História Escape - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Magi: The Labyrinth of Magic
Personagens Ja'far, Judar, Ren Hakuryuu, Sinbad
Tags Alternative Universe, Hakuryuu, Jafar, Judal, Juhaku, Magi, Sinbad, Sinja
Visualizações 13
Palavras 3.655
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pessoal, peço desculpas pela demora nesse capítulo! Tenho conciliado junto de Um peso e duas medidas, mas não me esqueci dela! ♥ Esse capítulo exigiu um pouco de pesquisa minha, e os detalhes vão nas notas finais.

Capítulo 4 - Searching for you


Aquela tarde havia sido bastante agitada. Teve de agir bem rápido.

Passou num shopping próximo ao apartamento de Judal e lá mesmo comprou duas malas, uma de mão e outra de viagem, a que estava agora ao seu lado, contendo as poucas roupas que havia comprado para levar consigo.

Não tinha como voltar em casa para buscar nada. Tinha sorte de sua família ainda não ter mandado seus capangas irem procurá-lo. Bem, eles queriam se livrar mesmo dele, não é? E nada como abandonar aquele inferno que ele era obrigado a chamar de lar.

– Passageiros do vôo 2337 com destino a Londres, embarque próximo.

Na fila do check-in do movimentado aeroporto, ele ouvia o anúncio de seu destino.

Baixou os óculos escuros que ajudavam a esconder melhor sua identidade e deslizou o indicador para conferir os dois envelopes que tinha em mãos. Num deles a passagem que lhe livraria de todos os seus problemas e no outro a tão sonhada carta de aceitação no curso de Ciências Biológicas e especialização em Botânica na Imperial College London[1], a renomada universidade que Hakuryuu sempre sonhou cursar, mas sua mãe simplesmente se recusara a deixá-lo ir estudar longe. Mas isso ia mudar agora. Não seria mais obrigado a cursar Economia como sua família o exigia.

Naquele momento, quando entrasse naquele avião, estaria dando adeus àquela vida de limitações, de sofrimento, de abandono. Viveria por si mesmo e para cumprir seus sonhos.

“Hakuryuu, você tem que nos vingar…”

A voz de seu irmão mais velho ecoava em sua mente.

Ele balançou a cabeça para os lados, apertando os olhos como se quisesse fazer aquela voz desaparecer. Não. Hakuyuu e Hakuren teriam de perdoá-lo, mas ele não suportaria mais viver naquele inferno.

Foram anos a fio sob o teto de Gyokuen. Não conseguia mais. Impotente como era, sem o menor apoio daqueles que se tornaram também seus inimigos, seus primos, a única saída era fugir… ou morrer.

Dando mais um passo a frente naquela fila, sentiu seu celular vibrar. Apalpou-o dentro do bolso do longo sobretudo cáqui que ajudava em seu disfarce, em conjunto com a boina cinza que usava. Tinha certeza de que, daquele jeito, não seria reconhecido.

Encarou o aparelho e viu a chamada que era de um número recém-adicionado em sua agenda. Mordiscou o lábio inferior ao ler o nome dele.

– Me desculpa, Judal…

Por que quando estava para partir, parecia que acontecia algo bom que o dava mais forças a sobreviver àquele inferno? O sabor daquele beijo ainda permanecia em seus lábios. Mas não. Não devia pensar assim.

Apertou o aparelho em mãos, o coração em conflito com a razão, e pressionou o botão lateral para que o mesmo parasse de vibrar, devolvendo-o em seguida para seu lugar de origem.

– Próximo!

Não havia mais volta. Dois passos lhe aproximavam de seu novo rumo e, ao mesmo tempo, lhe afastavam daquela pessoa que havia mexido tanto com Hakuryuu naquele breve instante em que estiveram juntos.

–---------xxxxxxxxxxx-----------

– Então, Aladdin, resolva mais essas duas equações e nossa revisão para a sua prova de amanhã está concluída!

– Mais isso tudo, Alibaba-kun?

– Mais SÓ isso.

O loiro enfatizou, virando o caderno na direção do garoto que bufava, espreguiçando-se na cadeira.

Alibaba sorriu um tanto quanto cansado. Devia parar de ir para festas como Hakuryuu sempre lhe aconselhava, ainda mais no ritmo pesado de trabalho que estava tendo. Mas ele tinha que ir para acompanhar Kougyoku, afinal de contas ela era sua noiva. E apesar de ser um casamento forçado, ele temia pelo bem de sua amiga, sendo ela integrante de uma família de mafiosos.

O barulho do lápis de Aladdin rabiscando contas no caderno foi interrompido por um leve vibrar do celular de Alibaba. O loiro, aproveitando aquele momento de descanso, enquanto esperava que Aladdin terminasse os exercícios que havia passado, abriu curioso a mensagem que havia recebido.

“Alibaba-dono, agradeço por todo apoio e amizade! Se me mantive firme até agora, foi porque tinha você ao meu lado, mas não tenho mais como voltar atrás. Minha vida está em perigo. Se eu voltar pra casa ou minha mãe ou Kouen me encontrarem, estou morto! Não posso dizer agora para onde estou indo, mas meu vôo já está saindo. Prometo mandar notícias! Muito obrigado por ser meu amigo. Abraços. Hakuryuu.”

Alibaba empalideceu imediatamente ao ler aquela mensagem.

O que Hakuryuu tinha feito? E Kouen estava procurando por ele… Não. No final daquela ligação ele havia escutado alguém dizer que já sabiam onde estava Hakuryuu.

– Ei, Alibaba-kun, você está bem? Está mais branco que um fantasma! - Aladdin apontou.

– Meu Deus… - Alibaba suava frio. - Tsc, eu preciso ir! - ele se levantou imediatamente.

– Como assim? - Aladdin o seguiu. - O que está acontecendo?

– O Hakuryuu está correndo perigo, Aladdin! Preciso encontrar ele! E antes do Kouen!

Alibaba andava de um lado para o outro recolhendo suas coisas, um tanto quanto desorientado.

– Fique calmo, Alibaba-kun! Você também não sabe onde o Hakuryuu-oniisan está!

– É no aeroporto, ele me disse na mensagem que está esperando um vôo! E o Kouen sabe! - Alibaba se exaltou um pouco. - Ele vai matar o Hakuryuu!

–---------xxxxxxxxxxx-----------

– DROGA!

Tomado pela raiva, o moreno arremessou o celular sobre o sofá, bagunçando os próprios cabelos. Será que Hakuryuu havia lhe enganado?

– Por que não atende, Hakuryuu?! - questionou, furioso, como se o próprio pudesse ouví-lo. - Eu confiei em você, seu idiota! - esbravejou.

Será que ele havia ido embora mesmo? Viajado sem ele?

Andando de um lado para o outro na sala de seu apartamento, Judal fitou as duas malas que havia feito e questionou a si mesmo. Havia enlouquecido?

Afinal, fazia muito mal dois dias que havia conhecido aquele garoto e estava tomado pelo pânico ao pensar em perdê-lo, em deixá-lo ir embora. Não eram nem mesmo… amigos. O que estava acontecendo com ele?

A raiva e a ansiedade disputavam. Suas mãos tremiam.

Ele sabia que havia apenas uma coisa capaz de acalmá-lo. O que conseguia colocá-lo nos eixos e parar de pensar o que ele costumaria chamar de asneira. Onde já se viu, dar tanta importância a um desconhecido! E aquele beijo? Ora, numa noite ele podia beijar quantos ele quisesse…

Aflito, foi até o closet da única suíte daquele luxuoso apartamento. As mãos descontroladas deslizaram as portas de correr e reviraram duas gavetas até que encontrou o saco lacrado com a erva fresca que havia recebido naquela tarde. Um novo estoque de maconha para vender na boite aquela noite.

Não importava. Ele precisava usar aquilo. Seu corpo clamava por aquele conforto que ele sabia que apenas a droga era capaz de lhe proporcionar.

Ofegante, ele puxou as duas laterais do saco plástico e o rasgou. As folhas, umas verdes, outras secas, caíram e se espalharam pelo chão encarpetado do lugar enquanto ele tateava a cômoda que ficava no centro daquele pequeno quarto. Não havia sequer uma folha de papel ali para que enrolasse e consumisse a erva.

– DROGA!

Ele exclamou, chutando o nada. O nervosismo e a ansiedade lhe consumiam. Foi quando enfiou a mão de um dos bolsos da calça jeans, única peça que ele vestia, e de lá tirou uma nota de 10.000 ienes[2].

Não pensou duas vezes.

Os olhos vermelhos brilhavam ao amassar um pouco daquela folhagem e embalá-la naquela nota, enrolando-a e deixando-a no formato cilíndrico. Ele sabia que, ao queimar aquela erva, ele se acalmaria. Ele se sentiria melhor. Era sempre assim, não era? Ele esqueceria Hakuryuu, não? Ele não se sentiria mais sozinho. Não se sentiria mais abandonado.

Levou o cigarro entre os lábios e, com as mãos tremendo, ele acendeu o isqueiro e o aproximou lentamente da ponta. Aquela chama refletia nos olhos escarlate que admiravam a magia daquele fogo transformar aquela erva em algo que podia lhe trazer paz. Tudo ficaria bem, não ficaria?

“You are not alonee… I am here with you…”

Judal piscou, saindo do transe que se encontrava ao ouvir aquela música que ficava cada vez mais alta. No susto, acabou deixando o cigarro cair ao chão.

– Tsc, que droga é essa?!

E apesar de irritado, Judal sorriu de canto um tanto quanto divertido e ao mesmo tempo frustrado ao se encarar no espelho que cobria toda a porta da frente. Não era uma cena inédita, ele ali, banhado em suor e tomado pelo frenesi de consumir alguma droga. Aquela palpitação em seu peito subitamente havia desaparecido. Apenas a frustração tomava conta de si agora, como se o efeito das ervas que consumia chegasse ao fim. A terrível queda à realidade havia chegado antes mesmo de acender o baseado.

– Não presto pra nada mesmo… - ele lamentou, farfalhando os cabelos ao se levantar.

Caminhou por cima das folhas que ele mesmo havia espalhado pelo chão, seguindo a direção daquela música.

“... Though we’re far apart… You’re always in my heart…”[3]

Saindo do closet, avistou na cabeceira um celular que não conhecia. Será que era de Hakuryuu? Ele tinha dois aparelhos?

Um pequeno raio de esperança surgiu e ele rapidamente foi atender o aparelho, que parou de tocar assim que o segurou. Bufando, ele viu o dono da ligação perdida: Alibaba. Quem era aquele?

Assim que deslizou o dedo pelo celular, viu a foto de Hakuryuu ao lado de um rapaz loiro de olhos cor de mel e um sorriso bastante expressivo. Foi inevitável contorcer os lábios em desagrado ao ver que Hakuryuu também sorria naquela foto em que estavam tão próximos.

Ainda analisando a foto, novamente o telefone tocou e surgiu a foto do “tal” Alibaba. Era o mesmo loiro que emoldurava o wallpaper daquele aparelho.

– Alô?

Judal fez uma voz grossa, tentando aterrorizar aquele que estava do outro lado da linha. Mas parecia que quem estava ligando estava bastante aflito.

– Oe, Hakuryuu! - ele nem prestara atenção na voz de quem havia atendido.

– Não é o Hakuryuu. O que quer falar com ele? - perguntou autoritário.

– Você pode passar para o Hakuryuu? Está com ele? Recebi uma mensagem dele e estou preocupado! Por favor, é urgente!

– Eu também estou procurando o Hakuryuu! Ele me disse que viria me buscar e até agora nada!

– Quem é você? - Alibaba o interrompeu. - Por que está com o celular do Hakuryuu?!

– Eu que pergunto quem é você!

– Olha, - Alibaba estalava a língua, nervoso. - eu sou muito amigo do Hakuryuu e eu preciso avisar a ele que ele…

– Desembucha logo, garoto! - Judal perdia a paciência. - Se for algo sobre a família de merda dele, me diz logo!

Alibaba se via contra a parede. De qualquer maneira, Kouen sabia do paradeiro de Hakuryuu e devia estar tramando alguma coisa. Tinha de fechar os olhos e apenas confiar.

– Sim, é sobre eles! Eu preciso que avise ao Hakuryuu, de alguma maneira, que o Kouen já sabe que ele está indo viajar!

– Aquele miserável… me enganou! - Judal novamente chutou o nada.

– Por favor, eu estou a pelo menos vinte minutos do aeroporto, você pode...

Não houve tempo de Alibaba terminar.

Judal desligou e voltou praticamente marchando até o closet. Ele sabia muito bem onde encontrar o que precisava. Foi diretamente até a terceira gaveta na última porta. Ali, dentre várias cuecas boxer ele tirou a Magnum .44[4] semiautomática e a admirou por um momento. Aquela pistola trazia péssimas lembranças.

Sem soltá-la, tirou do closet a primeira camisa que viu e a vestiu, além da jaqueta de couro preta que jogou por cima, depositando no bolso interno dela a arma que, muito provavelmente, seria usada naquela noite.

Os pneus da BMW cantaram ao pararem, precisamente, defronte à escadaria de mármore da entrada principal da mansão dos Ren.

Kouen havia chegado cedo naquela noite. Não queria trabalhar até tarde, afinal, seria mais conveniente os empregados verem que, no dia em que seu odioso primo caçula fora assassinado, ele estava em casa descansando.

Esperava não estar atrasado. Mas assim que subiu as escadas e se aprontou para abrir a porta, uma rápida sombra surgiu, fazendo belas formas ao luar.

Sentiu os fartos e encharcados seios se atritarem em suas costas ao mesmo tempo em que foi envolvido pelos braços daquela que apalpou seu peitoral de forma possessiva. As compridas unhas pintadas de vermelho iam dedilhando cada botão daquele terno, soltando um a um.

– Vamos para a piscina comigo, meu querido. - a voz melodiosa sussurrou.

Kouen bufou. Não teria um segundo de paz para estudar, ler algum livro ou simplesmente beber um vinho e descansar? Já bastava que no dia seguinte provavelmente teriam de fazer uma cena no enterro de Hakuryuu.

– Estou com dor de cabeça. - mentiu. - Vou deitar até a hora do jantar.

O ruivo permanecia de frente para a porta sem nem ao menos se esforçar para encará-la.

– Ah, meu queridoooo… - ela deu meia-volta e segurou as maçãs do rosto de feições grossas dele. - faz tanto tempo que não… fazemos tudo na piscina, hein? Você lembra no aniversário do Hakuryuu? - a mulher gargalhou.

Kouen cruzou os braços tentando evitar contato, afinal, era muito dificil resistir à sedução daquela mulher tão exuberante. Quem diria que, com aquele corpo escultural, ela era mãe de quatro filhos? Vestia um biquini mínimo, fio-dental, vermelho. Os seios saltavam pelas laterais do pouco pano que cobria pouco mais que os mamilos.

– Claro que sim. Aliás, aproveite as lembranças porque de hoje ele não passa.

Gyokuen cessou imediatamente as risadas, ficando simplesmente sem expressão. Aquilo, de certa forma, surpreendeu Kouen.

– O que houve? Não me diga que está arrependida. Para quem já matou dois… - num breve deslize, a fúria escapava pelas palavras do ruivo.

Ela apenas abriu um largo sorriso e jogou os fios escuros para o lado, esses que pingavam ensopados.

– Só acho que não será tão fácil assim você se livrar do meu querido Hakuryuu… - Gyokuen disse num tom desafiador, enquanto o indicador e o médio dela tocaram o queixo dele. - Mas você sabe as regras… Ele é o único obstáculo que você tem para que tudo isso aqui seja seu e dos seus irmãozinhos.

– E Hakuei… - Kouen cerrou os punhos, tinha vontade de estapear aquela vadia.

– Claro que não! Hakuei é seu passaporte para tudo isso aqui, meu querido Kouen… Case-se com ela, dê uns dois filhos e aquela sonsa vai ficar feliz…

– Há! Quer que eu me case com ela e continue sendo seu amante?

– Mas é claro… Afinal, não tenho dúvidas de que sou bem superior à mosca-morta.

Kouen sentia nojo daquelas palavras. Mas tinha aceitado aquele jogo, então iria até o fim. Já havia se despido de qualquer coisa que lembrasse dignidade.

Matar Hakuryuu não era nada… para quem já tinha as mãos sujas do sangue de Hakuyuu e Hakuren. Na verdade, via na morte de Hakuryuu uma libertação para ele mesmo daquele inferno que ele vivia.

A morte única maneira de trazer paz àquele rapaz e a si mesmo, já que aqueles olhos azuis jamais o perdoariam e sempre seriam algozes piores do que a sua própria consciência. Fechá-los para sempre significava a felicidade tanto para Hakuryuu quanto para Kouen.

Estava a ponto de falar algo que poderia se arrepender para sempre, quando as portas da mansão se abriram e revelaram um dos criados que trazia o telefone em mãos.

– Kouen-sama! Vimos seu carro chegar. É uma ligação urgente para o senhor! É o Koumei-sama.

O ruivo tomou o celular do empregado imediatamente, aproveitando a deixa para se afastar daquela mulher, além do servo que não deveria ouvir sua conversa, claro.

– Pronto.

– Meu irmão?

– Fale, Koumei.

– Eu estou em frente ao aeroporto. Aluguei um carro para que não reconhecessem nenhum dos nossos pelo local. - avisou. - Queria saber se já estava em casa mesmo, para darmos início.

– Koumei, eu sou bem grandinho para você me vigiar. - Kouen o interrompeu.

– M-me perdoe, irmão! É que a cabeça do Hakuryuu está na mira dos nossos capangas há horas. Ele não percebeu nada. Está disfarçado, acha que não o reconhecemos.

– Ótimo. Acabem logo com isso. - Kouen suspirava do outro lado da linha, massageando as têmporas. - E só me ligue de novo avisando a hora que vamos enterrá-lo, ok?

– Pode de…

O ruivo baixou os óculos escuros, tendo a atenção tomada pelo rapaz que adentrava com pressa o aeroporto. Aquela trança que ia até a altura de seus tornozelos, com certeza o conhecia.

– Koumei? - o mais velho indagou estranhando o silêncio de Koumei.

– Não é nada. Deixe. É que vi um rapaz que acho que é amigo da Kougyoku!

– Tsc, faça isso logo! Se juntarmos mais pessoas conhecidas, vai complicar para o nosso lado!

– Sim, irmão! Até mais!

Judal adentrou o saguão principal do aeroporto extremamente aflito. Seguiu em direção à área de embarques internacionais e lá ficou correndo de um lado para o outro procurando por Hakuryuu.

– Embarque autorizado para o vôo com destino a Londres no portão 25.

Não podia ser! Farfalhou os fios rebeldes do topo da cabeça.

Era o vôo de Hakuryuu, tinha certeza. Era lá que o encontraria!

Sem vacilar, correu até o portão indicado. Ele não estava muito longe.

Uma pequena fila se formava e mesmo coberto por tanta roupa, aquela boina e aqueles óculos escuros, ele reconheceu o rapaz que se aproximava da atendente. Abriu um largo sorriso em alívio enquanto seguia até ele, mas faltando apenas dois passos para alcançá-lo, Judal ouviu aquele disparo.

Tudo foi extremamente rápido, mas aos seus olhos, tudo estava em câmera lenta.

Seus olhos cresceram ao mesmo tempo em que sua única reação, em meio aos gritos e correria que começava ao redor, foi se atirar na direção de Hakuryuu. Ele era o alvo daquele disparo. Não tinha dúvidas.

Hakuryuu apenas percebeu quem era quando foi jogado ao chão por Judal.

– J-Judal!!!

Um tanto quanto atônito, Hakuryuu não estava entendendo absolutamente nada do que acontecia, mas se assustou quando viu o sangue escorrer do rasgo feito na manga esquerda da jaqueta do moreno.

– Meu deus! Judal!

– Tsc, cala a boca! - ele fez Hakuryuu se agachar e tirou aquela pistola de dentro da jaqueta com o braço saudável. - Foi só de raspão!

Sabia exatamente de onde viera aquele tiro que tinha como alvo Hakuryuu.

Cerrando um dos olhos para melhorar sua precisão, disparou duas vezes naquela direção.

O pânico simplesmente tomara conta do lugar. Passageiros e funcionários do local procuravam lugares para se abrigar em meio ao tiroteio que começara ali.

Mais um disparo e Judal puxou Hakuryuu para trás do balcão de embarque.

– Judal, o que tá acontecendo? - Hakuryuu mantinha os olhos fixos no ferimento do moreno. - Tsc, você tá sangrando!

– Já mandei calar a boca! - Judal exclamou furioso. - Eu estou muito irritado com você! E eu preciso desenhar que são os capagangas do Kouen que vieram te matar? Se eu não te empurrasse naquela hora, você tava com uma bala na sua cabeça!

– J-Judal...

Hakuryuu tremia. Se não fosse por Judal, estaria morto aquela hora. Como havia chegado até ali? Como sabia de seu paradeiro? E mesmo tendo descoberto que tinha sido enganado, Judal não tinha desistido dele e tinha ido lhe salvar?

– Por quê? - foi a única coisa que ele conseguiu dizer.

– Por que o quê, seu idiota? - ele se mantinha atento enquanto ouvia mais disparos.

– Por que me salvou? Por que veio aqui? Mal me conhece…

– EU JÁ DISSE QUE NÃO SEI!

E dizendo aquilo, a única coisa que Judal pôde fazer foi puxar Hakuryuu pela barra lateral daquele sobretudo e lhe beijar profundamente. Rápido e intenso. Era assim o relacionamento deles.

Não havia mais tempo. Levantou-se, mesmo sentindo o braço arder pelo ferimento e puxando Hakuryuu pelo pulso.

– Temos que fugir! Acho que eles já foram, estavam fugindo dos seguranças, provavelmente!

Hakuryuu acompanhou Judal, que se mantinha firme, mesmo sentindo o braço latejar. O saguão estava praticamente vazio até a saída, afinal, todos haviam fugido naquele alvoroço, quando chegaram ao estacionamento. Mas assim que o fizeram, um carro de polícia parou exatamente diante deles. Os faróis altos ofuscaram os olhos de ambos.

Judal, com uma expressão irritada, ergueu a pistola na direção do mesmo e Hakuryuu, assustado, apenas apoiou o amigo ferido que tremia ao mirar o veículo.

– Merda… Foge, Hakuryuu! - Judal ofegava, sucumbindo à dor.

As portas da viatura se abriram. Não havia medo nem hesitação alguma por parte dos que estavam dentro dele, mesmo sendo alvos de uma arma. Os dois que saíram também erguiam as suas em direção a ambos.

– Eu devia saber que você estava envolvido nisso…

Hakuryuu não conseguia ver seus rostos devido à intensa claridade dos faróis altos do carro, mas quem havia dito aquilo era o mais baixo dos dois, que havia saído do lado carona.

– Vamos mesmo disputar quem dispara mais rápido, Judal?

Numa das mãos ele trazia uma pistola que apontava em sua direção, e na outra seu distintivo. O outro homem, alto, de longos cabelos púrpura, se aproximou de um Judal que sorriu de canto, jogando a arma no chão, simplesmente desolado.

– Não é possível… De qualquer um que podia aparecer, tinha que ser você, Sinbad?

– Não vai me apresentar a seu novo amigo, Judal? - o mais alto sorria.

Confuso, Hakuryuu se perguntava se estavam seguros. Judal não teria se desfeito da arma tão facilmente e, de qualquer forma, eram policiais. Eles eram vítimas ali e os policiais os protegeriam, decerto.

– Faz o que quiser comigo depois, mas tira o Hakuryuu daqui, ok? - Judal se sentia mais aliviado, apoiado ao rapaz.

– Com certeza, Judal, afinal, nosso trabalho é garantir a segurança dos cidadãos de bem. Agora vamos ver se seu amigo é um cidadão de bem também, diferente de você, não é?

Hakuryuu viu se aproximar o moreno que vestia um alinhado terno risca-de-giz, provavelmente feito sob medida, e que guardava novamente sua arma no coldre da cintura, como também fez o albino que o acompanhava.

– Muito prazer! Sou Sinbad, delegado e inspetor desta região.


Notas Finais


[1] - Imperial College London -> É uma renomada faculdade do Reino Unido especializada em Ciências Biológicas e Medicina. Acho que ficou meio óbvio porque eu fiz o Hakuryuu querer cursar botânica, né? Zagan stuff... hahaha!

[2] - 10.000 ienes -> A nota de 10.000 ienes é a nota mais alta no Japão. É como se fosse uma nota de 100 reais aqui!

[3] Sim, o toque de celular do Hakuryuu é You are not alone, do Michael Jackson. Quis quebrar o momento de tensão com algo que sabia que os faria rir. XD

[4] Magnum .44-> É uma pistola semiautomática do tipo Desert Eagle. Enquanto pesquisava sobre, achei que combinava com o Judal!

Bem, essa fic tem me levado a tratar de um tema que eu gosto de trabalhar e que talvez seja o principal da fic, que é o envolvimento com drogas. Um dos primeiros livros que li tinha esse tema, e tem sido bastante interessante pesquisar sobre efeitos, etc. Mas ainda vamos bem fundo nisso! Aguardem!


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