História Esquadrão Fantasma - Capítulo 4


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - A Capitã


POV Lica - A Capitã

Hoje era o grande dia. Eu estava tão nervosa e ao mesmo tempo tão animada. Mais tarde eu poderia estar segurando não só a taça de campeã do campeonato intercolegial, mas como também a taça de melhor jogadora do campeonato. Eu amava o que fazia, sempre amei. Me mexer, me exercitar, praticar esportes num geral sempre foi minha válvula de escape.  

Quando estou dentro da quadra, quando estou correndo, eu não penso mais sobre nada e aquelas horas são as melhores horas do meu dia.

As pessoas ao meu redor costumam pensar que eu sou uma garota que tem tudo: os melhores pais, os melhores amigos, e que eu posso ter a garota dos meus sonhos quando eu quiser, mas não é bem assim.

Não tenho o que reclamar dos meus pais, dos seus atos para comigo, mas eles têm algumas atitudes que machucam demais.

Meus pais sempre me apoiaram em tudo e, quando eles descobriram o meu gosto por meninas, eles me aceitaram sem nenhuma briga. Eles simplesmente me olharam e me abraçaram e falaram que estava tudo bem. Meus pais me amam, eu sei, mas é que estava tudo difícil demais.  

Sabe quando você sabe que eles sentem vergonha de ter uma filha como você? Então... Meus pais nunca chegaram na minha cara e me falaram que eu era uma decepção para eles, nunca falaram que eu tinha que largar o futebol e fazer ballet, nunca me falaram que gostar de garotas era uma doença, mas eles passaram a me excluir da vida deles. Eles passaram a sair sem me chamar, eles passaram a não receber ninguém em casa mais, eles passaram a me expulsar da vida social deles de uma forma lenta, dolorosa, e o pior, pensaram que eu não ia perceber, nem me importar. Mas esta aí uma coisa que eu sempre vou fazer: me importar.

Eles tinham vergonha de mim e eu me importava com isso pois isso doía mais que um soco no estômago.

Meus amigos? Melhores do mundo? Aqui esta o espaço da minha risada. Não que meus “amigos” não sejam ótimos, eles são maneiros sim. Sempre que tem uma festa, sempre que é para zoar alguém, sempre que é para rir eles estão ali. Esse é o grande problema. Sempre que é para rir, mas quando é para chorar? Quando é para chorar não tem ninguém. Não tem um que se importou em como eu estava, e isso doeu, doeu muito, mas eu aprendi que na vida nós temos vários tipos de amizades. Há aqueles amigos que você pode contar, aqueles que estão ali pra você e por você. Eu não tenho isso, o que eu tenho são amigos de balada, e só.

“É triste quando todo mundo sabe quem você é, mas ninguém te conhece.”

Essa é a frase da minha vida, principalmente no colégio. Todos sabem que sou Heloísa Gutierrez, a melhor jogadora de futsal do colégio, capitã do time e a aluna mais bajulada pelo diretor. Todos sabiam disso, mas não me conheciam de verdade.

Eles não sabiam o quanto de tempo eu treinava para ser a melhor jogadora da equipe e ser também a capitã, não sabiam o quanto o diretor pegava no meu pé porque eu tenho que ser exemplo para as outras jogadoras da equipe. Então tenho que dar meu melhor em campo e fora dele, nem sempre consigo, mas eu faço o máximo que eu posso.

Hoje eu esperava receber um resultado positivo por todo o trabalho, tanto o meu quanto o da minha equipe.  O jogo começa às três horas da tarde. São uma e meia e estão todas aqui já na concentração.

-Caio falou que todos os meninos já preparam uma grande festa. – K2, a Ala do nosso time falava encostada em um dos armários – Todos já sabem que vamos vencer – Ela sorriu largo e K1 que estava ao seu lado abriu o mesmo sorriso fazendo um high five com a mesma. Neguei com a cabeça

-Parem já com isso – disse olhando sério pra elas

-Iiih que foi Lica? – K1 disse revirando os olhos – Esta com raiva porque hoje não conseguiu a atenção que queria da putinha da Samantha? – Ela riu debochadamente e eu respirei fundo, juro que pedi a Deus para que ele me desse paciência ou eu ia quebrar a cara dessa criança.

-Olha- levantei do banco que estava sentada – Eu exijo mais respeito. Não se fala mal de ninguém pelas costas. – cheguei mais perto dela – É muito irônico você babar ovo dela quando ela esta por perto, mas aqui ficar chamando a menina de puta. E é ridículo você querer a diminuir usando termos tão pejorativos, sendo que você também é mulher.

-E qual sua moral para dar esporro?- Tina, uma outra garota do time disse- Você vive perturbando a Samantha

-Falou certo – me virei para ela – Eu a perturbo. Eu encho a porra da paciência dela, - concordei a olhando - mas não fico difamado a garota por aí. O que eu tenho pra falar dela eu falo na cara – olhei a minha volta e estavam todas as jogadoras prestando atenção em mim. Olhei para elas respirando fundo e neguei com a cabeça – Será que vocês tem merda na cabeça?- perguntei mais pra mim do que pra elas-  Nós somos uma equipe. E não só uma equipe dentro daquela quadra. Não é apenas nosso time dentro da quadra. É tudo. A equipe é o colégio todo pelo qual jogamos. A equipe é as lideres de torcida lá fora, são os nossos colegas de turma que vem torcer... São todos. – abri os braços - Porque cada um tem um pouco de importância em cada vitória. Nós jogamos por eles, jogamos porque gostamos, jogamos porque é isso que faz sentido em nossa vida no momento. Então vamos parar de falar mal de A ou B porque nós somos uma equipe e uma equipe é grupo unido. Então para que vamos ficar de palhaçada e infantilidade dividindo a equipe quando a ordem é se misturar? Vamos juntas, porque juntos somos melhores – disse olhando para cada uma das garotas que concordavam com o que eu dizia. Vi K2 abaixando a cabeça talvez um pouco envergonhada. Olhei pra K1 que estava ao seu lado – E também não vamos subestimar a outra equipe. Se elas chegaram a final é porque elas merecem. É porque elas são boas e elas podem sim, nos ganhar. Nós só vamos sair com vitória se entrarmos naquela quadra respeitando a equipe adversária. – me afastei um pouco olhando para conseguir ver todas as garotas - Nós só vamos ganhar se cada uma de nós fizer o dobro do melhor delas e nunca, nunca as subestimar. Subestimar uma pessoa faz com que fiquemos descuidados e isso nos leva a derrota. Então quando tiver na hora de entrarmos naquela quadra lá fora – apontei para a porta- Nós entraremos com a cabeça erguida, com respeito às adversarias e com o objetivo de dar o triplo do nosso melhor. Nós vamos trazer essa taça pro nosso colégio. Nós vamos vencer. Mas antes de tudo nós temos que ser humanos. Porque arrogância não leva a nada.  Quando entrarmos naquela quadra não daremos só o melhor jogo de futsal da vida do pessoal. Nós daremos o nosso melhor jogo de futsal. Nós sairemos com o dever cumprido. – Terminei meu discurso nada planejado e as garotas começaram a bater palmas.

-Muito bem Gutierrez- o treinador disse sorrindo e me abraçando por cima dos ombros – Eu faço das palavras da Lica a minha. – Ele disse se virando pras garotas- Vamos entrar nesse jogo com raça meninas. Eu acredito em vocês. – Ele sorriu pras garotas e me abraçou um pouco mais. - Agora todas para o vestiário se arrumar e eu estarei esperando vocês aqui fora. – Concordamos.

Chegamos ao vestiário e cada uma foi para o seu armário pegar suas roupas. Já se dava pra escutar o som vindo lá de cima. As escolas faziam disputa de grito de guerra e não é querendo me gabar não, mas o grito da nossa escola estava mais alto e consequentemente mais lindo. Sorri olhando em direção a porta. Esse seria meu ultimo jogo pelo colégio e não estava aguentando de ansiedade de entrar naquela quadra. Era tudo mais intenso para mim. Esse era meu ultimo ano, meu ultimo jogo e se Deus quisesse eu traria a taça para o colégio. Sorri com esse pensamento.

-Meninas estão prontas? - Marge a assistente do treinador perguntou entrando no vestiário. Olhei para as outras garotas para confirma e assenti. – Ótimo. Vamos logo então, o jogo já vai começar e olha, lá na quadra esta lindo. – Sorri com aquilo e me direcionei à porta. Saímos por aquele pequeno corredor e subimos a escada que dava na direção da quadra. Assim que entramos a torcida começou a gritar ainda mais e a fazer ainda mais barulho com todos os objetos de som que tinha presente. Olhei para tudo aquilo confirmando o que eu pensava e o que Marge falou agora a pouco: Estava lindo demais.

Nos enfileiramos para que o hino nacional começasse a tocar. O hino tocava e em sinal de respeito à maioria ficou quieta para escutar. Assim que terminou nos cumprimentamos e o arbitro me chamou e chamou a capitã do outro time para tirarmos cara ou coroa. Escolhi cara e consequentemente a outra menina ficou com coroa. O arbitro jogou a moeda e a virou nas costas de sua mão mostrando que tinha caído no cara. Escolhi ficar com a bola e a menina escolheu o lado esquerdo da quadra. Nos cumprimentamos mais uma vez e fomos cada uma pro seu lado.

Nosso time já estava no lugar e eu dei a partida tocando para K1. K1 tocou mais atrás pra Tina. Tina tocou para direita na direção de K2, a mesma tocou para mim no meio, virei o jogo para Tina na esquerda, Tina tocou um pouco mais na frente para mim de volta. Driblei a fixo deles e toquei para K2 que chutou de bate pronto. A goleira delas tocou com a ponta dos dedos na bola jogando para fora. Nossa torcida gritou ainda mais cantando ainda com mais vigor. K1 foi bater o escanteio e jogou um pouco mais para trás. Tina chegou já dando um chute de bico que foi pra fora. A goleira delas pegou a bola e começou a jogada tacando a bola para sua pivô, a pivô tocou pra ala que tocou para a fixo que tentou chutar por cobertura, mas Ellen, nossa goleira, pegou facilmente a bola e tacou na frente pra mim. Eu dominei no peito e percebi K2 passando, toquei de calcanhar para ela que dominou a bola e cruzou para K1 que cabeceou. A bola bateu na trave e voltou. A jogadora delas pegou num contra-ataque e rapidamente correu em direção nosso campo. Ela driblou  Tina e foi de encontro a Ellen. Ela estava cara a cara com Ellen quando ela tocou para o lado. A outra jogadora da equipe delas apenas deu um chute simples fazendo a bola ir em direção do gol. Abaixei a cabeça respirando fundo e olhei para as garotas.

Voltamos ao centro do campo e toquei para K1 que tocou para K2. K2 tocou para Tina que deixou passar para Ellen. Ellen dominou e olhou para frente. Ela deu um passe longo que veio em minha direção. De cabeça taquei a bola na direção de K2 que chutou. A bola bateu em alguém da equipe delas e saiu pela linha de fundos. K1 foi bater o escanteio e fiz o sinal que pedia para ela cruzar. Ela assentiu e bate na bola cruzando. Sai da marcação indo um pouco mais pra frente e toquei na bola a desviando da goleira e a fazendo entrar no gol. As minhas colegas de time vieram pulando em cima de mim e eu sorri as abraçando. Olhei pra torcida que comemorava e pedi pra cantarem mais alto o que eles atenderam prontamente.

O arbitro apitou sinalizando o fim do primeiro tempo. Saímos em direção ao vestiário e o treinador veio logo atrás. Assim que entramos sentamos e pegamos uma garrafa d’agua esperado o treinador falar

-Vocês estão pensando o que? – ele disse olhando pra gente. Encolhi o ombro para o esporro que estava por vir – Isso é um time onde temos goleira, pivô, ala e fixo ou é um time que só tem pivô? Vocês estão deixando a Ellen sozinha lá atrás. – ele disse apontando pra Ellen – Ela pode ser uma ótima goleira, mas ela não faz milagres. – ele passou a mão na testa – K2 você vai sair e Keyla você entra no lugar dela. – Keyla assentiu rapidamente- Quero que rodem esse jogo. Achem espaço E PELO AMOR DE DEUS. MARQUEM. - Concordamos e eu suspirei. Pelo menos o jogo estava empatado.

Ficamos lá conversado e descansando ate dar a hora do segundo tempo. Assim que Marge nos chamou para voltar à quadra eu levantei e a segui. Agora quem dava o toque inicial eram elas. A pivô delas tocou pra ala que tocou de volta para a pivô, mas eu fui mais rápida e interceptei pegando a bola no meio do caminho. Vi K1 na esquerda e toquei para ela. K1 tentou virar o jogo para Keyla, mas a ala delas pegou a bola no meio do caminho.  Ela deu um passe longo para a outra ala que chutou assim que a bola chegou aos seus pés. Ellen defendeu tacando a bola para lateral e gritando conosco. Nós tínhamos deixado a garota sozinha naquele canto.

Foi escanteio e elas bateram cruzando. Conseguimos tirar, mas a fixo que estava um pouco mais atrás veio chutando. A bola desviou em alguém enganando Ellen e entrou o gol. Elas comemoravam e eu olhei para as garotas.

-Vamos virar – disse firme. -Não desanimem. Vamos jogar bola - elas concordaram.

O jogo começou no meio do campo de novo e eu toquei para K1. Ela tocou pra Tina que tocou para mim. Virei e toquei para Keyla. Ela voltou o jogo com Tina que tocou para mim.  Vi a garota do time adversário vindo e a driblei com um elástico. Escutei a torcida gritando, mas eu tinha um foco. Toquei de novo para K1 que estava mais a frente, ela aceitou a bola para direita e a goleira espalmou pra lateral. Keyla bateu a lateral para mim e eu recuei o jogo em Tina.  Tina tocou em Keyla que tocou de novo em Tina. Tina levantou a cabeça e tocou no alto para a ponta esquerda. K1 dominou a bola no peito tacando um pouco para o lado e esperou o momento exato pra virar dando um voleio. A goleira até tentou pegar, mas a bola foi direto no gol. Sorri indo até ela e pulando em suas costas

-QUE GOLAÇO– gritei no seu ouvido e ela segurou minhas pernas nos rodando. Quase caímos quando as outras garotas pularam também em cima da gente.

A equipe adversaria recomeçou o jogo. Elas tocavam uma para a outra esperando a oportunidade certa para atacar, mas estávamos marcando bem. Elas giravam o jogo de um lado para o outro e estavam assim há um tempo. Até que a ala tocou para a fixo um pouco mais na frente e ela veio dando um chute de bico. A bola desviou na Tina, mas agora Ellen estava atenta e se esticou toda defendendo com a ponta dos dedos.

-Quanto tempo falta?- perguntei para as garotas no banco de reservas

-Menos de 5 minutos -K2 verificou no relógio perto delas, concordei respirando fundo me encaminhando para a área

-Lica - O treinador me chamou - Fica no meio da quadra, volta para o meio da quadra - ele movimentava os braços para confirmar o que queria, então retornei para onde estava.

Vi apreensiva aquela bola sendo cruzada. A pivô bateu nela com a cabeça e Ellen agarrou. Olhei para ela pedindo a bola já correndo para o ataque. Ellen me viu e jogou a bola no alto para mim. Olho para a goleira adversaria e vi que ela estava adiantada. Olhei de novo para a bola que estava vido. Faltava pouco tempo para o fim do jogo, eu tinha que me arriscar. Ajeitei o corpo e assim que a bola chegou em mim, ainda no alto, dei um toque com a parte interna do pé encobrindo a goleira e a bola entrou no gol.

Gritei correndo para o pessoal do colégio que me abraçou. As meninas vieram também se juntando no abraço.

O jogo recomeçou no meio de campo, mas assim que a meia do outro time tocou o arbitro apitou dando fim a partida. Sorri me tacando no chão eu não acreditava naquilo. A gente tinha ganhado.

Escutei o povo invadindo a quadra. Olhei ao redor e vi todos se abraçando e gritando o tão esperado “É CAMPEÃO”. Sorri fechando os olhos. Senti alguém pular em cima de mim e abracei.

-GANHAMOS GUTIERREZ – Ellen gritava me abraçando e eu ri

-GANHAMOS RODRIGUES – Disse rindo eu estava rindo a toa – Tudo graças a você – eu disse a olhando e ela negou

- Tudo graças a você – ela disse sorrindo, eu neguei ainda sorrindo e a puxei para outro abraço. Vamos, eu e Ellen não somos amigas nem nada, mas nos dávamos muito bem. Ela foi a melhor goleira do campeonato, não recebendo muitos gols. Graças ela ser essa muralha e bom, graças a minha habilidade fazer gol também, nós ganhamos essa taça. – Vamos – ela disse se afastando. – Temos que comemorar. O Caio falou que a festa vai ser na casa dele. – Ellen me puxou, mas a freei.

-Espera. Vamos assim? – apontei para o meu corpo com o uniforme.

-Logico que não. Vamos para o vestiário tomar uma ducha e trocar de roupa – ela disse como se fosse obvio – Mas antes vamos levantar esse troféu capitã – Ellen apontou para o canto da quadra onde eles tinham colocado um pódio. Sorri segurando sua mão e indo com ela até lá.

Subimos no pódio junto com todo o time e o diretor colocou nossas medalhas de ouro em cada garota da equipe.

-Heloísa Gutierrez – o diretor me chamou com um sorriso besta na cara.  Olhei e ele me entregou o meu troféu de artilheira. Agradeci e ele fez o mesmo com a Ellen só que entregando o troféu de goleira menos vazada. Ela sorriu e agradeceu também.

Um senhor veio em nossa direção com o troféu do campeonato. Eles não deixaram nosso diretor segurar falando que essa primeira honra deveria ser da capitã.

-Parabéns garotas - O homem disse me entregando o troféu e eu o agradeci pegando o mesmo.

Sorri olhando para meus colegas de turma e professores, queria gravar aquele momento na minha memória. 

Sabe aquele momento libertador? Aquele que você não sabe nada do que esta acontecendo direito, só sabe que esta feliz. Naquele momento eu me sentia assim. Eu me sentia feliz e era uma felicidade muito rara ultimamente. Eu precisava extravasar tudo aquilo, então eu gritei. Gritei muito levantando aquele troféu. Os meus colegas de classe gritaram também, tinha confetes caindo de não sei onde e eu estava ali levantando o troféu. Aquele momento foi o primeiro momento que eu me senti satisfeita. Senti como dever cumprido. Senti-me quase completa.

O troféu foi passando de mão em mão e eu peguei o meu outro troféu que tinha entregado para o diretor na hora que eu fui pegar a taça do campeonato. Olhei ao redor e muitos alunos beijavam o troféu que as outras jogadoras estavam carregando. Sorri me virando para ir para o vestiário e vi uma das cenas mais lindas que eu podia presenciar no momento.

Ellen esta ali com sua namorada, Carla. A goleira desceu do pódio indo diretamente falar com ela. Ellen tirou sua medalha e passou para o pescoço de Carla que sorriu para ela. Elas sorriam uma para outra se olhando nos olhos e, de alguma forma, parecia que os olhos falavam. Não vou negar que eu meio que sentia uma inveja do que elas tinham, era tão puro e encantador, eu, no fundo, só queria um momento assim. Ellen desviou o olhar e me viu. Tentei disfarçar mas ela veio com a namorada em minha direção.

-As garotas já estão indo se arrumar – a goleira informou – Vamos?

-Sim- assenti com a cabeça e sorri pra Carla a cumprimentado. Ela sorriu de volta

-Amor me espera aqui?- Ellen perguntou pra morena que assentiu. A garota entregou o troféu para a namorada pedindo que ela cuidasse dele e ela concordou prontamente. Elas se despediram com um selinho e fomos para o vestiário.

Entrei e estava uma bagunça. Decidi deixar as garotas se arrumarem e depois eu me arrumaria com calma. Afinal, a festa não ia acabar nem tão cedo.

Fiquei lá esperando e uma a uma as garotas foram saindo do vestiário. Só tinha eu e Ellen agora lá, eu tinha acabado de tomar um banho e estava trocado de roupa quando K1 entrou de novo no vestiário

-Garotas só vim avisar que a maioria do pessoal já foi. Espero vocês na casa do Caio - E tão rápido quanto ela entrou, ela saiu

-Lica, estou indo – Ellen disse – Te vejo lá?

-Sim. Até daqui a pouco – respondi e escutei a porta se fechando. Acabei de me arrumar e peguei minha mochila onde tinha guardado tudo. Peguei o troféu que estava no banco e sai do vestiário.

Entrei na quadra e ainda tinha poucas pessoas por lá, mas o que mais me interessou foi Samantha que estava procurando alguma coisa na arquibancada

-Aaah amor, não precisava me esperar – disse parando atrás dela

-Primeiro – ela se virou com sua carranca habitual de quando falava comigo- não sou seu amor. Segundo: Eu só estava procurando isso – ela levantou a mão mostrando a chave do carro.

-Me levará para festa então baby? – perguntei chegando mais perto, mas ela desviou se afastando da arquibancada.

-Lica. Sério. – ela massageou as têmporas – Estou tentando ser legal com você, mas na boa, vai tomar no cu – ela disse cheia de raiva e eu ri

-Você fica linda quando esta com raiva – disse sem pensar e arregalei os olhos. – É… quer dizer...

-Hm – ela sorriu maliciosamente, essa garota era o demônio e eu podia provar – Conte-me mais sobre isso

-Eu posso te contar na minha cama – com passos lentos me aproximei dela que arregalou os olhos surpresa com minha resposta. A garota ia falar alguma coisa, mas começou a tossir. Eu já ia implicar com ela por essa tosse misteriosa, mas do nada me deu essa vontade e comecei a tossir também. Senti minhas pernas falhando e olhei para Samantha

-Lica... – Ela disse fracamente quase caindo, mas acabei com o pouco espaço entre nós a segurando pela cintura.

-Eu sei – disse do mesmo jeito e meu ultimo esforço foi para que eu caísse de costas e a Samantha em cima de mim. Eu estava esperando sentir a dor da queda, mas antes que eu chegasse ao chão eu perdi os sentidos.


Notas Finais


O PLOT VAI COMEÇAR AGORA

ps. amo um casal


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