História Epifania - Capítulo 2


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Categorias Magia Estranha (Strange Magic), Naruto
Tags Naruhina
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Palavras 2.312
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Conselho


Fanfic / Fanfiction Epifania - Capítulo 2 - Conselho

3054_Planeta AVA. Cymerus 


O planeta AVA foi uma grande decepção. Inúmeros recursos e pouquíssimos habitantes, AVA é o planeta de número 1678 no sistema solar, um mundo fantasma por assim dizer. 

As metrópoles abandonadas, os prédios velhos e desgastados assim como seus moradores. Velhos e decrépitos. AVA é o planeta que você escolhe quando sente que está próximo da morte e não tem condições de pagar por uma viagem a um destino melhor. 

Então, tudo o que resta é você se conformar em passar seus últimos dias em um planeta praticamente abandonado. Mas claro, AVA não faz jus a sua fama, pois está em perfeitas condições e quase totalmente inexplorado. Como uma virgem, este mundo não viu a maldade e o egoísmo humano. 

Trevas impediu bem a tempo.

Mas talvez não da forma como você está pensando. 

Houve uma guerra que durou sete dias, um combate tão fatal e monstruoso que quase destruiu o planeta e expulsou todos os habitantes. Desesperados por suas vidas patéticas, sobrecarregaram o sistema de viagens e os outros planetas sofreram por superlotação. 

Por sete dias o universo entrou em um completo caos. AVA até então era o planeta mais novo, com um potencial de vida superior e mais elevado do que todos os outros, era um sonho, uma promessa de tempos melhores, mas no fim, o fracasso prosperou. 

Os lutadores dessa guerra? Simples. Trevas e Luz batalharam durante sete dias, implacáveis, furiosos por pouco não destruíram o planeta que ajudaram a criar. Cada qual com sua razão, porém ambos cegos pelo ódio, esqueceram-se do amor que compartilhavam. 

Ao nascer do sol do sétimo dia, Luz encontrava-se estirado no chão, as roupas rasgadas e chamuscadas, ferimentos por todo o corpo e suas energias esgotadas, de fato estava derrotado. 

Trevas não se encontrava em melhores condições, mas ainda estava de pé e tinha forças o suficiente pada expulsá-lo de AVA. E assim foi feito. Luz, conhecido como Naruto, foi expulso do planeta 1678, proibido de voltar por dois mil anos. 

Porém, três mil anos se passou, AVA continuou magnífica como sempre, a fauna e a flora do planeta dominavam livres e poucas criaturas ousavam habitar aquela parte do universo. Mesmo assim, Naruto não retornou para casa e ao final de mais um milênio, Trevas desistiu de esperar. 

O tempo passou, remédio para uns e veneno para outros. Hinata continua habitando AVA desde o dia de seu surgimento, é considerada a governante do planeta e muitos se referem a ela por nomes bem piores. Com o presente do pai e afogada na mágoa daquele que um dia amou, treinou todos os dias para proteger as fronteiras do mundo. 

Tornou-se uma guerreira corajosa e impetuosa, permitiu a entrada de poucos companheiros mas conseguiu criar seu pequeno império, com guerreiros que em troca de paz e prosperidade, juraram lealdade a Rainha Negra. 

Trevas fechou seu coração, outrora doce e inocente, agora magoada e fria. Pensa em Luz quase todos os dias, o tempo não foi capaz de salvar sua bondade da tristeza e a solidão voltou a ser uma conhecida. 

Luz partiu do planeta com rancor e ódio de Hinata, não pretendia voltar mesmo depois de cumprir a penitência dada por seu pai e realmente não voltou. Saiu em busca de oportunidades e encontrou algo que nunca esperou.

Naruto conheceu Mei, a Imperatriz do planeta AQUA, n° 23 no sistema. Um dos planetas mais antigos e prósperos, ao lado da mulher sedutora, construiu a própria reputação, sempre desejou conhecer todos os planetas. Se tornou promotor interestelar e viaja constantemente, em busca de problemas e conflitos que possa resolver. 

É um guerreiro nato e conhecido como um dos melhores do universo. O desejo pelo novo, pelo desconhecido, o fizeram esquecer de seu passado e de tudo aquilo que viveu em AVA. Agora, o planeta esquecido está distante de seu alcance, Hinata nunca esteve tão longe de seus pensamentos como nos últimos anos. 

Ambos seguiram caminhos diferentes. Memórias que tentam esquecer e uma guerra que terminou de destruir a relação que tinham. Os sentimentos, as palavras, os sorrisos, os olhares, tudo foi deixado para trás onde o tempo trata de desintegrar nas linhas da mente. 

Mas Ele não deixaria que acabasse dessa forma. Criou o universo e tudo o que há nele, nunca se esqueceria de nenhum filho e sabia que ambos já haviam sido teimosos demais. Seguiram caminhos muito diferentes e agora teriam de trabalhar duro para voltarem. 

Hinata nunca pensou que veria Naruto novamente, tanto que fazia questão de não sair do planeta por qualquer banalidade, deixava as reuniões do conselho universal em cargo de sua escudeira mais confiável, Ino sempre fez um bom trabalho como representante de AVA e nunca teve reclamações desde que a colocou na função. 

Mas por obra de forças superiores, não se agradou nem um pouco ao ver a intimação exigindo a presença oficial da governante do planeta 1678. A expressão de desgosto da rainha não passou despercebida por ninguém na sala do trono onde sucedia a reunião do povo. Mesmo depois da fama decadente, ainda se encontrava moradores fiéis aos princípios da coroa. 

- Como podem exigir isso depois de milênios em que não compareço a este maldito conselho?! - esbravejou Hinata enquanto andava pelo salão nervosa. 

Ino suspirou cansada, não era bom quando sua rainha sempre tão calma e serena fosse provocada dessa forma. Exigir sua presença no conselho não passava de uma mera alfinetada na paz e sossego que Hinata tanto prezava, pois ninguém no universo era tão ignorante ao ponto de não saber o passado do planeta. 

"O dia em que Trevas, a soberana louca, expulsou todos do planeta porque não os achava dignos o suficiente para morar nele e hoje, este mundo cai em desgraça. Punição divina pela soberba de se achar melhor do que o resto das criações".

Tudo uma verdadeira tolice, de fato. Ainda mais sendo as vésperas dos méritos, onde é realizada uma enorme festa para dar as devidas honras aos planetas que atingiram alguma meta do regulamento interestelar ridículo deles. 

- Tenha calma, Hinata. O conselho costuma demorar uma hora no máximo, depois oferecem um banquete, festas, torneios de lutas esportivas e outras festividades. Não é obrigatório a comparecer nestes eventos, estará de volta em um piscar de olhos - aconselhou a representante da rainha. 

Hinata estreitou os olhos aflita, não gostava da ideia de sair do planeta e ir para Arcádia, onde todos os líderes do universo se reúnem a cada três meses para debates e comemorações sem sentido. 

Mas não era um convite e sim uma intimação exigindo sua presença, não poderia evitar. Olhou para todos a sua volta, vendo o temor nas faces dos moradores, com certeza com medo do motivo de terem a convocado. Tentou sorrir mesmo sabendo que não convenceria a ninguém de que estava tudo bem. 

- Não se preocupem, nós iremos. Tenho direito a quantos acompanhantes quiser, levarei uma comitiva de cinco guerreiros, o resto ficará aqui e tomaram conta de tudo. 

Saiu disparando ordens pela sala como um furacão, tem até três dias para organizar tudo e sair deixando o planeta em segurança. 

- Levantem as barreiras mais fortes quando sairmos, quero rondas diárias e pelo menos sete guardas no portal, iram continuar treinando mesmo em minha ausência, não quero corpo mole. Tudo deve continuar até eu voltar, vamos ficar até o final dessa palhaçada, se eles pensam que vão nos intimidar estão muito enganados. 

- Até o final? Iremos participar das festividades?. 

- Sim, Ino, vamos participar de tudo!. 

E sorriu diabolicamente enquanto deixava a reunião e seus companheiros providenciarem o que pediu. Precisava estar em Arcádia daqui três dias, não sabia nem se ainda tinha roupas adequadas, teria de fazer mágica se quisesse marcar presença. 

Do outro lado do universo, Naruto chegava com antecedência a Arcádia. Sendo recebido por todos com mimos, sorrisos e farra. Os anos lhe deram o costume das festas e da algazarra. As mulheres lhe davam sorrisos maliciosos e sedutores, porém ainda não era dia de aproveitar. Mei chegaria logo e os dois tratariam de matar a saudade.  

Luz escolheu um dos aposentos mais luxurioso e foi encontrar os primeiros amigos que fez depois de seu banimento. Sasuke e Gaara estavam no bar atacando o estoque interminável de Gragas, o taberneiro oficial de Arcádia. 

- Olha só quem temos aqui, Uchiha!. 

- A madame resolveu aparecer, quanta demora!.

Naruto riu diante das brincadeiras e sentou-se ao lado no bar, pedindo uma caneca de cerveja com saquê. 

- Chegaram cedo esse ano, na última véspera apareceram bem a tempo do torneio de luta, espertos! Mei me obrigou a participar do conselho com ela. 

Falou antes de pegar a caneca com seu pedido e virar um gole generoso. 

- Chegamos a tempo do torneio de luta porque não temos uma Imperatriz pra mandar em nós - Gaara explicou com deboche, referindo-se a companheira do amigo.

- Sim, mas em compensação, ficam fugindo da mãe casamenteira.

Pontuou o loiro com sarcasmo. Sasuke revirou os olhos sabendo que se tratava de si e não do ruivo que ria discretamente. 

- Não enche, Naruto. Eu não pretendo casar tão cedo, ainda sou muito novo. 

- Você realmente tem noção do tempo? Vai completar 15.233 mês que vem - Gaara falou descrente vendo o amigo dar de ombros com descaso.

- Não tenho culpa se demoramos a morrer, quem dirá então envelhecer. Meu bisavô Madara completou 45.890 semana passada e ainda tem rostinho de 35.000. 

- Por Deus amado. 

Naruto exclamou pasmo. Com certeza, entre os três é o mais novo, ainda irá completar seus 12.456 anos. 

- Naruto, não entendo porque você está com a Mei, nada contra ela é muito...

- Sasuke!

O moreno pigarreou envergonhado ao ver que perdeu o foco ao se lembrar da Imperatriz.

- Bom, quero dizer. As vezes parecem que vocês não tem nada a ver um com outro. 

- Concordo com esse boçal, você nunca teve nenhuma outra namorada na vida? - Gaara questionou tomando um gole de sua bebida. 

Naruto abaixou a cabeça, se lembrando dos tempos em que era chamado de Luz e ainda criava um mundo ao lado de... não importa. Não importava mais agora. Por fim, levantou a postura com animação bebendo mais de seu copo e espantando pensamentos antigos. 

- Claro que sim! Mas ela é diferente e gosto disso. Mei é determinada vocês não entenderam. 

- Determinada ou possessiva? - Sasuke sussurrou para o amigo ruivo.

- Possessiva? Está mais para lunátic...

- Eu ainda consigo ouvir vocês.

Falou azedo. Não era a primeira vez que lhe falavam dessa forma para se referir ao seu relacionamento com a Imperatriz AQUA, mas não conseguia entender o fundamento daquilo. Olhou para os amigos que pediam mais uma caneca borbulhante de um líquido azul estanho e se perguntou o que entendiam do amor? Nunca os viu levar nenhum caso a sério, como poderiam tentar lhe dar conselhos?. 

- E como vai Sakura?. 

Tentou perguntar ao se lembrar da única garota que o Uchiha comentou com eles. Sasuke assustou levemente quando ouviu o nome mas tentou disfarçar.

- Não faço a mínima ideia. 

- Nunca mais a procurou? - perguntou esperançoso. 

- Não.

E foi apenas isso. Sasuke não gostava de falar sobre ela, despertava no moreno sensações novas e estranhas que ele não sabia lidar, por isso preferiu deixar de lado, Sakura com seu temperamento forte sem dúvidas já havia seguido em frente. 

Gaara percebendo o clima pesado que ficou na conversa e vendo que Mei se aproximava silenciosamente por trás de Naruto, presumiu que o momento entre amigos terminou e pediu para o taberneiro mandar a conta para seu quarto. Sasuke levantou junto do companheiro quando Mei se jogou sobre os ombros do loiro, distribuindo beijos em seu pescoço.

- Até mais, Naruto.

- Nos vemos mais tarde, dobe.

Falaram para o loiro mesmo sabendo que não foram ouvidos. Era sempre assim, quase nunca se viam e quando tinham a oportunidade, Mei aparece minutos depois. 

O casal pediu para enviarem garrafas e mais garrafas ao quarto do loiro. Estavam sedentos em vários sentidos e aproveitariam todo o tempo que teriam até o conselho começar em três dias. 

Naquela noite, após balançarem todas as paredes do quarto, Mei enfim adormeceu e Naruto estranhamente sentiu uma certa paz. Andou despido até a janela do teto ao piso como pediu na recepção e contemplou aquela maravilha. É possível ver toda a cidade e a lua. 

"...por que não posso chamá-la de Lua?.

- Porque este nome não me pertence."

Balançou a cabeça fortemente tentando afastar as lembranças, porque em seu íntimo ainda machucado, julgava não valer a pena sofrer pelo passado. Não conseguia se lembrar dela, não totalmente, mas se havia algo que nunca lhe escapou da memória eram seus olhos. 

Depois de milênios, tantos corpos amou, tantas bocas beijou e com tantas almas tentou se conectar. No fundo, sentia que ainda estava sozinho, Mei podia ser possessiva como Sasuke falou, mas este lado dela impedia que ele se sentisse completamente sozinho.  

A luz do luar adentrava o quarto, a metrópole conhecida como Cidade de Ouro estava prateada pela Lua. Sorriu minimamente e pelos próximos minutos tentou se lembrar de cada detalhe do planeta AVA, de cada segundo que vivenciou ao vê-la pela primeira vez. Insistentemente falhou, tudo o que vinha em sua cabeça até então eram seus olhos que o atormentou pelos últimos milênios e os cabelos negros como o céu estrelado, tão negros que chegavam a ser azuis. 

Se lembrou disso porque preto é a única cor que não é capaz de criar. 

E juntamente dessa constatação, lembrou que ela era a personificação de tudo aquilo que não era capaz de fazer. Porque em seu surgimento, o pai lhe mandou no propósito de ajudá-la e agora não sabia mais se essa ainda era sua missão. 

Na verdade, poucas são as coisas que ainda sabe. O passado pode ser doloroso quando não perdoamos os outros e principalmente a nós mesmos. 







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