História Eram 7- Interativa - Capítulo 3


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Yolo, espero que gostem da primeira parte das apresentações.
A segunda vai sair provalvemente dia 20.
Antes de irem para o capitulo eu vou falar aqui os aceitos.
O primeiro masculino aceito ainda e o da @SOULitude, o hugo. Ele aparece no capitulo se não me engano. O segundo e o do @NiFischer. O terceiro aceito é a do @BruOliveira, mil perdões eu esqueci pra valer (como eu pude já até escrevi tua parte sorry :V)
As personagens femininas foram sem dúvida as mais difíceis para eu escolher e eu usei dois critérios o primeiro foi como a ficha está, se está bem detalhada e estruturada e a segunda é como se encaix na história, só teve um que foi escolhida por se encaixar bem na histório as outras ue escolhi mais por estarem detalhadas mesmo.
Eu penso perdão pelas fichas que eu tive que recusar, pois todas eram personaegns incríveis e espero que não fiquem bravas comigo.
As aceitas são:
@Devilly, @Pedro_Felipe256, @Prim-Prim e @Maria_Lerdona
Novamente desculpa pelas fichas recusas e espero que gostem do capitulo ^^

Capítulo 3 - Conversas, Parte II


Fanfic / Fanfiction Eram 7- Interativa - Capítulo 3 - Conversas, Parte II

 

Gente por favor lenham as notas iniciais , Eu me embananei todo ali. 

 

 

Um lince-canadense andava calmamente pelas ruas da cidade que agora descasava. Já era extremamente tarde da noite e somente as estrelas e a lua nova brilhante tinham lugar no céu. Todos os habitantes dormiam em suas respectivas camas ou, pelo menos, estavam em seus lares juntos com suas famílias. Todos menos uma.

Annemette Valtteri, ou simplesmente Anne para os íntimos, estava fechando sua lanchonete e morrendo de vontade de chegar a sua casa, tomar um banho e, logo em seguida, se jogar nos braços de Morfeu.

Honestamente, hoje fazia uma bela noite e a lua era o que comandava o céu noturno. Se fossem outros tempos, a mulher, sem dúvida alguma, estaria preparando algum feitiço ou curtindo sua família. Entretanto os tempos mudaram e agora Anne só queria o conforto de sua pequena casa e de sua cama. Fazendo carinho em seu Nog, ela começou a caminhar para leste.

— O que acha dos recentes acontecimentos que todos estão comentando, Mr. Lunne? — perguntou enquanto seguia o caminho para leste da cidade, onde ficava sua casa. — Acho que realmente fizemos merda dessa vez.

O lince fez um barulho muito sarcástico em resposta como quem quisesse dizer: "Fizemos? Que eu saiba, são os humanos que fazem a maior parte da merda".

— Por favor, nos poupe desse tipo de comentários — disse a mulher dando um risinho. O que seria dela sem esse rabugento? — Mas, voltando ao assunto, se tudo o que eu ouvi for mesmo verdade, provavelmente estamos mais perto do fim do que imaginávamos — disse suspirando resignada e olhando para a lua.

Olhando para trás, de repente, ela deu de cara com um Lunne fitando-a com um olhar sério e vidrado.

— Não me olhe dessa maneira, não estou tão pessimista assim, só estou dizendo a verdade — disse dando de ombros e seguindo o trajeto. Com uma espécie de miado, Mr. Lunne a seguiu de longe, mas, repentinamente, parou olhando para a direção oposta à que seguiam.

A casa de Anne ficava bem no fim da cidade, próxima à última sentinela, a estátua protetora do lugar. Era uma casa bem aconchegante e era tudo que a mulher poderia desejar nesse exato momento. Para ela, dormir até a tarde seguinte era a ideia perfeita, porém aparentemente Mr. Lunne tinha ideias um tanto ou quanto diferentes. Com um miado mais forte, ele se virou e começou a seguir na direção para a qual estivera olhando.

— Aonde vai, seu mal-educado? — inquiriu Anne num tipo de grito sussurrado. — Vamos para casa, hoje não é dia de passear pela cidade. — Mesmo com os apelos, Mr. Lunne continuou seguindo para o lado oeste da cidade. Lado este que guardava o passado dolorido de Anne.

Com um suspiro muito irritado, Anne foi à direção do lince com seus passos firmes e pesados. Com um gesto sutil das mãos, ela fez o felino começar a levitar e se virar para ela.

— Já te disse que esse lado não, e hoje também não é dia de passear — disse fechando os olhos e massageando a testa, enquanto suspirava pesadamente. — Hoje estou muito cansada para fazer qualquer coisa, Mr. Lunne.

Quando abriu os olhos, Anne encontrou o olhar firme e fixo do animal virado em sua direção — nunca tinha visto Lunne desse jeito, tão centrado. Parecia que queria tanto algo que até lhe doía à alma de tanto querer. Com outro gesto, fez o lince descer e carinhosamente, ela começou a afaga-lo muito devagar, olhando-o preocupada.

— Não me olhe assim, está-me assustando, querido. Algo está doendo? — disse segurando o rosto de Lunne entre as mãos.

Com um balançar abrupto, ele afastou as mãos de Anne de seu rosto e continuou a andar. Com um olhar preocupado, a bruxa não viu alternativa senão seguir o felino. Esse era provavelmente o único jeito de entender Mr. Lunne agora.

"O que está acontecendo com você, meu querido?", pensou muito preocupada.

Depois de andarem por meia hora, Mr. Lunne os guiou até o lago central da cidade. Um local esplêndido de beleza e perfeito, bem no meio da cidade de Miov. Apesar de estar bem no centro, Mrery era um lago enorme, tão gigante que não se via a margem oposta dele. Era comum durante o dia, sob a luz do sol, balsas o atravessarem constantemente. Mas no momento estava vazio. Mrery dividia a cidade ao meio e, apesar de todos os esforços, ninguém nunca conseguiu chegar ao seu fundo, diziam as lendas que aquele que fosse capaz de tal feito encontraria lá riquezas e glórias.

Esse lago era praticamente sagrado para os moradores de todo o continente. Motivo? Acredite se quiser, era desse lago que se originavam, literalmente, todos os rios de Mantril. Ele era a nascente perfeita, com um copo que transborda.

Olhando para um Mr. Lunne que estava parado a encarar o luar, ela se lembrou da lenda do lago.

A lenda a seu respeito dizia que há muito tempo, quando os Nogs não tinham suas almas vinculadas às dos humanos, há tanto tempo que o próprio Deus descia à Terra para ver sua criação, ele encontrou um Nog que tinha sido assassinado por seu próprio dono na vã tentativa de conseguir um Nog mais forte. Quando viu isso, Deus chorou tão amargamente e por tanto tempo que acabou criando um rio enorme. Contudo, para seu pesar, ele percebeu que esse novo rio tinha escondido o corpo do Nog.

Chorando mais ainda, fazendo o rio transbordar, ele gritou uma promessa para esse Nog de um jeito que todos pudessem escutar e compreender: "Quando a noite mais fria se aproximar e de uma chama pura alguém precisar, um herói aqui virá e do seu sono te despertará". Dizem que esse Nog só está esperando pela chegada do herói para ressuscitar.

Porém eram apenas historinhas infantis, como Anne pensava, e estava no momento com muito sono e frio, então, virando-se para Mr. Lunne, que agora lambia a pata, ela perguntou:

— Você me faz andar metade da cidade preocupada com você para olhar o lago? Você sabe que podemos vir aqui a qualquer dia e hora, querido — disse começando a virar as costas, mas algo subitamente a parou, melhor dizendo, ela notou algo extremamente estranho.

Não estava tão silencioso assim quando chegara. Onde estavam os barulhos dos sapos? E os ventos que antes zuniam ao pé do seu ouvido, para onde foram? Esse silêncio cortante era extremamente desconfortável. Virando-se para trás, para perguntar ao lince o que estava acontecendo, Anne travou.

Mr. Lunne agora olhava fixamente para o lago que, acredite se quiser, brilhava. Um brilho azulado, sutil e belo. Esse brilho também mudou o ar, que agora estava mais leve e úmido. Contudo isso não deixou Anne animada ou surpresa, ela sabia que qualquer coisa podia dar em merda e tinha que proteger seu Nog. Para piorar a situação, o lago começou a tremular, ficando mais "animado", por assim dizer.

— Lunne, sai agora de perto desse lago — disse se aproximando do lince que nem se importava com a cena, continuando a olhar para o rio com seriedade. — Lunne, eu não vou repetir! — disse puxando-o para mais perto de si.

Nesse instante, porém, o lago atingiu seu máximo e Anne viu pular dele um enorme e magnífico Hipocampo.

Respirando pesadamente, ela entrou num transe profundo ao olhar fixamente para o esplêndido animal a sua frente. Ele era lindo, com a cabeça e as patas dianteiras de um equino e o restante do corpo era uma cauda escamosa de peixe. A coloração de suas escamas era de azul brilhante que só o deixava ainda mais belo. O que tirou-a do transe foi um miado muito indignado que veio de um Lunne encharcado.

Olhando para o seu Nog ensopado, a primeira reação da mulher foi conjurar um feitiço para secá-lo — sabia bem o quanto ele odiava tomar banhos. Então ela ouviu o relincho entusiasmado vindo de trás das suas costas. O hipocampo tinha nadado para bem perto de onde ela e o lince estavam. Anne estava pronta para sair do lugar e se afastar de uma possível confusão, mas então notou que o cavalo-marinho místico estava assim porque brincava com Lunne de tentar mordiscar seus bigodes.

Sim, agora, estava completamente perdida e atônita.

Então, de repente, tudo ficou escuro e no fundo de sua mente, Annemette escutou:

"రెండవ హీరో కేవలం ఆరు తప్పిపోయాయి, లేచింది."

 

***

 

O ar do final da tarde era gélido e seco no interior da densa floresta. Era um ar horrível de se respirar, pois cortava os lábios e fazia os pulmões arderem. Bom, era assim que Brianna de Ceres pensava. Ela já estava nessa floresta há algum tempo e nada, nenhum sinal de algum ser vivo.

O inverno era algo odioso para a garota. Infelizmente, para ela, era sinônimo de fome e de muito frio que, junto do seu Explorador, os dois teriam que passar e sentir na pele. Às vezes, sentia raiva da floresta e de como o inverno poderia ser impiedoso.

Suspirando resignada, a garota se levantou de sua posição agachada entre os arbustos e esticou os músculos. Eles doíam e estavam com cãibra. Depois de se alongar, ela guardou a espingarda na bolsa em suas costas com um movimento rápido e preciso. Soltou um alto assovio e aguardou para logo ver a pequena lebre-americana de pelagem castanha, chamada Explorador, surgir dentre as árvores com o focinho e o corpo cheios de neve. Provavelmente, estivera cavoucando em busca de alguma raiz ou de qualquer outra coisa que lhes servisse de alimento para que pudessem os dois ter uma refeição decente hoje. Sendo honesta, essa imagem e esse pensamento já eram bastante comuns para Brianna quando o inverno chegava.

Olhou para os lados só para ter a última certeza de que não havia nada ao redor. Deu um último olhar ao horizonte onde o sol se punha no fim. Deu meia-volta e seguiu para a clareira em que montara acampamento, seria uma caminhada rápida e penosa. Rápida porque estava a apenas 1 h de distância de lá, e penosa porque ela iria remoer a falta de comida em sua mente durante o percurso.

Se bem que isso só a deixaria com mais vontade de caçar alguma coisa, no final das contas, isso nunca fora e nunca seria motivo suficiente para fazê-la desistir.

Dito e feito, mas ela andou mais rápido do que o esperado e em apenas 45 minutos já estava em seu acampamento improvisado com Explorador pulando vagarosamente atrás dela.

— Melhor andar mais rápido se quiser que eu deixe algum lugar para você na barraca — disse ela sem olhar para trás e sem parar de se mover. — Sabe que estamos aqui por culpa sua, não sabe?

Como resposta, Brianna obteve apenas os mesmos saltos lentos e preguiçosos. Explorador estivera muito estranho por esses dias, parecia mais desanimado e menos focado e isso, por mais que ela não quisesse deixar transparecer, a estava matando por dentro. O que estava acontecendo a seu fiel e único companheiro?

A última vez que o vira animado fora quando ela estava escolhendo uma área de caça e ele quase rasgou o mapa inteiro para sugerir essa velha e, se você acreditar em contos de fadas, mágica floresta.

— Se você não tivesse feito todo o drama que fez para que viéssemos para cá, talvez estivéssemos comendo uma bela refeição por essa hora. — Novamente só os mesmos passos lentos e preguiçosos, e sem parar, ela prosseguiu: — Talvez eu devesse começar a reconsiderar seus conselhos...

Sem esperar por uma resposta, dessa vez Brianna adentrou a clareira para encontrar o seu acampamento do mesmo jeito que deixara anteriormente. Uma cabana simples de pelos num canto seria seu leito pela próxima noite, um projeto de fogueira estava próximo o suficiente para esquentar a cabana e longe o bastante para não queimá-la no processo. Uma pequena panela de ferro descansava sobre ela, pequena panela que infelizmente não seria usada novamente por hoje.

Brianna seguiu direto para onde a fogueira estava. Se não quisesse morrer de frio à noite, teria que acendê-la em uma velocidade recorde. Sua sorte é que essa era justamente uma de suas maiores habilidades.

Já fazia 15 minutos desde que ela havia acendido a fogueira e mais de 10 de que havia chegado. No momento, ela degustava seu último pedaço de carne seca, tinha um gosto meio salgado, mas estava comestível.

Amanhã seria o dia em que finalmente acharia algum animal nessa imensidão branca e não teria que se importar com comida por algum tempo, pelo menos, era o que a garota esperava e acreditava. Olhando para o lado, ela se assustou ao perceber que Explorador nem tocara no seu pedaço de carne e agora ele estava de olhos fechados, aparentemente cochilando.

— Não vai comer seu pedaço? — Nenhuma resposta além do silêncio. — Menos mal, sobra mais para mim — continuou ela se esticando para pegar o pedaço próximo à lebre. — Sabe, se você continuar assim, terei que te levar ao médico. Será que existe algum médico para Nogs? — Nenhuma resposta novamente e, por mais que Brianna não quisesse admitir, a preocupação estava começando a tomar conta do seu coração. — Claro que existe ou você acha que aquelas dondocas deixariam seus Nogs doentes? — Dessa vez, ele balançou levemente as orelhonas macias. Bom, pelo menos algum sinal de vida. — Vamos dormir.

Com um balançar manhoso de cabeça, Explorador começou a saltitar em direção à barraca, mas então algo estranho tomou conta do ambiente e o Nog ficou mais atento do que jamais estivera na vida.

— O que está acontecendo? — Brianna se virou para olhar Explorador e só viu seu rastro na neve quando ele disparou em direção ao meio da floresta escura e fria. — Explorador, não!

Maldito Explorador! Maldito frio! Maldita floresta assombrada!

Esses eram os pensamentos que rondavam sua mente conforme atravessava a floresta escura e fria a sua frente. O que diabos havia dado naquele bendito Nog? Num instante, ele estava todo mole e com aspecto doente, no segundo seguinte lá estava ele todo atento e se embrenhando no meio da mata desconhecida. Brianna suspirou novamente e continuou sua caminhada de volta em direção ao acampamento, por sorte, ela já havia conseguido se localizar e não seria hoje que morreria. Ficaria tudo bem no final das contas.

Mas por que ela se sentia observada? E onde estava seu Explorador?

Balançando a cabeça, ela afastou esses pensamentos, amanhã pensaria melhor sobre isso.

Estava quase chegando quando escutou o barulho de galhos se partindo a sua volta. No mesmo instante, ela travou e se colocou em posição de ataque com o facão desembainhado. Péssima hora para descobrir que realmente havia um animal selvagem na região.

Então o cheiro a atingiu e Brianna percebeu que, o que quer que fosse esse animal, não cheirava como tal. Tinha o aroma de frutas frescas e de flores silvestres. Por incrível que pareça, a fazia se sentir muito mais segura do que deveria.

Nessa hora, foi muito complicado domar sua mente para não se lembrar das lendas que havia escutado a respeito dessa floresta, sobre o guardião que matava sem dó nenhuma os impuros que vinham aqui para destruir a natureza ou para roubar suas pedras preciosas. Se forçando a manter a mente atenta, ela ignorou esses pensamentos.

Os ruídos só aumentavam e agora vinham de uma direção específica, a garota estava pronta para atacar quando, dessa direção, surgiu Explorador.

Um Explorador animado e brincalhão que agora pulava ao redor dos seus pés, nem parecia o mesmo de algum tempo mais cedo.

— Você quase me fez acabar perdida pela floresta e depois volta desse jeito — disse o pegando pelo cangote e o levantando para poder olhá-lo de costas retas. — Não me olhe desse jeito, quando chegarmos ao acampamento, teremos uma conversa séria, seu malcriado.

Ela estava tão centrada que nem mesmo notou que um segundo Nog surgia da mesma direção que a lebre. Uma bela Lebrílope se mostrou e Brianna só foi percebê-la quando recebeu uma estocada de suas galhadas nas costas forte o suficiente para derrubá-la ao chão sem machucar-se. Com um olhar muito indignado, a garota virou-se e tomou um enorme susto com a visão.

— Mas que merda está acontecendo aqui? — quis saber enquanto encarava a bela Lebrílope à frente que, em contrapartida, a olhava orgulhosamente de focinho empinado. — Não sabia que você tinha trazido comida, Explorador — disse apertando o animal contra o peito.

O olhar que essa frase gerou no outro Nog a sua frente foi uma das coisas mais engraçadas que Brianna já vira em toda sua vida.

Ela ia continuar falando mais alguma coisa, entretanto uma escuridão tomou conta da sua vista e sua cabeça pesou enquanto escutava:

"మొదటి హీరో కేవలం ఐదు లేచింది"

 

***

 

Uma forte tempestade fustigava do lado de fora das janelas, trovões sacudiam as paredes com seus estrondos e raios iluminavam a noite fazendo-a parecer dia. As árvores balançavam seus galhos para todos os lados e caía tanta água que parecia um novo dilúvio.

Como já estava nevando no lado sul do país, era bem provável que essa fosse a última grande tempestade de calor e isso chateava muito Hugo, pois, por mais que no inverno a noite chegasse mais cedo e ele podia ficar mais tempo em casa, inverno era sinônimo de incontáveis festas. Tinha o nascimento de His, a missa da boa esperança, o festival do sol nascente e mais outras que ele não fazia a menor questão de guardar o nome, mas que eram tantas e cada uma mais chata que a outra. E, segundo seus pais, ele tinha que estar presente em todas.

Suspirando, o garoto desviou o olhar da janela e virou-se para o espelho, passando a ponta dos dedos no lado direito do rosto com tanta delicadeza que parecia até que um toque mais forte poderia ferir a pele como uma navalha. Era fato que sua aparência nessa metade do rosto era um tanto ou quanto desagradável, afinal, quem gostaria de ficar perto de alguém que tem um lado da face cheio de escamas e com um olho de cor estranha. Contudo ele nunca pediu isso, só pedia para ser deixado sozinho e em paz com seus próprios demônios como companhia.

Olhando para a metade normal, Hugo até se atreveu a pensar que talvez pudesse ser um rapaz bonito se não tivesse nascido amaldiçoado. O olho castanho-escuro, os cabelos médios lisos e negros. Sim, ele definitivamente seria bonito, mas acredito que Deus, quem quer que este seja, tinha outros planos para o garoto e sua miséria. Abaixou o olhar, não aguentava mais ver aquilo. Fechou os olhos e aproveitou o som da chuva do lado de fora.

Ainda de olhos fechados, Hugo escutou o barulho de rastejar e soube que seu único amigo estava por perto — seu Nog, uma serpente macho chamada Sirath. Era um lindo espécime. Sirath é seu confidente, muito teimoso, mas fiel e companheiro. O rapaz tinha sorte de ter um Nog tão especial. Ele se abaixou para falar e afagar a serpente, que sibilou de prazer.

— Hey, o que está fazendo por aqui? — disse deixando o réptil se enroscar no seu braço e trazendo-o para mais perto do rosto depois disso. Ele não se incomodaria com as escamas e o sangue frio de qualquer forma. — Não estava dormindo?

A serpente sibilou em resposta e se esticou com se pedisse por mais carinho.

Rindo e saindo do banheiro, Hugo cedeu aos desejos do Nog e continuou a afagá-lo. Em seguida, se jogou na cama com cuidado para não machucar Sirath e fechando os olhos, murmurou para o companheiro:

— Vamos dormir, meu pequeno amigo. Amanhã o dia vai raiar, infelizmente — disse entregando-se aos braços de Morfeu na mesma hora.

Não muito tempo depois, Hugo acordou sentindo a falta de alguém, que no caso seria de Sirath. Onde é que aquele pequeno monstrinho se enfiou? Suspirando e passando a mão no lado esquerdo do rosto, tentando afastar o sono um pouco, ele se colocou a procurar pela serpente. Ela não poderia ter ido tão longe, se bobear ainda estava no quarto escondida em seu armário.

O rapaz se levantou e foi em direção ao armário, parando na metade do caminho. Como a porta do quarto estava aberta? Ele tinha quase certeza de tê-la trancado antes de dormir. Se conhecia bem seu Nog, Sirath tinha saído por aquela porta e poderia estar em qualquer outro cômodo do palácio. Ele pensou um pouco e só tinha uma pessoa que poderia e iria fazer isso — seu irmão perfeito, Daron, e aquele seu Nog dos infernos, Stgarrt. Eles eram o mal e o horrível somados. Hugo sentiu a ira invadir seu peito, mas logo ir embora. Ele tinha que achar Sirath, já que, se isso fosse obra da dupla dinâmica, seu Nog provavelmente estaria em apuros.

Vestindo uma roupa qualquer e se esquecendo da máscara, Hugo saiu correndo para fora do quarto e deu de cara com um enorme e longo corredor frio. Os quartos dos seus outros parentes eram mais em cima, no topo das torres do palácio, mas ele preferia o frio do lado perto das masmorras. Desde que era criança se sentia atraído por esse lado. E nunca se arrependeu de ter pedido para dormir ali, somente agora batia um arrependimento ao ver aqueles tantos buracos que podiam ocultar Sirath.

Suspirando resignado, Hugo andou até o fim do corredor onde uma porta de metal fechava o caminho — ele nunca foi para além daquela porta. O mago real e sua mãe o fizeram prometer que jamais passaria dali. Embora quisesse, ele nunca poderia seguir além, a porta sempre se mantinha trancada e, por mais que tentasse, ele nunca teve êxito em abrir a maldita fechadura.

Como chegou ao fim do corredor, Hugo já estava virando de volta para o quarto quando percebeu que a porta estava aberta, a mesma que vivia trancada. Ele nunca sentiu tanta atração antes.

Aquela brecha parecia chamá-lo, não com sussurros, mas com gritos de apelo e persuasão e isso o deixava com medo. Pela primeira vez, temeu o desconhecido. Por mais que Hugo quisesse virar e sair correndo para o quarto, ele sentiu seu corpo indo involuntariamente em direção à porta e à escuridão que havia além.

Já estava nesse estado de transe há mais ou menos meia hora e nada além de muitos corredores subterrâneos, ou o que quer que aquilo ali fosse, nenhum som e nenhum sinal de alma vivente por ali. O garoto já tinha tentado parar, porém nada dava certo e ele sentia o pânico chegar muito rápido. Estava quase pirando quando ouviu o barulho familiar e querido do arrastar de Sirath.

E lá estava ele, todo imponente e poderoso... E olhava para seu dono como se este fosse um extraterrestre do mal.

Agora Hugo estava realmente assustado, Sirath avançava em sua direção com veneno escorrendo das presas afiadas.

— Sirath, por favor, sou eu, me ajude! — exclamou tentando em vão parar de andar e tentar acalmar seu Nog.

Novamente, mais uma surpresa nessa noite, a serpente passou reto e fincou seus dentes em algo atrás dele, que soltou o mais horripilante grito que Hugo já havia escutado em sua vida, mas ele não ligou muito para isso, pois agora já estava se movendo por conta própria. Ele saiu correndo para longe do pranto sem olhar para trás. Entretanto só correu com tamanha segurança porque sentia Sirath enrolado a sua perna.

Após mais de meia hora correndo, Hugo deu-se conta de que chegou num lugar lindo e mágico. Era como um jardim interno e tinha um buraco, um tipo de claraboia no meio, por onde agora a luz etérea do luar atravessava e iluminava o ambiente molhado e o lago azul brilhante.

Caindo de joelhos, o garoto permitiu-se descansar apalpando a canela direita somente para sentir o toque frio de Sirath enrolado lá. Com um sorriso satisfeito, ele puxou a serpente em direção a seu rosto.

— Você quase me matou de susto, seu doido — disse fazendo carinho com a bochecha na serpente. — Nunca mais faça isso...

Estava prestes a continuar, mas de repente, escutou um barulho vindo dos arbustos. No instante, ele se pôs em alerta novamente. Contudo, ao contrário do seu humano, o Nog se animou e se contorceu todo para ser solto e rastejar até a direção do som. Sem pensar muito, Hugo o seguiu gritando de maneira sussurrada:

— Espere aí, seu maluco! Não vá aí, não. Chega de sustos por hoje...

Foi interrompido quando, do nada, um ser semelhante a uma borboleta com uma caveira no lugar do rosto surgiu em toda sua glória e começou a voar a seu redor.

— Santo Deus... É hoje que eu passo para o outro lado — disse sentindo ficar tonto de susto e medo. O que aquela linda coisa iria fazer a ele? Se pudesse apostar, coisa boa não seria.

Todas as suas desconfianças foram para o além quando Hugo viu Sirath brincar com aquela magnífica criatura. E repentinamente tudo ficou negro quando ele escutou:

“మూడో హీరో మాత్రమే నాలుగు తప్పిపోయాయి, లేచింది


Notas Finais




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