História Eski - Capítulo 10


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Árvore Do Swag, Jikook, Jinah Representa O Fandom, Namjin, Vhope
Visualizações 6
Palavras 4.876
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


PEY POW OI VOLTEI
Mano eu tinha ajeitado tudo pra postar a porra do capítulo e na hoRA QUE EU CLIQUEI PRA IR, A INTERNET CAIU E EU TIVE QUE FAZER TUDO DE NOVO KRAI KRAI KRAI
Então, ainda tamo no capítulo nove. Eu queria dar um supersalto e pular pra parte que eu to escrevendo agora, porque são quando as coisas começam a ficar interessante eehhehehe
Eu tô escrevendo uma fanfic em inglês! Tô trocando tanto de idioma que não consigo mais decidir qual é qual e acabo falando os dois em uma mesma sentença dhewifuew
Hoje teve ensaio da dança. Meus joelhos quebraram em cinquenta milhões de pedaços, mas okay, faz parte de ser dançarina :/
Boa Leituraaa

Capítulo 10 - A Mania Da Janela


Fanfic / Fanfiction Eski - Capítulo 10 - A Mania Da Janela

Capítulo IX:

A Mania da Janela

 

Tudo começou no dia seguinte à conversa com o Diretor James.

Era uma bela manhã de sexta – pelo menos até onde bela pode ir em termos de aula –, e Jimin estava sentado à mesma junto a Jungkook, enquanto lanchavam no primeiro intervalo. Aquela era uma das poucas vezes que ele realmente deixava o loirinho sentar junto, pois sempre o expulsava de perto, e se insistisse, acabava o derrubando da cadeira; enfim, os dois estavam comendo quietamente – o que era bem raro –, quando Tae se aproximou com Jin ao seu lado, sentando-se na mesma mesa. E, bem, ultimamente a dupla “Kim” estava ficando cada vez mais diabólica, visto que não tinham mais tanto medo assim do Sem Nome – pelo menos depois de um bom tempo se acostumando com a sua presença por perto – e tiveram a brilhante ideia de, em vez de não permitir a relação de Jimin com Jungkook, na verdade apoiá-la, principalmente agora que a única pessoa que Jungkook falava informalmente era com ele.

E óbvio que nada de bom viria disso.

No começo tentou profundamente entender aqueles dois, mas no final apenas chegou a mesma conclusão que chegou em relação ao Jeon: tentar decifrar as suas atitudes era apenas mais um desperdício de atividade cerebral a qual não estava disposto a recorrer.

Enfim, Jimin tentava não prestar atenção no olhar superdisfarçado e sugestivo de seus dois amigos na sua direção e na de Jungkook, porém era difícil fazer isso enquanto eles ficavam murmurando planos maquiavélicos um para o outro como se o loiro fosse um deficiente auditivo. Apesar de estar bem incomodado com a situação, ao fitar o moreno de relance, ele sequer prestava atenção no que eles estavam falando e apenas lia o seu livro, parecendo alheio a tudo na sua volta – e, bem, estava mesmo.

–– Olha se não é o menino Jimin e o menino Jeon.

Jimin desviou o olhar de onde estava para a voz que se pronunciou atrás de si. Era Hoseok. Ele acenava enquanto sorria calorosamente, com Yoongi ao seu lado. Fazia um tempo desde que trocou mais do que um “oi” com ele pelos corredores de Malcyon. Ficava se perguntando aonde ele ia parar, pois nunca o via por aí.

Talvez ele seja um Jeonsaekki da vida.

Sendo que bem mais legal e bonito.

Bonito? Nunca havia parado para notar se Jungkook era bonito. Fez uma nota mental para avaliar isso mais tarde.

–– O que você quer, hyung? –– perguntou o Jeon, sem fazer festa ou sequer falar “oi”.

O queixo de Jimin caiu.

Hoseok pigarreou.

–– Um amorzinho como sempre.

–– Por que você chama ele de hyung e não me chama de hyung?! –– O loiro ficou zangado, cruzando os braços enquanto o encarava na procura por respostas.

Jungkook o ignorou, ajeitando os óculos, e Hoseok riu.

–– Ele te odeia, Jiminie. –– Tae riu junto ao Jung, tirando um inflar de bochechas de Jimin.

–– Você fala como se eu não odiasse ele.

–– Menos briga e mais amor! –– Jin afirmou, colocando a mão nos lábios e mandando-lhe um beijo alado. –– Agora dá um beijinho nele para fazer as pazes.

Jimin desviou do beijo alado com desgosto.

–– Credo, eu não. –– E virou a cabeça para o lado oposto daqueles babacas.

–– NÃO ACREDITO NESSA AUDÁCIA. –– berrou o Kim mais novo, levantando-se da cadeira em um impulso, enquanto o outro Kim, apesar de nem saber sobre o que se tratava, assentiu em concordância. –– Você desrespeitou a nossa mãe! Vai ficar de castigo.

–– Vocês não merecem o meu respeito.

Outra careta indignada de Tae, e dessa vez Jin se juntou a ele.

–– Uooou, que desrespeito. –– Hoseok comentou, parecendo tão surpreso quanto os outros dois.

–– OLHA AQUI. –– Tae estalou os dedos cinco vezes na frente da cara de Jimin como se ele fosse apenas mais uma criança recalcada no mar de crianças recalcadas do mundo. –– Só porque estou na seca desde que nasci, não significa que eu não mereça respeito!

–– Você só está na seca porque você não tem um cérebro, Tae.

Hoseok colocou a mão na boca e ficou alternando o olhar entre o Kim e o loiro.

–– Ele não tem cérebro! –– comentou para Yoongi, indignado.

–– Era uma brincadeira, Hoseok. –– respondeu-lhe o Min, revirando os olhos e cruzando os braços como se estivesse vendo um bando de plebeus na sua frente.

–– Não fale assim com o seu irmão! –– Jin colocou as mãos na cintura, parecendo uma mãe que dava carão no filho depois de uma briga na família. –– Peça desculpa já, seu malcriado!

–– Não!

E assim, parecia a criança birrenta mais adorável do mundo, mas isso mão ia impedir Jin de brigar com ele por ter falado assim com Tae, que fingia um choro falso.

–– PEÇA DESCULPA JÁ.

–– Não vou fazer isso. Você nem é minha mãe de verdade!

Agora até Yoongi ficou chocado com essa.

–– Yo, vai rolar tiro, pega a pipoca, Hoseok.

–– Como você… –– Jin fingiu choro junto com o outro Kim. –– Como você… Ousa…

–– Para de drama.

Ele colocou a mão no coração.

–– D-Drama? Eu?!

–– É, você!

Jimin deu língua.

Hoseok encarou Yoongi, achando aquele gesto pior do que dar um tiro em alguém.

–– Eu convoco o Padre Louis Williams Suga Adams Júnior Terceiro para interromper esses plebeus de se matarem perto da Árvore do Swag. –– O Jung juntou as mãos em formato de oração.

–– Não se preocupe, o Padre Louis Williams Suga Adams Júnior Terceiro está aqui para salvar vocês do destino cruel, com muito swag. –– Yoongi disse, avaliando a situação com um dedo no queixo e assentindo. –– Calem a boca, muito barulho significa não swag. Vocês podem matar a Árvore do Swag desse jeito.

–– Árvore do Swag? –– Jimin questionou.

–– Sim, caro plebeu. É um lugar sagrado que você deve fazer rezas para obter swag. –– Ele se virou para falar com Jungkook, mas notou que ele não estava mais ali. Provavelmente deve ter saído quando a confusão começou a ficar barulhenta. Típico dele. –– Ih, Hoseok, o menino Jeon saiu.

Hoseok franziu o cenho e fitou a cadeira que ele era para estar sentado.

–– Aish. Deixamos para falar com ele mais tarde, então. Tchau, plebeus!

E, com isso, deixou os outros três para trás. Recompondo-se da discussão sem sentido de antes, as engrenagens do cérebro de Jimin começaram a trabalhar. Bem, se aprendeu uma coisa ao passar tanto tempo ao lado de Jungkook, era saber os lugares que ele costumava a ficar pela escola. Os assuntos ainda não haviam acabado; os estudos ainda estavam ali, as férias ainda estavam longe, Jimin ainda não era bom em algumas matérias e a maldita proposta do Diretor James ainda estava de pé, então infelizmente tinham que conversar – por incrível que pareça, Jimin não ficou nem um pouco a fim de ter que conversar com ninguém, pois não dormiu bem nas noites recentes.

Olhou pela janela, conferindo o primeiro lugar onde Jungkook poderia estar: os muros de Malcyon. Ao chegar na conclusão de que ele não estava lá, levantou-se da cadeira para ir ao próximo destino.

–– Aonde você vai? –– Jin questionou ao vê-lo ir embora.

–– Procurar o Jeonsaekki. –– Jimin respondeu sem olhar para trás.

–– E ainda diz que o odeia… –– comentou o outro Kim, apoiando o queixo na palma da mão e negando com a cabeça.

–– Eu ouvi isso!

Respirou fundo, decidido a ignorá-los e achar Jungkook antes que desse o toque para a próxima aula – tinha a chance dele fugir da escola e não ficar para assistir as aulas, o que, na verdade, acontecia com frequência, então decidiu conversar logo com ele, isso se não tivesse fugido já. Foi até a biblioteca. Sendo alguém como o Jeon era, que sempre estava calmo e gostava de silêncio, não havia melhor lugar do que a biblioteca para ele. Acaso não estivesse ali, então teria ido embora.

E acertou, ali estava o moreno, sentado em uma das mesas perto da janela, lendo o seu livro na quietude do local. Como quem não queria nada, aproximou-se bem devagar e sentou ao lado dele, ficando em silêncio para ver se Jungkook notava a sua presença e tirava os olhos negros do livro, porém ele o ignorou totalmente, mesmo sabendo que estava ali.

–– Ya, Jeonsaekki. –– chamou baixinho, fazendo-o erguer o encarar do livro por alguns segundos e depois voltar a lê-lo, deixando claro que não queria conversar no momento. Jimin pigarreou, sentindo-se humilhado mais uma vez. –– Sobre os estudos…

Continuou o ignorando, deixando o rosto do loiro vermelho de irritação.

–– Jeonsae-

–– Silêncio.

Ele o interrompeu, uma vez que ia começar a gritar.

–– Desculpa. –– Jimin colocou a mão na boca por um tempo. Teve uma ideia brilhante então. Correu até o balcão da bibliotecária, pegou uma caneta, cujo supôs não estar envenenada, e um papel, conferiu se não havia cadáveres escondidos por aí, e começou a escrever o que tinha para falar rapidamente.

Ao terminar, o esticou para Jungkook, mas ele insistia em o ignorar, então colocou o bilhete em cima do seu livro, obrigando-o a ler, e depois lhe entregou a caneta. Nele, dizia:

Jeonsaekki, quando vai ser a próxima reunião para estudar?

Ele escreveu rapidamente e devolveu o papel – ainda fez menção de sequer entregá-lo na mão alheia, apenas o jogou na mesa.

No final da aula você me passa o seu número, que a gente combina.

Jimin ia lhe avisar que não tinha celular, mas toda vez que tentava entregar o bilhete para Jungkook, ele o devolvia sem sequer ler. Fez isso tantas vezes que em um ponto o garoto se irritou e arremessou o papel pela janela.

–– Ei, isso era import-

O moreno fechou os lábios do loiro juntos com as pontas dos dedos, calando-o pois havia começado a falar alto. Dessa vez, como troco por ter o ignorado, o menino rapidamente mordeu os seus dedos que o impossibilitava de falar, dando língua para ele em seguida. Jungkook ficou o encarando por um tempo, em silêncio – até o ponto de deixar o Park nervoso com o tipo de resposta que ele teria acerca daquele contato novo que havia feito sem pensar direito –, até segurar nos pulsos de Jimin e avançar sobre o seu corpo. Não conseguiu nem se livrar; o aperto era forte demais, exatamente igual àquele dia no vestuário, e ficou imóvel quando viu o rosto dele se aproximar de seu maior ponto fraco: o pescoço. Ah, o maldito pescoço, onde seus amigos adoravam passar os dedos para vê-lo se contorcendo de gastura, ou sopravam ali parecendo que queriam levar um tapa, e que agora tinha alguém perigosamente perto.

Lá, ele capturou entre os dentes a sua pele branquinha imaculada, dando uma mordida forte e deixando as marcas no local de propósito. A mão que antes segurava o pulso agora avermelhado do Park escorregou firmemente para os cabelos loiros dele para fixar a cabeça no lugar enquanto terminava de deixar os tracinhos na tez pálida.

Jimin ficou imóvel, observando Jungkook se afastar e lamber os lábios, parecendo deliciar-se com o desespero quieto alheio. Não era de se esperar que o loirinho tivesse aquela reação de auto-combustão, afinal nunca teve um contato daqueles antes, tão perto de seu pescoço sensível, e era vergonhoso – nos pensamentos mais inocente, afinal tratava-se de Jimin e seu cérebro ingênuo – pensar que, em vez de ficar agoniado como ficava quando os seus amigos passavam os dedos ali, a sensação lhe deu borboletas no estômago. Com o coração batendo forte e rapidamente contra o peitoral, Jimin pareceu se acordar de seu transe, a face ficando vermelha como um tomate. Colocou a mão sob a nova marca que havia ganhado e fez o que fazia de melhor: levantou-se e saiu correndo para qualquer lugar, contanto que saísse de perto do observar de Jungkook.

Por outro lado, Jungkook não entendeu aquela reação. Ele apenas devolveu a brincadeira da mordida. Isso não era normal? Não conseguia entender as razões dos sentimentos humanos, e muito menos os sentimentos propriamente ditos. Depois de um tempo tentando descobrir isso, apenas desistiu e voltou a ler o livro como se nada tivesse acontecido.

Sem olhar para trás, Jimin caminhava a passos curtos e apertados pelos corredores de Malcyon, ouvindo o toque para a aula irromper pelos autos falantes no teto. Correu para a sua cadeira e sentou-se nela – tentou esquecer o acontecimento anterior –, olhando para o lado de fora da sala. Esperou ver Jungkook, ou melhor, a fonte de seus problemas cotidianos e vergonhas, passando por ali a qualquer hora.

Por que você saiu correndo?

Eu não sei! Eu senti borboletas, cara, borboletas!

Talvez a caneta estivesse envenenada mesmo.

Certo, da próxima vez eu vou tomar cuidado.

Notando o comportamento estranho do amigo, Jin se aproximou sozinho, uma vez que Tae conversava com alguns outros estudantes da classe.

–– O que acont… MEU DEUS ISSO É UMA-

Jimin saltou de sua cadeira e tampou a boca de seu amigo antes que terminasse a frase. Esperou ele se acalmar, e assim que o fez, soltou-lhe a boca. Ele praticamente voou para perto do pescoço do loiro, tentando observar direito a bela marca que Jungkook lhe deu de presente, porém Jimin o afastou pela sensação agonizante da respiração de seu amigo no local.

–– Isso é uma mordida? –– perguntou, dessa vez sussurrando. O outro esfregou a palma da mão no rosto, parecendo que queria levar embora toda a vergonha que estava sentindo junto com o movimento. –– Quem fez isso? Não me diga que foi o…

–– É, ele mesmo, esse canibal cruel. –– Jimin mordeu o lábio inferior e pressionou as têmporas, estressado. Odiava ficar daquela forma quando se tratava de Jungkook.

–– E… Foi torturante? –– Jin sabia muito bem sobre a sensibilidade no pescoço do loiro, mas de alguma forma parecia que ele não tinha ficado tão agoniado com o toque do Jeon na região. Bem, pelo menos foi o que pensou, pois ele parecia estar com mais vergonha do que irritado.

–– N-Não. –– Fez careta. –– Foi-

O professor de Química entrou bem na hora, com Jungkook vindo seguido dele. Jimin sentou-se na cadeira em um piscar de olhos e fitou a janela, fingindo que nunca tinha o visto entrando na sala. A sorte era que o moreno não entendia muito bem sobre sentimentos, ao que parece, então ele não deveria ter notado que Jimin estava tentando o evitar mais uma vez. Pareceu que a situação no vestuário ocorria novamente, o maldito momento vergonhoso que lhe deixou por um bom tempo sem conseguir olhar no olho de Jungkook. Pelo menos esse não foi tão ruim quanto o outro, portanto deveria ficar bem já no final da aula.

Assim esperava.

E, ao final da aula, Jimin estava tudo menos bem. Guardava as coisas dentro da bolsa, tentando se livrar do nervosismo fácil que sentia, sem falar das costumeiras sensações de que alguém iria simplesmente o atacar do nada. A sua guarda já alta aumentou mais ainda, afinal o dono daqueles olhos negros continuava na sala, sentado na cadeira enquanto casualmente encarava o loiro, parecendo esperar por alguma coisa. Depois de um tempo tentando ignorar, aquilo começou a dar-lhe nos nervos.

–– O que foi? –– O fitou, porém não conseguiu sustentar nem por dois segundos, e voltou a guardar as coisas com um biquinho, tirando uma risada de Jin e um olhar questionável de Tae.

–– O número.

Jimin minimamente o encarou, recuando um passo apenas para ter certeza.

–– Que número?

As pupilas de Jungkook tremeram. Ficou irritado – até onde irritado pode se aplicar àquela face imparcial de sempre.

–– Park, você interrompeu a minha leitura para isso. –– Ele comentou, passando as mãos no cabelos morenos antes de pegar a bolsa e colocar nas costas. –– Não consegue ao menos se lembrar?

Jimin franziu o cenho por um tempo, até vir na cabeça a cena da biblioteca. A sua boca abriu-se em um “O” perfeito de entendimento.

–– Ah… –– Coçou os cabelos, sem saber como diria isso. –– Eu não tenho… Celular…

As pupilas de Jungkook tremeram de novo. Ele ajeitou os óculos redondos.

–– E por que você não disse isso antes?

Então, Jimin começou a ficar irritado.

–– Porque você não deixou!

–– Não tinha outra hora para falar? Por que justo quando eu estava lendo?

–– Você some do nada, como eu ia saber se você ia sumir ou não na aula depois do intervalo?

Jungkook, pela primeira vez, desviou o olhar. Jimin percebeu que ele fitava a bordô japonês do jardim de Malcyon. As suas folhas pintavam o chão de vermelho como o cachecol no pescoço do menino, permitindo uma visão agradável e reconfortante.

–– Você sempre dá um jeito de me achar mesmo.

Os olhos acinzentados oscilaram entre os negros alheios ao ouvir aquilo. De alguma forma, a frase o lembrou do momento no jardim em Namsan, há dez anos. De repente, bem ali na sua frente, viu aquele mesmo garotinho pequeno de óculos grandes demais para a face, parecendo tão indefeso e magoado com o mundo que tudo o que o menino queria era dar-lhe um abraço apertado. Agora, se realmente fosse a mesma pessoa, tudo o que ainda era semelhante eram os óculos e a tristeza, embora esta última parecia arder dentro da tempestade de seus olhos.

Será que foi uma ilusão?

Talvez ele não tenha falado isso mesmo.

–– É-É… –– Jimin sacudiu a cabeça ao ver que estava sorrindo e Jungkook o encarava. Tossiu para esconder o sorriso. –– Então… Acho melhor combinarmos agora.

–– Sim, e rápido, porque precisamos trabalhar. –– comentou Tae, que até então permaneceu calado, observando a cena anterior com risinhos.

–– Pode vir lá em casa amanhã de manhã, então.

Jungkook pegou um pedaço de papel do seu caderno e anotou o endereço para Jimin, entregando-lhe logo depois. O menino encarou a escrita, tentando saber aonde ficava aquilo, mas claro que, com o seu senso incrível de direção, nem fazia ideia de onde era.

–– Não fica muito longe da sua casa. Peça para a sua mãe lhe deixar lá.

–– Tudo bem. –– falando isso, Jungkook ajeitou os óculos e se pôs a caminhar para fora da sala. –– Até amanhã.

Sem olhar para trás, ele apenas levantou o braço, como quem diz “tchau”.

Jimin sorriu.

Era primeira vez que ele respondia.


 

°.°.°


 

Depois de chegar em casa, contou sobre o dia para a sua mãe e para a irmãzinha enquanto comiam. Eram raras as vezes que todos sentavam a mesa juntos, mas era o suficiente para deixar Jimin feliz. Explicando a história inteira, Yang Mi foi até o quarto e remexeu em algumas caixas velhas de papelão que estavam guardadas no seu armário, e de lá tirou um celular. Apesar de empoeirado, o celular estava novinho em folha, como se nunca tivesse sido usado. Ela o estendeu em direção ao loiro, que ficou encarando o aparelho e a mãe. A irmã logo abraçou o irmão por trás, igualmente interessada no que significava aquilo tudo.

–– Era do seu pai. –– A menção dele deixou um clima tenso na sala de jantar. Todos os três fitaram o chão, tristes pelos acontecimentos recentes. Vendo isso, Yang Mi forçou um sorriso. –– Ele ganhou em um sorteio, mas nunca usou. Eu estava pensando em vendê-lo, mas você está precisando bastante de um. E, bem, eu queria dar para você mesmo, então aqui está!

Os olhos cinzas de Jimin marejaram. Saltou da cadeira para dar um abraço apertado na sua mãe, ouvindo a risada gostosa dela saindo dos lábios, ao passo em que deixava um selar na bochecha do menino.

–– Oppa, você vai compartilhar comigo, né? –– Jinah perguntou, erguendo as sobrancelhas e dando algumas cotoveladas na sua cintura.

–– Não. Bleh. –– Deu língua, rindo da cara indignada da irmã. –– Quem mandou quebrar o seu? Deveria ter tomado mais cuidado com ele.

–– Não fale assim! –– retrucou a moça, pegando o seu celular prateado e colocando contra a bochecha esquerda. –– E é ela. Tem um nome. Abrilina Décima Nona Caçapavana Piratininga Dezessete.

Jimin fez careta, lembrando-se de Yoongi, ou melhor, do Padre Louis Williams Suga Adams Júnior Terceiro, e da famosa Árvore do Swag.

–– Qual é o problema de vocês com nomes? –– murmurou.

E foi dormir.

No dia seguinte, Yang Mi teve a brilhante ideia de fazer com que o seu filho aprenda a ter algum senso de direção e vá sozinho para a casa do amigo. Colocou a rota no GPS para ir a pé e, nos primeiros três minutos que havia saído para percorrer a trajetória, já havia entrado em ruas erradas quatro vezes e parado para observar as plantas sete vezes. Com muito sufoco, fotos, medo de morrer e tropeções em latas que estavam no chão, finalmente achou a maldita casa.

Parou em frente ao cercado, colocando as mãos nos joelhos enquanto recuperava o fôlego perdido da sua longuíssima caminhada de cinco minutos. O portão estava aberto, então passou por ele esperando não ter nenhum cachorro ali que fosse lhe matar ou algo assim. Aproveitou par dar uma olhada na estrutura.

Não era pobre, e também não era chique. Normal – até porque não tinha nenhum pato armado ali –, como qualquer outra casa por aí. Era toda azul, apenas as janelas eram brancas e a porta era de madeira. Poucas plantas cresciam no local, fazendo parecer que ninguém tinha paciência de cultivá-las ou algo assim. A grama estava um pouco alta, porém parecia ter sido aparada há não muito tempo. Por um momento, Jimin não entendeu porque Jungkook fazia todas aquelas coisas para conseguir dinheiro, mas resolveu que julgar o livro pela capa não era certo, afinal a própria família estava passando por dificuldades financeiras por causa do pai e nem por isso a casa é pobre e está caindo aos pedaços.

Seus olhos cinzas captaram um movimento na lateral da construção, dentro de um dos cômodos. Aproximou-se para ver quem era, suspeitando que poderia ser um nazista, mas notou que se tratava de Jungkook. Pelo que parecia, ele havia acabado de sair do banho, pois seus cabelos morenos estavam molhados e pingando na camisa branca. Jimin deu um sorriso maroto, batendo no vidro da janela – claro, depois de averiguar se não havia nada de perigoso ali dentro, tipo cadáveres ou, como sempre, patos – para chamar a sua atenção, antes de abri-la por completo e subir ali em cima.

–– O que você está fazendo na minha janela? –– Jungkook questionou, parando em frente ao loirinho encapetado. Havia apenas a escrivaninha entre eles.

–– Bom dia, Jeonsaekki! –– Jimin colocou os braços na cintura, fazendo uma pose triunfante. Eram oito da manhã e tinha um menino maluco entrando da forma mais estranha possível na sua casa, daí pode se explicar o mau humor do garoto naquele momento; a sua sobrancelha esquerda moveu-se para cima e para baixo, em um tique nervoso. –– Pronto para um dia de estudos?

–– Você vai cair.

–– Claro que não, eu sou incrí-

E, com isso, Jimin se desequilibrou de cima da janela. Seus braços começaram a movimentar freneticamente de um lado para o outro, tentando buscar um apoio, mas não encontraram nada além de ar. Com o corpo indo para frente e depois para trás, ainda não decidido para onde cairia, finalmente chegou a uma conclusão: indo na direção de Jungkook, o menino loiro deu um gritinho nem um pouco masculino, estendendo os braços na direção do garoto na esperança de que ele o segurasse.

–– YAAAH!

BAM!

O corpo de Jimin chocou-se contra o alheio – os fazendo bater a testa – com tanta força, que o desequilibrou também; e logo ambos estavam perfeitamente aterrissados no chão duro e gélido de vinílico do quarto. O corpinho pequenino do hyung estremeceu em cima do grande do dongsaeng, gemendo desgostoso pela dor que se instalou na testa e ouvindo o outro abaixo de si fazer a mesma coisa. Olhou para as mãos desesperadamente, percebendo que seu celular não estava ali, e se esticou para pegá-lo ao lado da face do garoto moreno.

–– Ainda bem que não quebrou. –– Sem perceber, Jimin se sentou no colo de um Jungkook deitado no chão, soprando no aparelho eletrônico para tirar o pouco de poeira que tinha em cima de sua tela. O loirinho deu um sorriso, mostrando o aparelho em suas mãos em direção ao que estava embaixo de si. –– Olha, eu ganhei um celular!

Ele fez um biquinho ao lembrar-se de que ele era do seu pai, mas repreendeu-se, balançando a cabeça. Não queria lembrar dele naquele momento.

–– Eu vim pra cá andando. Fiquei morrendo de medo porque fui sozinho, mas está tudo bem, eu já… Hã… –– Jimin quase deixou escapar “Eu já fiz a checagem do perímetro para ver se não tinha nenhum nazista ou nenhum pato armado tentando me matar”, mas imaginou que isso não seria algo tão normal de se dizer. –– Eu já… Superei! É, isso, eu superei o medo.

Jungkook segurou nos pulsos do menino, o surpreendendo. Jimin lançou-lhe um olhar intrigado, como se tentasse descobrir quais seriam os seus próximos movimentos; até a cena na biblioteca veio na cabeça, fazendo suas bochechas corarem um pouco. Porém, diferente daquela vez, o garoto puxou o que estava no seu colo para perto, e, com a perna, o impulsionou para frente até ele dar uma cambalhota por cima de Jungkook e cair de costas no chão, batendo as pernas no guarda-roupa.

–– Você tem muita coragem para fazer isso comigo, Park. –– Jimin engoliu em seco depois de um tempo tentando entender o que acabou de acontecer, observando a imagem agora de pé de um Jeon bem irritado acima de si.

O loiro deu uma risadinha nervosa para descontrair.

–– Não seja chato e me ajude a levantar, Jeonsaekki.

Ele segurou na mão do menor, parecendo o ajudar a se levantar, mas o moreno apenas fez isso para depois girá-la pelo dedão, causando com que Jimin soltasse um gritinho desesperado.

–– Tá bom, tá bom, desculpa, desculpaaa!

Jungkook o soltou, e o outro suspirou derrotado. Pegou a bolsa que também havia ido para o chão junto com os dois. Agora que a confusão principal acabou, o menino tomou uma chance para observar o cômodo em que estavam. Da forma mais discreta possível, o Park passou os olhos cinzas pelo local novamente, fazendo mais uma varredura. Haviam duas cores principais no quarto: preto e azul-escuro. A cama era desse último tom, encostada na parede, com gavetas embaixo e um criado-mudo ao lado. A parede era preta, com prateleiras cheias de livros e uma escrivaninha com uma janela na frente – a qual havia sido o seu meio de entrada. Em cima da escrivaninha tinha um monte de blocos de desenho, e uma tela de pintura se estendia ao lado de uma porta das três portas do quarto. A primeira era provavelmente a de entrada, pois dava para ver um pouco da sala por ela estar entreaberta, já a segunda estava totalmente aberta e dava para ver o banheiro, e a terceira possuía uma identidade desconhecida ainda.

Tudo arrumadinho.

É a cara dele mesmo.

–– E então, o que vamos estudar? –– Jimin perguntou, se espreguiçando ao passo em que seguia para a cama de aparência convidativa e sentava ali. Jungkook o observava em silêncio. Seguiu até a porta que dava para a sala e a fechou por hábito.

–– O que você trouxe? –– Ele puxou a cadeira da escrivaninha e se sentou nela, colocando os pés em cima da cama e deixando a cabeça pender para trás, olhando o teto do quarto.

Jimin deu um sorrisinho e puxou de dentro da bolsa um PSP antigo que havia ganhado no aniversário de doze anos. Jungkook rapidamente se aproximou e puxou o aparelho eletrônico das mãos do Park, tirando dele uma expressão irritada e indignada.

–– Por que você tem que tirar toda a minha diversão? –– bufou o loiro.

–– Você veio para estudar, não para jogar.

Com murmúrios de chateação, tirou o livro de matemática de dentro da bolsa. Deitou-se de barriga para baixo na cama, apoiando-se nos cotovelos enquanto abria na página certa da matéria de quadriláteros notáveis. Era um pouco exaustivo ter que dar todos esses conteúdos do começo, afinal o terceiro ano era justamente uma revisão de todos os outros anos. Mas, bem, era o necessário para arranjar um futuro adequado no qual não seria atrapalhado por sua maldita esquizofrenia.

–– Não quebre os meus recordes, Jeonsaekki.

Jungkook jogava no PSP de Jimin, esperando que ele tivesse alguma dúvida até lá. Deitou-se na cama ao seu lado, dobrando uma perna enquanto a outra ficava esticada. Depois de um bom tempo remexendo-se de um lado para o outro ali, o garoto finalmente ficou com tédio e desligou o aparelho eletrônico, virando de lado para observar a sua fonte de estresse e entretenimento: Park Jimin. Ele apertava o lábio inferior entre o indicador e o dedão, os olhinhos cinzas caminhando pela página em uma enorme concentração.

Bem, era pelo menos o que queria ter, pois naquele momento tudo o que tinha era um misto de vergonha e irritação pelo fato de Jungkook estar o observando tanto. Franziu o cenho, tentando ao máximo não prestar atenção no encarar mais intenso do que todas as outras vezes em sua direção. Porém, foi tudo inútil, porque mesmo tentando, ele não conseguia se concentrar.

–– O que foi? –– perguntou, por fim.

Os olhos acinzentados de Jimin lentamente se arregalaram pela sensação dos dedos de Jungkook passeando pela lateral do seu maxilar. Fizeram um caminho até o queixo, segurando ali e o levantando para o lado delicadamente. As orbes negras o fitavam com tanta intensidade que o loiro sentiu um calafrio na espinha.

–– Você é lindo.


Notas Finais


Olha aí, Jimin já tá sentando e gemendo. Muito bem, é assim mesmo doehf9ew
Tô brincando, gente
MENTIRA NÃO TO
APOSTO QUE VOCÊS QUERIAM UM LEMON OU PELO MENOS QUE ALGUMA COISA ACONTEÇA HEIN ;) ;) ;)
Não, quié isso, óbvio que vocês não pensam assim, não é?
Cof cof
Me falem a sua opinião sobre a história! É importante saber.
Beiju de arco-íris!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...