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História Espumas do oceano - Capítulo 6


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Notas do Autor


Chegamos a um ponto importante da nossa história. Como eu disse no capítulo anterior, tudo se encaminha para um angst, mas por favor não desistam de mim. Tudo tem um propósito.

Esse capítulo tá cheio de gritaria, já adianto que eu não queria estar na pele de Maurílio e Clayton

Divirtam-se 💜

Capítulo 6 - A descoberta


Maurílio não percebeu que havia adormecido. Acordou ao lado de Julinho com a cabeça apoiada em seu peito. Não sabia quanto tempo havia passado, mas ainda era noite. Os dois estavam cobertos por um lençol macio, e Maurílio queria voltar para os braços do outro, mas sabia que deveria ir embora. Ele se preparou para sair da cama quando ouviu um barulho na porta, Julinho também ouviu e se sentou.

‒ Filho, perdoe-me por acordá-lo. – era a voz de Martha. – Mas você viu sua irmã? Está tarde e eu não consigo encon... O que está acontecendo aqui? – a senhora Fagundes quase gritava, ela abriu a porta e viu os dois na cama. Maurílio tentava ao máximo se cobrir com o lençol. – Maurílio, por que você está aqui? – ela procurou um lugar para se sentar, parecia tonta. Julio Cesar ia se levantar, mas se lembrou que estava nu. – Por favor, meu filho, não se levante. – ela pôs uma mão na testa e outra na barriga. Maurílio não sabia onde se enfiar. – O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

‒ Mãe, eu sei que parece muito perturbador agora, mas fica calma. Eu e Maurílio, a gente se ama.

‒ O quê? – Martha ficou de pé. – Amor? Não, você não sabe o que está falando. Como pode amar alguém como ele?

‒ O que está acontecendo aqui. – Julian entrou pela porta apressado. – Que gritaria é essa? – ele viu o casal na cama. – Julio Cesar Fagundes, o que significa isso? – Julinho levou a mão ao rosto. Não acreditava que os pais podiam ser tão lentos. – Você e esse rapaz, como puderam?

‒ Vocês precisam se acalmar. Eu sei que parece absurdo, mas sim, eu amo outro homem. Até pouco tempo eu não sabia que era assim, mas as coisas foram acontecendo sem que eu percebesse.

Maurílio estava completamente envergonhado com a situação, se pudesse abrir um buraco no chão já estaria no andar de baixo.

– Então quer dizer que todo esse tempo ele vinha aqui cortejar sua irmã, quando na verdade vocês dois, você dois... Eu não consigo nem elaborar uma frase. – Martha estava vermelha como um pimentão. – Você se aproveitou da minha boa vontade, Maurílio, me sinto apunhalada pelas costas.

Julian foi até a porta.

– Rogerio seu verme, venha aqui em cima ver o que seu subordinado de merda foi capaz de fazer

‒ O quê? – Maurílio se ajoelhou na cama, ainda enrolado no lençol, e quase deixou Julio Cesar descoberto. – O capitão ainda está aqui a essa hora? Por favor, senhor Fagundes, não o chame. Não quero que ele me veja assim.

‒ Você me chamou Julian? – era a voz do capitão.

‒ Rogerio, me responda uma coisa. você sabia que seu subordinado e meu filho estavam envolvidos? – o capitão entrou no quarto e viu Maurílio e Julio Cesar. O olhar de decepção que dirigiu a Maurílio fez com que o rapaz se sentisse ainda mais culpada.

‒ Você mentiu pra mim Maurílio. – a voz do capitão estava severa. – Você disse que não havia nada entre vocês. Como pode me enganar assim? – Maurílio não conseguiu conter as lágrimas.

‒ Então você sabia. – disse Julian. – Por que não nos contou? – ele não parecia bravo, apenas surpreso.

‒ Quase deixamos que nossa filha se casasse com ele. – Martha se aproximou de Rogerio. Estava furiosa. – E no fim das contas ele seduziu meu filho, meu Julio Cesar.

– Ninguém me seduziu, mãe. – Julinho falou com a voz tranquila, a mãe o encarou por um momento.

– Você fique calado. – ela desviou o olhar da cena na cama. Virou-se novamente para Rogério. – Vocês pretendiam nos dar um golpe?

‒ Claro que não. – disse Rogerio. – Nunca quis que ele se envolvesse com a família de vocês, mas infelizmente eu não tenho controle sobre a vida dele.

‒ Agora você diz isso. Muito conveniente. – Martha riu ironicamente.

‒ Por favor, meus caros. – disse Julio Cesar. – Antes que vocês percam a cabeça, será que poderiam dar licença para que possamos nos vestir? Não me sinto nada confortável em estar nu na frente de meus pais e do capitão. E tenho certeza que Maurílio sente o mesmo.

‒ Meu filho tem razão. – disse Julian. – Vamos deixar que se recomponham. Os dois estão claramente confuso. – eles saíram do quarto e fecharam a porta. Julio levantou-se e vestiu seu roupão. Pegou um lenço e entregou para Maurílio.

‒ O que faremos agora? – ele enxugou os olhos e começou a se vestir.

‒ Bem, vamos nos recompor e depois descemos para falar com eles. – Julio Cesar sentou-se na cama de frente para Maurílio.

‒ Falar o quê? Você viu como o capitão me olhou? Ele irá me expulsar com toda certeza, porque eu menti para ele, eu disse que não havia nada entre nós.

‒ E por que ele deveria se meter?

– Ele se preocupa comigo. – Maurílio teve dificuldade em achar a camisa. – Além do mais, tem medo que se você soubesse sobre meu problema com a realeza com certeza me trairia.

– Ele é um idiota por pensar assim. Eu nunca faria nada para prejudicar você. – Julinho deu um beijo na testa de Maurílio. – Eu prometo que tudo vai ficar bem, vamos conversar com eles lá em baixo e expor nossa situação. Se não aceitarem, bom, o problema é só deles. – beijou levemente os lábios do outro.

– Você sabe que não é bem assim. – Maurílio protestou, mas por fim retribuiu o beijo.

Uma vez vestidos, os dois desceram as escadas. Julio Cesar queria ir de mãos dadas, mas foi convencido de que seria uma má ideia. Maurílio estava com seu traje caro da festa, isso trazia um pouco mais de coragem, enquanto isso Julinho continuava com seu roupão.

‒ Aqui estamos. – disse Julio Cesar quando os dois chegaram na sala de estar. Julian estava sentado em sua poltrona, enquanto Martha andava de um lado para o outro. Rogerio, sentado no sofá, terminava um copo de uísque e Simone, bastante alheia a situação, observava os retratos em cima do piano. Era uma cena bem peculiar. Todos se voltaram para os recém chegados. – Despejem o que quiserem em cima de nós, mas saibam que nós nos amamos e nada mudará isso.

‒ Se amam? ‒ Martha ainda estava brava, mas agora não gritava mais. – Se amam? E você sabe o que é amor? Você tem apenas dezoito anos, e nesse pouco tempo que se tornou um homem tudo que sabia fazer era participar de festas e conhecer garotas. Como pode saber algo sobre amor.

‒ A mim não importa se ele o ama ou não. – disse Julian. – Você dormiu com o rapaz meu filho, debaixo de nosso teto. Agora terá que reparar o mal que fez.

‒ Não sei se você está pensando direito. – Rogerio encheu o copo novamente. – Por mais que eu torça pela felicidade dos meus subordinados, eu duvido que seu filho possa reparar esse mal. Maurílio já tem problemas demais e entrar para uma família que o odeia não deveria ser mais um deles. O garoto estava no meu navio, protegido, seguindo ordens. Foi só seu filho aparecer que tudo deu errado. – Julian e Martha começaram a defender o filho, o capitão revidava.

‒ Chega! – Julinho disse em voz alta. – Chega dessa conversa. Não são vocês que decidirão nosso futuro. Maurílio e eu somos maduros o suficiente para tomar nossas próprias decisões. Nós nos amamos e escolhemos ficar juntos, seja lá onde for.

‒ Isso mesmo. – Maurílio falou segurando a mão de Julio Cesar. ‒ Capitão, peço desculpas. Você me pediu para que eu me envolvesse com o Julinho, mas não pude evitar. Eu sei que vocês estão espantados, mas essa é nossa realidade. Nós somos dois homens que se amam. – Martha soltou um gritinho com a última frase. Maurílio continuou. – Sei que é difícil para vocês aceitar, mas essa é a verdade.

A discussão recomeçou. Martha falava do desgosto que seria ter dois homens se relacionando debaixo do mesmo teto, estava decepcionada principalmente pelo fato de que não teria netos. Julian falava em pagar para Maurílio e Rogerio irem embora e nunca mais voltarem, e o capitão, por outro lado, dizia que aquela família não valia uma moeda de cobre e que Maurílio iria embora com ele sim, mas só porque ele queria.

– Chega! – Simone falou em voz alta. – Vocês estão exagerando. O mundo não acabou só porque os dois garotos dormiram juntos. Rogerio, aposto que esse não é o primeiro caso que você vê em suas longas viagens pelos mares.

– E não é mesmo, o problema aqui é que Julio Cesar é um garoto mimado de família rica. Maurílio tem sérios problemas e essa visibilidade toda pode deixa-lo em maus lençóis.

– Entendo. Mas a decisão não é sua.

– E não é mesmo. – Julian se aproximou do filho. – Você pode se divertir com quem quiser, meu filho. Homem, mulher, barril. Eu não me importo. Desde que você se case com uma boa moça de família, bem nascida e bem feminina, que seja capaz de te encher de herdeiros. Vamos manter essa história bem escondida pelo bem de todos, vamos manter seus desejos diferentes por debaixo dos panos. – Martha soltou um resmungo.

– Não acredito no que meus ouvidos acabaram de escutar. – Simone estava chocada. – Esse seu discurso é errado em tantos níveis. Quer dizer que para você é mais digno seu filho ter um monte de amantes do que estar com alguém que ele ama?

– Isso não diz respeito a você. – Martha falou.

– Nem a vocês, mamãe. – Julinho encarou a mãe. – Eu e Maurílio não vamos nos esconder. Nós teremos um relacionamento, vocês querendo ou não. E se vocês não aceitarem eu irei embora de casa.

– E quem iria te sustentar? – Julian deu uma risada incrédula.

– Eu vou trabalhar. Se o capitão Rogerio me aceitar eu irei com eles de bom grado.

Martha fingiu um desmaio. Rogerio abriu a boca várias vezes, mas nada saía. Antes que pudesse elaborar uma frase o mordomo entrou pela porta da sala puxando Clayton pela camisa desabotoada. Brenna vinha logo atrás, com o vestido todo amassado e com os botões trocados. Lá fora o dia amanhecia.

‒ Desculpe interromper. – disse o mordomo. ‒ Eu encontrei esses dois no jardim lá fora, estavam tão ocupados que nem me viram chegar. – Martha milagrosamente acordou e quase desmaiou de verdade quando viu a filha.

‒ Será possível que meus dois filhos resolveram me dar desgosto na mesma noite? – Julian alisou os cabelos loiros para trás.

‒ Clayton. – o capitão estava furioso. – Você enlouqueceu? Com tantas moças na cidade você tinha que se meter logo com ela? Será possível que todos os meus subordinados são imbecis?

‒ Perdoe-me capitão. – disse Clayton, estava tremendo como se sentisse frio. – Foi um deslize. Mas pretendo reparar meu erro. – ele viu Maurílio. – Maurílio? O que faz aqui ainda e por que todos estão esquisitos?

‒ Maurílio e Julinho estavam juntos? Você devia ser MEU prometido, não do meu irmão. – Brenna falou com tanta naturalidade que todos quase esqueceram que ela e Clayton foram pegos em um momento bastante íntimo.

Muitos gritos foram proferidos depois disso, juntamente com palavrões e impropérios. Martha estava ainda mais furiosa e Rogerio queria matar Clayton. Julian chegou realmente a tentar. Depois de muita discussão ficou decidido que Clayton e Brenna deveriam se casar mesmo contra a vontade. Simone e Brenna tentaram argumentar que essa decisão era arbitrária e sexista, Maurílio e Julio Cesar tentaram ajudar, mas tudo acabou sendo em vão. Clayton estava completamente disposto a obedecer àquela ordem.

...

O clima no Espumas do Oceano estava estranho. Muito se falava sobre Renan e sua mais nova família e o fato de o capitão e mais quatro outros tripulantes não terem voltado da noite também era algo a ser observado.

Os piratas cumpriram suas tarefas mesmo assim, e quando Rogerio voltou com os outros a briga começou. O capitão se trancou em sua cabine com Clayton e Maurílio e os gritos podiam ser ouvidos do outro lado do porto. Amanda e Evandro chegaram logo depois, completamente amassados e virados pela noite. Ficaram realmente surpresos quando souberam da confusão.

As batidas na pesada mesa de carvalho da cabine do capitão reverberavam pelo convés e pelos porões do navio. Seja lá o que tivesse acontecido deixara o capitão completamente enlouquecido. Palavras desconexas eram ouvidas.

– Vocês não sabem com quem estão se metendo. – a voz de Rogerio era um trovão. – IDIOTAS! Como podem ter feito uma coisa estúpida dessa?

O que acontecera nesse baile para deixar o capitão assim tão puto ninguém sabia dizer, porém estavam começando a sentir medo pelos pobres coitados que estavam lá dentro com ele. Amanda e Evandro sabiam que muito provavelmente seriam os próximos a levar essa bronca se Rogerio descobrisse sobre sua aventura pela madrugada, portanto resolveram fazer seu trabalho da forma mais perfeccionista que eram capazes. Se fossem pegos ninguém poderia acusá-los de procrastinadores.

...

– Estou tão feliz por estarmos juntos. – Fabíola abraçou Renan pelo pescoço. Os dois haviam acabado de receber o café da manhã no quarto. – Eu consigo sentir nosso bebê se revirar todinho de alegria quando eu te abraço assim apertado.

– Eu também me reviro de alegria, meu amor. – Renan pegou um pedaço de torrada e passou geleia, entregou para Fabíola. – Você precisa se alimentar. Assim que terminarmos de comer iremos falar com o capitão.

– Eu não quero ir falar com ele agora, quero passar o dia com você.

– Também quero. Mas quanto mais rápido resolvermos esse assunto, melhor.

– E teremos nossa casinha. – Fabíola bateu palmas de forma rápida e animada. Os dois conversaram muito sobre o assunto na noite passada, Renan tinha um terreno no sul de Avalon, eles construiriam uma casa onde Fabíola poderia morar com o bebê. Renan não queria largar seu emprego no Espuma do Oceano, então iria visitar sempre que tivesse um tempo. Fabíola não gostou da opção no início, queria que ele participasse da criação do filho ou filha que ainda nem havia nascido. Mas depois de muita discussão ela acabou cedendo já que Renan ganhava bem e teria condições de garantir o melhor para sua família.

Renan iria até Rogerio para pedir carona até Avalon. Ele ficaria um tempo lá até resolver as coisas, depois voltaria para o navio. Ele esperava que o capitão estivesse de bom humor, esperava que o baile da noite anterior tivesse sido leve e divertido. Ele torcia muito para que isso fosse verdade.


Notas Finais


Esse foi menorzinho, mas eu prometo que o próximo sai logo logo, isso se a tv quase não me matar nesses dias que antecedem a live do Oscar. Só sofrimento, é brincadeira...
Enfim, obrigada por ler


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