História Era uma vez Elisa - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Comedia, Diário, Drama, Novela, Romance, Saga
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Palavras 1.474
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Demorei um tempo para escrever este capítulo, vivi experiências marcantes nesta história, relembra-las foi quase como vivê-las novamente; uma experiência intensa, portanto sentimentos intensos.
Confesso que lembrar dele ainda me faz sorrir.

Capítulo 3 - Quem é ele?


Fanfic / Fanfiction Era uma vez Elisa - Capítulo 3 - Quem é ele?

Guilherme é um homem muito bonito, tentei descrever sua beleza de inúmeras formas diferentes, nenhuma delas foi fiel o suficiente por não conseguir representar o que via quando olhava para ele, não se trata apenas da beleza física que ele esbanjava, mas da energia, das histórias, da força e paz que carregava consigo. Sempre que penso nele, lembro dos caboclos, espíritos de muita luz que assumem a forma de índios pela forte relação de amor e respeito à Natureza, apesar de extremamente fortes, até com certa brutalidade, são muito esclarecidos e caridosos. Acredito que à esta altura do campeonato já tenha ficado claro que meu interesse ia além da cachoeira, tive vontade de mergulhar nas águas de Luminárias e no coração daquele homem, me apaixonei por ele em poucos minutos de conversa, sendo estas sempre tão intensas e carregadas de ideias novas que me cativavam e me faziam refletir.  

Em seu braço direito estava estampado a conexão com a natureza, aquela tatuagem me faz delirar até hoje, nas falanges distais um baú de moedas, guardado por um polvo, que graciosamente tinha seus tentáculos desenhados nos dedos de Guilherme, quando movimentados davam vida ao molusco; conforme subia o braço, subia também o ecossistema, saindo do fundo do oceano, passando pela areia, pela mata, cachoeira, céu e terminando com o universo em seu ombro, este quadro era adornado por um relógio, dado por seu falecido pai, um homem de muito caráter, pelo que dizia o filho saudoso. Acredito naquele ditado que diz algo sobre peixe, filhos e pais, não me lembro exatamente o que ele diz mas sua ideia é sobre herdar características dos pais e sendo Guilherme quem era, não me resta dúvidas de que seu pai era também um grande homem.

Dentre conversas intensas e muito caminhar, paramos em um posto de gasolina para pedirmos informação, lá encontramos com outra prova de que a cidade conservava o bom coração das pessoas, Vicente é o nome do frentista que nos fez o favor de nos explicar como chegar na cachoeira, mas não contente em simplesmente passar a informação, queria nos dar um mapa, desenhar o caminho mais fácil ou até nos acompanhar para que não nos perdêssemos, agradecemos muito mas seguimos sem ele. Andamos por muito tempo e quando digo muito tempo, eu quero dizer de verdade muito tempo, estávamos no meio do Cerrado, a cidade estava bem distante e nem sinal da cachoeira, quando percebemos que a noite estava se aproximando, decidimos acampar ali mesmo, no meio do nada mais bonito que já pude admirar.

Fomos atrás de galhos e folhas secas para acendermos uma fogueira, meu novo amigo tinha algumas batatas e depois de embrulha-las no papel alumínio que eu tinha no meu mochilão, as colocamos na nossa recém acesa fogueira e em poucos minutos tínhamos um banquete bastante farto de batatas, fomos dormir sem saber o que comeríamos de manhã e de que forma encontraríamos a cachoeira, mas estávamos plenos, felizes pela oportunidade de estar ali, de nos maravilhar com o céu mais limpo que eu já havia visto, era outro banquete, mas para os olhos.

Uma lua cheia e um céu estrelado como nunca havia visto antes embalaram nossos sonos, acordamos bem dispostos para continuar nossa caminhada. Para nossa surpresa acampamos praticamente ao lado da cachoeira, tivemos que andar poucos quilômetros para alcança-la e ao me deparar com ela entendi toda a beleza que o Guilherme estava tentando me explicar. Três quedas de água cristalina batiam nas pedras, esta mesma água formava um lago translúcido, onde mergulhamos, nadamos e recarregamos toda a energia necessária para a volta, estávamos em paz, transpirávamos tranquilidade e um pouco de fome também. Quando decidimos partir, pedi alguns minutos sozinha na cachoeira e ali eu iniciei um processo intenso de cura do meu ser, antes de dar sequência à história, acho importante explicar este momento de cura porque aqueles minutos me ensinaram e continuam me ensinando muita coisa.

Quer saber? Talvez eu fale melhor disso em um outro capítulo, não acho que temos intimidade o suficiente para cavocar tão profundamente meus medos, ainda. De forma sucinta, aquela cachoeira me ensinou a me aceitar, me ver como parte dela, me amar e ser feliz por ser Elisa, me mostrou que ser Elisa era suficiente naquele momento, eu não desejava outra coisa. Entre gritos de euforia e liberdade, iniciei meu processo de cura (prometo que esta história ainda será melhor explicada) e ao voltar para o local em que havíamos acampado, encontrei com um Guilherme bastante preocupado, quando ele me viu, veio em minha direção e me abraçou forte, lembro que ele estava quase chorando e quando perguntei o motivo, ele me respondeu mais tranquilo que queria respeitar meu pedido de espaço, mas foi difícil demais depois de ouvir meus berros. Achei engraçado, olhei para ele com carinho e o beijei com todo o amor que estava transbordando em mim, naquele dia não comemos nada mas nossos suprimentos de água estavam abastecidos, resolvemos poupar as energias dormindo no mesmo lugar, não fizemos fogueira e desta vez só uma barraca foi montada: a nossa.

Ao passo que o sol se retirava, o Cerrado era tomado por uma completa escuridão, só percebi o quão acostumados estavam meus olhos com o escuro quando uma lanterna foi acesa sem querer e praticamente nos cegou. Sério, foi dolorido de verdade! Descobri neste dia que ter medo da falta de luz é ter medo do desconhecido, de não saber o que pode surgir dali, de se sentir apavorado à qualquer som diferente que fosse feito e lembremos que no meio do Cerrado os sons são dos mais diferentes tipos possíveis. Enquanto eu pensava sobre um possível ataque de capivaras, o garoto ia andando sossegado, com os braços cruzados nas costas, admirando tudo que seus olhos fossem capazes de enxergar, ele estava tão a vontade que era difícil não ficar, ainda mais quando ele me chamou para caminhar com ele, recostando a cabeça no seu peito, entrelacei meus braços no seu abdômen e caminhamos poucos metros para longe da barraca, admirando o céu estrelado ele parou, olhou para o relógio e disse tranquilamente: "É agora", olhamos para frente e no horizonte vimos surgir uma lua cheia que iluminou completamente todo o breu que nos guardava.

Era romântico, um pouco amedrontador também, mas era fantástico estar ali, hora admirando o céu, hora admirando o universo que habitava no meu novo amor. Eu o amei, sim, foi rápido, foi intenso, eu não sabia quanto tempo ainda teria com ele antes que ele partisse, mal sabia se teríamos o que comer no dia seguinte, mas o vazio no estômago havia sido preenchido por borboletas que voavam levemente toda vez que ele tirava os olhos da lua para traze-los para mim, eu procurava me ater a cada detalhe como uma tentativa de eternizar aquele momento dentro de mim. Hoje, escrevendo sobre ele, percebo que a técnica deu certo, acredito que se fechar os olho posso me transportar para lá. Estávamos exaustos, fomos conversando sobre paixão, sintonia e intensidade até entrarmos na barraca e ali, dentro dela, vivi minha primeira história de amor na cidade.

Estava pensando se entro em detalhes da noite que vivemos dentro daquela barraca, até o presente momento estou com dúvidas, acho que será suficiente dizer que foi intensamente mágico, que meu corpo foi tocado por mares, cachoeiras, estrelas, árvores e de mim brotou um universo de sentimentos, éramos tão íntimos, como se ele me conhecesse melhor do que muitos amigos de longa data, ele me proporcionava uma liberdade e um conforto indescritíveis. Nos abraçamos e dormimos. Ao despertar no abraço daquele homem escancarei um sorriso, estava feliz por poder admirar aqueles olhos que mesmo fechados transmitiam paz, sorri um pouco mais ao perceber que ele tinha um leve sorriso estampado no rosto, como quem dorme feliz e não deixa o sorriso se desmanchar nem enquanto descansa, tanta paz, tanta força, era uma mistura de segurança em estar ali e de completo desespero por sentir o monstro da fome gritar bem alto no meu estômago.

É inimaginável o pânico de sentir fome e não ter a mínima noção de qual será a próxima vez que surgirá a oportunidade de comer novamente. O deixei dormindo e fui em busca de comida, estava em Luminárias e confiava a minha vida àquela cidade, que havia me acolhido tão bem de tantas formas diferentes, passei pela cachoeira para tomar um banho matinal e me arrependi amargamente por provocar tanto frio a mim mesma, mas a água gelada me deu forças para continuar a caminhada, na verdade me deu vontade de me movimentar para ver se eu conseguia aquecer o meu corpo. Acredito que andei por duas horas seguidas até encontrar uma porteira, que estava ali apenas para que a esperança me desse fôlego para voltar, porque não tinha nada lá. 


Notas Finais


Fica a minha mais singela homenagem à este carinha que me ensinou tanto em tão pouco tempo. Gratidão eterna por todos os sentimentos despertados, por todas as histórias compartilhadas, por todos os momentos divididos, pela facilidade em conversar e resolver qualquer eventual problema.
Esteja aonde estiver, mas leve consigo a certeza de que te levo comigo.

Com todo o carinho, Elisa.


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