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História Escudo de fogo (RivaMika) - Capítulo 11


Escrita por: Livy_s

Notas do Autor


Cheguei com mais um capítulo e admito que tô nervosa pra caramba sobre o que vocês vão achar e a partir de agora a história começa a ganhar velocidade e tem muita coisa ainda para acontecer. Teremos novos personagens daqui pra frente também.

OBS: Pode conter gatilhos para estupro.

Acho que é isso, vamos lá.

Capítulo 11 - Revelações.


 Levi abriu os olhos e sentiu sua garganta queimar. Tentou mover os braços, mas suas articulações pareciam enferrujadas e sua cabeça doía tanto que parecia que poderia explodir.

— Finalmente acordou — Uma voz grave preencheu o recinto — Realmente achei que não fosse sobreviver.

 Levi forçou os olhos e tentou identificar de onde aquele som vinha. Apoiou os braços na cama e impulsionou o corpo tentando se levantar sem sucesso. Reprimiu um gemido de dor.

— Sou Erwin Smith — O homem tinha uma voz grave e calorosa — Podemos nos conhecer melhor depois. Há uma pessoa que gostaria de falar com você agora.

 Forçou sua mente para se lembrar dos últimos acontecimentos e uma onda de choque passou por seu corpo, deixando-o gelado. Lembrava-se vagamente da luta patética e de como foi esmagado como um simples rato. Suspirou fundo. Juntando toda a sua força conseguiu se levantar e ainda ofegante se apoiar contra a parede, ainda sentado. Estava em uma pequena cabana de madeira aquecida por uma lareira. A porta estava aberta por onde o homem havia saído. Tocou seu próprio rosto e para seu espanto percebeu que alguns fios de barba começavam a crescer em seu rosto. Tinha os braços e pernas enfaixados com bandagens e o calor familiar do relógio que carregava em seu peito havia sumido.

— Procurando isso? — Carla entrou no quarto segurando o relógio que havia lhe entregado.

— Por que... — Tentou verbalizar mas sua voz parecia estranha, como se não tivesse sido usada a algum tempo.

— Estou com isso porque é meu — A mulher tinha olheiras profundas e olhos cansados, apesar de sua postura altiva — Foi o meu presente para você — Ela se sentou na cama devagar, parecia estar com medo de que Levi tentasse fugir — E foi ele que salvou sua vida.

Relutante a rainha tocou as mãos do garoto e uma onda de imagens, ou melhor, memórias, tomaram conta da mente de Levi. 

 

Flashback on:

 A rainha tinha os olhos marejados e fitava com adoração o pequeno embrulho em seus braços. Era um menino. Havia tido um parto difícil e muito provavelmente teria padecido não fossem as parteiras que correram apressadas para atender um pedido expresso do rei. Carla estava feliz agora que seu filho e de Kenny estava ali, tão tranquilo, dormindo inocentemente entre seus braços.

— Querida, pode larga-lo no berço. Não vai acontecer nada com ele — Kenny passou os dedos pelos ombros da esposa carinhosamente.

— Tem razão — disse a morena enquanto soltava a criança e fitava os olhos do marido —Ninguém nunca será capaz de fazer mal a ele — Ela afirmou. 

 O nascimento do seu primeiro filho marcava o legado Ackerman e garantiria que a família reinasse pelos próximos anos, mas o rei Kenny permanecia atento pois o fato poderia tornar o casal real vítima de algum ataque. Eram tempos de guerra e desconfiava que um motim estava sendo armado. Por precaução Kenny garantiu que a gravidez de sua esposa e o nascimento do primeiro herdeiro permanecesse em total sigilo até que a garota marcada finalmente fosse nascida e escolhida.

 A Deusa Ymir foi clara ao conceder os poderes aos Marleyanos. Fogo e gelo. Fortes demais para habitarem o mesmo corpo. Somente os herdeiros de Marley possuíam um sangue tão puro que os tornava capazes de receber a marca da Deusa e a cada geração um casal era escolhido e marcado, fadados a suportar o peso de seus poderes. O homem que ousasse possuir ambos os poderes se transformariam também em um Deus, caso conseguisse resistir a fúria da Deusa quando os poderes fossem separados. Por gerações a marca foi passada e assim que os antigos portadores morressem mais dois eram escolhidos. E assim sucessivamente.

 Kenny garantiu que Levi fosse mantido em segurança e aos seus dois meses de idade foi escondido no pequeno vilarejo de Marley, temia que os homens infiltrados em seu castelo descobrissem a existência de um herdeiro. Quando Mikasa nasceu e foi escolhida como a marcada uma grande comoção ocorreu no castelo. Raros eram os casos em que o fogo vinha antes do gelo e rumores de um herdeiro escondido foram soprados aos quatros cantos do castelo.    Com o boato surgiu a chance de Grisha Yeager finalmente alcançar o poder. Com palavras bonitas e inspiradoras conseguiu vários aliados.

 Temendo pela vida do único filho, Kenny confiou a tarefa de levar o seu primogênito o mais longe que pudesse a seu fiel amigo Uri. E foi o que ele fez. A criança foi levada de seu berço durante a noite e na manhã seguinte os gritos histéricos da rainha podiam ser ouvidos a quilômetros de distância. Levi foi deixado em Paradis sob a tutela de seus dois melhores e mais bem confiáveis soldados. Ele teve uma família.

 Carla chorava todas as noites com a perspectiva de nunca mais ver os olhos azuis do filho que tanto amava. Passou a não se alimentar e nem sair da cama e em pouco tempo estava doente e acamada, pouco se esforçava para levantar-se e encarar de frente o mundo lá fora. O caos estava instaurado e Grisha estava ganhando cada vez mais poder, os boatos chegavam a cada vez mais bocas e muitos exigiam um posicionamento do rei.

 Kenny estava sentado, tomando chá, quando Grisha entrou naquela sala. Já havia conseguido a confiança dos guardas e teve livre acesso a sala do rei. Antes que Kenny pudesse sequer balbuciar uma frase teve sua cabeça arrancada brutalmente do corpo.

 Carla nem mesmo reagiu à notícia da morte do marido. A vida tinha se esvaído de seus olhos desde que seu filho sumira e a rainha permaneceu em seu quarto mesmo depois que Grisha fez daquele reino o seu próprio.

 Yeager fez seu legado ser construído a base de sangue e ossos e logo todo Marleyano o temia. A essa altura a marcada já tinha cerca de nove meses de idade e ainda não havia um filho com sangue real. O povo comentava. Grisha cogitou a ideia de arrumar uma prostituta que gerasse seu filho, mas sabia que a criança não seria forte o suficiente para aguentar a marca. Precisava de sangue real.

 A rainha Carla era sua única opção e tentou contato com ela várias vezes, sem sucesso. Ela passava os dias e noites trancada no quarto e criados linguarudos diziam por aí que ela passava horas olhando para o nada. Sem vida, era como a definiam.

 O pior dia da vida da rainha veio junto com seu segundo filho. Foi tomada a força e chorou com tanto desespero naquele dia, enquanto ainda segurava seu vestido manchado de sangue que pensou que desmoronaria ali mesmo. As marcas dos dedos rudes de Grisha pareciam queimar sua pele e ela soluçava desesperada enquanto esfregava o próprio corpo.

 Quando sentiu um movimento em sua barriga Carla pensou estar imaginando coisas. Aos poucos a protuberância em seu ventre aumentava e a cada enjoo ela se sentia um pouco mais viva. Grisha conversava com ela e tentava se aproximar, mas ela o odiava. Sempre odiou. No dia em que ganhou seu segundo filho jurou que nunca mais deixaria aquele homem toca-la. Ela esperaria, quantos anos fossem, mas o veria morrer. Nem que para isso tivesse que abrir mão da sua própria humanidade.

 Eren era uma gota de felicidade naquele mar de sofrimento. Carla teve que passar de uma princesa apaixonada a rainha em pouco tempo e logo em seguida teve tudo tirado de si. A vida e a crueldade do mundo a moldaram a mulher que era hoje.

 Conforme seu segundo filho crescia ela via o quão parecido, fisicamente, ele era consigo. Tinha os mesmos olhos e era determinado assim como ela, mas puxou a ambição de seu pai. Os anos se passaram e Eren se tornava cada dia mais agressivo, era rude e violento e reproduzia com satisfação as lições dadas pelo pai. Desde criança ele tinha um coração maldoso.

 Nessa época Mikasa tinha cinco anos, sendo pouco mais de um ano mais velha que Eren quando Carla finalmente tomou uma decisão. Havia se casado com Grisha depois de ganhar o bebê pois não suportaria a dor de ter seu segundo filho arrancado de seus braços. Aguentou tudo por ele. Mas agora era diferente.

 Os pais de Mikasa eram nobres e vivam perto do castelo e não entendiam o destino da filha. Movidos pela coragem aceitaram o convite pessoal da rainha e entenderam que se quisessem que sua menina sobrevivesse precisariam partir ainda aquela noite. Fugir. 

 Erwin Smith foi o homem que a ajudou. Carla não conhecia ninguém, fora dada em casamento ao príncipe Kenny antes mesmo de completar seus quatorze anos e não possuía aliados naquela terra. Mas Erwin, o capitão dos soldados do castelo sempre foi um homem de confiança do rei Kenny. E foi ele quem levou Mikasa para Paradis, junto de seus pais, e os escondeu. Após tanto tempo Carla finalmente havia feito um gesto de bondade.

* * *

 Levi abriu e fechou a boca várias vezes. Um sentimento de incredulidade e de revolta estampado em seu rosto. Fitou a mulher a sua frente. Ela não parecia emocionada em reencontrar o filho. Seu rosto parecia esculpido em mármore frio.

— Você quer dizer então que é minha mãe? — Perguntou — Que eu estou aqui ouvindo toda essa baboseira porque quer que eu acredite nessa merda toda?

Carla suspirou.

— Eu sou uma mulher moldada pelo sofrimento, Levi — Ela deu um sorriso triste — Pode não acreditar em mim, mas quando eu vi o seu rosto pela primeira vez tive certeza de quem você era. Você é igualzinho ao seu pai. E foi isso que fez com que Grisha o odiasse desde a primeira vez que te viu.

 Levi então lembrou-se de como os olhos de Carla sempre pareciam estuda-lo. Seus olhos eram afiados e gravavam cada detalhe, cada reação do próprio filho. Lembrou-se de quando salvou sua vida na clareira e da adaga cravejada que apareceu misteriosamente em sua cela. Adaga que entregara a Mikasa.

— Foi você? — Quase cuspiu — Você me deixou aquela adaga no dia da luta... — Os olhos azuis examinaram com atenção a expressão cansada da mais velha que apenas concordou com a cabeça.

— Eu também te dei isso — Carla fitou o cordão com o relógio, um presente precioso e perigoso na mesma medida.

— Por que?

— Foi isso que salvou a sua vida, filho — Ela tinha a voz triste — Eu sempre soube que você estava vivo. Não podia perder você novamente.

— Não me chame assim — Levi rosnou — Porque me queria vivo? Faço parte dos seus planos malditos? — Estava a ponto de explodir — Por que não deixou que aquele titã me esmagasse? Se realmente me amasse teria feito isso!

— Por favor não diga isso — Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas Carla não ousaria chorar, não na frente de outra pessoa. Passara anos demais segurando suas emoções e era orgulhosa o suficiente para se impedir de parecer vulnerável — Esse é um artefato precioso e Grisha não pode sonhar que esteve com você. É um amuleto da vida e foi ele quem o trouxe de volta — Disse estendendo o relógio para o garoto.

 Relutante segurou o metal frio entre seus dedos. Os detalhes em ouro e a corrente fina. Assustadoramente familiar. Observou os ponteiros e percebeu que marcavam seis e quarenta e cinco. Meia hora antes da luta começar. Lembrou-se de quando tocou aqueles ponteiros pensando ser a última vez.

— Já é madrugada — Declarou — Por que está parado nesse horário?

— O relógio sempre volta meia hora antes da morte daquele que o usa. Quando morreu naquele campo de batalha o relógio retrocedeu e permitiu que tivesse mais uma chance.

— E quanto a Mikasa? — Perguntou um pouco eufórico — Preciso ir atrás dela agora, não sei o que pode acontecer com ela depois do que fiz — Ele disse já passando a corrente do relógio pelo pescoço.

— Você não pode mais usá-lo — Se referia ao amuleto – É um tesouro amaldiçoado e, portanto, só funciona uma vez. Quando o ponteiro girar pela quarta vez será seu último dia entre nós. Quanto mais usar, mais rápido ele irá girar. É como uma armadilha.

 A compreensão caiu com um baque sobre as costas de Levi. Não poderia usar isso a seu favor, não era imortal. Salvar Mikasa tinha se tornado seu objetivo e essas pessoas só estavam o atrasando. Não ligava para o reino e muito menos para aquela mulher, queria pegar Mikasa e dar o fora daquele lugar. Ele nunca desistiria.

— O que aconteceu com ela?

— Com quem? — Carla parecia preocupada.

— Você sabe — Disse entredentes — Não respondeu minha pergunta.

— É um assunto delicado — A rainha respondeu de forma sucinta — Preciso ir agora. Podem me encontrar aqui.

— Fale — Ordenou — Se realmente é minha mãe, diga o que aconteceu com Mikasa — A palavra mãe deixou um gosto amargo em seus lábios.

 Mas Carla não parecia se importar. Simplesmente virou as costas e andou em direção a saída. Antes de sair olhou para trás uma única vez.


Notas Finais


Pois é, o bagulho ficou doido mesmo nesse capítulo... Sim, aqui nessa fic o Kenny e a Carla são realmente os pais do Levi e ele e Eren são irmãos (loucura, né?). A rainha já tinha dado vaaarias pistas da verdade e se vocês repararem ela sempre intercedeu por ele.

Enfim como eu disse fiquei muito insegura com esse capítulo e gostaria de saber o que acharam, de verdade mesmo. Enfim, comentários, críticas, elogios e dúvidas são sempre muito bem vindas! Obrigada por lerem até aqui 😅


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