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História Eroda - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


De quarentena com a Kashi!
Boa leitura!
Cap dedicado para o @AngeFoxBluePM-_

Capítulo 16 - Back to You


16 — Back to you

Draco Pov

Eu não poderia negar que me sentia nervoso, sem ao menos fazer ideia da razão para isso.

Depois de passar uma noite inteira lutando contra mim mesmo, sem conseguir dormir, eu fui para o quadro da minha sala, vendo todo o esquema de coisas que eu poderia fazer para ajudar Harry, que havia construído a dois dias atrás.

Não entendia porque não estava conseguindo descansar após ter feito o plano, porque pensava que minha insônia nos últimos dias era preocupação sobre Harry.

Eu só fui entender o que era aquele incomodo desconhecido, quando meus olhos bateram no jornal de hoje, e eu pude ver a data.

31 de julho.

Minha mente insana não conseguia dormir, porque de alguma forma eu sabia que era um dia especial, e só não havia me dado conta disso antes.

Então, absolutamente tudo naquela manhã foi feito as pressas.

Eu precisava adiantar todo o plano para aquilo acontecer, porque se Harry estivesse magoado comigo, tudo iria piorar se eu deixasse aquele dia passar.

Suspirei, olhando para a entrada daquela casa, exatamente como fazia há cinco minutos atrás.

Quando fiz menção de me aproximar da entrada, me surpreendi ao ver a porta abrir, indicando um Sirius distraído de uma maneira, que quase me atropelou ao sair.

— Oi — Falei, sem pensar em qualquer coisa além disso para dizer, e vi ele franzir o cenho para mim, com uma surpresa muito grande.

— Você aparece aqui depois de semanas, e diz ‘oi’?! — Questionou me olhando da cabeça aos pés, parecendo não acreditar.

Após um mês sem aparecer, eu nem poderia julgar ele por isso.

— É aniversário do Harry — Respondi com a maior naturalidade que pude — Pensei em passar... e dizer um oi — Dei de ombros, como se fosse a coisa mais simples do mundo, vendo ele revirar os olhos — Você está com raiva de mim?

— É claro que não. Você não era obrigado a vir — Murmurou, ainda desconfiado — Só... não consigo te entender.

— Você vai morrer sem conseguir — Brinquei, querendo fugir de qualquer pergunta sobre meu sumiço — Hã... ele está em casa? Posso... entrar? — Me senti na necessidade de perguntar ao ver como ele parecia desconfiado, e ele riu.

— Você DEVE entrar. Na realidade, eu estava indo até sua casa agora mesmo.

— Aconteceu algo com ele?

— Não, ele está bem — Respondeu com um sorriso mínimo — Mas é que hoje, quando perguntamos o que ele queria de aniversário... Ele disse que queria ver você. Então... eu estava disposto a ir te arrastar pelos cabelos até aqui — Explicou, e eu não soube nomear aquele sentimento que me atingiu.

Merlin, Harry continuava sendo a criatura mais doce que existia no mundo, e era impossível saber lidar com isso.

Eu estive o mês inteiro me policiando a não me deixar levar, mas a simples percepção de que, de tantas coisas que ele poderia querer, ele queria ME ver, fez meu corpo inteiro amolecer, quase como se um peso houvesse saído das minhas costas.

— Ele... quer me ver? — Falei, sem conseguir me conter, e subi os últimos degraus, vendo Sirius suspirar e me seguir de volta para a porta, que ele abriu para nos dar passagem.

Assim que entramos, eu pude ouvir a voz dele, e isso me fez sentir uma paz enorme.

Aparentemente eu apenas estive me enganando o mês inteiro, e o efeito Potter ainda era muito avassalador em mim.

— ... Você acha que ele vai querer me ver?

— É claro que sim, querido. Tenho certeza que Sirius vai conseguir trazer ele.

— Mas... o padrinho não parecia estar brincando quando disse que iria trazer ele por bem ou por mal. Eu não... queria que ele obrigasse Draco a vir — Explicou, e eu conseguia sentir a preocupação na voz dele, que parecia estar na cozinha — Eu queria que ele viesse porque... quer me ver também.

Sorri, caminhando ao lado de Sirius, percebendo como era fácil estar ali.

Havia passado o ultimo mês me assombrando sobre procurar Harry, e toda a confusão de coisas que sentia sobre a presença do garoto...

Mas estar ali era a coisa mais fácil do mundo.

Era quase como se eu nunca devesse ter saído por aquela porta.

— Olhem o que eu encontrei na porta! — Sirius falou com uma empolgação diferente do tom desconfiado que usava comigo segundos atrás, e eu vi o momento em que Harry se virou na nossa direção.

E haviam tantas coias diferentes naquele menino.

Havia me habituado a vê-lo sempre com roupas claras, porque eram as únicas que Voldemort deixou para ele em Eroda.

Mas ali estava Harry, vestindo uma blusa de mangas na cor amarela, dando um aspecto muito bonito por destacar os cabelos muito escuros caídos até os ombros, bagunçados daquela forma charmosa, e um jeans simples.

Ele parecia ter cortado o cabelo recentemente, porque estava muito bonito ao redor de seu rosto, e talvez um pouco menor do que antes, mais ainda assim tinha um bom comprimento.

Não tinha mais aquele aspecto desconfiado e arisco na expressão, e suas bochechas tinham uma cor um pouco mais rosada, esbanjando saúde.

— Ouvi dizer que tem um aniversariante por aqui — Falei, querendo quebrar aquele clima estranho, porque Remus me olhava com surpresa e cautela, assim como Sirius fez ao me ver.

Mas não Harry.

Ele apenas abriu um sorriso muito bonito, pulando de onde estava sentado, derrubando a cadeira no processo para vir até mim, e eu ri quando ele se atirou no meu corpo com tanta saudade quanto poderia demonstrar.

Merlin, como eu sentia falta dele!

Do cheiro de sua pele, da sensação dos seus cabelos contra meu rosto, da sua presença...

Eu nunca senti tanta falta de algo em minha vida, como sentia de Harry.

— Eu senti sua falta — Ele contou baixinho, quase como se adivinhasse o que eu pensava, com os braços fechados nos meus ombros, e eu retribui o abraço apertado, beijando os cabelos escuros automaticamente.

— Desculpe não ter aparecido antes. As coisas... Estavam uma loucura.

— Tudo bem — Concordou, ainda sem me soltar, e eu mesmo não fiz questão alguma de romper o toque, porque parecia entrar na minha alma.

Ainda não fazia sentido para mim.

Mas era bom demais.

— E então... como está sendo o aniversário? Você é oficialmente um adulto agora — Questionei, e ele afastou a cabeça do meu ombro, erguendo os olhos verdes para mim com um sorriso gigante.

— É legal fazer aniversário — Contou sorrindo, e me puxou pela mão para ir sentar ao lado dele na mesa, pegando a cadeira caída, e eu pude ver que havia um bolo ali sendo confeitado por Remus.

— Olá, Draco. Quanto tempo — Ele finalmente falou, e eu sorri.

— Como estão as coisas?

— Tudo tranquilo. Melhores do que nunca, agora que temos Harry — Sorriu afetuosamente para o afilhado, e voltou a pegar uma pasta verde, enquanto tentava escrever algo que parecia ‘Happy Birthday Harry’, sobre o bolo cor de rosa.

— Você recebeu meu desenho? — Questionou curioso, e eu sorri para ele, sentindo aquela avalanche de boas coisas.

— Sim, recebi. Ron me entregou.

— Ele é legal — Contou sorrindo minimamente.

— Ele me disse que você está com alguns problemas para comer — Contei, vendo ele suspirar baixinho, murchando um pouco a animação, enquanto Sirius puxava a cadeira e se sentava na outra ponta da mesa.

— O organismo dele ainda está sensível. Ele não consegue comer quase nada sem se sentir enjoado. A alimentação totalmente saudável dele faz com que tudo seja... difícil. Dificilmente consegue manter coisas no estomago.

— Mas, por outro lado, Harry fez todos nós sermos vegetarianos agora — Remus falou sorrindo quando Harry demonstrou certa chateação no rosto, e eu sorri ao me virar para ele.

— É verdade? — Questionei, mas sem grande surpresa. Fazia todo o sentido, e eu me lembrei da cena com os peixes em Eroda.

— Sim. Comer animais é coisa de gente má — Explicou, e isso me fez sorrir como um idiota.

Como ele poderia ser tão adorável, mesmo agora sendo oficialmente um adulto?

Me lembrei de Ron falando que sentia vontade de chorar todas as vezes que ele usava aquele tipo de palavras, e não pude deixar de pensar que realmente era algo tão doce!

— O padrinho disse que você também é — Ele me contou sorrindo, e eu assenti.

— Passei por um episódio parecido com o seu. Fiquei algum tempo em um lugar onde não haviam grandes opções de alimentos, e quando retornei... Percebi que me deixava um pouco enjoado e sensível, ingerir qualquer tipo de carne... Então simplesmente parei. Não foi tão nobre quanto você.

— Você é sempre bom — Ele concluiu, ignorando meu último comentário, e eu continuava sem controle sobre meus sorrisos idiotas, mesmo eu sentisse Sirius me encarando com grande curiosidade.

Ele e Remus ainda estavam na defensiva comigo, e eu estava fazendo questão de ignorar isso.

Não queria ter que explicar nada.

— E... o que você andou fazendo esses dias?

— Só... ficamos aqui — Ele contou, esticando o braço para pegar minha mão, entrelaçando nossos dedos daquele jeito que sempre o fazia sentir mais tranquilo e seguro — Londres é uma bagunça — Ele explicou.

— Barulhenta, não é?

— Muito — Ele franziu o nariz, daquele jeito que me deixava ainda mais encantado — E tem tantas pessoas... Eu fico sempre assustado quando a gente tenta sair, e...

— Tudo bem, Harry. É realmente muito estranho sair de um lugar tão calmo, e vir para esse furacão. Você está falando bastante. Como vai a garganta?

— Já está bem. Eu ainda tomo muitas poções — Apontou para uma prateleira atrás de Remus, com diversos frascos — Mas não dói mais. Madame Pomfrey diz que logo eu vou estar totalmente bem.

— Isso é ótimo — Sorri para ele — E... vocês tem algum plano para hoje?

— Não — Sirius se pronunciou finalmente — O plano era te arrancar da sua casa, mas você me poupou o trabalho.

— Eu gostaria de levar você em um lugar — Falei me virando para Harry, ignorando a provocação de Sirius, vendo os olhos verdes se tornarem curiosos.

— Um lugar?

— Podemos aparatar direto lá. E não vão per pessoas, nem barulhos — Garanti, vendo ele olhar para Sirius, e depois para Remus, como se perguntasse — Na realidade, a ideia é que todos fossemos. Nós quatro. É um tipo de surpresa de aniversário — Expliquei para o garoto, vendo ele abrir um sorrisinho, muito empolgado ao alternar os olhares entre os mais velhos, agora de um jeito muito pedinte.

— Por mim tudo bem. Eu já terminei o bolo, então vou deixar ele na geladeira enquanto vamos — Sugeriu, e Sirius assentiu com desconfiança.

Harry foi calçar os sapatos, e finalmente ambos me olharam com grande cautela.

— O que é isso tudo? — Sirius finalmente falou, com os braços cruzados.

— O que quer dizer?

— Não se faça de idiota, Draco — Sirius me alertou, e eu suspirei.

— Draco, você desapareceu por semanas, não nos deu notícias. Realmente ficamos preocupados... E Harry esteve tão chateado pelo seu sumiço! O que aconteceu? — Remus questionou, com aquela sua calma de sempre, e eu suspirei.

— Eu estava precisando de um tempo.

— E não podia nos avisar?! — Sirius voltou a reclamar.

— Eu sinto muito — Falei, com sinceridade — Mas... coisas demais aconteceram, e eu precisei me afastar. E teve a promoção no trabalho, o que me fez ganhar muitos afazeres.

— Nós entendemos, Draco. Você ficou distante por três meses, preso contra sua vontade em uma missão. Entendemos perfeitamente que precisasse de um tempo. Só... ficamos preocupados se estava tudo bem com você.

— Eu estou bem.

— E onde estamos indo?

— Vocês vão ver — Falei sorrindo quando Harry apareceu, ainda com aquele olhar ansioso.

Saber que o menino nunca queria sair de casa, mas confiava em mim o bastante para querer ir sem nem saber para onde, me fez sentir uma coisa muito boa dentro do coração.

Enquanto Harry não soubesse absolutamente nada sobre mim, ele continuaria com aquela visão pura de que eu era uma boa pessoa, e essa certeza me garantia uma paz interior muito grande.

— Vamos?

Em instantes ele havia se aproximando, agarrando meu braço, e eu ri quando ele afundou a cabeça no meu ombro.

— Eu não gosto de aparatar — Confessou baixinho, e eu ri ao estender o braço livre para Remus e Sirius tocarem.

Em um instante, havíamos chego ao lugar.

— Pronto, Harry — Avisei e ele afastou a cabeça, olhando ao redor com curiosidade, assim como Sirius e Remus.

Tomei a dianteira, abrindo as portas de vidro daquela sala, me virando a tempo de observar os olhos verdes se animarem ao ver uma vasta paisagem do lado de fora.

— Vem — Chamei com um gesto, e todos eles me seguiram para o jardim que havia ali — O lugar é cercado por um feitiço de proteção, e não existem vizinhos, moradores ou qualquer tipo de perigo ao redor. É totalmente isolada — Já me permiti dizer, e foi o que bastou para Harry começar a perambular pelo meio das flores que haviam no pequeno canteiro na minha esquerda.

— Que lugar é esse? — Sirius questionou e eu sorri.

— É minha casa.

— Sua casa?

— Bom, uma das casas que tenho — Dei de ombros, tentando não fazer daquilo uma grande coisa.

— As vezes é fácil esquecer que você é um Malfoy — Obsevou.

— Aqui esteve fechado por algum tempo. Eu me lembrei apenas quando Ronald disse das dificuldades de Harry. Ele se sente muito confortável quando está em lugares assim. Eroda era quase uma floresta.

— Ele não fala sobre aquele lugar — Remus explicou, e eu sorri.

— Era um lugar muito bonito. Muitas árvores, flores, plantas... Ele se sentia muito a vontade. Harry gosta de estar na natureza.

Comecei a andar na direção onde via Harry, e franzi o cenho ao ver ele soltar uma exclamação e abaixar, e isso me sobressaltou.

Apressei o passo, assim como os outros dois, passando pelos campos de flores, que eram um pouco altas, por serem girassóis, e chegamos ao lugar onde ele estava, sentado no chão, e nos fez suspirar em alívio.

A exclamação não havia sido de medo, nem a reação abrupta.

— Você achou ele — Falei vendo Harry completamente encantado, abraçado a um filhote de cachorro — É seu presente de aniversário, Harry — Me permiti dizer, vendo ele erguer os olhos para mim, totalmente emocionado.

— É... meu? — Questionou sem parecer acreditar, e eu assenti.

— Passei na frente de um abrigo, em uma missão, ontem... E achei que fosse gostar — Tentei tornar casual o fato de que havia ido procurar um abrigo hoje de manhã, e perdi um bom tempo fazendo uma entrevista idiota e assinando papeladas só para adotar o cão para Harry.

Ele assentiu, e eu ri ao perceber os olhos cheios de lágrimas, dele, enquanto voltava a passar os dedos pelos fios negros do cão, com muito carinho.

— Harry, você está chorando? — Remus questionou com um sorriso terno, tão abobado quanto eu.

— Não — Ele respondeu choroso, secando as lágrimas com uma das mãos, o que nos arrancou um riso diante da reação adorável.

Não demorou para o cão querer continuar a brincar ali, e em instantes Harry havia se afastado de nós, com o bicho correndo atrás dele, enquanto conhecia os arredores do lugar.

O animal que havia me mordido três vezes em um período de duas horas, parecia ter adorado Harry quase instantaneamente, e nem era uma surpresa.

— Você gosta dele, não é? — Remus questionou assim que Sirius seguiu na direção do mais novo, porque ele estava gritando para o Padrinho ir ver o lago que tinha encontrado.

Porque sim. É claro que eu havia perdido grande parte do meu tempo, também indo atrás de peixes.

— Harry é... legal— Confessei, vendo ele sorrir ao pousar a mão no meu ombro.

— Então... quer me dizer qual verdadeiramente foi o motivo do seu sumiço?

— Eu só precisava de um tempo, de verdade — Insisti, com um suspiro — Eu não estou acostumado a...

— Sentir coisas — Ele deduziu, e eu ri ao concordar.

Remus sempre tornava qualquer conversa algo muito fácil.

— Sentir coisas — Concordei — Mas sim, eu gosto de Harry. Ele é muito doce, de um jeito que eu nunca vi. Eu não... vou sumir de novo — Avisei, e ele concordou com a cabeça.

— Ele também gosta muito de você. Se apegou muito rapidamente, e sente sua falta, Draco. Você foi o primeiro amigo que ele teve em anos. Então... tenha paciência. Se a maneira como ele é afetuoso te incomodar...

— Não incomoda — Me apressei em dizer, vendo ele sorrir e assentir.

— Vamos — Gesticulou, e nós seguimos em um silêncio confortável na direção de Harry, vendo ele sentado em uma pedra na beira do lago, observando os peixes que haviam ali, enquanto seu cachorro tentava perseguir uma borboleta ali perto.

— É tão bonito — O garoto sussurrou encantado, girando os olhos ao redor.

— Imaginei que fosse sentir falta de um lugar como esse — Expliquei, me aproximando para sentar ao lado dele, que assentiu muito feliz.

— Obrigado — Sorriu para mim com doçura — É o melhor aniversário de todos!

— Querido, hoje é um dia muito quente. Vamos procurar uma sombra para seu cãozinho? E providenciar água — Remus falou e Harry assentiu para ele, com um sorriso muito doce.

— As vasilhas dele estão dentro da casa. Eu comprei antes de trazer ele — Expliquei, e com isso todos caminhamos de volta, enquanto Harry tinha o animal aconchegado em seus braços.

Parecia mesmo muito encantado, e eu imaginei que fosse acontecer.

Coisas fofas atraem coisas fofas, afinal.

Sirius ainda me observava com grande desconfiança, e eu sabia que ele queria me encher de perguntas, mas não diria nada na frente de Harry, porque o garoto parecia radiante.

— As coisas dele estão ali na cozinha, Harry — Assim que entramos, indiquei o corredor — Também tem algo para você na bancada.

Ele assentiu sorrindo, colocando o animal no chão, e seguiu a direção que eu tinha indicado, rindo quando o cachorro correu atrás dele.

— Ele realmente confia em você — Remus observou, e eu me virei para ele, sem entender o que motivou a fase — Harry não costuma dar um passo sem levar alguém junto. Mas por você dizer que aqui é seguro, ele simplesmente... foi.

— Ele sabe que eu não diria que é seguro, se realmente não fosse... Agora... o que foi, Sirius? — Questionei com um suspiro, porque ele ainda tinha o cenho franzido ao me olhar, com os braços cruzados.

Ele até iria dizer algo, mas foi interrompido quando um grito foi ouvido da cozinha, muito empolgado.

— Morangos! — Harry berrou, o que me fez sorrir.

Havia feito um grande estoque por lembrar que ele amava a fruta, e saber que estava tendo dificuldades para conseguir se alimentar.

— Não coma de uma vez só! — Avisei, por realmente ter lotado o lugar com a fruta, ouvindo ele dar um risadinha.

— Você não nos trouxe aqui por acaso — Sirius finalmente interrompeu, e eu suspirei.

— Ron me contou que ele realmente não... se sente confortável. Ele disse que a adaptação de Harry está sendo difícil, e me parece realmente aceitável ele ter tanta dificuldade em ficar na casa de vocês. Londres é uma cidade barulhenta e complicada. Harry vivia em uma ilha, cercado de paz. Não havia som nenhum além da natureza. Era tudo calmo, tudo pacífico. O ar parecia mais puro.

— Você está dizendo...

— Eu não uso esse lugar. Está parado por muito tempo. Eu deixei ele limpo e organizado, porque pensei que seria bom para Harry.

— Não! — Sirius falou imediatamente, mas eu o ignorei, me virando para Remus.

— Mesmo que por apenas um tempo, é algo que deveriam considerar. Aqui é tranquilo. É grande. E já vimos que ele gostou, e se sentiu confortável. Essa mudança de ambiente precisa ser aos poucos. Ele passou anos em um mundo diferente. Precisamos ir com calma para não assustar ele, e fazer que... tenha ainda mais medo. Nesse lugar, vocês podem ir recebendo visitas, para ele se acostumar. Existe um pequeno vilarejo há alguns quilômetros, e aos poucos podem tentar levar ele para dar uma volta. Com um fluxo menor de pessoa, completamente diferente do centro de Londres, logo ele vai poder se acostumar.

— Você nos trouxe para conhecer o lugar — Ele deduziu, e eu assenti.

— Queria que vissem como ele se sente confortável aqui. Se eu apenas dissesse, vocês não entenderiam. Harry é completamente diferente e nós. Ele é muito doce, muito puro. Ele realmente é algo precioso, e completamente ligado à natureza. Aquela poluição e barulheira toda de onde vocês vivem vão acabar enlouquecendo ele.

— Eu sei o quanto está sendo caótico para ele — Remus finalmente falou com um suspiro, e pareceu muito cansado, seguindo para o sofá, onde se acomodou com alguma dificuldade.

Ele não estava usando a bengala hoje, o que indicava que se sentia relativamente bem, mas ainda estava muito manco.

— E... tem um porão. Fica debaixo da garagem. Vai servir para seus propósitos — Informei a ele, vendo-o assentir.

Realmente precisavam de um lugar onde ele se transformasse sem machucar ninguém, e é claro que eu havia pensado nisso.

Havia criado um plano perfeito, sem falhas.

— E... acho que não só por Harry. Por vocês. Eu sei que é complicado conseguirem se adequar uns aos outros. Estão reconstruindo a família, e precisam de um pouco de paz.

— Não vamos vir morar na sua casa, Draco — Sirius falou com sua carranca orgulhosa, e eu suspirei ao me deixar sentar no outro sofá espaçoso do lugar.

— Não veja as coisas dessa forma, Sirius. Eu realmente me preocupo com Har... Com vocês. Estou pensando no que é melhor para... vocês, e tenho certeza que se você estiver fazendo o mesmo, concorda comigo.

Pretendia falar mais, mas acabei me silenciando ao ver Harry surgir andando com uma vasilha, repleta de morangos.

— Estão bons?

— Ótimos! — Comemorou com um sorriso doce, e veio diretamente na minha direção.

Embora os três sofás ali fossem enormes, ele sentou totalmente colado em mim, e seu cachorro vinha atrás, subindo no móvel para deitar ao lado do dono.

Parecia já ter entendido que era o cãozinho dele, e isso apenas me fez sorrir, porque o garoto levava um morango aos lábios, e jogava outro para o animal, que se esticava para pegar no ar, arrancando um risinho de Harry.

Os dois pareciam gostar bastante da fruta.

— Do que estão falando? — Harry questionou após engolir, percorrendo a nós três com o olhar.

Vi a carraça de Sirius se formar por entender o que eu faria, mas não me refreei.

— Eu estava perguntando para seus padrinhos, se não querem vir morar aqui.

— Morar... aqui? — Harry questionou, me olhando com curiosidade.

— Pensei que seria uma boa ideia. Aqui é calmo, tranquilo, silencioso... Achei que ajudaria você a se adaptar aos poucos. Vocês podem tentar, devagar, irem passear, mas acho que pode ser mais confortável para você morar aqui ao menos por enquanto. Também tem uma estufa, com uma plantação orgânica. Vai ajudar na sua alimentação — Ofereci, vendo ele me olhar com grande surpresa — Eles não conseguem decidir. O que você acha, Harry?

— Eu gosto desse lugar — Ele falou com certa timidez, olhando de canto para Sirius — É bonito, e legal.

— Harry — Remus falou, se endireitando no sofá — Eu gostei bastante do lugar. Apenas... tenho uma dúvida.

— O que, padrinho?

— Você não pensa em morar aqui por ser parecido com o seu antigo lugar, não é?

Harry piscou, surpreso pela pergunta.

Eu sabia onde Remus queria chegar com ela, então apenas me calei e deixei que continuasse a falar.

— Nos preocupamos que esteja se prendendo a... Eroda, por ser familiar a você.

— Não, padrinho! Aqui não... é como Eroda. Tem bastante árvores, e um lago legal, mas é diferente — Garantiu sorrindo — Aqui tem minha família. Não é assustador. E eu nunca vou ficar sozinho — Explicou com um sorriso — Eu só... gosto da natureza — Concluiu simplório — Mas a ideia de Draco é boa. É confuso tentar sair de casa, porque existem tantos barulhos. E mesmo quando estou no meu quarto, consigo ouvir tudo ao redor, mesmo com o feitiço sonoro, e fico... confuso. Vai ser mais fácil se... sairmos para me levar para conhecer o mundo, se eu tiver um lugar calmo para voltar depois.

Sorri com a linha de raciocínio perfeita do menino, levando a mão para afagar os cabelos escuros, vendo ele se virar para mim com um sorriso.

— Sirius? — Remus questionou, e o mais velho tinha os olhos grudados em Harry sorrindo ao comer suas frutas.

— Tudo bem — Concluiu, e eu sabia que era exclusivamente para o bem de Harry, porque ele não parecia nenhum pouco satisfeito — Tudo bem — Suspirou — Vocês tem razão.

— Do outro lado da casa tem um campo — Falei finalmente, o meu trunfo — E alguns aros. Você vai poder jogar quadribol com Harry.

— Isso é golpe baixo, Malfoy — Ele resmungou, mas com um pequeno sorriso.

— Quando eu era pequenininho, o padrinho sempre jogava comigo — Harry contou sorrindo — E ele me deixava ganhar todas as vezes.

— Eu imagino que sim — Falei com um sorriso tranquilo, me sentindo incrivelmente bem por ter conseguido fazer tudo o que queria por Harry.

Oferecer uma melhora nos problemas que ele vinha tendo.

E fazê-lo sorrir.

— Então... quando voltarmos para casa, iremos começar a arrumar as coisas e fazer nossa mudança. Vamos fazer um teste, e ver como nos adaptamos aqui — Remus concluiu — Muito obrigado, Draco. Por ceder a casa. É uma enorme gentileza.

— Não precisa agradecer — Garanti, sorrindo tranquilo.

— Moony, podemos conversar um minuto? — Sirius finalmente falou, e eu sabia que ele ainda tinha algumas dúvidas sobre a ideia, porque seguiram para conversar sozinhos na cozinha.

— Você fez por mim — Harry falou baixinho, e ergueu o rosto na minha direção — Não foi?

— O que quer dizer?

— A ideia de morarmos nessa casa legal. O cachorrinho. Vir me ver no meu aniversário... Os peixes, os morangos... É por mim, não é?

— É claro que é, Harry — Falei, sem entender o ponto dele.

— Eu não quero que... faça coisas só por... achar que deve — Ele desviou os olhos, voltando a jogar um morango para seu cachorro.

— De onde tirou isso?

— É que... todo mundo sabe que eu gosto muito de você. E eu não quero que faça coisas legais para mim, só por causa disso.

— Eu não faço nada que não queira — Garanti com segurança — Não precisa se sentir assim. Eu realmente quero ajudar você a ficar bem.

— Então... você vai vir me ver mais vezes? — Ele ergueu os olhos para mim, e era sempre tão fácil me sentir perdido.

Eram olhos tão bonitos e sinceros.

— Quantas vezes você quiser — Sorri, sem vontade de lutar contra isso.

Harry era minha missão, e se ele queria me ver, então eu o veria. Pelo bem da missão.

Era fácil lidar com as coisas quando funcionavam dessa maneira.

— No dia que me trouxe para casa, você disse que viria me ver sempre... Mas então você sumiu — Contou com receio, e eu suspirei.

Sabia que em algum momento ele iria exigir uma resposta, afinal todos falavam o tempo inteiro sobre o quanto ele ficou chateado com meu sumiço.

Eu não podia negar que havia esperado algo diferente, e não todo o carinho no abraço que ele me deu assim que me viu.

— Eu sinto muito por isso, Harry. Aconteceram muitas coisas. É...

— Complicado? — Completou espertamente, e eu ri ao afagar os cabelos dele, simplesmente porque sentia aquele impulso em tocar, e sentir Harry ali comigo.

— Dizem muito isso para você, não é?

— O tempo todo — Revirou os olhos — Eu acho... que todos esquecem que eu sou um adulto. Eu posso não entender algumas coisas, porque fiquei muito tempo longe... Mas eu não sou uma criança.

— Ninguém acha que seja, Harry. É só que... as pessoas fazem isso quando querem te proteger.

— Eu não quero que me protejam da verdade. Quero que me protejam da mentira — Falou, e essa frase teve um peso enorme em mim.

Porque constantemente pensávamos que a melhor forma, era proteger as pessoas, lhes privando de tristes realidades.

Porque as vezes, a verdade era cruel demais. E você naturalmente não queria magoar pessoas.

Para escolher a cruel e crua verdade, ao invés de uma calorosa mentira ou omissão, tinha que existir muita fibra moral, e muita segurança em uma pessoa.

Para enfrentar o mundo da forma como ele é, sem disfarces, sem nada para atenuar o impacto.

— Eu tenho um amigo que diz que a mentira é uma grande história que alguém arruinou com a verdade — Contei ao me lembrar de uma das porcarias que sempre ouvia de Ron, e ele riu.

— Eu sei que... as vezes ouvir uma mentira dói menos — Explicou com grande coerência, e eu me vi encantado ao ver ele trazer uma discussão tão madura para a conversa — Mas eu vivi por anos sozinho, sem saber o que acontecia aqui fora. Eu... não tenho tempo para mentiras confortáveis, Draco. Eu quero viver tudo o que eu perdi, mesmo... que algumas vezes vá doer um pouco.

— Tem ideia do quão incrível você é? — Falei com uma admiração muito grande, porque constantemente via Harry como algo extremamente adorável, e esquecia que ali existia um ser humano e um bruxo extraordinariamente inteligente e corajoso.

— Uma pessoa muito especial me disse uma vez, que não podia me prometer que eu nunca seria triste. Mas... podia me prometer que estaria lá quando eu precisasse. Essa é a única proteção que eu preciso — Me garantiu, e eu sorri a perceber que ele se recordava das coisas que eu lhe disse em Eroda.

Ver ele trazer aquele diálogo antigo para esse momento, real e fora da ilha imaginária, me fez sentir bem.

Não era apenas um delírio coletivo.

Realmente tudo aquilo aconteceu.

— Me desculpe por ter desaparecido — Me vi sendo obrigado a ser sincero — Eu... não sei se os seus padrinhos comentaram, mas eu não sou o tipo de pessoa que faz amigos.

— Eles te chamam de amargurado — Admitiu, e eu ri ao assentir. Estava acostumado a ouvir aquilo.

— É, eles chamam. Eu não tenho costume de me apegar a sentimentos e pessoas, Harry. Me acostumei a viver sozinho por mim mesmo e...

— Trabalhar como um fanático bizarro — Completou, e eu arqueei o cenho.

— Seus padrinhos realmente pegam pesado — Observei, e ele riu.

— Quem me disse isso foi o Ron.

— É totalmente o tipo de coisa que ele diria — Admiti com um suspiro, revirando os olhos, anotando mentalmente que iria socar a cara daquele ruivo idiota quando houvesse oportunidade — Enfim... Eu realmente me habituei a isso. Então... fiquei sem saber como agir quando acabamos nos aproximando, e a missão havia terminado. Não achei que devia te ver... Mas percebi que queria muito.

— Sabe uma coisa que eu percebi quando voltei a conviver com pessoas?

— O que?

— Na maior parte do tempo, vocês se convencem que as coisas são difíceis e impossíveis, só por medo de tentar.

A frase realmente foi outro impacto forte, e eu não soube como responder.

— Não precisa ser complicado, Draco. Se você quer vir me ver, então por favor, venha me ver — Pediu, levando uma mão até meu rosto, fazendo nossos olhos se encontrarem — E eu realmente vou ficar muito feliz de ter você aqui.

— Eu vou, Harry — Garanti com um sorriso fraquinho.

Ele fazia eu sentir como se todos meus questionamentos fossem uma completa bobagem.

Sorri quando ele aconchegou a cabeça no meu ombro, largando a vasilha de frutas sobre o meu colo para se ajeitar melhor mais perto de mim, e entendi que ele se sentia confortável para ser carinhoso comigo quando os padrinhos estavam longe, e agradeci por isso.

Odiava quando os dois ficavam me encarando, tentando entender coisas que nem eu mesmo entendia.

E eu sorri, sem conseguir me frear, quando senti ele esfregar o nariz no meu pescoço, daquela maneira que já tinha feito inúmeras vezes.

Não sabia exatamente porque, mas sentia que aquilo era algo nosso.

— Eu gosto disso — Não me contive em dizer, tentando tornar as coisas mais simples, como ele havia pedido.

— Eu sei — Ele riu baixinho, satisfeito quando passei o braço ao seu redor.

E naquele momento, eu vi que Harry tinha razão.

Nem tudo tinha que ser tão complicado.


Notas Finais


Capítulo 15: Não quero lidar com sentimentos
Capítulo 16: Toma aqui uma casa, um cachorro, peixinhos, frutinhas, quer o mundo???? Eu te dou.
Draco vai usar essa ideia de 'transformar em missão' para se esconder de qualquer sentimento por Harry por algum tempo, mas isso não vai impedir ele de ser totalmente conquistado por Harry.
Ele decidiu que vai parar de se aproximar, mas exclusivamente porque isso estava magoando Harry, e como ele se sente responsável pela 'missão', percebeu que precisar estar por perto.
Mas ao mesmo tempo, ele simplesmente não consegue manter distancia do nosso baby, porque ele é totalmente contagiante hahaha
E agora Harry está com a saúde boa, então vai poder falar, e se preparem. Porque o bichinho FALA MUITO! Conseguiram captar as mensagens dele? Por ter vivido tanto tempo recluso, Harry tem uma perspectiva muito afiada, e constantemente vai estapear a cara de vocês com ela.
Mas conseguiram ver como Draco está contraditório, certo? Ele quer se enganar com a propria mentira, mas ao mesmo tempo não quer lutar muito para resistir. Vamos ver onde isso vai dar!
Atualmente esse é o maior capitulo postado de Eroda! E sim, duas atts no mesmo dia... Para comemorar os MIL COMENTÁRIOS! Sim, acreditam?! Já chegamos em mil! Parece que foi ontem que postei a fic, meu deus hahahaha
Obrigado por tudo, vocês são incríveis e me enchem de amor!
Enfim, não vou me estender mais nas notas.
Espero que tenham gostado!
Mantenham-se a salvo, lavem as mãos, evitem sair sem necessidade.
Para incentivar vocês a ficarem em casa, vou tentar trazer atts regulares durante toda a semana, fechado?
Por favor, prometam para a tia K que todos vão se cuidar!


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