1. Spirit Fanfics >
  2. Espelho >
  3. Fundo Falso

História Espelho - Capítulo 22


Escrita por:


Capítulo 22 - Fundo Falso


— Sakura-chan não vai voltar mais?

Olhou para o amigo-rival ao seu lado, ele tinha os olhos marejados e uma tristeza absurda na voz estridente.

— A testuda não deu mais notícias.

— Deve haver algum motivo para isso — Shikamaru comentou.

Observava em silêncio os “colegas” falarem sobre sua ex-companheira de time. Estava sentado em uma das mesas do Ichiraku, era aniversário de Shikamaru e Naruto havia lhe enchido a semana inteira para que viesse.

Sentia-se desconfortável no meio dos ninjas. Seu chakra estava selado, apenas uma pequena parte dele ainda estava ali, para que pudesse sobreviver.

Olhou no relógio, passava das dez e amanhã ele ainda teria que fazer as drogas de serviços comunitários, hoje cedo ele tivera que passar pela humilhação de limpar a praça. Só esperava que não o colocassem para cuidar de crianças barulhentas como na semana passada.

Aquele serviço comunitário era pior do que ficar na cadeia, pelo menos na prisão tudo seria silencioso e não havia pessoas para o olharem torto.

Havia finalmente conseguido sua vingança, seu irmão estava morto. Mas o arrependimento ainda pesada sobre seus ombros. A noite ainda tinha pesadelos lembrando-se daquele dia. Do erro que cometera matando-o quando tudo que Itachi queria era o proteger.

Tremeu em lembrar-se do dia, alguém cutucou seu braço, olhou carrancudo para Naruto.

— Não sente falta da Sakura-chan?

Arqueou uma das sobrancelhas negras para o loiro. Desde que voltara – depois do loiro tanto, tanto insistir – ao contrário do que imaginara Sakura não viera correndo em seu encontro.

Ela não estava quando ele chegou, não estava no escritório de Tsunade, nem em lugar algum. A irritante Sakura havia sumido – na verdade ela estava em missão – segundo Naruto lhe dissera.

— Ela não podia ter ido daquele jeito. Jamais a perdoarei — A loira de rabo-de-cavalo comentou novamente.

— Aonde vai Sasuke? — O loiro gritou.

— Para casa.

Ninguém comentou nada. Continuou andando rumo a sua casa.

Tremeu com a lembrança. Sentado no sofá da sua casa, no escuro, lembrou-se de quando tinha voltado de Konoha. Naquela época todos esperavam ansiosamente que Sakura voltasse, e ela voltou. Mas agora ele tinha medo que ela nunca mais fosse vista que ela virasse uma lápide no cemitério. Seu estômago se remexeu.

♦ ♦ ♦

Bateram na porta três vezes antes de entrar. Não conhecia o rapaz, era alto, tinha os cabelos em um castanho bem escuro e um pouco magrelo demais.

Ele olhava para os lados, como se o fato de estar em um hospital o deixasse nervoso. Os dentes mordiam seu próprio lábio com força, deixando-os avermelhados e um pouco inchados.

Ele olhou para ela e desviou o olhar. Parecia ser uns três anos, talvez, mais novo do que ela. Ele observou o redor, como se temesse encostar-se a algo e pegar uma doença altamente perigosa e acabar no mesmo estado do que ela.

O menino usava uma calça em um tom de bege larga, e uma blusa azul, apertada demais, segurava uma prancheta e uma caneta.

— Sa-aku-kura-s-s-as-n-san?

Segurou-se para não rir, o menino gaguejou em cada letra, como se tivesse medo dela, ele tossiu duas vezes e se aproximou mais da cama.

— Sim, sou eu.

Ele respirou fundo para tentar falar.

— S-s-sou, K-k-kou-ji — Ele pareceu perceber que ela não havia entendido, respirou fundo e recomeçou — Kou-uji. Kouji — Tentou de novo até conseguir falar sem gaguejar.

— Prazer Kouji, não precisa ter medo nem ficar nervoso, está tudo bem, você não vai pegar uma doença contagiosa e eu não vou lhe machucar, até porque não estou bem para fazer isso — Disse e ergueu com dificuldade o braço onde o soro intravenoso estava localizado.

— Eu... Fui man-man-dado pelo g-rupo de in-v-ves-t-tiga-dores.

— Ah! Sim.

— B-be-em, pre-rec-ci-s-so, qu-ue me fal-le o qu-e se l-lem-br-bra.

Suspirou, seria difícil conversar com aquele garoto com ele gaguejando daquele jeito, mas era melhor do que Ibiki.

♦ ♦ ♦

— Naruto você quer se tornar Hogake, sim?

— É obaa-chan.

— Então tenho um treinamento muito, mais muito importante para você.

— O que, o que? — Os olhos do loiro brilharam.

— Bom, quem fazia isso era Shizune, mas como Sakura está doente, Shizune tem que ficar no hospital no lugar de Sakura, então essa tarefa ficou sem fazer, posso confiar em você para isso?

— CLARO QUE SIM BAA-CHAN!

— Ótimo, quero que organize todas essas pilhas de papéis — apontou para as várias e várias pilhas e mais pilhas de papeis do chão do seu escritório.

— O-o-o-o-que?

— Isso provará que você será um bom Hogake, eu voltarei em algumas horas, irei passar no hospital, e ver alguns pacientes. Quero tudo arrumado e separado quando voltar, boa sorte!

— Mas... Mas... Mas...

E a porta foi fechada. Deixando-o ali sozinho no meio de pilhas e pilhas de papeis. Chegou perto de uma das pilhas e bocejou em preguiça.

Começou pela menor, foi lendo os títulos, missões, missões, missões, problemas, mais missões. Não sabia como separaria aquilo, nem como dividiria, coçou a cabeça em irritação.

Quando acordou a baba escorria de sua boca, olhou para o lado, a pilha menor estava pela metade, ainda não tinha arrumado nem um quarto do que deveria ter arrumado.

Levantou do chão, andando até a cadeira de Tsunade. Sentou na cadeira, olhando através da grande janela de vidro, teve uma sensação boa ao sentar na cadeira, pensando em como logo aquela cadeira, aquela sala lhe pertenceria.

Sorriu, colocando as mãos atrás da cabeça, girou na cadeira olhando a mesa de mogno com duas gavetas. Sorriu maliciosamente tentando imaginar o que a loira guardava nas gavetas.

Abriu à primeira. Garrafas pequenas de sakê? Ãh? E mais papéis, missões... Uma gota desceu pela lateral da sua face. Esperava algo extraordinário, não aquilo...

Abriu a segunda gaveta, um batom e uma caneta. Só. Mais nada. Fechou a gaveta, deu mais um giro na cadeira e riu baixinho. Olhou novamente para a gaveta, a última que ele abrira era tão alta por fora... E tão rasa dentro...

Observou e abriu-a novamente, olhando para o batom e para caneta, fechou, a gaveta alta, abriu, a gaveta rasa, algo parecia não se encaixar.

Tocou no fundo da gaveta, a madeira se mexeu e pareceu afundar, levantou a madeira e entendeu, era um fundo falso. Riu maliciosamente imaginando o que encontraria lá.

Havia uma foto, de um garoto pequeno, com cabelos castanhos claros, o garoto usava uma bandana de Konoha, e tinha um sorriso deslumbrante no rosto. Não soube dizer quem era aquela criança. ¹

Depois tinha também outra foto, desta vez eram Tsunade, Orochimaru e Jiraya, sorriu com a imagem de seu ex–mestre, tinha muitas saudades dele. A foto era velha, em preto e branco e tinha uma parte rasgada.

Sentiu-se culpado por estar invadindo algo tão pessoal. Guardou as fotos na gaveta e quando estava prestes a fecha-la algo chamou sua atenção dentro da gaveta.

“Corpo de delito”

Não entendia muito bem o que era isso, mas pensou o porquê Tsunade teria algo como aquilo guardado em uma gaveta com fundo falso.

Pegou o papel grampeado em outros e passou os olhos pelo papel, reconheceu algumas palavras como manchas, marcas, agressão, algumas partes do corpo, sangue, coxas, virgem, seios e mais algumas palavras que ele não entendia.

Reconheceu também as palavras: violentada, estupro – seu estômago revirou com a menção de palavras como aquela.

E por fim reconheceu um nome. Seu estômago se revirou e seu corpo teve um calafrio. Segurou os papeis firmes na mão, pensando em quem pertenciam aqueles exames, o nome estava escrito em uma caligrafia elegante, deixando-o enjoado. Haruno Sakura.

Levantou-se segurando os papéis na mão. Andou apressado pelos corredores da torre. Quando saiu na rua, o crepúsculo estava presente no horizonte. Por quanto tempo dormira?

Subiu nos telhados feito um macaco pegando um atalho, até seu destino, correu como se sua vida dependesse disso, seu coração parecia pular de seu peito, seu peito parecia querer explodir.

Quando chegou estava tudo escuro, algumas casas estavam sem acabar, outras caindo aos pedaços, nenhuma luz estava acessa dentro de casa. Mesmo assim, com a luz proveniente do crepúsculo que já se ia, era possível ver a estrutura imponente da casa.

Antes de bater na porta, uma luz foi acessa e a porta foi aberta, provavelmente Sasuke sentira seu chakra. Entrou com raiva, ainda com os papéis nsa mãos.

— O que está fazendo aqui essa hora?

— VOCÊ SABIA DISSO?

Por mais que quisesse não conseguiu controlar o tom da voz, a raiva subiu pelo seu corpo, tinha certeza que deveria estar vermelho de raiva.

Sasuke olhou sem entender para ele, pegou o papel e jogou no rosto do moreno, Sasuke tirou com raiva o papel do rosto e colocou mais longe para que pudesse ler, assim como ele, passou o olhar pelo papel e pareceu entender.

— ENTÃO, VOCÊ SABIA?

O moreno não respondeu, apenas olhou para o lado, e colocou o papel em cima da mesa de centro. Sentiu a raiva apossando-se dele, a última coisa que viu foi seu punho voando em direção do Uchiha.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...