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História Eros Complex - Capítulo 28


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Notas do Autor


Olá pessoas! Atrasada, mas cheguei ksks
Quero pedir desculpas pela demora, mas acabei tendo uns imprevistos durante a semana e só consegui finalizar o capítulo ontem 😔

Me desculpem pelos possíveis erros e tenham uma boa leitura/.

Capítulo 28 - Amor verdadeiro


Assim que as portas duplas do salão de jantar foram fechadas e Bang Chan deixou o cômodo, o clima se tornou denso e obscuro. Os rapazes, ainda sentados sobre a grande mesa do banquete, se entreolharam em meio a expressões tensas e temerosas. Ninguém tinha coragem de cortar o silêncio mórbido, ou de tocar na comida a sua frente, por mais atrativa e apetitosa que parecesse. 

— Tuan. — Minho levou sua atenção a voz, vendo Choi Youngjae chamar a atenção do demônio de mechas loiras. — É melhor deixarmos o cômodo, eles ficarão estáticos para sempre. 

O demônio Tuan pareceu achar graça da suposição, mas sua expressão era fria como um metal gélido. Depois de alguns segundos de hesitação, o demônio de alma pareceu aceitar a proposta, chamando a atenção dos poucos demônios dentro do cômodo grande.

— Ficaremos na porta. — Sua voz soou alta e amarga, quase como uma ameaça velada. — Aproveitem o jantar, é cortesia da casa. 

As figuras demoníacas se agitaram, e em poucos segundos, já fechavam as portas duplas, deixando o grupo de amigos para trás no extenso cômodo. Os garotos sentiram um peso sair de seus ombros, como se finalmente pudessem respirar corretamente. 

— Tudo bem, que porra foi essa? — Jisung protestou, a voz mais baixa do que o comum. O medo era visível em seu corpo, e a expressão do Han era no mínimo apavorada. 

Minho aproveitou o momento para abraçar o garoto ao seu lado, tentando passar algum tipo de energia positiva. 

— Temos que fazer algo. — Foi a vez de Felix cortar o silêncio, hesitante. — Temos que pensar em algo e dar o fora daqui! 

— Não será possível. — Woojin rebateu, ignorando a queimação em suas costas e a dor em seu coração. — Ele nos pegou, não há alternativa. 

— O que você tem com ele, afinal? — Disparou Seungmin, voltando sua atenção para o Kim mais velho. — Algo aconteceu entre vocês, não é? 

Woojin queria negar, mas não poderia esconder a verdade. Bang Chan estava o tratando mal há horas, e o clima de tensão já era mais do que visível para os outros rapazes. O Kim coçou a garganta de forma desconfortável, era doloroso admitir aquilo em voz alta. 

— Sim. Bang Chan e eu...— O cupido não completou, mas julgando pela expressão surpresa dos rapazes, já haviam entendido. — Mas foi antes, muito antes de eu descobrir o monstro que ele era. Eu terminei tudo, e agora ele me odeia. 

O silêncio retornou de novo, incômodo o suficiente para que Woojin sentisse o próprio estômago apertar. Se sentia mal por ter sido enganado, traído e machucado seus próprios amigos. 

— E se não odiar? 

Foi Changbin quem quebrou o silêncio estranho, atraindo os olhos curiosos dos rapazes para si. 

— Como? — Perguntou o Kim mais novo, confuso. Changbin pareceu hesitante por uns segundos, mas logo o humano já se ajeitava em sua própria cadeira, a voz mais confiante e dura, ainda que mais baixa que o normal: 

— Woojin, você acabou de admitir ser o único entre nós que teve mais intimidade com Bang. E se isso significar algo? E se você puder convencê-lo a mudar de ideia? 

— Isso não vai acontecer. — O cupido rebateu de imediato, balançando a cabeça em negativa. — Foi tudo uma ilusão estúpida. E como eu disse, ele me odeia agora. Como poderei convencê-lo? 

— Convencê-lo não, manipulá-lo. — Minho corrigiu, sentindo algo assumir o seu corpo. O pressentimento em suas entranhas parecia querer lhe dizer alguma coisa. 

— Como assim? — Jisung perguntou, franzindo as sobrancelhas em confusão. Minho respirou fundo, voltando seu olhar fixo para o cupido fragilizado do outro lado da mesa. 

— Eu pude sentir a energia dele quando conversava com você. E os sentimentos não foram falsos. Talvez um pouco deturpados, mas ele sente algo. Essa é a única maneira de sairmos daqui. 

— Tem que haver outro jeito. — Woojin riu em escárnio, sem acreditar no absurdo das palavras. 

Bang Chan era nada além de um m manipulador que usara seus sentimento por pura diversão. Não podia ver algo verdadeiro ali, podia? 

— Não tem. — Seungmin completou, a expressão mais fria e convicta. — Estamos rodeados por demônios, e qualquer luta seria suicídio, mas ainda temos tempo! Minho tem razão, use o que ele sente por você para manipulá-lo! 

Woojin sentiu raiva, por mais que o sentimento não fosse o ideal para um cupido. Bang Chan era o grande vilão, o demônio de alma poderoso do qual todos temiam, como poderia manipulá-lo? Como poderia brincar com seus sentimentos sem se ferir também? 

Mas se estavam encurralados como presas indefesas, com suas vidas em perigo, talvez precisasse de algum tipo de sacrifício para ser feito. Coçando a garganta de modo desconfortável, Woojin assentiu com a cabeça, sentindo que se arrependeria de ideia logo depois. 

Se essa era a única maneira de salvar os seus amigos, o faria sem pestanejar. 

[•••] 

Após horas presos no hotel subterrâneo, os rapazes ainda não haviam se acostumado com as outras companhias demoníacas, os rodeando e os observando de forma estranha. Após deixaram o banquete, que sequer fora saboreado já que os garotos não tinham mais estômago para isso, o grupo de amigos foi sendo guiado pelo hotel, os olhos curiosos os fitando de uma maneira assustadora. 

Foi torturante aguentar a inauguração, mas logo as figuras foram desaparecendo com o tempo, e o ar tenso foi se dissipando.  Ainda estavam assustados, mas ao menos não tinham mais a multidão de demônios estranhos. 

Em algum momento da madrugada, o demônio Tuan apareceu outra vez. Com sua expressão fria, chamou a atenção dos rapazes no agora salão de festas vazio. 

— Lee Felix, Lee Minho e Kim Seungmin, Senhor D quer vê-los em seu escritório. 

Os citados, hesitantes, se encaram entre si com temor. Christopher havia dito que faria as propostas em seu escritório, isso não era novidade. Mas por que apenas o trio e não todos eles? 

— Se cuidem. — Jisung sussurrou para o trio, visivelmente apavorado. Os garotos assentiram, mas não tiveram tempo para uma despedida apropriada: O demônio Tuan já se aproximava, uma expressão assustadora. 

— Vamos logo com isso. — O loiro resmungou, empurrando Seungmin para que deixasse as portas duplas. O Kim segurou um xingamento entre seus lábios, sentindo a raiva em seu corpo. Não poderia fazer nada: o loiro era um demônio de alma. 

— Vamos voltar. — Felix garantiu, sussurrando as palavras antes que as portas atrás de si se fechassem. Woojin, Changbin e Jisung apenas sorriram mínimo, mas havia angústia em seus rostos. 

Tuan os guiou pelos corredores do hotel. O clima era estranho e angustiante, o silêncio perturbador. Após alguns minutos, o corretor se abriu em um amplo cômodo, onde grandes portas duplas de cor preta se revelaram. Minho franziu os lábios, sentindo perfeitamente a essência de Bang por detrás das paredes. 

— Entrem. — Tuan afirmou, abrindo as amplas portas para os convidados de Bang.  

Hesitantes, o trio seguiu p caminho, e seus olhos captaram os detalhes do suposto escritório. O cômodo era amplo, mesclado entre tons de preto e vermelho, escuro e frio. Os olhos vermelhos e assustadores de Bang se voltaram o trio, e o rapaz sorriu falsamente gentil. 

— É uma honra tê-los aqui, amigos. — Afirmou, ajeitando-se mais em sua grande cadeira. Com uma expressão desprocupada, Chan cruzou os braços. — Sentem-se, temos negócios para tratar. 

Tentando conter a raiva em suas expressões, os garotos assim o fizeram. Ainda com medo, sentaram-se nas cadeiras a frente da mesa de Bang, no mesmo momento em que Tuan fechou as portas em um baque audível. O outro demônio ficara do lado de fora, mas Minho podia sentir sua presença insistente bem perto das portas duplas. 

— Que manipulação quer fazer agora? — Seungmin disparou, sem conseguir a irritação em seu corpo. Sentia medo de Bang, é claro, mas estava estressado demais para pensar com clareza. Por sorte, Chan pareceu achar graça, e tranquilo, respondeu: 

— Não é manipulação, serão propostas mais do que justas. — O Bang garantiu, perigosamente passando sua língua sobre o lábio inferior. O trio se sentiu desconfortável, mas não podiam negar que a beleza de Chan, ao menos em sua forma humana, era irresistível. 

— Nos diga. — Minho incentivou, tentando passar algum ar confiante, mas sua pele queimava pelo olhar fixo e amedrontador de Bang. 

— É bem simples. — Iniciou o demônio de alma, batendo seus dedos insistentes sobre a mesa de madeira maciça. — Quero que trabalharem para mim. 

A frase gerou um choque de imediato no trio, que escancaram as bocas quase ao mesmo tempo. Bang Chan, o grande demônio de alma, os queria em sua equipe? 

Isso sequer fazia sentido! 

— Como? — Seungmin conseguiu questionar, os olhos piscando repetidas vezes pelo choque. Chan riu outra vez, passando a desenhar com seus dedos sobre a mesa de madeira maciça. 

— Eu vejo potencial em vocês, garotos. — Ele respondeu, estreitando os olhos de modo provocativo. — E tratá-los como ratos de laboratório é além de burrice, é estupidez. 

— Articule isso. — Felix pediu, sentindo suas pernas formigarem quando a atenção de Bang veio para si. Os olhos avermelhados o avaliaram de forma quase fixa, e Christopher iniciou: 

— Lee Felix, por que não começamos contigo? Se não fosse por você, nada disso seria possível. Te encontrar na fila do cinema era a nossa sina, e agora quero você na minha equipe. 

— Eu sou apenas um humano. — O Lee rebateu, os lábios se abrindo e fechando sem conseguir formular uma pergunta apropriada. — Como…? 

Bang Chan entendeu, e com um sorriso cínico, justificou: 

— Você pode ser um humano, mas é jovem, bonito e inteligente. Sabe, eu tenho muitos clientes que dariam de tudo para ter um minuto com um humano como você. 

Felix associou as palavras com rapidez, e em choque, questionou:

— Eu vou virar um prostituto...?  

— Que isso, claro que não. — Chan riu de novo, mas algo em seus olhos era severo. — Mas acho que stripper cairia bem em você. Se você trabalhasse para mim, teria todas as riquezas que desejasse, e o mais importante: a vida de Seo Changbin salva. Trabalhe para mim, e além de Changbin ser liberto, ele ainda contará com a minha proteção para sempre.

— Isso é loucura. — Felix sussurrou para si mesmo, mordendo os lábios em nervosismo. Seu coração acelerou de uma forma não agradável. Bang Chan não ligou, e seus olhos fixos seguiram para outra figura conhecida do trio. 

— Agora você, Lee Minho. Sensitivo, não é? Tenho que confessar, suas habilidades ainda são meio medíocres, mas com o meu acompanhamento você seria o melhor médium de Seul, e me ajudaria muito dentro dos meus negócios. 

— E o que eu ganho em troca? — Minho cerrou os lábios, uma ansiedade ruim em seu corpo. Christopher respondeu como se a resposta fosse mais do que óbvia: 

— O mesmo que Felix, riquezas e mais riquezas. E é claro, a vida de Han Jisung sã e salva para sempre. 

— Eu não acredito. — Foi o que o Lee resmungou, mas seus pensamentos já o bombardeavam com a dúvida. 

Queria proteger Han Jisung, mas e se tivesse que se sacrificar para isso? 

A atenção de Bang finalmente focou no último garoto: o demônio de chifres pontudos e expressão irritadiça. 

— E finalmente, Kim Seungmin. Não posso te dar a vida de seus amados como garantia, mas posso oferecer proteção. 

— E porque você faria isso? — Disparou o Kim, claramente desacreditado. — Você me odeia, assim como Hyunjin. 

Bang Chan negou com a cabeça, suas feições expressavam algum tipo de convicção diferente. Ainda batendo seus dígitos contra a mesa de madeira, o demônio de alma explicou: 

— Eu não te odeio, Kim. Você e eu fomos vítimas de Hwang. Eu fui roubado, e você manipulado. Eu estudei o seu passado, e sei que você se arrependeu de ajudá-lo. Você é esperto garoto, e seria uma boa adição para a minha equipe. Sem contar que poderia ficar com Jeongin. 

— Afinal, o que você pretende com ele? — Seungmin quis saber, sentindo seu coração apertar de preocupado. Precisava ver Yang e Hwang. 

— Muito em breve vocês descobrirão, mas saibam que Jeongin está muito seguro, e se vocês se comportarem, posso até deixá-los visitá-lo. Por hora, pensem em suas propostas com sabedoria. Tuan os guiará até os seus aposentos. Foi uma boa conversa. 

As portas duplas se abriram rápido, e antes que os garotos pudessem realizar seus questionamentos, já eram puxados para fora pelo outro demônio de alma. 

[•••] 

Os aposentos foram divididos entre duplas, e os quartos separados pelo mesmo corredor do hotel. Jisung e Minho ficaram juntos, com o sensitivo tentando passar a sua energia para o Han com o seu abraço apertado entre os lençóis.

 O Lee ainda não sabia como usar suas habilidades, mas esperava que pudesse diminuir as preocupações do outro coreano. 

Felix e Changbin foram a segunda dupla a se acomodar em seu aposento. Diferente dos outros humanos, a dupla recebeu um inusitado presente. Entre os lençóis de sua cama de casal, uma pistola descansava sobre o colchão. Era uma Desert Eagle .50, e um bilhete companhava a arma com a seguinte mensagem: 

Se Seungmin não conseguiu juntá-los a tempo, juntem a si mesmos e aproveitem sua (talvez) última semana. 

Chris.

Os garotos se recordaram da história contada por Seungmin em seu apartamento. Haviam sido uma das vítimas do amor do demônio, mas como o mesmo revelara, não conseguira atirar nos dois como fizera com Minho e Jisung. Christopher devia ter roubado a arma mágica ao raptar Jeongin, a oferecendo como um estranho presente aos humanos. 

Felix e Changbin trocaram um olhar hesitante, sentindo as sensações estranhas quando os olhares se conectaram. Ambos os corações aceleraram, uma adrenalina boa em suas veias. Sabiam que estavam se apaixonando, mas selar essa união em uma situação como essa parecia muito difícil. 

Por conta disso, em meio a um silêncio constrangedor, trocaram suas roupas e guardaram a arma na mesinha de cabeceira, deixando-o a esquecida. 

Ao menos por enquanto. 

A última dupla fora Seungmin e Woojin. Os seres sobrenaturais, mais ansiosos que o normal, se acomodaram no cômodo com rapidez, fechando a porta de modo violento. Sabiam que outros demônios guardavam sua entrada, e por isso começaram uma pequena discussão de palavras sussurradas. 

— Trabalhar para ele?! — Questionou Woojin, incrédulo. — Por que isso me parece mais uma manipulação? 

— Porque é. — Rebateu Seungmin, em um resmungo irritado. — Mas o mais estranho não é isso. Quando conversávamos, ele sequer citou o seu nome, em nenhuma das propostas. 

— Isso é bom ou ruim? — Woojin  resmungou, sentindo a ansiedade apertar o seu estômago. Seungmin, sentado ao seu lado no pé da cama, apenas deu de ombros,  uma expressão indecifrável no rosto. 

— Eu não faço ideia. 

A resposta não acalmou a mente do outro Kim. O cupido se levantou da cama com urgência, caminhando em círculos sobre o tapete de modo ansioso, as mechas castanhas presas entre seus dígitos. Em um misto de raiva e medo, reclamou: 

— Se eu tenho que manipulá-lo, preciso de uma conversa a sós com ele, mas esses malditos demônios nos seguem para todos os lados!

— Talvez seja só por hoje? — Sugeriu o mais novo, mas sua voz não demonstrava nenhum tipo de entusiasmo. — Ele disse que estaríamos livres… 

Woojin riu em escárnio, relembrando-se com detalhes do rosto bonito de Bang e de sua voz confiante a aveludada. Ainda não conseguia assimilar sua traição, e com uma sensação incômoda no peito, resmungou em irritação: 

— Também disse que era um humano. 

Após a frase, um silêncio incômodo invadiu o quarto, mas nenhum dos rapazes pareciam dispostos a quebrá-lo. Com seus corações quebrados, deitaram-se na cama de casal, encarando o teto com de cor escarlate fixamente. 

Como seres sobrenaturais, não sentiam sono, mas podiam dormir se desejassem, e foram o que fizeram. 

Afinal, dormir é a maneira mais eficiente de fugir de seus problemas. 

[•••] 

Horas depois, os rapazes foram despertados com batidas violentas em suas respectivas portas. Demônios invadiram seus cômodos sem cerimônia, com toalhas, mais roupas e comidas mundanas para o suposto café da manhã. 

Ainda hesitantes, os humanos aceitaram de bom grado, com medo que seus estômagos se corroessem pela fome intensa que já sentiam. Woojin e Seungmin não se importaram, irritados demais para saborear o café da manhã. Assim como o sono, tinham uma resistência maior a qualquer alimento. 

Para a surpresa do grupo, quando deixaram seus respectivos quartos, nenhuma presença demoníaca os rodeava. Ainda hesitantes, passaram a caminhar juntos pelos corredores do hotel, que pareciam muito mais vazios sem as presenças insistentes em seu encalço. 

— Acho que ele estava falando realmente sério. — Jisung supôs em voz alta, assim que alcançaram um dos salões, repletos de sofás e poltronas. — Estamos meio que livres. 

Os garotos se acomodaram nos móveis, avaliando a pequena mesa de xadrez no centro do cômodo. Seungmin moveu um dos peões brancos em um claro tédio, e depois afirmou sem emoção: 

Livres, mas cada saída desse lugar deve estar protegida por no mínimo dez demônios.

— Péssimo. — Changbin resmungou, voltando sua atenção para Minho. — Você ainda sente Jeongin, não é? Isso pode nos levar até ele. 

— Posso sentí-lo, mas agora que estamos tão perto, tudo fica muito confuso. — Minho admitiu, massageando suas próprias têmporas. — É como se sua energia viesse de todos os lugares, e ao mesmo tempo de lugar nenhum. 

— E quanto a Hyunjin? — Seungmin questionou, tentando passar alguma aura de confiança. Não funcionou: sua fragilidade era visível para todos os garotos da pequena roda. 

— Sua energia me parece muito fraca para identificar, mas sei que ele está por aqui também, em algum lugar. — Afirmou o sensitivo, tentando concentrar-se mais na tarefa de encontrar Hwang. 

Entretanto, seus poderes ainda eram despreparados demais para isso, e o Lee soltou um resmungo irritado por seu próprio fracasso. 

— Eu não aguentarei uma semana nesse inferno. — Jisung reclamou, inclinando-se para frente e movendo um dos peões negros do tabuleiro. Seungmin assentiu, tentando distrair as preocupações de sua mente ao fazer outra jogada, dessa vez contra o Han. 

— Vocês se lembram onde fica o escritório de Bang? — Woojin cortou o ar, sentindo uma ansiedade angustiante quando uma ideia surgiu em sua cabeça. Todos os rapazes o encararam ao mesmo tempo, curiosos. 

— Para mim é impossível. — Felix brincou, mesmo sem muita diversão na voz. — Minha memória é terrível e todos esses corredores me parecem iguais. 

— Acho que consigo te levar até ele. — Minho garantiu, entendendo o olhar ansioso no rosto de seu hyung. — Já sabe o que vai fazer? 

Woojin não respondeu. Havia pensado muito sobre o assunto na noite anterior, e ainda não tinha certeza sobre manipular Bang. 

O Kim era um cupido honesto e certo, como poderia manipular os sentimentos de outra pessoa? 

Deixando os questionamentos insistentes de lado, Woojin seguiu os passos de Minho para fora do salão em que estavam, permitindo que o outro Lee lhe guiasse pelos corredores e cômodos difusos. Em minutos, já estavam parados sobre a portas duplas de cor preta, o suposto escritório de Bang. Por sorte, nenhum demônio vigiava sua entrada. 

— Eu acredito em você, hyung. — Foi o que Minho sussurrou em seu ouvido, se afastando das portas para que o Kim enfim entrasse. 

Woojin respirou fundo, os pulmões se expandindo com força. Sua mente era um misto de emoções: estava com raiva, estava com medo, estava ansioso. Queria odiar Christopher, mas ao mesmo tempo seu coração acelerava em uma clara ansiedade para vê-lo outra vez. Odiava seus próprios sentimentos românticos.  

Que ironia para um cupido. 

Abriu as portas com violência, invadindo o cômodo com uma clara confiança falsa. Ao contrário do que esperava, Bang Chan sequer o olhou. Mantendo os olhos presos sobre a mesa, Chan continuou sua tarefa de escrever sobre o documento, ignorando a presença do cupido. O demônio de alma estava bem mais humano do que antes, os grandes chifres escondidos. 

Woojin conteve sua raiva interna, ao mesmo tempo em que Minho, do lado de fora, fechou as portas para ambos ficassem completamente sozinhos. 

— Posso saber por que eu não posso ter um acordo com você? — Woojin disparou, tentando conter a irritação em seu tom de vez. Bang Chan deu de ombros, e ainda com os olhos focados sobre a mesa, respondeu sem emoção: 

— Sinto muito, Woojin, mas você não foi convidado a entrar no meu escritório. Saia, ou eu chamarei os meus homens para tirá-lo. 

Woojin conteve um palavrão entre seus dentes. Cruzando os braços, respirou fundo, focando-se em seu suposto plano. E assim, insistiu outra vez: 

— Vamos resolver o nosso problema. 

— Você já resolveu, não resolveu? — Retrucou Chan, rindo em escárnio, a caneta em sua mão trabalhando no que escrevia com rapidez. 

— A situação era diferente. — Rebateu Woojin, tentando passar tranquilidade em seu tom de voz. — Eu pensei que você era um humano e que nosso romance era impossível. 

— Humano, demônio, realmente tem diferença? — Chris debochou, enfim levando sua atenção para o Kim outra vez. 

Quando os olhares se conectaram, Woojin sentiu uma sensação estranha, como se tivesse levado um soco forte no estômago. Rapidamente, anotou os detalhes do rosto atraente de Bang. 

Entretanto, o que mais o deixou abalado foram as orbes escuras do demônio sobre si. Não estavam avermelhadas, e isso o trazia lembranças do antigo Bang que conhecera. Christopher parecia mais humano do que qualquer outra coisa, e isso incomodou o Kim profundamente. 

O cupido não deixou que a angústia fosse revelada em sua expressão. Respirando fundo, o Kim inclinou-se na direção de Bang, apoiando ambas as mãos sobre os papéis da mesa do demônio. 

O ar pareceu mudar de densidade, os olhares conectados distribuindo sensações intensas por ambos os corpos. Os rostos não estavam colados, mais pertos o suficiente para que antigas lembranças íntimas fossem reacendidas. 

E aí, Woojin viu. Fora rápido, mas percebeu quando a expressão convencida de Bang vacilou, e quando um breve traço de preocupação ocupou seus olhos. Humano demais para que Woojin contesse o coração frenético e as borboletas desconfortáveis em seu estômago. 

— Você está em dúvida. — Disparou Woojin, sentindo a confiança crescer em seu corpo. Bang piscou algumas vezes, um sorriso incrédulo nos lábios ao questionar: 

— Como...? 

— Sua expressão, você está em dúvida. — Rebateu outra vez, deixando que um sorriso mínimo ocupasse seus lábios. — Arrependido de seu plano tão rápido? 

Christopher riu debochado, negando com a cabeça várias vezes. Entretanto, Woojin conseguia lê-lo perfeitamente, mas do que se achava capaz. Conseguiu entender com clareza a hesitação do demônio, e isso acendeu algum tipo de adrenalina em seu corpo. 

Desconectando os olhares, Woojin passou a caminhar lentamente para o canto da mesa, os dedos desenhando os papéis sobre o móvel. 

— Está imaginando coisas. — Debochou Bang, seus olhos seguindo o movimento do corpo do cupido. — Essa vingança é necessária, eu tenho que terminar o que comecei. 

Woojin contornou a mesa, e tão rápido quanto entrara no cômodo, já se encontrava ao lado de Christopher. O cupido sentia a adrenalina em suas veias e o medo em cada poro de seu corpo, mas já havia conquistado muito para parar agora. Tentando manter a falsa expressão provocativa no rosto, sentou-se sobre a mesa de Bang, observando os olhos curiosos e cautelosos do demônio sobre si. 

Com a melhor voz convencida que tinha, ditou: 

— Não tenho tanto certeza, disso. Sabe, você diz para todos que é o grande vilão indestrutível, mas você tem uma lado frágil, não tem? Você gosta de mim, e eu consegui irritá-lo. Isso significa que você pode ser frágil como qualquer outro. 

Bang apareceu surpreso e afetado pela proximidade do outro e pelo rumo da conversa, mas fez questão de esconder o sentimento em sua expressão séria, os olhos focados perigosamente na figura sobre sua mesa. 

— São sentimentos ruins, e apenas isso. — Ele resmungou, meio irritadiço. — Todos sabem que tê-los te torna fraco. 

— Discordo. — Afirmou o Kim, inclinando seu corpo para que os dedos caminhassem pela mesa outra vez. — Ter sentimentos pode deixá-lo mais forte do que pensa. 

Chan seguiu os movimentos de seu dígitos como se estivesse hipnotizado. Seus lábios se franziram no que parecia ss parecia raiva, mas Woojin sabia: era um claro nervosismo, e isso fez com que as sensações indesejáveis voltassem outra vez. 

Não queria gostar de um monstro como Bang, mas não conseguia mais controlar o próprio corpo, e isso o deixava apavorado. 

— Como? — Perguntou, conectando os olhares de novo. Woojin engoliu em seco, quase se perdendo em seu próprio papel.

 Já respirava com dificuldade, a tensão incômodo o suficiente para esquentar o seu corpo. Contendo seus próprios sentimentos angustiantes, deixou que as palavras fluessem de sua boca, as mais verdadeiras de sua atuação: 

— Quanto mais se ama alguém, mais força usará para protegê-lo. Quanto mais se ama alguém, mais aos confins do inferno você se dispõe a ir para resgatá-lo. O amor pode te deixar vulnerável, mas te torna mais resistente. Mais invencível. 

Chan piscou várias vezes outra vez, sua mente associando as palavras com dificuldade. Algo em seu estômago se revirou, mas era uma ansiedade boa, o contrário do que desejava. Queria sentir raiva, mas o sentimento havia sumido se seu corpo assim que o Kim focara seus olhos em si. 

— Tudo o que o amor fez comigo foi me deixar despedaçado. — Deixou que as palavras deixassem seus lábios, mais frágeis do que desejava. Chan quis estapear a si mesmo, já estava se deixando vulnerável demais. 

Infelizmente, quando deu por si, Woojin já havia aproveitado sua pequena brecha. Os dedos quentes do Kim, anteriormente sobre a mesa, já estavam na altura de seu rosto, tocando a pele com leveza. Woojin sentiu raiva, mas escondeu tudo sobre um sorriso falsamente provocativo. 

Odiava Bang, mas não conseguia evitar o próprio prazer em tocar a bochecha macia dele. Sentia nojo, mas não conseguia evitar o próprio desejo, e isso estava enlouquecendo-o.  

Mantenha o seu foco, Woojin pensou de forma severa, lembrando-se do que o levara até ali. Tinha que manipular Bang se quisesse salvar os seus amigos. Para salvar Jeongin. 

Pensando nessa motivação e apenas nessa motivação, Woojin inclinou-se mais na direção de Bang, até que as palavras fossem sussurras contra os lábios de Christopher: 

— Se isso aconteceu, a resposta é bem simples: não foi amor verdadeiro. Mas eu posso te garantir, que o que sentimos um pelo outro...— Woojin não completou, nem a melhor atuação do mundo o ajudaria nessa. Estava despedaçado por Bang, e dizer que o amava era a última pá de terra em sua própria cova. 

Por sorte, nem precisou. Quando sentiu a respiração urgente do demônio sobre os lábios, entendeu que Bang já estava entregue completamente para si.

 Era isso, havia conseguido manipulá-lo, e era só uma questão de tempo até...

— Saia do meu escritório, Kim. — A voz de Chris rosnou raivosa contra o seu rosto, despertando o cupido de seu próprio  devaneio. — Saia do meu escritório e não ouse aparecer aqui outra vez. 

Tudo foi muito rápido. Christopher se levantou de sua cadeira com violência. Woojin quase se desequilibrou, mas desceu da mesa com rapidez. Ao olhar a expressão raivosa de Bang, sentiu o medo retornando com tudo para todos os poros de seu corpo. 

Não havia conseguido, e só teve a confirmação quando Bang abriu as portas do escritório com violência, os olhos se avermelhando aos poucos. 

Woojin mordeu os próprios lábios com violência, deixando o escritório rapidamente, por mais que suas pernas tivessem virado gelatina. As portas fecharam em um baque audível outra vez, e o Kim permitiu que as lágrimas dolorosas deixassem os seus olhos. 

— Hyung! — Minho quase gritou, correndo para abraçar o Kim em seus braços. — Está tudo bem! 

Não estava, e o Kim sabia. Apesar de tudo, nada havia sido ilusão. Woojin havia sentido a hesitação de Bang, antes que o demônio de alma se tornasse o monstro de sempre. 

Aquilo tinha que significar alguma coisa, e por isso, quando Minho passou a puxá-lo entre os corredores, murmurando que plano havia sido uma terrível ideia, Woojin negou com cabeça. 

Limpando as lágrimas de seu rosto, deixou que as palavras fossem sussurradas com a intensidade de emoções que sentia por dentro: 

— Eu tenho que terminar o que comecei.


Notas Finais


Só pra deixar claro: eu não estou romantizando a relação woochan. Woojin realmente sente algo por Bang mas o sentimento de traição é muito maior que isso. Ou seja, ele está seguindo o "plano" para conseguir salvar os seus amigos e só. Lembrem-se que Chan é o vilão, e mesmo que ele tenha um lado "humano" ele ainda é problemático.

Changlix deveria usar essa pistola de uma vez, só acho 👀

Hyunjin e Jeongin, espero que estejam bem bbs 😔✊

ps: bom, quero compartilhar que estou trabalhando em duas novas fics, mas uma delas será a "sucessora" de eros complex quando essa história acabar.
Será com o skz e mais outro grupo e o nome da fic será "Chains"

Eros complex e a nova história se ligarão em algum momento, mas ainda se passarão em universos alternativos!

jmaseulverse vindo aí, pq choras Marvel??

Espero que vocês possam acompanhar a nova história também, prometo que será muito boa! 🤗

p²: EROS COMPLEX FINALMENTE TEM UMA PLAYLIST DE MÚSICAS! Depois de mil anos, ela chegou entre nós sksk a playlist possui todas as músicas já citadas em algum momento na história, espero que possam escutá-la!

YouTube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLd3RfVVYzQzqCmOo6eGOfhnrjqItSjguC
Spotify: https://open.spotify.com/user/lararosario734/playlist/1WhNHjpXN2iEg8NFz9xd9Z?si=OnMiNlguQxCpHgOvovZU2g

ps³: quero agradecer a @Laah2002 por ter me ajudado com a playlist, um anjo msm 💕


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