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História Eros e Psique - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capitulo II


Fanfic / Fanfiction Eros e Psique - Capítulo 2 - Capitulo II

 

Eros olhou com curiosidade para a procissão de mortais carregando cargas que iam desde temperos e especiarias à tapetes luxuosos e joias. Estava em Delfos para ver Apolo e, com sorte, irrita-lo o suficiente para que este se juntasse a ele numa empreitada envolvendo muitas ninfas virgens que foram deixadas em paz tempo demais. No entanto a visão da carreata o pegou desprevenido, estava invisível para os humanos, mas mesmo que não estivesse duvidava muito que algum deles ia para de andar como uma manada de bois e aprecia-lo, por mais divino que com certeza era.

“Eros? ” A voz forte e jovial do deus da luz irradiou pelo ar.

“Apolo. ” Cumprimentou, sorrindo para a visão do tio em sua típica armadura de ouro. “O que raios fez com a cidade? Por que todos estão indo embora? ” Brincou Eros se divertindo com a expressão de reprovação do deus da luz.

“Eu? Pelo contrário meu caro, atraio as pessoas até aqui em busca de previsões do futuro, curas e, claramente, pelo esplendor da minha presença. ” Ambos os homens sorriram e continuaram a observar a multidão. “Isso é obra de uma mulher. ” Disse Apolo por fim, deixando o outro deus curioso.

“Minha mãe? ” Questionou Eros estreitando os olhos, o que só o deixou ainda mais atraente.

“Desta vez não, embora o caminho para onde eles vão passe pelo maior templo dedicado a Afrodite. ” Continuou o deus da luz, mais para si mesmo do que para seu ouvinte. Podia sentir em cada partícula divina de seu ser a presença do destino e as linhas da deusa do caos se entrelaçarem na vida daqueles mortais… O temor pelas vidas humanas se espalhava por seu peito e afastava sua mente do presente, o que geralmente ocorria antes de suas previsões.

“Então para onde vão? Chega de me torturar com esse suspense! ” Protestou o belo sobrinho. Eros tinha todas as características que o faziam um homem belo, o rosto forte e bem desenhado, olhos castanho escuros penetrantes, seus cabelos brincavam ao vento o deixado ainda mais jovial. Em contraste com a jovialidade estava o corpo alto de músculos dourados, muito semelhante ao de Ares, inúmeras mulheres haviam desgraçado suas vidas ao escarnio das esperanças perdidas somente para tê-lo por uma noite. Ao contrário do deus da luz, ele não se preocupava com a humanidade, o que era irônico pelo poder que fora concedido a ele, unir as almas pela paixão… Apolo deixou um riso sonoro escapar dos lábios, Eros não se importava se mortais viviam ou morriam, era incapaz de sentir a dor de um amor não correspondido, pois jamais havia amado.

O deus mais velho tocou levemente sua coroa de galhos de loureiro lembrando-se da travessura que o sobrinho aprontara com ele e que marcaria seu coração imortal pela eternidade. Dafne…

“Pois bem. Eles vão para Thálassa! ” Gritou Apolo de maneira teatral bagunçando os cabelos escuros do sobrinho.

“Vou ter que implorar por mais informação? ” Os olhos dele brincaram com o típico brilho divino de Afrodite.

“Uma mulher, diz o boato, tão linda que todos os reis querem com ela casar-se. O rei, muito esperto, propôs três desafios aos pretendentes, aquele que ganhar terá a esposa que deseja. ” Os lábios de Eros estavam entreabertos e em seus olhos ardia a curiosidade de saber como seria o rosto de tal mulher. “Todos estão indo para lá, será o maior evento que a Grécia já viu. ”

 

O pátio de pedra era esculpido nos mínimos detalhes, esculturas belíssimas dos deuses faziam o círculo simétrico ao centro do qual cinco reis se encaravam avaliando-se mutualmente em beleza, porte, altura e riqueza, corroendo-se a cada instante imaginando quais seriam os três desafios postos por aquele que seria futuro sogro de um deles.

Atenas, Tebas, Creta, Delfos e Troia, naquele momento não importava o quão bela fosse a tão falada Psique, era de fato uma disputa por poder, aquele que levasse a mulher como rainha estaria atestando sua superioridade em relação as outras nações. O rei de Troia era o mais belo sem dúvidas, os cabelos loiros, os olhos castanho claros, os músculos bem esculpidos e o rosto juvenil encantaram a todas as mulheres do palácio que sorriam alegremente nos cantos do jardim para sua figura. Já o de Atenas era visivelmente o mais rico e o mais militar, o cabelo bem cortado, a barba por fazer e os olhos azuis inteligentes faziam dele o segundo favorito.

Ouviu-se o som suave de liras e então o rei Heitor, sua rainha e duas moças esplendorosamente belas desceram as escadarias sob a luz do crepusculo para recepcionar os convidados. Prontamente os homens, voluntaria e involuntariamente arrumaram suas posturas uma vez mais, entre eles o pensamento conjunto de que a mais alta das moças, a de cabelos volumosos castanhos dourados, olhos verdes e rosto sorridente era a tão falada Psique. O rei de Atenas apenas sorriu sarcasticamente ao concluir que aquela era apenas uma disputa política, a moça era bonita, de fato, mas nem de longe era motivo para tanto alarde e tanta pompa quanto exigiu por capricho, iria gostar de tê-la como esposa, mas já não nutria respeito por seu intelecto e vaidade.

Heitor prontamente começou a cumprimentar cada um dos reis que eram agora convidados em seu reino, todos sorriam largamente para aquela que acreditavam ser Psique e lhe lançavam olhares furtivos.

Isso para Júlia foi o mais profundo deleite, imaginar que todos estes homens estavam profundamente encantados por sua beleza a deu a certeza que a beleza da irmã era superestimada.

Após cumprimentar o rei de Troia, o rei Heitor se prostrou ao centro do círculo de pedras com sua família e começou a falar-lhes:

“Hoje é um dia que será lembrado para todo sempre! ” Proferiu em sua voz alta e grave. “O dia em que estes cinco reis vêm cobiçar o meu maior tesouro. Durante a próxima semana cada um deles terá de cumprir três desafios, estes desafios serão avaliados por Psique que decidirá o ganhador de cada um deles e do seu coração. ” Dito isso, o rei de Troia mordeu os lábios olhando sedutor para Júlia. “No entanto, hoje, são todos convidados a um banquete sem rivalidades em minha casa, para que festejemos e, é claro… ” O rei fez uma grande pausa. “Para que conheçam a futura noiva. ”

Dito isso, a família anfitriã foi seguida por seus convidados até as grandes portas do palácio, de onde vinha o som de música e o cheiro inebriante de deliciosas carnes.

 

Assim como Psique planejara, tão logo foi dado início ao festim os pretendentes deliberadamente avançaram sobre Júlia, enchendo-a de paparicos e elogios. Por entre os espaços das cortinas que ela havia pessoalmente planejado conseguia ver como se desenrolavam as interações sem ser vista.

Identificou pela descrição do pai cada um dos pretendentes, pedira que ele fosse o mais descritivo possível com os detalhes de cada um deles. Os pretendentes haviam trazido consigo sua frota de generais, amigos e até parentes da família, ao ponto que se tornou uma festa realmente cheia.

Surpreendeu-se com o rei de Troia, a beleza masculina e jovialidade não foram de modo algum excesso na fala de seu pai. Tinha a compleição de uma estátua, músculos tenazes e bem esculpidos, um homem claro e marcado por sardas. O pai dele havia falecido apenas um ano antes, devia ter apenas vinte e pouco anos quando assumiu o trono e a fama de seu primeiro ano de reinado não se mostrara muito boa. Os boatos eram sobre sua vaidade, que era facilmente irritável e mulherengo. Psique desdenhou dele facilmente com um sorriso quando o viu tocar inapropriadamente a cintura de sua irmã mais velha.

Os reis de Creta e Delfos eram parecidos devido ao parentesco de suas mães, os cabelos castanhos e cumpridos de ambos já eram levemente grisalhos, ambos tinham olhos azuis com marcas da idade e das batalhas que lutaram. O rei de Creta, sobretudo, era o mais atraente dos dois, mais alto, beijado pelo sol do mar e com uma expressão de inteligência que tocou Psique.

Dentre todos os pretendentes, era consenso dos participantes do banquete e dos súditos que viram os homens chegando, que o rei de Tebas era o mais desagradável em aparência, modos e inteligência. Tinha a mesma idade do rei de Creta, mas em nada se esforçava para manter-se dentro dos padrões de beleza masculinos hegelianos, era gordo, branco de mais, ruivo e baixo. Seus modos eram ultrajantes no mundo de cidadãos civilizados, a única legitimação que obtinha dos demais reis era por sua considerável fortuna e disponibilidade de exércitos para a batalha.

O único que Psique ainda não tinha encontrado na multidão era o rei de Atena. Sabia exatamente o que procurar, um homem de trinta e poucos anos, cabelo cortado rente, esnobe, magro e de olhos azuis extremamente claros, mas não o encontrara próximo a irmã e em nenhum outro lugar adjacente, respirou fundo e começou a se posicionar para o grande momento, como seu pai chamara.

A menina deu a volta por fora do salão, subiu as escadas e atravessou um longo corredor até que estivesse nas escadas que davam de encontro a mesa onde todos já deveriam estar sentados a àquela altura.

Seu coração batia rapidamente, seu rosto deveria estar corado pela ardência que sentia e até mesmo as mãos tremiam frias. Sentou-se e esperou, não daria o gosto a aqueles homens de vê-la nervosa. Acariciou entre os dedos o fino medalhão de ouro branco que usava sempre junto ao peito, a peça metálica gelada trazia gravado a imagem de um pequeno ramo de trigo, uma relíquia indicando a devoção à deusa da colheita Demeter. Era irônico a todos no palácio pensar que a antiga rainha, cuja vida fora ceifada dois dias após o nascimento de Psique devido as complicações do parto, havia deixado seu medalhão preferido justamente para ela.

Psique obviamente nunca a conhecera, evitavam falar da rainha em sua presença, mas sempre sentiu que a mãe zelara por ela nos mais pequenos detalhes de sua breve vida, ainda que ela mesma tivesse sido o motivo do fim da vida da progenitora. O pensamento a trouxe conforto e confiança, crescera sozinha, sua beleza nunca a trouxe felicidade, tinha de viver constantemente distante e protegida dos homens que queriam rouba-la de seu pai, as irmãs não nutriam nenhum carinho por ela… Era chegada a hora dela se mostrar de algum valor ao seu próprio reino. Levantou o rosto, secou as mãos suadas no vestido e avançou para o grande salão onde pouco a pouco as vozes se calaram.

 

Theonio já havia encontrado mulheres belíssimas durante seus vinte sete anos de vida, oh sim. Rainhas esplendorosas de pele negra, escravas virginais com cabelos cor de fogo, mulheres poderosas e inteligentes de Atena que faziam jus a própria deusa patrona. Ele se deitara com muitas, fizera orgias e todo tipo de perversão, mas ainda assim…. Quando aquela figura desceu as escadas mais cedo naquela noite…. Voltou a ser adolesceste, lembrou-se de seu primeiro romance as escondidas e senti os nervos a flor da pele.

Todo o ambiente se silenciou aos poucos, restando apenas o som seco dos passos da esplendorosa moça. Por um momento pensou que a própria deusa Atena estava presente naquela sala, os olhos violeta varreram a sala em expressão severa e pousaram por fim no local onde o rei Heitor estava que lhe esticando uma das mãos.

A mulher caminhou pela multidão silenciosa, as vestes negras destoando dos vestidos multicoloridos das demais mulheres, as pessoas pouco apouco cedendo espaço para que ela cruzasse o salão e agarrasse a mão do pai. Heitor sorria largamente diante da expressão dos convidados, guiou a bela filha até a mesa principal onde a beldade se sentou ao lado do trono do pai e da madrasta e seus lábios se curvaram num sorriso sádico e malicioso.

Uma rizada rouca e enlouquecida ecoou pelo salão, todas as cabeças de voltaram para o som, mas o rei de Atenas não conseguia desviar os olhos da mulher. Por sua vez aquele que ria era o rei de Tebas, que iniciou uma salva de palmas que foi seguida por todos os convidados em uma onda.

A música recomeçou, ouviu-se risos e sussurros. Theonio finalmente soltou o ar que nem sequer percebera que estava segurando e avançou em direção a cobiçada esposa.

 

“É um prazer conhece-lo Theonio, rei de Atenas. ” Os lábios corados da moça proferiram de forma melodiosa. A voz de Psique era rouca, profunda e suave como se fosse contar um segredo.

“Deve ser consciente o bastante de sua beleza para saber que o prazer é muito maior para mim. ” O sorriso sem humor voltou a marcar a face da jovem mulher enquanto ela lhe encarava com os impressionantes olhos purpura. Havia mais beleza nela do que fora capaz de prever, sentia-se um imbecil e teve a certeza de que bajulações a sua beleza não seriam bem-vindas. Era obvio que ela crescera escutando o quanto era impressionante, havia algo mais ali, mas inteligência que o rei previra também.

Theonio a estava guiando para o salão de dança sob os olhares curiosos de todos, uma melodia suave tomava o local quando se posicionaram um a frente do outro e iniciaram a dança sincronizada dos demais casais. O rei ainda cogitava o que deveria dizer no próximo momento oportuno quando ela mesma falou:

“Como é Atenas? ”

Maneirou entre um e outro passo de dança sobre a resposta e por fim decidiu-se:

“É bela, impressionante, arquitetônica, o mar é lindo de um azul profundo e o clima é ótimo…” Começou deliciando-se com a já prevista expressão educada de desinteresse da moça. “Mas não são estes os motivos principais para o meu amor pelo lar. ” Ele conseguira, agora os olhos de Psique o olhavam com genuína curiosidade. Theonio permaneceu em silêncio para irrita-la.

“Rogo para que me conte então o motivo de amar tanto sua própria terra. ” A jovem mulher foi obrigada a dizer.

“A ciência, a matemática, a filosofia e a política. ” O rei a girou e a segurou contra si como a dança exigia, a mão direita sentindo o calor do ventre da menina passar pelo vestido até sua palma. Inalou o cheiro de lavanda dos cabelos negros de Psique e quase perdeu os próximos movimentos. Ela o encarou sem perceber a reação naturalmente masculina dele. “Sou um idealista, sonho com Atenas sendo a maior cidade estado da Grécia, o berço do conhecimento da humanidade, a maior biblioteca, a maior universidade, a melhor forma de governo. ”

“É com toda certeza o tipo de lugar que gostaria de conhecer rei Theonio. ” Sua voz melodiosa sibilou enquanto ela girava uma vez mais.

“Seria um prazer mostra-la a você, Psique. ” O som do nome dela foi como mel em sua língua. O rei foi subitamente invadido pela necessidade de tê-la para si, já era seu desejo ganhar os desafios, mas agora se tornava a cada segundo vital.

 

O rei de Atenas sentou-se em sua cama naquele fim de noite sentindo a brisa embargada do mar atenuar o mormaço do dia quente. Devia ser a única lamparina acessa no acampamento a àquela hora, logo os primeiros raios de sol surgiriam no horizonte e os pretendentes seriam chamados ao primeiro desafio.

Theonio bem tentou dormir o resto de noite que lhe tinha, mas seus olhos permaneciam mergulhados no devaneio e nas lembranças de Psique.

“Psique.” Um sussurro escapou dos lábios e ele saboreou a palavra como a uma fruta. Não achava que uma mulher fosse capaz de o desestabilizar a àquela altura da vida. Tinha recém completos vinte e sete anos e já vivera muitas coisas. Nunca teve contato com a mãe, uma típica mulher ateniense, logo que o concebeu como primogênito tratou de entrega-lo a uma ama de leite, seu ensino foi delegado aos escravos posteriormente até que iniciou os estudos com cerca de sete anos com os melhores filósofos da Grécia.

Aprendera neste período com os mais sábios sobre as lendas envolvendo mulheres, estas semeadoras do caos e da discórdia, tidas por muitos como ocas, receptáculos necessários apenas a gerar vida. Um homem sábio jamais poderia dar ouvidos a uma mulher e o amor que se podia achar sentir por elas era no fim apenas luxuria cega. Cego como o ódio e a guerra de Ares, não, ele era um homem de Atena, deusa da guerra estratégica e da sabedoria.

Segundo seus professores o verdadeiro amor só poderia surgir entre dois iguais, dois homens, equiparados em inteligência e poder, que lutassem juntos como um.

O rei Theonio já achara este amor verdadeiro, Felipe, seu melhor general, cresceram juntos, lutaram todas as batalhas como um e inevitavelmente viviam o melhor tipo de prazer sexual. Observou o rosto másculo de seu amado em sono profundo, um homem belo, os músculos bem definidos das costas descendo como uma escultura em bronze culminando nas nádegas fortes e redondas, molhado pelo suor, o rei sentiu-se feliz por ter tão linda visão a sua disposição.

No entanto, naquelas horas finais da madrugada, depois da festa, do vinho e do prazer sublime compartilhado com seu amado Felipe em seus lençóis, era no rosto daquela mulher que pensava, em sua voz rouca e olhar inteligente.

Temia no fundo de seu amago medo pelo sentimento que se aflorava quando pensava nela. Ele, um filho de Atena jamais poderia sucumbir aos caprichos de uma mulher.



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