História Espada de Sangue - Temporada 2 - Capítulo 14


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Fadas, Família, Feiticeiros, Guardiões Mortais, Lobos, Magia, Morte, Poder, Romance, Vampiros
Visualizações 2
Palavras 1.937
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - 14. Os Deuses Também Caem


Fiquei boquiaberta. Olhei, de um modo incrédulo, o homem à minha frente. Eu nunca tinha visto um Dourado na vida até então. Eu esperava que fossem como deuses, e vê-lo a poucos metros de mim, tão humano, tão frágil, foi uma surpresa.

- Como você veio parar aqui? Como Stefan te prendeu? - perguntei, assustada.

- Estava a caminho da casa do meu filho quando Stefan e o seu exército me capturaram. Ele joga sujo. Ameaçou a vida do meu filho e me deixou sem escolha.

- Oh... - suspirei. - Eu vou ajudar você. Vou soltá-lo, mas não saia antes de passarmos pelo portal. Espere até perceber que a casa está vazia.

Fui tentando chave por chave na fechadura, desesperadamente.

- Ele não vai deixar a casa vazia. - Benjamim balançou a cabeça negativamente. - Vai deixar no mínimo vinte Guardiões me vigiando.

- Você é um Dourado, não é? Eu sou uma Guardiã Mortal e consigo muito bem acabar com alguns Guardiões. Você vai conseguir.

- Estou fraco. Stefan tirou grande parte do meu sangue.

Levantei o olhar para o Dourado caído no chão. Tudo estava clareando. Stefan tirou o seu sangue e injetou em Jake e em mim. Isso explicava a minha facilidade em controlar a mente alheia, as minhas visões frequentes, o líquido dourado escorrendo da minha boca...

- Ele... tirou seu sangue? - indaguei, atordoada.

- Sim. Disse que se o meu sangue é tão poderoso, ele não poderia desperdiçar esta chance - contou. - Seu plano é injetar em si mesmo para se tornar mais forte. Mas ele não correria o risco de dar errado e precisava de cobaias.

- Ele juntou o útil ao agradável - falei a ninguém em particular. - Me sequestrou para conseguir a Espada Dourada, e ainda ganhou Jake de brinde. Aproveitou que estávamos presos para nos fazer de cobaias. Ele não tem limites.

- Stefan quer o poder - afirmou Benjamin. Sua voz encoava alta e grave pela sala. - Ele vai fazer de tudo para consegui-lo. Tudo o que ele diz é apenas pretexto para esconder seu verdadeiro objetivo. A sua gana pelo poder.

Consegui destrancar a porta e a abri. Entrei na sala pequena e me abaixei perto do Dourado.

- Você consegue se levantar? - perguntei.

- Sim... - ele parou e seus olhos foram para o meu pingente. - É você quem está com isso. - Ele sorriu. - Não deixe ninguém por as mãos neste colar, muito menos Stefan.

- Por quê? O que tem esse colar?

- Ele é precioso. Há um enorme poder oculto neste pingente. Só os Dourados podem usar este poder. Apenas uma Guardiã Mortal em toda a história usou. Em mãos erradas isso pode ser perigoso.

- Eu devo devolvê-lo, então. - Quando eu ia tirando o cordão, ele segurou no meu pulso.

- Ele é seu agora.

- Mas não terá nenhuma utilidade comigo - argumentei.

- Você é uma Dourada agora. Terá muita utilidade com você.

Barulhos vinham da lavanderia. Tentei entrar na mente do Guardião desmaiado, forcei minha mente para que comandasse seu corpo do mesmo jeito que eu comando o meu, fui sugada mentalmente e o acordei. Ordenei para que ele ficasse de pé e ele ficou. O meu corpo estava debaixo da janela de vidro. Vi Bryan descendo as escadas. Eu apenas podia comandar os movimentos e as falas do Guardião, mas não podia senti seu corpo nem ver pelo seu ponto de vista.

- Por que a lavadora não estava na frente da porta? - perguntou Bryan.

- Desculpa, esqueci de empurrá-la - o Guardião Mortal se desculpou ao meu comando.

- Fique de olho no Dourado - ordenou Bryan. - Nós vamos sair daqui a um minuto. Os outros Guardiões estarão lá fora se precisar.

- Sim, senhor - disse o Guardião.

Bryan olhou torto para o homem e em seguida saiu. O homem caiu no chão desacordado novamente e eu sai de sua mente.

- Fique com as chaves - falei para o Dourado, me sentindo um pouco tonta. - Tenho que ir. Não posso colocar meu plano em risco.

- Tome cuidado, garota. Faça o que é certo e não deixe Stefan corromper o seu coração.

- Tudo bem. Vou tomar cuidado. - Saí apressadamente do lugar e passei pela lavanderia com cautela.

Na sala estavam Stefan e Bryan em frente a um portal. Me escondi para que nenhum dos dois pudessem me ver.

- Tem certeza que ela não está no quarto? - perguntou Stefan para Bryan. Seu tom de voz era intimidador.

- Tenho. O quarto está vazio.

- Não é possível que ela tenha fugido. A casa está rodeada de magia e Guardiões Mortais.

- Fui no porão e ela também não está lá.

- Olhe na cozinha e depois olhe novamente na lavanderia. Eu vou olhar nos quartos. Talvez ela esteja no quarto de Jake.

Stefan subiu a escada e Bryan entrou na cozinha. Sai rapidamente, evitando fazer barulho. Subi a escada devagar. Passei o olho pelo corredor e Stefan entrou no meu quarto. Apressei o passo e entrei no banheiro. Fechei a porta e joguei um pouco de água no rosto. Esperei que meus batimentos cardíacos se acalmassem e a quando me senti realmente calma, saí do banheiro.

Stefan batia na porta do quarto de Jake, que abriu a porta na mesma hora que saí do banheiro. Stefan virou o rosto na minha direção e abriu um sorriso de alívio.

- Aí está você - disse ele.

- O que está acontecendo? - Jake perguntou.

- Odeio admitir isso, mas fiquei com medo de você ter conseguido fugir - Stefan disse para eu. - Procuramos você pela casa toda.

- Nem toda. Eu estava no banheiro - falei. - Estava passando mal.

- Passou a dor de barriga? - indagou Jake em tom de zombaria.

- Eu estava vomitando - menti e ao fazer uma careta fiz com que eu mesma acreditasse naquela mentira.

- Se precisar de remédios, fale com Bryan - disse Stefan.

- Não está grávida, está? - disse Jake. Eu fiz uma carranca com se dissesse que não estava afim de brincadeiras e ele percebeu. - Ah, tá bom.

- Vocês precisam descer agora.

- Já vamos? - indagou Jake.

- Sim, vamos.

Passei por Stefan, desci a escada e Jake me seguiu. Bryan estava em frente ao portal feito na parede. Ele levantou o olhar quando percebeu a nossa presença.

- Temos que ser rápidos - avisou Bryan. - O portal fechará em minutos.

***

Exalei o ar quente da manhã de Stronghold. O sol já estava nascendo atrás dos prédios. A cidade começava a acordar.

Não dormir a noite toda, pensando se a minha informação chegou no Núcleo. E o simples fato de, agora, eu ser uma Dourada. Stefan não podia descobrir ou usaria isso a favor dele. Mas ele já tinha visto o sangue dourado...

Vai dar certo. Tento confiar nestas simples três palavras. Mas isso não é tudo para me acalmar. Estremeci em pensar que algo pode dar errado e acabar com todas as minhas esperanças de fugir. Nunca me senti tão sozinha, tão intimidada, tão pressionada.

A luz do dia ainda não iluminou o quarto, deixando meio escuro. Mas a escuridão não estar apenas nos quarto, mas em mim também. Sinto como se estivesse sendo obrigada a pular de um penhasco para salvar a humanidade.

A porta se abriu lentamente, Jake entrou e a fechou com cuidado. Levantei da cadeira posta perto da janela. Ele vestia uma calça jeans preta e uma camiseta cinza-escuro.

- O quê que você está fazendo aqui? - sussurrei.

- Precisava falar com você - murmurou ele. - E Stefan está dormindo. Acho que Bryan também.

- O que você quer?

- Fiquei sabendo que você realmente matou um casal.

Sim. Eu realmente matei um casal.

Virei para que ele não pudesse ver minha expressão abatida.

- Eu sei que temos um plano - continuou -, mas não era necessário fazer isso para conseguir a confiança de Stefan. Se tivesse falado comigo, poderíamos ter dado um jeito.

- Não tinha como dar um jeito - falei, firmemente. Virei-me e o encarei. - Isso foi preciso. Mas, acho que agora temos mais esperanças de sair daqui.

- Do que você está falando?

Peguei um papel e uma caneta e escrevi: "Fiz com que o resto da família sobrevivesse e contasse para o Núcleo dos Guardiões que nós estamos em Stronghold. Temos que fazer de tudo para continuar aqui até eles nos encontrarem". Os olhos de Jake brilharam ao ler o que escrevi.

- Não podemos deixar Stefan desconfiar de nada que estamos fazendo - disse Jake. - Temos que ter todo o cuidar para conseguir ir embora.

- A cada minuto que passa minha vontade de fugir aumenta. Stefan é um louco - falei.

- Eu sei. - Jake sentou na minha cama.

- Você não faz ideia do tamanho da loucura dele.

- O que você sabe? - indagou ele.

- Stefan nos fez como cobaias - respondi. Ele me olhou confuso e eu disse: - Ele fez mudanças no nosso sangue.

- Como você sabe disso? Ele te disse?

- Ontem, antes de assassinar o casal, eu mordi a boca - expliquei -  acidentalmente e ao invés de sangue vermelho, saiu sangue dourado.

- Ele injetou sangue Dourado em nós?

- Sim. - Sentei ao lado de Jake e sussurrei mais baixo. - Ele mantinha um Dourado presso no mesmo lugar que ficamos. Stefan tirava seu sangue e colocava em nós dois. Se alguma coisa desse errado nós que morreriamos, não ele. Se tudo desse certo, ele injetaria em si mesmo.

- Ele é pior do que eu imaginava - disse a ninguém em particular.

- Ele nos colocou na mesma sala porque só tinha duas de cada lado. Se o Dourado ficasse do lado oposto de algum de nós, saberíamos de tudo. Então ele nos colocou na sala ao lado da sala do Dourado, porque assim, não teríamos chance de vê-lo.

- Está tudo explicado. - Ele abriu um sorriso maroto. - Stefan não é tão louco assim a esse ponto. Ele é um obsecado pelo poder.

- Extremamente obsecado - acrescentei.

- Você é muito esperta e corajosa, pequena.

- Obrigada. - Sorri rapidamente. - Ah! Lembre-se: nada aconteceu. Você ainda é o mesmo e não tem nada de diferente com você. Você não sabe de nada.

- Está bem  - Ele passou a mão no meu rosto e segurou levemente o meu queixo. - Tome cuidado, pequena. Não corra riscos. E não mate mais pessoas.

- Vou tentar.

Ele se levantou e saiu.

Eu fiquei ali sentada, sozinha, pensando em como Stefan tinham qualquer um em suas mãos. Ele jogava sujo. Ele não iria parar até que alguém colocasse um fim nisso. Eu precisava ser mais corajosa para por um ponto final em suas loucuras.

Naquela noite depois de passar horas revirando na cama, consegui dormir. Minha mente conseguiu me levar para longe dos problemas, para longe dos Guardiões Mortais. Sonhei com Thomas. Um sonho tão real que eu quase podia sentir a sua pele, o seu cheiro.

No sonho, Thomas me dizia que sentiu saudades e que foi o pior erro da sua vida ter me afastado. Eu não dizia nada para consola-lo, apenas apertei sua mão. A melhor parte foi sentir o seus lábios nos meus novamente. Mesmo que em sonho, poderia ser uma grande coisa. Poderia não ser um simples sonho, mas sim uma visão de um futuro próximo, talvez.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...