História Eros Academy - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassinato, Erosacademy, Fuga, Magia, Mistério, Romance, Suspense
Visualizações 9
Palavras 3.572
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Harem, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Agradecimentos a minha nova editora (que aqui chama de beta mas eu não sei o motivo rsrs)

Capítulo 3 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Eros Academy - Capítulo 3 - Capítulo 2


Fugitivo


I was choking in the crowd

Bulding my rain up in the cloud

Falling like ashes to the ground

Hoping my fellings, they wold drow

But they never did, ever lived, ebbing and

Flowing

Inhibited, limited

Till it broke open and rained down


-Believer, imagine dragons



   Adam não sabia mais há quanto tempo estava correndo. Se embrenhava pelo mato cada vez mais, enquanto tentava fugir, sendo perseguido pelos colegas do instituto Ares. Toda aquela correria se tratava de uma fuga. Ao menos, uma tentativa desesperada de ser livre. 


   Adam Kandring era neto do diretor da academia Eros. Portanto, viveu naquela escola desde que tinha apenas dois anos de idade, e passou a estudar lá quando completou quatorze. Agora, dois anos depois, ele finalmente teve coragem de tentar fugir dali. Mas os outros alunos o perseguiram até a floresta. Aquele lugar era tóxico e cheio de segredos. O preconceito oscilava por toda a escola, criada a partir de uma base machista e sexista, que fazia os garotos crescerem como monstros famintos e as garotas como os pedaços de carne fresca.


   Enquanto corria, já sem fôlego, Adam perdeu o equilíbrio e tropeçou na raiz de uma árvore. Os espinhos não tiveram piedade alguma de Adam, que colocou os braços sobre o rosto tentando se proteger e desceu rolando até a beira de uma poça de água da chuva. Ele sentiu um pé apertar em seu estômago lentamente, o fazendo responder de forma agressiva, segurando o tornozelo de quem fosse. Ao abrir os olhos, ele se deparou com o pé tatuado e cheio de cicatrizes de Basyl Linard.


   — Você tá um trapo, Kandring. — a voz de Basyl ecoava na cabeça de Adam, que latejava de dor. Ele empurrou o pé do colega para trás e se encolheu, ajoelhando no chão.


— Tá com os outros?


   — Bem que eu poderia, mas não tem a menor graça andar com aqueles caras.


   Basyl se ajoelhou diante de Adam e o encarou, rindo com o estado do amigo. Basyl era o segundo filho mais velho dos Linard, a família grega que estava dentre as quatro mais influentes famílias mágicas. O rapaz era alto, tinha músculos medianos, porém firmes, que disfarçavam-se um pouco debaixo de suas roupas. A voz rouca e profunda revelava que ele estava entediado.


   — Adam, você achou mesmo que ia conseguir fugir só correndo? Está subestimando seu avô. 


   — Cala a boca. — ele sentiu o rosto doer pelos furos causados pelos espinhos. — Merda.


   Basyl riu outra vez, observando os outros rapazes chegarem, e rodearem o espaço ao redor dele e de Adam, todos ofegavam e estavam suados por conta da corrida. Cecil Belkin liderava os rapazes e se colocou à frente deles, encarando Basyl e Adam:


— Basyl, o que faz aqui?


   — Estávamos jogando pique-esconde. — ele respondeu. A desculpa era esfarrapada, mas Adam agradeceu mentalmente ao mais velho por ser tão cinicamente convincente em suas palavras. — Não me lembro de ter chamado vocês.


— Está protegendo um fugitivo. — Cecil afirmou.


   — Se você diz, nos denuncie ao diretor. Aposto que ele não vai gostar nada de ver qualquer um acusando o neto dele atoa.


   Cecil ficou calado, estalando a língua dentro da boca em sinal de desaprovação. Ele cruzou os braços e os apertou contra o próprio peito, impaciente. Enquanto isso, Basyl se levantou e esticou as pernas, se espreguiçando. O grego estendeu a mão para Adam em seguida e ajudou o amigo a se levantar, o colocando ao seu lado.


   — Melhor voltar, Cecil. Já está escurecendo. Você não quer sujar sua ficha de aluno perfeito, não é?


   Cecil não discordou, apenas passou as mãos pelos cabelos escuros, perfeitamente arrumados, e pigarreou, olhando para seus seguidores e sinalizando para que dessem meia-volta até o castelo do Instituto Ares. Enquanto isso, Adam olhava ao redor e destruía seus próprios sonhos de fugir daquela prisão.


   O corpo de Adam deu um impulso para a frente quando recebeu um soco doloroso em suas costas desferido por Basyl. Adam encolheu o corpo inteiro com o ataque, cerrando os olhos de cor lilás com força, sentindo uma lágrima escorrer pelo canto do olho. Basyl balançou a mão que usou no soco, colocando-a dentro do bolso da calça enquanto observava o amigo se recuperar. 


   — Você é desesperado feito um morcego. Voa, voa, voa e não faz ideia de para onde caralhos está indo. É por isso que você vai se foder se continuar agindo desse jeito. — Basyl comentou, começando a caminhar na direção do instituto Ares. — Se quer tanto se mandar daqui, precisa ter um plano concreto e perfeito. Sem falhas.


   — Não deveria precisar de tudo isso pra viver minha vida como eu quero.


   — No seu caso, e no de todos que querem escapar desse inferno, precisa sim. — ele respondeu, subindo a pequena ladeira pela qual Adam caiu rolando.


   Adam o seguiu. Não podia negar que achava Basyl o mais legal de todos os garotos do instituto. Embora ele fosse o cara mais cínico e persuasivo que Adam já conheceu, era de longe um dos rapazes que tinha menos merda implantada no cérebro. Os dois logo se viram diante do enorme castelo que eram obrigados a chamar de escola.


   Encostado em uma árvore, o irmão mais novo de Basyl o aguardava voltar, enquanto lia um livro que Adam não soube traduzir, pois obviamente estava em grego. O garoto olhou para eles e se aproximou, fechando o livro:


— Resgate completo?


   — Como sempre, Muito bem feito por mim. — Basyl se gabou satisfeito.


— Você deu um soco nele?


   — Alô. — Adam chamou a atenção dos irmãos após a pergunta de Caeneus. — Eu tô aqui, caso tenham esquecido.


   — Ah, é verdade. — Caeneus o olhou sério e em seguida olhou de novo para o irmão, repetindo a pergunta sobre o soco e recebendo um "Eu nunca perco a oportunidade", em resposta. — Claro que não. Scott disse que queria uma revanche pela noite passada.


— Esse cara não cansa. Beleza, amanhã mesmo.


— Semana que vem.


— Por que? — Basyl perguntou, indignado.


— Essa semana tem vigília noturna, sabe como é.


   — Ah, grande merda. — Basyl disse por fim, voltando a caminhar na direção da escola, onde ignorou por completo os gritos do professor ao vê-lo entrar com os pés sujos no prédio de dormitórios. Caeneus e Adam o seguiram até o quarto, onde Travis, um garoto robusto e bem forte com cabelos quase todo raspados, os esperava enquanto jogava paciência consigo mesmo.


   — Vocês demoraram pra caralho. Acharam o Adam? — ele perguntou, sorrindo de uma forma que mostrava alguns de seus dentes, o que fez Caeneus ficar com as bochechas quase completamente vermelhas. 


   O moreno gostava de Travis há pouco mais de três anos, e era um lucro eles dividirem o quarto, exceto pelo terceiro colega. Adam sempre aparecia quando Caeneus queria um momento apenas deles, onde o mais velho finalmente pudesse se declarar, não que fosse de propósito, mas era sempre inconveniente. Além disso, haviam outros fatores que o impediam de se sentir confortável em dizer o que sentia.


   Adam entrou no quarto e se jogou em sua cama, deixando a porta aberta para Basyl, que era o único que tinha um quarto só dele. Talvez por ser o mais problemático, ninguém queria dividir o quarto com ele, nem mesmo os irmãos. Caeneus sempre insistia que Basyl era apenas um rapaz muito animado com a vida, mas quando perguntado se queria ir para o mesmo quarto que ele, começava a fazer-se de surdo. O mais velho entrou no quarto e fechou a porta, se sentando no chão, com uma perna esticada e a outra curvada, a fim de apoiar o braço nesta. Ele observou o jogo solitário de Travis em silêncio, enquanto escutava Adam reclamar:


— Não aguento mais esse lugar.


   — Nós sabemos. — Travis respondeu, colocando uma das três espadas alinhado a uma fila horizontal de mesmo naipe. — Você faz questão de dizer isso todos os dias mais o bônus de: "Vocês não entendem, não vivem aqui desde os dois anos de idade".


   — Foi a melhor imitação que eu já te vi fazer. — Caeneus comentou, encarando Travis, tentando não sorrir involuntariamente só de olhar para a cara dele.


   — O tempo trás aprendizado. — Travis respondeu, mostrando um sorriso para Caeneus e logo depois olhou para o Basyl, sentado alguns centímetros afastado. — Basyl, porque tão quieto?


   — Ele está chateado porque queria lutar amanhã e não vai poder. — Caeneus respondeu.


— Hoje começa a semana de V.N?


— Isso aí.


— Ótimo, tente dormir Basyl, pra não fazer isso na sala de aula.


   — Isso só aconteceu uma vez, e foi porque um certo irmão caçula pediu a porra do meu quarto emprestado pra transar. — Basyl encarou o irmão mais novo e o cunhado, que logo admitiram ter sido culpa deles e pediram desculpas.


   Basyl riu com seu jeito persuasivo e se levantou do chão, indo até a porta.


   — Adam, não fique acordado até tarde, você pode ouvir ou ver certas coisas que jamais irão sumir da sua lembrança. — ele saiu antes que o tênis de seu irmão mais novo acertasse seu rosto, deixando o calçado cair e rolar pelo corredor. Basyl riu até sumir pelos corredores. 


   Caeneus suspirou e se levantou constrangido indo pegar seu sapato no corredor, ignorando a pergunta de Travis, que perguntou do que Basyl estava falando. Quando voltou, fechou a porta e colocou o sapato no canto junto com o outro par, indo preparar sua cama.


   — Às vezes, eu tenho a impressão de que ele está perdendo a cabeça.


   — Você ainda duvida? — Adam indagou, levantando a cabeça para olhar o amigo, que tirou o brinco de franja azul da orelha esquerda.


— Só espero que não seja verdade. 


   — Ele devia arranjar uma namorada no clube. Ficar o tempo todo no ringue e no tatame deve estar fazendo mal pra mente dele. — Travis sugeriu, guardando seu baralho depois que terminou seu jogo solo.


— Você sabe que não vai rolar.


— Já chegou a perguntar a ele sobre alguém que ele goste?


— Na verdade, não.


   — Você é um irmão deprimente, Caeneus.—Adam comentou enquanto voltava a se deitar.


— Você vai dormir sujo?


— Amanhã não tem aula.


   — Imundo. Levanta e vai pro banheiro, agora mesmo! — Caeneus puxou o edredom para longe de Adam, o deixando completamente desprotegido do frio.


— Por que se importa se eu tomo banho ou não?


— Eu não vou dividir meu quarto com um porco!


   Adam emitiu um ruído que representava sua preguiça, mas não foi nada convincente, pois Caeneus o puxou pelos tornozelos para fora da cama e o enfiou dentro do banheiro para que tomasse banho. O garoto decidiu obedecer, e tirou as roupas depois de trancar a porta. Ele demorou o bastante no banho, e quando saiu, já estava vestido. Ele olhou para os dois amigos, que já estavam dormindo em suas devidas camas e suspirou, pois ainda queria conversar. 


   Adam se sentou em seu colchão e logo afastou a ideia de subir até o dormitório de Basyl. Não daria certo por dois motivos: 


   Primeiro: os vigilantes já deviam estar rondando a escola. Segundo: Basyl poderia facilmente expulsá-lo, já que não era o tipo de pessoa que gostava de conversas da madrugada. Adam simplesmente desistiu e se deitou, puxando o edredom de volta para si.


   "É bizarro como durante o dia fica um sol ótimo e de noite faz um frio do cacete", ele pensou enquanto olhava a janela já fechada. 


   Dali, havia uma visão ampla das torres da academia de musas. Ele pensou se com um binóculo, poderia ver algumas garotas passando pelos corredores de lá, e em seguida imaginou se alguma delas também sonhava em fugir dali.



╭───── • ◈ • ─────╮

O instituto Ares

╰───── • ◈ • ─────╯



   Quando Adam acordou, pensou que a janela do quarto precisava de uma cortina nova urgentemente, já que não aguentava mais os raios de sol batendo em seu rosto todas as manhãs. Adam supôs que Travis e Caeneus já haviam saído do quarto, pois o recinto estava silencioso. Adam escorregou o corpo para fora da cama e sentiu o chão gelado contra suas costas. Naquela manhã a preguiça estava mais forte do que o tédio que sentia quando ficava sozinho. 


   Quando o relógio da escrivaninha bateu às nove horas em ponto, Adam se levantou do chão e esticou os músculos enquanto ia ao banheiro. A porta do quarto bateu três vezes rápidas quando Adam saiu do banheiro, indo direto abrir a porta, revelando um garoto de altura mediana, de cabelos encaracolados e castanhos bem claros como o de um querubim. Cygnos Rosier abaixou a mão e encarou Adam dos pés a cabeça, levantando a sobrancelha e em seguida abrindo um sorriso debochado. Adam logo se pôs a explicar:


— Eu acabei de acordar.


   — Ah. — o sorriso de Cygnos se desfez. — Estava prestes a te parabenizar por ter conseguido dar uma escapada durante a vigília de ontem. 


— Não tenho essa sorte.


— Acha?


— Não ficou sabendo do meu plano de fuga ontem?


— Você tinha um plano?


— Não.


   Cygnos não ficou surpreso, o que foi notado enquanto ele fazia uma de suas muitas caretas de desapontamento.


   — A prova de aprendizados gerais vai ser aplicada daqui a vinte minutos. Vista o uniforme, os alunos de dezesseis anos ficam na sala nove, do segundo pavilhão.


— Te vejo lá.


   — Ah, claro. — ele respondeu em um tom irônico, o qual Adam realmente não entendeu. 


   Cygnos se afastou e caminhou pelos corredores, enquanto Adam fechava a porta de seu quarto novamente e procurava seu uniforme limpo dentro do seu lado do armário, o qual ele dividia com Travis. Caeneus era o único que tinha um armário só para ele, desde que ganhou uma aposta cujo o prêmio foi justamente o tal armário. O banho foi extremamente rápido, e Adam saiu pelos corredores calçando o sapato do uniforme enquanto corria até o segundo pavilhão antes que os vinte minutos acabassem. 


   Com um estrondo da porta batendo-se contra a parede, todos os alunos da sala nove olharam assustados para Adam, enquanto ele entrava na sala faltando apenas um minuto para que o professor entrasse e começasse a aplicar a prova. Travis estava na mesma sala que Adam, e fez uma careta para o garoto enquanto ele dizia que tinha chegado por pouco. Atrás de Adam, o professor de etiqueta masculina o encarava abismado, e pigarreou antes que Adam terminasse de falar:


   — Sente-se, Sr. Kendring. E fique informado de que seu comportamento desleixado será informado diretamente ao seu avô, ou devo dizer, ao diretor deste instituto. 


   Adam se sentiu constrangido, pois estava sendo encarado por todos os rapazes da sala. O professor o mandou sentar rapidamente e começou a distribuir as provas, virando uma ampulheta mágica que ficava acima do quadro negro. E assim a prova começou e tudo ficou em silêncio no instituto Ares.





   Foram três horas de prova, uma hora que precisava ser dividida perfeitamente para cada duas folhas da avaliação. Adam saiu da sala com Travis agarrado ao seu ombro. Sentindo seus miolos terminando de fritar, os dois se entreolharam e encostaram na parede, escorregando até se sentarem no chão do corredor, esgotados. 


   Minutos depois, Adam e Travis avistaram Caeneus caminhando ao lado de Cygnos enquanto discutiam, provavelmente sobre a prova que tinha acabado de acontecer. Caeneus usava um batom vermelho claro nos lábios naquele momento, e estava sorridente enquanto segurava o bastão do batom na mão firme. 


   Travis se levantou com um sorriso ao ver o mais velho, mas o sorriso se desfez e mostrou uma expressão surpresa. Travis nunca tinha visto Caeneus com batom nos lábios. Para ele era estranho, "Um garoto usando batom?". Travis estava prestes a ir até o mais velho ele quando levou um empurrão no ombro, se batendo contra a parede. Scott Thorn passou ao lado deles com um sorriso sarcástico nos lábios. O cara era extremamente bombado, e gigantesco feito um troll. Caeneus sempre dizia que ele tinha cara de bunda e cérebro de mosca.


   O corredor parou quando Scott gritou na direção de Caeneus, falando sobre o batom que o garoto tinha passado na boca.


— Além de viado, agora quer virar menina?


   — Cuida da sua vida, Scott. — Caeneus respondeu, desfazendo o sorriso dos lábios e passando a mão por eles, limpando o batom de sua boca com uma expressão desconfortável ao ver que Travis estava também estava no corredor.


   Scott riu alto, enquanto alargava os passos até Caeneus, parando diante do garoto muito menor do que ele. Travis correu na direção deles, a fim de parar Scott antes que ele fizesse algo. O ruivo com cara de troll agarrou o rosto de Caeneus com tanta força que um bico foi forçado nos lábios do mais novo.


   — Sabe de uma coisa? Acho que viados como você deveriam ser internados pra ver se tem salvação. — Scott sorriu cinicamente para Caeneus, que segurava o choro dentro dos olhos enquanto sentia o maxilar ser pressionado mais e mais. 


   Travis agarrou Scott pelos ombros e o puxou para trás, tentando afastá-lo de Caeneus. No tempo certo, Adam ajudou os amigos e agarrou as mãos de Scott, que eram excessivamente grandes e Caeneus deu um passo para trás, batendo as costas no peito do irmão mais velho.


   — Oi, cheguei atrasado? — Basyl perguntou, afrouxando a gravata do uniforme, enquanto Adam e Travis usavam toda a força que tinham para segurar Scott.


   — Seu irmãozinho é tão viado que não consegue se defender sozinho, Basyl? Deviam transferir ele para a academia de putas! — antes que os dentes brancos de Scott fossem vistos outra vez, Basyl fez questão de manchá-los de sangue com um belo soco. 


   Em segundos, todo o corredor estava cheio com uma plateia gritante de alunos que torciam pela briga. Scott era muito grande, mas Basyl era um bom lutador, por isso não se importou em dar a revanche que Scott tanto queria ali mesmo no corredor da escola. 


   Apenas quando ouviram os gritos irritados dos professores se aproximarem, Caeneus entrou no meio da briga e puxou o irmão para longe, sendo seguido por Adam e Travis, os três correram sem parar até chegarem ao jardim do terceiro pavilhão, onde Basyl parou de correr e se jogou na grama, deixando o corpo rolar lentamente até bater no tronco de uma árvore que ficava diante de um lago. 


   Travis segurou a mão de Caeneus e o puxou, segurando o rosto dele com preocupação.


— Ai!


— Foi mal! — o mais alto respondeu, desesperado. — Ele te machucou muito?


   — Só aí onde você está segurando. — Caeneus respondeu, suspirando aliviado quando sentiu o maxilar livre. O moreno sorriu fracamente e deu um tapinha no ombro de Travis. — Eu tô legal, relaxa. Não podemos dizer o mesmo do Basyl.


   Os dois olharam para o mais velho, que havia se sentado recostado a árvore. Com os olhos fechados, ele respirava fundo para não perder o ar, enquanto tirava a gravata e desabotoava parte da camisa do uniforme escolar, agora com pequenas manchas de sangue espalhadas pelo branco antes perfeitamente lavado. Caeneus segurou a mão de Travis e juntos de Adam, foram se sentar perto de Basyl.


   Os amigos não falaram nada durante um tempo, esperando que o mais velho se manifestasse. Depois de alguns minutos impacientes, notaram que Basyl havia dormido embaixo da árvore. Caeneus suspirou e usou a gravata do irmão para limpar o sangue no rosto do mesmo:


— Dorminhoco.


   — Ele é sempre assim superprotetor? — Adam perguntou, sentando um pouco mais perto do grupo. Adam na realidade, havia feito amizade com o trio no final do ano anterior, por isso ainda estava conhecendo cada um deles.


   — Desde que éramos crianças. Ele sempre foi assim. — Caeneus respondeu, limpando o sangue seco da boca do irmão. Travis se sentou ao lado de Adam enquanto observavam.


   — O pai deles gostava de bater nos filhos quando eles faziam alguma coisa que não agradava-o. — Basyl começou a tomar a culpa pelo Caeneus e pela Anastácia depois de uns anos suportando o pai espancando eles dois.


   Adam, de repente, se pegou culpando a si mesmo por reclamar tanto de sua vida particularmente perfeita comparada a de Caeneus e Basyl. E com um suspiro, olhou para os dois irmãos.


— Por isso ele é cheio de cicatrizes? O pai queimava ele?


   — Ainda queima, usando a desculpa: "Nossa família representa o fogo então você vai ser disciplinado com fogo."


— Isso é horrível.


   — Vai reclamar da vida a toa agora, Kandring? — a voz rouca de Basyl parecia cansada. Ele estava com a bochecha roxa por conta da briga, mas ainda sorria ironicamente como de costume.


   — Não. — Adam respondeu, ouvindo a típica risada do mais velho.


— Mentiroso de merda.


   Os quatro ficaram em silêncio. Basyl aproveitou o carinho necessário do irmão com um sorriso, até que Caeneus jogou a gravata em seu rosto, cansado de limpá-lo. No fim do dia, o quarteto subiu de volta aos dormitórios, evitando os professores e a conversa. Adam entrou no quarto, sem se despedir e se enfiou no banheiro, incomodado com as últimas palavras que ouviu naquele dia:


"Mentiroso de merda."


Ele suspirou, ligando o chuveiro e reclamando da água fria.



◈•◈•◈



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...