vezes, um passado pode estragar seu futuro, mas sempre existe a possibilidade de ter um novo começo para mudar, e essa era minha escolha naquele momento: seguir e superar meu medo.  

Depois disso, enfrentaria as pessoas que me fizeram passar por todo aquele pesadelo, e finalmente, teria o amor de Álvaro por completo, com minha irmã ao meu lado.  

Tudo ficaria bem.  

Ao menos, era o que eu pensava! 

- Boa noite! – Cumprimentou Pedro, apontando-nos as cadeiras, para que sentássemos – Você parece-me um tanto cansada, bella, mas, inegavelmente, diferente desde a última vez que a vi.  

- Aconteceram inúmeras situações durante essa semana. –  Álvaro tomou-me a frente, cruzando as pernas, um tanto desconfortável.  

O modo como Alonso pareceu-me ficar mais sério, com a informação, deixou-me intrigada e em alerta, em relação ao comportamento dos dois, que pareciam trocar informações apenas com o olhar. Isso irritou-me. Qual era o problema daqueles dois em usar palavras, para dialogar? 

- Se os pombinhos quiserem dividir essas informações que trocam por telepatia, eu agradeceria – O sarcasmo arrastou-se garganta a fora,  enquanto revirava os olhos, involuntariamente.  

- Sua garota é boa, Álvaro!... – O doutor sorriu, ironicamente – Uma mulher muito observadora, por sinal. 

- Pedro – O tom de alerta na voz de Álvaro apenas acentuou a ironia no rosto de Alonso. – Faça seu trabalho e nada mais além disso. 

- E tu? que queres dizer com isso, Álvaro? 

- Senhorita Martínez, não atenha-se a algo tão irrelevante. Vamos dar início a nossa sessão. A propósito, o que está achando do processo? Fui informado que você foi mais persistente e pediu de livre vontade para ser tocada. 

- Pois, sim – Voltei minha atenção para Pedro – Não me senti mal como antes. Creio que estou saindo-me muito bem. Álvaro vem mostrando-se muito paciente comigo, e se não fosse por isso, não melhoraria. 

- Certo! Estou muito entusiasmado sobre o tempo que levará para teres uma vida mais livre. 

- Crês que dará certo? – Sinto o fio medíocre de esperança tornar-se uma corda grossa e resistente. 

- Itziar... – Ponderou – Não podemos ter certeza de nada, mas a julgar por sua determinação e pelo avanço que se é tão perceptível, acredito que veremos maiores resultados me breve! 

- Espero que estejas certo, quanto a isso. – Sorri, mordiscando o lábio inferior em expectitiva. 

- Tudo depende de ti e da tua força de vontade. Hoje convesaremos sobre suas expectativas e o que quer dessa nova vida. Álvaro – Arqueou a sobrancelha, para que o senador entendesse que precisava sair da sala, mesmo contra sua vontade – Conversamos hoje e concordastes em aceitar minhas condições, hm? Espero que não tenhas esquecido. 

- Não... – Retrucou, um tanto aborrecido – Não esqueci! – Completando, levantou-se para deixar a sala – Cuide dela. Ela vale mais para mim do que possas imaginar! 

- Eu sei! –  Alonso assentiu e Álvaro foi-se e senti-me só... 

- Itziar – Assumindo sua postura profissional e compenetrada, Pedro arrancou-me de minha bolha de melancolia – Quero que me digas: o que mais desejas? 

- Ter uma vida... 

- E que pretendes alcançar para considerar que está tendo-a? 

-  Creio que... Liberdade sobre meu corpo. Acho que esse é o meu principal desejo. 

- E como seria essa “liberdade” da qual você fala? 

- Principalmente, poder ser tocada... 

- Por Álvaro? 

- Primeiro por mim e depois por ele. Só por ele. 

- Não acho saudável que queiras somente o toque dele. Seria muito mais saudável que conseguisse estabelecer um contato físico, mesmo que mínimo, com outras pessoas, também, apenas por mera casualidade. Mas devo admitir que já estou confiante sobre as etapas do seu tratamento. No final, podemos esperar que você tenha uma vida tranquila ao lado de Álvaro, assim como deseja. 

- É o que quero Pedro – Não queria ser tocada por outro homem. Não somente o meu corpo escolhera Álvaro, mas todo o meu ser e nada mudaria isso.  

- Vale! – Maneou a cabeça em concordância, mas sabia que não por vontade própria – Vamos falar um pouco mais sobre sua infância e família. Tudo bem? 

- Por supuesto... – Suspirei, com pesar.  

- Existia algo bom em conviver com sua família, mesmo com tudo o que passou? 

- Os melhores momentos sempre sucediam-se quando não se havia ninguém em casa. Não tinha o Sr. Sorriso para ficar me olhando daquela maneira nojenta. Não tinha minha mãe para fingir que importava-se, quando na verdade, importava-se somente com ela mesma. Só existia eu e minha irmã. Apenas nós duas. 

- Pelo modo como fala de sua irmã, vocês parecem próximas. Você gosta da sua irmã, mesmo sabendo que ela é filha do seu agressor? 

- Só estamos afastadas devido a tudo que me aconteceu, mas isso não diminui o meu amor por ela. Talvez, Zuri seja tão vitima quanto eu. Não sei, mas não consigo a ver como sendo parte dele. Para mim, ela é a minha irmã e apenas isso. Minha irmã, que deixei sozinha com aqueles dois. 

- Você diz que deixou-a sozinha; para trás... – Tamborilou os dedos cumpridos contra o queixo, pensativo – isso causa-lhe algum sentimento? Arrependimento, talvez? 

- Não. Ela foi um dos motivos de eu ter saído de casa e começar a querer uma vida melhor. 

- Seu plano de uma nova vida a inclui? 

- Sim, meu plano de vida é tira-a daquela casa para morarmos juntas. 

- E por que achas que ela vai escolher viver com você? 

- Porque sei que ela nunca será como eles. Que detesta aquele lugar. Porque ela é a única coisa boa que existe vinda daqueles dois e eu sei que ela quer ficar comigo. Fiz uma promessa de voltar e tirá-la de lá e vou cumprir com minha palavra. 

... 

O cheiro vindo da cozinha era ótimo. Tratava-se de pizza.  

Terminei de tomar meu banho, enrolei-me numa toalha e ao passar pela sala, paro para apreciar a visão de Álvaro, que tomava conta de todo o espaço da minha pequena cozinha. Ele estava sem camisa e com uma calça de flanela preta, movendo-se elegantemente e com firmeza.  

- Peladinha e me olhando desse jeito... Não sei não... Vou começar a achar que você só quer meu corpinho gostoso. – Estalou a língua, e maneando a cabeça, encarou-me com a cara mais safada que um homem pode ter, enquanto colocava um pote de sorvete na geladeira. 

- Nunca passou pela minha cabeça possuir seu corpo, Senador – Debochei, observando que o sabor do sorvete era – Chocolate? 

- Chocolate. –  A malícia com que pronunciou deixou-me curiosa. 

O que tens com sorvete de chocolate? O jeito com que falas, me soa como algo pervertido. 

- Meu doce, imagine que – Semicerrou os olhos, vindo em minha direção – Você está nua e só existe eu, você, um pote de sorvete, uma colher e meu pau duro. Que achas que vamos fazer com o sorvete? 

- Nãooo! – Um gritinho arrastou-se garganta a fora, enquanto arregalo os olhos para ele – Você só pode estar brincando! 

- Ah... – Umedeceu o lábio maliciosamente – Posso brincar também e podemos fazer isso em simultâneo. 

- Deus... – Choraminguei – Vou acabar tornando-me uma tarada e vai ser sua culpa. 

- Assumo totalmente esta responsabilidade! –  Sussurrando, inclinou a cabeça para beijar-me. 

- Você não presta, mesmo – Deixei-me levar pela maciez de sua língua, invadindo e tomando posse de minha boca, deixando-me sem ar.  

Álvaro segurou-me o rosto entre as mãos e conduziu-me até encostar-me contra a parede. 

Continuou segurando-me somente o rosto, mas sabia que queria mais, e com isso, soltei a toalha, deixando-a cair no chão. 

- Que estas fazendo? – Questionou, surpreso e igualmente ofegante. 

- Aceitando incluir alimento gelado em nossa vida sexual. – Queria-o, e não importava o jeito ou a forma, mesmo que, nisso, incluísse algo que com certeza, ficaria pegajoso depois. 

- Você realmente entendeu o que quis dizer com relação a usar o sorvete?  

- Meu doce... – Usei suas palavras a meu favor, desta vez, abusando de minha melhor voz sedutora – Passou-se quase um mês desde que estamos em tratamento, nos masturbamos tempo suficiente para uma vida inteira. Acho que tenho ideia de para quê servirá o sorvete, você só precisa me ensinar... – Não envergonhar-me-ia, tão pouco desistiria de desfrutar de dar e receber prazer. 

- É muito arriscado... 

- Não é arriscado quando tenho certeza que quero fazer isso com você! – Diminuindo o espeço entre nós dois, colei nossos corpos, inteiramente nua – E sei que você quer... – Arrisquei deslizar meu indicador por sua ereção, contornando-o por cima do tecido da calça e deixando-o sem reação – Sei que me desejas, assim como desejo cada molécula do seu corpo. 

- Eu... – Engoliu em seco, reprimindo um gemido, deixando-o preso na garganta. Álvaro fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, quando tomei a iniciativa de segurá-lo em minha mão, sentindo toda sua rigidez e magnitude. 

Quando tornou a fitar-me, havia tanta intensidade em seus olhos que consegui compreender o que era todo aquele sentimento. Ele sentia o mesmo que eu, e isso deixou-me ainda mais confiante e determinada a ser dele e ter o calor de seu corpo contra o meu. Sentindo o seu sabor, o seu cheiro. Os movimentos gloriosos de seu quadril. 

Acredito em meu tratamento e acredito no resultado que estou tendo. Há algum tempo atrás, jamais tocaria em um homem da maneira que toquei-o, absorvendo toda sua força e poder de amar, ou melhor, compartilhando a força e o poder do amor. 

- Tu consegues sentir, meu amor? – Permanecia para em minha frente, sem mexer-se ou fazer qualquer outra coisa – Consegues entender o quanto eu o amo? 

Raramente falava que o amava, tudo isso era mais forte do que apenas um olhar, ou um sorriso. Amar Álvaro é como estar no céu e ir ao inferno, em simultâneo. É intenso. Avassalador e igualmente devastador. 

- Repita... – Quase gemeu, buscando em desespero por meu olhar – Repita que me amas...

- Eu te amo! –  Sorri ao repetir, ainda segurando-o firmemente em minha mão, até o maldito telefone tocar.  

Puta que pariu! Ai já era sacanagem com a minha cara. 

- Mierda! – Resmungou – Tenho que atender... de La Serna – Seu rosto desfigurou-se em raiva, mas sabia que não de mim, e sim, do tal citado, que administrava suas casas noturnas e mesmo sendo capaz de cuidar dos problemas, insistia em ligar para ele, quase todas as noites. Isso deixava-o muito irritado. Hoje irritou-me, também.  

- Tudo bem... – Ergui minha cabeça e ainda tocando-o, beijei-lhe a boca – Sabia que aceitar a condição de namorar você trar-me-ia dores de cabeça, mesmo! – Brinquei e liberei-o da minha mão –  Podemos continuar quando terminares sua ligação. – Pisquei e sai, sem importar-me em estar nua. 

Estava tornando-me uma versão feminina de Álvaro. 

Vesti-me, penas com sua camiseta e nada mais. 

Pude escuta-lo quase gritando ao telefone, e se eu fosse à outra pessoa, teria medo. 

- Certo, de La Serna, em cinco minutos estarei aí para resolver esse problema... Não... Classificaria isso como incompetência... – Encerrou a chamada.  

Teria pena do tal de La Serna. Eu disse: teria, mas ele estava tirando meu Álvaro de mim, justamente na noite em que decidi ser mais ousada. O senador estava visivelmente irritado com aquele telefonema, porém, aquele era seu trabalho, e por mais que eu estivesse me matando por dentro, sabia que ele precisava resolver aquele problema. 

- Meu doce, não quero deixa-la sozinha aqui, vamos... 

- Tudo bem... – Abri meu melhor sorriso, afim de disfarçar toda a minha frustação – Não é tão tarde, posso ligar para Hada. 

- Tens certeza de que não queres ir comigo? 

- Tenho! – Na verdade, meus almoços com Hada estavam ficando cada vez mais rápidos e praticamente não tínhamos tempo para conversar. A recompensaria. Teríamos uma noite apenas nós duas, fazendo coisas de garotas, quem sabe sair para tomar um drinque e conversar melhor sobre o tal novo relacionameato.  

As duas podem ir, assim fico perto de você, mesmo resolvendo os problemas da boate – Ofereceu com carinho, e indo até o closet, retornou com seu blazer cor de chumbo – Pegue isso – Retirou dois cartões do bolso, com o nome de seu estabelecimento grafado em letras fortes, e uma labareda estilosa, na borda – Apresente na entrada e vocês estrarão facilmente.  

- Ligarei para ela primeiro, e depois que confirmar, vejo você, García – Beijei-o e deixei o quarto.  

... 

- Não brinca! – Hada gritou, do outro lado da linha, forçando-me a afastar o celular da orelhar. Álvaro já havia saído às pressas – Diz que eu não estou sonhado? – Ela está mesmo muito contente – Não, não o faça. Se disser que estou sonhando, mato você. –  Esbravejou, entremeio a outra sequência de gritos – Estamos falando da C.A.G, joder! 

- Sim, Hada! – Também estou bem animada com a hipótese de me divertir ao seu lado. Não estava dando-lhe atenção o suficiente, já que as sessões, trabalho e o próprio Álvaro andavam a consumir-me por completo – Acha que fica pronta em quanto tempo? 

- Já estou pronta! –  Enfatizou de maneira engraçada – C.A.G, cacete! Oh meu Deus! Itziar, quero sua bunda branca em cinco minutos na frente da minha casa. Isso é uma ameaça! – Definitivamente eu não era uma boa influência para ela e ri comigo mesma, pela situação. 

- Um linguajar tão apropriado. 

- Fazer o que? –Desdenhou, num tom jocoso – Aprendi com a melhor. 



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