1. Spirit Fanfics >
  2. Esse Amor >
  3. Abismo

História Esse Amor - Capítulo 61


Escrita por: Nymus

Notas do Autor


Uma hora eu termino.
Obrigada por acompanhar.
Pode ter erros.

Capítulo 61 - Abismo


[JiYong]

O ar-condicionado emitia ruídos de tempos em tempos. Deixava o quarto aquecido contra o frio que tomava Los Angeles. Mo YunJi ainda dormia, abraçada a um travesseiro, de bruços, com o lençol enrolado no corpo. O cabelo espalhava-se, concedendo-lhe um ar de inocência. Foi difícil levantar e me afastar dessa visão, pois poderia adorá-la para sempre. Queria que ela descanse e se sentisse segura.

Quanto a mim, acordei antes e resolvi voltar a minha existência virtual. Comprei um carregador em uma loja na rua do hotel e agora, observava o celular vibrando na minha mão, sem parar, atualizando todas as mensagens. Deixei o celular no silencioso e me apoiei no espaço da janela. Lá fora, a cidade também já estava desperta, possivelmente barulhenta. Gostava das janelas antirruídos, davam uma sensação de conforto.

Suspirei e olhei em volta. Desde que nos trancamos naquele quarto, aprendi muito sobre Mo YunJi e sobre mim. Quão estranho é perceber haver muitas coisas que precisam ser melhoradas? Quanto mais YunJi me inseria em sua vida, mais sentia orgulho dela. Minha infância não foi, nem de perto, como a dela. Tive o amor dos meus pais e sua educação, não fui abandonado ou acusado de algo que não estava em meu poder. Ela foi e não parecia rancorosa a respeito. Apenas carregava uma ideia fixa que destruiria as coisas, pois fora o que sempre ouviu.

De todos os sentimentos que nutria por ela, percebi que respeito não era um dos mais fortes. Aquelas conversas mudaram isso. Respeitava as decisões de Mo YunJi e mesmo não entendendo como ela conseguiu levar a vida, como conseguia coragem, fiquei feliz por ela ter conseguido. A mãe traída e abandonada. A tia com a perna ferida e que precisava ficar junto de sua gêmea. O pai ausente e ambicioso. O jogo doentio do meu pai para que YunJi e o Senador Jang se encontrassem. Como conseguia?

Havia um dito sobre a resiliência das pessoas. Seria Mo YunJi esse tipo de gente?

Eu a admirava, francamente a admirava. Ela parecia se constranger com isso, dizendo que viveu da melhor forma que conseguiu, assim como eu fiz. Não queria que colocasse mais pesos em suas histórias porque carregava demais. Tinha muito ainda a aprender sobre ela.

Algumas vezes, eu pensei que ela estava preocupada demais, intimidada demais. Não levava a sério o que ela me falava. Mo YunJi tentava me dizer o que estava acontecendo e minha recepção dessas informações foi pouca. Não porque eu não acreditasse nela, mas sim porque achava que eu tinha o controle de tudo só por ser quem eu sou. Pensei que sendo G-Dragon, o mundo estaria de acordo com a minha vontade e quando não estava, era uma questão de tempo até tudo se resolver.

O quão protegido eu fui? Quão estupido foi isso?

Mo YunJi tentava me avisar, todas às vezes, mas minha arrogância era um obstáculo para aqueles avisos. Ninguém poderia dizer que ela não tentou e novamente notava minha falta de respeito e cuidado com ela. Podia amar o quanto quisesse, eu a amo demais, mas o amor parecia desconectado de todos os nobres sentimentos que formavam uma relação.

Não foi meu amor por ela que me cegou, simplesmente ignorei todos os avisos, todas as artimanhas, tudo. YunJi me perguntava sobre Jennie e minhas respostas eram as mesmas. Nunca considerei Jennie mais do que uma garota talentosa. Para mim, parecia claro que eu nunca teria nada com ela, que formávamos um ótimo casal para as câmeras, mas que nossa relação estava bem pontuada e não sugeria nada além do que era. Em minhas fantasias, esperava ter o total controle da paixão que sentia por YunJi e foi isso que me fez não ligar para o que Jennie e minha irmã faziam.

As pessoas cometem erros e algumas consequências são dolorosas demais para serem compreendidas. Ainda me culpo por tudo o que aconteceu. Ainda é uma ferida não cicatrizada. Realmente queria recomeçar, queria tentar fazer algo diferente, queria ser menos arrogante - quando se tem o mundo aos pés, é bem difícil não ser.

Uma vez minha mãe me disse que eu escondia os meus brinquedos favoritos, minhas coisas favoritas para que ninguém tocasse ou descobrisse. Fiz isso com Mo YunJi, quis escondê-la do mundo porque tinha medo que alguém a tirasse de mim. Mo YunJi nunca foi uma coisa e embora tivesse me dito isso a exaustão, foi tarde demais quando entendi. Para minha angústia, eu mesmo a tirei de mim. Minha omma falou que eu precisava dar espaço para a minha garota e nunca pensei nisso de forma madura, sempre com aquele pavor que ela pudesse ir embora, que não me quisesse de alguma forma.

A vergonha se acumulou durante aquelas conversas. Algo que eu merecia escutar e sentir. Apesar de tudo isso, de entender como eu a tratava era errado, Mo YunJi sempre sorria. Demorou muito tempo para eu compreender porque ela fazia isso e quando perguntei a respeito, a resposta não veio. Ontem, ela me disse, deitava em meus braços, que estava feliz por ter uma família. Se eu achava que não poderia voltar a ter o coração partido, a revelação no murmúrio dela, me fez perceber todas as minhas imperfeições.

“Deus… Como consegue gostar de mim, Mo YunJi?” perguntei no mesmo tom baixo, ansiando e temendo pela resposta. Ela me olhou e sorriu, respondendo que gostava de transar comigo e que um dia eu perceberia que ela só queria meu corpo. Sorri, achando graça do esforço dela para me distrair. Ela tornou a se ajeitar em meus braços. “Amo a ideia de você se tornar meu esposo e que posso ter uma família com você… Deve ser por isso que eu nunca desisti” mais uma confissão, as palavras vieram tão baixas que ela também temia em admitir essas coisas.

Quando Mo YunJi perdeu a bebê, não consegui raciocinar sobre a situação. O todo, os motivos, as consequências. A culpa me corroía, a memória da bebê foi deslocada para um lugar seguro no meu cérebro, onde não seria esquecida e estaria protegida, todo o restante se concentrou no pensamento que eu não poderia perder a mulher que amava. Se algo tivesse acontecido com ela, eu… Não sei o que faria. Com certeza me tornaria uma pessoa amarga. Claro, depois senti o luto pela bebê. Imaginava YunJi andando com a bebê no colo, ninando-a e cantarolando baixinho. Observaria de longe com atenção e respeito, pensando na felicidade daquela oportunidade. Ela seria uma ótima mãe, talvez eu teria sido um bom pai.

Quem poderia saber?

Então, eu descobri que também queria uma família. Com ela. Com filhos. Com netos. Uma família.

Engoli em seco, retornando ao presente e fitei o celular, quando as atualizações de notificações acabaram. Suspirei e apanhei o aparelho nas mãos. Resolvi ignorar todas as chamadas e busquei por mensagens da minha mãe. Respondi brevemente que me encontrava bem e que estava com Mo YunJi, que ela não precisava se preocupar. Não li as centenas de mensagens dos grupos que fazia parte, podiam esperar.

Abri apenas para ver as mensagens no grupo do BigBang. Nada sério era discutido.  Havia apenas zoação sobre SeungHyun-hyung com ChaeWon-sshi e algo sobre a data do casamento. Estava afastado dos meus amigos por tantas razões, recentemente sentia-me um intruso entre eles. De fato, eu escutei que ele foi trabalhar numa produção com ela e imaginei como o hyung deveria estar se sentindo estando perto de alguém que admirava tanto. Sobre o casamento era uma piada de Daesung, ele tinha um estranho senso de humor quando se tratava de compromissos assim. Era de conhecimento de todos do grupo que ele não tinha valores monogâmicos, logo, pensava que o casamento era uma prisão. Nas últimas mensagens, YoungBae e SeungRi discutiam qual era a melhor forma de aprimorarem o inglês. Não entendi direito porque estava falando sobre isso.

Inglês. Olhei para Mo YunJi e franzi a testa. O inglês dela era muito bom e ela me disse que aprendeu assistindo muitos filmes de zumbi. Passei anos estudando inglês e japonês para uma melhor comunicação com produtores e fãs e ela aprendeu vendo filmes. Novamente, senti aquele calor orgulhoso espalhando-se por meu peito. Mo YunJi era mesmo uma pessoa muito especial e eu tinha sorte por ela ter interesse em mim.

Suspirei mais uma vez e tornei a me concentrar no celular. Da parte do meu agente, somente três mensagens.

DooJoon era uma pessoa confiável. Trabalhava duro e possuía uma ética maciça. Ele tomou a responsabilidade por tentar afastar Mo YunJi de mim, a mando de meus pais. Ele cuidou de tudo quando o acidente aconteceu. Ele estava determinado a punir todos que machucaram YunJi naquele dia, desde quem atiçou as fãs até as garotas que empurraram YunJi da escada. Ele foi demitido, mas tornou-se meu empresário, sem qualquer vínculo com a YGE. Ele procurou por YunJi quando ela foi embora da Coreia do Sul. Ele fez tudo o que estava a seu alcance.
[DooJoon Quinta-feira 19:10]
Achou ela?
[DooJoon Sábado 09:15]
Adiei alguns contratos. 
Estou presumindo que está com ela.
[DooJoon Sábado 14:18]
Não consegui adiar o contrato da Nike.
O evento está pronto e não há nada que possa ser feito.
Você tem 4 dias para voltar.

4 dias? Reli as mensagens e lembrei do contrato. 4 dias. Ergui os olhos em direção ao quarto, franzindo a testa. O contrato com a Nike era um dos mais vantajosos que já tive. Liberdade de criação de um modelo e anexação da minha própria marca. Muitas pessoas estavam envolvidas. Parte da renda seria destinada as ONG’s envolvidas nos projetos em Uganda, onde eu estive.

Respondi um simples “OK” e larguei o celular. Então, no instante seguinte, comecei a rir. Rir não, gargalhar. Um misto de ironia, angústia e irritação. O resultado era uma risada estrangulada, mas que ao se libertar, ganhava mais potência. Ali estava a diferença entre JiYong e G-Dragon. O que eu queria não era voltar, mas o que eu representava precisava voltar, não somente por mim e sim pelos muitos envolvidos. O que eu representava não podia alterar a realidade, como eu acreditava. Como era patético! Meu deus, Mo YunJi estava certa o tempo todo: eu não tinha ideia de como o mundo funcionava.

Limpando as lágrimas, me levantei e fui para o quarto, ainda rindo. Coloquei a mão na boca, para não acordar YunJi e parado do lado da cama, olhando-a, a risada sumiu.

4 dias.

O que eu faria?



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...