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História Epifania - Capítulo 28


Escrita por:


Notas do Autor


hoje fui checar os arquivos do planejamento da fanfic e MEU DEUS

comecei a planejar desde 14/6/2019

BRUH

also notei que tô flopando de novo, este é meu destino

Capítulo 28 - Reações exageradas e daddy issues;


A nova Shiro suspirou ao sentar-se na cadeira ao lado da cama de hospital onde Natasha Makarov estava, com seu braço engessado, diversos roxos pelo corpo, além de alguns cortes pelo rosto e pescoço, e bandagens ao redor do abdômen, braço e ombro, no qual Shiro lhe dera os tiros.


— O que você quer, porra? — A mulher bufa.

— Oh, não ligue para mim. Estou só cuidando da minha progenitora. — Shiro debocha, cruzando as pernas uma acima da outra.

Natasha bufa e infantilmente vira o rosto. — Vai embora, sua animal. Não preciso de ninguém cuidando de mim.

— Claro que precisa. — Shiro cruza as pernas. — Você mal consegue andar! Eu te deixei na merda.

— Fique sabendo que eu fiquei com dó e te deixei ganhar!

— Jotaro quebrou seu braço. — Shiro rebateu. — E se não fosse seu truquezinho, eu teria ganhado. Sabe que Lovely Ice é mais forte que Madonna.


Natasha a olha de queixo caído, claramente indignada.


— Piranha.

— Vadia.

— Nojenta.

— Megera.


As Makarov se encaram durante alguns segundos antes de Shiro solte risos curtos e estranhos. Porque, uau, elas estavam se xingando e ninguém atacou ninguém - ainda -, e isso deixava o clima mais leve para ela. Mas Natasha estava carrancuda como nunca.


— Ei, mulher, agora eu tenho um namorado. — Shiro solta. Natasha a olha duvidosa. — Sério! O nome dele é Noriaki Kakyoin e ele é a pessoa mais bonita que eu já vi na minha vida.

— E mais o que?

— Ele é cheiroso e perfeito. — Shiro o descreve de maneira sonhadora. — É isto.

— Hm... Sabe de uma coisa? — Natasha começa, soltando um gemido de dor ao se endireitar na cama. — Você até que tá bonitinha.

— Bonitinha? — Shiro arqueia as sobrancelhas com confusão estampada no rosto.

— Talvez o seu namorado te ache comível.

— Credo, Natasha. — Shiro fez uma careta, enquanto a sua mãe soltou um riso nasalado.


Silêncio...


— Sabe, Natasha, eu te suportava antes porquê... se eu não o fizesse, quem o faria? — Shiro começa, encarando o chão insistentemente. — Eu gastei quinze anos da minha vida me forçando a te agradar e te ver como um apoio, mas você nunca colaborou com isso. Agora eu posso dizer que eu não te suporto; não como uma mãe, nem como amiga, eu só... convivo contigo.

— Essa é sua forma de dizer que quer que eu vá embora? — Natasha questiona, não expressando emoção alguma. Shiro suspira fundo, se levantando da cadeira.

— É minha forma de dizer que eu vou cuidar de você, não importa o que aconteça.


E saiu do quarto, deixando Natasha abismada para trás.



Eles deixaram-na no hospital e agora voltavam para o hotel. Infelizmente, Jotaro não sabia dirigir, então Shiro o fez.


Foram os piores 20 minutos da vida do Kujo.


Não que ela quase tivesse atropelado alguém na rua. O problema foi que a rádio oferecia exatamente as músicas que Shiro adorava, fazendo dela um foguete animado.


— Jotaro?

— Hm. — Resmunga. Subir as escadas carregando inúmeras sacolas como uma mãe solteira não era nada divertido.

— Tô muito diferente? — Shiro questiona.


Era muito estranho vê-la assim. Além de mais velha, ela parecia agitada e um pouco mais... louca? Talvez a dor tivesse tirado um pouco de sua sanidade.


— ... Seus peitos estão maiores. — Jotaro pega a chave do quarto em seu bolso.

— Uau! Obrigada por atestar o óbvio, Jotaro! — Ela exclamou em um tom extremamente sarcástico. — Eu não teria notado se não fosse você!

Kujo suspira. — Só tô dizendo que vai ser estranho agora, mas eventualmente vão se acostumar... Eu vou me acostumar.


Shiro prendeu a respiração quando ele voltou a atenção até o trinco da porta, e largou o único saco de compras que carregava. Correu rapidamente até o moreno, abraçando suas costas com os braços frios. Ele congelou, não sabendo exatamente o que sentir, mas sorriu levemente, sabendo que sentiu falta da sensação de um abraço da garota.


— Você salvou minha vida... Pela terceira vez. — Disse, e Jotaro soube que era sobre Dan, Natasha e... sua tentativa de suicídio de vários meses atrás. — O-obrigada.


Ele pegou as mãos dela, que quase não se encostavam pelo tamanho do seu torso, e carinhosamente apertou-as nas suas. Eram tão pequenas e frágeis comparadas às dele... Shiro em si era tão frágil, tão pequena, parecia de porcelana. E seu maior medo era que ela se quebrasse. Com os polegares, fez carinho em ambos os pulsos da garota, ficando surpreso quando ela não tentou se afastar.


— ... Como seu irmão mais velho, é meu dever te proteger.


Longos minutos de silêncio, e ouviu Shiro fungar. Suspirou e virou-se, abaixando para que ela enlaçasse os braços ao redor de seu pescoço, e a apertou contra si, fazendo carinho em seu cabelo e permitindo que ela silenciosamente chorasse contra seu ombro. Após longos 5 minutos sem sair da posição, Shiro se afastou, fungando e suspirando pesadamente.


— Tá melhor?

— T-tô.

— Boa garota.


Fez cafuné no cabelo da garota, hesitando ao afastar a franja dela e deixar um beijo rápido em sua testa. Shiro riu, já se animando, agradecida por Jotaro confiar nela o suficiente para lhe mostar este lado mais frágil que ele detinha dentro de inúmeras camadas de dureza. Tinha as bochechas vermelhas pela atenção incomum que recebia do mais alto.


— Isso foi super gay!


Jotaro suspirou, praticamente exalando frustração, e se virou, buscando novamente as chaves no bolso. — Você acabou com o momento.


Ele ouviu a risada de Shiro atrás de si antes de ela se esconder atrás de sua forma, agarrando-se o seu sobretudo como uma criança adorável.


Jotaro finalmente abriu a porta, observando o ambiente. Kakyoin estava sentado numa das camas usando seu pijama roxo e branco, um secador numa mão e uma escova de cabelo na outra, escovando a mecha macarrão do seu cabelo. Polnareff estava deitado no chão olhando o teto do quarto, talvez tendo uma crise existencial. E Joseph estava assistindo TV; aparentemente uma novela indiana qualquer, e parecia não estar gostando.


— Cheguei. — Jotaro anuncia, entrando no quarto.


Kakyoin desliga o secador, sorrindo simpático. Jotaro se pergunta como ele poderia manter essa feição o tempo inteiro. Ou talvez fosse só ele mesmo que era rabugento demais para ser simpático com alguém.


— Oi, JoJo. — Ele cumprimenta. — Tudo ocorreu bem?

— Sim.

— Onde está a Shiro? — Polnareff rola pelo chão. — Ela prometeu que iríamos jogar poker hoje!

— Ela... — Jotaro se remexeu um pouco, sentindo as mãos leves de Shiro agarrarem o tecido do seu sobretudo. Ela estava se escondendo atrás dele, tímida e hesitante. — É complicado.

— Não me diga que você abandonou a menina na estrada! — Joseph exclama em escândalo.

— Claro que não, velho. — Jotaro franziu o cenho. — De onde tirou isso?

— Da novela. — Joseph aponta a TV. — É uma merda, mas é o que tem.


Jotaro franze o cenho. Seu avô conseguia ser bem estranho às vezes. Não conseguia imaginar como diabos eles dois eram parentes.


— Certo. — Suspirou pesadamente. — Não gritem, porquê vocês são escândalos e irritantes.

— Com licença?! — Polnareff estava claramente ofendido. — Isso é calúnia!

— Shiro, saia. — Ele mandou, balançando o cotovelo direito para trás, provavelmente acertando seu busto sem querer.


Shiro apareceu, saindo de trás de Jotaro. Ela riu, acenando com um sorriso quase tímido no rosto, mas soltando as seguintes palavras:


— Boa noite, caralho!


Os queixos dos três homens caem. Polnareff é o primeiro a correr até lá e andar em círculos, cercando Shiro e analisando-a.


— S-Shiro?! M-mas, você tá mais velha e alta e... — Seus olhos azuis pararam no busto da albina. — Agora você tem... uh...

— Seios? — Ela franze o cenho. — Polnareff, eu sempre tive. Só que cresceu mais, agora que envelheci.

Polnareff franziu o cenho, pegando um punhado do cabelo ondulado dela, sentindo-o extremamente macio entre os dedos. — Ok, mas... Você envelheceu! C-como?

— É uma longa história. Na verdade, não tão longa assim, mas-


Interrompeu-se quando Kakyoin, que ela nem viu se aproximar, pegou seu rosto entre as mãos, sentindo a mesma pele lisa e macia de antes. Ele a encarou incrédulo, e então desviou os olhos para Jotaro, que calmamente descascava uma laranja, apoiado na mesa onde as compras foram postas. O homem alto deu de ombros, e o ruivo voltou os olhos para Shiro novamente, apertando suas bochechas para que ela fizesse um biquinho.


Voltou os olhos para Jotaro.


O QUE?!

— Não grita. — Jotaro suspirou.

— COMO ISSO ACONTECEU?! — O ruivo andou até o moreno, atrevidamente batendo a mão em seu peito.

— Falei pra não gritar.

— FODA-SE! — Kakyoin, o garoto prodígio que eles nunca biam xingando, exbravejou. Jotaro estava notavelmente irritado. — COMO VOCÊ DEIXOU ISSO ACONTECER?!

— Sorvete! YEET!


Eles observam Shiro abrir o balde de sorvete e formar uma colher de gelo na mão, cavando o sorvete e enfiando uma grande quantidade na boca. Ela suspirou ao sentir o gosto de baunilha derreter em sua língua.


— Supimpa!

— Shiro! — Joseph, que se aproximara em silêncio para observá-la, chamou. — Pode nos explicar como isso aconteceu?


Makarov e Kujo se entreolharam antes de o mais velho desviar os olhos, dando de ombros novamente, deixando que ela escolhesse. Por fim, a de madeixas brancas suspirou, tomando na boca mais um pouco do sorvete.


— Eu... encontrei minha mãe. — Ela começou, vendo as expressões incrédulas que os homens fizeram. — Ela tinha um stand, e aparentemente Dio foi quem lhe deu um, mas não explicou como. Ela me atacou, e..., Basicamente o stand dela suga energia vital e, junto com isso, um pouco da juventude...


Shiro suspirou, deixando o sorvete de lado e passando as mãos no rosto, como se estivesse cansada. Deixou um choramingo sair, esbanjando frustrações.


— Ela nem tentou pedir desculpas... por nada.

— Tudo bem. Está tudo bem. — Kakyoin afasta uma das mechas que caía sobre o rosto da mais velha. — Pelo menos você deu uma surra nela.

— Dei.


Era meio estranho ver Kakyoin agindo assim, tão carinhoso e íntimo. Certo, eles desconfiavam um pouco, mas isso? Entregou praticamente tudo.


Joseph pigarreou, semicerrando os olhos para o casal.


— E quantos anos ela tirou de você?

— Três. — Jotaro intrometeu-se. — A vadia tirou três anos da Shiro. E o efeito é irreversível.

Shiro suspirou, concordando. — Pelo menos no meu registro eu ainda tenho quinze anos...

— Menos, Shiro. Menos. — Jotaro joga uma toalha nela, que pega-a no ar e bufa. — Vá tomar banho e descansar. Vamos... processar tudo isso.

— Hm? Acho que minhas roupas não vão servir em mim.

— Vista as minhas, sei lá. — Jotaro resmungou

— São muito grandes... — Shiro resmungou. Seu rosto se tornando calmo e inexpressivo.

— Algo errado, Shiro? — A pergunta partiu de Polnareff. — Tá fazendo essa cara estranha que sempre faz quando tá com sono ou com raiva.


Ela fecha os olhos e relaxa a postura. Sem mais nem menos, a albina tropeça para frente antes de cair encima de Kakyoin, que por pouco não deixou-a cair. Preocupado com sua saúde, ele se ajoelhou rapidamente e, com uma das mãos atrás de suas costas, afasta a franja do rosto de Shiro e pousa a destra em sua testa.


Nada.


O resto do grupo se esgueira para perto, cercando-os.


— O que ela tem? — Jotaro é o primeiro a falar. Possivelmente era o mais preocupado deles. Claro, ali era sua melhor amiga.

— Acalmem-se... — Kakyoin franze o cenho ao ver a feição de Shiro calma e serena. Ele sorri de lado ao ver o peito dela subir e descer lentamente. — Ela tá só dormindo.


O grupo solta as respirações que haviam prendido inconscientemente. Kakyoin passa um braço por baixo de suas pernas, levantando-a sem muita dificuldades. Ela parecia ter o mesmo peso de antes.


— Podem deixar que eu levo ela. — Ele anuncia, andando até a porta e abrindo-a com auxílio de Hierophant Green.


Ninguém realmente disse nada. O ruivo deu de ombros antes de sair e fechar a porta. Polnareff franze o cenho.


— Ok, ce que la baise? — O albino chama a atenção dos demais. — Eu acho que eles estão namorando em segredo.

— Ah, você acha? — Jotaro tinha a voz sarcástica. — Porquê eu tenho certeza.

— Um dia desses eles sumiram simultaneamente e o Kakyoin tinha um roxo no pescoço, mas disse que era machucado. — Joseph passa a mão pelo queixo.


Os três se entreolham como se fossem 3 detetives tentando resolver o maior enigma da história. É isso, não acredite nas mentiras dele.


— Eles estão se pegando. — Concluem por fim, se dispersando pelo quarto. Jotaro pareceu lembrar-se de algo, chamando-os duramente, o que os fez parar de andar.

— Precisamos conversar sobre algo. Shiro, especificamente.

— O que? Eu já sei que ela é louca suicida. — Polnareff deu de ombros, soltando um resmungo de dor quando Joseph estapeou sua nuca.

— Não é isso. — Jotaro resmungou. — Natasha disse que Dio quer ela viva. Não podemos deixar isso acontecer em hipótese alguma. Sabe-se lá o que esse maluco vai fazer com ela.


Joseph estava agora sério. Engoliu em seco, tentando formular um plano.


— Não podemos deixar isso acontecer, mesmo. — Polnareff concluiu. — Vocês sabem, se ele botar as mãos nela, estamos ferrados.

— Ferrados? — Joseph cruzou os braços.

— Bom, ela é nosso floquinho de neve. E, quem mais saberia todos os nossos pontos fracos? — Ele resmungou. — Vocês sabem o que aquele botão de carne dele faz com as pessoas.

Jotaro grunhiu em concordância. — Não podemos deixar ela sozinha... Não vamos.



Kakyoin suspira quando delicadamente coloca Shiro deitada na cama. Ela gemeu fracamente, se espreguiçando até sentar-se e bocejar preguiçosamente.


— Você está bem? — O ruivo questiona.


A albina espreguiçou-se um pouco, buscando o gakuran dele com as mãos e puxando-o para que ele se deitasse ao seu lado. Kakyoin corou consideravelmente enquanto ela passava as pontas dos dedos suavemente pela pele de sua bochecha.


— Eu tô ótima. — Assegurou. — Na verdade, não tanto. Eu quase morri para minha mãe... De novo.

— Ei, calma. Eu tô aqui agora. — Ele carinhosamente passa uma mão pelo rosto de Shiro. Ela se inclina ao seu toque, fechando os olhos. — O que importa é que ela perdeu no final.

— É, isso importa. — Ela resmungou. — Mas foi assustador. Eu pensei que nunca mais a veria, e então ela simplesmente vem atrás de mim. E eu podia ver diversão nos olhos dela enquanto ela me dava uma surra.

— Você devolveu a surra, não foi?


Shiro soltou um riso nasalado, concordando.


— Ela me tirou três anos, então levou três tiros.


Kakyoin a olhou meio abismado, tapando a boca com a mão, não sabendo se ria ou se a reeprendia. Engasgou com a própria saliva, limpando a garganta.


— Não foi sério, foi? — Questionou. — Que lugares você acertou?

— Ombro, braço e abdômen. — Sorriu. — Na verdade, acertei a cintura dela, na parte direita. Nada que a matasse. Ela ainda é responsável pelo meu dinheiro, afinal.

— Caramba. — Bufou. — Ei, a manga do teu braço direito tá meio rasgada...

Shiro pareceu lembrar-se de algo. — Ah! Eu nunca te mostrei, não é?


Ele riu com a animação da garota.


— O que?


Shiro animadamente removeu a longa manga que cobria quase que seu braço inteiro, e Kakyoin engasgou em choque ao avistar uma tatuagem de um Saturno médio em seu braço. Ela riu, passando as mãos pelas sardas mais escuras que tinha ali. Havia uma constelação desenhada por algumas delas. Ele a reconheceu como o a harpa de Orfeu.


— Uma colega minha fez depois de terminarmos um trabalho escolar juntas. Nem Jotaro sabe; ele me mataria! E dona Holly também! — Ela disse. — Eu amo o planeta Saturno, e a historia de Orfeu é super comovente, então eu a fiz nas minhas sardas.


Ele passou o dedo pelo desenho de cor quase que arroxeada, numa linha tênue entre maravilhado e em choque. Gaguejou o encarar Shiro nos olhos, não conseguindo realmente formular uma frase.


— S-Shiro.... Você... é incrível.


Ela riu, desviando o rosto que ficaram vermelho. Bateu a mão em seu peito, de forma leve, como se quisesse que ele parasse.


— Ah, que isso! — Riu envergonhada. — Nada de mais.


Noriaki resmungou um "Hm", gentilmente subindo uma mão pela lateral de seu corpo até o pescoço dela. Passou as mãos pela gargantilha da garota. O tecido que segurava o pingente de coração tinha um rasgo, quase cedendo.


— Tá rasgando... — Ele observou. — Quer que eu tire? 


Shiro imediatamente agarrou o pulso do ruivo, inconscientemente apertando-o, e Noriaki teve consciência de que cruzou uma barreira que não deveria. Ela não sorria mais; na verdade estava séria, arriscaria dizer que parecia meio desconfiada.


— T-tem... algumas cicatrizes nele...


Kakyoin engoliu em seco, imaginando qual era a exata origem das cicatrizes.


— Me desculpa.

— Não, tá tudo bem. — Respondeu. — É... só um trauma de infância. Eu deveria mesmo te contar, desabafar, sabe?


Ele engasgou quando ela sentou-se, cruzando as pernas, e afastou os cabelos volumosos dos ombros, tirando a gargantilha. Levantou-se, pronto para dizer que ela não precisava realmente mostrar, mas congelou quando viu. Em estado de choque, se sentou na cama, tocando o pescoço cicatrizado da garota suavemente, parando quando ela se encolheu.


Sentiu pequenas elevações nas laterais do pescoço da garota. Ele pegou seu queixo, virando o rosto da albina para o lado, para enxergar na pele pálida marcas praticamente impressas em sua pele.


Eram cinco. Três na lateral direita e duas na esquerda. Pequenas logos ao redor de um formato que lembrava um anel visto de frente. Infelizmente, as marcas eram mais fracas, porém havia tatuagens contornando-as: três estrelas. Afastou o cabelo dela apenas para se dar conta de que haviam várias outras estrelas, fazendo assim um colar delas.


— Shiro... — Começou. — O que é isso?


Makarov alcançou a mão de Noriaki, que sentiu um arrepio ao encostar na pele muito mais fria do que o habitual. Voltou a encará-lo, dessa vez com olhos mais tristes, mais machucados.


— Hm, eu chamo de daddy issues. — Ela lhe deu um sorriso amarelo.

— Espera... Me explica direitinho, com calma. — O ruivo se ajeitou na cama. Shiro desviou os olhos, e ele respirou fundo, pegando seu queixo e gentilmente fazendo-a voltar a encará-lo. — Sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe?

— E-eu sei... — Shiro respondeu com a voz mais rouca e monótona. — Meu pai sempre foi mulherengo e golpista, sabe? Se envolvia constantemente com tráfico e máfias. Antes eu vivia com a Natasha, sobrevivíamos com o dinheiro que ele mandava mensalmente, mas completei dois anos e ele queria minha guarda compartilhada, a partir de um acordo internacional. Então, para ele me ver, Natasha usava o dinheiro que economizava para viajarmos ao Brasil, onde ele passou a morar, e ficava num hotel chique por vinte dias enquanto eu ficava com meu pai.

— E aí os problemas começaram, não é? — Kakyoin questionou com a voz mansa. Shiro assentiu, se remexendo para ficar ajoelhada, o colchão macio sob seu corpo deixando-a mais confortável.

— É... — Ela deu de ombros. — Uma vez ele chegou chapado de cocaína. Pó puro. E era das boas. O maluco me enforcou, eu quase morri asfixiada. Só parou porquê "perdeu a vontade".


Kakyoin sentiu os olhos começarem a se encher de água só de pensar na sensação de quase morrer por enforcamento, e ainda do próprio pai, que supostamente estava tentando passar algum tempo com você. Fez carinho na bochecha direita da albina, sentindo a pele lisa suavemente marcada por uma pequena cicatriz vertical de um corte de semanas atrás.


— Sinto muito, meu anjo.


Shiro sorriu sem humor, dando de ombros, mostrando que não se importava realmente com isso, o que era uma bênção.


— Não importa muito, agora. — Respondeu. — Ele é só um babaca solitário. Não se preocupe com isso, ruivinho.


O de olhos violetas sorriu levemente, ainda preocupado, tocando a bochecha esquerda da albina com gentileza e carinho. Shiro se inclinou ao toque quente, já mais leve por ter desabafado. Gostava da diferença entre eles; enquanto Noriaki tinha uma alma ativa e quente, Shiro era puro gelo, a essência do frio em pessoa.


— Você tá me encarando com aquela cara. — Ela disse, sorrindo quando ele a encarou confuso. — Aquela cara de idiota apaixonado que faz na maioria das vezes que me encara.

— É que eu te amo.


Shiro encarou-o enquanto seu queixo caía, mas logo começou a rir animadamente, de uma maneira um pouco estranha. Noriaki franziu o cenho, confuso, antes de sentir as bochechas queimarem e finalmente entendeu o que acontecia ali, soltando um "Ah" extremamente prolongado, procurando o que falar.


— Você perdeu!

— Não! Não! Não valeu! — Ele a chacoalhou pelos ombros enquanto ela ria zombeteira.

— Era pra dizer algo aleatório, Noriaki! — Ela exclamou. — E você perdeu!


O ruivo suspirou, sabendo que realmente perdera o pequeno trato silencioso que ambos tinham. Jurava que quem diria primeiro seria Shiro, que era desatenta e falava as coisas da boca para fora, mas aparentemente o mundo dá voltas.


— E o que eu te devo? — Questionou. — Espera, tinha alguma apos-

— Te amo, Noriaki Kakyoin. — Ela interrompeu de uma vez, com o rosto enrubecendo-se.


Kakyoun para, ficando tão vermelho quanto o próprio cabelo. Por fim, sorri tranquilo. Já que ele perdera, ela poderia falar, de qualquer maneira.


— Eu também te amo, minha Cherry.


Agora, envergonhada com a melosidade, ela corou e bufou, cruzando os braços e desviando o olhar, emburrada como uma perfeita Tsundere.


— Não vai se acostumando, Kakyoin! — Bufou, mas para Noriaki, parecia extremamente fofa. — Eu odeio melosidade.

— Não vou. Pode relaxar. — O ruivo responde tranquilo. Shiro riu depois de alguns segundos, e Kakyoin puxou-a para dar um beijo em sua testa, abraçando-a forte, praticamente embalando-a em seus braços, deixando que ela sentasse em seu colo.


Ficaram abraçados durante alguns minutos, em silêncio, um ouvindo a respiração do outro. Kakyoin desenhando círculos imaginários nas costas de Shiro, eventualmente brincando com seu cabelo mais longo. Era estranho vê-la mais velha, porém... interessante. Estava mais bonita do que jamais pensou que ela ficaria.


— ... Nori?

— Hm?

— Me dá banho?

— QUE?!


Notas Finais


tentei terminar o capítulo da forma mais descontraída possível hmkk

RAPAZ que tédio que eu tô nessa quarentena


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