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História Escolhas de um Herdeiro - Capítulo 30



Notas do Autor


Oi amores \o/

Contenham seus coraçãozinhos e preparem os lencinhos também, porque o capítulo está recheado de emoções.

Agradeço @ZeeParker por betar a fanfic.

Próximo capítulo: 04/04
Espero vocês nas notas finais.

Capítulo 30 - Não importa a distância, você estará pra sempre comigo


Pov Orion

Desceu as escadas da mansão Prince - Riddle velozmente, coração batia descompassado no peito perante a brusca aparição de Pierre. Ele sempre imaginou que tanto a parte élfica e o homem amavam-no profundamente. No entanto, estava redondamente enganado. O mais velho lhe proferiu palavras duras, ele nunca admitiria, mas sabia que o loiro tinha deveras razão sobre si.

Precisou que um completo estranho esfregasse em sua cara a dura realidade, necessitava crescer e deixar de ser o que todos acreditavam que ele era feito de cristal e ninguém poderia feri-lo. Adentrou o escritório ruidosamente enquanto ajoelhava-se diante à lareira, chamou diversas vezes o pai, após longos minutos a face de Regulus Black apareceu por entre as chamas. 

— Filho, senti tanta sua falta. — murmurou Regulus, sentindo os olhos nublados devido às incontáveis lágrimas.

— Também senti saudade. — sussurrou olhando o pai com extremo carinho, forçando-se a controlar as lágrimas das quais queriam cair em seu rosto. — Preciso muito conversar com você… Aconteceu algo, mas isso me fez abrir os olhos — explicou resumidamente, perguntando ao homem se poderia passar e retornar a residência.

Atravessou as chamas apressadamente, necessitava colocar para fora toda a inquietude a qual estava aprisionada dentro de si. Jogou-se nos braços do pai enquanto sentia as lágrimas do mais velho em seu rosto, em momento algum lamentou ou agiu como um bebê chorão, apenas deixou o moreno acalmar-se enquanto pensava em como explicaria ao progenitor a outra maldita parte de Scott.

— Pai, acalme-se — pediu, ajudando o mais velho a sentar-se no sofá de frente a mesa. — Preciso lhe falar algo importante — anunciou o menino, arrastando a cadeira, sentando-se diante do mais velho.

— Desculpe, filho — murmurou, afastando as lágrimas com as costas da mão, pegando as mãos do menino e apertando-as levemente. — O que aconteceu, porque está desesperado desta maneira? — interrogou alarmado, questionando-se internamente o motivo do qual menino estava apreensivo demasiadamente.

- É uma longa história, o senhor ficará confuso no começo… Acredite eu também fiquei quando descobri. Pierre não é meu companheiro, e sim, sua parte élfica. O verdadeiro nome do meu namorado é Scott, quer dizer, Pierre existe também mas eles dividem o mesmo corpo. — rosnou, fechando a cara ao lembrar-se da aparição momentânea do mais velho. — O bastardo me odeia com todas suas forças. Aliás, ele odeia até mesmo Scott, ele o chama de parasita. Não importa o quanto eu tenha que me esforçar para isso, quem eu precisar enfrentar, mas eu vou separar aquele imundo do meu companheiro nem que seja a última coisa que eu faça. 

— Vem cá — Regulus estendeu os braços para abraçar o filho. O homem percebeu facilmente que o garoto tremia devido às lágrimas que não havia derramado até então.

Orion caminhou calmamente em direção ao pai, permitindo-se fraquejar por alguns instantes, contudo, seus pensamentos estavam no namorado, ele jamais desistiria de separar aquele embuste de Scott. Nunca havia desejado mal algum à ninguém, entretanto Pierre havia conseguido o impossível. Ele teria o prazer de ver o loiro desprender-se do amado, quando isso ocorresse faria questão de enviá-lo para Nagini ou Norberta, talvez elas pudessem lhe dar um fim doloroso.

— Antes de tudo, eu preciso lhe contar algo… Rabastan e eu nos separamos. — Regulus viu o filho franzir o cenho em confusão e depois arregalar os olhos. — Não foi sua culpa meu bem, nosso relacionamento estava terrível, e tudo que eu mais desejava neste momento era estar com você. Seu pai… Ele está enlouquecido, infelizmente. Não sabe ao certo em que época estamos, tem momentos em que pensa estar novamente em Askaban — Suspirou profundamente, beijando o topo da cabeça do filho. — Mas vamos falar sobre você e esse rapaz que estou me segurando para não estuporar agora mesmo. Então, quem conheci foi Scott, que está preso no corpo do Pierre?

— Sim. Scott é perfeito — afirmou Orion afetuosamente, recordando-se do namorado com extremo carinho e saudade. — Pierre é a pessoa mais desprezível que alguém poderia ter o desprazer de conhecer. — Relatou, flexionando os punhos fortemente. — Espere… Você está separado? — questionou, inclinando a cabeça ao reparar pela primeira vez à fala do mais velho. — Sinto muito… Nunca admiti, mas tinha medo de ficar no mesmo ambiente que Rabastan, ele costumava ser instável comigo também — confessou o menino, secando as lágrimas do progenitor com as pontas dos dedos. — Julgo seja melhor a separação do que você ficar preso a um casamento infeliz — expressou lentamente, apertando as mãos do pai em sinal de apoio.

— Meu pequeno… — Regulus não evitou sorrir ao carinho do filho. — Eu sinto tanto… Por não ter feito nada antes. Eu sempre me senti completamente incapaz de agir contra Rabastan, mas desde que nos separamos, sinto que consigo pensar com mais clareza. Eu nunca mais vou aceitar ter você longe, está bem? — outra lágrima escapou de seus olhos, escorrendo desta vez, porque era acompanhada de um sorriso sincero. — Sobre este rapaz, Pierre, eu farei de tudo para lhe ajudar.

— Você fez tudo que podia, não se martirize por minha causa. — Pediu Orion suavemente, inclinando-se diante do mais velho, envolvendo-o em seus braços amorosamente. — Desejo apenas seja feliz, seja com Rabastan ou qualquer outra pessoa. Você não merece ficar sozinho outra vez, ainda estarei aqui, caso precise de mim — sussurrou, abraçando o homem docemente, depositando um longo beijo em sua bochecha. — Estou pensando em ir ao Gringotts, talvez encontre algo nos cofres de Salazar, Tom e Sev podem encontrar algo, eu… Sei que jamais irei desistir de Scott, ele sempre esteve lá quando eu precisei, agora é minha vez de retribuir devidamente — anunciou com toda coragem que tinha, sentindo-se pela primeira vez confiante e não um bebê chorão como o embuste havia lhe dito.

— Sinto tanto orgulho de você, meu amor. Você está demonstrando cada vez mais ter um coração imenso. — Regulus beijou a testa do filho, sorrindo, sentindo finalmente as lágrimas cessarem. — Vamos dormir, e pela manhã, lhe acompanho em todos os lugares que desejar. Encontraremos uma forma de separar Scott do Pierre. E eu vou me esforçar para ser um pai menos ciumento, mesmo querendo proteger você de todos do mundo.

— O senhor não precisa ter ciúmes, sempre estará em primeiro lugar no meu coração — Declarou Orion afetuosamente olhando o mais velho carinhosamente, sorrindo minimamente. — Devo retirar-me também, Edwiges irá me arranhar assim que me vir, ela sempre foi muito protetora e ciumenta. — Brincou, caminhando em direção a porta, subindo as escadas.

— Boa noite, meu bem! — gritou Regulus, não conseguindo parar de sorrir. Finalmente o menino voltou para seus braços. A separação com Rabastan não havia sido tão fácil como tentou demonstrar para o filho. Mas não desejava separá-lo ainda mais do m..ex-marido.

Quando os surtos pioraram, logo depois de Orion se mudar para casa de Tom e Sev, pediu ajuda dos amigos. Severus trazia regularmente poções que o acalmavam por um tempo. Mas não tardou a piorar. Ainda sentia as mãos do homem que amava o sufocando no meio da noite, durante um delírio. Porém, o que mais machucou não foi a força, e sim as palavras. Apesar de estar preso em uma alucinação dos momentos em Askaban, era a si mesmo que o outro queria machucar. Enquanto gritava que havia perdido o filho por sua culpa. Que todo esforço que teve para ficarem juntos não valeu a pena.

No primeiro dia que passou sozinho no quarto, depois de Rabastan se mudar, pensou que enlouqueceria. Foi como retornar aos tempos em que ele estava preso, mas a falta que mais sentia era de Orion. Tudo que desejava era correr até a Mansão Prince - Riddle e trazer o filho de volta. Mas prometeu respeitar o espaço do menino, além de temer que ele o rejeitasse.

Demorou alguns dias, porém, se fosse totalmente sincero, não conseguiria dizer que sentia falta do ex. Chegou a pensar ser a pior pessoa do mundo, afinal, foram anos de casamento, sofrimento no tempo em que o até então marido estava preso. Lembrava de naquela época sentir que a vida não fazia sentido se o Lestrange não estivesse com ele.. E agora, sabia que o vazio que ainda sentia no peito, nada tinha a ver com Rabastan.

 

Orion poderia descrever facilmente como uma das coisas que mais odiava na vida: Acordar sem o namorado. Não ter o calor do corpo de Scott lhe envolvendo, o cheiro do shampoo e a sensação de estar em casa. Sabia que estava em casa, sua verdadeira casa, com seu pai. Mas não ter o loiro ali, fazia o ambiente parecer incompleto.

Suspirou, levantando-se para tomar banho, determinado que encontraria algo para libertar o amado da prisão novamente. Desta vez, a prisão física, e para sempre.

Depois de tomar banho e vestir-se adequadamente para o clima extremamente frio que fazia do lado de fora. Abriu a porta do quarto dando de cara com o pai que caminhava na sua direção e tinha o maior dos sorrisos.

— Bom dia, pai! — cumprimentou Orion carinhosamente, abraçando o mais velho fortemente. — O senhor dormiu bem? — perguntou suavemente olhando o pai atentamente.

— Como não dormia há muito tempo. Me sinto feliz de verdade agora que você está em casa. Vamos tomar café, e então saímos para Gringotts está bem? Já enviei uma carta assim que acordei, avisando que visitaremos todos os cofres que lhe são de direito!

— Muito obrigado. — Agradeceu Orion profundamente, sentindo as lágrimas invadirem seus olhos, porém afastando-as rapidamente, ele poderia chorar de alegria após livrar-se do maldito.

— Venha, o café já está na mesa, eu mesmo preparei seus pratos preferidos. — O homem sorriu, puxando o filho e andando o abraçando de lado.

— Irei me sentir mimado desta maneira. — Brincou Orion, acompanhando o homem enquanto desciam as escadas, encontrando os membros da família sentados à mesa. — Bom dia, pessoal — cumprimentou, assistindo as reações diversas dos parentes alegremente.

Por incrível que pareça, a primeira a reagir e correr em sua direção foi a amiga Luna. Que pulou em seu pescoço lhe esmagando com os pequenos braços.

— Senti imensamente sua falta — declarou a menina apertando afetuosamente, mas logo sentindo-se esmagada ao notarem a presença de Cygnus e Eduardus juntando-se ao abraço.

— Pirralho!!! Sentimos sua falta. Da próxima vez que inventar de sumir assim, nós vamos atrás de você! — Eduardus falou bagunçando o cabelo do primo com a mão aberta.

— É isso aí! E seu namorado ainda nos deve muitas explicações. Somos os mais velhos, é como se fossemos seus irmãos. — Cygnus resmungou tentando parecer muito bravo, mas não conteve a gargalhada.

— Desde quando vocês são responsáveis? — indagou Orion, afastando-se dos primos e Luna, colocando a mão no peito confuso. — Meu Deus! Já sei, estão doentes? Ou talvez estejam se tornando uma versão da professora Minerva? — questionou, fingindo-se preocupado. — Que vergonha! Meus primos viraram dois avôs nerds! — exclamou dramaticamente, retirando um lenço do bolso enquanto fingia descaradamente um lamento do qual nunca existiu.

Antes que os gêmeos pudessem responder, enquanto tentavam levantar o queixo caído de surpresa com a reação do primo. Uma confusão de cachos negros ultrapassou os dois, abraçando o moreno. Bellatrix parecia tão emocionada que chegaram a achar que ela não estivesse normal.

— Você está bem? Tom e Severus lhe alimentaram direitinho? Eu posso ir até lá e bater naquele nariz torto do Severus se precisar! Ficamos todos tão preocupados pela falta de notícias, enquanto você ficava enfurnado naquela casa. — Bellatrix examinava o rosto do sobrinho como se tentasse encontrar alguma prova de que tinha sofrido maus tratos. Não era burra, então não acusaria o namorado do menino de nada, mas a própria estava examinando de algo de errado podia ter acontecido. — Você parece abatido… Quem preciso matar?

— Nagini cuidou bem de mim enquanto estive na Mansão — acalmou a mulher à frente pacientemente, pegando suas mãos e as apertando em sinal de carinho. — Estava pensando se poderia me ajudar a enviar alguém para cova… Mas teria que parecer um acidente. — falou lentamente, sorrindo maleficamente em direção a tia, assistindo a morena abrir um sorriso de puro deleite ao pedido inusitado do menino.

— Você conheceu a cobra do tio Tom? — Luna falou empolgada. — Eu posso conhecer também? — os gêmeos encaravam a menina atordoados, como que após o discurso do primo, ela poderia ter se importado com algo tão…

— Claro! — exclamou olhando a menina alegremente, pegando sua mão enquanto balançava de um lado para o outro. — Nagini é minha “mãe” serpente, ela irá adorar conhecê-la. Você poderá ser sua nova filhote também — anunciou, desprezando os olhares incrédulos dos primos.

— Toda essa conversa está animadora, mas Regulus nos disse que vocês têm muitos lugares à visitar, não é mesmo? — Rodolphus veio a passos largos, abraçando o sobrinho — Seja bem vindo de volta, querido sobrinho. Vamos todos comer? — sorriu largamente para o sobrinho que era como um filho para si.

— Desmancha prazeres — resmungou Cygnus, arrastando os pés em direção a mesa.

— Volte para casa, se não… Arrancamos seus testículos e alimentamos Norberta com eles — disse Eduardus, pegando uma tesoura da calça, ameaçando o primo firmemente. — Mas não estamos ameaçando ninguém — proferiu docemente, piscando inocente em direção ao primo.

O café da manhã foi coberto de momentos de risadas e chororô por parte de Luna, que queria acompanhar o amigo no “passeio”. Mas foi acalmada por Bella, quando a convidou para irem às compras.

Orion chegou pela lareira assim que todos estavam retornando para a sala. Disse que tinha 2 cofres de herança dos bisavós paternos que poderiam ajudar ao neto, na busca pelo que precisava. 

A manhã passou rapidamente, enquanto visitavam cada uma das pilhas e pilhas de livros em todos os cofres. Orion estava coberto de certeza de que não tardaria a encontrar algo que fosse a resposta. Mas não estava preparado para descobrir em um livro onde falava sobre Elfos Negros, onde dizia que o companheiro não o encontrou antes por conta dos feitiços feitos por Dumbledore. Os quais mascararam ainda mais o seu paradeiro. Por conta da adoção de sangue, parte da ligação ficou abafada da mesma forma que estaria caso ele estivesse morto.

Precisou de muito autocontrole para não ter uma explosão de magia com tamanho ódio que sentiu. Será que nunca acabaria de descobrir todo mal que aquele maldito homem fez a sua família? O doeu encontrar várias escrituras de relatos das pessoas que morreram dentro de Askaban. Lembrou-se dos tios, do próprio Scott e de Rabastan. Entendia o porquê do homem estar enlouquecido. Estava fragilizado demais após o sumiço do filho, e foi a isca perfeita para os dementadores. E mais uma vez… Dumbledore.

Já era próximo ao horário do almoço, quando o pai propôs que deveriam fazer uma pausa. Estavam quase saindo do cofre de Salazar, quando Orion reparou que havia uma parte do cofre diferente. Era como uma porta encantada, que oscilava entre uma parede de pedra como o resto do lugar, e uma grande placa de ferro com esmeraldas. Sentiu a cada passo que dava a ligação com o lugar, como se estivesse o reconhecendo.

Tinha lido em algum dos livros durante aquele dia, que lugares como esse eram protegidos por ligação de sangue, e somente o verdadeiro herdeiro teria acesso. Com a varinha, fez um pequeno corte na palma da mão, apoiando contra a porta, quando ouviu o som de pedras sendo arrastada.

O local era praticamente do mesmo tamanho do seu quarto, com amontoados de livros extremamente antigos. Porém, a primeira coisa que chamou atenção foi o enorme ovo que flutuava preso a um feitiço no centro da sala.

Foi como sentir algo lhe puxando. Escutou as vozes do lado de fora da sala, do pai e o avô resmungando por tentarem ultrapassar, mas o feitiço do local impedia que entrassem. A mão ainda não cicatrizada pareceu arder a cada passo que dava em direção ao ovo, involuntariamente, a estendeu no mesmo sentido, segurando rapidamente em puro reflexo quando o feitiço se desfez e quase que caiu se partindo.

Conjurou uma grande gaiola almofadada para carregar o ovo, o colocando ali e largando no chão, enquanto andava em direção as estantes na parede. A maioria dos títulos era na língua de ofidioglotas. Uma capa extremamente antiga lhe chamou atenção “Mitos e Histórias sobre criaturas mágicas primordiais”. Era como se o lugar respondesse aos seus pensamentos e vontades. Estendeu a mão e pegou o livro no alto com simples feitiço de Accio

O grimório era realmente muito pesado. Mesmo antes de abrir, sentiu-se preencher com esperança. Sabia que a resposta que precisava estava ali. Cada célula do seu corpo lhe dizia isso.

Apoiou sobre um pedestal, tossindo quando ao abrir subiu uma cortina de poeira. O prólogo era um breve resumo sobre criaturas que foram esquecidas com o tempo, por serem consideradas parasitas ou perigosas.

Passou os olhos sobre o índice, em busca de algum título que lhe chamasse mais atenção. Anotou mentalmente para ler em outro momento com mais tempo, alguns como “criaturas mágicas e seus companheiros”, “ligações de sangue”, “heranças mágicas”. Mas o que prendeu e fez folhear rapidamente, foi o que tinha o levado até ali. “Feitiços de amarração ou como desfazer laços indesejáveis”.

Sentiu o estômago embrulhar com as gravuras que tinha o extenso capítulo. Estava coberto de anotações à mão, como se alguém tivesse tentado diversas vezes e anotasse aleatoriamente o resultado de cada uma delas. 

“Mais uma ligação rompida, mais uma criatura morta. Não se sabe ao certo a razão do porque todas as vezes, o lado mágico enfraquece e morre prematuramente.”

“Raro caso de um Veela que o hospedeiro decidiu romper a ligação com a criatura. O companheiro Veela estava envolvido com outra pessoa, o que estava o enlouquecendo. Nenhuma das partes sobreviveu a experiência.”

“Após mais de 50 anos sem o registro dessa espécie, encontrei com um Elfo Negro. Este estava completamente preso no hospedeiro, sem controle sobre absolutamente nada. O mago aproveitava dos poderes e dons da criatura como um sanguessuga. Inclusive, conheceu a companheira do Elfo e se casou com a mesma por ter descoberto que desta forma o élfico tinha ainda mais acesso aos poderes. Mas depois de um tempo, acreditando que poderia se separar do lado élfico, porque já tinha todos os poderes que almejava. Tentou o rompimento, porém como sempre, o Elfo não resistiu. E a companheira do Elfo, ao descobrir o que aconteceu, o matou.”

Cada uma das anotações estavam datadas anteriormente à 1700, sendo a última em 1701.

“Hoje conheci o meu segundo Elfo Negro. Este, diferente do primeiro, tinha total domínio sobre o hospedeiro. Mas estava completamente enlouquecido, porque seu companheiro era um trouxa, que cometeu suicídio quando soube de tudo.

Depois de todos os relatos que escrevi até aqui, tomei a decisão de que tentarei hoje fazer minha própria separação. Conheci o amor da minha vida anos atrás, mas por ser o hospedeiro, e não a criatura mágica, tive que abandoná-la por causa do Elfo que carrego em mim e sua companheira.

- 03/22/1701”

Nas páginas seguintes, havia a descrição do ritual, porém, com diversas correções feitas à mão na mesma caligrafia das anotações anteriores.

Orion não sabia se ainda estava respirando. Porque sentia que tinha trancado a respiração minutos antes. Sabia, mesmo conseguindo ler perfeitamente, que o texto não estava em inglês. Ou seja, só havia 2 pessoas capazes de executar aquilo perfeitamente: Ele e Tom Riddle.

— Obrigado, Salazar! — comemorou, fechando o grimório enquanto pegava do chão a gaiola contendo o ovo, saindo correndo do local. — Finalmente terei meu Scott e jogarei o embuste para bem longe — sussurrou para si mesmo, sorrindo de orelha a orelha devido à recente descoberta. — PAI — vozeou olhando o homem à frente radiante. — Encontrei o livro.

Regulus correu abraçando o filho de empolgação. Não tinha vergonha nenhuma de demonstrar o quanto amava abraçar, principalmente seu menininho.

— Agora, nosso almoço será de comemoração. — Orion Sr falou empolgado, andando ao lado do filho e do neto. — Mas, meu querido, o que é isso que você está carregando aí na gaiola?

Regulus pareceu congelar, encarando o filho, finalmente notando a gaiola. Franziu o cenho reconhecendo a forma de um ovo.

— Orion Lycoris Black, o que por Merlin é isso?!! — o garoto não pareceu se abalar mesmo com o grito estrondoso do pai que ecoou pelas cavernas.

- O encontrei no centro da sala — falou Orion suavemente olhando em volta buscando uma maneira de sair correndo ao revelar o conteúdo do ovo. — Acredito seja um ovo de basilisco — revelou divertindo enquanto notava os olhares petrificados do pai e avô.

O próximo som ecoando na caverna, foi do corpo do pai do menino desabando no chão. Orion Sr encarou o filho rolando os olhos com tamanho drama. Não sabia de onde ele e Sirius haviam herdado tal característica. Fez um feitiço de levita corpus e continuou andando, sendo seguido pelo neto que parecia apavorado com a reação do pai.

— Vamos almoçar? — Orion Sr disse tranquilamente, chegando ao carrinho que os levaria de volta para o salão principal. — Pelo pouco que ouvi sobre seu namorado, talvez devesse se preparar, imagino que ele terá uma reação um pouco mais… escandalosa.

— Scott?! Ele ainda nem viu Norberta. E temos o Fofo II também… Ah! Lembrei tenho também Ariana, ela é uma acromântula — revelou Orion tranquilamente, virando-se em direção ao avô que o encarava tranquilo.

Já estavam próximos do salão principal, quando Regulus começou a despertar, se debatendo no ar com susto por estar sendo levitado.

— Me coloquem no chão!!! O que aconteceu? Pensei ter ouvido meu filho contar algo absurdo, foi um pesadelo horroroso. — Regulus estava com a mão no peito, como se sentisse o coração tentar escapar, sendo calmamente devolvido ao chão pelo pai.

— Relaxa, pai. —  Acalmou Orion, balançando a cabeça devido a cena constrangedora do mais velho. - Não foi um pesadelo, o senhor ouviu perfeitamente. Venha, estou com fome — proferiu, andando à frente enquanto o homem continuava em um looping de drama infinito.

O almoço transcorreu com diversas maneiras de Regulus tentando convencer o filho de doar o ovo para alguma instituição de criaturas mágicas. Ou dar para Tom, seria uma boa companhia para Nagini.

O caminho de volta a Mansão acabou sendo um dos mais divertidos, o pai continuava resmungando, dizendo-lhe o quanto possuía pensamentos suicidas, ele ainda não entendia como o garoto poderia ter um basilisco como animal de estimação.

— Espero que Scott coloque algum juízo nessa sua cabeça. — Fungou Regulus, caminhando atrás do herdeiro.

— Scott não falará nada — Comunicou Orion, revirando os olhos devido o drama do mais velho. — O máximo que poderá acontecer, ele caindo duro no chão. Ele irá me apoiar tenho certeza — proferiu, desejando acreditar nas próprias palavras. — Peço licença, mas quero estudar o grimório. Quanto mais rápido aprender o ritual, terei de volta meu Elfo Negro. — Anunciou, depositando um beijo no rosto do pai, subindo a escada em direção ao quarto.

Já estava há algumas horas no quarto, Orion sentia as costas arderem em protesto pela posição que se encontrava. Cada vez que relia sobre o ocorrido, e relembrava que já podia ter livrado seu Elfo Negro há anos se não fosse pelos feitiços de adoção sanguínea, sentia suas entranhas se remexerem.

Se já tivesse os pais consigo, talvez jamais tivesse se tornado amigo dos Weasley, o que hoje, não parecia um grande problema. Não teria passado anos sofrendo com os Dursley. Teria conhecido o padrinho muitos anos antes. Saberia reconhecer a amizade do Draco, e até mesmo talvez tivesse aceito de bom grado ir para a Sonserina.

Até mesmo seus tios, teriam saído antes de Askaban. LYRA! Oh céus, sua pequena prima que não teve a chance de viver.

Decidiu banhar-se para tentar relaxar o corpo e a mente. O moreno sentia como se uma voz gritasse em sua mente, uma lista infinita de n coisas que aconteceram de errado na vida dele e da família. E soube perfeitamente que havia um único culpado sobre tudo.

Sentiu o sangue ferver, socando a parede do banheiro. Sentiu saudade do namorado, sabia que o loiro conseguiria o acalmar e fazer esquecer aqueles pensamentos.

Tentou deitar e dormir, mas não conseguia pregar os olhos. Depois do tudo que leu e descobriu, sabia que precisava agir. Não parou para realmente respirar, quando percebeu já tinha trocado o pijama por longas vestes negras e pesadas. Riu com a ironia que parecia muito um membro da família Black naquele momento, e se sentiu orgulhoso do fato.

Orion tinha consciência de que talvez estivesse agindo impulsivamente. Mas, sempre foi uma característica sua. Afinal, se tivesse parado para pensar antes, nunca teria enfrentado o troll sem pedir por ajuda. Era impossível assimilar todo o acontecido durante todos aqueles anos.

Caminhou pelo castelo sorrateiramente com sua capa, lembrando de certa vez, quando o diretor fingindo ainda gostar de si lhe contou que ficava no topo da torre de astronomia durante à noite observando a lua.

Subiu cada degrau respirando profundamente tentando manter a calma. Sabia que a vontade que tinha era de acabar com a raça do homem.

— Saia debaixo dessa capa Harry, sabe que nunca me enganou com ela. Passei muitos anos com a mesma. — Debochou o velho virando para onde o menino estava debaixo da capa, quando a mesma foi derrubada.

— Meu. Nome. É. ORION! — rosnou de raiva, sabia que era apenas uma forma de provocação, e que até pouco tempo ele mesmo exigia que o chamassem assim, mas já estava exausto. — VOCÊ MAIS DO QUE NINGUÉM SEMPRE SOUBE DISSO, NÃO É? Quando me roubou dos meus pais, quando sumiu com a minha irmã! QUANDO MATOU OS POTTERS! É TUDO SUA CULPA!!!

— Garoto, você não passa de uma pedra no meu sapato. Eu deveria ter lhe matado, em vez de entregar à Lilian, mas foi tão útil. Livrei-me do verdadeiro Harry, sim, o garoto nunca ficou doente, eu o envenenei para meus planos darem certo. Ele era um verme, o garotinho era um aborto! Fiz um favor aos Potters! — Dumbledore proferiu zangado, revirando os olhos pelo drama do garoto.

— VOCÊ É QUE É UM MONSTRO. Como todos podem ser tão cegos em relação a você? TUDO QUE VOCÊ FAZ É RUIM, VOCÊ MANIPULA TODO MUNDO, VOCÊ ENVENENOU MEU PADRINHO, MEU PAI — vociferou, sentindo sua magia sair descompassada pelo corpo, flexionando os punhos fortemente enquanto buscava controlar a própria respiração.

— TUDO QUE EU FIZ É PELO BEM DO MUNDO BRUXO. JÁ NÃO BASTAVA O BASTARDO RIDDLE, VOCÊ NASCEU PARA ESTRAGAR TUDO! EU DESISTI DO AMOR DA MINHA VIDA PARA TER TUDO QUE EU TENHO HOJE, NÃO DEIXARIA DUAS CRIANÇAS IMUNDAS ACABAREM COM TUDO — Dumbledore berrou olhando nos olhos do pirralho descontrolado, segurando a varinha no bolso da túnica raivoso.

— É CLARO, VOCÊ MATOU SUA PRÓPRIA IRMÃ! — Orion tremia segurando a varinha apontada para o outro. No fundo desejava ter coragem de fazer o que pensou quando foi até ali, mas sabia que não tinha forças o suficiente para tal. — Sabe, eu tenho uma acromântula chamada Ariana, coloquei em homenagem a primeira pessoa que percebeu que você não prestava. Deve ter sido um alívio para sua irmã, saber que pelo menos nunca mais teria que conviver com você!

— CALE-SE! — o mais velho estava transtornado. Lembra-se da irmãzinha foi como uma faca lhe atravessando. — NÃO OUSE FALAR NA MINHA QUERIDA ARIANA. — Levantou a varinha para o menino e lançou um crucio — VOU CORRIGIR O MAIOR ERRO DA MINHA VIDA! AVADA KEDAVRA! — duas vozes foram ouvidas naquele momento, pronunciando o mesmo feitiço. Um corpo desabou ao chão da torre, enquanto outro era lançado pelos ares, centenas de metros abaixo.

— PAPAI!! — Orion se lançou ao chão, agarrando o homem que havia protegido a si com o próprio corpo, não sabia como o homem tinha lhe encontrado ali, mas tinha sido ele a lhe salvar com a própria vida. — NÃO, NÃO!!!! — cambaleava para frente e para trás com o corpo de Rabastan, da mesma forma que o mais velho já tinha feito consigo.   

O moreno não tinha ideia de há quanto tempo estava no mesmo looping com o corpo do pai, quando ouviu o som de aparatação e duas reações de surpresa. Tentou impedir que puxassem o corpo do Lestrange, que mesmo pesado, fazia o garoto sentir que estava de alguma forma impedindo o pai realmente de ir embora. Mas não teve forças o suficiente quando notou que era Regulus que o fazia e que Scott também estava ali.

Não havia até então derramado uma lágrima sequer, mas ao sentir os braços do namorado o rondando, desabou. No fundo, Orion sabia que deveria se virar e amparar o pai, afinal, mesmo separado, aquele era o homem que amava. Só que não sabia como reagir. Novamente, alguém morreu para lhe proteger. Era como uma maldição.

— Foi Dumbledore. O corpo do maldito velho deve estar jogado nos jardins nesse momento. — O mais novo dos Lestrange arranjou forças para pronunciar. — Papai surgiu no momento em que ele tentou me matar, se jogou sobre mim lançando um feitiço no desgraçado, que voou pelo vão da torre. Ele me salvou! Eu sinto muito, pai — falou olhando nos olhos de Regulus que parecia abalado, mas não chorava como se tentasse processar a informação e estivesse confuso.

— Temos que entrar em contato com nossos advogados, você precisa se apresentar ao ministério se defendendo antes que tentem o acusar. As pessoas ainda acreditavam muito naquele desgraçado e vão usar isso para tentar mais uma vez destruir nossa família — Regulus declarou muito mais calmo do que os outros dois imaginavam que ele estaria. Apesar de parecer reagir no automático. — Meu querido, talvez seja necessário que você tome Veritaserum, para que eles possam averiguar todos os fatos.

— Não! Os efeitos dessa poção são horríveis e podem querer aproveitar para arrancar informações sobre a sua família. Eu conheço uma ideia melhor. Algo que já foi muito utilizado em julgamentos no Ministério da Magia Italiano. — Scott se pronunciou, mantendo ainda os braços em volta do namorado que agora estava virado de costas para si, encostado ao seu peito. — Existe um feitiço, que você transforma uma memória em uma poção líquida, só precisamos arranjar uma penseira. Parece uma bacia em um pedestal.

— Conheço algo assim, está na sala do D...Desgraçado. — Orion pronunciou, sua voz ainda estava arrastada.

— Pensaremos melhor em casa. Eu carregarei Rabastan, mas não consigo fazer o feitiço de aparatação neste momento. Scott, você poderia por favor levar todos nós? Não quero assustar todos em casa, então primeiro iremos até a mansão de Tom. Ele já deve ter sentido o que aconteceu, graças a Marca dos Comensais que Rabastan carregava — Regulus pediu lentamente, ajeitando o ex-esposo em seus braços.

Scott confirmou com um aceno e ainda mantendo o namorado abraçado a si com o braço esquerdo, estendeu a mão segurando o sogro com o direito. Os quatro então aparataram direto nos jardins da Mansão Prince - Riddle. O casal dono da casa já os esperava com um semblante triste enquanto perguntavam o que havia acontecido. O pai acabou sendo o responsável em explicar os últimos acontecimentos, desde seu sumiço repentino até os minutos finais do ex-marido. 

 


Notas Finais


Como está o coração de vocês?

Nem tenho palavras para descrever este capítulo... Devo ter chorado junto com o Orion.
Mas me digam:

1) Orion finalmente retornou a seu verdadeiro lar. O que acharam desse reencontro com o Regulus?

2) Alguém teve o coração partido com a separação do Rabastan e Regulus?

3) Esse ódio descomunal do qual Orion sente pelo Pierre é exagero ou ele tem uma pontinha de razão?

4) É essa interação em família... Amei e vocês?

5) Dumbledore merece o título de pior pessoa do mundo! Alguém concorda?

6) Se antes meu coração estava quebrado agora está despedaçado... Rabastan teve um fim incrivelmente nobre. E agora? Como ficará o coração do Orion?

Adoro quando vocês interagem comigo, principalmente se forem fazer algum elogio, crítica ou uma sugestão construtiva.

Vejo vocês no próximo.


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