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História Escuridão Total - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Canção na Escuridão


Fanfic / Fanfiction Escuridão Total - Capítulo 1 - Canção na Escuridão

    Uma canção tocava, era triste, lenta, era a canção da morte.

A canção provinha da voz de um coral de crianças, todas enfileiradas lado à lado perfeitamente com suas vestes brancas, ao redor daquela sala octogonal e transparente.

Seus cabelos eram como a lã, em um tom puxado para o prateado. Parecia como se nevasse sobre suas cabeças e agora o sol refletia sua luminosidade nas...

Sol? O que é o sol?

A canção mudou.

uma pequena garota entra na sala transparente, suas vestes eram enfeitadas e em sua cabeça havia uma coroa feita de girassóis.

A garotinha se deita em uma pequena cama digna de um rei devido à seus adornos. Seu pequeno corpo repousava perfeitamente, suas mãos estavam entrelaçadas e seus olhos fechados.

A canção muda...

Uma porta ao longe se abre e uma criatura humanóide começa a caminhar na nossa direção. A passos errantes, ela parecia lutar contra si mesma, seu corpo se contorcia ao andar como se estivesse sendo puxado por cordas, cordas que o impediam de fazer o que quiser, cordas que o impediam de nos matar.

Uma passagem se abre entre o círculo de crianças. A criatura caminha em direção à sala octogonal. Uma das Irmãs responsáveis por nós está a espera com a porta aberta. A criatura entra na sala ficando a sós com a garotinha após a irmã fechar a porta.

A irmã faz um sinal, fecha os olhos apontando para cima com mão direita com os dedos unidos, em seguida leva a mesma mão ao coração, abaixando a cabeça como se estivesse fazendo uma prece.

Todas as outras crianças fazem o mesmo. Eu fiz o mesmo...

A canção parou.

Meus olhos estão fechados mas eu ousei abri-los.

Na sala octagonal a pequena era devorada por aquela criatura escura. Sozinha, sem ninguém para a socorrer, cercada por uma multidão que nem sequer abria os olhos para olhar para ela.

- você não deveria abrir os olhos durante a prece, Alpha! - alguém atingiu a minha cabeça com um leve tapa.

Olhei para trás e a pequena garota atrás de mim mostrou preocupação, enquanto estava com um olho aberto e o outro fechado.

- Bea... - tentei falar.

A garota levou a mão sorrateiramente nos lábios fazendo sinal para que eu me calasse e então fechou os olhos de vez.

Voltei meu olhar para frente, aquela não era a primeira vez que eu abria meus olhos durante as preces. Fechei meus olhos para tentar afastar meus pensamentos daquilo, mas era impossível, eu não conseguia tirar da minha cabeça todas as crianças que foram...

Um som alto me fez abrir os olhos. Não somente eu mas todas as outras crianças pareciam ter despertado.

Homens, homens usando roupas negras com faixas brilhantes entraram no lugar segurando... armas. Eles atiravam contra os nossos superiores. Suas armas pareciam cuspir chamas e o som dos disparos parecia penetrar na minha mente.

- Alpha! - Bea me puxou pelo braço - Vem!

- não fica aí parado idiota - disse um garoto que estava junto de Bea -  temos que sair daqui.

Eles me guiavam pelo caminho e tudo foi ficando escuro, tudo parecia perder significado e eu podia escutar os tiros ao longe como se estivesse em baixo da água.


**************


Tiros, mais tiros!

Cada vez mais perto.

Acordei em uma cama velha em um quarto escuro e empoeirado.

Eu não fazia ideia de onde eu estava, ou como fui parar ali, e o mais assustador era que... eu não fazia ideia de quem eu sou.

Ao longe eu podia escutar muitos tiros. Como eu sabia que eram tiros? Isso não importa agora!

Me levantei da cama e fui até a porta, abri ela e olhei o lado de fora. Estava escuro como sempre, escuro...

Saí da sala e fui para o corredor. O lugar assim como o quarto estava velho e empoeirado, cheirava a morfo, muitas das portas dos outros dormitórios estavam quebradas, algumas nem sequer existiam mais. Havia pichações nas paredes que quase não podiam mais ser vistas. E o que mais me chamou atenção.... havia cadáveres humanos ao longo do corredor. Alguns já restava apenas os ossos enquanto outros pareciam estarem mortos a alguns meses.

 Escutei um som vindo mais a frente.

Segui até o fim do corredor e então virei a direita. O caminho dava em uma porta dupla.

Uma parte em mim sabia que havia algo do outro lado. Meus instintos me diziam para recuar, mas eu queria pagar pra fazer, talvez isso me desse algumas respostas, afinal, onde diabos eu estou?

Em uma incerteza momentânea eu recuei um passo e então a porta se abriu.

Um homem vestindo um uniforme militar com faixas brilhantes como se tivesse recebido luz de néon entrou pela porta e focou a lanterna que estava acoplada ao seu rifle em mim.

Ele ficou parado por alguns segundos e então me colocou na mira.

- de onde você veio!? - exclamou com um tom autoritário - qual a sua nomenclatura ?

O que ele...?

- responde de uma vez! - ele me empurrou para a parede.

- eu não sei do que você está falando - falei enquanto ele encostou o cano do rifle no meu peito.

- não devia ter mais de vocês... a maioria morreu nas Casas de Adoração... - ele parecia falar consigo mesmo, como se eu estar ali fosse algo tão inacreditável assim - eles estão criando mais... sim... eles devem estar criando mais...

- Ei! - abaixei o cano do rifle lentamente tirando meu corpo da mira - eu realmente não sei do que você está falando, eu não lembro de nada, nem mesmo sei meu nome.

O soldado se afastou alguns passos.

- eles devem ter gravado em alguma parte do seu corpo - apesar de não estar com a arma apontada pra mim, eu podia sentir um certo desprezo na voz dele - sempre gravam a nomenclatura.

Nomenclatura?

Arregacei as mangas da camisa, porém não vi nada.

- deve está muito bem escondido - suspirei.

- você vem comigo - ele falou como se não fosse eu que decidisse algo.

Ele se virou e foi então que pude notar que eu ainda estava tenso, como se a sensação de perigo ainda não tivesse passado.

Não havia mais nenhuma arma apontada para mim, então por que o meu corpo me dizia para fugir?

- ei! Não fica parado aí - chamou o soldado - começa a andar!

- ah, claro.

Levei meu olhar a frente do soldado.

Aquela criatura devia ter dois metros ou mais, sua pele escura (apesar de tudo estar escuro eu de alguma forma podia assimilar a coloração de sua pele.) Parecia quase se camuflar na escuridão, seus olhos negros eram quase imperceptíveis e a sua boca era cheia de afiados dentes que mais se pareciam agulhas.

- ah, caramba! - o soldado pareceu entrar em pânico.

Ele procurou mover a mira da sua arma, mas a criatura afastou ele com com tapa que o jogou a dois metros pelo corredor.

O soldado gemeu de dor, sua arma havia caído a alguns metros mais a frente.

Ele começou a rastejar usando os braços para ir na direção da arma, com aquele golpe, com certeza ele havia quebrado alguns ossos.

- faz alguma coisa aberração! - o soldado gritou.

A criatura me ignorou esse tempo todo e avançou na direção do homem caído que tentava alcançar o seu rifle.

O que está acontecendo aqui? Mas que merda é essa!? Faz alguma coisa A...

Minha cabeça doeu, como se eu tentasse procurar algo e isso fosse negado dentro de mim.

Avancei a toda força contra o corpo daquela coisa. Meu corpo se chocou contra o dela e pela diferença de tamanho eu achei que seria inútil a minha investida suicida.

Arremessei o monstro contra a parede em um empurrão. A parede trincou com o peso da criatura, ou seria a minha própria força?

- sai daí! - o soldado estava com a arma e com a criatura na mira preste a atirar.

A luz da lanterna mudou de cor e quanto chegou a iluminar a pele da criatura causando queimaduras de primeiros grau.

- queima no inferno, coisa nojenta! - o soldado disparou uma rajada de tiros que além de perfurar pareciam queimar a entrada dos orifícios.

O sangue azulado da criatura sujou a parede e logo após ela caiu imóvel no chão.

Tentei assimilar o que estava acontecendo, mas isso era impossível, aquilo era surreal demais.

- mas... - olhei para o homem armado - o que está acontecendo aqui?

    O soldado se levantou com dificuldade.

- bem vindo ao inferno garoto - disse ele em um tom irônico.

Ele já estava começando a me irritar...

- o que era esse monstro? - apontei.

- um monstro falando do outro... - ele pareceu murmurar para si mesmo.

Chega...

- olha aqui idiota - falei com um tom mais elevado - não faço ideia de quem é você ou essa coisa, eu já estou cansado dessa merda, então é melhor você começar cooperar com quem acabou de salvar a sua vida.

- cala boca...

- já chega de...

Havia outro, outra criatura muito semelhante à aquela que estava morta no chão. Como ela chegou tão rápido? Nao havia feito o menor barulho. O soldado nao teve nem chance de reagir. Ela perfurou o peito dele com as próprias mãos. O golpe veio das costas e saiu na parte da frente revelando uma mão cheia de garras afiadas e tingida pelo sangue do homem que já estava morto.

- droga! - falei sem saber o que fazer.

Escutei alguns grunhidos estranhos vindos daquela coisa. E logo em seguida notei que mais deles se aproximavam pelo corredor.

Puxei a arma que estava presa ao cadáver do soldado e atirei naquela coisa. Ela foi direto ao chão.

- eu seu atirar!? - fiquei meio eufórico devido ao coice da arma - caramba!

Coloquei a extremidade traseira do rifle acoplada no meu ombro direito e mantive a mira fixa na altura do ombro, com a boca da arma apontada para o corredor.

- 1, 3, 7, 15 - o número deles só aumentava - merda!

Saí correndo pelo corredor na direção oposta deles. Não havia como enfrentar tantos assim.

Corri o mais rápido que podia enquanto aquelas coisas me perseguiam, correndo, saltando, alguns subiam no teto como se fossem lagartixas.

Passei por outra porta dupla, atirei em dois que estavam a 5 metros e então continuei a correr até passar por uma pequena porta de metal.

- só pode ser brincadeira... - falei ao ver que o corredor nao tinha saída.

O corredor findava em uma parede de concreto, a única entrada e saída era a porta por onde eu havia passado.

A parede direita do corredor era feita de vidro no qual dava para ver algo que provavelmente já foi a praça de uma escola.

A porta rompeu e a primeira criatura avançou. Eu disparei levando ela ao chão.

O segundo veio logo em seguida, ergui a arma para atirar mais nada saiu, eu estava sem munição.

O monstro avançou a toda velocidade contra meu corpo me joguei para o lado fazendo ele passar direto por mim.

Uma terceira criatura me atingiu e a força do golpe me jogou contra a parede e depois ao chão.

Senti meu corpo arder internamente, eu devia ter quebrado algo.

Mais deles entravam pela porta enquanto pareciam me cercar, como se estivéssem admirando a presa.

O primeiro que havia entrado se aproximou de mim abrindo caminho entre os outros.

Sua boca se abria mostrando a fileira de dentes enormes enquanto soltava grunhidos agudos.

Ele se moveu rápido na minha direção e eu extintivamente ergui a minha mão.

- para! - exclamei para a criatura que não se moveu.

Ela começou a se mover de forma estranha como se estivesse lutando contra si mesmo, como se estivesse recebido uma ordem a qual não queria cumprir.

Me levantei devagar e notei que eles começaram a recuar, como se a minha presença ali não fizesse mais diferença.

Eu estava sem entender nada quando escutei aquela canção...

Era triste, lenta, melancólica. Eu não conseguia compreender uma única palavra dela, mas parecia falar comigo.

Ao olhar pelo vidro eu vi uma garota sozinha do lado de fora. Ela aparentava ter cerca de 20 anos, seus cabelos eram brancos como a neve, sua pele clara, rosto meigo e ... era dela que vinha aquela canção.

As criaturas começaram a se aproximar dela como se estivessem em uma espécie de hipnose.

Em pouco tempo havia dezenas ao redor da garota.

Mesmo entre monstros o olhar dela encontrou o meu.

Uma mistura de surpresa, espanto e um leve sorriso se formou em sua expressão.

Ela parou de cantar, as criaturas pareceram acordar e voltar a si ficando agitadas.

Os lábios da garota se moveram dizendo algo do qual eu não pude escutar o som.

- AGORA! - escutei alguém ordenar.

Uma sequência de explosões tomou conta da pequena praça, o chão tremeu e o impacto fez os vidros se quebrarem.

Eu me abaixe para tentar me proteger, apesar de assustado, eu só conseguia pensar naquilo que a garota acabou de dizer.

Lendo o movimentos dos seus lábios, ela disse: Zero, você me encontrou.


Notas Finais


Primeiro capítulo aí.
Digam o que acharam.
E sim...
Stephen King tem um livro com o nome parecido.
E não...
Eu não fazia ideia.
(Devia ter botado Sol Escuro mesmo...kk)

Digam o que acharam.
Teorias e tudo mais.

Logo eu volto a postar RM E GD.

Até a próxima.


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