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História Esquecer você - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Parte I - Volte


Quando chegaram a casa, Molly ficou aliviada por não ter avistado ninguém, assim poderia segurar a mão de Sherlock por mais tempo. Entraram sem fazer barulho, trocando os já habituais sorrisos cúmplices. Subiram as escadas sem se largar, deixando um rastro no chão atrás deles. Só quando já estavam na frente do quarto de Molly é que pararam. Ela pareceu ter visto algo nos olhos de Sherlock. Seria pesar por ter que deixa-la ir?

– Aqueça-se, Molly. Não quero que fique doente. – Ela já estava se sentindo feliz com a preocupação dele, quando ele completou: - Isso estragaria nosso acordo, porque não ficaria perto de você. – Disse isso com uma expressão brincalhona.

– Idiota. – Molly o empurrou sorrindo e seguiu para a porta do quarto.

– Boa noite, Molly Hooper.

– Boa noite, Sherlock Holmes.

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Já deitada na cama, depois de ter tomado um banho quente e trocado de roupas, Molly pensava sobre a noite que tinha passado ao lado de Sherlock. Quando conhecera tinha desenvolvido um sentimento quase infantil por ele. Isso mudou de alguns anos pra cá. Quando deixou de ser a boba apaixonada parece até que ele começou a dar mais atenção a ela. No entanto, ainda o achava extremamente atraente e a inteligência dele a conquistava, mas sabia que nunca dariam certo juntos. Sherlock precisava se manter focado no trabalho e ela nunca teria um relacionamento normal com ele.

Apesar de tudo isso, nunca quis tanto estar com alguém como naquele instante. A forma como ele era diferente quando a máscara de formalidade caia. Achava que nada de novo poderia atraí-la ainda mais, e se enganou. A versão divertida de Sherlock era de tirar o fôlego.

Sentiu-se extremamente sozinha naquele quarto. Sra. Hudson dormia tranquilamente, nem acordou quando Molly chegou. Será que Sherlock pensava nela? Provavelmente não. Estaria dormindo, sem se dar conta da avalanche de emoções que tinha causado nela. Só tinha mais cinco dias. Cinco dias com Sherlock Holmes. E depois, uma vida nova, longe de tudo e todos que conhecia. Às vezes se perguntava se não tinha aceitado esse emprego como um modo de fuga. Não. Ela queria trabalhar com isso fazia anos. Mas por que tão longe, Molly?

Uma lágrima correu por seu rosto, caindo em seu travesseiro. Talvez ainda existissem mais sentimentos por Sherlock do que ela gostaria de admitir. Ela sabia que teria que deixá-lo, de qualquer forma. Aliás, ele já tinha esclarecido esse ponto. Mas, antes disso, ela o teria por completo. Não tinha mudado de ideia quanto a bagunçar a vida dele, e era isso que faria.

Adormeceu pensando em maneiras de se aproximar ainda mais de Sherlock e deixá-lo sem saída.

–- -- --

Ao contrário do que pensava Molly, Sherlock também estava com dificuldades para dormir. Pensava na sensação de quando sua mão tocava a dela. Ele sabia ser uma reação química, só não entendia como isso estava acontecendo com ele. Muito menos entendia o que era o calor que sentia em seu peito quando ouvia a risada dela, provocada por coisas que ele dizia ou fazia. A sensação de ser o centro do universo quando ela virava os brilhantes olhos castanhos para ele, e parecia não existir mais ninguém em volta. Como ela conseguia provocar isso nele? Como nunca tinha reparado antes?

Tudo isso estava sendo motivo de preocupação para Sherlock. Ao final de cinco dias o trabalho dele o esperava. E ela iria embora. Por que sentia uma pontada no coração toda vez que pensava sobre isso?

Já tinha passado dos limites essa noite, ao caminhar de mãos dadas com ela. Sabia que isso não deveria ter acontecido. Mas... Ela estava tão linda. Não queria que a noite tivesse acabado nunca, mesmo que não nunca assumisse em voz alta.

Precisava que isso acabasse. Maldita hora em que teve a ideia de propor esse acordo a Molly. No fim, isso só traria sofrimento a ela. Ele logo a esqueceria quando voltasse ao trabalho, mas e quanto a ela?

Desde quando eu me preocupo com o que as pessoas sentem?

Tentaria não ficar tão próximo a ela, estava sendo insensato se aproximando tanto, como ela mesma mencionou. Mas também não romperia o acordo. Se rompesse, seria um sinal de fraqueza da parte dele, e com certeza ela iria querer saber o por quê. Os dias precisavam passar rápido para ele se livrar dessas sensações esquisitas que sentia quando estava perto dela.

Impressão minha ou estou ficando confuso?

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Os dois dias seguintes ajudaram Sherlock em seu novo objetivo de não se manter tão perto de Molly. A chuva não deu trégua durante dois dias e todos foram obrigados a ficar dentro de casa o tempo todo, usando de jogos de cartas, filmes e brincadeiras constrangedoras para se distraírem.

O sucesso de Sherlock só não foi completo porque alguma coisa dentro dele insistia em derreter quando olhava pra Molly e os músculos de seu rosto involuntariamente se repuxavam, fazendo-o sorrir a todo instante. E nesses momentos sentia um impulso de ficar infinitamente próximo dela.

Via que ela estava chateada com a chuva. E desconfiava que o motivo era não poder se aproximar dele sem chamar a atenção de todos. Apesar de todo mundo ter desconfiado de algo, eles se tratavam da forma habitual perante eles. Era como um segredo que não queriam dividir com ninguém.

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O quinto dia de viagem amanheceu ensolarado.

Obrigada, obrigada, obrigada.

Molly mal pode acreditar quando abriu os olhos e viu o sol raiando. Tinha sido uma chatice ficar trancada dentro de casa por dois dias. E o pior, tratando Sherlock com a mesma formalidade de sempre. Não tivera chance de ficar sozinha com ele nesses dias, porque para todo cômodo que ia sempre tinha alguém. O jeito fora tentar se divertir com as brincadeiras inventadas por Mary.

Já passava da metade da viagem, só tinha mais três dias antes de partir. Decidiu ignorar a tristeza que tomava conta dela quando pensava nisso. Iria aproveitar o máximo que pudesse. E depois... Deixaria para pensar quando chegasse a hora.

–- -- --

Todos pareciam animados à mesa do café da manhã. Sherlock estava calado e sério, mas isso era a sua demonstração de animação de sempre. Conversaram e riram enquanto comiam, fazendo planos para o dia que tinham pela frente.

Foram até a cidade e as mulheres voltaram carregadas de sacolinhas com diversos artefatos que não serviriam para nada no futuro, almoçaram em um simples restaurante praiano e visitaram um museu.

Já era fim de tarde quando chegaram de volta a casa. Alguém teve a ideia de voltar ao bar que foram no primeiro dia. Sherlock fez uma careta, jamais voltaria aquele lugar para ver Molly dançando daquele jeito novamente. Fora ali que toda a confusão começara, e ele tinha dúvidas quanto a sua sanidade mental se passasse por tudo aquilo mais uma vez. Esperou que todos aceitassem a sugestão para anunciar que ficaria na casa. Apesar da insistência de todos para que ele os acompanhasse, no fim, aceitaram que ele ficaria. Viu nos olhos de Molly que ela percebeu que ele não estava indo por sua causa, isso a magoou. Por um instante ele se arrependeu, mas não voltaria atrás, sua decisão estava tomada. Precisava começar a ser prudente.

Enquanto todos saíam em direção ao bar, pegou um livro e sentou-se na sala para lê-lo.

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Mary viu a tristeza da amiga, que sorria com dificuldade ao conversar com eles. Passou o braço sobre os ombros dela e a puxou para si enquanto caminhavam, deixando que todos fossem a frente.

– O que está acontecendo entre vocês, Molly? Não pense que não percebi.

O sorriso compreensivo de Mary fez com que Molly sentisse uma enorme gratidão por ela.

– Eu não sei. Sherlock me confunde... Ele me pediu para que ficássemos próximos, e as coisas estavam indo bem. Mas às vezes parece que ele se afasta novamente.

– Típico. Ele é confuso com esses negócios de sentimento, você sabe.

– Sentimentos? O que menos tem nisso tudo é algum sentimento da parte dele.

Viu quando Mary franziu o cenho, em dúvida. Quase discordando de Molly.

– Sabe, amor, o bar é realmente muito legal. E nós iremos no divertir demais... Mas... Você pode voltar. – Piscou para Molly quando disse essa última frase e viu a compreensão estampando o rosto dela. Molly riu, debochando.

– Você não pode estar sugerindo isso. Provavelmente ele me afogaria na piscina ou se trancaria no quarto.

– Confie em mim. Posso não ser Sherlock Holmes, mas também deduzo muito sobre as pessoas. E não, ele não fará nada disso. E eu sei que você tem armas suficientes para domá-lo. – Molly tinha parado de caminhar, mas ainda a olhava com dúvidas. – Vá, eu digo aos outros que você não estava se sentindo bem.

Molly deu um beijo na bochecha da amiga e a abraçou.

– Eu espero que você esteja certa.

Mary sorriu ao vê-la andar a passos largos de volta para a casa.

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Enquanto Molly voltava para a casa, pensando em maneiras de seduzir Sherlock Holmes, os outros continuaram seu caminho para o bar. Estavam animados para se divertir e dançar novamente.

Quando chegaram, encontraram o bar com a mesma agitação da primeira noite que estiveram ali. Pessoas dançavam por todos os lados e era possível ouvir a música ao longe.

Dessa vez, ao invés de Sherlock, foi Lestrade que se recostou no bar. Pensava em como sua vida estava indo mal: sua ex-mulher o havia traído e pedira o divórcio, e agora, quando achou que poderia se aproximar de Molly Hooper, Sherlock aparecia do nada e a roubara dele. Desde quando Sherlock tinha interesse em mulheres?

Não que ele nutrisse algo especial por Molly, mas, bem, ela era bonita e inteligente, não custava tentar. Agora estava ali, acompanhado de um casal e da Sra. Hudson. E olha só! Até Sra. Hudson estava dançando com um homem pelo menos 20 anos mais novo! E sorria como se estivesse em plena juventude.

Enquanto refletia sobre sua falta de sorte, vendo Sra. Hudson rir cada vez mais abertamente, e John e Mary dançarem juntos, inegavelmente apaixonados, não percebeu que alguém se sentou ao seu lado.

Levou um ligeiro susto quando ouviu uma voz, próxima demais:

– Posso lhe oferecer outro drink?

Olhou sem acreditar no que seus olhos estavam vendo. A dona da voz era uma loira absolutamente linda. Parecia que finalmente a sorte estava sorrindo para ele.

Ajeitou-se, melhorando a postura e sorriu para a moça, que aguardava ansiosa por uma resposta. Não perderia essa oportunidade.

Minutos mais tarde, quando Mary olhou na direção do bar, viu Lestrade entretido em uma conversa que parecia muito interessante. Observou quando ele levou a mão para tirar uma mecha do cabelo da moça que caia sobre seus olhos. Cutucou John e indicou a cena para ele.

– Essa noite está sendo iluminada! – Exclamou, sentindo-se feliz por todos estarem se dando bem. Nisso, lembrou-se de Molly e o que ela poderia estar aprontando com Sherlock. Deu uma pequena gargalhada com esse pensamento, deixando John sem entender. Com um gesto, disse que não era nada de importante e continuaram a dançar.

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Sherlock lia sentado em uma poltrona na sala. Percebeu um movimento a sua esquerda, e erguendo os olhos encarou Molly, que estava encostada de um modo totalmente sexy na porta. O que ela fazia aqui?

Ela estava séria, o encarava sem desviar os olhos. Sustentando o olhar, Sherlock fechou o livro e lentamente o colocou sobre a mesinha lateral. Sentia seu coração acelerar. O que deu nessa mulher?

Molly passou por ele sem dizer nada, indo até o aparelho de som. O vestido verde que ela tinha colocado hoje acentuava todas as suas curvas. Sherlock já tinha reparado nele mais cedo, mas o modo como ela se movia agora estava fazendo com que seu cérebro arrumasse as malas e partisse pra longe. Como sairia dessa situação? E será mesmo que ele queria sair?

Com muito esforço ele desviou os olhos dela e os esfregou. Estava perdido e começava a tomar consciência disso. Uma música começou a tocar e ele ouvia-a cantar junto. Arriscou um olhar para ela e viu que além de cantar, ela se remexia lentamente enquanto servia-se de uma taça de vinho.

Sentiu que suas mãos começavam a suar, coisa que nunca deveria acontecer. Sua sanidade o estava abandonando. Ele sabia que isso aconteceria e tinha evitado o quanto pode. Maldita hora em que bebeu e teve aquela ideia inconsequente. Por que ele não quebrou o tal do acordo? Por quê?

Você sabia que isso aconteceria. Todo esse tempo você planejou isso, só estava se enganando.

Cale a boca!

Sherlock travava uma luta com sua consciência. Será verdade? Desde o começo era isso que ele queria que acontecesse?

Ela o olhou. Seus olhos brilhavam de desejo enquanto ela dava um pequeno gole em sua taça de vinho. No caminho até a casa tinha decidido que faria Sherlock ceder, conforme Mary sugerira, e conseguiria. Não teria outra oportunidade para isso.

Observava enquanto ele parecia lutar consigo mesmo. Suas mãos se fechavam com força, como se estivesse tentando não agarrá-la. Suas pupilas estavam dilatadas. Ela sabia que ele queria isso tanto quanto ela. Agora era uma questão de tempo.

Seu coração acelerou quando viu ele se levantando e vindo em sua direção. Ficando a centímetros dela, ele tomou a taça de sua mão e bebeu todo o conteúdo em um único gole. Um suspiro escapou dos lábios dela. E então ele a beijou.


Notas Finais


Ahhhhhh, finalmente... <3

Um agradecimento especial para a AnaWalkerKawaii, obrigadaaaaaaaa por todos os comentários! <3

E obrigada também por quem está acompanhando até aqui! o/

Logo logo mais te mais! E no próximo pega fogo! hauahauahua


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