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História Espero por você (percabeth) - Capítulo 25


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🤭

Capítulo 25 - Capítulo 25


                O que Percy esperava que acontecesse ocorreu pouco depois de eu tirar minha camiseta e lhe mostrar meu sutiã. Ele me fez sentar e enrolou uma colcha nos meus ombros para me cobrir. Estávamos assistindo a um filme horrível de ficção científica, quando toda a bebida de dentro de mim decidiu que não queria mais ficar na minha barriga.

                Arrancando a colcha de cima de mim, tropecei nas pernas de Percy.

                — Ah, Deuses...

                — Que foi? Você vai vomitar. — Percy logo ficou de pé.

                Corri até o banheiro e bati a porta atrás de mim. Caindo de joelhos, levantei a tampa da privada e comecei e me contrair. Todos os músculos do meu corpo trabalharam num só sentido. Lágrimas escorreram pelo meu rosto, enquanto o corpo estremecia. Parecia injusto ter de passar por isso depois daquela gripe.

                Com toda a barulheira que eu estava fazendo, não tinha ouvido Percy entrar, mas ele estava lá, ajoelhado ao meu lado. Uma mão acariciava as minhas costas de forma contínua e carinhosa, enquanto a outra tirava o cabelo que escapava do coque e caía no rosto. Ele ficou ali, murmurando palavras ininteligíveis para mim, mas que faziam maravilhas, mesmo durante aquele acesso de vômito.

                Quando acabou, ele me ajudou a encostar na banheira enquanto pegava e molhava uma pequena toalha. Ele se ajoelhou, esfregando o pano no meu rosto, como na noite da festa de Halloween e quando fiquei doente.

                — Está se sentindo melhor? — perguntou.

                — Mais ou menos — murmurei, fechando os olhos por causa da luminosidade. — Meu Deus, isso é tão constrangedor.

                Ele riu.

                — Não é nada, sabidinha.

                — Foi por isso que você ficou, certo? — gemi, sentindo-me uma grande idiota. — Você sabia que eu ia vomitar e aqui estou eu, tirando a roupa.

                — Shh — disse ele, arrumando meu cabelo para trás. — Por mais charmoso que tenha sido vê-la vomitar as tripas, não foi por isso que eu fiquei e você sabe.

                Fechei os olhos de novo, sentindo tudo girar.

                — Porque você me quer, mas não quando eu estou bêbada e vomitando para todos os lados.

                Percy caiu na gargalhada.

                — É, é bem por aí.

                — Só para ter certeza de que estamos falando a mesma língua. — murmurei.

                Percebi que ainda estava só de jeans e sutiã, mas, sinceramente, não dei a mínima. Amanhã, com certeza, seria uma história completamente diferente.

                — Não estamos.

                Abri um olho para ele.

                — Ah.

                — Achei que fosse gostar disso. — Ele passou o pano frio e úmido no meu queixo.

                — Você é muito... bom nisso.

                — Muita prática. — Percy jogou a toalha de lado, pegou uma nova e repetiu o processo. — Já estive na sua situação várias vezes. — Ele passou a toalha no meu pescoço, sobre as alças do sutiã e pelos braços. — Quer se preparar para ir para a cama?

                Meu outro olho abriu de repente.

                Ele balançou a cabeça e a covinha apareceu em sua bochecha esquerda.

                — Tire sua mente da sujeira.

                — Ah.

                — É, ah — disse ele, ficando de pé. De costas para mim, deu a volta na pia. Uma torneira foi ligada. Ele estava novamente de frente para mim, segurando uma escova de dente com pasta. — Achei que fosse querer tirar o gosto ruim da boca.

                Meus dedos fizeram menção de segurar.

                — Você é maravilhoso.

                — Eu sei. — Ele me entregou a escova e um daqueles copinhos de papel que eu nunca usava. Quando terminei, ele se ajoelhou de novo e se sentou sobre os calcanhares. Abriu o zíper do moletom e o tirou. — Tenho tentado fazê-la reconhecer que sou maravilhoso desde a primeira vez que você me atropelou. Se eu soubesse que era só lhe dar uma escova de dente, teria feito isso há muito tempo. Me dei mal.

                — Não. Eu que me dei... — Levantei um pouco, observando-o segurar a camiseta e puxá-la para cima. — Que me dei mal... o que você está fazendo?

                — Não sei onde estão suas roupas.

                — Sei. — Meu olhar baixou e achei que precisaria da toalhinha de novo. — E imaginei que fosse querer trocar de roupa.

                — Sim...

                — Então, a coisa mais fácil seria lhe emprestar minha camiseta.

                Meus olhos desceram para o mamilo escuro; depois, mais para baixo, acompanhando cada detalhe de seus músculos abdominais.

                — Entendi.

                — Assim você ficaria mais confortável.

Desci meus olhos um pouco mais para perto da barra de sua calça. Parecia que alguém tinha colocado os dedos em cada lado dos quadris dele, deixando marcas na pele.

                — Claro — murmurei. Como alguém desenvolve músculos ali? Que tipo de abdominal se faz para aquilo?

                — Você não ouviu nada do que eu disse.

                Arrastei meu olhar para cima.

                — Na-não.

                Lá estava a covinha de novo quando ele segurou meus quadris e me ajudou a levantar e sentar na beirada da banheira.

                — Ainda não erga os braços, está bem?

                Sentada imóvel, agarrei nas beiradas da banheira, para ele passar a camiseta sobre minha cabeça.

                — Mantenha os braços abaixados. — Ele soltou a camiseta e me envolveu nos braços. Um segundo depois, seu dedo ágil abriu meu sutiã.

                — O que está fazendo? — Meu estômago foi lá no pé. Cara, depois do que tinha acontecido ali, essa não era a melhor das sensações.

                Ele riu ao ver as alças deslizarem pelos meus braços, o que me deu um arrepio.

                — Como eu disse antes, pare de pensar bobagem. Sua virtude está segura comigo.

                — Minha virtude? — Eu não sabia se queria que estivesse segura com ele.

                Ele olhou para mim.

                — Por enquanto.

                — Por enquanto? — sussurrei.

                Percy fez que sim com a cabeça.

                — Enfie os braços agora.

                Fiz como Percy pediu e depois ele puxou minhas mangas para cima, antes de passar a mão por baixo do meu braço esquerdo, parando acima do bracelete.

                — Não... — Entrei em pânico quando ele soltou o fecho do meu bracelete.

                Tentei puxar o braço, mas Percy olhou para mim, segurando-me com mais força.

                — Eu já vi, Annie.

                Senti uma pressão no peito.

                — Por favor, não. É constrangedor, eu queria voltar no tempo para impedir que você visse, mas não posso.

                Ele envolveu o bracelete e meu punho com as mãos; em seguida, olhou fixamente para mim e disse:

                — Foi por causa disso, não foi? Por isso que você surtou comigo? E não quis conversar comigo? Desistiu da aula?

                Um nó surgiu tão rapidamente na minha garganta que me impediu de falar.

                — Ah, sabidinha — disse ele, com a voz e o olhar meigos. — Todos nós já fizemos coisas das quais não nos orgulhamos. Se você soubesse... — Ele hesitou.— A questão é, eu não sei por que você fez isso. Só espero que, qualquer que tenha sido o motivo, seja algo com que você tenha feito as pazes. Não acho que você seja pior por causa disso. Jamais achei.

                — Mas você parecia tão... — Minha voz estava rouca.

                O bracelete saiu, mas sua mão ainda cobria meu punho, enquanto ele punha o bracelete na beirada da pia.

                — Só fiquei surpreso e preocupado. Eu não sabia quando você tinha arranjado isso e também não vou perguntar. Não agora, beleza? Apenas saiba que você não precisa esconder isso de mim. Está bem?

                Só o que pude fazer foi balançar a cabeça, porque sempre tentava escondê-la.

                Percy baixou a cabeça, levantou meu punho e virou meu braço para cima. Ele tocou a cicatriz com os lábios, o que me deixou sem ar. Desviei o olhar, tentando controlar a emoção. Alguma coisa tinha quebrado dentro de mim, uma muralha que eu havia criado ao meu redor.

                — Eu tinha acabado de fazer dezesseis anos — despejei aquelas palavras, com a voz quase inaudível, antes que perdesse a coragem. — Foi quando eu fiz isso. Não sei se realmente queria ou se queria que alguém... — Balancei a cabeça. — É uma coisa da qual me arrependo todos os dias.

                — Dezesseis? — Seu tom de voz não tinha julgamento.

                Eu confirmei com a cabeça.

                — Eu jamais faria algo assim de novo. Eu juro. Não sou a mesma pessoa que era.

                — Eu sei. — Após vários momentos, ele apoiou meu braço sobre a perna. — Agora está na hora de tirar suas calças.

                A mudança drástica de assunto me fez rir.

                — Legal.

                Quando ele me ajudou a ficar de pé, a camiseta quase chegava aos joelhos e o sutiã estava jogado no chão entre nós como algo sem valor. Quando ele se aproximou dos botões da minha calça, dei-lhe um tapa na mão.

                — Acho que consigo fazer isso.

                — Tem certeza? — Uma sobrancelha ficou arqueada. — Porque estou aqui ao seu dispor, e tirar sua calça seria algo em que eu seria excepcionalmente maravilhoso.

                — Tenho certeza que seria. Ponha de volta seu moletom.

                Ele deu um passo para trás e se encostou na pia. Toda aquela pele masculina à mostra.

                — Eu gosto quando você olha.

                — Eu lembro — grunhi, virando-me de costas. Era como se meu bracelete ainda estivesse no lugar, mas eu me sentia mais nua sem ele do que se estivesse sem roupa nenhuma. Com uma pequena rebolada, consegui tirar a calça.

                Quando me virei de novo, ele ainda estava quase nu.

                Percy pegou o moletom do chão e tomou minha mão.

                — Você acha que vai ficar bem fora do banheiro?

                — Espero que sim.

                Voltamos para a sala, e achei que ele fosse embora em seguida, já que passava das duas da manhã, mas pegou umas aspirinas para mim, fez com que eu bebesse uma garrafa de água e, depois, sentou-se no meu sofá. Apertou um pouco meu braço e disse:

                — Sente-se comigo.

                Comecei a dar a volta em torno das pernas dele, mas ele me parou.

                — Não. Sente-se comigo.

                Sem a mínima ideia do que ele queria com aquilo, balancei a cabeça. Percy inclinou-se para trás e pegou no meu braço um pouco mais forte. Deixei que me guiasse, e ele me levou até seu colo. Fiquei de lado, e ele, de frente, com as pernas esticadas em cima das almofadas ao nosso lado. Ele me cobriu com a colcha e me colocou onde queria, envolvendo minha cintura com os braços.

                — Você deveria tentar dormir — disse ele, quase inaudível por causa do som da TV. — Será melhor para você.

                Relaxei meu corpo no dele, mais rápido que imaginei ser possível. Eu me aproximei e me aninhei nele, descansando a cabeça em seu peito.

                — Você não vai embora?

                — Não.

                — Mesmo? — Fechei os olhos.

                O queixo dele roçou o topo da minha cabeça e seus lábios tocaram minha testa. Um suspiro saiu pela minha boca.

                — Não vou a lugar algum — disse ele. — Estarei bem aqui quando você acordar, meu anjo. Eu prometo.

 

* * *

 

                Demorei alguns momentos para perceber que a luz ofuscante vinha do sol, que invadia a janela da minha sala, e que eu ainda estava no colo de Percy. Minha cabeça estava no ombro dele e pude sentir seu queixo nos meus cabelos. Seus braços estavam bem firmes à minha volta, como se pensasse que eu poderia acordar e sair correndo.

                No peito, meu coração acelerou levemente.

                Memórias da noite anterior estavam um pouco desconjuntadas, mas, quando começaram a fazer sentido, variei entre estar empolgada, envergonhada, chocada e empolgada de novo.

                Percy ainda estava ali, e na noite anterior ele havia me dito que me queria, que ficaríamos juntos, mesmo depois de saber o que eu tinha feito comigo mesma e depois de eu ter sido uma babaca com ele.

                Mal podia acreditar. Talvez eu estivesse sonhando, porque não me sentia merecedora daquilo.

                Colocando a mão sobre o peito dele, senti o batimento cardíaco constante e forte. Sua pele estava nua, quente e bem viva. Eu precisava ver seu rosto para acreditar que aquilo estava acontecendo de verdade. Fiz alguns movimentos em seu colo.

                Percy deu um gemido grave e profundo.

                Com os olhos arregalados, fiquei imóvel. Minha Nossa, dava para sentir sua ereção em meu quadril. Os braços apertaram minha cintura e senti o coração dele acelerar junto com o meu.

                — Desculpe — disse ele, com a voz rouca e grossa. — É de manhã e você está sentada em mim. É uma combinação infalível para levar qualquer homem à loucura.

                Meu rosto começou a esquentar, mas o verdadeiro calor corria nas minhas veias, e fui lembrada de como era senti-lo junto dos meus quadris. Não era o melhor pensamento para se ter naquela situação. Ele relaxou um pouco o toque na minha cintura e desceu os braços. Através da camiseta fina — camiseta dele —, minha pele formigava.

                Tudo bem. Talvez fosse o pensamento ideal para se ter naquela situação.

                — Quer que eu saia de cima de você? — perguntei.

                — De jeito nenhum. — A outra mão subiu pelas minhas costas, enrolando os dedos nas pontas do meu cabelo. — Nem pense nisso.

                Meus lábios formaram um sorriso.

                — Ok.

                — Finalmente, acho que estamos de acordo em alguma coisa

                Inclinei-me um pouco para trás, assim poderia vê-lo. Desgrenhado por ter acabado de acordar e com uma barba bem rala, ele estava absolutamente lindo.

                — Ontem à noite aconteceu mesmo?

                Um lado de seus lábios subiu e meu peito se encheu de alegria. Como senti falta daquele sorriso.

                — Depende do que acha que aconteceu.

                — Eu tirei minha camiseta para você?

                Seu olhar ficou profundo.

                — Sim. Momento adorável.

                — E você me recusou?

                A mão em meu quadril deslizou um pouco.

                — Só porque nossa primeira vez juntos não pode ser enquanto estiver bêbada.

                — Nossa primeira vez juntos?

                — Isso aí.

                Os músculos no meu estômago se contraíram.

                — Você está bem confiante sobre haver uma primeira vez entre nós.

                — Estou. — Ele se apoiou na almofada.

                Eu precisava me concentrar.

                — Nós conversamos, certo? — Meu olhar desceu para o meu punho. — Contei a você quando fiz isso?

                — Contou.

                Olhei para ele de esguelha.

                — E você não acha que sou uma louca desvairada?

                — Bem...

                Inclinando a cabeça para o lado, olhei séria para ele. O sorriso de Percy cresceu enquanto a mão subiu pelas minhas costas, chegando à nuca.

                — Quer saber o que eu acho?

                — Depende.

                Ele puxou minha cabeça para baixo, fazendo com que as bocas ficassem a centímetros uma da outra.

                — Acho que precisamos conversar.

                — Precisamos. — Concordei. Mesmo que isso me deixasse nervosa, é claro, a determinação substituiu minha apreensão.

                Percy, de repente, segurou meus quadris e me levantou, colocando-me no sofá ao lado dele. Imediatamente, senti a falta do seu calor e fiquei confusa.

                — Achei que precisávamos conversar — eu disse.

                — Precisamos. Eu já volto.

                Eu não tinha ideia do que ele pretendia fazer.

                — Apenas fique aqui, está bem? — disse ele, andando até a porta. — Não saia do lugar. Não pense em nada. Apenas fique aí sentada que eu já volto.

                Observei-o com curiosidade.

                — Está bem.

                Um sorriso torto apareceu.

                — Estou falando sério, não pense em nada. Nem nos últimos minutos, nem na noite passada. Nem no mês passado. Ou no que está por vir. Apenas fique parada.

                — Tudo bem — sussurrei. — Eu prometo.

                Seus olhos se encontraram com os meus por um tempo, então ele saiu, e, é claro, pensei em tudo o que ele dissera naqueles cinco minutos em que esteve fora. Quando ele voltou, quase tinha me convencido de que não voltaria.

                Mas ele estava lá.

                Girei o tronco, olhando por cima do encosto do sofá, e, assim que vi o que ele tinha nas mãos, abri um sorriso.

                — Ovos! Você trouxe ovos.

                — E minha frigideira. — Ele empurrou a porta com o quadril para fechá-la. — E escovei meus dentes.

                — Você não colocou uma camiseta.

                Ele me olhou de lado ao caminhar até a cozinha.

                — Eu sei que você ficaria arrasada por não poder me ver sem camisa.

                Quando ele desapareceu pela porta, deixei minha cabeça cair no encosto do sofá e soltei um gritinho bem infantil, que esperava ter abafado.

                — Annie, o que você está fazendo aí?

                Levantei a cabeça.

                — Nada.

                — Então trate de vir para cá.

                Sorrindo, desci do sofá e comecei a ir para o meu quarto.

                — E não ouse se trocar.

                Parei, fazendo uma careta.

                — Porque eu gosto muito de ver você usando minhas roupas — ele acrescentou.

                — Bem, já que falou com jeitinho... — Dei meia-volta e fui para a cozinha. Parada na porta, eu o observei fazer uma coisa que já o vira fazendo dezenas de vezes.

                Ele me olhou por cima do ombro.

                — Que foi? Você sentiu tanta falta assim dos meus ovos?

                Pisquei os olhos ainda embaçados.

                — Não pensei que o teria novamente na minha cozinha fazendo ovos para mim.

                Os músculos em seus ombros flexionaram-se, e não pude fazer nada além de admirar toda aquela sensualidade. A sinuosidade se acentuou em sua pele quando ele se curvou à frente, ajustando os controles do fogão.

                — Você sentiu tanta falta assim de mim?

                Pela primeira vez, não hesitei.

                — Senti.

                Percy se virou para mim.

                — Eu senti sua falta.

                Respirei fundo.

                — Quero lhe pedir desculpas por como agi quando você... bem, quando você viu minha cicatriz. Eu nunca deixei ninguém a ver. — Mordi meu lábio inferior e dei um passo à frente. — Eu sei que não justifica, porque minha reação foi horrível, mas...

                — Eu aceito suas desculpas com uma condição. — Ele cruzou os braços na frente do corpo.

                — Qualquer coisa.

                — Que você confie em mim.

                Inclinei a cabeça de lado.

                — Eu confio em você, Percy.

                — Não confia, não. — Ele caminhou até a mesinha e puxou uma cadeira. — Sente-se aqui.

                Sentando-me, puxei a barra da camiseta para baixo, enquanto ele voltou para o fogão, apoiando a pequena frigideira sobre o fogo.

                — Se confiasse em mim, não teria reagido daquela forma — disse simplesmente, quebrando um ovo. — E isso não é porque estou julgando você nem porcaria nenhuma. Você tem que confiar que não vou dar uma de babaca e surtar com esse tipo de coisa. Precisa confiar que eu gosto demais de você.

                Fiquei praticamente sem fôlego.

                Ele se virou para mim, os olhos cristalinos como vidro, e continuou: — Tem muita coisa que eu não sei sobre você e espero consertarmos isso. Não vou forçar nada, mas não pode me deixar de fora do seu mundo, está bem? Você precisa confiar em mim.

                Havia muitas coisas que ele não sabia, mas eu não queria que nada interferisse. Nem agora, nem nunca.

                — Eu confio em você. Eu vou confiar em você.

                Percy olhou direto para mim.

                — Então aceito suas desculpas.

                Em seguida, ele se virou para o fogão de novo, mexendo os ovos. Depois veio o suco de laranja. Não dissemos nada até ele sentar com seus quatro ovos cozidos.

                — Então, para onde vamos a partir daqui? — perguntou. — Diga o que você quer.

                Parei com o garfo cheio e olhei para a frente, enquanto ele segurava um dos ovos. — O que eu quero?

                — De mim. — Deu uma mordida no ovo, mastigando lentamente. — O que você quer de mim?

                Apoiando o garfo na mesa, encostei-me na cadeira e olhei bem para ele. De repente, percebi que ele me faria contar aquilo... e eu precisava contar. Pensei em Piper e no que ela teria que contar centenas de vezes. Isso era fácil em comparação.

                — Você.

                — Eu?

                — Quero você. — Minhas bochechas estavam pegando fogo, mas continuei. — Obviamente, nunca namorei antes e nem sei se é isso que você quer. Talvez não seja...

                — É, sim. — Ele terminou o ovo.

                Meu peito ficou apertado.

                — É?

                Ele riu.

                — Você parece surpresa, como se não acreditasse. — Pegou mais um ovo. — É realmente lindo. Por favor, continue.

                — Por favor, continue...? — Balancei a cabeça, aturdida. — Quero ficar com você.

                Percy terminou o segundo ovo.

                — Essa é a segunda coisa com a qual estamos de acordo hoje.

                — Você quer ficar comigo?

                — Quero ficar com você desde a primeira vez que recusou meu convite. Apenas venho esperando que você mude de ideia. — Seus lábios se curvaram para cima. — Portanto, se vamos fazer isso, existem algumas regras a serem seguidas.

                Ele vinha me esperando?

                — Regras?

                Percy acenou com a cabeça, enquanto descascava o terceiro ovo.

                — Não tem muitas. Não me deixar de fora. Somos só você e eu e ninguém mais. — Ele fez uma pausa e meu coração acelerou. — E, finalmente, continue sexy desse jeito com a minha camiseta.

                Soltei uma gargalhada.

                — Acho que todas elas são possíveis.

                — Ótimo.

                Observei-o terminar os ovos e, por mais feliz que estivesse, fiquei bem nervosa.

                — Nunca fiz nada disso, Percy. E não sou uma pessoa fácil de lidar o tempo todo. Eu sei disso. Não posso prometer que será fácil para você.

                — Nada divertido na vida é fácil. — Ele esvaziou o copo de leite e ficou de pé, aproximando-se do meu lado. Pegou minha mão e me puxou para cima. Seus braços envolveram minha cintura enquanto inclinava a cabeça para a frente, e, quando ele falou, seus lábios roçaram minha bochecha. — Estou falando sério com você, Annie. Se você me quiser de verdade, você terá.

                Fechando os olhos, coloquei as mãos no peito dele.

                — Eu quero você de verdade.

                — Bom saber — murmurou, inclinando a cabeça de lado e tocando os lábios nos meus. A ansiedade cresceu como uma bolha. — Porque, se não quisesse, isso tudo seria muito estranho.

                Comecei a rir, mas, de repente, sua boca tocou a minha, silenciando-me. No início, o beijo foi suave. Uma terna exploração dos meus lábios, mas fazia muito tempo desde a última vez em que ele havia me beijado. E fazia tempo demais desde a última vez que me sentira daquele jeito. Eu queria mais.

                Deslizando as mãos pelo peito dele, depois por suas bochechas levemente ásperas, enfiei os dedos por dentro de seu cabelo macio e bagunçado. Foi só disso que Percy precisou para aprofundar o beijo, abrindo mais minha boca e deslizando a língua para dentro. Suas mãos vieram para os meus quadris e, em seguida, subiram para minha cintura. Ele me puxou para si, fazendo o beijo partir de inocente e doce para extremamente sensual em questão de segundos.

                Percy me levantou, arrancando de mim um suspiro de surpresa que, rapidamente, se perdeu nele. O instinto entrou em ação, então envolvi sua cintura com as pernas. Em uma forte investida, ele veio para a frente e me colocou contra a parede, então senti seu peito quente no meu. Meu corpo amoleceu, umedeceu entre as coxas ao senti-lo lá perto, prova do quanto ele me queria.

                Cada célula do meu corpo se contraiu com o calor fluindo para dentro de mim. Pela primeira vez, não houve nem uma ponta de pânico. Nada além de sensações maravilhosas que me faziam sentir viva, e, pela primeira vez, eu estava completamente no controle. Havia uma liberdade naquilo que eu nunca tinha vivido, por isso me entreguei àquele beijo. Ele fez aquele som incrivelmente sexy que vibrou em seu peito e, depois, no meu. Parecia que duraria uma eternidade, mas ele levantou a boca e disse:

                — Preciso ir embora.

                — Você vai embora? — perguntei, ofegante e trêmula.

                — Eu não sou santo, meu anjo — ele rosnou. — Se eu não for embora agora, vou ter que ficar aqui por algum tempo.

                Um choque me percorreu da ponta dos seios até a barriga.

                — E se eu não quiser que você vá embora?

                — Que merda — disse ele, deslizando as mãos para as minhas coxas. — Você está dificultando para que eu continue sendo o cara bonzinho que fui ontem à noite.

                — Não estou bêbada.

                Ele encostou a testa na minha, rindo suavemente.

                — É, dá para perceber, mas, embora a simples ideia de pegar você agora, contra a parede, já seja suficiente para me fazer perder o controle, quero que saiba que sou um cara sério. Você não é um “lance”. Não é uma amiga colorida. Você é muito mais para mim.

                Fechei os olhos, ainda ofegando.

                — Bem, isso foi... meio que perfeito.

                — Eu sou meio que perfeito — completou ele, gentilmente desenlaçando minhas pernas. Percy me colocou no chão, e eu teria caído, se ele não tivesse me segurado. — Todos sabem disso. Você só demorou um pouco mais para entender.

                Dei uma risada.

                — O que você vai fazer?

                — Tomar um banho frio.

                — Sério?

                — Sério               .

                Tive que rir de novo.

                — Você vai voltar?

                — Sempre. — Ele me beijou rapidamente.

                — Ok. — Abri os olhos, sorrindo. — Eu espero por você.



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