História Escolhas Irreversíveis - Dramione - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção Adolescente, Hentai, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá amores.

Sorry pela demora ❤.

Nos vemos nas notas finais, boa leitura!

Capítulo 10 - Rampant Subconscious


07 de Dezembro de 1996.


Uma voz em sua cabeça zombava dele por seu impulso, dizendo-lhe sem parar que ele seria descoberto. Esta voz - incessante e debochada - estava deixando-o louco, e logo ele a reconheceu como de seu pai. Não era legilimência, não era real, era apenas aquela mania estúpida de precisar da aprovação dele para qualquer merda que fizesse. Puxou do fundo de sua alma quebrada a voz de Lucius e deu vida à ela em sua imaginação - algo que não fazia desde os treze anos e que reprimiu sempre que ousava vir durante o período que se seguiu. Mas lá estava ele invocando seu malfeitor, de Azkaban direto para sua cabeça. Ele precisava escapar daquela voz, precisava escapar também dos murmúrios frenéticos que inundavam o Salão Principal.


— Assim não dá para defender você. — Zabini chiou em voz baixa para que só ele ouvisse, arrancando-o de seus devaneios. 


— Está falando do que? — Draco disse em meio a um suspiro cansado mesclado à raiva. 


— Você sabe. — Foi sua única resposta. 


Ele sabia. Cada um naquele Salão também sabia - não da verdade em sua absoluta relevância e peso, mas parte dela era de conhecimento geral. Se espalhou como um fósforo sendo aceso no álcool, célere e irrefreável. De repente não havia um bruxo sequer que habitava aquela escola que não estivesse cochichando sobre o “colar envenenado” e a “Grifina usada por magia das trevas - obviamente, de acordo com a maioria - para dá-lo ao Diretor”.


— Não, eu não sei. — Insistiu por hábito e teimosia. 


— Você parece culpado. — Blás sussurrou — Tenta relaxar, ou vão desconfiar de você. 


Draco o olhou de soslaio, percebendo o quão rígido de tensão seu corpo estava. A memória recente dele saindo do banheiro e quase dando de cara com o abominável Harry Potter vindo à tona. Ele o encarou como se soubesse do crime que Draco havia acabado de cometer. Justo ele, que ótimo! Quem mais além do Santo Potter poderia desconfiar dele? Talvez o Weasel, que era à tua sombra ou, até mesmo a Granger … Automaticamente seus olhos dispararam para a mesa da Grifinória à procura dela, decepção e alívio se apossaram dele na mesma medida ao perceber que ela não estava lá. Queria vê-la e ao mesmo tempo não queria. Suas emoções eram sempre contraditórias quando se tratava de Granger, e isto o enlouqueceria aos poucos. 


. . .


— Você enlouqueceu. — Blásio chegou à essa humilde conclusão assim que Draco acabou de narrar o insucesso de seu “plano”. 


— É de se considerar. — Draco concordou com um dar de ombros. 


— Você podia ter morrido carregando aquela coisa por aí! — Blásio irritou-se com a indiferença do amigo, e acabou erguendo a voz — Nós podíamos ter morrido!


— Continue berrando, Blás, não te ouviram em Hogsmeade — Draco chiou.


— Faz ideia das proporções que isso alcançou? A tal de Bell está desacordada no St. Mungus correndo risco de morrer! 


— É só uma garota qualquer, droga! — Draco se exaltou, levantando-se de sua cama — Além disso, a culpa não é minha por ela ser enxerida.


Blásio permaneceu impassível, os olhos negros cheios de reprovação.


— Devo te chamar de “mamãe”? — A voz de Malfoy emanava sarcasmo.


— Cala a boca seu mané. — Blásio puxou o travesseiro de suas costas e o atirou em Draco, acertando-lhe o tórax.


— Cala a boca você, seu otário. Fica ai enchendo o saco por uma coisa que não tem como reverter. — Draco lançou o travesseiro de volta, acertando o ombro do moreno.


— A Granger tá nessa com você? — Blás perguntou de repente, franzindo o cenho. 


— É claro que não! — Ele respondeu rápido.


Neste momento a porta do dormitório se abriu e por ela passou Theodore Nott com um sorriso de orelha à orelha. Ambos, Malfoy e Zabini, arquearam uma sobrancelha para o garoto de cabelos cor de areia. 


— O que é, seus panacas? — Theo indagou sentando-se em sua cama e retirando os sapatos. 


— Esse seu sorrisinho … — Zabini indicou com o queixo.


— O que tem ele? 


— Da medo. — Draco quem respondeu. 


— Vão à merda, tá legal? — Theo disparou risonho, deitando-se na cama e cruzando os braços atrás da nuca — Vocês parecem tensos … É impressão minha ou os cinco dedos de vocês não estão dando conta? 


— Olha quem está falando; — Blásio bufou — o cabaço da Sonserina.


Theodore semicerrou os olhos sem se deixar abalar enquanto seus amigos riam. 


— Perguntem à Daphne se eu sou mesmo o cabaço da Sonserina.


Os risos cessaram de imediato. 


— Vai nos dizer que pegou a Greengrass? — Blásio parecia cético.


— Não só peguei, meu caro amigo, como usei e abusei da loirinha. — Nott sorriu com malícia.


— Quer aplausos e um biscoitinho? — Draco zombou. 


— Você quer? — Theo devolveu arrancando mais risos do loiro, que lhe deu às costas e largou-se de novo em sua cama. — Ou transar com a Granger não vale uma guloseima? 


Draco engasgou e se ergueu na cama tossindo e grunhindo ao mesmo tempo. Pôde ouvir os amigos rindo acima do zumbido em seus ouvidos pelo ar preso em seus pulmões e quis azara-los por isso. 


— Quem disse que eu e ela … — Draco começou a chiar quando se recuperou, porém, não conseguiu completar a frase. Era extremamente condenável e insólito que qualquer sinônimo de sexo pudesse coexistir entre o “eu e ela” ainda que se tratasse apenas de uma frase. — Vão dormir seus imbecis. 


Dito isto, Draco seguiu seu próprio comando - não à risca, é claro. Fechou a cortina ao redor do dossel de sua cama e lançou um Abaffiato para não ter de escutar os dois e suas conversas estúpidas. Esticou-se na cama e colocou o antebraço da marca sobre os olhos deixando os pensamentos voarem longe. Estremeceu, ainda com o eco da voz de seu pai em sua cabeça, essa se sobrepondo à bobagem que Theodore havia insinuado. Pensar em ambas as coisas - Granger e a possibilidade de ser pego - trouxe o seu companheiro diário novamente para a sua cama: o medo. Medo de sua tentativa com o Colar de Opalas levar ele e sua mãe à morte; medo de Hermione perceber o quão indigno de sua amizade ele é. 


O medo deixava-o cego. 


Tire a visão de um homem e não lhe sobrará nada - não a visão externa, mas a moral; aquela que vem da alma; que traz à tona a compaixão para com o próximo. Era essa que corria sérios riscos de ser arruinada para sempre! 


08 de Dezembro de 1996.


— Madame Pince?


A bruxa, a qual estava lendo um livro e bebericando em uma xícara, ergueu o rosto que esteve encoberto por seu enorme e costumeiro chapéu e pairou seu olhar sempre desconfiado sobre ele.


— Em que posso ser útil? — Ela quis saber. 


— Hm, eu … — Draco hesitou — Queria saber se aqui tem algum livro de um homem chamado Shakespeare … Se não me engano é este o nome, ele é … Trouxa. 


Madame Pince ergueu as sobrancelhas parecendo surpresa, se pelo livro que procurava ser de um autor trouxa ou por ser ele quem o estava procurando, ele não sabia dizer. 


— Temos um acervo inteiro dedicado à autores Trouxas. — Ela indicou com seu espanador uma estante ao lado da Sessão Reservada. — Algum título em especial? 


— Na verdade, não. — Ele uniu as sobrancelhas — Obrigado, eu vou procurar. 


Não demorou para achar as obras de Shakespeare, eram os primeiros na Sessão Trouxa. Correu os olhos pelos títulos das lombadas, incomuns a ele, como: Hamlet, Otelo, o Mouro de Veneza, e Romeu & Julieta. Pegou esse último e o virou em suas mãos; o livro estava bastante surrado comparado aos outros, claramente por ter sido lido e relido por diversas vezes! Curioso - principalmente em relação ao subtítulo que era “do ódio ao amor” - resolveu levar aquele. 


. . .


Domingos eram abomináveis para Draco. Sem as aulas ele sabia que era seu dever se dedicar unicamente à sua missão. Contudo, lá estava ele na Torre de Astronomia, adiando o inevitável como sempre! As primeiras partículas de neve começaram a cair do céu, os raios do sol ao qual se erguia lentamente no horizonte contrastando com o clima gélido e pesado. Pelos cálculos dele, o almoço devia estar sendo servido no Salão Principal. Ele não queria comer, tampouco queria ter de encarar as especulações dos colegas sobre o ocorrido em Hogsmeade. 


Tentava reunir um pouco de coragem para procurar Hermione. Não para pedir desculpas, acaso alguém deve se desculpar por sua sinceridade? Pela perspectiva dele, não. Mas queria e - ainda era deplorável admitir - precisava conversar com ela. Pelo bem da sua sanidade, é claro. Ela tinha o incrível poder de direcionar os seus pensamentos para coisas leves e banais, e isso para ele era como recuperar o fôlego. Tirou a mochila do ombro e abriu, correu os olhos pelos dois livros lá dentro: Romeu & Julieta e Reparo Com As Trevas - o último lhe sendo bastante útil para o concerto do armário sumidouro. 


— Eu sabia que você estaria aqui. 


Draco ergueu seus olhos cinzas e se deparou com Hermione contornando o Sistema Solar e indo até ele. 


— Você sempre sabe tudo. — Ele franziu o cenho ligeiramente quando ela o alcançou e sentou-se defronte a ele no chão. 


— Que cara é essa? 


— Pensei que estivesse com raiva. 


Ela arqueou a sobrancelha por alguns segundos e logo seu rosto se encheu de compreensão, suas bochechas corando um pouco quando um suspiro escapou por seus lábios.


— Eu devo desculpas a você. — Ela disse, surpreendendo-no. — Às vezes sou um pouco impulsiva e … Bom, não posso mudar as suas verdades ou — Draco a chamou pelo nome, tentando dizer que não era necessário, mas ela não o ouviu e prosseguiu tagarelando —, ter raiva das suas opiniões apenas por serem contrárias às minhas, se quisermos que essa amiz …


— Hermione?! — Ele ergueu a voz para que se sobrepusesse a dela, enfim calando-a. — Não precisa se desculpar, eu não quis ofender você e … Eu que devo desculpas por isso. 


— Draco Malfoy está se disculpando? — Hermione não pôde deixar de ironizar, risonha. 


Draco levou a mão ao rosto cobrindo os olhos e deixando o polegar e o indicador sob as têmporas. Mais uma vez ele estava cedendo para ela, deixando de lado seus princípios e indo ao avesso de seus próprios pensamentos. Deixou um riso incrédulo sair de sua boca, com a impressão de que seu cérebro não funcionava direito quando estava com ela. 


— Estou tão surpreso quanto você, Granger. — Ele abaixou a mão e um sorriso travesso rasgava o rosto dela, esse chamando o seu próprio, ao qual ele não resistiu. Então algo ocorreu a Draco e unindo as sobrancelhas ele emendou: — Não devia estar no Salão com os sanguessugas dos seus amigos? 


— Essa questão serve para você também. — Ela replicou com louvor.


— Estou sem fome. — Disse ele simplesmente. Não era uma mentira, ele apenas omitira o resto de suas razões. — E você? 


— Harry estava me deixando maluca. Eu precisava me distanciar um pouco e pensar … — Ela suspirou e desviou os olhos dos dele para a neve que caía do céu. 


Seu estômago revirou de nervosismo, de algum modo ele soube que chegara a hora de conversar sobre Hogsmeade e a colega de casa dela. 


— Vou querer saber o porquê? — Ele murmurou com acidez. 


— Talvez você saiba. — Ela retornou suas orbes âmbar para ele, fixando o olhar em suas íris de chuva.


— Posso imaginar. — Draco sustentou o olhar dela, contendo a necessidade culposa de engolir a seco. 


— Harry está convencido de que você está por trás do que aconteceu com Katie Bell. 


— Potter e sua obsessão por mim. — Draco bufou com desdém, fazendo pouco caso — Ele é virgem, não é? Ou isso, ou não é chegado em mulher. Já que ele não tem nada melhor com o que ocupar a língua! 


— Pare de ser ridículo. — Hermione o censurou. 


— Você concorda com ele? 


Após um breve período de silêncio ela umedeceu os lábios e respondeu:


— Não.


— Você hesitou. — Draco acusou semicerrando os olhos.


— Eu disse a ele que era improvável. Que você esteve comigo o tempo todo e ...


— Isso não é verdade. — Ele a cortou. 


— Eu sei que não é.


— Mas? — Ele incitou, sabendo que havia um “mas” implícito ali.


— Estou dando a você o benefício da dúvida.


Draco segurou um suspiro. Ele não sabia, até se aproximar dela, que era possível ter sentimentos divergentes com a mesma intensidade e o pior: ao mesmo tempo! Sentia alívio por ela ter decidido confiar nele - embora ele não tivesse negado ou afirmado nada -, e culpa, exatamente pelo mesmo motivo.


— Basta para você? — Ele abusou de sua súbita sorte, com um quê de sarcasmo na voz. — Sem perguntas e provas?


— É necessário? — Ela indagou, erguendo as sobrancelhas.


— Não. — Draco esticou a palavra, fazendo-a soar duvidosa.


— Não faça eu me arrepender. — Hermione o encarou com a seriedade de suas palavras.


A cor dos olhos dela, ele percebeu, se alternavam com o clima. Estavam mais escuros, parecendo líquido, deixando-o imerso durante os segundos em que se encaravam. Fez com que se lembrasse de coisas quentes, como: chocolate quente e cobertor. Culpa da neve e do vento cortante assobiando em seus ouvidos. O silêncio não era constrangedor, nem desconfortável, mas algo disse à ele que era melhor para os dois que se ocupassem com palavras. 


— Quero te mostrar uma coisa. — Draco anunciou levando a mão para dentro da mochila aberta em seu colo e pescando o livro de Shakespeare. 


Em seguida ele o estendeu para Hermione, a qual estava com os lábios franzidos de ansiedade. Ela o pegou com rapidez, os olhos se arregalando de entusiasmo ao reconhecer a história. 


— Você leu? 


— Ainda não. — Ele deu um meio sorriso, divertindo-se com a euforia dela diante do livro. — Mas vou ler, assim que tiver um tempo.


— Fez isso porquê? — Indagou Hermione de repente. 


A questão era simples, porém o pegou desprevenido. Como responder algo que não se sabe explicar? 


— Você me deixou curioso, Granger — Ele respondeu com um dar de ombros.


— Falando em curiosidade, — Ela semicerrou os olhos — no Três Vassouras você pediu para que eu te contasse alguma coisa sobre mim que você não soubesse … — Draco assentiu com a cabeça, incentivando-a a prosseguir — Aquela conversa era válida para você também?


Draco umedeceu os lábios sabendo exatamente o que ela queria dizer. Todavia, aquela não era uma conversa segura para ambos em relação às coisas que ela não sabia sobre ele. 


— Quer que eu diga algo sobre mim que você não saiba? 


— Razoável. — Ela aquiesceu desafiando-o com seu sorriso travesso.


Draco viu naquele sorriso a brecha ideal para provocar-la e resolveu apelar para a malícia. Era sem dúvidas demasiado sagaz quando se tratava de deixá-la vermelha e sem palavras. Além de o livrar de um possível papo sério - às vezes estava tão engasgado com o mundo que tinha medo de acabar se abrindo com ela sobre coisas que não queria e não devia -, a timidez dela renderia a ele boas risadas. Ele se inclinou como quem vai dizer um segredo, seus rostos há poucos centímetros de distância. Percebeu que o corpo dela pareceu paralisar com a proximidade e não pôde controlar o seu próprio quando um arrepio subiu por sua espinha. Ignorando os efeitos de estar tão perto, se concentrou em desconcerta-la. Olhou em seus olhos de chocolate e usando sua melhor voz de canalha, sussurrou:


— Eu sou bom pra caralho na cama.


Hermione retesou, seus olhos cresceram e ela corou com a resposta inesperada, arrancando de Draco uma risada de pura diversão. Contudo, o riso dele acendeu nela a chama da réplica. Ela se inclinou para ele novamente e debochada alfinetou: 


— Dormindo, né? 


Por essa ele não esperava e sua risada cessou, dando início a risada dela. Mas Draco era rápido.


— Fodendo. 


Ela se calou. Seu rosto mudou de cor, quase tão vermelho como o cachecol que usava. Draco retesou o corpo com um sorriso de zombaria nos lábios e erguendo as mãos como quem se rende, disse:


— Você quem quis saber. 


— Não havia um modo menos … — Ela fez uma pausa em seu resmungo, procurando uma palavra — Explícito de me dizer isso?


Draco riu pelo nariz e balançou a cabeça em negação, ganhando em resposta um muxoxo incoerente de Hermione.


— Pra que pudor, Granger? Somos amigos, não somos?


Era a primeira vez que ele saboreava a palavra “amigos” referindo-se à ela. 


— Somos. — Hermione deu um meio sorriso, cedendo.


— E não é como se fossemos criancinhas inexperientes. 


— Tudo bem, você tem razão. — Ela mordeu o lábio inferior, parecendo pensativa.


Draco a observou por alguns segundos e por pouco não deu voz às suas dúvidas. Chegou a conclusão de que ela ainda não estava disposta a ter aquele tipo de conversa com ele. Sem querer, se pegou pensando sobre a vida sexual dela - sé que ela havia de ter uma. Seus olhos vagaram para as pernas de Hermione e seguiram por toda extensão das coxas até o que se escondia ao meio de seu moletom - largo demais na opinião dele, mas que ainda assim conseguiu acelerar seus batimentos. Desviou seus olhos cinzas rapidamente, segurando um pigarro e torcendo para que não tivesse sido flagrado por ela. Graças a Salazar ela encarava o lado oposto ao que ele estava, e só então ele se deu conta de que esteve segurando o ar que saía de seus pulmões. 


— Mudando de assunto, — Hermione voltou-se para ele, ao qual se apressou em demonstrar serenidade — soube da festa de natal do Professor Horácio?


Nada sútil. 


— Posso ter ouvido alguma coisa assim … — Ele respondeu com um dar de ombros, lembrando-se vagamente de Zabini ter comentado sobre a seletiva ocasião. — Vocês podem levar alguém, não é isso?


— Basicamente. — Ela concordou.


— Imagino que vá convidar o Weasel. — Draco predisse com escárnio.


— Na verdade eu pensei em convidar em você. 


Draco abriu a boca para falar e a fechou em seguida. Surpreso e sem saber o que dizer ou pensar, limitou-se a arquear a sobrancelha.


— Somos amigos, não somos? — Ela devolveu com um sorriso pidão. 


— Se eu estiver livre ... — Draco sorriu travesso. 


. . .


Malfoy adentrou a Sala Precisa tendo em suas mãos uma maçã verde - que Hermione teimosamente colocara em sua mochila há alguns minutos atrás quando estavam na cozinha -, a qual vez ou outra ele lançava para o ar apenas para pegar de novo em sua queda. Parou defronte ao armário sumidouro e o abriu devagar como se o mesmo escondesse um monstro terrível - era uma hipótese possível. O costumeiro rangido da madeira velha enviou arrepios por seu corpo. Draco inspirou e expirou. Com uma última olhada para a fruta a colocou dentro do armário e o fechou com um baque surdo. Segurando em ambos os puxadores ele fechou os olhos, concentrando-se. 


— Harmonia Nectere Passus. 


Não houve resposta do armário, o silêncio predominava. 


— Harmonia Nectere Passus.


Nada de novo. Draco esperou um sinal, um ruído, qualquer coisa que indicasse que aquela droga estava funcionando. 


— Harmonia Nectere Passus! 


Então veio o indício. Um som semelhante à um sopro de ar no vácuo. Engolindo à seco sua covardia, Draco abriu o armário mais uma vez e o viu vazio. Fechou-o com rapidez, a respiração presa no tórax. Deixou-se escorregar para o chão, suas mãos dispararam para seu cabelo, puxando os fios em descontrole. Ter o armário funcionando trazia uma compreensão assombrosa para ele. Fechou seus olhos desejando que não se abrissem nunca mais.


Quando abriu os olhos se deparou com um par de pernas. Subiu o olhar devagar, demorando-se em alguns lugares até chegar aos olhos dela.


— O que você tá fazendo aqui? — Sua voz tremeu. 


— Eu o segui. 


Antes que Draco pudesse verbalizar qualquer coisa, Hermione passou uma perna de cada lado das pernas dobradas dele e desceu para seu colo. Cada molécula de seu corpo respondeu rápido ao corpo dela. Ela o envolveu pelo pescoço com os braços e um tremor involuntário percorreu o corpo do loiro. Com os olhos dela fixos no seus e faiscando de um modo desconhecido, Draco quase não conseguiu achar sua voz.


— Porque, Granger? — As palavras falharam e ele teve de pigarrear.


— Você me deixou curiosa … — Ela repetiu o que ele dissera à ela sobre o livro de Shakespeare há algumas horas atrás.


Teu hálito quente soprando e aquecendo seu rosto gelado. Draco umedeceu os lábios e cerrou os punhos, não queria ceder à vontade que queimava dentro dele de segurá-la pelo quadril. 


Era Hermione Granger ali, testando sua sanidade.


Ele abriu a boca para dizer alguma coisa que não se lembraria mais tarde. Pelo menos não depois do que ela fizera. Sem aviso ela chocou sua boca na dele, puxando seu lábio inferior com uma sensualidade que ele nunca imaginou que ela pudesse ter.  


Com um suspiro sôfrego, Draco se rendeu.


As mãos dele se agarraram a base das costas dela como se ele estivesse se agarrando à vida. Ignorando o fato de que nos últimos meses ele não tivera motivos relevantes para seguir com a mesma. Suas bocas se moviam em sincronia, os narizes se chocando a cada virada de rosto, o modo como ela se movimentava em cima dele era quase depravado. Deliciosamente depravado. Extasiado, quando o ar se fez necessário, Draco desceu sua boca para a clavícula dela, chupando e mordiscando a pele alva. Os dedos dela se enroscaram nos botões da camisa de Draco, abrindo-os com destreza. Percebendo o que ela queria, ele se livrou da camisa com um puxão e logo passou as mãos hábeis de apanhador para o suéter dela, puxando-o para cima e arrancando-o. Jogou a peça de roupa por cima do ombro e apressou-se em colocar as mãos na bunda dela, pressionando seus sexos. Ele estava perdendo o controle, e não estava dando à mínima para isso. 


Então um sopro conhecido aos seus ouvidos soou às suas costas, vindo do armário sumidouro. Suas íris cinzas se arregalaram e Draco levantou num pulo. Havia pegado no sono e sonhado com … Não, ele não se atrevia a relembrar a cena. A culpa era de Theo e Blás, ou dele mesmo por ter levantado o assunto logo com ela! Chiando um palavrão, Draco esfregou o rosto com as mãos transtornado e virou-se para conferir se o armário havia mesmo feito o ruído ou se fôra apenas seu subconsciente desenfreado. Contudo, quando o abriu lá estava a maçã verde.


— Pare de ser covarde. — Murmurou para si mesmo.


Sendo assim, esticou sua mão e pegou a fruta girando-a em seus dedos, essa agora contendo uma enorme mordida.



All these voices in my head get loud

I wish that I could shut them out

I'm sorry that I let you down



Notas Finais


JUST A DREAM! RESPIREM HAHAHAHA

-
A música é Let You Down do NF. Segura o trecho traduzido:

Todas essas vozes na minha cabeça são altas
Eu queria que eu pudesse exclui-las
Me desculpe por ter te decepcionado

-

OBRIGADA, MUITO OBRIGADA PELOS FAVORITOS E COMENTÁRIOS! Responderei à todos assim que eu tiver um tempinho - vida de mamãe rs. ❤

Espero que tenham gostado, até o próximo capítulo ❤

PS - GENTE PRA QUEM LEU ONTEM - 11/11 Eu sem querer errei a letra da música, na verdade troquei rs. Porém, acabo de corrigir esse pequeno errinho, sorry.


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