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História Erros - Capítulo 1


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Notas do Autor


É isso mesmo que está lendo. Voltei depois de quase um ano. Não sei porque. Me deu uma súbita vontade de escrever e deu certo. Tomara as pessoas não tenham esquecido que eu existo ~figurinha de um gato chorando~.

Observação: o enredo não tem ligação com a série, apenas usei o shipp que tanto amo (como podem perceber nas 30 histórias postadas).
Tenha uma boa leitura, espero que goste.

Capítulo 1 - Capítulo Único


- Chegamos, senhor.

- Obrigado, John.

Agradeço ao meu motorista e respiro fundo antes de sair do carro. Vejo nossa... a casa de praia dele adiante e caminho até ela. Afasto qualquer lembrança que queira me atingir. Acendo um cigarro, lutando contra o vento que insiste em apagar o isqueiro. Depois de duas tragadas, vejo o carro ir embora e percebo que estou sozinho.

“Vamos lá Stiles, você consegue. Se preparou mentalmente pra isso.” Penso comigo mesmo antes de entrar na casa. Vai ser difícil não vir mais aqui. Amo o cheiro da madeira em contraste com a maresia. Sempre amei. Na verdade, sempre houve amor aqui.

Encontro o cinzeiro em cima da mesa de centro, me sento no sofá e jogo as cinzas lá. Mesmo odiando que eu fume, ele me deu o cinzeiro de aniversário. Não sei quem ele quer enganar, sempre fuma quando bebe. Odeio ter esses pequenos detalhes em mente depois de meses.

No segundo cigarro, que serviu pra ajudar com meu nervosismo, vejo a porta se abrir. Ele a tranca e sorri pra mim, vindo em minha direção. Me levanto e ele me dá um beijo no rosto. Não me importo, desde sempre ele me cumprimentou assim. Há 7 anos.

- Como vai, Stiles?

- Bem. E você, Derek? – pergunto, de fato me importando com seu bem estar.

- Bem. Eu acho. Na medida do possível.

Seu rosto engana. Vejo que não tem dormido direito. E chorado.

- Quer beber algo? – pergunta, mas já vai em direção ao armário de bebidas. Depois de alguns segundos, levanta duas garrafas. – Vai me acompanhar no Whisky ou prefere a Vodka?

- Whisky.

- Certo.              

Ele está agitado. Sei disso. O conheço a tempo demais. Depois de preparar nossos copos, se senta na outra extremidade do sofá.

- Não precisa ficar nervoso. Eu também estou, mas é normal – digo tentando acalma-lo. E acho que ajudou, pois ele respira fundo e sorri, me encarando por tempo demais. Até que percebe isso e balança a cabeça, dando um bom gole de seu copo.

- Pensei que fosse vir mais tarde – diz se arrumando no sofá.

- Te falei. Nervosismo – damos uma breve risada e também bebo o líquido amargo, já não faço careta a anos. – Trouxe a papelada?

- Sim, esqueci no carro. Quer que eu busque?

- Não, não. Depois fazemos isso – engulo em seco.

O silêncio paira ao nosso redor. Acho que pela primeira vez com Derek isso acontece. Nunca ficamos em silêncio. Nunca. Olho para minha mão e para a sua, não ver nossas alianças me incomoda um pouco, pois foram anos com elas ali.

Observo pelas paredes de vidro o mar calmo. Ainda está de tarde, mas não vai demorar pra eu ver aquele sol poente que tanto amo. Não sei quanto tempo ficaremos aqui. Admito que não tenho pressa.

- Tem algum papel novo? – ele quebra o silêncio.

- Tenho. Um drama. As gravações começam semana que vem. Minha preparação para o personagem me ajudou a distrair um pouco.

- Fico feliz – diz sorrindo. – Um drama, hein? Pelo menos vai ter inspiração – nós rimos um pouco, mas logo paramos. Infelizmente é verdade. As lágrimas do meu personagem podem ser verdadeiras.

- E quanto a editora? Como estão as coisas? – pergunto para quebrar o clima estranho.

- Vai bem. Tudo bem.

- Que ótimo.

Encaro meu copo, mas prefiro olhar para a casa. Faziam meses que não vinha aqui. Olho para o criado mudo ao lado do sofá e encontro uma revista na qual eu e ele estamos na capa.

- Eu lembro desse dia – diz ele se aproximando. – Esse tapete vermelho foi um caos.

- Foi mesmo. Mas gostei de apresentar a premiação.

- Você estava tão lindo.

Sorrio com o elogio, ainda analisando a imagem. Derek com seu jeito durão para os fotógrafos, mesmo sendo a pessoa mais doce que conheço. Só se acostumou a ir nos tapetes vermelhos comigo depois de dois anos juntos. Odiava os flashes.

Guardo a revista de volta e ele retorna para a outra extremidade do sofá. O observo acender um cigarro e arqueio a sobrancelha.

- Normalmente você fuma depois de três copos, ainda está na metade do primeiro.

- Eu sei. Mas agora estou fumando diariamente. Ajuda a me acalmar.

Ouvir isso não foi nada bom. Não pela parte de fumar em si, mas por ele precisar disso pra se acalmar.

- Hey – ele chama minha atenção. – Não precisa fazer essa cara. Não é culpa sua.

- É por causa de mim, não tem como não me culpar.

- É por causa de nós – ele respira fundo e dá uma tragada. – Infelizmente.

Também acendo um e ficamos em silêncio novamente. Começo a ficar inquieto e odeio isso. Acho que prefiro discutir o que meu advogado me aconselhou.

- Vamos falar sobre a repartição de bens? Meu advogado disse para deixarmos tudo claro antes de assinarmos os papéis, já que não estaríamos com ele ou com o seu representante.

- Ok.

- Então essa casa, a de Boston e de Milão são suas. A de Nova York, Amsterdã e Recife são minhas. Os carros já estão decididos. A editora...

- Cinquenta porcento – ele me interrompe. – Ainda dá tempo de mudar.

- Derek...

- Eu a construí do seu lado. Ela se ergueu do seu lado. Te quero ainda como meu sócio – seu olhar é de tristeza.

- Não quero nada. Mesmo do meu lado, ela sempre foi sua. Quero que permaneça assim.

Ele abre a boca, mas a fecha. Sabe que não voltarei atrás.

- Está bem. Cem porcento minha – diz olhando para baixo.

- Os investimentos na grife e na marca continuam sendo meus. Se quiser alguma parte, podemos discutir.

- Não quero.

- Ok. Sobre o uso de imagem...

- Já falei com meu advogado. Qualquer uso da minha imagem pós divórcio não está autorizada.

- Certo. Entendo isso. Vai ganhar uma boa grana com processos – rimos juntos e ele nos serve mais Whisky com gelo.

- Já estou ganhando. Aquela revista idiota ainda não entendeu. Nunca gostei da chefe, ela sempre foi falsa com você e continuava te chamando para os afters.

- Lembra de quando fingiu esbarrar num fotógrafo dela porque ele não parava de tirar fotos minhas? – começo a rir sozinho. – O coitado caiu na piscina e ainda ficou com medo de você.

- Estava odiando aquilo. Você estava claramente incomodado. Só não soquei a cara dele em respeito a você e os convidados.

Ele finge raiva, mas logo entra na risada comigo. Conversamos sobre mais algumas coisas. Cerca de pouco mais de dez minutos se passam e acho que discutimos tudo. Dou um gole no terceiro copo e me levanto. Caminho até a porta para a praia, mas não abro, pois percebo que começou a ventar e eu estaria congelando agora.    Apenas encaro o mar, agora um pouco mais agitado. Mas não tanto, apenas o ideal. Derek se junta ao meu lado e permanecemos calados.

Algumas memórias vem a minha mente, me atingindo em cheio. Nós correndo na areia pouco depois de comprarmos a casa. As festas. A piscina. Tudo.

- Sinto falta daqueles momentos – me assusto ao perceber que disse isso em voz alta, e me arrependo de imediato.

- Eu mais ainda – Derek diz com a voz falha. – No primeiro dia seu sorriso estava tão lindo. Foi a três anos, mas me lembro como se fosse ontem. Você animado com sua primeira casa na praia, e incrédulo por estar comprando anos depois de finalmente ter dinheiro para ter uma, sendo que sempre foi seu sonho.

Fico arrepiado com cada palavra. Tenho que segurar uma lágrima que sequer percebi que estava ali. Minha garganta apertou um pouco. Volto até a mesa e bebo um grande gole, afim de aliviar a tensão.

- Desculpe, não quis dizer por mal – Derek coloca as mãos no bolso de sua calça. Vejo seu olhar de decepcionado consigo mesmo. Apenas sorrio de lado e respiro fundo.

- Por que escolheu aqui para assinarmos os papéis? – pergunto aquilo que estava martelando minha cabeça, mas só agora tive coragem. – De todos os lugares do mundo. Justo aqui.

- Não sei. Queria que fosse algo só entre nós, num lugar que fomos tão felizes juntos. Meio que um fim.

Pensando por esse lado, também a escolheria. Mas não deixa de doer.

Me sento novamente, mas dessa vez com as mãos em meu rosto. Tentando inocentemente me esconder do mundo. Mas não posso, pois nele habito.

- Não quis te machucar. E pensei que te trazer aqui fosse...

- Fosse o que? – o encaro com o coração acelerado.

- Esquece. Estou falando demais, acho que é a bebida – ironicamente ele dá mais um gole. Sei que não é a bebida, ambos estamos acostumados a beber muito mais que isso e conheço ele.

- Fala, Derek – meu olhar é de imposição, e sei que ele o sente.

- Fosse te fazer repensar.

Aperto o copo em meus dedos e rio com ironia. Meu coração está mais acelerado. Seu olhar é de uma criança que acaba de levar uma bronca, mas o meu é de puro tornado de emoções.

- Sério, Derek? Repensar? Estamos com os papéis a metros de nós. Acha mesmo que eu vou repensar? Acho que você simplesmente se esquece daquela noite.

- Como é que é? Esquecer? – ele se aproxima, sentando-se ao meu lado. – Acha que eu esqueci? Aquela droga de noite assombra todos os meus sonos. Acha que se eu pudesse eu não voltava atrás? Acha que eu não o faria? A partir daquilo eu passei a me odiar, porra.

- E deveria! – eu me exalto. – Você estragou tudo. Você jogou a bomba. – me levanto e ele também. Éramos para estar aqui, juntos, felizes. Tem noção disso? – não tento esconder as lágrimas mais.

- Eu? Somente eu? – diz apontando para si. – Nosso casamento já não estava tão bem assim. Quase não nos víamos. Quase eu não te via. Sempre priorizando as festas e entrevistas. Sempre.

Eu fico chocado com o que ele diz. Ele percebe que disse besteira e se arrepende.

- Stiles... – ele ergue o braço, mas eu me afasto.

- Eu já ouvi tudo naquela noite. Nada mais me surpreende. Eu sei que eu fui idiota, mas eu nunca priorizei nada além de você. Sempre te chamei para ir comigo, sempre.

- Mas aquele não era o meu mundo! Era o seu! Sempre foi – agora o tom de voz dos dois está alterado.

- E eu sei! Eu sei disso. Mas não é justo colocar a culpa em mim. Você fez pior.

- Eu fiz pior por culpa sua! – ele aponta o dedo pra mim. – Eu precisava de você, te pedia para cancelar coisas inúteis. Você nunca o fazia.

- Você se casou comigo sabendo da minha carreira, sabendo como seria aqueles anos adiante. Eu tinha 20 anos, porra. Não sei o que tinha na cabeça pra me casar – ergo as mãos e respiro fundo. – Isso não te dava o direito de fazer o que fez, muito menos me culpar por isso. Meu deus eu te odeio, Derek.

- Eu também, Stiles. Eu também me odeio, todos os dias eu me odeio. Eu me odeio por não estar com você, eu me odeio por te fazer chorar. Eu me odeio por ter feito aquilo. Meu deus...

- Você ia me trair.

- Mas não o fiz.

- Mas ia! – grito chorando mais ainda. – Mas pensou na ideia. Cogitou acabar nosso casamento antes daquela noite.

- Pensando melhor agora eu devia ter feito. Você sempre foi a porra de um egoísta. E mesmo estando errado, foi você que partiu pra cima de mim. Me empurrando que nem um idiota sabendo que se eu quisesse eu te jogava contra a parede – continua apontando o dedo, mas permaneço parado. – Quer fazer isso agora?! Hein?! Vem, Stiles, bate em mim. Seja homem – Derek bate repetidas vezes no peito, me assustando.

Sinto aquela noite se repetir.

- Não tenta se fazer de vítima. Você escolheu querer me trair. Você! – também aponto.

- Mas eu não fiz! E não faria. Porque eu te respeito, eu sempre te respeitei. Eu sempre te amei e nunca vou deixar de te amar. Eu te amo desde o segundo que te vi até o segundo que se passa a cada momento de hoje. Mas tanta coisa aconteceu. Fomos para caminhos tão diferentes depois de tantos anos... Tanta coisa sem noção, como aquela briga ou essa discussão. Eu fiquei tão mal que não sei se aguentaria outra. Ou qualquer outra coisa que viesse.

- E acha que eu não? – ambos estamos chorando. – Acha que eu fiquei bem? Eu quase morri de saudade de você. Não foi só a briga que me deixou mal, foi o sentimento de medo de que nosso casamento tinha acabado. Foi a dor de não te ter ali todas as noites. Foi a culpa. Tudo. Meu deus Derek eu fiquei desolado. Todas as noites me perguntando se você estava bem. O dia que te liguei pedindo o divórcio foi um dos mais difíceis da minha vida. Mas eu só... não sei. Acho que não faz mais sentido.

- Não dá mais, né – não foi uma pergunta. Foi uma afirmação.

- Não, eu acho que não.

Nos sentamos nos mesmos lugares de antes. Eu choro baixinho, com o rosto tampado. Ele apenas acende outro cigarro.

- Vamos acabar logo com isso.

Derek se levanta, passando rápido por mim e batendo a porta ao sair. Ainda choro um pouco. Mesmo com o que acabou de acontecer, não quero que acabe rápido. Sei que doeria em mim muito mais se esse fim fosse conturbado assim, me arrependeria pro resto da vida.

Coloco mais um pouco em nossos copos e acendo um cigarro, afim de me acalmar. Minutos depois ele volta, fechando a porta e colocando os papéis na mesa. Antes que ele tire uma caneta de seu casaco, eu ergo o braço.

- Espera. Não quero terminar assim. Não quero lembrar de hoje como um dia ruim.

Ele analisa meu rosto por alguns segundos e assente, se sentando em seu lado do sofá. Com meu copo, aponto para o seu e volto a fumar. E novamente, o silêncio reina. Mas dessa vez não de um jeito incomodo, mas necessário.

Vejo o envelope jogado, mesmo sabendo do conteúdo me dá arrepios.

- Duas assinaturas e tudo acabou – ele diz como se lesse meus pensamentos.

- Não vamos pensar assim.

- Mas é a verdade. Estamos jogando tudo fora apenas ao assinar isso – agora estamos falando calmamente.

Ficamos nos encarando por um bom tempo, apenas analisando a expressão de cada um. Provavelmente meu rosto está marcado por choro, já o dele é de cansado e de olhos marejados. Ele flexiona seu maxilar repetidas vezes. Sei que isso é sua mania. Eu sei tudo sobre ele.

- Me desculpa – peço voltando a derramar apenas algumas lágrimas. – Me desculpa por ter sido um idiota.

- Eu fui mais, eu sei disso – ele se aproxima, segurando em minha mão. – Te pedi perdão inúmeras vezes naquela noite, mas estávamos alterados demais pra fazer valer.

- Como pudemos fazer isso com a gente? – toco seu rosto, sua barba por fazer arranhando meus dedos de uma forma que sempre amei. Seus dedos tocam meus cabelos.

Nossos olhares hipnotizados. Respirações desajeitadas. Eu preciso disso. Preciso dele. Uma última vez.

Me jogo em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo e minhas mãos em seu rosto, o beijando com o mesmo fervor que fiz em nossa primeira vez, ou nossa lua de mel. Ele abraça minha cintura, apertando cada centímetro do meu corpo.

Desajeitadamente arranco sua blusa e ele a minha, logo tomando sua língua em minha boca. Nunca estive tão excitado antes, e a julgar pelas pulsações em sua calça posso dizer que ele também não.

Derek me ergue, me carregando no colo escadas acima até o quarto principal. Sempre admirei a facilidade com que ele faz isso. Deitamos na cama, com ele em cima de mim, me afundando e mordendo, chupando, tomando para si a minha pele. Estamos fervorosos, descontrolados. Minhas calças são arrancadas. Não me atrapalho nos botões das suas, acho que a adrenalina ajuda. Logo estamos desnudos, comigo arranhando suas costas pedindo por mais. Derek conhece meus pontos fracos, maltratando meus mamilos de uma forma que só ele sabe.

Sou virado bruscamente e minha bunda empinada. Sinto ali ele me lambendo e salivando, fazendo-me contorcer de prazer. Mas não por muito tempo, pois ambos queremos. Ambos queremos sentir um ao outro mais ainda.

Ele me vira novamente, se encaixando entre minhas pernas e me beijando com o mesmo calor que antes. Encaixo seu pênis e sinto ele entrar lentamente. Em todas nossas transas, ele espera eu me acostumar. Mas hoje não, hoje eu não preciso de tanto tempo. Relaxo ao ponto dele poder entrar todo e logo estar me fodendo violentamente.

Estamos suando. Ofegantes. Necessitados.

Sinto uma leve dor, mas eu gosto. Derek morde minha orelha enquanto vai até o fundo, fazendo minhas pernas tremerem e meu coração bater mais forte. Puxo seus cabelos, o atiçando ainda mais. Em certo ponto, ficamos nos encarando enquanto ele continua, dessa vez mais lento. Um ritmo perfeito. Acaricio sua barba, seu lábio. O puxo para um beijo mais calmo, no ritmo das estocadas. Entretanto meu corpo é impaciente, sei que logo chego lá e não aguento mais esperar, nem Derek a julgar pelas pulsações.

- Acaba com isso – imploro mordendo o lábio e precisando demais.

A rapidez retorna, mais abrupta do que antes. Ele sabe exatamente aonde me acertar, enquanto reviro os olhos e me masturbo para que possamos chegar juntos. Ainda nos encarando, ele me fode com tudo, e gemendo, gozamos como nunca antes.

Ele cai sobre mim, me abraçando com força. Faço o mesmo, desejando que esse momento nunca acabe.

Porém alguns segundos depois, torna-se estranho. Para os dois.

Ele se deita do meu lado e juntos encaramos o teto escuro. Sequer percebi quando escureceu. Uma pena que perdi o pôr-do-sol. Minutos se passam até que ele toma a iniciativa.

- E agora?

Viro meu rosto para ele, já não estamos ofegantes. Com o tesão saciado, os sentimentos de antes voltam à tona.

- Eu não sei – digo baixinho.

- Você não vai voltar atrás, né? – agora ele se vira pra mim e ficamos ali no escuro, nos olhando. A pergunta me deixa contra a parede, sem saber o que responder. Não sei o que eu sinto.

- Você mesmo disse, não sei se consigo mais.

Ele aproxima a mão para tocar meu rosto, mas para no meio do caminho.

- Estarei lá embaixo.

Derek levanta, vestindo sua cueca e calças, sai do quarto e posso ouvir seus passos escada abaixo. Não sei o que pensar, não sei como reagir. É o fim. Eu tenho que aceitar. Quanto antes eu aceitar, melhor. Não dá mais pra adiar isso.

Faço o mesmo que ele, vestindo a cueca e calça. Quando desço as escadas, o vejo sentado no sofá, com a caneta em mãos e o papel em sua frente. Me sento ao seu lado, bebendo um gole do Whisky agora quente. Derek pega a caneta e leva até o papel, parando sua mão ao lado do seu nome. Porém está trêmulo, muito. Como se fazer aquilo fosse doer.

Essa cena... ver o cara que eu amo desde que conheci com a caneta pronta para assinar os papéis do nosso divórcio é algo que nunca pensei que fosse ver. Ele não consegue. Eu também sei que não consigo. Eu não consigo ficar longe dele. É como se um filme passasse diante dos meus olhos. Nosso primeiro jantar juntos, nosso primeiro tapete vermelho. Quando ganhei meu primeiro grande prêmio e dediquei a ele. Todos os momentos que passamos, todas as viagens. O casamento, a lua de mel, as estreias dos meus filmes... as festas, as transas. As trocas de carinho, os momentos na praia ou deitados na cama, conversando sobre tudo. Todas as vezes que ele cuidou de mim quando minha ansiedade me sufocava. Todas as vezes que o acalmei quando se estressava com algo. Meu deus... o que estamos fazendo? Eu não sobreviveria sem ele.

Quando a caneta toca o papel, a arranco de sua mão e rasgo a folha em um momento súbito de coragem. Ele me olha assustado, mas seu único ato é me abraçar. E ali ficamos abraçados por longos minutos, necessários depois de tanto tempo sem nos vermos.

- Me desculpa, Stiles – ele pede baixinho.

- Me desculpa, Derek. Fica comigo essa noite.

Ele segura meu rosto e sorri.

- Para todo o sempre.

           

 

Nós queimamos todos os papéis do divórcio na lareira. Depois disso fomos para o mar, mergulhando na água gelada e nos esquentando com nossos corpos.

Ao sair da água, deitamos na areia apenas de cueca, encarando o céu de mãos dadas.

- Precisamos fazer isso mais vezes – digo perdido encarando as estrelas. Ele me olha com a sobrancelha arqueada.

- Divórcio? Mais um desse e eu morro. Nem a morte separa a gente mais – ele me puxa para deitar em cima de si.

- Não – acaricio seus cabelos. – Deitar aqui, olhar para o céu. Fugir um pouco da nossa realidade – agora sua barba e seu rosto – pedir desculpas pelas estupidez que fazemos e que não percebemos que fizemos.

- Tomar um tempo para nos amarmos em meio as turbulências.

- Exatamente – sorrimos e nos beijamos por um bom tempo. – Aonde foi que nos perdemos?

- Eu não sei, mas espero que nunca mais aconteça. E se acontecer...

- Não vai acontecer – o interrompo, mas ele toca meu rosto.

- Temos que pensar nas possibilidades.

- Eu sei – digo mordendo o lábio. – Mas não quero pensar isso hoje. Quero apenas deixar essa noite acontecer.

Volto a me deitar ao seu lado e faço carinho em sua mão e dedos.

- Precisamos das nossas alianças de volta. É estranho te ver sem ela – digo deitando minha cabeça em seu peito.

- Não, irei comprar novas alianças. Vamos apenas guardar aquelas.

- Está bem.

- E hey – ele segura meu queixo. – Eu te amo.

- Eu também te amo.

Mais um beijo é trocado antes que voltemos a encarar as estrelas.

Eu sei que não posso congelar esse momento, mas se pudesse, o faria sem pensar duas vezes. Não posso apagar os erros do passado. Não posso voltar atrás em coisas que disse ou fiz, mas o que eu posso fazer, é tomar tudo aquilo como um aprendizado. Uma coisa que aprendi com Derek é que devemos pegar todas nossas ações, nossos relacionamentos, decepções, amores, brigas... e aprender um pouco com cada coisa. Não é certo tentar apagar da memória, e sim absorver cada momento. Nada é descartável.

 

 

            Principalmente o amor.

 


Notas Finais


E então, o que achou! Sei que estive um pouco (muito) sumida e sem dar sinais de vida, mas voltei com essa one kkkkkk. Possivelmente só postarei ela mesmo, porque gostei muito e passei a madrugada escrevendo. Pelo menos sabem que ainda existo kkkkkkk. Até logo!
Aliás vou aproveitar essa postagem pra agradecer a todos pelo desempenho do meu perfil mesmo após meu hiatos, muito obrigada, de verdade, não sabem o quanto amei ver que ainda estava rendendo!
Pra quem é novo no meu perfil, faz uma viagem aí por ele, tenho certeza vai amar pelo menos uma de minhas obras.

Com amor,
- Lolita Micah


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