História Escarlate Absoluto - Capítulo 10


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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Capítulo 10 - Manifestações de Consternação



-Foi você que fez tudo isso?-perguntei ao garoto em meio a todos aqueles cadáveres. 

-Claro que não. Acho que foi algum animal selvagem, sei lá... -respondeu me olhando com desaprovação. 

-Mas aqui dentro?! É... Se bem que você pode ter razão... 

Me amedrontava pensar que era possível alguma daquelas coisas ou mesmo alguém ter dizimado todas aquelas pobres mulheres. 

-E o que diabos você faz aqui?! -indaguei analisando o estado em que se encontrava. 

-Só... esperando pela morte talvez... morro de inveja quando olho pra todas elas. 

Ele colocou o braço direito em cima dos joelhos e olhou fixamente para a sua arma. Parecia profundamente deprimido, como se desejasse ser qualquer outra pessoa no mundo, exceto ele mesmo. 

-Eu queria ela de volta... -ele disse- ela era só minha, nos amávamos e agora... Deus, como pude fazer aquilo?! 

-Eu sei como dói perder quem a gente ama... mas se culpar só vai piorar tudo. 

-Mas eu não sei o que fazer! -apontou o cano do revólver para o rosto- acho que eu devia... 

-Olha, eu sei o que você quer -interrompi- mas tem sempre um outro jeito -afastei aquela arma de seu rosto-Vem, vamos sair daqui logo -estendi minha mão para ajudá-lo a levantar. 

Fomos saindo dali por onde eu havia vindo, até que ele soltou sua mão bruscamente da minha. 

-Pode ir. Eu não preciso ficar num lugar assim -ele ergueu o revólver e colocou o cano na boca.  

-O que?! Mas que merda você... -fui interrompida pelo som do disparo. 

Aquele tiro foi o suficiente para jogá-lo para trás e abrir um medonho buraco no meio do seu rosto, por onde não parava de jorrar sangue. O que mais me impressiona é saber que ainda existe gente que é capaz de amar tanto uma pessoa a ponto de matá-la, ou até algo pior... parece tão patético.  E a única coisa que eu tanto desejava naquele momento, parecia estar cada vez mais longe do meu alcance. Mas eu sabia que não podia desistir. Continuei voltando por aquele mesmo corredor e, metros a diante, pude ouvir sons do que parecia ser dezenas de passos rápidos, com certeza eram maiores do que gatos. Desci as escadas e me encontrei em outro corredor com tudo revirado, luz baixa e janelas batendo. Já quase anoitecendo. 

-Pára! Me larga, por favor! -fui surpreendida por um estridente grito infantil. 

O som parecia vir de uma porta logo a frente, que deu numa espécie de sala com umas carteiras, um palanque com o brasão da polícia local e uma lousa atrás. Nas últimas cadeiras, aquela menininha que havia desenhado com um giz uma casa na calçada daquela cafeteria estava sendo segurada à força por Jeferson, aquele policial. Estava semi nua com seu vestido rasgado jogado ao chão, as mãos dele eram enormes e mantiam facilmente a coitada da garota, ele esfregava o bigode no pescoço dela e, mesmo um pouco distante, não pude deixar de perceber lágrimas que tinham a mesma origem de seus gritos. Fiquei alguns segundos encarando enojada aquela cena, até que me aproximei, levantei uma carteira e desferi uma certeira pancada contra a cabeça do policial, que caiu se retorcendo por dois segundos. O golpeei várias e várias vezes, usando até mesmo as pernas metálicas da cadeira para tentar perfurá-lo. 

-Morre! Morre! Morre logo, desgraçado! -a garotinha torcia e gritava histérica assistindo atentamente à cena. 

Aparentemente meio transtornada, a menina subiu em outra cadeira e concentrou sua força para derrubar um armário de ferro em cima do filho da puta. Após o fim do nosso serviço, tentei tirar aquilo de cima das costas do possível cadáver, mas sem sucesso devido ao peso. Se havia morrido eu não sei, provavelmente sim, mas estava bem feio, um olho saltou para fora da cabeça, sangue escorriam de seu nariz e ouvidos, cabelo, massa cefálica e até alguns dentes pelo chão... um estrago terrível. 

-Eu te amava! Por que você fez isso comigo, papai? Agora eu fiquei feia! -dizia raivosa para o corpo do pedófilo no chão enchendo-o de ponta pés- Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio! 

De repente pulou no meu colo e me abraçou forte sussurrando agradecimentos. 

-Acabou. Ele não vai mais te fazer mal. -eu disse tentando consolá-la. 

Ela deu de ombros com um sorriso meigo de satisfação, ajeitou seu vestido já rasgado e foi embora saltitando e cantarolando. Por que aquilo não me surpreendia? Observei uma última vez o cadáver de Jeferson e apanhei a 38 que eu tanto cobiçava. Pus minha nova ferramenta na parte baixa das costas e fui tentar procurar alguma saída daquele prédio. Por sorte encontrei um pequeno elevador, fez um rangido macabro ao me levar pro térreo, voltando a correr procurando por aquela porta da frente, uma sombra escura passou voando literalmente a centímetros da minha cabeça. 

-Que porra foi essa?! -murmurei quase que para mim mesma. 

Então segundos depois um estrondoso e breve som de demolição fez tremer o chão abaixo dos meus pés, e um alarme de carro soava não muito distante de onde eu estava. Percebi umas luzes piscando por uma porta escancarada à minha esquerda e fui checar, imaginando que poderia ter a ver com minha passagem para fora dali. 

-Eu sabia... -disse em voz baixa para mim mesma vendo um carro vermelho amassado soltando fumaça pelo capô, que havia entrado dentro da delegacia numa violenta batida.  

-Liga... anda caralho... liga logo... -dizia uma moça entre inúteis vezes que girava a chave do carro. 

Não tinha nenhuma idéia de onde ela poderia ter vindo. Mas devia ser só alguns anos mais velha do que eu, pele clara, cabelos pretos com um rabo de cavalo e óculos redondos. Instantes depois quando saiu do carro pra chutar o pneu furiosa, pude notar o nome de uma famosa faculdade de medicina em sua blusa. 

-Nossa, mas que estrago! -disse tentando atrair a atenção dela. 

Com passos rápidos ela veio até mim, me abraçou meio perplexa e trêmula, me soltou rapidamente e perguntou: 

-Onde estão todos? 



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