História Era Uma Vez Um Amor - Capítulo 4


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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiolia de Leão, Camus de Aquário, Dohko de Libra, Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Miro de Escorpião, Personagens Originais, Saga de Gêmeos, Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão (Shiryu de Libra), Shun de Andrômeda
Tags Eire, Hyoga, Romance De Época
Visualizações 43
Palavras 5.393
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Convencido por Melanie, Herval resolve dar a mão da filha para Victor, o príncipe de Gamelovet e decide mandá-la para o reino vizinho para que possa conviver com a realeza e aprender a comportar-se como eles. Apesar de relutante, o pai manda a filha para longe logo após o aniversário dela de 12 anos e de onde ela somente retornará aos 16. E neste dia de tantas emoções, a princesa resolve escutar seu coração e deixar que o sentimento que sente pelo amigo de infância extrapole a amizade e comece a se tornar amor. Seu primeiro amor.

Capítulo 4 - Ausência


Eire sentiu o tranco da carruagem parando e despertou de seu cochilo. Esticou as costas e xingou mentalmente o pai por não deixá-la descansar ao menos mais um dia no Palácio, antes de partir para Gamelovet. Não tinha dormido direito na viagem devido ao desconforto e ao turbilhão de pensamentos que invadiam sua cabeça. Não sabia o que esperar, não sabia como seria sua vida agora. Só sabia que quatro anos era tempo demais.

Um raio de sol invadiu a brecha que a cortina semifechada da janela da carruagem deixara, tirando a princesa de seus devaneios e despertando sua curiosidade. Abriu um pouco mais a fresta e visualizou um cenário totalmente novo e diferente. Olhou buscando algo familiar, mas não encontrou nada. Suspirou profundamente ao constatar que realmente não estava mais em casa.

Um servo da comitiva bateu na porta e discretamente abriu-a, convidando a princesa a descer. Eire saiu com dificuldade da pequena cabine, usando a mão do servo de apoio e esticando um pouco mais as costas ao descer. Ajeitou o vestido amassado da viagem e mexeu os pés, já dormentes pelos sapatos altos.

- Deve estar cansada, não é, meu bem? – falou a rainha Victoria simpaticamente, colocando a mão suavemente no ombro da princesa – Venha comigo, vou lhe mostrar onde são seus aposentos.

Eire nada respondeu, apenas seguindo a rainha. Sentia-se amedrontada, como um bichinho acuado, mas tinha que ser forte. Prometeu que não se abalaria.

- Aqui – disse a rainha indicando o caminho – Pode não ter sua cara ainda, mas assim que trouxerem suas coisas, garanto que se sentirá em casa.

Eire sorriu em resposta. Estava tendo uma impressão boa da rainha. Talvez não fosse tão ruim quanto ela pensava.

- Vou pedir que preparem um banho. Poderá relaxar mais.

- Muito obrigada, sua majestade.  – Eire falou cordialmente.

- Victoria... apenas Victoria. – a rainha sorriu uma vez mais ao responder – Fique à vontade.

Eire viu a grossa porta de madeira fechar e deu uma olhada mais atenta ao seu redor. O quarto era grande, com decoração requintada. Objetos de ouro adornavam todo o ambiente. Não parecia ser um quarto de visitas, definitivamente tinha sido preparado especialmente para ela. Caminhou até a janela e olhou para fora imaginando visualizar a paisagem do seu reino, tão familiar. Mas mais uma vez não reconhecia aonde estava. Não se encaixava ali. Sentiu-se só de repente e abraçou-se, numa tentativa inútil de diminuir essa sensação ruim. Sorriu fraco ao lembrar de Mino e desejou que ela estivesse ali para compartilhar suas impressões. Pensou que teria que ocupar seu tempo para que a mente não ficasse tomada pela tristeza. Ao escutar a porta abrindo e a mucama lhe chamando, teve um estalo:

- Senhorita... poderia me arrumar papel e lápis?

XXX

Em Froidiville o clima era estranho sem a presença da princesa. Herval olhava o quarto vazio de sua menina, repleto de recordações e tentava acalmar seu coração, sempre forçando-se a se convencer de que tinha tomado a melhor decisão para sua filha.

- Querido..  vamos tomar café? – perguntou Melanie docemente, interrompendo seus devaneios.

- Ahn? Ah sim... – respondeu distraído.

- Meu rei, não fique assim... – ela disse aproximando- se e abraçando-o por trás - Deveria orgulhar-se de sua atitude... nem todo pai teria força para fazer o que fez... E apesar da distância doer, não haja como se ela tivesse morrido. Ela está bem e voltará ainda melhor pra cá.

- Você não tem ideia de como machuca a ausência de um filho... – ele respondeu sem olhá-la nos olhos.

- Tem razão... Não tenho como saber, pois não tenho filhos... ainda. – ela respondeu tirando a mão das costas do marido e colocando-a no ventre, fazendo com que o rei virasse para ela, olhando-a curioso.

- Você está... quer dizer que eu... – perguntou o rei sem coragem de terminar a frase, mas com o olhar faiscando de alegria.

- Calma, ainda não sei... Mas pelos meus sintomas... tudo indica que sim.

O rei abriu um sorriso que há muito ela não via e pegou-a no colo, rodopiando-a no ar. Melanie sorriu e pensou consigo que as coisas não poderiam estar melhores. Seu plano estava saindo como ela imaginava e, em breve o rei esqueceria a filha distante e só teria olhos para seu bebê que, com sorte, seria um menino e o legítimo herdeiro daquelas terras.

XXX

*** Três meses após a partida da princesa ***

Hyoga treinava arduamente desde as primeiras horas da manhã. Fazer exercícios ocupava sua mente e fazia com que ele se esquecesse um pouco da tristeza de não ter sua princesa ao seu lado. Desde que ela partiu, tinha sido dispensado da guarda da princesa, afinal, não havia mais princesa para escoltar ou proteger. Mas com seu bom desempenho, foi realocado na guarda real, no pelotão principal. Ao derrubar o quinto oponente naquele dia, abaixou-se para recuperar o fôlego, enquanto Seiya, preocupado, aproximou-se do amigo.

- Não acha que já chega por hoje?

- Não estou... cansado... Seiya... – respondeu o loiro ao que o outro cavaleiro falou, sorrindo.

- Estou vendo que não... mas está quase na hora do almoço.

- Não tenho fome... – respondeu Hyoga já recomposto - Quer ser o próximo?

- Eu serei seu oponente. – interrompeu Ikki – Se eu te derrubar, você para com essa palhaçada, vai almoçar e ainda irá no sábado à noite comigo na taverna pra relaxar, por minha conta.

- É isso aí, ele lembrou do seu aniversário... – surpreendeu-se Seiya.

Hyoga apenas riu em resposta ao desafio do amigo.

- E aí? Vai encarar? – Ikki perguntou.

- Eu aceito. – respondeu o loiro, posicionando-se para defender-se.

Ikki avançou na direção do outro e os dois duelaram com as espadas. A luta estava equilibrada e atraiu a atenção dos demais soldados. Parecia que permaneceriam empatados indefinidamente quando o  cansaço finalmente venceu Hyoga, derrotando seus reflexos e fazendo com que Ikki, num golpe de virada espetacular, desarmasse o amigo e o derrubasse no chão.

Os outros soldados que assistiam foram ao delírio e aplaudiam a batalha enquanto Ikki, com sorriso de vitória nos lábios, oferecia a mão para o outro se levantar.

- Espero que cumpra com sua parte no acordo. – falou sorrindo.

- Sou um homem de palavra. – Hyoga respondeu.

- Certeza que perdeu de propósito... – Seiya falava enquanto acompanhava os dois amigos rumo ao refeitório do alojamento - Eu perderia, se fosse pro Ikki pagar umas bebidas pra mim...

- Você não tem idade pra beber ainda, pirralho... – Ikki falou ironicamente.

- E você também não tinha, até alguns meses atrás.. – Seiya respondeu, contrariado- Só porque fez 16 se acha adulto.

E vendo que Ikki o ignorou e continuou a andar, completou:

- E além do mais...Se eu não tenho idade pra beber, ele também não tem...

- O Hyoga faz 15... Mesma idade em que comecei a beber...

- E eu acabei de fazer 14... – retrucou o moreno – Mesma idade que ele tem hoje.

- Então ano que vem pode vir conosco... – Ikki falou, encerrando o assunto – E você, rapaz... – falou virando-se para Hyoga, colocando o braço ao redor do pescoço do loiro - Trate de não me deixar esperando no sábado... ou eu te pego pelas orelhas.

- Já te disse que sou um homem de palavra... – Hyoga falou uma vez mais, antes de se retirar.

- Tenho certeza que o que verá na taverna vai fazer você nem se lembrar da princesa... – falou Ikki no ouvido do outro, puxando-o pelo pescoço e dando um leve tapinha nas costas do amigo, com uma piscada de olho marota na sequência.

Hyoga apenas riu e balançou a cabeça negativamente. Entendia a intenção do amigo de tentar fazê-lo tirar a ausência de Eire da cabeça, mas sabia que era inútil. Ele não se esqueceria deste assunto tão cedo.

XXX

Tetis ajeitava o corpete pink no corpo esbelto e arrumava os longos cabelos louros enquanto se olhava no espelho. Em breve os clientes começariam a chegar, ela tinha que estar pronta.

- Vamos lá, meninas, sem atrasos... – falou Pandora batendo palmas, uma morena de cabelos compridos e corpo cheio de curvas. – Vamos abrir.

As meninas da taverna se colocaram em posição enquanto Marrie, a senhora dona do local, abria as portas.

O “Hidra”, taverna localizada no centro do vilarejo que circundava o palácio, era conhecido pela ótima cerveja e pelas formosas atendentes, que prestavam outros serviços depois de um certo horário.

Cliente assíduo do local, Ikki entrou, abraçado a Hyoga, e cercado por vários soldados que, após a discreta comemoração na casa do cavaleiro, tinham se dirigido ao local para continuar a diversão. Logo foi cercado por diversas meninas. Cumprimentou a todas com um selinho enquanto as garotas arrumavam uma mesa para ele e os demais. Hyoga sentia-se totalmente desnorteado e desconfortável, mas tentava parecer tranquilo.

- Quero o melhor lugar que tiverem! Hoje é aniversário do meu amigo aqui, tratem muito bem dele hein?

- Pode deixar, querido! – falou Tetis, enquanto abaixava-se perto de Hyoga, com o decote avantajado quase que encostando no rosto do garoto – O que você vai querer, meu bem?

O loiro arregalou os olhos, sem saber bem como agir. Era a primeira vez que frequentava um local como aquele e não sabia bem como se portar ali. Sua visão periférica capturou que certamente ele devia ser o mais jovem ali dentro, o que o fez duvidar se realmente deveria estar lá. Ikki divertiu-se com a situação, e tratou de salvar o amigo:

- Calma, meninas! Vamos apenas beber... por enquanto...

Tetis fez biquinho, mostrando decepção.

- Como quiser... O que vai ser então?

- Traz dez canecas grandes. Da cerveja clara. Pra começar!

- Pode deixar! – ela falou piscando o olho. E, antes de se retirar, abaixou-se e falou no ouvido de Hyoga:

- Se mudar de ideia e quiser mais diversão, é só me avisar...

Hyoga sorriu amarelo, e sem graça. Definitivamente não imaginou que a taverna fosse daquele jeito. Agora entendia o que Ikki quisera dizer com “o que verá lá dentro o fará esquecer da princesa”.

- Bom... hoje vamos à forra... – Ikki falou, interrompendo os pensamentos do outro, no mesmo momento em que Tetis colocava as canecas na mesa – Um brinde ao Hyoga aqui, que hoje vai se tornar um homem de verdade!

Todos os demais levantaram as canecas e comemoraram euforicamente. Ikki deu um gole generoso em sua bebida enquanto que Hyoga ainda olhava relutante para a caneca.

- Vai lá, manda ver! – Ikki falou uma vez mais – Seu pai não precisa saber de tudo o que você faz...

Hyoga resolveu aceitar o convite do amigo e deu um gole na cerveja. Fez uma careta, para a risada do outro, mas continuou bebendo.

- É isso aí! – comemorou Ikki- Tetis, traz mais uma rodada, a noite hoje vai ser longa!

XXX

Longe dali, Eire olhava o céu estrelado e tentava se sentir mais próxima de casa, imaginando que aquele mesmo céu devia estar iluminando seus amigos e família. Sorriu ao lembrar de seu pai e sentiu o coração apertar de saudade à medida que flashes dos momentos que passaram juntos lhe vinham à mente. Não pôde deixar de pensar em sua mãe também, e sentiu a saudade judiar ainda mais. O sentimento de nostalgia foi interrompido pelo gosto amargo que sentiu subir na boca ao lembrar-se de Melanie e tudo o que a madrasta tinha lhe causado de mal até ali. Lembranças ruins começaram a tomar sua mente e ela balançou a cabeça de um lado para o outro, como se aquele movimento fosse apagar as memórias tristes. Tentou pensar em algo bom que a fizesse se esquecer da rainha e o sorriso voltou a iluminar seus lábios quando ela se lembrou dos amigos e dos momentos que compartilharam. Das competições com o Seiya ao mau humor do Ikki, passando pelos sábios conselhos de Shiryu e as ótimas conversas com Shun e Shunrei, sempre com a palavra certa a dizer. Suspirou e teve o impulso de mandar chamar Mino para conversar sobre o que sentia. Como sentia falta de sua melhor amiga e confidente! Olhou a carta de quatro páginas recém escrita largada em cima da cama e pensou que se continuasse a escrever naquele ritmo, ao final de quatro anos poderia montar uma enciclopédia. Riu pra si mesma e segurou o pingente de cruz da corrente que ela nunca tirava. É claro que se lembrava dele também. Era a memória mais corrente que ela tinha. E, especialmente naquele dia, como não se lembraria dele? Como queria estar perto para dar um abraço, desejando os melhores votos neste aniversário. E quem sabe, não presenteá-lo com outro beijo, como o que ela roubou dele antes de partir. Instintivamente passou os dedos pelos lábios, como se aquilo fizesse a lembrança daquele momento ficar mais palpável. Olhou pra cama novamente e viu o lenço que ela bordou carinhosamente, com suas iniciais e perfume, e que ela pretendia enviar junto a uma carta que escrevera especialmente pra ele e que entregaria a Aioria, em sua próxima visita mensal a Gamelovet, feita a pedido do rei Herval para monitorar a filha e garantir que ela estava bem.

Escutou a porta abrir, e por um momento imaginou que ele fosse entrar sorridente em seus aposentos, montado num cavalo para resgatá-la dali. A imagem de Victor diante de si a fez acordar de seus devaneios.

- Ahn... boa noite, Eire. Está tudo bem? – ele perguntou cordialmente.

- Sim... obrigada por perguntar.

- Notei que está mais quieta hoje.. aconteceu alguma coisa?

- Nada demais...- ela respondeu saindo da janela e sentando-se na cama, pegando as cartas e o lenço – Apenas a saudade... Tem dias que aperta mais.

- Eu imagino que deve ser difícil... – ele respondeu sorrindo – Mas você já sabe, se precisar...

- Pode contar comigo... – ela respondeu junto com ele – Sim, eu sei. Muito obrigada.

O príncipe sorriu de volta pra ela e Eire pensou que, por incrível que parecesse, ele era uma das coisas boas que tinham acontecido a ela ali. A criança birrenta e mimada que um dia ele foi parecia ter ficado no passado definitivamente, dando lugar a um rapaz compreensivo e companheiro, que realmente fazia seu melhor para que Eire se sentisse bem. Ela não confiava totalmente em ninguém dali, mas começava a cogitar a possibilidade de baixar a guarda com ele. Afinal, que mal teria ter um amigo?

Victor, por sua vez, não conseguia esconder o que sentia pela princesa. O sentimento por ela ficava cada vez mais forte a cada dia e ele mal se lembrava da garota sapeca e irritante que um dia ela foi. Quando foi vê-la no aniversário, surpreendeu-se com sua beleza e sentiu a ternura pela garota aumentar, à medida que o tempo passava. Sabia que ele era jovem, e ela, ainda mais, e pensava se não estava se deixando influenciar pela história do casamento que aconteceria quando fossem mais velhos, imaginando um sentimento que, na verdade, não existia. Afinal, ele teria idade para sentir amor?

Ambos foram tirados de seus pensamentos ao escutarem uma conversa exaltada. Reconheceram a voz do rei e da princesa Joanne, e preocuparam-se. Correram para o corredor e apoiaram-se no corrimão, olhando para baixo, tentando ter uma visão melhor do que estava acontecendo.

- Você vai, Joanne, e chega de discussão! O rei de Livium já confirmou, está tudo certo. Não voltarei atrás no meu compromisso.

- Mas, pai...

- Já chega! Não quero mais discutir sobre isso. Assim que a comitiva deles partir, no próximo fim de semana, você irá junto.

A princesa resmungou com raiva e subiu as escadas pisando duro, quase atropelando o irmão e Eire no andar de cima. Se Victor tinha mudado, não podia falar a mesma coisa da princesa. Tinha ficado ainda mais arrogante que antes, tornando-se mais e mais insuportável a cada dia.

Antes de entrar em seu quarto, virou-se para Eire e gritou:

- A culpa é sua! A culpa é toda sua! – e bateu a porta.

Vendo que a loira não entendia o que se passava, Victor começou a explicar:

- Ela está descontente, pois irá morar em Livium... Meu pai deu a mão a dela em casamento ao príncipe de lá e quer que ela passe um tempo no reino, como seu pai fez com você.

Eire riu por dentro e não pôde deixar de sentir-se vingada, de certo modo. Mas isso não a impedia de compadecer-se da situação da outra: estava passando pela mesma coisa e sabia como era difícil. Sentiu que poderia dar apoio e ajudar, mas Joanne não era fácil e ela não tinha o mesmo canal aberto que possuía com Victor.

- Ela se acostuma... às vezes nem tudo é tão ruim quanto aparenta ser.

- Queria que ela tivesse a mesma visão que você tem... – desanimou-se o príncipe – Mas conhecendo o gênio da minha irmã...

- Conhecendo o gênio da sua irmã, - completou Eire – tenho mais dó do príncipe de Livium que dela.

XXX

Shun estava caminhando na parte comercial do vilarejo, onde barracas vendendo todo o tipo de coisas disputavam espaço e clientes. Levava em mãos a lista que a mãe havia feito, com algumas coisas que precisavam ser compradas, mas estava se sentindo meio perdido ali no meio de toda aquela gente. Já estava se arrependendo mentalmente por ter oferecido ajuda para comprar os suprimentos quando uma bela jovem loira de cabelos longos foi de encontro a ele.

- Me desculpe! – preocupou-se, ajudando a moça a se levantar – Você se machucou?

- Não, não... está tudo bem. – ela falou, sorrindo envergonhada.

- Que bom! – ele riu em resposta, voltando a mirar a lista. Ela notou que ele parecia confuso.

- Precisa de ajuda? – perguntou a loira.

- Bem, na verdade sim... – ele respondeu, sem jeito – Não estou conseguindo encontrar nada do que minha mãe pediu.

- Deixe-me ver se posso ajudar... – ela falou, pegando delicadamente a lista das mãos dele – Se quiser, posso te acompanhar e te mostrar onde estão essas coisas.

- Agradeço muito, mas não precisa se incomodar. Não quero atrapalhar.

- E não vai! – ela sorriu – Preciso comprar as mesmas coisas que você.

- Bem, se é assim... agradeço muito...

- June. Meu nome é June.

- Ok, June. Muito prazer! Eu sou o Shun.

- Muito prazer, Shun!

Os dois ficaram se olhando por um tempo. Shun se achava novo para namorar ou sair com mulheres, mas aquela garota tinha lhe chamado a atenção. June, por sua vez, estava intrigada com aquele rapaz, tão diferente dos que estava habituada a ver.

- Já que vai me ajudar com as compras, deixe-me ao menos ajuda-la carregando a sacola.

June alargou o sorriso com a atitude dele. Sem sombra de dúvida, cavalheiros eram difíceis de se encontrar. Já cavaleiros, ela encontrava todos os dias, aos montes.

XXX

Melanie caminhava pelo palácio com as mãos na barriga que começava a aparecer. Os enjoos de início de gravidez lhe incomodavam ainda, porém, bem menos que antes. Cansada de ficar deitada, tinha resolvido sair para caminhar e supervisionar como estavam os preparativos finais para mais um baile de coroação, o primeiro sem a princesa Eire. E, talvez por isso, o primeiro no qual ela via o rei mais quieto. Logo ele, que gostava tanto de festas e comemorações. Aproximou-se devagar e abraçou o marido por trás, carinhosamente.

- Veio ver se está tudo de seu agrado, meu rei?

Herval sorriu de leve ao responder:

- Na verdade, vim dar uma volta, minha rainha... mas e você? Como está se sentindo hoje?

- Estou bem, menos enjoada.

- Que bom! – ele falou, virando-se para ela e colocando uma das mãos em seu ventre – Este pequeno está te dando trabalho desde cedo, hein?

- Ah, faz parte... – ela sorriu, colocando a mão em cima da dele – E certamente vamos esquecer de toda a parte ruim ao ver o rostinho dele.

- Majestade... os primeiros convidados chegaram. – Interrompeu um dos soldados rasos.

- Ah, ótimo! Vamos abrir os portões. – respondeu o rei.

Um a um foram chegando os convidados e a festa parecia estar mais cheia a cada ano. E mesmo as pessoas de reinos distantes tinham comparecido ao evento este ano, o que demonstrava que o prestígio de Froidiville aumentava com o passar do tempo.

Seiya, Ikki e Hyoga conversavam com Shun e Shiryu animadamente.

- Quem sabe não aparece alguma garota interessante este ano? – Seiya falou, olhando a multidão que entrava.

- Sempre há garotas interessantes, todos os anos. – Ikki falava e olhava de modo sedutor para um grupo de garotas que estava um pouco mais afastado deles, rindo entre si e cochichando enquanto olhavam para os cinco.

- Bom para vocês! Espero que tenham a sorte de encontrar uma garota tão bonita e especial, como a minha... – Shiryu falou de maneira apaixonada, olhando para Shunrei, que conversava com outras meninas, ao longe.

- Olha, acho que pretendo seguir tentando a sorte com as erradas, até chegar na certa. – Ikki falou, para a risada de todos.

- Nossa, que jeito mais rude de falar, meu irmão. – Shun disse incomodado.

- Você é muito novo para entender dessas coisas, Shun... – Ikki falou bagunçando os cabelos do mais novo – Vai entender quando estiver mais velho.

- Nem precisa estar mais velho! – Seiya falou – Temos a mesma idade, Shun, mas entendo perfeitamente o que seu irmão quis dizer. Certamente você também entende.

Shun ruborizou com o comentário do amigo. Mais por ter se lembrado da bela loira que conheceu no mercado do que pelo que Seiya falara em si.

Um pouco afastado dali, uma morena de longos cabelos lisos e castanhos e grandes olhos verdes observava a tudo atentamente. Era a primeira vez que Louise participava de um baile real em Froidiville. Ela morava com os pais e a irmã mais nova em um condado próximo, mas tinham se mudado há pouco para o vilarejo ao lado do palácio, pois o pequeno condado de onde vieram tinha se tornado pequeno demais para a ambição de seu pai, um homem de negócios muito bem sucedido e de família nobre que graças a seus novos negócios com o rei, agora participava de eventos nos quais a família real estava presente ou que era organizado por eles.

A garota, então com seus catorze anos, olhava maravilhada para todas aquelas pessoas chiques, naquele ambiente deslumbrante, e pensava que ali seria um local perfeito para encontrar um bom partido. O pai já se preocupava em arranjar-lhe um casamento e ela estava aliviada por ter se mudado para lá antes que o pai lhe arrumasse alguém no condado em que viviam e que, certamente, não seria ninguém à sua altura. Ela sabia que merecia mais.

Louise separou-se da família para explorar melhor o local. Seu encantamento com tudo era tal que nem prestava atenção para onde ia. A grande sacada chamou sua atenção e ela foi diretamente para lá, estupefata com a paisagem que a luz da lua lhe apresentava. Aquele local brindava a todos com uma visão privilegiada do reino, uma vez que o castelo ficava no alto das montanhas. Não pôde deixar de sorrir com a imagem. Certamente, aquela cena daria um ótimo quadro.

A menina não soube precisar o tempo em que ali ficou, mas, ao tentar retornar para a festa, notou que não tinha a menor ideia de como fazer para voltar ao local onde os pais estavam. Olho de um lado para o outro tentando se localizar, mas não encontrou nenhum ponto de referência, nenhum lugar que lhe desse ao menos uma pista de do caminho que tinha feito.

Blasfemou contra si mesma mentalmente pela distração, e já preparava-se para buscar ajuda quando uma voz grave lhe tirou de seus pensamentos:

- Está perdida, milady? Posso te ajudar?

Os olhos verdes brilharam ao ver o jovem cavaleiro loiro de olhos azuis, vestindo a roupa típica dos guardas reais se aproximar, com um sorriso. Não pôde deixar de notar o quanto ele era bonito.

- Bem, eu... é que... – Blasfemou uma vez mais contra si. Tinha ficado um pouco mais impressionada do que imaginara com ele.

- Não se preocupe... – ele falou, de forma simpática – Este palácio parece um labirinto às vezes. Eu mesmo me perdi muito, apesar de conviver aqui dentro minha vida toda. – completou suspirando, lembrando-se de quando corria por ali com uma certa princesa.

Louise sorriu já mais aliviada ao responder:

- Fico feliz que não tenha sido só eu... Seria uma pena me perder por aí e não participar da minha primeira festa no palácio.

Ele então notou que realmente não a conhecia, nunca tinha visto esta garota antes. E a realeza de Froidiville não era tão grande assim.

- Ficarei feliz e muito agradecida se puder me levar de volta. – ela completou, sorrindo pra ele – A propósito, meu nome é Louise.

- Muito prazer, Louise. Eu sou Hyoga.

- O prazer é todo meu, Hyoga!

Ele sinalizou para que ela fosse na frente dele e a seguiu, indicando por onde tinham que ir. Não tardou muito para que encontrassem os pais dela, conversando com o rei e sua esposa.

- Pronto, está entregue.

- Muito obrigada, Hyoga. Salvou meu baile. – Louise falou sorridente.

- Não foi nada... se eu não tivesse te ajudado, certamente alguma outra pessoa o faria. Com sua licença. – E, fazendo uma reverência, o loiro partiu, retornando para perto de seus amigos.

De olho em toda a movimentação e, principalmente, atenta ao interesse da filha naquele rapaz, Alberta, mãe de Louise, aproximou-se da rainha e perguntou:

- Sua majestade... conhece aquele rapaz?

Melanie, que também tinha notado todo o ocorrido, sorriu maliciosamente antes de responder. Sabia que Louise precisava casar-se com algum nobre e era nítido que ela tinha ficado interessada no filho de Camus. Ainda que tivesse planejado, aquilo não teria dado tão certo. Livrar-se-ia de dois problemas de uma vez só.

- Sim, é claro. Aquele é Hyoga, ele é um membro da guarda real. É filho de Camus, o capitão e guarda mais fiel que temos. – e aproximando-se do ouvido da outra, completou – São de uma das mais nobres e tradicionais famílias de Froidiville.

- É sério? – interessou-se a outra – Isso é interessante...

Alberta não fez questão de esconder sua empolgação com o que ouvira e Melanie sabia do interesse da outra em casar logo a filha. Como ela sempre dizia, a sociedade era implacável com as mulheres. Não perderia mais tempo.

- Apenas um instante, sim. – falou de forma polida enquanto aproximava-se de outro grupo que conversava próximo dali.

- Natassia, com licença... – disse chamando a esposa de Camus – Poderia me acompanhar um instante?

A loira prontamente atendeu o chamado da rainha e juntas voltaram para perto de Alberta.

- Natassia, esta é Alberta. Sua família mudou-se há pouco tempo para Froidiville e eles estão ainda um tanto quanto deslocados.

- Muito prazer, Alberta! – falou simpática Natassia, cumprimentando a outra – Sei bem como se sente... Minha família também não é daqui... somos de um vilarejo mais ao norte e nos mudamos pra cá um pouco depois do nosso filho nascer. Pode parecer meio assustador no início, mas você logo se acostuma. Aqui é um bom lugar pra se viver.

E vendo que as duas já começavam a se entrosar, a rainha saiu de perto. Seu trabalho estava feito, agora é só deixar que o tempo se encarregasse do resto.

XXX

Louise estava sentada, apreensiva, na mesa junto aos pais que ainda conversavam animadamente com a família de Camus. Mexia nervosamente a perna e buscava com os olhos o belo cavaleiro que havia lhe ajudado antes, mas sem sucesso. Pensou em perder-se novamente para que, quem sabe, ele talvez pudesse encontrá-la outra vez e de fato chegou a fazê-lo. Não se perdeu e não o encontrou. Ficou ainda mais nervosa quando o mestre de cerimônias anunciou que iniciariam as valsas.

No canto oposto aonde ela estava, o jovem loiro conversava com os amigos. Na verdade, a esta hora ele mais ouvia que falava. Todo aquele clima de festa, todas aquelas pessoas... não tinha como não lembrar-se de Eire com tudo aquilo. E ao notar os músicos afinando os instrumentos, o coração apertou um pouco mais: a hora da valsa seria ainda mais dolorosa pra ele, sem ela ao seu lado. Foi quando Hyoga olhou pra frente e avistou Louise, no outro lado do salão, sentada, aparentemente deslocada. Sorriu de leve ao lembrar-se do que tinham conversado antes e pensou que se aquele era o primeiro baile da vida dela, certamente seria também a primeira valsa. E considerando que era nova no reino, não haveria ninguém que a convidasse para dançar. Levantou-se e caminhou vagarosamente na direção dela. Pensou consigo que, já que Eire não estava lá para alegrar sua noite, quem sabe talvez ele não pudesse alegrar a noite de alguém?

Louise já havia perdido as esperanças de encontra-lo e não deixou de sentir-se decepcionada ao ouvir os primeiros acordes da música começarem quando ouviu uma voz grave e viu uma mão estendida aparecerem diante de si:

- Me concede a honra desta dança, milady? – convidou Hyoga, sorrindo.

A garota sorriu ainda mais que ele, levantou-se, fez uma reverência, pegou na mão dele e partiu em direção ao centro do salão, onde vários casais já dançavam, sem nem ao menos importar-se em pedir permissão à mãe ou ao pai. Seus pais, aliás, observaram com gosto o convite ser feito à filha e animaram-se ao ver sua empolgação. Louise tinha um gênio difícil, se ela estava gostando de um rapaz que, por sorte do destino era nobre e de boa família, seria mais fácil convencê-la a casar.

O jovem casal rodopiava na pista de dança e Louise não parava de sorrir. Sentia-se nas nuvens: pelo pouco que conseguira notar, tinha tirado a sorte grande de estar dançando com o rapaz mais bonito daquela festa.

Hyoga por sua vez ficava feliz ao ver a empolgação dela, quase infantil, como quando uma menina ganha uma boneca que queria muito. Estava se sentindo bem consigo mesmo por poder proporcionar esse pequeno momento de alegria para a garota. Sabia como esse tipo de evento era importante para as mulheres. No entanto, ao vê-la ali, tão bonita e sorridente, não pôde evitar de pensar em Eire. Sentia o peito apertar de imaginar que ela estava longe, sozinha, embora cercada por pessoas. Mas por enquanto, não havia nada que ele pudesse fazer quanto a isso a não ser esperar que os quatro longos anos longe dela passassem depressa.

Melanie, sentada no trono, observava ao baile com um sorriso gigante nos lábios. Era impressionante como as coisas estavam saindo melhores do que ela imaginara ou planejara. O universo definitivamente conspirava a seu favor e ela sentia-se invencível: o que poderia dar errado, afinal?

O sorriso radiante da rainha, no entanto, logo fechou-se numa careta de dor, no mesmo momento em que ela sentia uma pontada na barriga. Já havia sentido isso antes, mas agora parecia mais forte. Sentiu outra e mais outra e levou as mãos ao ventre.

- Querido, não me sinto muito bem... Vou recolher-me... - falou ao pé do ouvido do rei, que ainda acompanhava o baile.

- O que está havendo? O que está sentindo? – preocupou-se ele, dirigindo automaticamente toda atenção à esposa.

- Não é nada demais, algumas pontadas apenas... Nada que eu já não tenha sentido antes. Quando isso ocorre, o médico geralmente manda eu me deitar e descansar, então, é isso mesmo que farei.

- Isso, vá... assim que finalizar o baile eu me despedirei dos convidados e me juntarei a você.

- Não se preocupe, eu ficarei bem. – ela falou enquanto levantava-se, depositando um beijo carinhoso na testa do marido em seguida.

Saiu discretamente, tentando não chamar a atenção de ninguém e caminhou alguns passos em direção as escadas que a levariam aos seus aposentos quando sentiu mais uma pontada, bem mais forte que as anteriores. Tão forte que a fez escorar-se na parede e envergar-se um pouco. Sentiu algo líquido escorrer por entre as pernas e, quando colocou a mão sobre o vestido notou que estava molhado. Ao olhar os dedos, estremeceu: era sangue. Tentou retornar para chamar o marido, porém não conseguiu, a vista escureceu, sentiu-se tonta e foi ao chão, desmaiando instantaneamente. Diferente do que ela pensava, parecia que nem tudo no universo estava conspirando aseu favor, afinal.

XXX CONTINUA XXX


Notas Finais


Eu voltei!!!!! E espero que dessa vez pra ficar hahahaha Apesar do péssimo trocadilho, o capítulo ficou muito bom. espero que gostem! :)


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