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História Essa escuridão reconheço como minha - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O som e a fúria


Ela não entende muito bem o que está acontecendo, o motivo de estar se levantando da cadeira aos gritos enquanto tenta atingir a cara de um homem duas vezes maior que ela, acertando o seu alvo no segundo soco.

A única coisa que Joohyun sabe é que sua mão dói, e que o sangue em seus dedos talvez não seja seu.

Ela nunca havia socado alguém antes.

Pelo menos não de verdade, já que as cenas com socos falsos que havia gravado mal contavam como golpes verdadeiros. Como uma boa atriz, ela sabia as técnicas mais eficientes para simular tapas, chutes e qualquer outra forma de agressão que fique bem na câmera.

Pensando bem, ela não sabe como isso chegou a esse ponto. Por que ela estava gritando e batendo em um desconhecido? O álcool certamente não fazia dela a pessoa mais lúcida no pequeno bar em que ela se encontrava.

De repente, a luz de um flash a cegava, e uma mulher um pouco mais alta que ela tentava impedir que a briga continuasse. Não demorou muito para que ela fosse arrastada para fora do bar por essa mesma mulher, em uma clara tentativa de impedir que ela continuasse a agressão.

Se Joohyun já não conseguia se lembrar exatamente do que aconteceu no momento em que desferiu um soco em um desconhecido, a lembrança do que ocorreu depois é ainda mais obscura.

-\\-

Joohyun acorda em um quarto pequeno. A cortina entreaberta deixa entrar um pouco de claridade, o que leva a mulher a fechar os olhos novamente. Espreguiçando-se na cama, ela parece não querer acordar, principalmente pela terrível dor de cabeça que sente.

Esfregando o rosto, ela tenta reconhecer onde está, e há uma falha tentativa de lembrar o motivo de não estar em seu próprio quarto. Ao tocar sua face, Joohyun percebe que sua mão direita está envolta em um curativo, o que parece despertar a lembrança de que sua mão dói. E muito.

Ela procura por seu celular, e o encontra na cômoda ao lado da cama. Ao ligar o aparelho, a notificação de 15 ligações perdidas e incontáveis mensagens é o suficiente para que ela sente na cama em um pulo, claramente sem entender o que está acontecendo.

Antes que pudesse fazer algo, uma voz desconhecida a assusta.

"Dormiu bem?"

Pega de surpresa e incapaz de dizer algo, Joohyun silenciosamente fita a mulher desconhecida que se apoia na porta do quarto. Com lindos olhos monolíticos, ela parece ter acordado há pouco tempo, julgando por seu cabelo bagunçado e o modo como ela esfrega o olho.

Sem obter uma resposta, a desconhecida timidamente continua.

"Eu não sabia onde você morava, por isso trouxe você para a minha casa, pensei que fosse melhor depois do que aconteceu."

"O que aconteceu?" Joohyun finalmente responde.

"Você está brincando? Ou realmente não se lembra do que aconteceu ontem?"

Sem entender o tom preocupante usado pela desconhecida, Joohyun se mostra confusa.

"Não me lembro"

Ao ouvir a resposta, a mulher parada na porta solta uma risada sem graça, beirando à incredulidade. "Não sei nem como te dizer isso, mas você socou um cara duas vezes maior que você." .

Agora é a vez de Joohyun soltar uma risada, dessa vez exagerada e claramente falsa. "Eu não fiz isso, nunca soquei alguém na minha vida. É você que está brincando comigo?"

Sem acreditar na acusação de Joohyun, que a observa desacreditada enquanto senta na cama, a desconhecida sai da entrada do quarto e se aproxima da escrivaninha localizada à direita do cômodo. Antes que pudesse sentar na cadeira, ela ouve Joohyun levantar a voz.

"Eu não sei quem é você. Não sei o que estou fazendo aqui e nã-"

"Meu nome é Seulgi, sou bartender do bar em que você estava quando, acredite ou não, socou um cara." Sem paciência, ela não deixa Joohyun terminar a sua frase "E caso você ainda duvide de mim, olhe para a sua mão. É bem óbvio que você nunca socou alguém antes. Você deve fechar bem a sua mão na hora do soco, sabia?"

Ao ser lembrada de sua mão, Joohyun olha para baixo e fita o curativo feito em sua mão direita.

"Eu não consigo me lembrar de nada" ela diz timidamente, ainda observando sua mão machucada, sem conseguir olhar Seulgi nos olhos.

"Você aparentava estar muito bêbada, lembro de ter servido umas 2 garrafas de soju para você"

Suspirando derrotada, Joohyun parece finalmente acreditar em Seulgi. "Você sabe o motivo?"

"Ele te pediu um autógrafo, você recus-"

"Eu nunca socaria um fã por causa de um autógrafo". Claramente surpreendida, é a vez de Joohyun interromper Seulgi.

"E eu nunca levaria uma estranha quase desacordada com a mão ensanguentada para a minha casa, mas tudo tem uma primeira vez"

"Você tem certeza que foi isso? Eu simplesmente o soquei porque ele pediu um autógrafo?"

"Você negou de primeira, balbuciou algumas coisas que não entendi e que, pelo jeito, nem o cara entendeu" antes de continuar, Seulgi franze a testa, tentando se lembrar exatamente o que viu ontem a noite. "Lembro que ele não gostou que você negou o autógrafo, ele disse alguma coisa sobre famosos serem arrogantes e de repente você se levantou da cadeira, pronta para bater nele".

Desolada, Joohyun novamente abaixa os olhos e fita sua mão, sem coragem de encarar Seulgi. "Alguém mais viu o que aconteceu?"

Respirando fundo, Seulgi olha para Joohyun com pena. "Um cliente filmou metade da briga, outros tiraram fotos."

"Merda. Merda. Merda" Joohyun, cobrindo o rosto com as mãos, deixa escapar a única reação possível.

"Eu tentei te tirar do bar rapidamente, mas os filhos da mãe conseguiram tirar as fotos do mesmo jeito, acho que pensavam que era só uma briga normal, depois perceberam quem você era."

Ainda com a face coberta pelas mãos, Joohyun suspira ao ouvir Seulgi. Antes mesmo que pudesse abrir a boca para responder, seu celular toca, assustando-a. Ao ler o nome na tela, ela massageia suas têmporas.

"Oi, Wendy"

Ao perceber o nervosismo de Joohyun, Seulgi vai em direção à cozinha, dando privacidade à atriz sentada em sua cama. A única coisa que passa por sua cabeça é a forma como a cara de Joohyun estava em todos os noticiários de manhã, além de ser a notícia principal dos sites de fofoca.

Ela está fodida.

-\\-

Antes que pudesse terminar o café que fazia, Seulgi vê Joohyun entrando na cozinha.

"Eu usei seu banheiro, espero que esteja tudo bem."

Seulgi, não escondendo o sarcasmo, cutuca a atriz. "Ótimo. Vou contar para todo mundo que Bae Joohyun usou meu banheiro."

"Eu espero que você não conte para ninguém o que aconteceu ontem."

Ouvindo a voz séria de Joohyun, Seulgi olha para ela, tentando ler a sua expressão.

"Acho que toda a Coreia sabe o que aconteceu ontem a noite." Seulgi rebate.

Aparentemente ignorando o que a bartender disse, Joohyun tenta se explicar. "Eu estava no telefone com minha agente, ela fez um acordo com o homem..."

"que você socou?" Seulgi completa a frase.

"Sim, o homem que soquei." Joohyun prontamente responde, claramente desconfortável. "Ele quer um pedido de desculpas, vou encontrá-lo em meia hora."

"Ah, sim. Vocês famosos escapam facilmente de qualquer uma, né?" Seulgi praticamente cochicha, enquanto volta a fazer o café.

Claramente chocada, Joohyun respira fundo. "Eu estou sendo massacrada em todos os noticiários e sites do país, eu não diria exatamente que estou escapando de algo."

Virando-se para a atriz, Seulgi concorda. "Nisso você tem razão."

Colocando a máscara e o boné que usava na noite anterior, Joohyun caminha até a porta. "Obrigada por ontem, Seulgi." ela diz, virando-se para a dona do apartamento. "Eu deixei meu número e um pouco de dinheiro em cima da cômoda do quarto. Caso você precise de alguma coisa, posso retribuir o favor."

A bartender, surpresa, não perde a oportunidade de cutucar Joohyun pela última vez. "Dinheiro? Eu sei que meu apartamento é minúsculo, mas eu não estou passando fome."

"Foi pelo incômodo, eu sei que você provavelmente pagou um táxi até aqui ontem à noite."

"Bem, eu paguei, mas nada que eu não pudesse bancar." Seulgi responde, claramente gostando de irritá-la.

"Eu posso pegar o dinheiro de volta se você não quiser." Joohyun retruca, claramente sem paciência.

"Não! Eu estava juntando para comprar uns materiais de desenho e esse dinheiro veio em uma boa hora."

Deixando uma leve risada escapar, Joohyun se vira em direção à porta.

"Você não vai tomar café?" Seulgi pergunta. "Eu juro que sei fazer um café bom!" 

"Eu realmente tenho que ir. Muito obrigada por tudo, Seulgi." Joohyun, ajeitando sua máscara, responde. 

Observando a atriz, Seulgi muda o tom brincalhão para um mais hesitante. "Eu espero que você consiga sair dessa."

Sem olhar para trás, Joohyun acena com a cabeça e balbucia um agradecimento antes de sair pela porta. Mesmo com a atriz de costas, Seulgi não deixa de observar que ela parece exausta pelos acontecimentos da noite passada.

Não que ela se importasse com o que pessoas ricas e famosas sentissem, de forma alguma. Não é como se ela estivesse preocupada com alguém que nunca mais veria na vida, principalmente pelo abismo social e financeiro entre as duas.

No entanto, pelo fato de ter presenciado o ocorrido, ou talvez por ter ajudado Joohyun na noite passada, a bartender não pode negar que está preocupada com a atriz. E com razão, afinal de contas, o escândalo em que ela se envolveu não é dos mais comuns, e Seulgi sabe como a indústria não é generosa com mulheres, principalmente Joohyun, que acabara de fazer 32 anos. 

No entanto, não é só o escândalo que a preocupa. 

Antes da briga no bar, enquanto Seulgi observava a atriz se embebedando, ela não pôde deixar de notar que Joohyun parecia completamente solitária e melancólica. 

Quase uma personagem de um livro do Murakami. Seulgi pensou. 

Sentando em uma das cadeiras da cozinha, ela pega a xícara de café e toma um gole enquanto liga o seu celular, definitivamente sem a intenção de entrar em sites de fofoca. 

A face de Joohyun permanece em sua mente desde que a atriz saiu de seu apartamento. E ela sente que será difícil esquecê-la. 

 

 


Notas Finais


Se alguém estiver lendo isso, essa foi uma tentativa terrível de escrever um primeiro capítulo.

Até a próxima!


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