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História Escárnio - Capítulo 1


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Notas do Autor


Mais uma vez colocando minhas mana nas minhas perversões to louca pra escrever umas safadezas btw

Capítulo 1 - Piano blues


Narancia corria pelas ruas de Nápoles, atrasado e faminto, para encontrar com Bucciarati e os outros. Ao passar por uma escola ele acabou parando a corrida, não por outro motivo a não ser o de ter esbarrado em um carrinho que era puxado por uma garota. Apesar de aparentar ter algo próximo de sua idade, Narancia pôde observar o uniforme escolar dela e os cabelos presos como os das outras alunas jovens.

— Me desculpe, não o vi. — E a menina sorri de forma amigável.

— Ah, a culpa foi minha que tava correndo.

— Gostaria de comprar alguns biscoitos? — Ainda sorrindo, a menina balança uma caixa na frente dele. — Eu os vendo para pagar a mensalidade da escola, as coisas estão complicadas lá em casa.

Se por culpa de ter esbarrado na garota, por fome ou por sentimentalismo, Narancia nunca saberia dizer, mas acabou levando algumas caixas dos biscoitos que ela vendia. Esperando o semáforo abrir, ele passou a comer para saciar sua fome enquanto assistia a menina se afastando puxando seu carrinho vermelho.

As pessoas fazem o que podem para sobreviver na cidade.

Assim que deu o próximo passo, sentiu como um nó em seu estômago. Suava frio e a dor dominou seus passos, deixando o restaurante cada vez mais distante. Cada passo era um verdadeiro inferno, mas venceu a batalha e, assim que chegou ao restaurante, correu para o banheiro antes mesmo de dar um oi aos seus companheiros, deixando as caixas jogadas pelo chão. Logo que seu estômago se livrou de tudo o que havia comido nas ultimas horas, Narancia se juntou aos outros e Fugo decidiu, mais uma vez, tentar ensiná-lo matemática básica enquanto aguardavam por Bucciarati.

Com a chegada de seu líder acompanhado de Giorno Giovanna, eventualmente conseguiram se acertar em uma conversa. Foi em um momento de calmaria que Bucciarati recebeu o convite do dono do restaurante. Naquela noite fariam uma grande festa de agradecimento a ele, o chefe da região. Mesmo não sendo nem mesmo um capo, ainda assim Bruno era muito respeitado entre os habitantes do local. Não era de seu feitio aceitar tal convite, mas acabou por dar sua confirmação de presença para mostrar ao mais novo integrante como as coisas aconteciam por ali.

Logo em sua primeira noite como soldadinho da Passione, Giorno já se via em um evento que julgou importante. O restaurante era um lugar elegante durante o dia, mas nem se comparava à noite. Luzes baixas, velas e música ao vivo. Assim que chegaram foram recebidos e levados a uma mesa grande o suficiente para acomodar ao grupo e que ainda possuía uma visão perfeita para o piano colocado no meio do espaço.

— Isso sempre acontece? — Giorno pergunta sem direcionar, esperando que qualquer um lhe respondesse.

— Nunca é assim. — A resposta veio de Fugo, que em seguida o mandou ficar quieto ao ver que a apresentação musical começaria.

A primeira a entrar foi direto para o piano como se não enxergasse mais nada. Vestia um terno formal vermelho com uma camisa preta de bolinhas. O cabelo loiro estava enfeitado por uma rosa e os olhos, tão vermelhos quanto suas roupas, mantinham a atenção no piano. Assim que a pianista sentou-se a frente do instrumento, uma segunda mulher entrou. Usava um vestido longo e justo de paetê de um vermelho igual ao de sua colega. Um corte no lado direito do vestido exibia sua coxa e uma marca de tenda circense como se fosse queimadura. O cabelo castanho estava solto, mostrando cachos sutis.

— Boa noite e obrigada pela presença de todos. — A dos cabelos castanhos começa a falar no microfone, sorrindo a todo momento. — Me chamo Salvia e estarei os entretendo esta noite junto de minha parceira Genevieve.

— Aquilo é uma freira? — A voz de Narancia cortou a apresentação da moça, o que resultou num olhar agressivo vindo dela. — Ah, não é. Ela tá indo pro bar.

— Deve ser um fetiche, então. — Salvia, ainda com o microfone ligado, responde com acidez. — Como estavam os biscoitos?

Narancia estava pronto para aceitar a provocação, já tinha a faca na mão, mas Abbacchio o parou e disse que não valia a pena atacar, seja pelo motivo que fosse. Só quando observou bem a cantora, Narancia percebeu que era a mesma garota que havia lhe vendido os biscoitos mais cedo. Agora ela tinha a aparência de uma mulher complexa e perigosa devido ao vermelho de suas roupas. Abbacchio também parecia prestar atenção aos movimentos dela como se estivesse preparado para se defender.

"Well mother tell your children: never do what I have done

Spend your lives in sin and misery in the House of the Rising Sun

Well, there is a house in Sin City

They call the Rising Sun

And it's been the ruin of many a poor boy

And God knows that I, I'm one"

A música seguia impactante na letra e suave na melodia. Genevieve mantinha sua total atenção no piano, enquanto que Salvia andava entre as mesas de forma a provocar alguns dos clientes do restaurante. O tom de voz de Salvia era perfeito para o blues melódico do dueto e Genevieve era uma mestre no piano. Mesmo os clientes que apenas bebiam no bar estavam encantados.

Entre os bêbados, estava uma freira. O hábito molhado de vinho e o véu havia sido jogado em algum canto do bar, revelando os cabelos longos e loiros puxados para trás e mantidos com gel. Seus olhos em um azul opaco se mantinham fixos em um ponto aleatório, pois pouco fazia diferença para onde seriam direcionados. Havia uma cicatriz de corte em seu rosto e inúmeras em seu corpo, adicionando ainda uma tatuagem com um código em seu pulso. Lá estava ela: uma freira americana cega bebendo em um bar de um restaurante italiano.

Ah, o álcool queimando em seu sistema digestivo. O amargor na boca.

Estava tão bêbada que mal sabia dizer se os tiros que começou a ouvir eram reais ou não. Seus reflexos projetaram seu stand, lhe dando a visão do ponto de vista deste. A gritaria, a correria e o choro. Pessoas caindo ao chão e sendo pisoteadas pelo desespero dos outros. Um salto alto afunda no globo ocular. Os ossos se partem.

Teve certeza de ter visto um ou outro stand e um deles parecia um palhaço. Não pensou mais, apenas seguiu com seu DrifitingBlues para fora em segurança.

Só Deus na causa de achar seu caminho de volta para o convento.



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