História Escolha (Im)perfeita - Capítulo 5


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Palavras 3.656
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oii, gente! :~)

Muito obrigada por acompanharem minha fanfic! ᵔ.ᵔ

Espero que gostem desse capítulo...

→ Skye e Philippe se aproximam mais...
→ E bumm... Uma bomba no final rsrsrs

Capítulo 5 - O Maldito Contrato


Fanfic / Fanfiction Escolha (Im)perfeita - Capítulo 5 - O Maldito Contrato

" Não foi quando ele me tocou pela primeira vez, nem ao menos quando ele viu algo bom em meu coração. 

Ele me amou quando soube que também havia trevas em mim, e a possibilidade, remota que fosse de me perder se tornou dolorosa.

Sei disso porque foi exatamente assim que aconteceu comigo. E sabe de uma coisa? Eu faria tudo de novo. Mesmo que soubesse que no fim, eu poderia perdê-lo."  (Skye Herrera)

 

Castelldefels, Barcelona

A luz do sol tentava atravessar as cortinas, e um brilho fraco tocou minhas pálpebras com languidez.

Fechei os olhos novamente e me aconcheguei no edredom macio, encolhendo minhas pernas igual um gato preguiçoso.

O cheiro da roupa de cama era maravilhoso, o mesmo aroma de sândalo que o Philippe tinha...

Epa.

Levantei subitamente, lembrando onde eu estava.

Era o quarto do Philippe. Ai, Deus.

Levantei as cobertas e vi que eu estava vestindo uma camiseta do Liverpool.

Graças à Jeová, eu ainda estava usando minhas roupas íntimas.

Suspirei de alívio e localizei minha bolsinha de mão sobre o criado mudo e a peguei, e enquanto tentava me lembrar de qualquer acontecimento da noite anterior, caminhei até uma porta que se revelou ser o banheiro.

Pequenos fragmentos da noite anterior pipocaram na minha cabeça. Lembrava do ciúme louco que senti quando uma mulher deu em cima do Philippe, as meninas tirando a roupa e... Mais nada.

Graças a uma ideia brilhante de meu amigo Léo, eu possuía um pequeno kit de “primeiros socorros da ressaca” que eu levava comigo religiosamente aonde quer que fosse.

Tirei a mini escova oral-b e a pasta de dente, escovei os dentes enquanto espiava os produtos de beleza que estavam dispostos na prateleira de vidro do banheiro, lavei o rosto com o sabonete da Neutrogena que estava na prateleira e quase quebrei o pente tentando desembaraçar os nós em meu cabelo emaranhado. Desisti de procurar por meu vestido quando vi que não estava em lugar algum.

Minha cabeça doía como se uma escola de samba particular tivesse festejado nela por toda a noite.

Um som quase sutil me chamou a atenção, e caminhei curiosa até encontrar uma cozinha gigante.

Meu coração perdeu o compasso diante da visão:

De costas em frente ao fogão, as dezenas de tatuagens sexy me encaravam nas costas nuas de Philippe que estava cantarolando enquanto preparava alguma coisa.

Tinha cheiro de bacon. E café. De repente meu estômago roncou mais alto do que meu carro quando estava sem gasolina e eu pigarreei para anunciar minha presença.

— Joaninha! — Minhas estruturas... Onde estavam elas quando ele me presenteava com um sorriso torto daqueles? — Bom dia!

— Bom dia, Jujuba... — Percebi que estava rouca e não quis saber o motivo.

— Está com fome? —Ele se virou e desligou o fogo, depois girou com uma frigideira de inox na mão.

— Morrendo... — Admiti.

— Ótimo! Venha, eu preparei seu café! — Ele falou antes de colocar duas fatias generosas de bacon em um prato que já tinha ovos mexidos.

Murmurei um obrigada e me sentei, corando quando ele deu uma bela olhada em minhas pernas.

— Você ficou linda com a minha camiseta.

Estremeci, não pelo que ele falou, e sim pela intensidade com que me olhou. Levei a caneca até meu rosto. Soprei o líquido quente por um momento e dei um gole rápido.

— Sabe onde está o meu vestido? — Perguntei dando uma garfada no bacon. Estava delicioso.

— Eu pendurei e guardei no armário.

Tentei não esquadrinhar seu corpo, mas ele estava bem na minha frente e aquilo era bem difícil.

Minhas sobrancelhas se ergueram e minhas bochechas queimaram involuntariamente quando eu contei os gominhos. Seis gominhos bem formados no abdômen que me fizeram ter vontade de estender a mão e...

— Skye?

— Ah, oi! Desculpe, estava distraída...

Ele sorriu.

— Está se sentindo melhor? — Ele quis saber.

— Pode me contar o que aconteceu? Dei um gole generoso no suco de laranja fresco.

—  Do que você se lembra? —Ele se inclinou na mesa, apoiando os braços perto de mim. Ah aquele cheiro... O mesmo da roupa de cama.

—  Bem... — Comecei. — Eu lembro de uma vaca dando em cima de você...—  Confessei e ele deu um sorriso satisfeito — A Anna pagando peitinho... E mais nada!

—  Você lembra da cena de ciúme do lado de fora?

Hum?

—  Pouca coisa. — Revelei — Lembro que eu quis ir embora...

Ele assentiu com um gesto e eu dei um tapa em seu braço.

— Pare de ser tão convencido! — Revirei os olhos — Vai ficar se achando agora?

Cruzei os braços na altura do peito e ele riu baixinho.
—  Skye Herrera, tem noção do ciúme que eu senti ao vê-la dançando daquele jeito ontem? Acha que gostei de ver todos os homens da festa babando no seu corpo e enfiando a mão no bolso para reorganizar a ereção que você provocou? Quero arrancar fora os olhos deles só de terem olhado pra você!
Minha boca se abriu e se fechou,  mas nenhuma palavra saiu.
—  Não vai falar nada? —  Ele levantou uma sobrancelha perfeita e esperou por uma reação, mas eu estava muito ocupada pegando o meu queixo do chão.
—  Bem... Fico feliz que tenha provocado isso em você! —  Falei toda sorridente.
Ele riu desta vez, em seguida se levantou para me servir mais suco.
O movimento me chamou a atenção para o seu bíceps, o flexionar delicioso de músculos tonalizados por anos de atividade física.
— O que vai fazer hoje? — Ele perguntou casualmente.
— Humm — Estendi a mão para pegar o copo cheio de suco de sua mão — Tenho que levar o Thor para passear antes que ele acabe com todas as minhas almofadas.
— Você tem cachorro?
— Um cachorro mimado chamado Thor e um gato preguiçoso chamado Napoleão.
Ele pareceu interessado.
— Posso ir com você?
— Claro! — Respondi rápido demais.
— Eu estava pensando... — Ele se deixou cair no banco ao meu lado — Preciso fazer  umas compras e, quem melhor do que a editora de moda da Cosmopolitan para me ajudar?
Ah, que fofo.
— Sério?
Meu celular começou a tocar e eu atendi a ligação de uma Anna de ressaca pior do que eu.
Então Philippe e eu nos encontraríamos para almoçar e sair à caça de roupas novas para seu novo armário.
Isso significava que em poucas horas o Philippe estaria em meu apartamento para me buscar.


[...]


Por falta de terem suas próprias vidas sociais, meus amigos Léo, Anna e Murilo estavam em meu apartamento para me ajudar a escolher a roupa perfeita para me encontrar com Philippe. Pelo menos aquela era a desculpa.
Anna estava lamentando como as fotos dela quase nua estavam num ângulo péssimo e sem filtro, Murilo estava se queixando de o cabeleireiro ter feito cagada em seu cabelo rosa, e Léo estava rindo do meu nervosismo.
— Vocês não estão me ajudando! — Ralhei, atirando o vestido floral que comprei num site japonês na parede.
— Gata, pode se vestir com o uniforme do Barcelona e ainda assim estará linda. — Anna falou erguendo o olhar de seu óculos de sol Prada. Ela era o único ser humano na terra que usava óculos escuros dentro de casa — Aposto que ele bateu uma pensando em você ontem.
Encontrei um short bonitinho.
— Credo — Franzi o nariz para o que ela disse.
— Skye, ele tirou seu vestido e colocou uma camiseta dele em você. Ele te viu de lingerie! Claro que bateu uma.
Léo bufou.
— Eu ainda não acredito que você dormiu com ele — Ele falou feito um velho resmungão.
— Ele não dormiu comigo. Ele me contou que  me deixou dormindo e foi para a sala, encerrou a festa e depois acabou ficando no sofá. — Falei com orgulho.
Os três reviraram os olhos.
O telefone tocou, mas era só um telemarketing oferecendo um desconto maior na conta telefônica.
Uma gota de suor deslizou por minha têmpora, e eu a sequei com o ombro da camiseta.
Faltavam poucos minutos para Philippe chegar e meus amigos estavam esparramados no tapete da sala, com garrafas vazias, embalagem de fast food e revistas por todo lugar.
Avaliei depressa o cômodo atulhado de coisas antes de começar a falar:
— Arrumem essa bagunça antes que ele chegue! Preciso tomar banho!
— Você já está toda molhada de suor... Por que está tão nervosa? — Murilo me olhou com a expressão curiosa.
— Eu sei! Eu sei! — Falei atropelando as palavras e depois corri para o quarto a fim de achar um blusinha perfeita para usar com o short.
— Vamos lá Skye!  — Falei para mim mesma quando saí do banho e já estava vestida. — Você já tem 23 anos! Já está bem grandinha para ficar nervosa porque vai encontrar um cara! — Sequei o cabelo com o secador e passei gloss, rímel e blush. — Você é uma mulher ou um saco de batatas? — Perguntei para meu reflexo no espelho.
— Um saco de batatas! — Alguém gritou da sala.
— Calem a boca!
Quando a campainha tocou eu escutei meu coração palpitar. Será que eu teria aquela reação sempre?
Ouvi uma sessão de assobios constrangedores de meus amigos quando cheguei na sala e Léo
virou a fechadura na maçaneta da porta da frente por onde Philippe entrou e o cumprimentou, e quando me viu abriu um sorriso largo.
Thor, que estava muito concentrado no seu osso antes, pulou no colo de Philippe, que quase caiu para trás e o abraçou.
— Tenha modos, Thor! — Gritei — Vai derrubar o Jujuba assim!
Ele mostrou a língua para mim e colocou a coleira no pescoço de Thor.
Nos despedimos dos meus amigos desajustados, ignorando os comentários e piadinhas de Anna e entramos no elevador.

[...]

— Como você consegue fazer o Thor pegar o brinquedo? — Choraminguei — Quando eu jogo alguma coisa pra ele pegar ele fica parado olhando pra minha cara!
Estávamos caminhando na orla da praia, Philippe ostentava algumas sacolas de grife e agora brincava com Thor.
Nós dois comemos cachorro quente de uma barraca, tomamos frozen yogurt, discutimos sobre qual era a maior boyband do mundo (eu bati o pé e disse que sempre seria nsync e ele disse que era One Direction), compramos bijus de dois euros de um vendedor ambulante ( Philippe escolheu um colar com uma conchinha pendurada e colocou no meu pescoço), enfiamos o pé na areia e afundamos até o tornozelo, e agora estávamos passando o tempo.
— Thor e eu somos almas gêmeas! Acabei de descobrir!
Ele nem ligava que meu cachorro estivesse sujando sua camisa toda com as patas enormes.
Tudo o que me restou fazer foi ficar admirando como ele ficava bonito com aquela bermuda cáqui, camiseta cinza e chinelo. Caramba. Eu não conseguia parar de olhar. Ele tinha os pés bronzeados e dedos longos. Por que até o pé desse homem tinha que ser sexy?
— Olha só a menina Skye!
Ambos olhamos na direção da voz e Lorenzo estava lá, com uma bermuda cargo com estampa do exército e uma camiseta surrada do Bob Marley. Seu rosto moreno estava radiante.
— Eeei Seu Lo! — Cumprimentei animada. — O que faz por aqui?
— Ah, dando um passeio! — Ele afagou a cabeçorra de Thor, que já estava se esfregando em suas pernas.
— Deixa eu te apresentar — Apontei para o Philippe — Seu Lo esse é o Philippe, Philippe esse é o Seu Lo!
Os dois apertaram a mão cordialmente e Philippe o fitou curioso.
— Acabei de receber uma ligação — Lorenzo quase caiu quando Thor passou entre suas pernas — Sabe aquele festival de jazz independente que fazem no bar da Barceloneta ?
Assenti com a cabeça.
— Bom... O cara que ia tocar sax está num hospital quase perdendo o fígado e... Decidiram me chamar para tocar no lugar dele...
Dei um grito.
— Isso é demais!!! Que incrível!
Seu Lorenzo estreitou os olhos.
— Quero dizer — Corrigi rapidamente — Coitado do cara do fígado — Philippe riu — Mas você tocar num evento tão bacana assim é um sonho!
O abracei e ele fungou, todo embaraçado.
— Quando é? — Perguntei. Thor desistiu de amolar o Lorenzo e voltou para Philippe.
— É na semana que vem — Ele falou com uma alegria nos olhos — A senhora vai?
Nem precisei pensar duas vezes antes de responder que sim.
— E o que vai usar, Seu Lô?
Ele apontou para a camiseta do Bob, que parecia ter sobrevivido a 2a guerra mundial e fez uma cara entediada.
— Você vai tocar no show de Jazz usando isso? — Apontei para o Bob maconheiro e Lorenzo revirou os olhos.
— Vou pentear o cabelo — Prometeu.
Eu não sabia se acreditava naquilo. Ele tinha dreads grossos que precisavam de uma manutenção há décadas.
— De jeito nenhum vou te deixar se apresentar usando isso.
— Ei, menina Skye. Você já me dá comida e aceitou adotar o Thor porque eu não tinha condições de cuidar dele. Agora quer me dar roupa? Nem pensar!
Ele me dispensou com um gesto de mão, mas eu logo ignorei.
— Hummm... Acho que um terno cairia muito bem — Pensei alto — Já sei! Um terno Armani e sapatos de couro italiano. ..
— Quem diabos é esse Armando?
Eu ri.
— É Armani, e você vai aceitar. Vou marcar com o cabeleireiro da Cosmo para ele dar um grau na sua juba também!
Ele coçou a barba e quase desabou. Pobre Lorenzo. Se as ruas não o maltratassem tanto, ele seria um jovem senhor bem bonito. Mas as rugas e talvez o cansaço tiraram todo o viço de seu rosto.
— Obrigado. Eu nem sei o que dizer.


Depois que ele saiu, Philippe ficou em silêncio por bastante tempo enquanto eu pensava em para quem eu iria cobrar um favor para me emprestar um terno Giorgio Armani.
Eu estava distraída quando senti um toque gentil em meu rosto.

E ele estava em minha frente, tão próximo que temi que ele pudesse ouvir as batidas desgovernadas do meu coração.
— Você está entrando para a lista de garota mais fascinante que eu já conheci, Skye — A forma como seus lábios se curvaram sedutoramente ao pronunciar meu nome me encantou de tal maneira que esqueci por um momento onde estava.
Ele era tão bonito. Estava ficando tonta. Meu coração saltou e meu pulso se acelerou. Inclinei a cabeça para a frente e seus lábios ficaram a poucos centímetros dos meus.
Sua boca roçou a minha, e meu coração disparou. O contato foi mínimo, como uma pena brincando em meus lábios. Ele deslizou as mãos por meus braços nus, deixando arrepios em sua esteira. Em seguida, descansou ambas em meu quadril de forma quase casual, só que não havia nada de casual no modo como seu toque me fez sentir.
 De repente estávamos nos abraçando. Senti seu cheiro maravilhoso fixado em sua pele e encostei o nariz em seu pescoço. Ele estremeceu e segurou minha cintura gentilmente. Ficamos abraçados o tempo todo. Só ouvindo a nossa respiração. Quando ele afastou o rosto pensei que uma parte de meu corpo fosse arrancada. Ele ficou me encarando, os olhos completamente vidrados. Seu hálito quente me atingiu o rosto, e o seu aroma másculo me fez querer prender a respiração. Eu não conseguiria mais me segurar. Precisava beijá-lo. Sentir o sabor da sua boca.
— Eu acho que vou te beijar, Skye Herrera.
— Pensei que nunca iria dizer isso.
Senti ele se curvar um segundo antes que sua boca cobrisse a minha quente e completamente inebriante. Tão gostoso que foi como um tiro certeiro queimando o caminho do peito até o fundo do meu estômago.
Sua língua acariciou a minha, gentil, e ele mordiscou meu lábio inferior. Arqueei o corpo, com a pulsação acelerada e um desejo incontrolável dentro de mim.
— Delícia — Philippe murmurou contra minha boca.
Reivindiquei novamente seu beijo e seu corpo estava pressionado sobre o meu, e eu podia sentir sua ereção em minha barriga. Seu cheiro estava todinho em mim. O cheiro de seu xampu, seu sabonete e seu creme de barbear, e o cheiro gostoso que ele tinha. Tudo estava em mim. Ele segurou meu rosto com cuidado antes de arrastar os lábios pelo meu queixo, fazendo minha respiração ficar presa na garganta.

— Você é mesmo maravilhosa, Skye. Sabia disso? — Ele disse com ternura, deslizando o polegar pela minha bochecha.

Passei os braços em torno dele com força e enterrei o rosto em seu pescoço e assim ficamos, até Thor dar uma mordidinha em meu pé.
—  Acho que ele está com fome — Eu ri. Ah…! Eu não queria ir embora.
— Vamos levá-lo de volta — Philippe falou antes de grudar os lábios em minha testa.

Mas ele não saiu dali, e nem eu. Continuamos exatamente onde estávamos, com o polegar de Philippe acariciando a minha bochecha.

Era engraçado pensar que eu esperei pela vida toda por alguém que me completasse.

Mas na vida real, a gente não tem que esperar por alguém que nos complete. E sim que nos transborde. E era isso o que ele fazia.



 

Philippe Point. Of. View

Minha mão subiu até a altura do peito e bati três vezes na porta.
Antes mesmo que a pessoa lá dentro pudesse sequer atravessar a sala para atender, eu já estava batendo novamente.
O rosto de Joe apareceu atrás da porta quando ele abriu, e um suspiro longo e dramático me indicou que ele já sabia.
— Você a beijou?
Assenti com um gesto positivo e gemi de frustração.
— Entre!
Ele afastou a porta para eu passar e depois fechou o trinco. Eu já estava caminhando para a cristaleira a fim de encontrar uma bebida.
— Poxa, Coutinho! Eu te avisei para não se aproximar dela! Por que diabos você não fez o que eu disse?
Servi um pouco de vodka num copo e o levei até a boca, o gosto amargo queimando minha garganta.
— Eu não sei. — Falei com sinceridade, afundando no sofá.
Joe deu a volta no sofá e se deixou cair ao meu lado.
— Cara, tudo bem — Ele garantiu — Você a beijou, ok. Você não resistiu. Mas agora tem que pôr um fim a isso. Entendeu?
— Eu não posso... — Murmurei — Eu vou num festival de jazz pra ver o amigo sem teto dela tocar.
A testa de Joe lotou de vincos.
— Então desmarca essa porra e não liga mais pra ela! A Skye já é bem grandinha, vai entender!
Engoli em seco, tentando aplacar a tristeza.
— Philippe, olha pra mim. — O zagueiro do Barcelona, e meu amigo de infância exigiu.
Não consegui fazer mais nada a não ser me servir de outra dose.
— Ah não. Não, cara. Não pode ser! Você... Você se apaixonou por ela?
— Sim. — Respondi por fim, após longos minutos de silêncio.
Ele recuou, olhando incrédulo para mim.
— Você só pode ser burro ou muito masoquista.
— Eu não pude evitar ...! Eu não sabia que isso iria acontecer, mas... Ela é incrível... É maravilhosa demais para um mané como eu. —A tristeza me envolveu novamente.
— Você sabe que não pode ficar com ela, não sabe?
Assenti com amargura.
— Você tem que dar um jeito de esquecer ela. — Joe levantou e começou a andar em círculos. Eu tinha sorte de tê-lo como amigo e sabia que se preocupava comigo, mas ele não sabia o que eu sentia. — Você armou essa própria arapuca pra você. Agora saia dela.
Levei o copo até os lábios e suspirei.
— Não posso, ... Eu não vou deixá-la.
— Você é louco? Quer mesmo arriscar sua carreira por uma transa?
Dei uma risada melancólica.
— O quê? Vai dizer que não ta pensando nisso? “A filha gostosa do chefe!”
— Você não sabe do que está falando. — Respondi com tanta aspereza que ele abriu a boca surpreso.
— Então gosta dela tanto assim?
Dei as costas pra ele e encarei a noite lá fora.
Na mesma hora fui tomado por uma sensação de arrependimento, e minha voz falhou de leve.

— Eu a beijei hoje ... E eu acho que... Acho que eu não vou conseguir parar.
— Ah, não. Você sabe quem é o pai dela? Ele é o psicopata que faz todos os jogadores do time dele assinar uma cláusula no contrato onde diz claramente para não ter relacionamento amoroso com sua filha.
Aquilo ainda era ridículo, mesmo depois de eu ouvir tantas vezes.
Antonio Herrera tinha uma obsessão tão grande pela filha que forçava todo mundo que entrasse no Barcelona a assinar uma cláusula no contrato para ficar longe da filha dele. Se qualquer sujeito desrespeitar a cláusula, além de pagar uma multa milionária, estaria desligado do clube.
Era tão ridículo quanto cruel.
Cruel com a própria filha que não sabia de nada.
Sorri de forma melancólica quando me lembrei dela.
Tão linda, linda de morrer. Tão doce, com um coração tão bom e tão puro. Ela nem se importava de abraçar mendigos fedidos na rua, e não sabia da influência e poder que seu sorriso tinha.
Joe balançou a cabeça de leve e deu um tapinha em meu ombro.
— Você está ciente de que vai enfrentar o inferno e o próprio diabo pra ficar com essa menina, não sabe?
— Sim. — Disse com altivez.
— Então, nesse caso, meu amigo. Você tem o meu apoio. Estou com você para o que precisar. Só me lembre de escrever suas memórias póstumas e fazer um discurso para seu enterro.
 

Mais tarde, com a insônia me consumindo, fiquei pensando em como me meti numa situação daquelas.
Destravei a tela do celular e cliquei na galeria, onde havia uma foto de hoje cedo que tirei da Skye sorrindo e segurando o colarzinho de concha que eu lhe comprei.

Fiquei olhando aquele rosto em formato de coração, cujas maçãs desenhavam uma curva suave, com lábios carnudos, sem batom e sublimes.


Aquele beijo foi como o próprio céu. A ironia, no entanto, não me escapa.
Ela tinha o nome do céu. Sky.

Skye. Ela parecia o paraíso. Mas quem quer que cruzasse o caminho de seu pai enfrentaria o inferno.
Aquela era uma daquelas batalhas infelizes em que todos os lados sairiam feridos.
E eu rezei para acabar, pelo menos, com a sanidade intacta.
Eu poderia desistir e seguir o conselho de Joe.
Mas eu não podia mais parar. Não quando eu sabia como podia ser bom.

Quando alguém experimenta um pedaço do paraíso, simplesmente não consegue deixá-lo para trás.

 


Notas Finais


Galere, se acham que minha fic merece, podem colocar ela nas suas favoritas?

♡Me digam o que acharam, tá bom? Tô me divertindo e amando seus comentários! um beijo e fiquem com Deus!♡


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