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História Esse gato é seu? - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


A fic é Kihyun-centered.
Hyungwon e Jooheon tem uma participação menor, e Wonho é só mencionado (mas foi uma COINCIDÊNCIA do plot, isso estava nos meus rascunhos há um bom tempo!)
Espero que gostem, boa leitura!

Capítulo 1 - Primeiro


Número desconhecido

Olá, eu consegui esse número através da sua gata, Farofa. Só queria confirmar que ela não está perdida, só visitando. Ela está brincando no meu jardim, no momento.

 

Kihyun soltou uma interjeição de surpresa, divergindo a atenção de Minhyuk da lição de casa que os dois estavam tentando terminar. Eles já tinham passado a manhã inteira quebrando a cabeça naquelas perguntas difíceis, e assim que eles voltaram do almoço para terminar o que faltava, ele recebia uma mensagem daquelas. Por SMS, ainda por cima.

— Que gato infernal! Como é que ela pode estar dando meu número para estranhos aleatórios durante seus passeios? — ele encarou seu telefone, irritado.

— Quê?! — Minhyuk inclinou-se para ler a mensagem. — Eu achei que a Farofa era a gata do seu irmão? — ele perguntou, depois de entender a situação.

— E ela é. Ela era da ex dele, na verdade, mas depois que eles terminaram, ela só ficou por aqui.

— E por que é o seu número na coleira dela, se ela não é sua? — Minhyuk pareceu confuso.

— Eu também gostaria de saber isso — ele suspirou, levantando-se e saindo do quarto. — Hyung!!

Seu irmão não estava em casa, aparentemente. Kihyun às vezes odiava aquela atitude dele. Quando ele mais precisava dele, ele não estava em casa, mas pode ter certeza que quando Kihyun precisasse estudar para uma prova ou ocupado com toneladas de lição de casa, seu irmão estaria ali sendo bastante barulhento.

E agora, aquilo. Ele não sabia se era uma coincidência inocente que tinha alguma explicação coerente por trás, ou se o Yoo mais velho realmente pretendia lhe pregar uma peça algum dia colocando o seu número de telefone como informação de contato. Para aquele irmão idiota, até poderia ser uma prova de amor, aos olhos dele.

Como se Kihyun já não tivesse o suficiente para se preocupar com o vestibular chegando. Tendo aulas extras quase todos os dias, e visitando a biblioteca depois da escola mais religiosamente que a velha da esquina ia à igreja, ele mal passava tempo em casa, muito menos interagindo com o gato. Como ele, a única pessoa que não tinha nada a ver com o animal naquela casa, ser responsável por ela?

Ele voltou para o quarto, onde Minhyuk se desesperava por conta de uma das questões, segurando seu cabelo descolorido para cima com as duas mãos, o que o fazia parecer uma versão asiática e menos esperta de Einstein. Os olhos dele se desviaram do papel e encararam o rosto irritado de Kihyun.

— E aí? Falou com ele?

— Ele não está em casa — ele respondeu, estressado. — O que eu faço? Ninguém nunca avisou que a Farofa tinha se perdido antes — Kihyun colocou as mãos na cintura e soltou o ar profundamente, fechando os olhos e tentando manter a calma. Ele só estava incomodado assim porque estava cansado de estudar o dia todo, ele sabia. Ainda assim, era uma chatice.

— Ela é uma gata que fica passeando muito? Talvez ela consiga voltar pra casa sozinha sem problemas — Minhyuk sugeriu, mordendo seu lápis. — Afinal, nós temos muitos outros problemas aqui pra resolver. Eu não tenho ideia de como vou passar Trigonometria — ele estapeou as duas bochechas com as mãos e segurou-as ali, observando um pouco desesperadamente a pilha intocada de lição de casa restante.

— Vai passar sim, não se preocupe — Kihyun sentou-se de novo, prestes a ajudar seu amigo, mas uma nova notificação surgiu em seu telefone.

 

Número desconhecido

Desculpe, por acaso esse é o número errado? Se você realmente for o dono da Farofa, eu estava me perguntando se estaria tudo bem dar um pouco de sanduíche de atum para ela ou se ela está em alguma dieta especial. Ela não para de miar.

 

— Maldito gato!! — Kihyun grunhiu, quase jogando seu telefone do outro lado do quarto. Ele não deveria só ignorar. Ele não tinha certeza se Farofa conseguiria voltar sozinha para casa ou não, e ele não tinha ideia se ela estava em uma dieta especial. Por que a pessoa estava sequer perguntando aquilo? Não deveria ser normal dar peixe a gatos? Ele não sabia também, mas era melhor ir busca-la logo e resolver o problema o quanto antes. Ela não devia ter andado tão longe.

 

Kihyun

Oi, sinto muitíssimo pela inconveniência que minha gata causou. Para ser sincero, eu não sei se ela está perdida ou só aproveitando a vida, mas se estiver tudo bem com você, eu gostaria de buscá-la. Poderia me passar seu endereço?

 

Ele digitou furiosamente pela tela, e seu amigo manteve-se em silêncio enquanto espiava a mensagem que ele tinha acabado de enviar.

— Por que você vai busca-la? E as lições? — Minhyuk questionou assim que Kihyun se levantou com um suspiro irritado e começou a procurar por seus tênis.

— Desculpa Min. Eu prometo que volto o mais rápido possível. Ela não deve ter ido longe e se essa velhota vai ficar me incomodando por SMS, é melhor resolver logo.

— Como você sabe que é uma velhota? — o loiro arqueou uma de suas sobrancelhas.

— Só um pressentimento. Ninguém manda SMS hoje em dia, ainda mais escrevendo tão educadamente e sem emojis hoje em dia.

Minhyuk soltou uma breve risada pelo nariz, não querendo retrucar sobre o jeito que Kihyun mesmo escreveu a mensagem. “Sinto muitíssimo pela inconveniência?” Como é que ele podia chamar o outro de velhota quando ele mesmo usava aqueles termos. Ele arqueou a outra sobrancelha.

— E se for um gostosão?

Antes que Kihyun pudesse responder, o celular vibrou com outra mensagem.

 

Número desconhecido

Você está doido se acha que vou dar meu endereço para um estranho qualquer. E se você nem for o dono da Farofa? Vamos nos encontrar no parque do bairro, está bem? O XXXX.

 

— Qu-! Que mal educado! Você que encontrou meu número na coleira dela! — Kihyun esbravejou, franzindo a testa enquanto respondia rápido que sim, estava perfeitamente bem se encontrar ali, tentando não soar tão ignorante quanto certas pessoas. Ele mal tinha tocado a tela para enviar quando outra mensagem chegou, e depois outra.

 

Número desconhecido

Desculpa, meu irmão mais novo pegou meu telefone e respondeu no meu lugar.

 

Ah, ok. Que bom que o parque é bom para você, nós iremos para lá em cinco minutos. A barriga da Farofa está cheia de atum agora e ela parece à vontade para nos seguir para qualquer lugar agora que a alimentamos.

 

— O que, você achou um novo melhor amigo? Gosta de velhotas agora? — Minhyuk comentou, apoiando o queixo em suas duas mãos, parecendo divertido enquanto encarava seu amigo. Kihyun olhou para ele, confuso.

— O que você está dizendo?

— Bom, você está aí todo sorridente enquanto lê as mensagens. É engraçado?

— Eu não estou sorridente — Kihyun retrucou, fechando a cara para reforçar toda sua braveza, mas suas orelhas ficaram quentes e avermelhadas. — É só que a pessoa tem um irmão mais novo que foi bem mal educado, e desculpou. Eu achei que foi educado.

— Hmm, entendi. Não é mais uma “velhota”, mas uma “pessoa”. Então você está um passo mais perto de admitir que pode ser um gostosão — Minhyuk gargalhou e Kihyun chutou seus chinelos na cara do amigo, enquanto pegava seus tênis.

— Você é um saco! Acabe esses exercícios até eu voltar, tchau! — ele saiu correndo do quarto, indo buscar a maldita gata.

 

Misericórdia. Era um gostosão.

Kihyun sabia que ele estava sendo meio esquisito, se escondendo atrás de uma mureta na esquina do parque. Dois idosos já tinham passado por ele e lançado olhares de soslaio, já que ele estava agachado suspeitamente e espiava as pessoas correndo e jogando pelo parque, mas ele não conseguia evitar. Ele realmente não esperava que fosse um gostosão. Maldito Minhyuk.

Na verdade tinham dois rapazes brincando com Farofa quando ele avistou a gata, assim que o parque entrou no seu campo de visão. Se o mais baixo não estivesse usando óculos redondo, roupas pretas e tivesse um olhar entediado, ele não teria tanta certeza que o cara bronzeado, alto, musculoso e lindo era realmente quem tinha lhe mandado mensagens. O mais baixo parecia mais novo e bem mal educado, então ele era provavelmente o “irmão mais novo”; o que fazia o gostosão ser o remetente.

Kihyun tinha dado sorte de não ter arrastado Minhyuk com ele, ou ele não seria deixado em paz pelo resto de seus dias. Ele quase podia ouvir o amigo gargalhando atrás dele, e tinha certeza que o loiro não pararia nunca de provoca-lo sobre não ter acreditado quando ele sugeriu que era um gostosão.

Ele estava escondido por quase cinco minutos. O parque era bem perto de sua casa, e se os dois irmãos chegaram lá tão rápido, eles não deviam morar tão longe. Como ele nunca soube que um cara daqueles vivia no seu bairro? Enquanto pensava em tudo isso, Kihyun sabia que cedo ou tarde ele teria que deixar seu esconderijo e falar com eles, mas o que ele falaria?

Espera.

Por que ele estava agindo como se fosse falar com seu crush pela primeira vez?

Ele tinha um motivo para se aproximar deles.

O motivo que começou toda aquela bagunça.

Farofa.

Kihyun era quase o aluno número 1 da escola, mas ele podia ser bem burro às vezes.

Ele respirou fundo e levantou-se, tentando agir naturalmente. Ele se aproximou dos dois irmãos e levantou uma de suas mãos.

— Hey. Eu vim buscar a gata — ele disse, e ambos levantaram os olhos para ele ao mesmo tempo. Ele se sentiu um pouco intimidado pela encarada que levou do mais novo, como se o garoto estivesse julgando-o profundamente embora ele tivesse certeza que sorrira gentilmente enquanto os cumprimentava.

— Ah, oi-- — antes que o mais velho pudesse dizer qualquer coisa, o de preto entrou em sua frente, erguendo os braços como se protegesse seu irmão. Como se aquele homem alto, forte, quase um deus grego, precisasse de qualquer proteção. Ainda assim, Kihyun parou de andar, perguntando-se por que o emo se sentia tão ameaçado por ele.

— Prove — foi o que ele disse, com uma voz grave. Kihyun suspirou, tirando do bolso seu celular e mostrando a troca de mensagens, e também seu número pra comprovar que era o mesmo na coleira da gata.

— Você não precisa ser tão desconfiado, está tudo bem, não? Nós que poderíamos ser pessoas suspeitas — o gostosão disse, e o mais novo franziu a testa, dando de ombros e agachando-se perto de Farofa para brincar com ela. — Desculpe por isso.

— Tudo bem. Desculpe pelo incômodo que a Farofa causou a vocês. É a primeira vez que ela foge de casa — ele explicou. O cara sorriu e Kihyun tinha certeza que seu coração não estava batendo tão rápido antes.

— Então, qual o seu nome? — o deus grego perguntou. — É estranho te chamar de “dono da Farofa” agora que sei que você é uma pessoa de verdade.

Kihyun arqueou as sobrancelhas.

— Como eu não seria uma pessoa de verdade se eu respondi suas mensagens e tudo?

— Bom, Changkyunnie disse que poderia ser um golpe em que os telefones eram hackeados para responder as mensagens de “encontramos seu gato!”, então um ponto de encontro seria marcado para que gangsters viessem e roubassem as pessoas que estão inocentemente tentando devolver um gato amado para alguém.

O irmão mais novo, Changkyun, levantou os olhos e encarou Kihyun mais uma vez, como se ele não tivesse totalmente descartado a possibilidade. Kihyun só conseguia pensar em como Changkyun parecia o tipo de hacker que faria esse tipo de coisa.

— Que cabecinha que ele tem, hein — ele comentou, um pouco em choque. O gostosão sorriu mais, seus olhos se tornando pequenas luas crescentes com pequenas ruguinhas em torno. Kihyun se convenceu que seu coração não estava saltando o peito por causa dessa visão.

— Ele é bem inteligente, até avançou um ano na escola. De qualquer forma, talvez seja melhor eu me apresentar primeiro. Eu sou Hyunwoo, e essa é meu irmão mais novo, Changkyun.

— Sou Kihyun, é um prazer — eles apertaram as mãos em um cumprimento e Kihyun sentiu pequenos choques por todas as pontas de seus dedos. — Obrigado de novo por cuidar da Farofa.

— Não foi nenhum problema. Ela é bem fofa, e Changkyun ama gatos. Nós não podemos ter nenhum animal porque minha mãe é alérgica a tudo que existe. Então acho que ele está bem feliz agora.

Kihyun pensou seriamente em convidar Changkyun para brincar com Farofa o quanto ele quisesse e quando ele quisesse, com a única condição que deveria trazer seu irmão mais velho junto. Não parecia uma situação em que todos se davam bem?

Ele pensou sobre a alergia da mãe deles, no entanto.

- Eu espero que não tenha sido um problema para sua mãe — ele disse, preocupado. Farofa realmente saiu pelo bairro causando um monte de problema para os outros. Pelo menos ela achou um gostosão para ele, então ele não estava tão bravo assim.

Hyunwoo sorriu de leve.

— Obrigado pela preocupação. Foi tudo bem, ela estava fora de casa resolvendo uns assuntos, e quanto voltarmos, limparemos direitinho.

— Entendi. Não deveria estar te prendendo aqui, então — embora Kihyun realmente quisesse prende-lo ali. Talvez o irmão mais novo poderia ir na frente e começar a limpeza enquanto Hyunwoo passava um tempinho a mais conversando com Kihyun. Não era todo dia que ele conseguia encontrar alguém tão seu tipo. Ele tinha acabado de achar um potencial crush ali.

Não que ele fosse corajoso o suficiente para tomar alguma atitude. Ele estava ciente que eram dois estranhos e a única ligação entre eles era aquele animal felpudo que agora mordia os dedos de Changkyun enquanto segurava sua mão com as patinhas fofas. Agora que terminaram o que tinham para fazer, ele só poderia torcer para esbarrar em Hyunwoo pelo bairro e torcer que suas habilidades de comunicação pudessem fazê-lo parecer pelo menos um pouquinho interessante para Hyunwoo. Como outras pessoas encontravam e se aproximavam de gostosões??

— Foi bom te conhecer, Kihyun. Tchau, Farofa — Hyunwoo acenou enquanto Changkyun se levantava e acenava com a cabeça para Kihyun. O garoto pegou o gato em seus braços e fez um aceno com uma de suas patas brancas, rindo em seguida e sentindo as orelhas queimarem.

Como é que ele esperava conseguir que um crush o notasse sendo idiota daquela forma?

Depois de observar os dois irmãos desaparecerem nas esquinas próximas do parque (ele não pretendia descobrir em que direção eles viviam, de jeito nenhum), ele pensou que não faria mal pelo menos salvar o número de Hyunwoo, e foi o que ele fez enquanto voltava para casa.


Notas Finais


Eu me diverti muito escrevendo essa fic e ela é uma ideia bem simples e de leitura rápida, escrita originalmente em inglês, mas pensei em traduzir pra ajudar com alguma coisinha nova pra ler nesses momentos difíceis.
Serão quatro capítulos curtinhos e rápidos, mas espero que aproveitem!
Me digam o que acharam da Farofa x)
Obrigada à Mari pela capa fofíssima ♥
Cuidem-se bastante, lavem as mãos e fiquem em casa se possível, espero que todos fiquem bem!
Um comentário e uma estrelinha são sempre bem vindos!
Beijos e se cuidem ♥


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