História Escola Harukaze de Magia e Estudos - Capítulo 6


Escrita por:

Visualizações 19
Palavras 4.504
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishounen, Comédia, Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shonen-Ai, Shounen, Slash, Sobrenatural, Steampunk, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Cross-dresser, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá magos, tudo bem?
Novamente estamos aqui com mais um capítulo desta mágica saga, sejam muito bem-vindos ao coração de Iwate, a Escola Harukaze de Magia e Estudos. Primeiramente, muito obrigado por estarem acompanhando, de coração, aos amigos, irmãos e leitores / autores que considero muito, esta obra é para vocês que partilham de suas experiências comigo também. Este capítulo está um pouco mais erótico e com conteúdo +18, é um marco daqui em diante para os que virão com cenas mais picantes e adultas, com apelo sexual e a costumeira violência de um Seinen, porém não é tão pesado e não precisa ser repreendido (muito menos eu) afinal num mundo de magia também há o nosso, com as mesmas consequências.
Há outros pontos que quero comentar aqui. Novamente teremos apenas uma contracapa, estava a produzir a segunda quando por acidente a destruí, justamente a mais magnífica que já fiz pois usei aquarela e materiais novos para mim e por um deslize... Perdi. No próximo teremos o retorno das três completas. Insisto que confiram estas artes pois complementam ainda mais cada capítulo, enriquecendo-o. Também quero divulgar três obras nas NFs. A primeira é um spin-off e projeto paralelo meu para Harukaze onde exploraremos os personagens desta trama em histórias próprias. A primeira light novel, "Flor Aquática I - Escudos Civis", já está publicado e deixarei o link abaixo. Esta One será dividida em três partes e a primeira já podem conhecer. A segunda obra é da minha estrela @Natysaan, Kyuu, obra nova aqui no site que está imperdível e com uma temática bem infernal, link abaixo também, não deixem de ler. E a última é para quem é fã (e também não) de Katekyo Hitman Reborn, a obra é do incrível @AlexVongola e se chama Katekyo Hitman Reborn! X que conta mais da sequência do mangá e da família Vongola, com novos desafios e lutas. Se você é frustrado assim como eu pela obra incompleta da Tia Amano, sugiro que passe lá em KHRX e conheça o novo rumo da décima geração dos Vongola. Link também abaixo.
Depois de toda esta prosa, vamos ao que interessa?

Capítulo 6 - Pandemônio Hardwick


Fanfic / Fanfiction Escola Harukaze de Magia e Estudos - Capítulo 6 - Pandemônio Hardwick

 

                                         

Indústrias Damcorp, Shiodome, Tóquio, quarta-feira, 18:00 PM.

 

                     

                                  A bela vista do entardecer por entre os altos prédios do suntuoso distrito de Shiodome, ao lado de Ginza, era um espetáculo único. A montanha de arranha-céus pontiagudos projetavam suas silhuetas escuras sobre o esmaecido horizonte vermelho, indicando que em breve a noite nipônica se iniciaria com seu habitual fervor. Ele assistia às mudanças temporais através da gigantesca vidraça de seu luxuoso escritório com seu tradicional copo gelado de uísque à mão. O camarote ideal, de onde a ordinária multidão abaixo não passava de formigas diante dos pés do colossal prédio da Damcorp. Não dignava seu olhar a eles, sempre avistando acima e almejando voar cada vez mais alto. Ele ainda iria tocar aquele horizonte. Faria isto por si. Pelo pai. Pela nação. Pelo futuro. Os deuses se curvariam perante sua magnificência e o mundo da magia o condecoraria como herói. Estava prestes a unir magos e civis, descrentes e seguidores, algozes e condenados, teria nas mãos a chave para libertar o mundo da Magidemia. Sorriu, esperançoso. Após um prazeroso gole da bebida, virou-se para o retrato em cima de sua mesa e pôs-se a observar o pai ali retratado. Foto antiga, quase que em tom sépia. Dimitri Damien sorria abertamente com ele ao colo, levantando-o às alturas em um tenro momento paternal. Era um menino quando aquela imagem foi batida. Mesmo naquele tempo, seu pai já sabia qual era o lugar que lhe pertencia e era de todo o direito: As alturas. Não menos do que isto. Ele o levaria junto dele nesta escalada.

- Senhor Damien? – Pediu a secretária, adentrando o escritório sorrateiramente, percebendo a nostálgica expressão de seu patrão. – Perdoe a intromissão, mas o senhor tem uma visita...

- Tudo bem, mande entrar! – Exclamou Daniel, secamente, indiferente a solicitação da jovem. Já sabia quem o procurava, pois aquela presença era quase constante ao final das tardes. Prepotente, o velho entrou de peito estufado, ignorando a funcionária que o notara com surpresa. Orgulhoso e altivo dirigia-se a Daemon Damien para cumprimentá-lo de mão estendida, sem baixar a cabeça perante os domínios do excêntrico executivo. Não apreciava a ideia de que era um “empregado” de Damien, mas sim um sócio, parceiro vitalício e fundamental em sua empreitada. Na sua cabeça, Kirigaya acreditava ser o braço direito do empresário justamente por ter servido antes a seu pai, Dimitri, e julgava que nenhum outro qualquer seria capaz de encarar as terríveis ambições dos Damien, desprovidos de ética e humanidade. Podia brandar que muito de si se construiu após conhecer o velho e ganancioso Dimitri. Após o caloroso aperto de mãos, sentou-se em uma das poltronas do ambiente e pôs-se a servir da bebida ao lado, com certa avidez.

- Vi ao noticiário da madrugada... – Comentou Daniel, sentando-se em frente ao velho. – Ao que parece, nossos Noturnos foram muito bem sucedidos...

- Apenas peço desculpas por toda a exposição frente às câmeras de vigilância... – Esboçou Kirigaya, engolindo a bebida em um único gesto. – Ordenei a Ravia que atacassem fora do túnel e olha o que aquele psicopata fez...

- Até prefiro que seja assim... – Balbuciou o executivo, sorridente. – O conselho de Shibuya saberá que estamos agindo e isto é bom, dê crédito ao garoto! Estou cansado de esconder-me diante da lei... Como bem sabe, meu pai passou toda a sua vida fugindo deles para no fim ser executado como a um cão na Nigra Terra. Logo ele, que tanto fez pelo bem da magia e por aqueles que não podem ser magos... Trouxe o baú?

- Claro! – Exclamou Kirigaya, estalando os dedos para que os seguranças de Damien trouxessem o pequeno baú selado. Envolto por uma esfera de pura mana lilás, repleta de símbolos codificados, o item fora posto aos pés de Damien que o admirou atônito, maravilhado. – Para nossa surpresa, o conselho selou-o... E muito bem!

- Um autêntico selo oficial da Aliança Magis... – Comentou o empresário, fitando com brilho no olhar. – Sabe o quão raro é isto, Kirigaya? O conselho pode usar este selo apenas para tramitar itens altamente sigilosos e perigosos. Nem a magia molecular que Ravia exauriu sobre o carro blindado afetou a integridade mágica do selo, nem o arranhou! Toda esta precaução e cuidados... Justamente para cair em minhas mãos e logo eu, que pretendo salvar o mundo conforme meu pai desejava... Entende que este pergaminho aqui dentro é tão poderoso a ponto de estar sob sete chaves e por ironia... Ter caído em meu colo? Uma sábia e irônica volta do destino... De que intensidade é esta magia selada?

- Intensidade de Arch! – Respondeu Kirigaya, servindo-se mais da bebida. – Uma das mais nocivas e prejudiciais de Tenebris, deve tomar muito cuidado ao ministra-la senhor... Contratou um geneticista, não é? Aliás, como destrancará o baú?

- Tenho meus magos especialistas... 

- Certo... – Afirmou Kirigaya, levantando-se abrupto após beber o último gole. – Precisamos discutir os custos desta operação, senhor...

- Evidente que sim! Seu dinheiro e a quantia referente aos Noturnos estarão em suas contas até amanhã, também enviarei a solução tomasiana de Ravia para o mal que o aflinge...

- A Damcorp ainda não desenvolveu uma cura definitiva para o caso do rapaz? – Indagou Kirigaya.

- Sem altas quantidades de Tenebris... Nada podemos fazer, sorte que o trunfo está bem aqui... Aliás... Como está a diretora? Ainda metendo o nariz onde não é chamada?

- Está sob controle... – Concluiu Kirigaya, zombeteiro. – Ela não sabe que ainda estamos na ativa, está ocupada demais com os preparativos para o The Mage, não se preocupe senhor! Agora se me dá licença...

- Kirigaya! – Exclamou Damien, antes que o velho saísse do local. – Da próxima vez que estiver aqui e servir de minhas bebidas sem minha permissão... Deceparei suas mãos!

Hospital abandonado Kibougatari, Ueno, Tóquio, 18:30 PM

                        Apenas um recanto tão escuro quanto suas almas e as histórias de suas vidas poderia lhes abrigar dos olhos da lei e da sociedade. Ali eram invisíveis, fantasmas a ocupar um lugar que outrora era conhecido como o centro da esperança no distrito de Ueno antes da criminalidade e violência assolar a vizinhança, que num determinado momento decidiu ir protestar à prefeitura para fechar o antigo hospital Kibougatari, alvo de disputas entre facções pequenas e a Yakuza. Após intensa polêmica, as autoridades decidiram tombar o prédio, porém apenas deslocaram os equipamentos e profissionais para outras unidades médicas e por fim abandonaram toda a instalação que hoje é apenas um mausoléu tenebroso de memórias. Um enorme muro fora erguido para isolar o prédio de vândalos e do restante da população de Ueno. O que ninguém imaginava era que adentrando a escuridão do velho hospital habitavam seres dissidentes, criaturas que perderam seu espaço na sociedade e já não eram mais aceitas novamente. Entre escombros, paredes mofadas e alas inteiras desassistidas, os seis jovens sobreviviam com os ganhos de seus atos terroristas, comandados por Daemon Damien, o visionário executivo que os obrigavam a viver nas sombras. Seu líder era o atormentado Ravia, um rapaz frio e desprovido de qualquer emoção, refém de seus próprios demônios da infância e de uma extrema condição: A coexistência de duas manas dentro de si, ao invés de uma. Por mais que fosse um tenebroso, a segunda mana a qual ele chamava de “parasita”, parecia drenar centelhas da mana original de Tenebris como um alimento para continuar viva e presente dentro do corpo do adolescente, ferindo-o.   

                  Quando Ravia perdia o controle e sofria com a drenagem em seu organismo, descarregava cegamente rajadas de puro Tenebris como um touro enjaulado e enfurecido, prestes a quebrar suas correntes. Em total desespero, a dor o fazia despejar sua reprimida fúria. Era sempre necessário que Frenzi e Maki o enclausurassem em uma redoma exaurida com centelhas tenebrosas e psíquicas, à prova de qualquer magia interior que pudesse arrebentá-la. Muita mana era exaurida, logo os fazendo cansar a cada inesperado e sufocante surto de seu líder. Em suas cabeças, os estridentes gritos de agonia ecoavam altos. Naquele fim de tarde não era diferente, ao perceber a inquietação súbita de Ravia e os primeiros sintomas do descontrole, Frenzi alertara Maki e os dois magos correram para aprisionar o líder antes que este derrubasse o velho hospital abaixo e matasse aquele infeliz grupo. Um destino trágico, um epitáfio irônico e até merecido. Frenzi arrastou o velho amigo até a ala mais isolada do prédio e junto ao Kinesiúnico Maki, o cingiram dentro da defesa de centelhas. Não demorou a Ravia desabar ao chão, contorcendo-se enquanto empalidecia rapidamente e os incomuns olhos carmesins incendiarem num intenso vermelho. Os nervos salientes sobre a pele coagulavam, indicando a atividade da mana parasita e os iminentes bramidos já preparavam as atormentadas audições. O restante dos Noturnos preferiam não ver, fugindo para outras alas e cômodos distantes dos urros do líder. Kakiyama e William encontravam paz no extenso pátio dos fundos da instalação enquanto a única garota do grupo, Ingra, refugiava-se na antiga sala de leitura onde se perdia entre livros mofados e artes esquecidas. Ainda sim, os torvos barulhos os alcançavam.

                   Frenzi não evitou a repentina lágrima enquanto exauria a redoma em torno de seu amigo. Aquela desenfreada dor também o esfolava, mais do que suas mãos podiam suportar. Não ligava para com sua mana, que morresse de exaustão se necessário fosse, mas fitar Ravia a disparar ensandecido toda sua angústia infindável era como uma afiada tempestade de memórias, uma enxurrada do obscuro passado que vivenciou ao lado do amigo... Do irmão. Após longos minutos de tortura, Ravia cessava gradativamente e cansava, desabando de joelhos no piso frio e caindo inconsciente, em um sono de pedra. Seu estado então era deplorável e seus trajes, esfarrapados. Esgotados, Maki e Frenzi finalizaram seus exaurimentos, interrompendo o fluxo de centelhas e quebrando a redoma. Maki também despencou, apoiando-se sobre as pernas. Aflito, Frenzi correra para acudir o líder enquanto o erguia.

- JÁ CHEGA PARA MIM, SEU DESGRAÇADO! – Vociferou o Kinesiúnico, avançando ofegante sobre Frenzi, agarrando-lhe pelo colarinho.

- O que pensa que está fazendo, idiota? – Indagou o tenebroso, encarando-o atônito.

- Eu é que lhe pergunto o que está fazendo, me obrigando a exaurir minha mana quase ao estopim com este pedaço de lixo caído sobre seus pés! É a segunda vez só nesta semana que ele perde o controle e por pouco não o trancafiamos a tempo, arriscando a nos esmagar sobre estes malditos escombros!

- Está falando de seu líder, exijo respeito a ele! – Ordenou Frenzi, livrando-se do aperto de Maki.

- Líder? Poupe-me, seu condescendente, quem o nomeou líder deste terrível grupo? Não me importo se o próprio Damien o condecorou, não estou aqui para isto! Senti minha visão esmaecer, meu peito queimar, estou a tossir sangue, maldição... – O mago estava desesperado, esbravejando enquanto girava os punhos ao ar. – Mais uma rodada desta merda e não sairei vivo para contar história! Isto tem que parar! Sei que são amigos... Mas não importa, Frenzi, precisamos executá-lo para que possamos sobreviver. Na próxima, eu ou você morreremos de exaustão, olhe só para você...

- Afaste-se! – Exclamou Frenzi, secamente. – Se ousar encostar um dedo nele... Eu lhe matarei, entendido?

                    A hostil ameaça do tenebroso fez o jovem de longos e exóticos cabelos verdes recuar, atônito ao fitar o agressivo olhar e tom de Frenzi. Colérico, o rapaz avançou contra Maki, prensando-lhe o pescoço. – PERGUNTEI SE ENTENDEU MISERÁVEL!

- Vá para o quinto dos infernos! – Livrou-se Maki, dando as costas enquanto chutava alucinado as paredes do local. As brigas entre os dois eram frequentes. Maki era convencido e arrogante e almejava destituir Ravia do comando, não aceitando o fato de que um doente psicótico pudesse guiar uma facção terrorista. Era um usuário raro de Kinesis, o atributo psíquico que permitia gerar centelhas telecinéticas independente da manifestação natural da mana. Ponderava ser extremamente especial a ponto de ser egocêntrico e egoísta, sempre se pondo em frente aos seus companheiros e por vezes suas imaturas atitudes arriscavam as missões. Ravia o alertara de que o eliminaria caso os incidentes voltassem a ocorrer. Porém atualmente o angustiado líder regredia de saúde devido à mana parasita, necessitando mais do pulso firme de Frenzi para domar o usuário. Já Frenzi sempre procurou apaziguar ambos os lados e assim como a reservada jovem Ingra, evitava ao máximo as disputas dentre o grupo. Ministrava a verba recebida de Daemon Damien, mantendo o grupo saudável na medida do possível e zelando pela segurança dentro do prédio esquecido. Kirigaya o ajudava diretamente, sempre providenciando a solução tomasiana da Damcorp para aliviar as dores de Ravia, porém o remédio não era a plena cura para seu mal. Após os surtos, aplicava a injeção na corrente sanguínea do amigo e testemunhava a cor e saúde retornar aos poucos... Mesmo sabendo que o efeito era temporário.

- E-ele já está melhor...? – Balbuciou Ingra, aproximando-se de Frenzi que segurava Ravia entre os braços. Timidamente, agachou-se em frente aos dois.

- Sim... Por enquanto... – Comentou Frenzi, num forçado e calejado sorriso. Tentava não demonstrar sinais de fraqueza, pois achava que abalaria a moral dos colegas.

- Está cada vez pior, não é? – Indagou Ingra, curiosa. Percebendo a expressão indômita do rapaz de madeixas emaranhadas em dreads, se afastou. – Digo... Por quanto tempo duraremos assim? Não quero ser pessimista, mas desafiamos as autoridades máximas e estamos a prêmio, condenados. O que garante que teremos alguma redenção?

- Não há redenção para o que fazemos... Não há uma recompensa! Enquanto sobrevivermos, estaremos bem. Ravia e eu somos experientes, confie em nós...

- Confio sim! – Exclamou a jovem russa, firme. – Só não quero voltar para aquela prisão tenebrosa... Para aquele pesadelo...

- E não voltará! Assim que Damien criar o composto definitivo da mana laboratorial, sumiremos do Japão. Pode me ajudar a leva-lo até o quarto?

 

Jardim do Fogo, Escola Harukaze, Morioka, Iwate, 19:00 PM

 

                        Não era à toa que o Hinoniwa era um mágico recanto. Mesmo com os brutais ataques gelados da carrasca, as rochas outrora despedaçadas voltavam ao seu original estado como se nunca tivessem sido tocadas. O solo também procedia da mesma forma, restaurando-se num piscar de olhos. Aquele lugar era um ser vivo e consciente a se alimentar dos danos infligidos a ele, como um filtro. Este sistema bem que poderia funcionar também com Kazuki, o pior e mais desleixado aluno da instituição que agora pagava por sua procrastinação. Não se regenerava assim como o Hinoniwa, pelo contrário, cada segundo ali eram novos ferimentos que o abatiam gradativamente, fazendo seu corpo querer desistir. Mas ele não podia! Sua mente não o deixaria fraquejar! Resistiria à opressão da insistente representante! O dilema era por quanto tempo mais... Estava ferido, seu uniforme agora não passava de farrapos rasgados deixando-o quase nu e apenas de cueca. Os olhos inchados devido aos massivos punhos de Lisa o aturdiam, confundiam-no às possíveis rotas de fuga. Seu estomago revirava, sentia ainda o terrível chute daquelas pernas velozes. Corria entre pedras e arvores, metia-se entre o mato silvestre, rolava no solo rochoso. Enquanto escapava dos velozes talhos gelados que sua tutora o fulminava, outros o atingiam em cheio como facas congeladas, causando cortes ardentes e hematomas dolorosos. Um deles fincou-lhe a perna, deixando-o manco a agonizar enquanto fugia.

- Pare já com esta palhaçada, seu infeliz! – Vociferou Lisa, exaurindo os finos talhos em pleno ar, aguardando a aparição do rapaz por entre as rochas. Poderia matá-lo ali mesmo se quisesse. Vontade para isto não faltava. Porém sabia que não poderia levar seu aluno à morte, pois o trato com o diretor Matsumoto não era este. O acordo era fazer o rapaz despertar sua mana, algo simples de fato, sem problemas ou dificuldades. Bastava fazer com que ele merecesse e assim a Ciranda Elementar faria o resto. O que a jovem não esperava era o espírito rebelde e indomável de Kazuki a lhe empenhar contratempos como aquele em que estava passando. Sua paciência esgotara! Já não possuía muita... Não entendia o motivo de tanta rebeldia e repulsa pela prática da magia, afinal quais eram as vantagens de ser alguém comum? No que aquele moleque imaginava? Tudo parecia um jogo de gato e rato, pior, era uma adulta a perseguir uma criança peralta e revoltada cuja qual não deveria agredir brutalmente para aniquilar. No fundo, se arrependera... Mas iria até o final com aquilo, nem que tivesse de esfolá-lo vivo.

- M-me d-deixe em paz, sua des-desgraçada! – Berrou Kazuki, sentindo um intenso frio tomando conta de si. Um misto entre calor e álgido com a dor dos cortes e ferimentos. Podia apostar que logo entraria em choque.

- Deixarei se vier até aqui e ficar quieto, idiota!

- Já falei que n-não quero ser a p-porra de um mago!

- Então o que faz em uma escola de magia? – Indagou Lisa, a lançar os talhos em direção à rocha de refúgio. – Veio zombar de nós?

                          As fulminantes lâminas retalharam a rocha, lançando Kazuki contra as cerejeiras. Um grito de dor ecoou pelo Hinoniwa.

- Sabe o que você é na verdade? Um moleque, um garoto mimado, uma criança que nunca levou boas palmadas para aprender que a vida é muito mais do que pensamos, ela é cheia de sacrifícios e conquistas, perdas e responsabilidades... Ninguém pode fugir disso...

- Não sabe nada... Sobre mim... – Esboçou Kazuki, lutando para erguer-se. Ao perceber que Lisa caminhava em sua direção, pôs-se a correr frenético.

                       Enquanto o estudante se afastava, a adolescente pegou o celular de seu bolso e teclou impaciente, pousando o aparelho sobre o ouvido.

- Já chegou aí, seu inútil?

- Ei, não precisa xingar, acabei de chegar... – Ralhou Yukio, ao celular. – Fliperama Dreamland, certo? Estou aqui no centro, este lugar é abarrotado de nerds estranhos e garotas esqueléticas, parece um filme de terror... Está me devendo, sabe?

- Eu lhe pagarei pelo serviço, pode andar logo com isto? – Apressou Lisa, ríspida.

- Não quero dinheiro... Quero outra coisa sua... – Incitou Yukio, malicioso.

                      Abrupta, a garota desligou a ligação, interrompendo o flerte do jovem galã. Era um plano ousado, mas sob medida para ferir o orgulho daquele idiota. Uma sensação prazerosa lhe subia pela coluna, estremecendo-a. Pela primeira vez sentia uma espécie de poder que nunca provara antes, a habilidade de dominar, de subjugar, de fazer rastejar alguém fraco. Um ser inferior sob seus pés. Fitava Kazuki a se embrenhar na relva com um olhar feroz. O garoto exalava medo... Prazer. Uma criatura arredia a ser domada. Não evitou um leve e lascivo gemido, umedecendo seus lábios. Tentou afastar a sensação fechando os olhos... Mas voltava como ondas arrebatadoras. Suas pernas bambeavam, o coração disparava. As mãos suavam descontroladas. Não podia segurar mais. Estava cansada de bancar a prudente, era hora de apertar as rédeas com vigor.

                            Kazuki atalhava por entre os rochedos que seguiam em direção à cachoeira. Eram íngremes e tortuosos, perfeitos para se esconder devido às sinuosidades de seus picos. Bolara um plano: A faria cansar, gastar toda sua mana naquela brincadeira para assim cair exausta e permitir sua fuga. Só precisava resistir. Era campeão em Overwatch, não devia ser tão difícil na vida real. A diferença é que estava desarmado. Ria consigo, a trilhar agachado o caminho. Estava escurecendo e logo despistaria a visão de sua algoz. Repentinamente, sentiu um impactante golpe em sua boca, derrubando-o com violência. O sangue inundara seus lábios, jorrando em jato. A aguçada dor o anestesiara, fazendo-o morder a língua. Novamente a visão se turvou.

- Aí está você... Minha Suzie! – Exclamou Lisa, satisfeita.  Puxou-lhe pelas madeixas enquanto rasgava o pouco que sobrou de suas roupas.

- Sua... O que? – Perguntou Kazuki, atordoado.

- Quando era pequena, eu tinha uma boneca, destas bonitas e de corpo esguio, como uma Barbie... Adorava vesti-la, colocar adornos, tops, laços, fitas, pentear seu lindo e loiro cabelo... Era a minha Suzie... Até que um dia eu fiquei desapontada por uma mentira e todo meu amor pela Suzie se converteu em ódio... – Explicava a garota, aleatória, despindo Kazuki até deixa-lo completamente nu. – E então tive de extravasar minha ira nela... Braços... Pernas... Rosto... Cabeça... Era muito bom poder mutilá-la e depois remontar, cada vez mais calejada... Cada vez mais deplorável... – Sussurrando, Lisa pisoteava a barriga do estudante, fazendo-o grunhir.

                            Porém algo inusitado que nem mesmo o pobre garoto pôde evitar... Acontecera. Ao conceber que estava nu Kazuki olhou estarrecido para seu membro ao relento. Recobrando a consciência, corou ao notar a visão que se fazia presente acima de si: A calcinha de Lisa oculta entre a escuridão de sua saia, entre a alva pele. Desviou rapidamente o olhar, mas já era tarde, pois tal cena o deixou excitado apesar do contexto geral em que se encontrava. Percebendo a situação, a adolescente pulou para trás, corada. Não demorou ao membro do garoto eriçar, endurecendo em poucos segundos. A estudante fitara horrorizada e constrangida, desviando a cabeça em seguida.

- Eu... Eu... Eu... N-não queria... – Desculpou-se Kazuki, envergonhado.

- É típico de um tarado feito você, certo? – Ralhou Lisa, abrupta. – Mas tudo bem, pois isto me deu margem para continuar...

- Con-continuar com o que? – Indagou o aluno, aflito.

- Deve se orgulhar muito disto aí, não é...? – Insinuou, tocando com a ponta de sua bota sobre o membro ereto do jovem. – A única coisa que te faz verdadeiramente um homem...

- E-espere aí...  – Alarmou Kazuki, pressentindo a maligna intenção de Lisa. Engoliu em seco. Não. Ela não faria aquilo!

- Ei, ei, estou cansada de ser rude, será que pode se calar por um momento? – Sugeriu Lisa, a circundar o membro com o pé, deixando Kazuki ainda mais apavorado. Rastejava para longe, tentando cobrir sua intimidade com as mãos.

- Por favor... Por favor, não faça isto! – Implorou Kazuki, aos prantos.

- Fazer o quê? – Desconversou Lisa, sorridente.

- Por favor...

- E se você perdesse a única coisa que te faz um homem?

- POR FAVOR...

-... Aceitará a mana? Tornar-se-á um mago?

- E-eu não serei mago... Jamais! – Exclamou o rapaz, convicto.

- Então isto que carrega entre as pernas não tem mais serventia para você, já que não é um homem de verdade...

                                 Pisou lentamente sobre o membro de Kazuki, esmagando-o sobre o solo. Um estridente e desesperado grito ecoou pelo jardim, espantando os pássaros noturnos. O que não sabiam era que havia alguém à espreita, os observando atentamente. Cada movimento, cada ação, cada palavra, tudo era registrado pela habilidosa lente da câmera de uma destemida repórter que os fotografava ao longe, escondida... Registrando cada momento daquela absurda tortura. A testemunha perfeita.

 

Terakawa Café, Shinagawa, Minato, 20:00 PM

 

 

                             As cansativas seis horas de viagem desde Morioka até Tóquio sem dúvida valiam a pena. Um sacrifício merecido para se obter o melhor café de uma das melhores cafeterias do Japão. Bebia com tamanha satisfação, degustando cada sabor, separando-os como ingredientes únicos dentro do velho paladar. Que o tachassem de louco, ele ria. Dirigir incansavelmente para a metrópole apenas por um café quando no caminho passara por dezenas de cafeterias e restaurantes. Ainda mais em plena semana letiva. Um luxo para poucos, um disparate para muitos. Sua secretária o xingava, seus funcionários faziam piadas, os professores balançavam cabeças... Mas ninguém entendia o real motivo do diretor. Trafegar nas principais vias no começo da noite significava dias de preparo anterior, bastante combustível, tarefas administrativas prontas, a rotineira consulta ao médico e a melhor seleção de canções Enka para se escutar durante a viagem. Deixara tudo pronto e sua equipe ciente das responsabilidades, saiu mais cedo, ligou para o filho Enma e pôs o pé na estrada. Tudo por um simples café. Na verdade a viagem até Minato era uma fuga, uma válvula de escape dos intensos dias na direção da Harukaze. Quando não eram problemas corriqueiros, era Kazuki a aprontar e lhe dar mais carga. Não parava de pensar sobre o treinamento do garoto com Lisa. Respirou fundo em busca de alívio. Era necessário. Se nenhum dos excelentes tutores era capaz de estimular o rapaz, apenas um furioso espírito dava conta. Era primitivo pensar que só se consegue resultados com a dor. Porém Kazuki descartou todas as suas chances, todas as cartas que Daisuke Matsumoto tinha em mãos para ele. Se aquele plano ousado sucedesse, a jornada do estudante não pararia somente ali. Eram tempos difíceis, ele e Shinji perderam suas inocências cedo demais, pensar em Kazuki a ser obrigado a evoluir lhe incomodava, pois era claro que aquele garoto não queria ser mago. Mas era necessário. Para o plano... Era necessário. E lá estava o diretor a pensar na escola sem querer, enquanto procurava fugir dela. Seu celular tocou.

- Olá, diretora Mireille, como está? – Atendeu o diretor, sorridente.

- Olá, seu velhote, o que está fazendo? Está ouvindo aquelas músicas antigas e cafonas novamente? – Caçoou a diretora, gargalhando.

- Não, eu nunca mais escutei nada assim... – Mentiu Matsumoto, baixando o volume de seu rádio no painel, corado.

- Recebeu a lista do conselho sobre as novas regras do The Mage?

- Sim, chegou à minha mesa hoje à tarde, mas não estou mais no escritório, estou indo tomar um café... Adivinha em qual cafeteria?

- Você não existe... – Riu Mireille, zombeteira. – Por que se castiga a isto quando poderia relaxar aí mesmo em Morioka após um conturbado dia?

- Morioka é pequena demais para minha sede... A guilda Hana já está formada?

- Sim, receberá as fichas e os dados técnicos até sexta! – Exclamou a diretora, prontamente. – Mas vejo que a guilda Sakura ainda está em manutenção...?

- Um novo membro entrará, Kazuki Fujieda... Lembra-se dele?

-... Você adora reviver o passado, não é mesmo velhote? Este não é o moleque civil?

- E-ele mesmo... – Tossiu Matsumoto. Mireille sempre direta.

- Entendo... Acha que este garoto será a salvação de sua guilda?

- Ele é puro, é genuíno, possui o fogo e a teimosia de... – Parou antes de terminar a fatídica frase. Ainda era um assunto delicado para Mireille. Um breve silêncio se instalou. Procurando as palavras certas em sua mente, Matsumoto voltou, ainda titubeante. -... Olhe... Estou indo tomar um café no Terakawa, por que não vem comigo? Posso passar aí na Higure para te buscar... Será bom revivê-lo, voltar naquele tempo... 

-... Desculpe... Tenho de desligar velhote, aproveite seu café, espero que me mantenha atualizada de sua guilda! Boa noite...

                        Mireille desligou lentamente, melancólica.  Ainda doía... Ainda pulsava... Levantou-se abrupta de sua cadeira, saindo de sua sala. Precisava de ar. Precisava fugir às pressas do passado. Precisava viver. Seu único conforto era reconhecer o companheirismo de Matsumoto nas horas difíceis, mesmo sendo um rival. Um amigo de longa data, uma ponte entre o presente e o passado. Não somente o diretor como também o ardiloso Kirigaya, seu vice-diretor na Higure. Com este, tinha de ser fria e calculista, pois nunca conseguira provar seus crimes perante o conselho. O nomeou para ser seu braço direito para assim poder vigiá-lo de perto... Mas Kirigaya permanecia oculto nas sombras e longe de seus olhos, mesmo por perto. Uma serpente, um traidor. Ela provaria isto, por Shinji, por Matsumoto, por ela... Por Deus.

 


Notas Finais


"Quem sou eu? Ninguém, apenas a mais diva, linda, profissional, competente, verdadeira, sagaz, inteligente e modesta repórter escolar que você já viu! Este jornal é o começo da minha futura ascensão aos noticiários internacionais e esta matéria vai me levar ao topo! "Representante tortura seu colega com requintes de crueldade"! Não, que tal "Aluna agride aluno com selvageria"? Muito classe baixa, e quem sabe "A carrasca de gelo ataca novamente! A vítima é o... O.. O... ELE ESTÁ PELADO?"

Próximo capítulo de Escola Harukaze de Magia e Estudos
"50 Tons de Kazuki Fujieda"

"Meu santo jornaleiro... Ele está mesmo nu... Mas é bem gatinho..."

Contracapa
https://i.imgur.com/YYTd1Ku.jpg

Flor Aquática Parte I - Escudos Civis
https://www.spiritfanfiction.com/historia/flor-aquatica--parte-i-escudos-civis-13694033

Kyuu por Natasha Notari (@Natysaan)
https://www.spiritfanfiction.com/historia/kyuu-13912571

Katekyo Hitman Reborn X por Alex Vongola
https://www.spiritfanfiction.com/historia/katekyo-hitman-reborn-x-revisado-5142156

Último Jornal dos Elementos
https://www.spiritfanfiction.com/jornais/jornal-dos-elementos--pandora-halo-13812099

Jornal Halo - Ichimokuren, Senhor dos Ventos
https://www.spiritfanfiction.com/jornais/jornal-halo--ichimokuren-senhor-dos-ventos-13817703


Muito obrigado pela leitura, forte abraço! Go On Mages!!! :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...