História Era uma vez... - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 5.709
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hello, peoples!!! Faz um tempinho, né? Mas o tempo passa rápido quando não tem comentários ou teorias...

Enfim, fiquem aí com mais um capítulo!

Capítulo 11 - O sequestro


Resistência? Qual das Resistências?

- O que pensa que está fazendo, Tomica? - disse o velho, ainda com o sorriso de deboche no rosto. - Um motim?

- Esses prisioneiros são da Resistência agora. E você não vai querer lidar com a Resistência.

- A Resistência? - ele disse, incrédulo.

- Isso mesmo. - ela disse, tentando parecer firme.

- Ahn... O que está acontecendo aqui? - perguntou Zada, confusa com tudo isso.

- Pois é, eu também não estou entendendo muito bem o que está acontecendo. - disse Ed.

Isso não era bem verdade, já que ele tinha uma leve ideia do que poderia estar acontecendo.

Tomica suspirou.

- Só me deixe levá-los, Tapa-olho, e tudo ficará bem. - disse ela, séria.

Ele pareceu ponderar a situação.

- Eu acho que... - ele fez uma expressão de decepção -... não. - disse, com um tom divertido.

Ela mostrou uma expressão de pânico e surpresa que procurou esconder com uma expressão de irritação. As coisas não estavam indo como ela imaginara. Talvez pensou que dizer que era da Resistência os intimidaria.

- Então você não me deixa escolha. Eu terei que chamar meus reforços e...

- Pode chamá-los. - disse Tapa-olho, calmo.

Ela encarou-o com ainda mais pânico e surpresa.

- E-eu vou chamá-los mesmo! - ela falou.

- Ah, vai? - ele disse, com uma expressão de diversão nos olhos. - Tudo bem. Estou preparado.

Nesse instante, cinco outros piratas musculosos se aproximaram da plataforma circular. Eles pegaram Cassie, Ed e Zada com brutalidade.

- Ei! Isso machuca! Ai! - dizia Ed.

Zada tentava se mover, mas ela estava fortemente enrolada pela teia. Não havia nada que eles pudessem fazer naquele momento com Cassie, a única com magia fictícia, desacordada. Ed olhou com preocupação para o pingente quase totalmente verde de Cassie. Sua força vital estava perto do fim. Como ele pôde deixar que chegasse a esse ponto?

O pirata pareceu perceber a preocupação do garoto.

- Ah, não se preocupe, garoto. Ela vai ficar bem. Temos que manter vocês vivos para a encomenda.

O pirata deu uma gargalhada barulhenta. Então um fio de teia se enrolou no braço dele, o afastando de Ed, Zada e Cassie.

- Não! - disse Tomica. - Não vou deixar você levá-los.

- É mesmo? - ele disse, cético.

Tapa-olho olhou para um dos piratas.

- Dê um jeito nisso. - disse Tapa-olho, sério.

O pirata musculoso se aproximou dela.

- Espera, o que você vai fazer? - perguntou ela, enquanto era colocada nos ombros dele como um saco de arroz. - Me solta! - gritava ela, socando-o, o que tinha tanto efeito quando tentar empurrar uma montanha. - Me larga! Eu vou chamar...

Mas ela nunca terminou a frase, porque foi jogada do alto da plataforma, em direção ao Mar Místico do final do cano diagonal.

- Você a jogou?! Ela vai morrer! - disse Zada, assustada, indignada e surpresa.

- Ela não importa. - disse Tapa-olho, encaixando um dente podre na gengiva... Ugh.

- Agora, vamos logo. Perdemos tempo demais com isso. - dizendo isso, Tapa-olho e seus piratas deram as costas para a plataforma e seguiram por um caminho que dava dentro do prédio.

Zada olhou, chocada, para a única outra Tornacense que encontrara na vida e que agora estava morta (isso era o que ela pensava). Porém, cair numa corrente contínua de energia líquida não necessariamente quer dizer morte instantânea. Há uma ínfima possibilidade de sobrevivência, como você verá continuando a ler esse livro. Mas não é o que você pensa.

Os piratas e os três adolescentes seguiram por um caminho escorregadio e escuro por onde passavam vez ou outra filetes de um líquido cintilante, ao qual os piratas evitavam tocar a todo custo. Eu posso dizer a você, caro leitor, que isso era, na verdade, infiltrações de liquifé nas paredes desse prédio que é tão antigo quanto a arte de contar histórias (literalmente). Quanto ao que isso possa significar... Eu não faço ideia (por enquanto). Não narrei tão longe na história ainda.

Bem, vamos voltar para a narração...

Zada continuava olhando em choque para trás, o ponto de onde vieram, mesmo que não pudesse mais enxergar a plataforma. Ela estava paralisada. Talvez porque tinha acabado de presenciar a morte de alguém, talvez porque nunca tinha visto alguém ser jogado de uma altura enorme, talvez por se lembrar de algo que tinha relação com aquela cena... Quem vai saber?

Ed notou isso, mas decidiu ficar quieto. Logo os oito, contando com a Cassie inconsciente, chegaram a uma parede.

- É aqui. - disse Tapa-olho, levando as mãos até ela e a empurrando.

A parede se moveu e eles se encontraram em um belíssimo aposento bem ao estilo francês do século XVIII.

- Vamos. - disse o pirata, passando pela entrada. - E limpem os pés no tapete. Foi muito difícil conseguir essa passagem para hoje e eu não quero que o Marquês de Bonnuit ficasse de mal comigo. Já foi difícil conseguir a boa vontade dele depois que o Sarnento roubou aquele vaso chinês caríssimo.

Um dos piratas se empertigou de vergonha.

Os cinco grandalhões então tiraram as botas fedorentas, limparam os pés imundos no tapete caro de mil fios (apesar de que não adiantou muita coisa, só fez com que um tapete muito caro agora tenha que ser queimado), pegaram seus sapatos nas mãos e voltaram a jogar os três jovens nos ombros como sacos de arroz.

- Vamos. Mas não toquem em nada. Tudo aqui é muito caro. - disse ele, obviamente tenso, mas com um brilho de cobiça nos olhos.

Logo os oito atravessaram o imenso aposento e se dirigiram para uma porta.

- Muito bem. É por aqui. - disse Tapa-olho.

Assim que ele abriu a porta, eles se viram em um belíssimo jardim com uma belíssima mesinha de chá e cadeiras delicadas. Flores cresciam harmonicamente ao redor e, ao longe, um casal parecia prestes a se beijar. Tapa-olho fez uma expressão de nojo.

- Vamos logo antes que eu fique enjoado. - disse, ranzinza, apressando o passo.

Zada olhou, confusa, para o velho pirata.

Então em sua cabeça veio uma voz robótica do que eu chamei de "Assistente virtual de Tornacenses".

Meus sensores detectaram que você está querendo entender algo em uma história. O que deseja saber?

- Ahn... - Zada ia começar a falar quando notou que Ed a olhava e movia os olhos para a direita com veemência.

Ela virou-se naquela direção e viu que Tapa-olho a encarava.

- O que...

- Não. Faça. Barulho! - ele sussurrou, com raiva. - Eles não podem nos ouvir!

Ela engoliu em seco.

Quando pensou que ele não estaria mais ouvindo, ela sussurrou o mais baixo possível para o óculos em seu rosto.

- Eu queria saber qual a relação entre Tapa-olho e essa história. - sussurrou ela.

Informação não encontrada.

- Droga. - resmungou Zada.

Tapa-olho riu baixinho e Zada olhou-o, assustada.

- Então você quer saber da minha vida? - disse ele, com um sorriso intimidador. - Saiba que não vai descobrir nada com esses óculos de Tornacense profissional que tornam seu disfarce mais óbvio. Eu sou parte da Associação de Fictícios aceitos pela Sede e eles não deixam nossas informações pessoais à mostra.

- É o que você pensa. - pensou Ed.

- Isso poderia facilitar muito para os jovens na hora do Teste, o momento em que eles devem entrar em uma porta e enfrentar os desafios daquela história. - ele deu as costas para eles e continuou a caminhar, sendo seguido por seus piratas. - Além disso, você é nova demais para ser uma Tornacense profissional. Acho que a única coisa que poderia enganar alguém é o seu cheiro de magia.

Ele inspirou profundamente.

- É adocicado. Não sei como conseguiu forjar isso. Deve ser uma espiã amadora muito ambiciosa.

Zada encarava-o, boquiaberta. Agora fazia sentido como Archibald a descobrira tão rápido. E agora Tapa-olho acreditava estar carregando uma espiã e seus cúmplices.

- Bem, você se deu mal. Foi descoberta. - ele virou-se para ela com seu sorriso de dentes podres. - Mas pelo menos eu vou lucrar com isso. Haha!

Ele continuou a andar, alegre.

- Quem nos quer tanto? - perguntou Ed.

O pirata olhou suas unhas sujas numa imitação da pose de "não estou nem aí" atual.

- Bem, nós estávamos tendo capturar a roxinha...

- É magenta! - sussurrou Ed, com raiva, levando um tapa de um pirata.

- Como eu estou dizendo - enfatizou com o tom de raiva -, estamos tentando pegá-la há uma semana.

- Uma semana?! - Ed sussurrou muito alto e recebeu um soco.

- Se continuar assim, pode terminar inconsciente. É isso que você quer? - o pirata grandalhão perguntou, irritado.

Ed se calou.

- Você, garoto, é outro tipo de recompensa valiosa. - ele cuspiu no chão. - É um Primes.

Ed fuzilou-o com o olhar. Primes eram muito orgulhosos de sua família.

- E quanto a mim? - perguntou Zada. - Quem estava atrás de mim?

O pirata fez uma expressão de tédio e revirou os olhos vermelhos e cheios de sujeira.

- Alguém que eu não suporto, Toricres Writer.

Ed quase engasgou.

- Toricres?! Toricres Writer?! - exclamou um pouco alto, levando um soco no rosto que deixou uma marca roxa. - Zada, o que você tem a ver com Toricres?! Ele é um criminoso fugitivo!

O pirata riu.

- Ah, garoto, você tem muito a aprender. Eu posso não suportá-lo, mas sei do caráter das pessoas. Aprenda a diferença. EU sou um criminoso fugitivo. Toricres é um bom homem. Nunca conheci alguém respeitável que jogasse baralho tão bem. - ele sorriu, contente. - Ainda vou acabar com ele em um jogo e ter minha figura de proa de volta.

Então ele ficou atento.

- Silêncio agora. - sussurrou baixinho. - Vamos passar perto dos Fictícios que moram aqui.

Silenciosamente eles caminharam, passando pelas amoreiras. Zada decidiu prestar atenção no que estava acontecendo.

Bem ali do lado estava havendo um drama.

- Oh, Catarina, eu amo-te mais que tudo! - ele dizia, com tom apaixonado. - Por que me rejeita?

- Oh, Otávio, não cabe a mim escolher você. Meu pai já firmou meu noivado com Edmundo. Nós casaremos, no mais tardar, até o fim da primavera.

- Deixe-o! Ele não ama-te como eu! Aquele canalha ambicioso só quer seu dote.

Ela suspirou, dobrando os dedos, ansiosa.

- Sei disso. Mas meu pai, o Marquês de Bonnuit, diz que esse casamento será uma ótima vantagem para nós, os Charmant. - ela deu as costas para ele e olhou a paisagem formada pelo seu belíssimo jardim. - E você sabe que, depois de tudo que fiz a ele, eu não ousaria tentar contrariá-lo.

Otávio se aproximou por trás dela.

- Então não tenho seus sentimentos? - ele perguntou, triste.

- Otávio... - uma leve brisa passou bagunçando levemente seus fios castanhos. - Eu amo-te tanto que até me assusto.

Ele se aproximou dela, esperançoso.

- Fuja comigo. - sussurrou em seu ouvido, o que fez com que ela sentisse um arrepio na nuca.

- Otávio... - ela disse, sentindo-se sufocada pela presença dele. - O que está dizendo?! Não posso fazer isso!

- Pense assim: se fugirmos, poderemos ir para Veneza e nos casar lá. - ele disse e ela virou-se para ele, assustada. - Iríamos ser felizes juntos e o seu pai...

- Morreria de desgosto. - disse ela, bruscamente, desistindo de rejeitá-lo com delicadeza. - Ele é a única família que me resta. Herdarei seu legado em breve e voltarei a trazer a glória para o nome dos Charmant! - o brilho de convicção nos olhos dela fez com que Otávio recuasse.

- Mas... Mas eu pensei que... Pensei que você me amasse! - ele disse, assustado.

- Deve ter pensado também que eu faria qualquer coisa por você, que abandonaria tudo, que receberia a maldição de meu pai para seguí-lo aonde fosse e me deixaria ser usada por você até que eu ficasse velha e cheia de filhos para cuidar. Então eu ficaria sem nada e teria que me humilhar para que me aceitasse de qualquer jeito. - a raiva falava mais alto. Ela se sentia ultrajada pela ousadia dele.

- Catarina! O que houve?! - ele gritou, assustado, recuando.

- Eu descobri tudo sobre suas intenções, Otávio. - ela disse, com raiva. - Descobri sobre Elisa, Melissa e Dafne.

O rosto dele ficou sombrio.

- Como? - perguntou, abandonando a postura de cavalheiro.

- Não importa. - ela disse, irritada, dando-lhe as costas. - Vá embora. Não quero que meu pai me veja com você.

Ele olhou-a com raiva. Uma mulher tratá-lo assim era inédito e inaceitável.

Ele tocou o cabo da adaga.

Quando viu isso, Zada ficou tensa e ela sentiu um estranho formigamento no estômago e começou a encarar a cena intensamente.

- Você sabe demais. - disse Otávio, retirando a adaga da bainha.

Ele ia atacá-la quando ela virou-se para ele com os olhos soltando um assustador brilho rosa.

- Não. Se. Aproxime. De. Mim. - ela disse, pausadamente.

O brilho cessou e Otávio pôde ver novamente os olhos castanhos e firmes de Catarina. Ela sofria por dentro em sua decisão, por sentir o que sentia por ele. Mas ela sabia que ele não era o que ela enxergava. Que ele tinha um lado cruel e calculista, mesmo que, por ora, este lado estivesse eclipsado pela paixão frágil e passageira por ela.

- Como você quiser. - disse ele, se afastando e indo para o caminho que levava à mansão.

Catarina virou-se novamente para o jardim, sentindo-se estranha pela decisão que tinha tomado. A aura dourada que a cobria logo desapareceu e ela ficou apenas olhando o horizonte e o Sol se refletir no pequeno lago.

Zada balançou a cabeça, tentando entender o que tinha acontecido.

Esse canalha.

A voz misteriosa na cabeça de Zada voltou novamente.

Ele não vai mais importunar Catarina graças a nós.

A voz parecia satisfeita.

- Nós? - sussurrou Zada, confusa. - O que quer dizer com isso?

A voz pareceu suspirar. Acho que se ela fosse visível, estaria dando um sorriso maléfico e acariciando um gato preto no colo.

Não se preocupe com isso agora. Em breve você saberá.

- O que você fez? - sussurrou Zada, começando a se irritar.

A pergunta certa é "o que você fez?".

Com isso, a voz abandonou Zada e ela ficou encarando o banco onde o Catarina e Otávio tinham discutido. Fora muito estranho o quão repentina foi a mudança de comportamento de Catarina em relação a Otávio. Acredite, a Catarina de antes, não importava o caráter do homem, fugiria com ele se ele fosse gentil e romântico na hora do pedido. Qual é o grande desafio para passar por essa história? Eu não sei, mas acho que é suportar essa garota tomando decisões ruins e mesmo assim se controlar para não alterar a história. Se o Wilbur tem o dedo nisso? Não faço ideia. Mas se for ele, tenho que o parabenizar. A história pareceu ter ficado melhor. Pelo menos nenhuma coisa terrível fruto de efeito borboleta aconteceu ainda.

Voltando à narração...

Logo eles chegaram a uma porta camuflada que apareceu magicamente em meio a hera.

- Bem... - Tapa-olho apontou para a porta. - A saída é aqui. Essa porta dará no corredor - 1.

Ed riu.

- Qual é a graça? - perguntou Tapa-olho, irritado.

- Não existe corredor - 1. - falou, com tom de graça.

- Ah, existe sim. E é bizarro. Creio que você nunca viu a Sede do bloco 1.

Zada olhou o pirata, confusa. Ela perguntaria o que era aquilo para Ed, mas acho que nem ele sabia do que Tapa-olho estava falando.

- Estamos no andar 70. - disse Tapa-olho. - Nós vamos abrir aquela porta, andar pelo corredor, pegar o elevador até o "térreo", ir à Ala de Literatos, ir até o nosso andar e fazer a entrega. Alguma dúvida?

- Ahn... Quem são os Literatos? - perguntou Zada, ficando confusa com os nomes de tantas classes.

- São Escritores, só que arrogantes e orgulhosos demais para se chamarem assim. Acho que andam vendo demais as conversas de certos pais quando os filhos dizem que querem ser escritores. - Tapa-olho deu de ombros. - Se gabam do seu sistema de segurança, mas eles são os mais fáceis de se roubar. - explicou Tapa-olho. - Mas para chegar na Ala de Escritores, teremos que ser discretos. Lá, precisaremos de você, Zada. Sua proximidade com os Comuns pode nos ajudar a entrar e...

Ed gargalhou. Todos o encararam.

- O que foi agora? - perguntou Tapa-olho, irritado.

- Esse é o seu plano? - disse, com deboche. - Ir "discretamente" até a Ala de Escritores desse bloco e invadir sem sermos vistos? Que ideia horrível.

Um dos piratas estalou os dedos. Tapa-olho então deu um sorriso.

- Quer saber? Você tem razão.

O pirata musculoso se aproximou de Ed com os punhos prontos.

- Coloque-o no chão.

Ed foi basicamente jogado no chão e alguns fios da teia de Tomica se quebraram.

- Tive uma ideia. - falou Tapa-olho, olhando para Zada também.

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- Mas que grande quiznak! - reclamou Ed, caminhando pelo corredor.

- Não é tão ruim. - disse Zada, coçando o braço onde os fios apertaram mais. - Pelo menos agora podemos esticar as pernas. As minhas já estavam dormentes.

Ed suspirou.

- Não é isso. - disse, irritado.

- Eu sei. Também não aguento eles ficarem nos seguindo com esses rostos sorridentes demais.

Ed olhou para trás, irritado, vendo os seis piratas sorrindo com um barril de rum (que era Cassie encoberta por uma ilusão gerada pelos fios) nos braços.

- Também não é bem isso. - ele puxou a gola da camisa. - É essa roupa.

Zada revirou os olhos.

- É sério isso? - disse, irritada.

- É que, bem, precisava ser um vampiro?! Tem, literalmente, infinitas histórias no universo, mas, de todas elas, a que tinha o livro aberto mais próximo tinha que ser a de um vampiro?!

Zada deu de ombros.

- Na verdade, não vi o propósito de termos que ter a aparência dos personagens para chegarmos lá.

Ed cutucou seus dentes, incomodado.

- Esse é o andar 70. - disse, como se isso explicasse tudo.

- E... Como ser de uma história de vampiros se relaciona com esse andar?

- Bem, aqui é o lugar das "febres". Sabe, quando um estilo de história fica famoso por causa de um livro ou uma série de livros. - Ed deu de ombros.

Zada então parou e começou a rir.

- O que foi? - ele perguntou, irritado.

- Nada... - disse ela, limpando as lágrimas e tentando se controlar.

- Você está com problemas, garota? - disse ele, com raiva.

- Ai, ai... - disse Zada, se recompondo. - Só acabei de lembrar de uma coisa... - ela olhou pra ele, com cara de quem está achando muita graça. - Edward.

Aí ela voltou a gargalhar muito. Ed a olhava com cara de poucos amigos.

- Não vi a graça. - então ele teve uma ideia. - Pelo menos eu sou um personagem que aparece bastante. Você é quem mesmo? A figurante que só aparece no cenário?

Zada olhou-o com raiva.

- Pra sua informação, eu sou a irmã da caçadora de vampiros e o cérebro por trás de tudo. - disse Zada, com o nariz empinado. - Minha personagem só não tinha sido apresentada.

- Jura? Você é vilã? - ele disse, confuso. - Mas a sua magia é laranja, não rosa.

- E o que isso tem a ver? - perguntou Zada, confusa.

- Magia laranja faz com que você se torne personagens com potencial para serem os grandes heróis, mas que geralmente morrem para que o protagonista consiga salvar o dia e coisas assim.

- Que injusto! - disse Zada. - E a magia rosa? É para que tipo de personagens?

- Geralmente são de personagens cruéis, calculistas e que não deixam isso à mostra. - falou ele. - Na maioria das vezes são personagens femininas. Mas personagens masculinos também podem ter potencial nível rosa. - ele deu um olhar desconfiado para ela. - A cor da magia diz a respeito do caráter dos Aperiums e Tornacenses. Por que será que a sua personagem é uma vilã?

- Eu não diria vilã. - disse Zada, tentando mudar o rumo da conversa, que já estava a incomodando. - Agente dupla é o que melhor a descreve.

Ed revirou os olhos.

- Mas isso ainda é estranho. - disse ela, encarando sua cintura acentuada. - Não sou eu exatamente nesse corpo. - falou, passando a mão na cintura e percebendo pelo tato que era apenas uma ilusão.

- Você se acostuma. - disse ele, andando à frente com ar sério.

- Ao mesmo tempo eu me sinto como se eu fosse eu mesma como não sou há muito tempo. - ela disse, com um tom meio maléfico que fez Ed olhá-la com a sobrancelha erguida.

- Isso é meio problemático, Zada. - disse ele.

- Eu sei. - disse Zada, suspirando. - Talvez seja porque é minha primeira vez estando no corpo de um personagem no "mundo real". Isso é coisa de Aperiums. Pode ser que tenha algum efeito colateral em Tornacenses.

Eles entraram no elevador e esperaram os piratas entrarem com Cassie.

- Ou talvez seja porque você é uma "agente dupla".

- Como é?! - exclamou Zada, ultrajada.

Cara, como eu adoro essa palavra.

- De qualquer forma, não tem como eu saber. Não tenho uma equipe oficial.

Zada olhou-o, desconfiada.

- Por que está assim comigo, Ed?

Ed fez uma expressão azeda.

- Você ainda finge. - ele falou, ácido.

- Ed, o que...

- Não me chame de Ed. - ele falou, irritado.

- O que deu em você, Edward Primes? - ela disse, começando a se alterar.

- É o que eu pergunto, Zada... Ahn... Zada-alguma-coisa. - disse Ed, tentando manter-se sério.

Zada deu um sorriso maligno.

- Pelo menos eu não coloco meus amigos em perigo por causa de decisões egoístas. - disse Zada, o que não era bem verdade como você verá continuando a ler.

- Você não sabe nada sobre mim. - ele disse baixo.

Ela deu um sorriso presunçoso.

- Eu sei o suficiente para entender suas fraquezas, Primes. - disse ela. - Assim como esses piratas.

Ed olhou-a, cético, e um pouco de preocupação passou por seus olhos ao se dar conta de que ela não estava brincando.

- Talvez eu seja uma "agente dupla". Mas você nunca vai saber se é verdade ou só provocação. - disse Zada e então cada um foi para um lado do elevador e ficou de costas um para o outro.

Tapa-olho revirou os olhos.

Agora que eu percebi a ironia. Ele se chama Tapa-olho, mas tem uma perna de madeira e nenhum tapa-olho. Que coisa.

Eu sei, foi aleatório.

Voltando à narração...

As portas se abriram.

- Chegamos ao térreo. - disse ele, empurrando-os para saírem.

Ed e Cassie deram um olhar mortal um para o outro e então voltaram-se para o saguão do prédio.

Ele seria exatamente igual ao da outra Ala Aperium se não fosse por "pequenas" diferenças.

Em primeiro lugar, não haviam tapetes voadores ou chão de vidro que desaparecia. No lugar deles haviam escadas que mudavam de lugar. Zada estranhou olhar para o chão e não ver o andar de baixo. Havia um constante ruído de quando as escadas se moviam.

- Que lugar estranho. - disse Ed, olhando tudo e percebendo como as pessoas ali usavam roupas escuras estranhas.

- Vamos logo. - disse o pirata, empurrando-os.

O pátio principal era bem diferente do da Ala Aperium do andar 35.

O teto era dividido em quatro partes que mostravam as quatro fases da lua, o que dava uma luminosidade um pouco precária.

Parecia uma enorme Convenção de fãs com todos fantasiados de algo. O problema era o caos, já que a mistura de pessoas vestidas de bruxos e pessoas vestidas de vampiros e lobisomens adolescentes fazia parecer que uma guerra de fandons estava prestes a começar.

Apesar disso, estranhamente os piratas não chamaram atenção. Quem realmente chamou atenção foram Zada, sendo a vilã (na verdade a única vilã em meio à multidão), e Ed, sendo o "vampiro principal" (e consequentemente atraindo muita atenção, já que era o único ali que tinha algum tipo de expressão facial por estar assim há pouco tempo). Antes que você pergunte, os Aperiums de lá tinham que se manter daquele jeito praticamente o dia todo e, considerando que o tempo no mundo deles passava muito mais lentamente que no mundo Comum, isso era uma eternidade (não literalmente, claro). Ali ficava a parte mais delicada dos assuntos administrativos, já que histórias com muitos leitores podem gerar terríveis catástrofes no mundo Comum se algo sair do controle no universo deles.

E isso é sério. Da última vez que eles não ligaram para um livro que tinha um determinado número de leitores (mas cujas ideias não eram levadas a sério até então), o nazismo se espalhou pela Alemanha, a Itália ficou sob o controle de Mussolini e o mundo entrou na Segunda Guerra Mundial.

Por isso administrar tudo que acontece com o que as pessoas andam lendo é um trabalho muito importante.

Voltando à narração...

O grupo dos vilões das histórias estava em um canto, o canto mais escuro, trocando informações. Eles olharam para Zada e deram sorrisos intimidadores. Ela ficou tentada a ir lá, mas os piratas estavam logo atrás e o que carregava um gancho na mão o segurava no pescoço da Cassie desacordada. Zada apressou o passo e logo eles chegaram ao caminho que levaria à entrada para a Ala de "Literatos".

O caminho era estreito e escuro e vozes ecoavam pelas paredes, dizendo "Saiam daqui", "Somente pessoal autorizado" e "Canetas-tinteiro com 50% de desconto na Ema's Confecções de Itens Mágicos.".

- Estamos quase lá. - disse Tapa-olho.

Ed olhou o pingente de Cassie. Estava amarelo. Tinham que fazer alguma coisa logo. Ele andou mais rápido.

Logo chegaram em um portão com uma catraca.

- Alto lá! - disse uma silhueta no portão. - Quem são vocês?

Tapa-olho deu seu melhor sorriso amigável.

- Viemos em nome de... - ela falou mais baixo. - um certo escritor.

O homem deu um olhar desconfiado.

- E o que você acha do clima? - disse o homem.

Tapa-olho chegou mais perto.

- A lua cheia brilhará essa noite.

O homem suspirou.

- Essa foi a senha da semana passada. - falou e Tapa-olho deu lugar para Ed e Zada passarem.

Zada encarou o rosto do homem, achando-o familiar.

Many, o muro. Não dá pra passar por ele a não ser que você fale o nome do meio dele. Ele odeia esse nome.

A voz misteriosa voltou. Ela parecia saber de algo.

- E qual é? - perguntou Zada, baixinho.

Eu vou tentar lembrar.

Ed olhou Many nos olhos.

- Você sabe quem eu sou? - disse Ed e Zada revirou os olhos.

O homem olhou os dois.

- Um protagonista e uma vilã? Que casal curioso. - falou o porteiro.

- Não somos um casal! - disseram os dois, em uníssono.

- Então quem são vocês?

- Eu sou...

O olhar de Ed foi puxado para um cartaz de procurados que surgira na parede. Nele estavam Ed, Cassie e uma foto horrível da Zada. Espera, quando tiraram essa foto dela?

- Eu sou alguém muito importante e influente. - continuou Ed. - E é melhor nos deixar passar.

- Ah, é mesmo? - disse Many, entediado. - Sabe quantas vezes eu ouço isso por dia?

- Qual é, Many? - disse Tapa-olho. - Sou eu.

- Sinto muito, Victor, mas enquanto não falar a senha não posso deixá-lo passar.

Zada então fez cara de quem recebia uma surpresa.

- Sério? Esse é o nome? - sussurrou. - Ok.

Ela se aproximou de Many.

- Escute aqui, Many. - disse, enfatizando na palavra final. - Você nos deixará passar, senão eu direi o seu segredo para todos.

Ela fez sua melhor expressão amedrontadora e ele olhou-a, incrédulo.

- Que segredo? - disse e ela se inclinou para sussurrar em seu ouvido.

Ele parecia ter visto um fantasma.

- Como... Como você sabe disso? - falou, assustado. - Só havia uma pessoa que sabia disso e ela... Bem, eu não me lembro do que houve com ela, só sei que foi muito ruim.

Zada estreitou os olhos.

- Está me ameaçando?! - disse, com uma voz assustadora.

- Estou só avisando. Não se meta com ela.

- Ela? - perguntou Tapa-olho. - De quem você está falando?

Zada deu de ombros.

- Mais um segredo, Zada. - disse Ed. - Mais um motivo para eu não confiar em você.

Logo eles passaram pela passagem e chegaram à Ala de "Literatos". Lá o teto era dividido em doze partes, cada uma representando um mês do ano e, logo abaixo, um dos doze deuses gregos, formando uma imagem que parecia uma releitura da pintura do teto da Capela Sistina. Estava meio escuro e os escritores andavam por aí segurando pergaminhos e canetas-tinteiro. Eles não conversavam e havia muito silêncio ali.

Ed subitamente se sentiu fraco.

- Não vou aguentar manter os disfarces. - disse e a névoa se desfez ao redor de Zada e de Ed.

Ela estava de volta com a antiga aparência, mas sua cabeça estava a mil, a única coisa que mostrava que o feitiço não havia acabado. Claro, já que, para ele acabar, eles têm que entrar e sair novamente no livro, deixando, assim, os personagens de volta em seu lugar e fazendo a história voltar a rodar.

Uma figura passou apressada por Ed e esbarrou em Zada. Era Archibald.

- Ah, me desculpe. - disse, sorrindo amigavelmente para os dois, como se nada tivesse acontecido. - Estou apressado.

Dizendo isso, o Inspetor continuou a correr.

- Ele esqueceu tudo?! - exclamou Zada.

- Não necessariamente. - disse Ed. - Ele sabe que algo houve, mas não lembra os detalhes. Na verdade, ele deveria ter sido um pouco mais grosso por se lembrar de que estava com raiva de nós. Isso é estranho.

- E ele não me reconheceu. - disse Zada.- Será que foi a aura de magia Tornacense? - perguntou e Ed deu de ombros.

- Muito bem, para onde vamos agora? - perguntou Ed, olhando, preocupado, para Cassie, cujo pingente começava a ficar grená.

- Sigam-me. - disse Tapa-olho.

Eles foram até o prédio que estava sob o mês de Setembro com a imagem de Poseidon. Em seguida foram, com o elevador, até o corredor 7, no andar 77, abrindo a porta 7 e indo até a prateleira 7. Então Tapa-olho pegou o sétimo livro da prateleira e lá estava: o livro "A Rainha de Raj".

- Isso. - disse Tapa-olho, pegando o livro.

- Não. Ela não. - disse Ed, agora se dando conta da verdade. - Você não pode fazer isso com a Cassie!

Dois piratas o imobilizaram e Zada só olhava tudo, confusa.

- O que está acontecendo? - perguntou ela. - O que ele está fazendo?

- Fazendo a primeira entrega. - disse Tapa-olho, colocando o livro em um suporte decorado e o abrindo.

Assim que ele fez isso, Cassie acordou.

- O livro. - disse ela.

Os fios da teia de soltaram e ela cambaleou na direção do livro aberto.

- Cassie, não! - gritava Ed. - Não faça isso!

- Eu preciso, Edward. - disse Cassie, com o olhar vidrado.

- Não! - gritou outra voz.

Do outro lado da sala, uma garota com o vestido rodado rasgado, o cabelo meio chamuscado e os óculos de aro redondo torto os encarava com fúria.

- Eu não vou deixar que faça isso, Tapa-olho. - disse ela.

Com um único olhar seu, cordas surgiram do chão e prenderam Cassie, a impedindo de continuar.

- Tomica. - disse Tapa-olho, surpreso. - Pelo visto você sobreviveu.

- Da próxima vez que jogar alguém de um penhasco, certifique-se de que ela não tenha o poder de criar fios.

Dizendo isso, cordas surgiram do chão e enrolaram Ed, de novo.

- Eu vou impedí-lo, pirata. - disse ela.

- Você e que exército? - perguntou ele, zombando dela.

Assim que disse isso, névoa se desfez e dezenas de pessoas encaravam os piratas.

- Esse exército. - disse ela, com um sorriso. - Eu disse que trabalhava para a Resistência.

Então começou o caos.

O pessoal da Resistência contra os piratas. Deveria ser fácil, certo? Errado. A Resistência da qual Tomica fazia parte era a LL, a Liga dos Libertadores. Eles não eram bem guerreiros. Eram mais protestantes e ativistas. Já os piratas eram ladrões mercenários que não tinham medo de sujar as mãos.

No meio da bagunça que se instalou (o que incluía lançamento de facas, fios extra resistentes e colantes e objetos possivelmente não letais, como uma escova de cabelo de plástico azul), Tomica perdeu a concentração e as cordas de Ed e de Cassie se soltaram. Ela correu em direção ao livro. Vendo isso, Ed correu também e conseguiu chegar lá antes dela. Sei lá como ele conseguiu isso. Pode ter sido por ele ainda ter as habilidades do vampiro, apesar de já não parecer em nada com um, ou pode ter sido por Cassie estar muito fraca.

Seja pelo que for, ele começou a tentar fechar o livro, o que não adiantou nada, já que uma teia fora lançada, por engano, nele, o prendendo à parede. Nesse meio tempo, Cassie chegou ao livro e abriu um portal.

- Desculpe, Ed. - disse Cassie, por um segundo parecendo verdadeira. - Mas eu preciso parar de tentar ser quem eu não sou.

- Cassie, não diga isso! Não ouça o que a Rainha está falando! - disse ele, mas ela não o ouviu e pulou pelo portal.

- Cassie! - gritou Zada, segurando a barra da saia de Cassie e sendo puxada juntamente com ela para dentro do livro.



Notas Finais


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