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História Espero por você (percabeth) - Capítulo 21


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Capítulo 21 - Capítulo 21


Duas coisas aconteceram no Natal.

                 Meu pai me mandou uma mensagem desejando “Feliz Natal”. Sério? Não escreveu mais nada. Muito pessoal. Amo você também, pai. 

                E nevou naquela noite.

                Eu nunca tinha visto nevar no Natal.

                Dando espaço a um mínimo de empolgação, vesti minha jaqueta, calcei um par de botas grossas e saí. Mesmo sabendo que ninguém estava no apartamento, nem mesmo Grover, olhei para a porta deles ao chegar à escada. Fiquei me perguntando quem estaria tomando conta de Raphael.

                Um sentimento pesado se instalou no meu peito ao descer os degraus e sair do prédio. Luzes multicoloridas enfeitavam as janelas de alguns apartamentos. Em outras, árvores de Natal iluminadas brilhavam. Eu não tinha feito nenhuma decoração. Nada daquilo fazia sentido, mas havia comprado um presente de Natal para mim mesma.

                Uma bolsa carteiro nova — de couro envelhecido. Uma bolsa nova para um novo semestre.

                Eu não sabia para onde estava indo, mas me vi no pequeno trecho de grama do outro lado do último prédio. Flocos brancos e fofos já cobriam o chão e caíam em grande quantidade.

                Enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta, tombei a cabeça para trás e fechei os olhos. Pequenos flocos caíram no meu rosto e nos meus lábios. Cada pedacinho era gelado e úmido. Fiquei tempo o bastante para que, se alguém me visse pela janela, achasse que eu tinha ficado maluca, mas eu não dava a mínima. Percy não tinha entrado em contato comigo desde o dia das compras. Não que eu esperasse o contrário, mas surgia um aperto no meu coração toda vez que olhava o celular e não via notícias dele. Que coisa de maluco! Eu disse que não queria falar com ele, então ele parou. Será que era isso o que eu queria?

                Um tipo diferente de umidade cobriu minhas bochechas, misturando-se com a neve, então suspirei. Abrindo os olhos, observei a neve cair por mais alguns segundos e voltei para dentro.

                Assim que parei na frente da minha porta, olhei para o apartamento de Percy e suspirei:

                — Feliz Natal.

 

* * *

 

                No dia seguinte ao Ano-Novo, cansei do meu confinamento solitário e fiz o que queria. Mesmo diante de um dia frio e tempestuoso, abri o mapa do Google, peguei o carro e fui até a capital do país visitar os museus.

                Fiquei orgulhosa de mim mesma quando encontrei uma vaga para estacionar. Eu não era a melhor das motoristas na cidade grande, mas crescer perto de Houston meio que havia me preparado para a insanidade dessas estradas.

                Os museus estavam em grande parte lotados de famílias, e eu não sabia direito se aquilo era normal para um dia pós-feriado. Passei a maior parte do tempo na área do Smithsonian chamada de “Vida Eterna do Antigo Egito”. Era realmente incrível ver os artefatos de milhares de anos atrás.

                E a múmia era legal pra caramba também.

                A nerd historiadora que habitava em mim estava muito empolgada ao percorrer aqueles largos corredores, embora estivesse sozinha e a cada dez minutos, mesmo dizendo a mim mesma para parar, pensasse em como Percy parecia ter querido fazer isso comigo. Claro que fora pouco antes de ter me beijado, portanto ele teria concordado com qualquer coisa na ocasião.

                Eu nem podia me enganar achando que ele ainda estava na casa dos pais, porque, quando saí naquela manhã, vi sua caminhonete prateada na vaga do estacionamento. Percy estava na casa dele.

                Parei na frente de uma vitrine com cerâmicas. Pensar nele me beijando não ajudava em nada. Só piorava a situação. Virei-me e dei de cara com um casal de adolescentes que estava mais interessado na sensação das bocas do que nas maravilhas históricas expostas diante deles.

                Uma pancada atingiu meu coração.

                Ok, talvez ter ido até lá não tivesse sido a mais inteligente das ideias, mas eu não podia ficar em casa.

                Não no dia do meu aniversário.

                O grande 2.0.

                Ainda não tinha recebido notícias dos meus pais, mas imaginei que fossem mandar alguma mensagem. Contudo, até a hora em que saí de Washington, um pouco antes das quatro da tarde, não havia recebido nada.

                Sim, aquilo doía como uma queimadura de água-viva.

                Parei numa padaria perto de casa e comprei um daqueles bolos com sorvete. Eu não era muito fã de sorvete, mas o que quer que tivesse aquelas coisinhas crocantes no meio era absolutamente divino.

                Com minha pequena fatia de bolo, eu me encolhi no sofá e assisti à metade da primeira temporada de Supernatural antes de desmaiar vergonhosamente cedo.

                Acordei entre quatro e cinco da manhã, sentindo como se uma neblina tivesse invadido meu cérebro. Forçando-me a sentar, contraí o rosto ao sentir uma dor pulsante nas têmporas. Achando que seria por ter adormecido no sofá em uma má posição, eu me levantei.

                — Nossa... — Pus a mão na testa, vendo a sala toda girar. Minha pele estava quente. Será que estava suando?

                Comecei a ir para o quarto para me trocar, mas só consegui chegar até a metade do caminho, indo direto para o banheiro.

                — Meu Deus. — Senti uma ânsia de vômito.

                Câimbras tomaram meu estômago e caí de joelhos, levantando a tampa do vaso. O bolo de sorvete e tudo o que havia comido durante o dia subiram à garganta num piscar de olhos. Foi impressionante, e não parou por horas. Assim que pareceu dar uma acalmada, encostei na banheira, pousando o rosto na superfície fria. Deu uma melhorada, mas a sensação de bem-estar não durou muito. Minha barriga se contraiu e quase não cheguei ao vaso a tempo.

                Era oficial.

                Os deuses resolvera me dar uma lição moral, castigando-me com uma gripe daquelas. Como contraí aquilo? E isso importava? Claro que não. Nada tinha importância quando me deitei no piso de cerâmica, com o rosto amassado e, muito provavelmente, o padrão do chão impresso na pele. Perdi completamente a noção de quanto tempo passei ali, mas sabia que precisava de um remédio, alguma coisa do mercado ou da farmácia. Sim, aquela era uma boa ideia. Canja de galinha. Paracetamol. Naldecon...

                Ficando de pé, ainda cambaleante, eu me arrastei até a sala. As paredes estavam esquisitas, peludas e um pouco tortas, como se estivessem acenando para mim. Depois de uma pequena aventura, encontrei minha bolsa, as chaves e me dirigi à porta da frente. Assim que a destranquei, tive a mesma sensação horrível no estômago.

                Deixei cair a bolsa e as chaves no chão e saí correndo. As paredes pareciam dançar. Nada bom. Dei alguns passos, mas minhas pernas fizeram uma coisa estranhíssima: simplesmente pararam de funcionar. Nada. Eu as arrastei pelo chão, mas não as sentia. Engatinhando na direção da cozinha, porque tive um mínimo de noção para não querer fazer aquilo sobre o carpete, cheguei à pia. Eu me ergui com dificuldade e me curvei sobre a bancada; meu estômago se contraiu tanto que lágrimas escorreram pelo meu rosto.

                Cara, isso era uma merda.

                Finalmente, quando a tempestade pareceu ter passado, eu me agachei e encostei no gabinete da pia. Ok. Sair de casa estava fora de questão. A solução era ir para a cama. Não tenho certeza se me deitei ou se meio que caí, mas estava outra vez no chão frio. Pelo menos tinha mais espaço na cozinha.

                Uma dor profunda se instaurou nos meus músculos e ossos. A cabeça pulsava tanto que doía só de abrir os olhos ou me concentrar em qualquer outra coisa senão na dor. Parecia que alguém havia enfiado uma escova de lã pela minha garganta. Meu cérebro parecia perdido num lamaçal. Nada fazia muito sentido para mim. Ouvi o telefone apitando de algum lugar, então, pouco tempo depois, ele tocou, tocou... e tocou. Fiquei pensando que pudessem ser meus pais. Talvez tivessem se lembrado que meu aniversário fora no dia anterior.

                Acho que devo ter caído no sono, porque ouvi um som bem distante de batidas. Então pensei ter escutado a porta da minha sala se abrindo. Cheguei ao ponto de não me importar se fosse um assassino. Eu agradeceria a qualquer um que acabasse com meu sofrimento.

                — Annie? — Houve uma pausa e então um: — Meus deuses!

                O assassino sabia meu nome e era do tipo religioso? Que adorável.

                Mãos frias tocaram minha testa.

                — Annabeth, meu Deus, você está bem?

                O assassino tinha uma voz parecida com a de Thalia, portanto, é claro, não era um assassino. Abri os olhos com dificuldade. O rosto dela ficou embaçado por um segundo. Em seguida, vi uma expressão de preocupação e seu rosto se movendo.

                — Gripe — murmurei. — Estou com gripe...

                — Por isso que parece que teve uma festa de vômito por aqui.

                — Que nojo. — Eu me encolhi.

                — Sim, que nojo, tudo isso está um nojo.

                Ouvi alguma coisa caindo no chão e as mãos frias sumiram. A porta da minha geladeira se abriu e um ar frio, lindo e maravilhoso, me envolveu. Eu estava no paraíso, no bendito paraíso.

                A porta se fechou e Thalia voltou, com água na mão.

                — Você precisa tomar água. Vamos, ajude-me a ajudar você a sentar.

                Gemendo e balbuciando, coloquei as mãos no chão, mas meus braços estavam fracos demais. Ela passou um braço em volta de mim e me encostou no gabinete. Uma garrafa de água apareceu diante de meus lábios secos.

                — Não. — Tentei afastá-la, mas não tinha força para levantar os braços. — Você... pegar... gripe...

                — Tomei a vacina contra a gripe, então, não. Tome esta água, Annie. Beba logo. — Ela a colocou na minha boca de novo, refrescando minha garganta. — Deve estar doendo, né? Se tomar esta água, vou à farmácia comprar alguma coisa para você, está bem? Acho que você está com febre. — A mão dela tocou minha testa. — Sim, você está com febre.

                Acho que tomei a água e, logo depois, colei o rosto no chão. Tudo embaçou. Thalia estava falando comigo e acho que respondi. Nenhuma ideia do que saiu pela minha boca. Em algum momento, ela me deixou no chão; depois a ouvi novamente, lá na sala, falando em voz baixa. A dor na cabeça era muito forte para abrir os olhos.

                Braços deslizaram por baixo de mim e por um segundo flutuei. Em seguida, estava apoiada sobre algo quente e duro. Gemi, virando a cabeça na direção dessa superfície. Havia um cheiro acolhedor e familiar que me chamou a atenção, me encantou, até que, de repente, fui deitada sobre alguma coisa muito mais confortável e havia algo frio e úmido sobre minha testa.

                Eu dormia e acordava de tempos em tempos, percebendo que não estava sozinha. Alguém se sentou na cama ao meu lado segurando um pano no meu rosto. Murmurei alguma coisa antes de adormecer novamente. Não sei bem quanto tempo isso durou, mas finalmente meus olhos se abriram e foi como se eu estivesse saindo de um coma. A luz que entrava pela janela era muito forte, e minha cabeça ainda latejava, mas de forma menos intensa.

                Abri a boca, mas imediatamente comecei a tossir.

                Passos vieram pelo corredor e, de repente, Thalia estava na porta do meu quarto, com um copo de água numa mão e uma caneca na outra.

                — Você está viva! Graças a Deus, eu estava começando a pensar que tinha matado você acidentalmente ao lhe enfiar remédio goela abaixo.

                Olhei para ela ainda sem forças.

                — Eu tomei remédio?

                — Tomou. — Ela veio até mim e se sentou na cama. — Já tomou remédio duas vezes e vai tomar mais um agora. Você precisa tomar toda esta água. Depois precisa tomar isto: mais remédio. Minha mãe, que é enfermeira, diga-se de passagem, disse que, já que sua febre cessou ontem à noite, você vai ficar bem. Bem, já deve estar melhor.

                — Ontem à noite? — Cobrindo a boca com a mão, comecei a tossir de novo ao tomar a água. Precisávamos esperar que isso passasse. — Que... horas são?

                Thalia continuou sentada na beirada da cama, segurando a caneca de chá fumegante. Quase podia sentir o cheiro de limão.

                — Horas? Querida, acho que “dia” seria a pergunta mais apropriada. Hoje é sábado.

                Quase engasguei com a água.

                — Eu fiquei... fora do ar... por um dia inteiro?

                — Um dia e meio — disse ela, solidária. — Quando mandei a mensagem e liguei e você não respondeu, fiquei preocupada. Por isso vim para cá. Você estava mal demais. A mamãe disse que você provavelmente estava desidratada.

                Refletindo sobre aquilo enquanto terminava a água, apoiei o copo na mesa de cabeceira e peguei a caneca de sua mão. Comecei a tossir novamente e, por um milagre, não cuspi tudo em mim mesma.

                — Você... ficou aqui o tempo todo?

                — Não o tempo todo. Eu tive ajuda.

                — Obrigada. Sério mesmo, obrigada. Eu ainda estaria deitada... no chão, se não fosse... por você e Will.

                Ela balançou a cabeça.

                De repente, uma coisa muito importante me ocorreu. Olhei para baixo, para mim mesma, e estava usando uma camiseta de manga comprida. Meu sutiã ainda estava no lugar e usava uma calça de pijama. Ah, meu Deus, meu bracelete não estava lá. Levantei a cabeça rápido demais, fazendo a dor se espalhar pelo meu rosto. O bracelete estava na mesa de cabeceira.

                — Você...?

                — Sim e não — disse ela, mexendo no rabo de cavalo no topo da cabeça. — Ajudei você a vestir a calça.

                — Então, quem...? — Uma sensação de enjoo me fez pensar que eu teria que sair correndo até o banheiro novamente. — Ah, meu Deus...

                Thalia se contraiu.

                — Não me odeie, Annie, mas eu não sabia mais o que fazer. Não conseguia tirar você do chão. Para alguém tão pequena, você pesa uma tonelada, e eu tenho mais músculos que Will. Percy estava do outro lado do corredor e me pareceu a solução mais rápida.

                 Meu Deus, meu cérebro mal conseguiu assimilar essa pequena novidade. Se não foi Thalia que tirou meu moletom ensopado de suor, então só pode ter sido Percy, o que significava que havia sido ele quem colocara o bracelete na cabeceira.

                Fechei os olhos.

                — Você está com vontade de vomitar de novo?

                — Não — respondi com a voz rouca. — Então... então, Percy esteve aqui?

                — Ele carregou você até a cama e ficou com você enquanto eu ia à farmácia — disse ela, cruzando as pernas. — Quando voltei, ele tinha trocado sua camiseta e jurou não ter olhado para seus “atributos”. Apesar de que eu estava olhando para os “atributos” dele. Ele ficou sem camisa o tempo todo. Embora todas as janelas da casa estivessem abertas para arejar todo o seu cheiro.

                Todo o meu cheiro. Percy sentiu todo o meu cheiro.

                — Ele foi o enfermeiro perfeito. Passou um pano úmido no seu rosto, mantendo você refrescada. — Thalia suspirou com um som desejoso. — Ele até ficou com você enquanto eu limpava a sua bagunça.

                — Obrigada — repeti, terminando meu chá. — E é sério, muito obrigada mesmo. Eu lhe devo essa.

                — Deve mesmo. — Ela deu um sorriso de lado. — E também deve a Percy.

                Caí de costas na cama, fechando os olhos.

                — Aposto que você teve que implorar para ele vir.

                — Não — respondeu, cutucando minha perna até eu olhar para ela. — Nem precisei pedir duas vezes. Ele largou o que estava fazendo e veio direto ajudá-la.


Notas Finais


Gente, eu sei que o aniversário da annabeth não é dia 02 de janeiro, mas para condizer com a linha do tempo eu tive que fazer uma pequena mudança.


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