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História Espelho - Capítulo 24


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Capítulo 24 - Calça Jeans


— Não me deixe.

Ele e Naruto olharam para enferma, que dormia na cama depois de tomar remédios.

— Não me deixem.

Ambos se remexeram, Naruto sentado na cadeira próxima à cama e ele sentado no sofá. Há algumas horas Sakura estava falando coisas sentido (outro efeito colateral, falar durando o sono) e até agora nenhum deles haviam entendido sobre o que ela estava falando.

— Vocês não podem ir assim...

Por um momento, há meia hora ele realmente havia pensado que Sakura estava falando sobre ele, mas depois ela começou a colocar tudo no plural, como se falasse com duas pessoas.

— Não me deixem sozinha. Eu...

Naruto se remexeu novamente, aproximando-se mais da cama tentando entender melhor as palavras desconexas e baixas que ela sussurrava.

— Eu... Já perdi... Ele.

Um arrepio subiu pelo seu corpo, Naruto o olhou, o “ele” da frase dela, era ele sem dúvidas.

— Não posso perder vocês... Também.

Ela se remexeu inquieta. Era estranho ver os lábios dela se mexendo vagamente, enquanto ela estava com os olhos fechados.

— Mamãe?

Era isso. Sakura estava sonhado com os pais, que segundo Naruto haviam falecido há algum tempo atrás, embora ele não soubesse do que.

Ela não falou mais. Só se remexeu algumas vezes, antes de suspirar e ter um sono mais tranquilo. O quarto ficou em silêncio.

Mais tarde, quando ela ainda estava dormindo, Tsunade passou no quarto. Naruto foi correndo até ela, perguntando o que tinha acontecido.

Desde ontem – quando Sakura tivera aquele mal estar – a loira não tinha voltado. Ele e Naruto ficaram ali, feito dois bobos, ouvindo Sakura falar durante metade da noite, e dormir tranquila na outra metade.

— Isso é um efeito colateral Naruto — Ouviu Tsunade responder sobre alguma pergunta que o loiro havia feito.

— Mas... O que acontece agora?


— Mandei uma carta para as vilas que mandei os exames, pedindo que se apressem, estou fazendo o possível aqui também, tenho que apressar isso e tentar achar um doador, Sakura está com a imunidade muito baixa, e não vai aguentar os efeitos intensivos dos remédios fortes. Faz pouco tempo que ela está os tomando, e já está tendo efeitos colaterais.

Naruto não respondeu, nem ele.

— Me... Me... Sol-olt-olte.

Os três olharam para Sakura que estava se remexendo, ainda falando em um provável sonho.

Pesadelo, ele se corrigiu quando viu a garota se encolher e ainda dormindo uma lágrima escorreu pelos seus olhos fechados. Havia gotas de suor na sua testa, e ela se contorcia.

— Alguém... Alguém me ajude.

A loira andou até o banheiro, molhando um pano branco e colocando sobre a testa da pupila, provavelmente ela estava com febre.

— Pa-pa-pare. Por favor... Não... Não quero... Deixe-me ir.

Ele e Naruto pareceram entender sobre o que ela estava sonhando, ou relembrando. Algo em seu peito se retraiu.

— Talvez seja melhor vocês dois irem para casa, ou comerem algo na praça de alimentação. Vocês podem voltar mais tarde.

A Godaime disse, não querendo que os dois ficassem ali ouvindo. Antes de sair pela porta com Naruto ainda pode ouvir Sakura sussurrando mais palavras sem nexo. Dessa vez ele soube o que se retraiu, seu coração que se apertou em seu peito.

Ele e Naruto passaram pelas portas duplas do hospital, precisava de um banho urgente.

— Você vai voltar depois? — O loiro lhe perguntou.

— Não sei.

— Eu tenho um jantar com a família de Hinata, vamos adiantar nosso casamento.

— Por quê?

— Hinata está grávida.

Arregalou os olhos, conhecendo Hiashi, era lógico que se ele descobrisse tanto a morena quanto o Uzumaki estariam ferrados.

— Dobe! Como pode ser descuidado desse jeito?

O loiro cosou a nuca, e deu uma risada sem graça.

— Eu não pensei que ela fosse ficar grávida.

— Bem quando você... Geralmente isso serve para mulheres engravidarem.

O loiro sorriu sem graça novamente. Mas nenhum dos dois disse nada. Continuou andando, Naruto estava ao seu lado, milagrosamente quieto. Quando estava prestes a desviar, rumo a sua casa, o loiro se pronunciou.

— Bem... Eu realmente não posso faltar no jantar de Hinata. Se por acaso você for ao hospital, ou ficar sabendo que algo aconteceu, mande me avisarem.

Balançou a cabeça em afirmação antes de seguir para sua casa. Quando chegou, tirou a roupa e entrou em baixo do chuveiro, tentando fazer com que seus músculos quentes relaxassem.

Não deu certo, mesmo depois de tomar banho seus ombros ainda pareciam pesados. Enquanto se trocava, viu o porta-retratos dessa vez exposto, o cabelo loiro e a cara emburrada estavam lá, assim como a sua própria. Mas também havia um sorriso, feliz, alegre e cabelos róseos. Mesmo que aquilo fosse contra seus princípios, ele desejou que aquele sorriso voltasse a emoldurar os cabelos róseos como antes.

♦ ♦ ♦

Ajeitou a roupa em frente ao espelho, ainda que estivesse usando roupas diferentes das usuais, sua blusa preta também – assim como sua jaqueta – tinha desenhos laranja. Tinha algum tipo de ligação com essa cor que ele não sabia explicar.

E indo contra todo o seu vestuário, ele estava usando calça jeans. CALÇA JEANS! Eca. Ajeitou a camiseta novamente frente ao espelho, estava parecendo um playboy, estava parecendo Sasuke fora de missões.

Tudo isso para passar uma boa impressão para Hiashi? Na verdade tudo isso para que Hiashi não o capasse. Rezava mentalmente para que ninguém na casa de Hinata fosse tão bom em observar quanto Sakura, visto que Hinata havia lhe dito que a rosada havia descoberto só olhando.

Por mais que lhe doesse adiantar seu casamento, visto que Sakura não poderia ir, ele não poderia deixar que Hinata se ferrasse com o pai, sendo que ele mesmo havia sido descuidado o suficiente para deixar a Hyuuga grávida.

Ele havia errado, na hora da pressa não havia se prevenido e agora estava pagando pelo seu erro. Não que ele achasse que ter um bebê seria um erro, ele gostava se crianças e mal podia esperar para finalmente ver o rosto de seu filho.

Casar-se com Hinata era seu sonho, só não havia esperado que fosse tão às pressas assim.

Por mais que tentasse se focar inteiramente em seu casamento, não conseguia. Sempre acabava pensando nos cabelos róseos. Ele ainda não havia conversado com ela e lhe pedido perdão pelo o que tinha feito, não deixando que ela se explicasse quando ela só estava protegendo ele e Hinata.

Olhou no relógio, sete e quarenta e três, talvez se chegasse pontualmente as oito ganhasse um crédito com Hiashi, embora duvidasse disso. Passou o perfume que Hinata havia lhe dado em alguma data comemorativa que ele não lembrava.

Depois fechou a porta de casa e foi andando até a casa da noiva sem pressa, sabia que tinha alguns minutinhos a mais. Passou até uma floricultura que ficava aberta até mais tarde e comprou algumas rosas brancas (as preferidas de Hinata).

Bateu duas vezes na porta da casa principal antes que um serviçal a abrisse. Entrou, olhando para os lados procurando Hinata, logo ele a viu sentada junto de seu pai.

Hiashi levantou, lhe fez uma pequena referência e andou até a mesa de jantar. Andou até Hinata e lhe entregou as rosas. A morena pegou as rosas tão feliz como se as simples flores fossem diamantes.

Viu a noiva levar as rosas até o nariz, cheirando a fragrância e depois dar para uma das empregadas para que ela as colocasse na água. Depois ela segurou sua mão, apertando-a fracamente, antes de dar um suspiro e andar até a mesa onde seu pai estava.

Sentaram-se, seu pai na ponta, ela de um lado, e ele de outro.

— Então Hinata, por que pediu por esse jantar?

Sua namorada lhe olhou de forma significativa, podia jurar que os lábios dela tremeram. Acenou com a cabeça, como forma de tranquiliza-la.

— Nós queremos apressar o casamento — Disse tentando parecer o mais convincente possível.

— Por quê? O casamento já está marcado para daqui três meses, não vejo razão de adianta-lo.

— Naruto-kun terá uma missão e vai passar muito tempo fora, e ao invés de nos casarmos quando ele chegar queremos nos casar antes.

— Andaram fazendo algo de errado?

— Claro que não. Só queremos casar antes de eu ir para a missão, afinal não sei quando vou chegar.

— E para quando querem marcar?

— Daqui um mês?

— Não temos como arrumar tudo até um mês.

— Eu cuidarei de tudo Hiashi-sama.

— De modo algum. Se minha filha vai casar, eu devo arrumar as coisas. Alias vocês ainda não escolheram qual casa do clã vão querer morar.

— Eu gostaria de comprar uma casa, fora do clã.

— Ficou louco? Hinata é uma Hyuuga e deve morar onde lhe pertence.

— Eu não posso deixar...

— Deixo você mobiliar a casa, se isso lhe fizer sentir-se melhor. Sem falar que é por pouco tempo, logo Hinata assumirá a liderança do clã, ela já está sendo treinada para tal e quando ela o fizer é claro que ela irá morar na casa principal.

— Papai...

— Resolvemos isso depois — O loiro lhe interrompeu — Podemos adiantar o casamento?

— Já que vocês querem... Tudo bem, também não vejo porque adiar se Hinata não vai desistir de você mesmo, nem arrumar coisa melhor.

— Ainda vai ter orgulho de ter sido eu a casar com Hinata, Hiashi-sama.

— Claro — O tom de deboche magoou seu interior, mas não deixou que transparecesse.



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