História Éris - Capítulo 1


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Notas do Autor


eu sempre esqueço que os pronomes pessoais oblíquos sendo átomos não podem começar orações. então, peço desculpas se encontrarem algum "me, se, lhe, te, etc" após algum ponto final ou em início de parágrafo.

depois eu reviso direitinho:), boa leitura.

Capítulo 1 - Único


— éris —

— quer um?

contemplo o sorriso calmo em seu rosto; as covinhas quase tão aparentes quanto a tranquilidade que esboçava em seu olhar. tinha a xícara de porcelana em uma das mãos e um cigarro na destra — as cinzas caiam sobre o vidro da mesa da cafeteria.

— você sabe que eu não fumo, Namjoon.

deveria ser sua décima tragada, quando levantou uma sombrancelha e piscou rapidamente em minha direção. podia sentir minhas bochechas corarem assim que vi o ato; virei meu rosto para que ele não pudesse perceber, tomando um gole do chocolate quente seguida. observei seus dedos brincarem com o maço de cigarros, que naquele momento parecia tão insignificante quanto os meus sentimentos.

e eu tinha muitos deles por você.

então voltamos a conversar. e eu percebi o quão doce sua voz era.

perdi-me em meio a suas palavras, reparando na forma em que seus olhos se comprimiam quando falava. gostava de passar os fins de tarde com o garoto de cabelos arroxeados. ele me trazia frases bonitas e sorrisos amáveis, com um bom humor invejável que se escondia atrás de seus lábios quebradiços e bochechas coradas. era encantador ouví-lo recitar seus poemas favoritos ou escuta-lo cantar baixinho em ligações que fazíamos nas madrugadas frias. porque o calor que ocupava meu peito sempre que ele demonstrava afeto, fazia toda o gélido da noite sumir. e eu sentia que você, Namjoon, era perfeito demais para caber no meu mundinho.

porque você nunca foi meu. você sempre mereceu planetas melhores.

— eu acho que estou dificultando as coisas.

você me olhou confuso, com aquelas íris ínfimas e os lábios rosados franzidos, e voltou a ficar sério. Namjoon não parecia preocupado, nem nada; ele nunca foi um livro aberto, na verdade. e isso me deixava transtornado. porque em todos os nossos anos de amizade, você nunca demonstrou se importar de verdade.

e eu não quis continuar a falar. deixei a frase ressoar, e voltei a me calar. e sei que, a princípio, não deveria ter falado nada.

tomei o último gole do meu chocolate quente.

lembrei daqueles textos que você escrevia pra mim quando éramos crianças. você dizia que ia mudar o mundo — ou criar o seu próprio — e chamá-lo de mescla. na época eu não entendia muito bem, e você teve que me explicar que queria se sentir aceito, mesmo com o tanto de gente que existia na terra. queria estar íntegro e fazer parte daquela mistura tão confusa. e eu ainda não havia entendido. e você sorriu e me abraçou, e disse que um dia eu sentiria a mesma coisa.

e hoje eu entendo você, Namjoon.

a verdade é que eu chamaria meu mundo de éris, não de mescla. mesmo que já existisse, e que fosse um planeta-anão. chamaria por conta da discórdia que você causava dentro de mim, e da falta de beleza que me fazia sentir. porque eu poderia ser ceres, e eu ainda me sentiria péssimo.

— nós estamos.

então você segurou a minha mão e sorriu. mas não era sincero.

talvez essa seja a última vez que eu diga isso: peço desculpas pelas frases indecisas e os sentimentos reprimidos; você é o sol que reina em meu sistema solar, e eu odiaria te perder. sentir a nunce ínfima de suas palavras, só me fez perceber que eu estava errado em amar você. ainda que eu te ame da forma certa, você retribui da forma errada e isso já é o suficiente pra mim. e penso, com todo o desgosto que tenho, que posso te superar.

e mesmo que isso que isso não aconteça, ainda serei grato por fazer parte do seu sistema solar.



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