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História Espirais - Capítulo 1


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Notas do Autor


Sei lá, só escrevi.

Capítulo 1 - Capítulo único.


Estou girando rápido demais para ver para qual lado irei cambalear quando parar.

As espirais dos meus cabelos me hipnotizam, mexas castanhas que rodam e rodam, e quando caio, são círculos e espirais se espalhando como veias pela cama e pelo travesseiro.

Meus espelhos estão quebrados ao meu redor. Caos de cacos que brilham e refletem e me fazem sangrar. Meus pés descalços os pisoteiam, sangram, formam poças vermelhas e marcas grudentas de dedos dos pés enquanto danço tentando chegar ao êxtase de uma existência que aparenta estar vazia, tão solitária quanto a última flor de um jardim, resistindo a um inverno duro.

As rosas do jardim jorram aroma e atraem as abelhas, mas fico somente ali, parada. Tento recuperar o ar, mas ele me falta. Se perde ao meu redor e dança como eu, em furacão. É tudo tão rápido e tão devagar que estou me perguntando quanto tempo vai demorar para que tudo desande.

Sozinha, alguma coisa ecoa no fundo da minha alma. Tem um gosto amargo na minha boca, saudade de algo que não faz sentido. Saudade de algo palpável e, ao mesmo tempo, inalcançável. Nunca mais haverá aquele sabor em meus lábios, que secam enquanto choro.

Caio de joelhos e quero gritar. As palavras não saem e me estrangulam por dentro. Formam um bolo, engasgo e tento cuspir, mas nada sai fora resmungos quase sussurrados e monossilábicos, que pouco fazem sentido.

Quem me ouve, ouve as palavras enganadoras. Eu finjo. E sorrio. E a todos, parece que está tudo bem.

E então, eu desabo na cama, e não uma mão sequer para acariciar meus cabelos ou fazer carinho em minhas costas. Não há ninguém para eu sentir que algo importa. Ninguém para me ajudar a parar de soluçar. Fecho meus olhos, cansada, respiração saindo com dificuldade, corpo doendo da dança descontrolada, pés sangrando na caminhada de martírio.

Por trás das cortinas que são minhas pálpebras e cílios, há luz e espirais coloridas, pequenos círculos vermelhos, azuis, laranja e verde. Lindos como um vitral, uma arte abstrata que fere e queima minhas pupilas, mas continuo olhando. Essa dor reconforta.

Abro os olhos, levanto, recolho cada caco e seco cada gota vermelha espalhada no chão.

Aqui estou eu. Silêncio e mais silêncio.

Nada está tão corrido quanto antes. Meus joelhos param de tremer e minhas mãos conseguem ficar firmes e direitas. Dopamina e serotonina. Café e chocolates. Espirais de café quando observo o líquido passando pelo filtro e o pó.  Sol da tarde entrando pela porta e pela janela, minha pele já não está mais tão fria. Sento e bebo. Sinto.

Era só. 



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