1. Spirit Fanfics >
  2. Escolhidos >
  3. 2- Quem procura encontra.

História Escolhidos - Capítulo 4


Escrita por:


Capítulo 4 - 2- Quem procura encontra.


A noite chegou rápido, com seu manto escuro cobrindo toda a cidade. Jungkook já se encontrava no quarto apertado que dividia com Yugyeom. Separava um pijama calmamente enquanto repassava os detalhes de como fugiria do abrigo sem ser notado, talvez com muito esforço Yug lhe desse cobertura, mas ainda teria outros tantos olhos curiosos o seguindo pelos corredores, fora a senhora Park que com sua visão de águia não deixava nada passar.

Seria difícil, ele ainda ponderava se aquilo era real ou alguma pegadinha para fazê-lo se dar mal. Mas como era um curioso ele iria até a escola. Poderia esperar até a manhã seguinte? Sim. Mas de forma alguma iriam deixar alguém entrar na sala número 301. Alguém havia morrido ali, e mesmo que a polícia tenha considerado um simples suicídio a escola havia interditado o local. Portanto só lhe restava a opção de fugir do abrigo.

Andou pelo corredor da ala norte, haviam quatro alas no total, a ala sul abrigava os que tinham entre dez e doze anos, a leste os que tinham de doze a catorze, a oeste os que tinham entre catorze e dezesseis e por último a ala norte, de dezesseis a dezenove. Em cada ala havia apenas um corredor com seis quartos em cada. No final de cada corredor havia um banheiro com três cabines e mesmo número de pias. O que significava que sempre tinha alguma fila nos horários de pico. O abrigo poderia ser considerado um orfanato, se não fosse pelo fato que quase nunca aparecia alguém em busca de filhos homens com mais de dez anos. Era um fenômeno extremamente raro, embora o próprio Jeon já tivesse sido requisitado para a adoção, porém Dahee jamais deixou alguém leva-lo.

O moreno alto continuou caminhando calmamente até o final do corredor, sua expressão era leve sendo o completo oposto da bagunça que estava por dentro. Apesar de tudo que as pessoas falavam sobre si, Jungkook dificilmente quebrava regras ou leis. Portanto se encontrava nervoso por ter que fugir do abrigo a noite. Entrou no banheiro já se direcionando a cabine mais próxima. Àquela hora a maioria já tinha tomado banho e relaxavam na sala comunitária. Jungkook sempre tomava banho depois de todos, assim evitava ter que ouvir piadinhas dos mais velhos ou até mesmo olhares de medo dos mais novos.

O nervosismo começou a aflorar em si no momento que tirou suas roupas e entrou embaixo do jato de água morna, se deu conta que não tinha pensado ainda em como distrairia o guarda da escola, se ele fosse pego certamente seria interrogado e não tinha argumentos válidos, o que faria? Iria mostrar o bilhete que encontrou no cemitério? Não, ninguém acreditaria em si e ele voltaria a frequentar o psiquiatra que lhe receitaria aqueles remédios terríveis. Balançou a cabeça para tentar não surtar com o medo iminente que se apoderou de si, daria um jeito na hora, Jeon poderia não ter muitas coisas como uma família ou amigos, mas ele possuía sorte e iria usá-la ao seu favor nesta madrugada.

������������

- É só você fechar a porta e fingir que eu ainda estou dormindo no beliche, não vou demorar. - Jungkook pedia com seus grandes olhos brilhantes, Yugyeom não conseguia negar nada para ele quando fazia isso.

- Tá', mas o que eu ganho com isso?

- O que você quiser, por favor me ajuda! - Jeon poderia soar até desesperado, mas ele precisava mesmo do apoio do colega de quarto.

- Eu quero saber o porquê de você querer tanto fugir hoje, arrumou uma namorada Jungkook? Passou hoje o dia fora e não foi suficiente? - Um sorrisinho safado bordou os lábios do garoto mais alto.

Jungkook baixou a cabeça num misto de vergonha e tristeza.

- Nada disso, eu não tenho namorada. Eu preciso sair por um motivo pessoal.

- Ui, ele tá' cheio de segredinhos. - Ele balançou os dedos como se fosse fazer cócegas em Jungkook, mas rapidamente guardou as mãos nos bolsos das calças e adotou uma postura mais séria. - Eu ajudo você Jeon, mas vai ficar me devendo uma.

A verdade era que o Kim não odiava Jungkook, pelo contrário, gostava muito da companhia do garoto quieto e carente. Por muitas vezes tentou se aproximar dele, mas Jeon sempre tomava uma posição defensiva, como se Yugyeom fosse uma ameaça iminente. Portanto agora viviam uma relação pacífica de colegas de quarto que de vez em quando trocam favores. Yug observou o moreno virar as costas para si e vestir um conjunto de moletom por cima do pijama, riu baixinho quando notou que um pedaço do tecido ficou aparecendo sob o casaco, um contraste entre a estampas de luas e o preto absoluto.

Em seguida ele ajudou Jeon a fazer uma espécie de corpo de pano para pôr embaixo das cobertas, Jungkook dormia na parte de cima do beliche então seria mais fácil enganar a senhora Dahee ou qualquer outro engraçadinho que resolvesse invadir o quarto dos dois.

Quando bateu meia-noite e todo o abrigo ficou silencioso Jungkook pulou a janela do quarto, se esgueirou entre as arvores e plantas do pátio até chegar no portão alto. Subiu com uma habilidade extrema, talvez o corpo atlético servisse para outra coisa além de ser bonito. Seu coração estava acelerado, a adrenalina percorria seu corpo num fluxo exagerado. Suor pingava por sua têmpora indicando o claro nervosismo, porém, o medo de ser pego era engolido pela curiosidade.

Já na rua fez questão de correr, seguiu pela escuridão, evitando postes de luz ou casas, não queria ser abordado na rua por policiais que faziam a ronda. A escola não ficava longe do abrigo, logo estava de frente para a parte mais baixa do muro. Teve mais dificuldade desta vez, mas pulou para dentro e correu até a portinhola que dava para os fundos da biblioteca. Ninguém usava aquela porta, servia apenas para deixar mais claridade invadir o espaço, a tranca estava tão velha que não teve dificuldades para quebrá-la com um único golpe.

Invadiu o espaço de estantes abarrotadas de livros, tomou cuidado para ser silencioso, abriu a porta de correr da biblioteca e deu para o curto corredor que ligava as escadas. Agora sentia as mãos tremendo, não poderia dar sequer um passo em falso. O guarda possivelmente dormia numa sala do segundo andar, local que dava vista para a entrada principal. Mas ele tinha um sono leve, qualquer movimento suspeito e Jungkook estava pego.

Decidido, Jeon subiu até o quarto andar, tão rápido como num piscar de olhos. O vento adentrava com mais intensidade o corredor da sala 301. O frio estranho tocava sem delicadeza a pele exposta do invasor. Ele puxou mais o capuz, como para esquentar melhor seu rosto. A mão direita tocou a maçaneta e ele entrou. As classes ainda estavam do mesmo jeito que no dia do acidente, algumas reviradas e o quadro ainda tinha algumas coisas escritas por um canetão preto.

A sensação ruim não saia do peito dele, como uma premonição de que algo ruim estava próximo a acontecer.

Uma voz ressoava distante em sua mente, um pedido quase desesperado.

"Volte Jungkook, esqueça isso e volte."

Mas o jovem era determinado, ignorou os pedidos de sua mente perturbada.

Dirigiu-se até a carteira número sete, quase poderia ver o amigo sentado ali, tão próximo da janela, era uma ironia do destino que tivesse morrido através dela.

Pôs a mão embaixo da classe, a princípio não sentiu nada, mas ao procurar melhor esbarrou em um envelope, estava colado com fita barata contra a madeira. A cor era verde, a cor favorita do melhor amigo.

Jeon abriu rapidamente descobrindo que dentro dele havia uma espécie de mapa.

Manuscrito no papel levemente borrado haviam locais marcados com uma canetinha vermelha.

O nervosismo de Taehyung era visível até em sua forma de escrever, que sempre fora tão delicada, desta vez estava mal escrito como se tivesse apressado, havia acalcado o lápis quase que rasgando o papel como quem tem medo de algo que o persegue. Poderia dizer que não era a letra do amigo, mas Jungkook poucas vezes teve a oportunidade de contemplar a letra de Tae. Eram mais apegados ao contato real do que a papéis manuscritos. Decidido a ler na surdina de seu quarto ele guardou a carta esverdeada no bolso do moletom.

Jungkook saiu pelo corredor vagarosamente tentando fazer o máximo de silêncio, observou a noite pelas janelas envidraçadas, os céus pareciam prestes a derrubar uma intensa chuva sobre Busan. As estrelas sequer apareciam.

Quando já estava chegando próximo a escada ouviu passos o seguindo, desajeitado ele entrou no primeiro cômodo que encontrou, era o banheiro, ele se escondeu na última cabine que era usada para guardar materiais de limpeza e trancou a porta.

Alguém entrou no banheiro, ele podia ouvir o barulho das portas batendo contra a parede. O guarda sabia que Jungkook estava ali.

Apavorado ele olhou para a janela pequena ao seu lado, talvez com pouco impulso poderia subir nela, mas não sabia se conseguiria passar.

O desespero o atingiu quando a porta ao lado foi escancarada. Não poderia ser pego pelo guarda de forma alguma, senhora Park certamente o proibiria até de visitar Ahra, sequer conseguia imaginar o inferno que viveria se ela descobrisse.

Sua mão tremia quando tocou a maçaneta gelada, os pelos de seu braço arrepiando com o choque térmico do corpo quente com o material gélido.

Abriu e pulou. Sequer mediu se daquela distância poderia cair na grama macia ou direto no concreto, mas estava tão assustado que nem pensou na hora.

Caiu sobre os galhos de um carvalho, e pode ouvir o exato momento que a última porta foi aberta. Agradeceu baixinho por ter caído sobre a arvore e não direto no piso concretado que poderia levá-lo a ter mesma morte de Tae.

Se escondeu entre os galhos e pode ver quando o suspeito espreitou pela janela, um vulto de capuz preto, o sujeito não o viu mas lançou um sorriso completamente psicopata. Claramente aquele não era o guarda. E isso foi o que mais o assustou.

Kook pensou que pudesse estar louco, mas a aura em torno daquele ser não era humana, era escura e assustadora, ele sabia que havia fugido, mas algo no seu íntimo dizia que não era a primeira vez e nem seria a última que veria aquela coisa. Por um instante considerou o fato de Tae realmente não ter suicidado, ele sabia que seu amigo jamais faria algo daquilo, sabia o quanto o jovem repugnava a ideia de perder sua vida para tão pouco, quem dirá ser ele próprio a fazer isso. Jungkook sabia que Kim Taehyung foi obrigado por algum tipo de instinto que definitivamente não lhe pertencia.

Ele decidiu naquele momento que descobriria a verdadeira causa da morte de seu amigo, poderiam as autoridades não irem a fundo nas investigações, mas ele jamais deixaria seu amigo ser morto e não ter a dignidade de ver seu agressor preso. Que fosse um espírito maligno ou apenas uma pessoa muito maldosa, deveria pagar pelo que fez.

A escola até então escura, de repente tornou-se clara como o dia. Aparentemente o guarda acordou com o barulho dos invasores, e sem hesitar ligou todas as luzes que clarearam o pátio.

Tomado por uma adrenalina surreal Jungkook correu, pulou o muro com rapidez e acabou rasgando a parte do pijama que havia ficado para fora do moletom. Com pressa deixou que o pequeno tecido ficasse balançando com o vento, preso em um arame do muro.

As gotas fortes de uma chuva inesperada começaram a despencar sobre ele.

Correndo em direção ao orfanato enquanto tentava desviar das gotas pesadas sequer olhou antes de atravessar a rua.

Ele só não esperava que um carro estivesse vindo em sua direção.

Primeiro veio o impacto, e ele sequer sentiu dor com tanta adrenalina no corpo.

Em seguida o baque que seu corpo fez de encontro ao chão.

A última coisa que sua visão borrada viu foi um homem desesperado indo em sua direção.

E depois só o escuro lhe fez companhia.

������������
 

"Você já sabia que isso viria a acontecer uma hora ou outra, e o momento chegou!"

"Não! Eu não vou deixar levarem o meu filho, não importa quem eles sejam, Seokjin não vai.

" Seja compreensiva filha, os dons de Jin são uma dádiva, o Senhor escolheu nossa família para trazer a vida uma pessoa tão poderosa."

Seokjin pensou estar sonhando, mas aos poucos foi recobrando a consciência se dando conta de que aquelas vozes baixas pertenciam a sua mãe e avó. Não sabia sobre o que falavam, mas sua intuição apontava que era sobre ele. Era madrugada, e as duas estavam discutindo pela casa.

Escutou os passos se aproximarem de seu quarto e fingiu que ainda dormia.

- Veja mãe, se não contarmos ele jamais vai saber. Ele não tem a obrigação de ir se não souber de nada. - A mulher de cabelos escuros tentava de toda forma convencer a senhora idosa ao seu lado.

Jin acabou sendo traído por seu próprio corpo, lentamente caiu novamente no sono, sem ter a chance de questionar a mãe e a avó.

Seu corpo foi transportado para o mundo dos sonhos e quando se deu conta estava em um ambiente desconhecido por si.

O chão era coberto de ladrilhos que juntos formavam desenhos no chão. As paredes eram de tons claros, com algumas falhas na pintura. Grandes janelas sem grade completavam a obra.

Seokjin tocava aquele piso avermelhado pela primeira vez, seus pés estavam descalços lhe dando uma prova da textura do chão.

Se viu perdido naquele imenso corredor e entrou na primeira porta que enxergou, entalhado na madeira acima da porta estava o número 301. Havia um quadro branco e classes alinhadas, supôs que estava em uma escola.

Porém, o que mais chamou sua atenção estava na janela, de costas para si. Era um garoto, alto e de cabelos em um tom claro, de silhueta magra. Ele parecia pronto para realizar seu ato, atirar-se da janela.

Ele olhou para trás, sua expressão era de dor, e apesar de seus olhos estarem inchados e com grossas lágrimas escorrendo por suas bochechas bronzeadas ele era muito bonito, os cabelos estavam levemente grudados na testa por conta do suor.

Jin se aproximou cautelosamente do garoto, as mãos suavam e o coração parecia querer fugir de sua caixa torácica. O garoto bonito ainda o olhava com seus olhos lacrimejantes, ele moveu os lábios sibilando uma única frase e em seguida retirou a própria vida, jogando-se pela janela.

Apavorado ele correu até a janela, primeiro ele enxergou o garoto suicida caído de frente na calçada, sangue escorria em abundância de sua cabeça, e depois ele percebeu a presença de um ser com grandes asas pretas que estava ajoelhado ao lado do corpo, e para o total pavor de Jin o ser com asas era estupidamente idêntico ao morto no chão.

Jin gritou alto, tão alto que acabou acordando, estava apavorado, o coração estava a mil e as roupas grudavam no corpo de tanto suor.

Em sua mente apenas uma frase se tornou nítida: 
"Pergunte a Kim Hayun "


Notas Finais


Oioioi

Demorei mas chegueiii.

Logo todas os segredos serão desvendados, no próximo capítulo vamos conhecer mais personagens. <3

Bjooos


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...