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História Espíritos da Magia - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo Quatro


Fanfic / Fanfiction Espíritos da Magia - Capítulo 4 - Capítulo Quatro


Abigail Montechesi estava sentada na terra, sentindo as vibrações a sua volta, sentindo a natureza. Sua família vinha de uma longa linhagem de naturalistas e isso tornava o poder que corria por suas veias e se alastrava a sua volta ainda mais forte. 
A bruxa suspirou levemente, seu coração e respiração pulsando como um só, retomando seu longo treinamento. Podia sentir todas as coisas vivas ligadas a terra em sua volta, cada grama, rocha e flor, suas mãos se transformaram nos troncos e tocavam o longo caminho até o centro da terra e, se ousasse, poderia sentir o magma que esquentava o seu núcleo. 
Sentia o arco de sua magia se alargando, um tipo de poder quase impossível de ser possuído pela maioria das bruxas que viviam em Wrachod, mas Abigail a possuía e também a aprendera a dominar. 
-Muito bem Abigail, deixe a magia te guiar. – ela podia ouvir as palavras de sua tutora, Merida, incitando-a a continuar. 
Aquela era a parte mais difícil de seu treinamento para se tornar Sacerdotisa, um treinamento que havia começado muitos anos atrás. Era um título reservado apenas para algumas bruxas. Uma vez por ano, cinco Sacerdotisas saiam pelo reino e buscavam bruxas da idade certa com o toque da Deusa Mãe e a levavam para o templo do castelo, na capital de Wrachod, Frenhinol. As bruxas cresciam ali, passando pelo longo e doloroso treinamento, apenas algumas dessas escolhidas conseguiam passar por ele sem se esgotar ou desistir. Abigail estava agora em frente a outras dez bruxas que também haviam chegado até aquele estagio do treinamento e Merida a fazia demonstrar seu poder, que seria testado em pouco tempo para que pudessem receber da Grande Rainha a esperada recompensa pela sua dedicação. 
Merida era uma Grã-Sacerdotisa naturalista, um título ainda mais difícil de se alcançar, ainda menos bruxas atingiam o nível de domínio de magia para poder recebe-lo, as Sacerdotisas serviam os templos e os castelos, enquanto as Grã-Sacerdotisas eram conselheiras, curandeiras, tutoras ou até Governadoras das cidades de Wrachod dependendo de qual o caminho a Deusa Mãe desejava que seguissem. 
A magia de Abigail alargou até o ponto em que a bruxa tinha de se esforçar para controla-la e agora sentia gotículas de suor escorrendo pela testa, já estava quase alcançando a floresta que cercava o castelo, a quilômetros de distância de onde estavam, quando sentiu a magia tremer. 
-Controle-se – ordenou a tutora com a voz firme. 
-Não consigo – respondeu entre dentes e sentiu a magia afrouxar e voltar como uma onda a atingindo, suspirou e abriu os olhos, envergonhada. 
Merida e as outras bruxas a encaravam, a tutora com orgulho, as outras com admiração, mesmo não alcançando aquela distancia ainda era a mais poderosa de sua turma. A Grã- Sacerdotisa sorria contente e triunfante por mais uma bruxa naturalista se destacar. 
-Foi muito bem – encorajou com palmas e as outra a imitaram. 
Abigail sorriu timidamente. 
-Abigail – uma voz nada amigável surgiu e até Merida ficou séria com a chegada da irmã mais velha de Abigail, ela também participara do treinamento alguns anos atrás e era uma Sacerdotisa formada. 
Aine era uma visão que sempre fazia Abigail tremer, os olhos azuis frios da irmã a encaravam com superioridade e desprezo, enquanto a bruxa permaneceu parada em pé esperando Abigail prontamente se levantar. 
-Nossa mãe está te procurando – a irmã a mediu o vestido de Abigail com seus olhos azuis claros e Abigail sentiu a sujeira que a tomava por completo. Aine entortou o nariz voltando seu olhar para a tutora. – Ela precisa vir imediatamente. 
Aine estava vestida de verde musgo, a cor da família Montechesi, o cabelo loiro claro estava preso, mostrando as orelhas pontudas, um traço que só aparecia em bruxas de origem e magia pura, a linhagem das fadas. Impecável, como fora a vida toda. Abigail imaginou o estado em que ela mesma estava, com roupas surradas e cabelo desgrenhado, mato e poeira não era bem o que sua mãe gostaria que estivesse usando. 
-A aula ainda não acabou – disse Merida friamente. 
-A Rainha a espera também. – respondeu somente. 
Abigail ficou surpresa e se virou para a tutora que assentiu. 
-Já estou a caminho. – respondeu a bruxa mais nova e bateu as mãos no vestido tentando se livrar de um pouco de sujeira. A irmã fingiu ignorar o movimento e apenas disse antes de se virar e caminhar com uma rigidez impressionante. 
-Troque-se primeiro, faça esse favor a todos nós, boneca de lama. 
A mãe estava sentada à grande mesa da Rainha, do seu lado direito, Isolda Montechesi era influente e sempre tinha uma cadeira reservada no Conselho, como herdeira da família, Aine sentava bem ao lado da mãe. O escritório particular da Rainha era largo e ricamente decorado, a longa mesa ao centro era de carvalho escuro, as cadeiras tinham estofado vermelho, um grande candelabro de ouro pendia do teto que exibia pinturas das belezas de Wrachod e as janelas largas eram voltadas para o Grande Mar que banhava Frenhinol com suas águas claras, Abigail sentia o cheiro da maresia e também das flores vermelhas que decoravam as janelas e a mesa. 
Cada bruxa naturalista tinha o controle de um elemento, seu dom permitia sentir e controlar o elemento da terra, assim como todas as bruxas da linhagem Montechesi que era tão antiga quanto a da própria Rainha e também possuía sangue de Fadas diluído com o sangue bruxo. Por isso Abigail possuía as belas orelhas pontudas. 
A bruxa entrou e logo tomou um lugar o mais reservado possível, sem antes notar o olhar de desagrado que a mãe lhe lançou. Percebeu que era uma reunião privada, com apenas o Conselho da Rainha, que consistia em dois outros membros de linhagem antiga, Elwin Baudelaire, de Bryniau e Riona Murrog da cidade de Arfordir, não havia nenhum representante de Fnniol, a mais distante das cidades e também a que possuía a mais difícil das Governadoras. Ainda no escritório estava a Grã- Sacerdotisa da Rainha, uma bruxa de cabelos encaracolados e olhos cor de avelã, seu nome era Aramantha que era praticamente uma estátua de gesso. O Guardião de Elite da Rainha se levantou e ela não pode deixar de se perguntar por que a mãe a chamara ali. 
- Como eu dizia – continuou o altivo Guardião, lançando um olhar de soslaio com seus belos olhos azuis para ela e depois voltando a atenção para sua Rainha – Houve mais um caso de desaparecimento, Majestade, uma bruxa que trabalhava nas colheitas ao norte. Uma Ilusionista. 
Abigail se concentrou no que o Guardião havia acabado de relatar e voltou seu olhar para a Rainha. 
-Alguns Guardiões e também moradores dizem ter avistado uma criatura no Grande Mar e estão a culpando desses desaparecimentos.
Já havia ouvido alguma de suas companheiras de treinamento comentarem sobre as bruxas que haviam desaparecido, eram de lugares não tão longe da capital, com linhagens não tão poderosas e havia escutado algumas comentarem sobre essa criatura mística.
A maioria das criaturas eram filhas dos deuses e dos elementos e conviviam em equilíbrio. Mas outras eram tão antigas e selvagens que podiam atacar a qualquer um.
-Acredito que teremos que aumentar a proteção de alguns pontos específicos do Véu, para o caso de qualquer ataque externo. – completou o Guardião quando percebeu que não teria resposta de sua Rainha. 
-Perfeito, Arthur. – ela levantou os olhos verdes e Arthur fez uma reverência e voltou a se sentar. 
Sem prestar muita atenção, Abigail levou a mão a um vaso de flores próxima e sentiu sua magia atravessar os ramos. 
A irmã de Abigail levantou. 
-Majestade, recebemos uma carta de Fnniol sobre as colheitas, serão enviados quatro carregamentos de suprimentos para Frenhinol e o resto distribuído para as outras cidades? 
-Quatro? – questionou lady Elwin com uma voz esganiçada. – Mas Fnniol tem a maior plantação desse reino inteiro. 
Aine deu de ombros, lançando um olhar de soslaio para a Rainha. 
-Irvine disse na carta que as colheitas estão ruins esse ano. 
A mãe de Abigail sorriu. 
-Irvyne está louca se reclama das colheitas, Wrachod é o melhor lugar para qualquer tipo de plantio. 
-Talvez devesse ir para lá ajudar na terra, Isolda – soltou lady Riona desdenhando da mãe – Irvyne só serve para queimar as coisas. 
Abigail não ouviu a mãe responder, continuou em seus pensamentos, acariciando as pétalas, aquelas flores possuíam tantos espinhos, que roçavam na magia dela causando arrepios e as pétalas eram como veludo, como sangue que pulsava em suas artérias.
Sentiu antes de ver a Rainha Margot a observando, um frio pareceu roçar em sua magia, tateando e a acariciando e rapidamente ela tirou a mão das pétalas, o fluxo de magia desaparecendo. 
Um arrepio percorreu a espinha. 
Que tipo de magia era aquela? 
Os olhos da Grande Rainha a fitavam com um tipo estranho de curiosidade, como se quisesse testar o tamanho de poder que Abigail possuía, como se aquele frio viesse dela. 
-Abigail – começou Margot fazendo as outras se calarem e voltarem a atenção para ela – é um prazer ter você entre os participantes dessa reunião. Sua mãe me contou o quanto tem se destacado em seu treinamento, queria que visse como é uma das nossas reuniões, para que se acostumasse.
Sabia que Aine estava vermelha de raiva, não precisava de magia para ter certeza, por mais que a bruxa tivesse muito talento e fosse melhor em todas as outras coisas que Abigail não era, sua magia não era em nada comparada a de Abigail. 
-Talvez algum dia ocupe um lugar no meu Conselho, como todas as Montechesi. 
Mas Abigail só participaria algum dia daquele Conselho se fosse do agrado de sua Deusa, pois era a divindade que escolhia o lugar onde uma Sacerdotisa devia servir. E ela orava para que a Deusa Mãe não tivesse esse oficio para ela. 
De qualquer maneira e guardando sua aflição a bruxa naturalista baixou os olhos em sinal de respeito. 
-Seria uma grande honra, espero agradar a Deusa com minha magia, no lugar que ela desejar. 
Sentiu o sorriso cortante da Rainha e mais uma vez um arrepiou cruzou sua espinha.
-Poderosa e devota. – comentou e olhou para a mãe de Abigail – Que criatura adorável é nossa querida Abigail, não Isolda. 
A mãe concordou com sua Rainha, deixando transparecer o quanto o comentário da filha lhe desagradava.  
 O arrepio na espinha não diminuiu, era ridículo se sentir assim, a Grande Rainha era a protetora de Wrachod, escolhida pela Deusa Mãe para ser a Rainha das bruxas. Porem Abigail não conseguia evitar aquela sensação estranha toda vez que estava ao redor de Margot, toda vez que seus olhares se cruzavam. 
A Rainha se levantou e todo os outros se levantaram também. 
-Creio que essa reunião já acabou. – disse somente e saiu arrastando as saias do vestido preto, com o Guardião atrás de si. Os outros seguiram logo depois, enquanto a mãe se voltou para Abigail, olhos como o da filha mais velha, gelados e sem afeição, como havia sido a vida toda. 
-Nunca mais use esse tom perto da Grande Rainha. Seu lugar é onde eu desejar, garota. 
-Sinto muito mamãe – ela fitou os pés, tremendo, sua magia poderia ser poderosa, mas a mãe era assustadora. 
Sentiu a mão fria de Isolda apertar o seu queixo e puxar seu rosto a altura de seus olhos. 
-Não murmure para mim, Abigail, não nasceu com toda essa magia para desperdiça-la com um templo. Assuma seu lugar logo. – a mãe soltou seu rosto com força e Abigail engoliu as lágrimas, sem gastar mais um olhar com a filha mais nova, Isolda saiu do escritório. 
Então só Abigail ficou para ver o olhar de satisfação que a irmã lhe mostrava.



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