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História Espelho - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Costas Quentes


O moreno desviou do seu soco sem fazer esforço.

— Pare com isso Naruto!

— PORQUE NÃO ME CONTOU?

O loiro investiu sobre ele novamente, desviou segurando os punhos do loiro, ele se soltou e respirou pesadamente.

— Ela não me contou! Eu descobri!

— Deveria ter me contado.

— Eu não podia invadir a privacidade dela assim.

— E VOCÊ NÃO FEZ NADA?

— O que eu poderia ter feito?

— Quem fez isso com ela?

— Eu não sei.

— E não fez nada para descobrir?

— O que eu poderia fazer?

— Descobrir, pesquisar.

— Como? Não faço nem ideia de quem pode ter sido!

— Seu bastardo!

— Por que está me xingando afinal? Você estava aqui! Você deveria protegê-la! — A voz dele aumentou dois terços, embora ele não tenha gritado, Sasuke nunca gritaria, pensou o loiro.

— CLARO, PROTEGÊ-LA VIROU A MINHA FUNÇÃO ATÉ PORQUE VOCÊ FOI EGOISTA O SUFICIENTE, PARA IR EMBORA E DEIXA-LA SOZINHA! — O loiro gritou.

O soco veio rápido demais, o Uchiha não conseguiu desviar, foi jogado batendo as costas largas no sofá e derrubando o móvel.

— Pare de agir feito criança Naruto! — Disse quando se levantou, limpando o sangue do supercílio — Pare com isso! Toda hora que algo que você não gosta acontece você começa a descontar nos outros! Primeiro em saber da doença, agora isso. A culpa não foi minha! Eu não abri a boca da Sakura e joguei potes de remédio nela para que ela pegasse uma doença, e não fui eu quem a violentei! Pare de agir com infantilidade, você não pode vir me bater e gritar comigo toda hora que você descobrir algo que não gosta.

— SEU IDIOTA! VOCÊ DEVERIA TER ME AVISADO, DEVERIA TER IDO ATRÁS DE DESCOBRIR QUEM É!

— Como eu iria descobrir? Traumatizando-a ainda mais perguntando de hora em hora por quem foi? Acho que ela já está sofrendo o suficiente.

— DEVERIA TER IDO PROCURAR QUEM FOI!

— Nossa! Ótima ideia, Naruto! Vou sair perguntando de casa em casa em todas as vilas, “você violentou a Sakura?”, por que eu não pensei nisso?

— Seu bastardo.

— Pare de me chamar assim!

— Como você pode... Não fez nada...

— O que eu poderia ter feito?

— Eu não sei... Deveria ter feito algo...

— Pare de falar como se eu não me importasse. Eu não durmo direito deste que descobri essa droga! Então pare de agir como se você fosse o único preocupado aqui! Agora saia da minha casa.

O loiro arregalou os olhos por algo que ele não entendeu. Depois deu meia volta, pegando os papeis na mesa de centro e se dirigindo até a porta.

— Sinto muito — O loiro lhe disse sem olhar para ele.

— Tudo bem.

E o loiro se foi, sumindo na rua que já havia se tornado negra.

♦ ♦ ♦

— Você... Sabe se está tudo bem com Naruto?

Sakura se pronunciou pela primeira vez desde que entrara no quarto. Fazia dois dias que Naruto havia descoberto, e pela pergunta da rosada o loiro idiota não viera vê-la desde então.

O que... O que aquele idiota estava pensando afinal? Estava querendo deixar Sakura preocupada com ele, enquanto ele bancava uma de ofendido? Que ótimo.

— Ele... Está.

Ela concordou com a cabeça, e não disse mais nada. Depois do incidente na casa dela, eles estavam um tanto quanto estranhos um com o outro, apesar de terem falado há algum tempo atrás que estava tudo bem entre eles, ele a via corar – na medida do possível, devido sua pele pálida – a cada minuto que seus olhares cruzavam.

E ele tentava a todo custo agir normalmente, porém toda vez que olhava para ela, acabava lembrando-se da casa dela e da burrada que havia feito.

Quando olhou novamente para ela, Sakura estava verde. Sua cor amarelada havia sido substituída por uma ainda mais pálida. Ela estava sentada – na medida do possível – encostada na cabeceira da cama.

Mas depois desse seu mal estar, ela pareceu escorrer, deitando seu corpo na cama de mau jeito. Seus olhos pareciam alheios do que acontecia ao seu redor, estavam opacos.

As mãos pequenas, com o soro ainda residindo em uma delas, foram parar na parte abdominal do corpo esguio. Ela se encolheu com dificuldade e gemeu baixo, provavelmente de dor.

Aconteceu tudo tão rápido que ele não conseguiu assimilar nada. Abriu a porta com pressa e chamou por alguma enfermeira. Ela entrou rapidamente no quarto, uma médica que auxiliava entrou junto.

— Tsunade-sama está aqui? — A médica perguntou para ninguém em particular enquanto colocava o estetoscópio sob o peito de Sakura.

— Ela estava fazendo uma cirurgia — Uma das enfermeiras respondeu — Não sei se já foi embora.

— Procure-a, não posso fazer nada se ela é a responsável pelo caso.

— Como ela está? — Outra enfermeira de meia-idade perguntou.

— O coração não está afetado, não entendo o que está acontecendo.

— O que está acontecendo?

Tsunade perguntou passando por ele, que estava encostado na parede mais afastada, tentando assimilar tudo que estava acontecendo.

— Os batimentos parecem bons, mas ela está com dor.

— Está suando, parece ter náusea.

— Peguem o soro. Sayuri traga-me analgésicos líquidos, para colocar no soro, rápido.

A enfermeira saiu apressada, e logo estava de volta. O remédio foi colocado junto ao seu soro. Esperaram algum tempo, Tsunade fez algo com chakra sobre o abdômen de Sakura que ele não entendeu. Ela relaxou, mas continuava encolhida.

— Os remédios para a doença estão fazendo efeito, isso deve ser um efeito colateral. Agora vamos para o banheiro.

Sakura não parecia conseguir andar, ela não parecia ao menos conseguir levantar a cabeça, ela estava pálida, quase fantasmagórica, e fraca. A Godaime tirou o soro perdurado segurando-o nas mãos e o chamou em seguida.

— Sasuke?

— Hum?

— Pode leva-la até o banheiro? — Assentiu com a cabeça, se aproximando da cama.

— Tente não fazer movimentos rápidos ou bruscos.

Assentiu novamente. Quando se aproximou Sakura ainda estava encolhida, com os olhos fechados como se aquilo a ajudasse a melhorar. No momento que colocou as mãos no colchão, enfiando ambas as mãos embaixo do corpo pequeno, sentiu a pele suada das costas dela, quente.

Repeliu a mão, e colocou-a mais para cima, em um lugar onde a camisola estivesse devidamente fechada. Pegou-a com cuidado, equilibrando o pouco do peso da garota nos dois braços.

Levantou-a com cuidado, temendo que o menor do movimento fizesse com que ela se estilhaçasse em seus braços. Andou até o canto do quarto, onde a porta do banheiro estava. Tsunade o seguida, segurando o soro próximo a Sakura como se ele fosse sair do braço dela a qualquer segundo.

Uma enfermeira abriu a porta do banheiro relativamente grande.

— Sakura? Sakura? Consegue me ouvir? — Tsunade que estava logo atrás dele, já dentro do banheiro perguntou.

A rosada balançou afirmativamente com a cabeça, fraca, mas ainda com os olhos fechados.

— Consegue ficar em pé?

— Estou com náuseas — Ela não respondeu Tsunade, apenas fez uma afirmação.

— Sasuke, tente coloca-la em pé.

Com cuidado, tombou o corpo pequeno na vertical, a fim de atender ao pedido de Tsunade. Sakura gemeu baixo, mas colocou os pés no chão, sem força, embora todo o seu peso ainda estivesse apoiado no corpo do moreno, como se ela não conseguisse colocar os pés devidamente no chão.

Esperou, mas Sakura parecia não tirar o peso de si, soltou-a com cuidado. Foi rápido demais, em um segundo ele tinha parado de deixa-la de apoiar seu peso nele, e no outro ela caia de joelhos no chão.

Ele assim como as enfermeiras e a própria Tsunade vieram ao seu encontro, tentando segurá-la. Nenhum deles conseguiu, enquanto caiu, ela apoiou sem força os cotovelos no vaso sanitário que estava logo à frente.

— Sakura, Sakura? O que está acontecendo? — A loira perguntou.

— Eu não sinto meus pés — A voz dela estava embargada, ela caiu para trás não conseguindo mais apoiar seu peso nas mãos.

Segurou-a agachando-se no chão, atrás dela, apoiando o peso dela em suas mãos grandes.

— Eu não sinto meus pés — Ela repetiu novamente — Eu não sinto meus pés — Mais uma vez, com a voz embargada, decepcionada.

— Eu não sinto meus pés... Minhas mãos estão com pouca sensibilidade também... Eu não sinto meus — Ela soluçou — pés. Eu... Tinha notado há alguns dias atrás, mas... Eu pensei que voltaria. Eu não — Ela soluçou novamente — Sinto meus pés.

Ela repetiu isso varias vezes como se estivessem tentando fazer a si própria a acreditar nisso, seu estômago se revirou.

— Eu vou...

Ela não continuou, uma das enfermeiras abriu a tampa do vaso em frente a ela, aproximou-a mais, ela estava mole.

— Sa-ai-a. – Levantou uma das sobrancelhas negras, não soube dizer para quem ela havia dito aquilo — Sasuke, saia.

Tsunade veio de encontro à rosada enquanto uma enfermeira recém chegada ocupou o lugar da loira segurando o soco, a Godaime veio agachando-se como ele estava, e apoiando o peso da pupila como ele estava fazendo. A loira olhou para ele, assentindo com a cabeça, como se dissesse para que ele saísse.

Levantou-se contrariado, olhando para a rosada. Uma parte da sua camisola branca de hospital estava aberta nas costas, revelando um pedaço de suas costas lisas, pálidas e suadas.

Saiu do banheiro, encostando a porta. Ainda no quarto pode ouvir o som de tosse, podia apostar que ela estava vomitando e em seguida o som do chuveiro sendo ligado. Alguém falava algo, mas se desligou das vozes ali dentro.

— O que está acontecendo? — Naruto entrou no quarto, olhando para a porta fechada do banheiro.

— Efeitos colaterais.

— Hã?

— Ela está passando mal.

Ele estava sentado na beirada da cama. Naruto veio até ele.

— Mas... O que...?

Olhou para onde o loiro olhava. No travesseiro de Sakura havia vários fios rosa, deixando evidente que seus cabelos estavam caindo. Algo em seu estômago se remexeu novamente.

Uma enfermeira saiu pela porta do banheiro, e depois entrou novamente segurando algo que ele não soube identificar. Pode ouvir a respiração pesada do loiro, estavam os dois ali, de braços cruzados, esperando pelo pior.



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