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História Escuridão - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Blind Training


Ao saírem do seu apartamento, sem a bengala ela não tinha noção das coisas a sua volta. O medo pareceu percorrer seu corpo.

Eu vou cair.

Eu vou cair.

– Sasuke? Sasuke?

– Hum?

– Sasuke eu quero voltar.

Ele sentiu o temor em sua voz.

– Por quê?

– Estou com medo. Eu vou cair... Eu não posso fazer isso...

– Você já foi mais determinada do que isso Sakura.

– Eu quero subir.

O desespero subiu e fluiu pelo seu corpo, e parou na sua garganta formando uma bola ali. Sufocando-a.

Para sair do seu prédio ela sabia que o terreno era liso, e que era só andar a frente, mas ali agora, na calçada ela não tinha a mínima ideia da posição dos objetos, parede, ou da porta do seu prédio.

Então, desesperada passou as mãos pelo ar, tentando achar a porta do prédio para que pudesse entrar. Queria o conforto e a segurança da sua casa.

E então, agarrando o ar com as mãos, girando atrapalhadamente não conseguiu achar a porta.

Alguém tocou seu ombro.

– Acalme-se Sakura, estou aqui lembra?

– Eu... Eu quero entrar...

– Sakura não pode ficar na segurança da sua casa para sempre...

– Eu não estou pronta... Eu...

– Você precisa enfrentar isso Sakura.

– Mas...

– Vamos.

E ele deu um empurrão leve no seu ombro. Como que a guiando. E permaneceu com a mão em seu ombro durante todo o trajeto.

Seu coração batia descompassado, disparado com o medo a consumindo. O medo de cair, o medo por onde estava indo, mas de algum modo ela confiava em Sasuke.

Ela tropeçara três vezes no caminho, Sasuke a amparara as três não a deixando cair.

Ela também ouvia o som dos habitantes de Konoha, cochichando ao seu redor, mas ignorou-os.

– Onde estamos? – Perguntou quando Sasuke parou.

Ele não respondeu imediatamente, ela a guiou mais alguns metros e depois respondeu.

– No distrito Uchiha.

Um arrepio percorreu sua espinha.

– Ninguém vai te ver treinar aqui.

– Eu não posso fazer isso, eu...

Ele não respondeu apenas a guiou novamente, parando algum tempo depois.

– Sasuke... Não é uma boa ideia, eu...

– Vamos lá. O que você ouve? O que sente?

Ela ia abrir a boca para reclamar novamente, mas se calou.

Ele tirou a mão de seu ombro e se distanciou.

– Como acha que é onde está?

Prestou atenção na sua audição.

Havia o som de alguns passarinhos, um riacho, arvores balançando, não havia som de pessoas ou da cidade.

– Há arvores... Passarinhos... Água...

Desajeitada, tirou um sapato, colocando os pés no chão. Os grãos de terra ficaram ao meio de seus dedos.

– Tem terra abaixo de nós...

Ela não sabia ao certo a distancia de cada coisa, mas era como se soubesse cada coisa que havia ali, sua mente formava uma provável imagem.

– Sim.

Foi o que ele disse.

Deu um passo incerto, deixando os sapatos para trás, e usando a mão para saber que não havia nada em que pudesse bater.

– Tem uma espécie de floresta em volta de nós, ela começa há uns vinte metros depois de onde estamos, há passarinhos nas arvores, um riacho há alguns metros daqui, o chão é de terra, e tem algumas casas do distrito há uns dez metros atrás de você. – Sasuke explicou.

A imagem em sua mente ficou ainda mais nítida.

– Consegue me encontrar?

Ele perguntou.

Prestando atenção em sua voz, e no som da respiração dele, andou alguns metros incerta.

– Está indo bem.

Ele comentou.

Ela sabia que ele só queria que ela ouvisse o som de sua voz, para se localizar melhor.

Seguiu a frente, tateando o ar, até encontrar a blusa dele. Abaixou as mãos.

Ouviu um som de algo cortando o ar, a sua esquerda, inesperadamente sua mão ergueu-se, impedindo que aquilo acertasse seu rosto. Quando segurou percebeu que era a mão de Sasuke.

– Você tem noção de quando algo lhe ataca.

Ele comentou. E ela ouviu novamente o som de algo rasgando o ar, dessa vez o som vinha de um lugar mais baixo, então ela deu alguns passos cambaleantes ao lado, para que não fosse atingida.

Antes que percebesse, ela se desviava – não com a precisão de antes -, mas desviava dos ataques de Sasuke. De muitos deles, ele só havia lhe acertado algumas vezes.

Ela sentia a adrenalina percorrendo seu corpo, e prestando atenção no som, e no tato, ela investiu contra ele algumas vezes, ela não acertou nenhuma, mas ela sabia que era porque ele havia desviado.

Pararam algumas horas depois. Ela estava com alguns machucados leves. Ele havia lhe acertado algumas vezes e ela o acertado apenas uma. Não havia sido como os treinos de antes, preciso e feroz, mas era um começo.

Cambaleante, sem muita noção das coisas ao seu redor deu alguns passos.

Sasuke segurou seu ombro e andou com ela alguns metros.

Ele parou, e depois voltou a andar novamente. Guiando-lhe.

– Tem dois degraus aqui.

Incerta, ela ergueu o pé, até encontrar o piso de madeira. Depois o outro, e depois repetiu o processo. Ele abriu uma porta, e eles entraram, andando dentro de uma provável casa.

– Sente-se.

Tateou a cadeira em busca do acento, e sentou-se. Algo foi aberto, fechado e algo de vidro posto em sua frente.

Ela pegou o copo que lhe era oferecido, bebendo a água gelada.

– Eu... Obrigada.

Agradeceu, deixando o copo sobre a mesa.

– É a sua casa?

– Sim. A casa principal.

Assentiu, com as mãos no colo.

– Meu sapato...

– Eu o peguei, está perto da porta.

Assentiu novamente. O seu interior se aquecia com a voz de Sasuke.

– Naruto vai enfartar quando souber disso.

Ouviu um som, como uma risada pelo nariz, curta e suave.

Ela não entendia ao certo porque Sasuke estava fazendo aquilo. Talvez por pena, ou porque Naruto mandara, mas qualquer que fosse o motivo, ela se sentia grata.

– Vamos, vou te levar para casa.

E o toque veio novamente no seu ombro segurando-a e a ajudando-a em todo trajeto. Ela se sentia grata e feliz. Uma esperança, lá no fundo apareceu, será? Que poderia fazer algumas coisas? É claro que sabia que não poderia ser uma ninja como antes, mas poder se defender ter noção das coisas já era um passo muito grande pra quem passava o tempo todo dentro de casa.

Quando estavam perto do seu prédio ela sentiu uns cochichos ao seu lado, mas ignorou todos do mesmo modo que imaginou que Sasuke estava fazendo.

Ao entrar em sua casa, antes de sair ele perguntou.

– Como se sente?

– Viva.

Incrivelmente viva.

Como há muito tempo não se sentia.



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