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História Espero por você (percabeth) - Capítulo 24


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Notas do Autor


Talvez não o último de hoje...

Capítulo 24 - Capítulo 24



                Abri a boca, mas não tinha nada a dizer. Percy, literalmente, me expulsou de seu apartamento. Implorou para que eu voltasse para a minha casa. O ardor tomou conta dos meus pulmões e lágrimas quentes vieram aos meus olhos.

                — Tudo bem — murmurei.

                — Annie...

                — Está tudo bem. — Virei-me de costas e cambaleei pelo corredor até minha porta. Ouvi a porta dele se abrindo e fechando, antes mesmo que eu pudesse abrir a minha. Apoiando a testa na porta, fechei os olhos com força, mas uma lágrima desceu, correndo por minha bochecha corada.

                Percy tinha me expulsado e meu apartamento estava vazio. Eu estava vazia. Tudo estava vazio. Éramos apenas eu e minha garrafa de cerveja idiota.

                Ok. Talvez eu estivesse um pouco bêbada.

                Afastei-me da porta, sem saber direito aonde estava indo, mas não podia entrar no meu apartamento. Por obra divina, consegui descer os cinco lances de escada e pôr os pés na calçada sem quebrar o pescoço.

                O frio do asfalto penetrou minhas meias grossas, adormecendo os pés conforme fui andando e tomando outro gole. Encontrei uma vaga vazia no estacionamento e caí de bunda no chão do meio-fio. Inclinando a cabeça para trás, olhei para o céu tomado de estrelas. Olha, lá estava a Corona Borealis.

                Ainda não parecia uma porra de coroa.

                Ou talvez não fosse a Corona Borealis. Como é que eu ia saber?

                Ah, as estrelas... mas elas eram belas, tão distantes e muito embaçadas. Lágrimas vieram aos meus olhos, tomando conta da garganta. Meus braços caíram entre as pernas, a garrafa pendurada nos dedos.

                Era oficial. Eu realmente era a Señorita Otária. E tinha ferrado tudo com Percy — “o que foi” e “o que poderia ser”. Porque poderia ter acontecido alguma coisa ali, mas eu fui uma idiota de merda. Pior de tudo, detonei nossa amizade, e ele era um amigo maravilhoso. No curto tempo em que o conheci, tinha se tornado o melhor amigo que eu já tivera. Sério mesmo.

                Limpando a bochecha no ombro, tomei mais um gole. Um vento frio bateu em mim, levando meu cabelo para o rosto quando abaixei a cabeça. Porém, eu não estava com frio, o que, provavelmente, significava que estava completamente bêbada.

                Como eu era fraca...

                E por que estava sentada no meio-fio? Sinceramente, não sabia, mas era melhor do que ter entrado no apartamento e ficado sozinha. E sim, eu estava sozinha ali fora, mas não era assim que me sentia. Tinha certeza de que havia um esquilo na árvore em frente, então, isso contava como alguém, certo?

                Eu ri e o vento pareceu carregar o som do riso, jogando-o nos galhos desfolhados, que balançaram como ossos secos.

                Levantando a garrafa para dar outro gole, percebi que estava vazia.

                — Ah, que maravilha...

                Ainda assim, continuei sentada lá, contemplando o estacionamento, sem me concentrar em nada. Não sei quanto tempo passou, mas, quando olhei para cima, não conseguia ver estrela nenhuma por trás das nuvens escuras e carregadas, apenas sentia o rosto dormente. Fiquei me perguntando o que Piper estaria fazendo naquele instante. Será que ela se sentia diferente de mim por ter feito a coisa certa? Melhor ou pior?

                — Annabeth!

                Tomei um susto quando ouvi meu nome, deixando a garrafa vazia cair no asfalto e rolar para baixo do carro de alguém. Oops.

                Percy atravessou a rua e veio até mim, com o vento batendo em seus cabelos. O que aconteceu com o boné? Eu gostava do boné. A expressão em seu rosto me deixou perturbada.

                — Mas que merda você está fazendo aqui?

                — Eu... eu estou olhando para as estrelas.

                — O quê? — Ele parou do meu lado e se ajoelhou. — Annabeth, está menos de zero graus aqui fora. Você vai ficar doente outra vez.

                Dei de ombros e desviei o olhar.

                — O que você está fazendo aqui fora?

                — Eu estava procurando por você, sua bestinha.

                Minha cabeça virou na direção dele e estreitei os olhos. Podia estar menos de zero graus do lado de fora, mas a bebida estava bem quente na minha barriga, esquentando também meu gênio.

                — Como é? Você está aqui fora, então também é uma besta, sua besta. Seus lábios tremeram, como se quisesse controlar o riso.

                — Eu disse que iria até você para conversar. Primeiro fui olhar seu apartamento. Bati e você não atendeu. A porta estava destrancada, então entrei para verificar.

                — Você entrou no meu apartamento? Quanta falta de educação!

                Ele não deu a mínima para o que eu disse.

                — Sei... aí, da sua janela, eu vi você sentada aqui fora.

                Minha cabeça estava demorando mais do que o normal para processar tudo aquilo.

                — A luta terminou?

                Percy sentou-se ao meu lado, ombro a ombro.

                — Não. A luta principal acabou de começar.

                — Então você está perdendo.

                Percy não respondeu imediatamente. Ele enfiou os dedos nos cabelos e voltou a falar:

                — Meu Deus, Annabeth...

                Eu me remexi, e a bebida fez meu estômago roncar.

                Um músculo em sua mandíbula se contraiu quando olhou para os carros que antes eu estava observando.

                — Ver você essa noite foi surpreendente pra caramba.

                — Por causa da Rachel? — falei sem pensar, culpando o álcool por aquilo.

                — O quê? — Ele me olhou de soslaio. — Não. Tyson foi quem a convidou.

                — Parecia que ela estava lá por sua causa.

                Ele encolheu um só ombro.

                — Talvez estivesse, mas eu estou cagando para ela. — Então ele se virou para mim, com a cabeça inclinada para o lado e as mãos nos joelhos. — Annie, eu não fico com Rachel desde que conheci você. Eu não fiquei com ninguém desde que conheci você.

                Meu coração saltou no peito.

                — Ok.

                — Ok? — Ele chacoalhou um pouco a cabeça. — Viu, você não entende. Você nunca entende porra nenhuma. Você tem me evitado desde o feriado de Ação de Graças. Desistiu da maldita aula, eu sei que foi por minha causa, e, toda vez que eu tentava conversar, você fugia de mim.

                — Você não quis conversar comigo no dia em que eu agradeci por ter cuidado de mim — argumentei.

                — Nossa, não sei por quê! Talvez porque você tivesse deixado bem claro que não queria nada comigo? Aí você, simplesmente, aparece do nada lá em casa hoje? E ainda fica bêbada? Você não entende.

                Umedeci meus lábios frios e secos. Tudo o que ele havia dito era verdade.

                — Desculpe. Eu estou bêbada, um pouco, e sinto muito, porque você está certo e... eu estou divagando.

                Ele olhou para mim por um momento e, então, soltou uma risada curta.

                — Tudo bem, está na cara que não é hora para esse tipo de conversa. Olha, eu não quis ser um completo idiota lá dentro, fazer você ir embora, mas...

                — Está tudo bem. Estou acostumada às pessoas não me quererem em suas festas. — Eu me levantei. As estrelas pareceram girar um pouco com o movimento. — Não tem problema.

                Percy ficou de pé, observando-me cuidadosamente.

                — Não é que eu não quisesse você lá, Annie.

                — É mesmo? — Eu ri sarcasticamente. — Você me pediu para ir embora.

                — Eu...

                — Correção. — Levantei a mão e meus dedos embaçaram um pouco. — Você me mandou ir embora.

                — É verdade. Foi uma idiotice, mas foi a primeira vez que você entrou na minha casa, aí você vem, começa a beber e... — Ele inspirou profundamente, expirando lentamente. — Leo estava dando em cima e você estava rindo...

                — Não estou interessada nele!

                — Não era o que parecia, Annabeth. Você está bêbada e eu não queria que fizesse alguma coisa da qual fosse se arrepender. Não sei que diabos passa pela sua cabeça na metade do tempo, e eu não tinha ideia do que você estava fazendo lá esta noite, mas eu nunca tinha visto você bebendo e não sabia o que ia fazer. Eu não queria que ninguém se aproveitasse de você.

                — Não seria novidade — falei, imprudente. Então fechei rapidamente minha boca. Meu Deus, eu nunca mais ia beber. Jamais.

                Ele levantou as mãos e interrompeu o que eu estava falando. Apenas olhou para mim, com uma expressão de terrível compreensão no rosto.

                — Como é?

                Cometi um grande erro — um erro terrível. Meus instintos foram ativados, e, é claro, a vontade de fugir venceu. Comecei a contorná-lo.

                — Ah, não. — Percy estava bem na minha frente, com as mãos nos meus ombros. — O que você acabou de dizer?

                O modo de controle de danos entrou em ação.

                — Não sei o que eu disse, ok? Estou bêbada, Percy. Nossa... Quem sabe o que está saindo pela minha boca. Eu não sei. Eu nem sei o que estou fazendo aqui fora.

                — Merda. — Os olhos dele estavam verde-escuros ao olharem para mim. —Annie... Um ar condoído tomou seu rosto e os dedos apertaram meus ombros.

                — O que você não está me contando? O que você não me contou?

                Minha garganta se fechou.

                — Nada! Eu juro. Prometo a você. Só estou dizendo por dizer, ok? Então pare de olhar para mim como se tivesse algo de errado comigo.

                — Não estou olhando assim, sabidinha. — Suas sobrancelhas baixaram enquanto me analisava.

                Eu queria saber o que ele estava pensando, porque sabia que ele só podia estar mentindo. Tentei desesperadamente inventar alguma coisa para apagar o deslize que cometi. Poderia mentir e dizer a ele que tinha ficado muito bêbada apenas uma vez e acabara passando vergonha. Parecia convincente, mas, pelo visto, eu não tinha o menor controle sobre o que saía pela minha boca.

                Então Percy fez uma coisa que confundiu totalmente meus pensamentos.

                Ele me puxou para si e me deu um abraço forte. Eu travei por um ou dois segundos, então coloquei os braços em volta dele também. Fechei os olhos e apertei o rosto em seu peito.

                Inspirei e senti seu cheiro, deixando-me levar por aquela sensação.

                — Eu senti sua falta.

                Suas mãos se moveram pelas minhas costas, entremeando os dedos nos meus cabelos.

                — Também senti sua falta, sabidinha. — Ele se curvou para trás e me levantou alguns centímetros do chão, pousando-me em seguida. Deslizando as mãos para o meu rosto, ele riu. — Você está parecendo um cubinho de gelo.

                — Mas eu me sinto quente. — E era verdade. Minha pele estava dormente, mas eu sentia o abraço dele, as mãos deslizando por mim. Ergui os cílios e nossos olhares se encontraram. — Seus olhos são realmente lindos, sabia disso?

                — Acho que é a tequila falando — ele respondeu, sorrindo. — Vamos entrar, antes que você vire um picolé.

                Percy deu um passo para trás e soltou meus ombros. Fiquei um pouco tonta ao ficar de pé, e, quando ele entrelaçou os dedos nos meus, o sorriso mais bobo do mundo iluminou meu rosto. Era como se ele não tivesse me pedido para sair do apartamento dele e eu não tivesse ficado ali do lado de fora, igual a uma idiota, por só Deus sabe quanto tempo.

                Deviam ser a tequila e a cerveja falando, mas eu queria sair correndo como umalunática.

                Por sorte, não tentei nada disso, porque as escadas se mostraram extremamente traiçoeiras. Acho que a profundidade mudava a cada degrau que eu subia. De volta ao meu apartamento quentinho, Percy fechou a porta depois de entrarmos. Ele ainda segurava firme minha mão quando se virou na minha direção. Não disse nada, e uma ansiedade se apoderou de mim.

                — Você está perdendo a luta — repeti.

                — Estou mesmo. — Ele me arrastou até o sofá e me fez sentar ao lado dele. Só depois soltou minha mão. — Como você está se sentindo?

                — Bem. — Corri as mãos úmidas pela minha calça jeans. — Seus amigos devem estar se perguntando onde você está.

                Percy recostou-se na almofada, passando o braço pelo encosto do sofá.

                — Eu não ligo.

                — Não liga?

                — Não.

                Sentei-me de frente e olhei para ele por sobre o ombro. Ele parecia estar esperando alguma coisa. Incapaz de ficar sentada, levantei, mas quase dei de cara com a mesa de centro. Teria caído, se Percy não tivesse segurado meu braço.

                — Acho que é melhor você se sentar, Annie.

                — Eu estou bem. — Desvencilhando-me dele, cuidadosamente, contornei a mesinha, caso ela decidisse me atacar de novo. A energia do nervosismo era intensificada pelo álcool. Tirei o agasalho da minha pele, pois estava com muito calor. — Então... o que você quer fazer? Eu posso, é..., ligar a televisão ou colocar algum filme, mas eu não tenho DVDs. Acho que posso comprar um pelo...

                — Annabeth, apenas fique sentada por um instante.

                Em vez disso, peguei uma almofada caída e a coloquei de volta no sofá. Estava um pouco difícil conseguir me endireitar, mas cambaleei até a poltrona do canto da sala.

                — Você não acha que está quente aqui dentro?

                Seus olhos verdes ficaram entretidos.

                — Quanto você andou bebendo?

                — Hmm... — Eu tinha que pensar mesmo no assunto. — Não muito... talvez duas ou três doses de tequila eeee duas cervejas, eu acho.

                — Nossa. — Percy curvou-se à frente, com os lábios formando um sorriso discreto. — Quando foi a última vez que ficou bêbada?

                — Na noite do Halloween — deixei escapar.

                Ele ficou confuso.

                — Eu não vi você bêbada na noite do Halloween.

                — Não no último Halloween. — Fiquei de pé, puxando minhas mangas para baixo e esfregando o bracelete com os dedos. — Foi... cinco anos atrás.

                — Nossa, faz tempo mesmo. — Ele se inclinou para a frente e se levantou depois. — Você tem água aqui? Em garrafa?

                — Na cozinha — respondi, umedecendo os lábios.

                Ele desapareceu e reapareceu rapidamente, com uma garrafa na mão.

                — Você deveria tomar isso.

                Eu bebi, mas não estava com sede.

                — Então você tinha o quê? Quatorze, quinze anos? — Ele se sentou na beirada do sofá.

                — Quatorze — sussurrei, baixando o olhar para onde estavam suas mãos, entre os joelhos.

                — Era bem nova para ficar bêbada.

                O suor brotou na minha testa. Apoiando a garrafinha, peguei um prendedor de cabelo da mesa e fiz um coque meio desarrumado.

                — Sei. Você não bebia com quatorze anos?

                Um sorrisinho apareceu.

                — Roubei uma ou duas cervejas aos quatorze, mas achei que seus pais fossem rígidos, não?

                Fiz uma careta ao desabar na poltrona do canto.

                — Não quero falar sobre eles, nem sobre bebida, nem sobre Halloween.

                — Tudo bem.

                Sentindo-me com calor, puxei meu suéter para cima. Ele ficou enroscado na minha cabeça por um segundo, então, finalmente, consegui me livrar da peça coceirenta. Tirando o cabelo do rosto, olhei para Percy. Era como se eu estivesse sem nada por baixo pela maneira como ele ficou me observando, mas era mais que isso.

                Levantei mais uma vez, querendo ficar longe daquela conversa, porque Percy estava olhando para mim de novo, como se estivesse vendo mais do que eu mostrava. Lembrei como ele olhou para mim quando viu a cicatriz no meu punho e minutos antes, lá fora.

                Era o mesmo olhar.

                Como se as peças de um quebra-cabeças estivessem começando a entrar nos lugares. Por algum motivo, em meio aos meus pensamentos confusos, pensei em Estelle e como ele ficara ao perceber que a irmã estava falando com um cara.

                Seu olhar protetor de irmão mais velho havia chegado a um nível completamente diferente. Será que ela...?

                Balancei a cabeça e afastei aquelas ideias, porque me faziam pensar em como não tivera ninguém para cuidar de mim.

                Mas não queria que ele me olhasse daquele jeito. Não precisava dele tomando conta de mim, preocupando-se com o que eu estava fazendo ou o que aconteceria. Eu precisava que ele... Olhasse para mim como naquela noite em que me beijara pela primeira vez e, depois, novamente, na casa dos pais dele. Queria que ele me visse daquele jeito.

                — O que você está fazendo?

Parei entre a cozinha e o corredor. Meus dedos seguravam a barra do meu top, e vi um tipo diferente de interesse em seu olhar, uma espécie de precaução. Meu coração estava acelerando e meus pensamentos colidiam entre si. Eu gostava de Percy — muito. Mesmo que isso fosse uma loucura fadada ao fracasso. Meu coração já estava dolorido. E eu sentia falta dele e ele de mim, e ele estava bem ali na minha frente, em vez de ficar com os amigos ou com Rachel.

                Parte de mim parou de pensar totalmente. A outra parte me dizia para fazer o esperado, o que alguém como Percy ia querer e precisar, pois não era por isso que ele estava ali? Porque nós não estávamos conversando e eu queria ser aquela garota de antes.

                Tirei o top antes que meu cérebro voltasse a funcionar. Estranhamente, aquela parte não foi difícil. O ar frio envolveu minha pele corada, gerando pequenos arrepios. A parte difícil foi olhar para a frente quando ouvi Percy inspirar:

                — Annabeth.

                Meu coração batia muito rápido e minha pulsação vibrava em mim. O sangue subiu ao rosto, mas olhei para ele.

                Ele estava de olho em mim; a preocupação nas linhas tensas de sua mandíbula fora obliterada pela forma como seu peito subia e descia, demonstrando que respirava tão rápido quanto eu.

                Um pouco zonza, encostei-me à parede, deixando os braços caírem de lado. Percy estava parado a poucos passos de mim, eu não o vira dando a volta no sofá.

                Não estava apenas olhando para mim. Não, era muito, muito mais que isso. Eu me senti devorada por seu olhar, como havia me sentido quando ele me beijara, como se estivesse entregando cada detalhe do que via à sua memória. Senti um calor descendo pela minha garganta, cruzando o peito e percorrendo a renda nas bordas do meu sutiã preto. Seus lábios se abriram e eu mordi os meus. Quando ele trouxe o olhar para cima novamente, uma sensação intensa se formou na minha barriga. Um fervor subiu aos seus olhos cristalinos, escurecendo o tom brilhante.

                Um quê de incerteza cresceu no meu peito, sob aquela deliciosa tensão, e senti a garganta seca. Não queria sentir aquilo. Só queria o calor e a falta de ar.

                — Percy?

                Ele balançou a cabeça, cerrando os punhos.

                — Não.

                — Não o quê? — perguntei.

                Seus olhos se fecharam com força.

                — Isso... não faça isso, sabidinha.

                — Não é isso o que você quer? — Engoli em seco.

                Os olhos de Percy se desviaram de mim.

                — Não é isso que espero de você, Annie.

                Minha confiança vacilou como uma árvore jovem em meio à tempestade e, em seguida, sumiu por completo. Respirei fundo com dificuldade e o ar ficou preso na minha garganta.

                — Você não me quer.

                Percy ficou na minha frente em menos de um segundo, tão rápido que nem o vi se mexer. As mãos dele envolveram minha cabeça e ele se abaixou, ficando com o rosto a centímetros do meu. Dava para sentir a tensão fluindo do corpo dele para o meu. O ar saiu dos meus pulmões conforme meu corpo foi enrijecendo.

                — Porra, Annabeth. Você acha que eu não quero você? — A voz dele ficou baixa, quase um grunhido. — Não há nenhuma parte de você que eu não queira, você me entende? Eu quero estar em cima de você e dentro de você. Quero você encostada à parede, no sofá, na sua cama, na minha cama e em qualquer lugar que eu puder imaginar, e acredite em mim, eu tenho uma vasta imaginação quando se trata dessas coisas. Jamais pense que eu não quero você. Não se trata disso.

                Meus olhos se arregalaram e a confusão nublou meus pensamentos ainda mais, o que, até então, parecia impossível.

                Ele se curvou para a frente e tocou a testa na minha. O mero contato fez meu coração acelerar.

                — Mas não desse jeito, nunca desse jeito. Você está bêbada, Annie, e, quando ficarmos juntos, porque nós vamos ficar juntos, você estará plenamente consciente de tudo o que eu fizer com você.

                Demorei um pouco, mas o que ele disse no final me fez entender o sentido de tudo aquilo, penetrando a barreira da bebida e da confusão. Fechando os olhos, virei a cabeça de lado, sentindo o tato de sua pele deslizando na minha.

                — Você é um cara do bem, Percy.

                — Não sou, não. — Ele expirou longamente, a respiração estava quente no meu rosto. — Eu só sou assim com você.               



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