História Escapar - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias La Casa de Papel
Personagens Ángel, Berlim, Denver, Helsinque, Mônica Gaztambide, Nairobi, Personagens Originais, Professor, Raquel Murillo, Rio, Tókyo
Tags Álvaro Morte, Itziar Ituño, Money Heist, Raquel Murillo, Raquel X El Profesor, Raquel X Sergio, Sérgio Marquina
Visualizações 115
Palavras 1.623
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oie, voltei!
Precisei dividir esse capitulo em dois porque eu me empolguei demais e quando vi estava enorme! kkkkkkk Mas pra compensar, vou tentar postar o próximo o mais rápido possível, prometo. Ah! Escutem Devil's Backbone do The Civil Wars, se encaixa direitinho com Bonnie e Clyde, Romeu e Julieta, Sergio e Raquel... eu tenho uma queda por romances trágicos e essa musica me inspirou muito!
Enfim, espero que gostem tanto do capítulo quanto da musica! Deixem nos comentários o que acharam e obrigada pelo carinho nos últimos capítulos! É isto, boa leitura amores <3

Capítulo 9 - Bonnie y Clyde - PT. I


“Nonna, existe alguma saída pelos fundos da casa?” Raquel tinha num tom urgente e, quando voltou os olhos pra Nonna, sua expressão já havia mudado, a Inspetora Murillo assumindo a posição de combate. A senhora também percebeu a mudança e franziu as sobrancelhas em preocupação.
“O que aconteceu?”
“Sim ou não?”
“S-sim… pela cozinha”

Raquel não precisou esperar mais. Ela funcionava bem assim, precisava de segundos para ativar o modo policial dentro de si e calcular uma estratégia. No fim das contas, não há muita diferença entre fugir e perseguir alguém. Toda a dança é em torno do quem chega primeiro, a competição é o que importa realmente, e Raquel desejou ter se preparado mais do que apenas com apenas uma pistola presa à cintura. Contornou Nonna a passos largos sem falar mais nada, até chegar a cozinha e encontrar Sérgio já colocando a jaqueta preta, as mãos pingando da louça que lavava.

“Como descobriram este lugar?” ela questionou mesmo sabendo a resposta.

“Eles ligaram os pontos, do mesmo jeito que você fez no hangar” Sérgio disse sem precisar olhar pra ela. Ele parecia menos calmo do que o normal mas não completamente tranquilo e aquilo tirou Raquel do eixo. Ela viu que seus dedos tremiam e o ajudou com a jaqueta e a mochila, pegando as chaves do carro no bolso da frente.

“Não vamos precisar” ele anunciou, pegando as chaves da mão dela e jogando sem dó no ralo da pia “Eu tenho um plano”

“É claro que tem” Raquel debochou e Sérgio abriu um meio sorriso para ela antes de ir até a avó passar instruções precisas no pé do ouvido em italiano, sobre como se comportar quando a polícia batesse à sua porta. Depois, olhou em volta e começou a jogar os pratos e copos que estavam secando, no chão, espatifando-os em mil pedaços. Desarrumou a mesa da cozinha, rasgou as cortinas da janela, e destruiu tudo o que pode para montar o cenário perfeito de uma briga.

“Preciso de um pouco do seu cabelo” disse a Raquel, que arrancou alguns fios sem pensar duas vezes. Ele espalhou pelo chão e deixou as próprias digitais em cadeiras, mesas, paredes e eletrodomésticos. Ela fez o mesmo, tentando ajudar ao máximo, até que uma ideia lhe veio a mente, fazendo o corpo estremecer.

“O que acha de um pouco de sangue?” ela perguntou e ele se virou, encarando a faca na mão dela pronta para fatiar alguma parte de seu corpo.
“Acho exagerado, Raquel. E jamais pediria para você fazer algo assim, é muito perigoso…”

Raquel nem escutou o que ele disse. Estava acostumada a improvisar, era o que ela fazia de melhor, ainda mais quando tinha pouco tempo pra decidir. E seguir seus impulsos era o que ela mais amava em sua personalidade, sentia-se livre e dona do próprio destino quando o fazia. Por isso, não foi difícil pra ela abrir um pequeno corte profundo o suficiente na mão. Com o calor do momento nem sentiu tanta dor: o sangue vermelho vivo inundou a palma, e ela fechou o punho, deixando as gotas pingarem no chão e na pia. Deixou manchas de mãos ensanguentadas pelas paredes e na geladeira branca até que ele segurasse seu pulso de leve, para pará-la.

“Chega” ele disse, envolvendo um pano de prato de qualquer jeito no corte “Temos que ir”
“Tomem cuidado!” gritou Nonna, quando estavam quase na porta e Sérgio voltou para depositar um beijo em sua testa.

Ele sussurrou algo em seu ouvido novamente que fez a senhora abrir um sorriso triste antes de virar as costas pra ela. Raquel sentiu o coração palpitar e não conseguiu deixar de olhar pra trás enquanto Sérgio a puxava correndo porta a fora para a imensidão escura da noite. Nonna parecia tão frágil, acenando da porta escancarada da cozinha, e Raquel sentiu muito medo por ela, sabendo tudo o que a polícia era capaz de fazer para atingir Sérgio. Ela quis voltar e levar Nonna junto com eles mas só conseguiu continuar olhando enquanto o professor guiava o caminho. Até tentou gritar um “obrigada!” mas já estava longe demais para ser ouvida.

Correram juntos, de mãos dadas, pelo morro abaixo com a noite escura fazendo sombra sobre eles. Não haviam sirenes ou sons de tiros, porém, tudo parecia bem mais ameaçador mergulhado no silêncio profundo e qualquer barulho pequeno a deixava alerta. Raquel não conseguiu soltar a mão machucada da cintura, onde a arma descansava, mas Sérgio nem percebeu, abrindo caminho pelo mato alto, até um pequeno celeiro abandonado, iluminado por uma luz amarela muito fraca.

“Sérgio, de quem é esse lugar?” ela perguntou enquanto ele forçava as portas de madeira do lugar a abrir.
“Você quer mesmo discutir sobre isso agora?” ele reclamou sem olhar pra ela
“É claro, você já tem a ficha suja demais, não precisa de mais uma acusação de invasão de propriedade!”

A porta se abriu com um estrondo e levantando poeira que dançava no ar, iluminado pela luz fraca. O interior do galpão estava muito escuro e aparentemente vazio, com exceção de um grande pano cinza que cobria algo grande. Sérgio entrou mas Raquel ficou parada na porta, dando cobertura.

“O lugar era do marido de Nonna. Eles usavam para estocar uvas da antiga plantação” ele respondeu arrancando o pano e dando uma boa olhada no que havia embaixo. A moto preta parecia bem velha, grande demais para ser moderna, e assim como tudo alí, também acumulava muita poeira. Sérgio sorriu e alisou o banco de couro. “Mas a moto é minha”

Raquel já havia testemunhado as habilidades dele com motocicletas mas ainda assim, duvidou que a geringonça funcionasse. Tinha quase certeza de que aquilo seria uma perda de tempo mas se manteve quieta enquanto Sérgio mexia no motor. Sua mão formigava e ela queria desesperadamente retirar a pistola e ficar em posição de guarda. Mas não fazia sentido o alarde se não havia um perigo real, somente o mato alto e uma velha plantação de uvas ao longe. Raquel escutou mas não havia som. Nem os grilos cantavam na noite de lua cheia. O vazio a inquietava porque preferia o barulho, o escândalo. Ela sabia lidar com gritos, sirenes e tiros. Mas a sensação de não estar protegida e não poder confiar nos sentidos lhe arrepiava a espinha.

“Tem pouca gasolina” ele disse finalmente empurrando a moto para fora do celeiro. “Mas acho que conseguimos rodar pelo menos uns seis quilômetros.”

“É o suficiente pra chegar na estrada” ela raciocinou enquanto ele fechava o capacete preto e dava a partida “Mas quando perceberem que estávamos la vão fechar as fronteiras… se já não fecharam”

“É um risco que corremos. Espero que eu não tenha gastado toda a minha sorte no assalto” a moto roncou embaixo dele e Raquel se afastou involuntariamente. Ele a examinou por trás do vidro do capacete e estendeu outro pra ela “Você vem, né?”

A inspetora não se permitiu hesitar mais. Em partes porque precisava sair dali urgentemente mas também porque se lembrou da promessa que fez a ele, que o ajudaria quando ele precisasse. Estou contigo. As palavras dela ecoaram em sua mente nos poucos segundos que Raquel levou para pegar o capacete e coloca-lo. E ela sorriu, sentindo o coração acalmar um pouco ao envolver a cintura dele com os braços, por trás da moto. Sérgio deu a partida e, com o vento soprando seus cabelos, ela sentiu que poderia enfrentar qualquer coisa.

Eles andaram por estradas de terra esburacadas em silêncio até chegar de volta a rodovia principal, que levaria para a fronteira entre Itália e Suíça. Raquel reconheceu as luzes azuis e vermelhas primeiro: dois pontinhos brilhando no negro da noite que crescem até evidenciarem a blitz de viaturas que interditava a estrada principal. Haviam no mínimo cinco e Raquel soube que não conseguiriam, sozinhos, apagar todos os policiais dentro dos carros sem que algum chamasse reforços. Sérgio, a sua frente, soltou o ar contra os braços dela e a inspetora entendeu sem que ele precisasse dizer uma só palavra se quer. Uma perseguição. Mandado de busca e apreensão. Questão de horas até fecharem as fronteiras

Merda. Pensou ela e esticou o pescoço para olhar o nível de gasolina da moto pelo ombro de Sérgio. Ele virou a cabeça para olhá-la. “Conheço alguém que me deve um favor” ele disse e o som saiu abafado. “Talvez consiga um helicóptero para sairmos daqui, o heliponto fica perto daqui e não gastaremos tanta gasolina.”

Ele tirou um celular pré-pago do bolso da jaqueta e discou um número. Enquanto o professor dialogava nervosamente em italiano pelo telefone, Raquel olhou pra frente novamente, encarando as viaturas ao longe. Dias atrás ela estaria em um daqueles carros, sustentando seu distintivo no peito com orgulho, ansiosa para ganhar os louros por colocar o maior chefe de quadrilha da história da Espanha na cadeia. O algemaria, recitaria um mandado de prisão a muito tempo decorado e o sentenciaria a uma vida inteira atrás das grades. Depois voltaria pra casa feliz, com um café com leite nas mãos a sua filha vindo lhe abraçar depois de um longo período de trabalho. Raquel fechou os olhos e quis que pudesse unir tudo o que mais amava em um mesmo cenário. Sua antiga vida e a perspectiva de um futuro ao lado dele. Desejou que as coisas fossem simples, exatas, como dois e dois são quatro. 

Mas quando abriu as pálpebras novamente, só conseguiu ver equações difíceis demais para solucionar.

Sérgio não demorou muito pra desligar o celular e seguiu os olhos dela até o comboio de viaturas. “Precisamos fazer isso primeiro, você sabe.”
A inspetora suspirou “Tudo bem”
E sem dizer mais nada, Sérgio acelerou o máximo que pode.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...