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História Ephemeral - Capítulo 5


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Notas do Autor


Voltei meus cheiros! Além de desejar uma boa leitura também quero dizer que estou com muitos capítulos prontos e corrigidos e sinceramente fiquei muito feliz com o rumo que a fic está tomando. Preparem seus coraçõezinhos, vem coisa boa por aí

Capítulo 5 - Break a Hand is The New Break a Leg


Fanfic / Fanfiction Ephemeral - Capítulo 5 - Break a Hand is The New Break a Leg

 

Fecho a porta depois que Tyler entra. Ele joga a mochila num canto da sala e vai direto para a cozinha. Voltamos juntos para casa depois da aula, pela primeira vez na semana, e mesmo assim ainda sentia que caminhava sozinha.

Estava decidida a confrontá-lo de novo, não desistiria de destruir esses muros impostos entre nós. A porta sendo esmurrada me impede de ir atrás do meu irmão. Volto alguns passos e a abro, dou de cara com uma cena que jamais imaginaria.

— Nós temos um problema. — Stiles diz.

Ele tenta manter Derek de pé, mas o lobisomem pálido e grogue quase desmorona contra o chão.

— Não, não, não. — murmuro e torço para que Tyler não tenha escutado a movimentação. — Você tem um problema, Stiles. Eu tenho uma redação de literatura para escrever e um irmão totalmente por fora do mundo sobrenatural para cuidar.

— Ele é sua família, sua responsabilidade. — Stiles esperneia e Derek geme de dor quando o magricela quase o derruba pela segunda vez. 

— Eu o conheço a tanto tempo quanto você. — retruco.

Tento fechar a porta num misto de impulsividade e desespero, mas Derek se apoia no batente e levanta o pescoço para me ver.

— Por favor, Raven. — ele mal tem força para sussurrar.

— Mas que inferno. — reclamo e pego seu braço livre, ajudo Stiles a trazê-lo para dentro e fecho a porta com um chute.

Meus olhos se arregalam ao ver Tyler parado na sala, observando a cena com uma careta.

— Por favor, não pergunte. Fica pior se perguntar. — imploro e ele permanece em silêncio. Com sorte, pensará que Derek está bêbado ou algo similar.

Ele é muito pesado, o simples ato de subir a escada se torna uma guerra entre mim e Stiles, que tropeça várias vezes. Apesar da dificuldade, chegamos vivos ao meu quarto.

Fecho a porta e Stiles joga Derek na minha cadeira de rodinhas.

— O que aconteceu? — Sinceramente, tenho receio da resposta.

— Ele desmaiou na frente do meu carro quando eu estava saindo do colégio, mas antes disse que tinha sido baleado por um caçador. — explica e observamos o homem lutando para ficar consciente.

— Pensei que lobisomens pudessem se curar.

— Em teoria, mas ele disse que foi uma bala diferente e que precisa dela para voltar ao normal. Scott está cuidando dessa parte. — Stiles tem a irritante mania de gesticular durante a fala.

— Pode tentar não sangrar no meu chão, por favor? — peço e o ouço rosnar baixinho. — Ele não pode ficar aqui, Stiles. O que vou dizer para o Tyler? 

— Achei que ele já soubesse de tudo, sua mãe sabe. — diz.

— Ele não tem nada a ver com toda essa bagunça, minha mãe acha que é melhor não envolvê-lo. — Derek volta a gemer de dor e o sangue escorre de seu braço. — Ligue para o Scott.

— Eu já tentei. — garante.

— Tente de novo! — esbravejo e me aproximo do lobisomem. 

Levanto a manga de sua blusa com cuidado e me arrependo assim que vejo o buraco da bala. Suas veias estão aparentes e roxas, o que não pode ser um bom sinal. 

— Que nojo. — resmungo sobre o cheiro horrível saindo dali e Derek me fuzila com os olhos. — Desculpe.

— Consegui! — Stiles comemora e pula com o celular nas mãos. 

— Coloca no viva-voz. — mando e ele acena para que eu fale. — Scott, ele está virando um morto vivo, você precisa ser rápido!

— Eu estou tentando, preciso de mais tempo. — cochicha.

— Cara, ele está morrendo, não temos mais tempo. — Stiles diz. 

— Ele não pode ficar aqui assim! — exclamo.

— Levem-o para a clínica veterinária. — Scott propõe. 

— E o seu  chefe? — pergunta Stiles. 

— Ele já foi embora. — esclarece. — Tem uma chave reserva atrás da lixeira.

— Você achou a bala? — Derek se esforça para falar. 

— Como vou achar uma única bala nesse lugar? Essa casa é como um maldito supermercado de armas. — ele sussurra irritado.

— Onde você está? — pergunto confusa, mas os três não me dão atenção.

— Se você não achar, vou morrer. — Derek lembra.

— Estou começando a pensar que talvez isso não seja tão ruim. — Scott revida. 

— Então pense no seguinte, o alfa te desafiou contra a sua vontade e ele vai fazer isso novamente. — pausa para recuperar o fôlego, tenho medo de que ele desmaie a qualquer segundo. — Da próxima vez, mate-o ou vai morrer. Se você quer ficar vivo, precisa de mim. Ache a bala.

...

Stiles abre o portão de enrolar dos fundos da clínica, ajudo Derek a descer do jeep e o sento numa pilha de sacos de ração. Suas olheiras profundas e o suor acumulado na testa deixam claro que seu estado piorou.

Napelo azul escandinavo significa algo para você? — Stiles pergunta enquanto lê algo no celular. Uma mensagem de Scott, provavelmente. 

— É uma forma rara de acônito, ele precisa me trazer a bala. — Sua fala é arrastada.

— Acônito? — repito com a testa franzida.

— Uma planta letal contra lobisomens. — Stiles esclarece.

— Ótimo. — ironizo.

Derek se levanta cambaleando e se livra da blusa, revelando um tríscele tatuado em suas costas. O seguimos até outra sala, Stiles acende a luz e o lobisomem se debruça na mesa metálica. Ele estende o braço e o ferimento começa a sangrar.

— Acho que vocês estão prestes a descobrir o que eu comi no almoço. — murmuro com uma careta de nojo.

— A infecção... vai me matar quando chegar ao meu coração. — diz ofegante.

— Otimismo não é uma palavra frequente do seu vocabulário, é? — Stiles fica inquieto.

— Se Scott não chegar a tempo com a bala, nós teremos que partir para o último recurso. — Derek prossegue e revira o interior de alguns armários.

— E qual é? — pergunto, sinto o gosto azedo no fundo da garganta e respiro fundo para me recompor.

— Um de vocês vai amputar meu braço. — dita e coloca um serrote elétrico em cima da mesa. 

— Você ficou maluco? — Stiles guincha, ao contrário de mim, que surto em silêncio.

— Se funcionar, vou me curar. — ele fala e prende um elástico ao redor do braço para prender o sangue.

— Raven, é com você. — Stiles diz e me entrega a serra.

— Eu não, não consigo. — retruco e lhe entrego o negócio novamente.

— Não pode ser eu. — o garoto insiste.

— Por que não? — Derek pergunta. 

— Talvez porque vou ter que cortar sua carne, serrar seu osso... Isso envolve muito sangue. — A repulsa domina seu rosto.

— Você desmaia quando vê sangue? — o lobisomem range os dentes.

— Não, mas posso desmaiar ao ver um braço amputado!

— Vou vomitar. — aviso sentindo meus olhos lacrimejarem e me certifico de que há uma lixeira por perto. 

— Que tal isso? Se você não amputar meu braço, eu arranco sua cabeça. — ameaça Stiles.

— Eu definitivamente vomitaria se presenciasse alguém ser decapitado. — continuo em pânico.

— O que você está...

Stiles não consegue terminar a frase, Derek vomita um líquido preto e viscoso. 

— Isso é sua culpa! Você não parou de falar de vômito, olhe o que isso nos trouxe. — Stiles aponta e eu desvio o olhar para não jogar tudo para fora também.

— Meu Deus, Derek. Que merda foi essa? — pergunto, minha boca saliva e meu estômago embrulha.

— É o meu corpo tentando se curar.

— Não está funcionando, aparentemente. — Stiles diz.

Me apoio nos joelhos para tentar me recompor, mas a posição só piora.

— Um dos dois precisa fazer isso agora. — Derek avisa e estende o braço na mesa. 

— Não. Por favor, não. — sussurro.

— Stiles! — o lobisomem berra e o garoto pega a serra. 

— Tudo bem, vamos lá. — ele diz e respira fundo várias vezes, me afasto da mesa o máximo possível. — Raven, se você vomitar, eu juro por Deus...

— Corte! — Derek ordena. 

— Gente? — Ouço a voz de Scott e ele aparece na entrada da sala. — O que vocês estão fazendo?!

Solto a respiração aliviada e me sento no chão.

— Você acabou de evitar uma vida repleta de pesadelos. — Stiles murmura e se afasta da mesa.

— Conseguiu? — Derek pergunta.

Scott vasculha os bolsos e lhe entrega a bala.

— O que vai fazer com isso? — pergunto e me levanto curiosa. 

— Eu, eu vou... — ele tenta falar, pisca algumas vezes e depois cai no chão, inconsciente.

— Não! — Scott grita e tenta recuperar a bala que Derek derrubou dentro do ralo no chão.

— Derek? Derek, vamos. Acorde!  — esbravejo e chacoalho seu rosto, mas nada acontece. — O que eu faço?

— Eu não sei! — Scott diz desesperado. 

Ele e Stiles estão deitados no chão, Scott tenta alcançar o ralo em baixo do móvel e Stiles ilumina o buraco com a lanterna do celular.

— Derek! — grito novamente e estapeio seu rosto, ele resmunga algo inaudível, mas não abre os olhos. — Ele não acorda, não está reagindo!

— Não consigo alcançar. — Scott esperneia.

— Acho que ele está morrendo, acho que está morto. — Deito a cabeça em seu peito, mas não ouço seu coração.

— Espere mais um pouco. — ele pede e eu continuo chacoalhando o lobisomem inconsciente. — Consegui, consegui!

— Por favor, não me mate por isso. — sussurro.

Fecho meu punho e o soco no rosto, ele acorda em seguida e eu arfo de dor. Stiles me ajuda a ficar de pé, minha mão treme e eu gemo. 

— Me dê isso. — Derek pede e pega a bala, Scott o levanta.

— Acho que quebrei a mão! — exclamo, não consigo abri-la sem espernear de agonia.

Derek abre a bala com os dentes, despeja a pólvora na mesa e a queima com um isqueiro. Uma fumaça roxa escapa dali, ele segura o pó e cobre seu ferimento com isso, rugindo de dor em seguida e se contorcendo no chão. 

A ferida some em milésimos e seu braço volta ao normal, ninguém diria que sua situação era grotesca segundos atrás.

— Isso foi incrível! — Stiles comemora e eu reviro os olhos.

— Você está bem? — Scott pergunta.

— Exceto pela dor agonizante. — responde e se levanta.

— O uso de sarcasmo é um bom sinal de saúde. — Stiles provoca.

— Nós salvamos a sua vida, agora você vai nos deixar em paz. Entendeu? — Scott esbraveja, mas mesmo assim parece um filhotinho perdido. — E se não deixar, vou até o pai da Allison e vou contar tudo a ele.

— Vai confiar nele? — Derek se ofende. — Você acha que eles podem te ajudar?

— E por que não poderiam? Pelo menos eles são bem mais legais que você!

— É, vou te mostrar como eles são legais, assim como mostrei a Raven. — Derek dita e eu já imagino o que vá acontecer. 

— Alguém vai ter que me levar ao hospital. — aviso e levanto minha mão dolorida.

...

A enfermeira me acompanha para fora da sala de radiografia. Stiles continua na poltrona ao lado da maca em que eu tinha me sentado, está distraído com seu celular.

— O doutor trará os exames assim que puder, ele vai terminar de cuidar da sua mão. — ela avisa com um sorriso gentil e deixa o ambiente.

— Quebrou mesmo? — Stiles pergunta.

— Eles não deram certeza, mas mencionaram alguma coisa sobre fratura de boxeador. Acho que vão confirmar com o raio-x.

Ele balança a cabeça e volta a digitar no celular, pulo para me sentar na maca e balanço minhas pernas pendentes no ar. 

— Scott não responde minhas mensagens. — comenta.

Stiles ficou encarregado de me trazer até o hospital, enquanto Derek arrastava Scott até a casa de repouso. Ele provavelmente usaria o mesmo sermão de como os caçadores destruíram a vida de Peter e dos Hales. 

— Ele está bem. — asseguro.

Minha mão continua latejando, está mais inchada. 

— E você presume isso baseado no quê? Derek não é confiável.

— Ele não vai matá-lo depois de tudo pelo que passamos. Derek precisa do Scott tanto quanto Scott precisa dele. — explico. 

Ele respira fundo e concorda, mas isso não significa que sua ansiedade some.

— Raven Riley? — o médico pergunta, ele segura uma prancheta e os exames de radiografia. 

— É ela. — Stiles confirma antes de mim.

— Parece que temos uma encrenqueira por aqui. Andou socando alguém? — brinca e se aproxima.

— A parede. — minto e sorrio sem graça, mas o homem não parece comprar minha história.

— Teve um acesso de raiva? — pergunta.

— É, estou com dificuldade para lidar com a separação dos meus pais. — insisto na história e lhe arranco um sorriso pesaroso.

O doutor ergue uma das folhas contra a luz e observamos toda a extensão da minha mão até o pulso.

— Vê essa parte? — Aponta para a minha palma da mão, perto do dedo mínimo. — É com certeza uma fratura, o colo do quinto metacarpo foi prejudicado.

Aceno com a cabeça, fingindo entender, ao contrário de Stiles que não esconde a confusão.

— Isso parece grave. — ele diz.

— É bem comum, na verdade. — tranquiliza. — Quero que use essa órtese por pelo menos cinco semanas, vou te prescrever um remédio para dor.

— Acha que tenho chance de sobreviver?

— Contanto que não volte a socar paredes novamente. — adverte.

Reconheço a mãe de Scott na recepção, ela nos vê e acena de longe, está indo atender um paciente da sala de espera.

— De novo, Isaac? O que acha de separarmos um quarto só para você.

Reparo no garoto que aparenta ter minha idade, está acompanhado do pai. Ele sorri envergonhado pela brincadeira de Melissa.

— Ele é desastrado. — O homem diz e dá alguns tapinhas no ombro do filho que se remexe desconfortável.

— Vai ficar parada aí? — Stiles chama minha atenção e desvio o olhar quando o menino repara que eu  estava lhe encarando.
 


Notas Finais


Até a próxima


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