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História Esse não é o fim - Capítulo 1


Escrita por: e AllBlue_Project


Notas do Autor


> Lembrando: A fanfic é inspirada em DEVIL MAN e tem SPOILER DO FINAL.

Créditos ao @allblue_project:
> Pela capa maravilhosa, eu tô babando nela até agora: @/Paskocimas
> Pela betagem e leitura critica que me deixaram super soft: @/Kenylan

Capítulo 1 - Quinquagésima chance.


Fanfic / Fanfiction Esse não é o fim - Capítulo 1 - Quinquagésima chance.

Não havia mais planeta, não havia terra.

E era tudo sua culpa, ele tinha soltado os demônios, ele tinha provocado aquela guerra.

Era tudo sua culpa.

Sua culpa.

E agora, flutuando no vazio sem fim — cercado por um mar de estrelas — Satan se encontrava arrasado, com uma expressão contorcida de sofrimento, tristeza, depressão e melancolia. Em seus braços, havia um corpo branco, cercado de ferimentos e banhado de sangue, a expressão no rosto deste, tão cercada de agonia quanto a sua.

Luffy definitivamente não havia morrido em paz.

Agora ambos, como partículas de poeira, flutuavam para lugar nenhum, perdidos no vazio sem fim. Satan abraçava fortemente aquele corpo. Satan chorava e gritava ao universo desesperado, usando toda a força que tinha em seus pulmões ‘’Luffy’’, ‘’Mugiwara-ya, por favor, acorde’’, ‘’Luffy’’. A voz — assim como suas mãos — trêmulas. Satan apertava o corpo desfalecido. Satan sacudia, mas nada.

Nada.

Luffy não reagia.

Luffy não se curava.

“Você não pode ter morrido, você não pode…”

Mas Satan sabia que sim, ele só não aceitava.

Então, Satan fechou os olhos, apertou ainda mais aquele pedaço de corpo e gritou.

Aquela dor dilacerante em seu coração saindo em berros.

Ele gritou, gritou e gritou.

Mas de repente, toda a sua pele aqueceu-se, ele abriu os olhos e viu, bem na sua frente, uma forte luz.

‘’Satan’’, ‘’Meu filho’’.

Era Deus.

Por um longo momento, houve um silêncio mortal, mas ao olhar novamente para o corpo de Luffy, Satan estraçalhou e pulverizou sua alma orgulhosa e peçonhenta, ele olhou para a luz e trêmulo clamou: ‘’Por favor, me dê uma nova chance’’, ‘’P-pai, eu estava errado, eu me arrependo, P-pai me dê uma chance, eu imploro, por favor’’.

Ele ouviu Deus suspirar.

‘’Essa é a quadragésima nona vez que eu te dou uma chance. Você está em um loop, sempre faz tudo de novo e de novo.’’

Tudo… De novo? Um loop?

E então Satan se lembrou.

Nesta nova chance — como em todas as outras — ele estava na ponta de um penhasco chorando, encharcado pelas gotas de água que do céu caiam. Fazia frio, ele se sentia solitário. No entanto, de repente, o impacto das gotas não mais passaram a tocar sua pele, ele olhou para cima, algo azul o impedia de ver o céu.

Ele olhou para trás, e viu um garoto.

Um garotinho com um olhar preocupado, com uma mão segurando um guarda-chuva — que o cobria — e com a outra, estendida em sua direção. ‘’Você está bem?’’, o garotinho perguntou.

Você está bem?

E tais palavras pareciam ter ativado algo dentro de seu peito, que agora batia fervorosamente, aquecendo todo o seu corpo. Ele timidamente estendeu sua mão, e segurou nas mãos do outro e assim que estas se tocaram, um choque absurdo alastrou-se por todo o seu corpo e de repente, onze anos se passaram.

Agora, ele estava de frente para uma escola, ele de alguma forma já sabia que era Satan. Ele escutou ‘’Torao’’ e olhou naquela direção, percebendo que Luffy estava ao seu lado, sorrindo tão brilhante como o sol. ‘’Tô tão feliz que nois tá na mesma sala, vem, vem. Bora se enturmar com o povo’’, Luffy agarrou em seu braço e puxou para dentro da escola.

Ele passou um dia inteiro com Luffy. Eles ficaram na escola, depois foram na casa dele, depois Law o levou para o Shopping, depois foram passear observando o mar. Lembrando daquele dia, era impossível negar que ele, Satan, amava com todas as suas forças aquele tão fraco humano.

Amava mesmo.

Amava, um amor verdadeiro e único, que só não era tão grande quanto o amor que Deus sentia por seus filhos. 

Novamente, o tempo mudou, meses se passaram. Agora, ele estava pondo em prática o seu plano de dominar a humanidade. O seu plano era fazer os demônios possuírem as pessoas, criar um exército e depois destruir o planeta terra, para então derrotar Deus e fundar um novo universo.

Ele era Satan, o segundo ser mais forte do mundo e o único sentimento que ele sentia pelos humanos, só aparecia quando ele via estes de alguma forma doentia, sofrendo. Mas, ele gostava de um certo alguém.

Por isso, ele fez o seu mais forte demônio possuir Luffy, para que este governasse o seu novo mundo, junto a si.

Luffy foi o único a não sentir dor na possessão, o único a ser cuidado e a ter liberdade para agir como quisesse, e foi o único — humano fundido a demônio — que Satan permitiu que mantivesse sua essência.

Por causa disso, Luffy sempre discordou dele. Sempre. E no final de tudo — quando ele já tinha transformado quase todo mundo em demônios — Luffy se virou contra ele, destruindo a maior parte dos demônios para depois, vir pessoalmente tentar lhe matar.

Isso mesmo, Luffy tentou lhe matar.

E ele se sentiu tão mais tão traído, que não mediu forças com o outro e o duelo de ambos, acabou por destruir o mundo até que só restasse poeira. E então, quando lançou mais um ataque e mais outro, estranhou que Luffy não estava fazendo o mesmo.

Foi quando ele viu um corpo parado flutuando no espaço, ele foi naquela direção e segurou o corpo alheio… E foi ali, naquele momento, que ele sentiu uma dor dolorosa e dilacerante  preencher o seu corpo e coração. Bem ali, quando tudo já tinha sido feito, ele percebeu o quanto amava, o quanto sentia, o quanto vivia por Luffy.

E agora, possuído pelo mais puro arrependimento, a criatura mais orgulhosa do mundo, implorava — novamente — aos prantos para que Deus lhe desse outra chance.

‘’E-eu… Pai eu prometo, eu vou… Dessa vez vai ser diferente…’’.

‘’Você sempre diz as mesmas palavras...’’.

‘’E-eu…E-eu...’’, então ele gritou. ‘’Faça eu me lembrar! Você nunca faz eu me lembrar! Por favor, pai, faça eu...’’.

‘’Satan, não adianta, você não tem jeito’’, ‘’Você no final das contas, sempre destruirá o mundo de alguma forma’’.

‘’Não… Eu prometo, dessa vez eu...’’. ‘’Eu não vou deixar o Mugiwara-ya morrer…’’. ‘’Eu vou ser alguém que ele… Que ele se orgulhará...’’.

Novamente, houve um silêncio mortal, com esperança, ele — a mais vil criatura do mundo — encarava a reconfortante luz.

‘’Certo’’, ‘’Dessa vez, quando chegar um certo momento, você se lembrará de tudo’’, ‘’Haverá uma condição’’, ‘’E essa é a sua última chance.’’.

(…)

De joelhos na ponta de um penhasco — enquanto gotas de água caiam fortemente do céu — uma criança chorava, berrava.

Não sabia o que estava fazendo ali e nem o que tinha acontecido, e em sua mente apenas duas coisas apareciam. Um nome — Trafalgar Law — e uma dor agoniante que conturbou a sua consciência e que cortava, apertava seu coração em múltiplos pedaços.

Extremamente doloroso.

Extremamente.

De repente, aquela criança ouviu uma voz.’’Você está bem?’’, era uma voz quente, suave e com a mais sincera preocupação, só aquelas palavras, confortaram o seu coração. A criança olhou naquela direção e viu uma mão estendida para si e viu também, o dono desta.

Um garotinho, cabelo e olhos pretos, tanto a mão estendida quanto suas roupas estavam encharcadas pela água da chuva. ‘’Você está bem’’, ‘’Vamos sair daqui’’.

Fascinado, a criança encarava aquele garoto e sem saber o porquê, ela levou suas duas mãos à mão do outro, segurando fortemente e de forma desesperada aquele lugar.

O choque ao tocar a pele alheia, atingiu o seu ser e limpou a sua alma. O seu coração bateu desesperadamente, ele arregalou os olhos e sem saber o porquê, abraçou o garoto.

Abraçou com toda a força que tinha.

Apertou tão forte que quase fundiu o seu corpo ao dele.

‘’Ei… Está… Tudo bem! Você estava se sentindo sozinho não é?’’, o garotinho perguntou, mas não obteve resposta. ‘’Estar sozinho dói mais que tudo, mas não se preocupe! Agora você tem eu aqui’’, a criança escutou um leve sorriso por parte do garotinho. ‘’Agora, vamos sair, minha casa fica por aqui, tá frio e nós dois vamos ficar doentes desse jeito.”

E totalmente a contragosto, a criança se separou do abraço  — ainda segurando fortemente as mãos do garotinho —, juntos correram para fora daquele lugar. Foram para uma casinha bem simples no meio da floresta. Eles se banharam, trocaram de roupa e juntos, foram comer. E no meio da refeição, foi que eles finalmente se apresentaram.

‘’Alias, eu sou o Luffy! E você? Qual teu nome?’’

A criança por um momento parou, e se lembrou do nome estranho que havia aparecido em sua mente. ‘’É… ’’ ‘’Trafalgar Law!”

‘’ To, ta, Tro… To… Ra...o’’, ‘’Torao!’’, ‘’Nome bonito e complicado, ein Torao.’’

A criança, agora identificada como Law, até queria corrigir o outro, mas incrivelmente tudo e qualquer coisa que Luffy fizesse ou falasse, era encantador para si.

‘’É...’’

Depois daquilo, eles conversavam sobre muitas coisas, na verdade Luffy falava e Law ouvia e respondia com sim e não. E o resto dos dias deles, das semanas, meses e anos seriam assim.

Law viveu por alguns anos com Luffy e o avô dele naquele lugar — pois de forma alguma conseguiram achar alguém que tivesse o mesmo sobrenome que o de Law —, ele e Luffy até foram para a escolinha juntos. No entanto, nos primeiros meses na tal escolinha, Law passou a ter um contato maior com livros.

Nela havia uma biblioteca e em menos de uma semana, ele leu todos os livros, de todos os níveis, absorvendo todos os tipos de conhecimento possíveis. Em menos de uma semana, Law havia se tornado a pessoa mais inteligente da região onde morava.

E ao interagir com outras crianças e adultos por ter tal inteligência, ele se sentiu superior. Depois, aquela tal escolinha não era mais o suficiente para si. Diversas vezes — quando Luffy estava distraído conversando com alguém ou comendo — ele fugia dela e corria — em uma velocidade absurda sem perceber — para a cidade grande.

Ele ia até a biblioteca central, e devorava todos os livros que havia nela. E dia após dia ele fazia aquilo, até que em um determinado momento, aqueles conhecimentos não pareciam suficientes. Usando de sua inteligência, ele conseguiu persuadir pessoas a lhe emprestarem dinheiro. Ele — uma criança — abandonou Luffy, se mudou para a cidade grande e passou a morar sozinho.

Vivia solitário, trancado em um quarto, administrando negócios e estudando todo tipo de coisa até que um ano depois — após curiosamente se interessar em religião — decidiu fazer uma visita a Roma.

E durante os dez anos que passou lá, Law aprendeu tudo sobre a religião católica e apenas por hobby, frequentou algumas aulas de exorcismo. Querendo por o aprendizado em prática, Law se voluntariou para ser assistente de um padre exorcista, no entanto, quando ele chegou perto do corpo da pessoa possuída, inacreditavelmente o demônio falou com ele.

O demônio disse ‘’Lux’’(Lider), ‘’Luciferum’’ (Lucifer), ‘’Satanas’’. 

Naquele dia, o demônio disse toda a verdade sobre a verdadeira identidade de Law e o ensinou como convocar os demônios e a como usar seus poderes. Depois, eles dois mataram o padre e toda a família que morava naquela casa.

Com o corpo coberto de sangue, ele saiu da casa, olhou para o céu azul escuro estrelado e respirou fundo. Ele abriu seus braços e sentiu todo o seu poder — agora liberto — correndo por suas veias e por causa desde, em seus corpo, varias simbolos negros — em forma de tatuagem — apareceram pelo seu corpo.

Maniacamente, Satan sorriu com seus olhos dourados brilhando em maldade e excitação. Então ele abriu suas longas e brancas asas, levantou voou e quando estavam bem acima dos céus, ele disse ‘’Tudo isso será meu’’, ‘’Eu mataria um por um…’’, ‘’Eu pegarei essa terra para mim…’’, ele sorriu, enquanto dizia aquilo.

Foi quando de repente, ele se lembrou de um certo alguém.

Luffy…

Ele ficou sério, seu coração momentaneamente doeu.

Enquanto planava no ar, ele olhava para ao redor e via as casas, prédios e minúsculas formigas — pessoas — se movendo pelo espaço. Ele queria destruir tudo aquilo, queria fazer os demônios possuírem as pessoas para então, fundar o seu novo mundo mas… Havia Luffy.

Foi então que Satan tomou uma decisão.

Ele faria Luffy possuir um demônio e não ao contrário e assim, Luffy continuaria meio humano, viraria o seu braço direito e governaria o seu novo mundo junto a si.

(…)

Law mandou seus subordinados pesquisarem a respeito de Luffy e agora, ele se encontrava em sua Ferrari, bem na frente da escola onde Luffy estudava. Assim como si, Luffy tinha 17 anos e estava no último ano do ensino médio. Como Law queria se aproximar do velho amigo, ele decidiu se matricular naquela escola — mesmo estando no meio do ano letivo — e agora, ele se encontrava ali parado, esperando o sinal tocar.

E quando este tocou, ele elegantemente começou a andar para dentro da escola — como ele era extremamente bonito, todos lhe encaravam — no entanto, enquanto caminhava, ele sentiu um forte baque em suas costas, quando olhou para trás, havia um garoto com a cabeça baixa, caído no chão com uma casca de sorvete em suas mãos.

Law arregalou os olhos e tocou na própria costa, sentiu uma textura molhada e gelada de sorvete, e com raiva, gritou na direção do garoto ‘’Seu estúpido!’’, ‘’Você sabe quanto custou essa roupa, moleque de merda!’’, ‘’Você vai pagar isso seu lixo!’’, ele estava prestes a chutar o garoto, quando este ergueu a cabeça e olhou em sua direção.

Quando seus olhos se encontraram, Law parou o chute e travou, seu coração começou a bater violentamente.

Era aquele rosto.

Aqueles olhos.

Eram… Luffy.

Por longos segundos, ambos ficaram se encarando.

Até que Law, se lembrou de algo que aconteceu a muito tempo atrás e por isso, ele lentamente levou uma de suas mãos até a direção do garoto e com a voz trêmula, disse: ‘’Você está bem?’’

E o garoto, rapidamente segurou na mão dele, se levantou e lhe deu um forte abraço. ‘’Torao!’’, ‘’Eu senti tanto, mais tanto a tua falta.’’, Law não soube o que fazer, estava estático. Os sentimentos que fluíam em sua pele, com aquele apertado contato, eram absurdos demais e ele não sabia como lidar.

Ele não sentia prazer, afeto por nada nem por ninguém.

Se divertia matando e se provando superior que as pessoas.

Mas, bem ali, com o toque alheio, Law sentia como se fosse desfalecer com a quentura e força daqueles braços. Luffy minimamente se afastou, e encarou Law nos olhos. ‘’Não vai me abraçar Torao?’’, e Law numa reação rápida, abraçou o outro com toda a força que tinha. Law sentia o cheiro dos cabelos alheios, se movimentava e apertava suas mãos pelo corpo alheio a fim de senti-lo mais e mais.

Ele estava em uma bolha, quente, reconfortante e macia.

E assim ficaram, por longos minutos até que Luffy, começou a afastar-se lentamente. Com a mão envolta do pescoço de Law, só um pouquinho distante, Luffy com um grande sorriso no rosto disse: ‘’E então? O que está fazendo aqui? Pensei que nunca mais ia te ver!’’

E Law, pela primeira vez depois de muito tempo, minimamente sorriu.

Depois daquilo, eles andaram juntos até a sala e conversaram. Law pediu desculpa por ter sumido do nada há muito tempo atrás e — omitindo as partes ruins — contou o que tinha feito nos últimos anos. Luffy fez o mesmo, contou que pouco tempo depois seu avô tinha morrido e que agora trabalhava na praia autonomamente e vivia sozinho.

Horas depois, o fim da aula foi anunciado e Law chamou Luffy para sair consigo.

Luffy ficou super animado por entrar numa Ferrari pela primeira vez, e nela — a toda velocidade — eles foram até o restaurante mais caro da cidade. Quando entraram lá, Law sentiu vontade de matar cruelmente todas à sua volta, primeiro que por ele estar sujo de sorvete, havia vários olhares julgadores, segundo porque, tais olhares eram ainda piores para Luffy, pois este usava uma roupa simples.

Law usou todas as forças que tinha para não surtar e ambos sentaram numa das mesas mais afastadas do local. Fizeram seus pedidos ao garçom e assim que este saiu, seus olhos se encontram. Naquele momento, eles apenas se encararam, Luffy com um sorriso bobo no rosto e Law, com um olhar fascinado.

‘’O tempo te fez muito bem, Torao.”

‘’Eu digo o mesmo para você.’’

‘’Você vai ficar por bastante tempo, Torao?’’

‘’Eu vou!’’

‘’Você promete?’’

Law suspirou.

‘’Eu prometo.’’

‘’Vai ser como nos velhos tempos?’’

E então Law parou.

Ele estava planejando dominar o mundo, matar e transformar todos os humanos — menos luffy — em demônios submissos a si. Seria como nos velhos tempos? Não. Mas… Ainda sim eles estariam juntos então… Não seria como nos velhos tempos?

“Sim”

“Ótimo!”, Luffy sorriu.

Conversaram um pouquinho e a comida chegou, juntos comeram e depois disso, foram embora do restaurante, entraram na Ferrari e decidiram ir até uma praia que havia ali perto.

Eles tiraram seus calçados e caminharam lado a lado pela praia.

Luffy olhava para o chão enquanto falava. “Sabe, nesses últimos anos eu sempre pensei em você. A gente passou tão pouco tempo juntos quando criança mas… Foram os melhores momentos do mundo pra mim.”, de repente ergueu a cabeça e olhou no fundo dos olhos de Law . “Você também pensou em mim nesses últimos anos?”

Law desviou o olhar.

Sim, ele tinha pensado mas… Pensado em momentos dos quais ele não deveria pensar. Ele pensava em Luffy quando olhava um casal na rua. Ele pensava em Luffy quando via a palavra amor, saudade. Ele pensava e desejava Luffy de uma forma… Nada pura. O que não era problema para alguém niilista como ele, mas ainda sim, aquilo o incomodava.

Vagamente, ele respondeu: “Pensei.”

Ele ouviu Luffy gargalhar e então, sentiu um forte agarrar em seu ombro quando olhou na direção, Luffy estava todo agarrado a si sorrindo. Olhando de baixo para si, ele disse: “Vamos nos sentar e olhar o pôr do sol.”

Law respondeu: “Claro!”

Eles se sentaram lado a lado, e em silêncio, ficaram encarando o além.

Law não sabia o que pensar, não sabia o que estava sentindo. Queria gritar, queria fazer certas coisas com Luffy, queria morrer. Estava ansioso, seu coração batia como um louco e ele estava morrendo de medo de olhar na direção de Luffy.

Foi então que sentiu um toque em sua mão, seguido de um forte entrelaçar de dedos e aquele contato, parecia ter queimado como o inferno.

Depois, ele sentiu algo encostar e se arrastar em seu ombro. “Torao… To...Rao...’’, lentamente, ele olhou naquela direção e quando seus olhos encontraram com os de Luffy — que tinha a cabeça encostada em seu ombro — Law — como em todas as outras vezes — travou.

Luffy se mexeu, tirou sua cabeça daquele lugar e aproximou-se de pouquinho a pouquinho de Law, até que a pontinha de seus narizes se tocassem. “Me desculpe… Eu não queria fazer isso agora mas… Eu preciso te mostrar como eu me sinto”, e o beijou.

O choque que se espalhou por Law ao sentir os lábios alheios foi indescritível. Por vários momentos ele ficou parado, mas depois, respondeu com intensidade a aquele beijo. Os lábios movimentavam-se necessitados, ele sentia a textura daquela carne, ele mordia e lambia, ele suspirava entre o beijo, ele agarrava o queixo de Luffy, forçava a abertura da boca alheia, lambia os lábios alheios e adentrava a boca com sua língua, explorando desesperadamente cada canto daquele local.

O gosto de Luffy era doce, era intenso, era apaixonante, era desesperador, sufocante, viciante.

Law queria morrer, queria ser crucificado, escravizado provando aquele gosto.

E no meio de tantas sensações, a falta de ar se fez presente e a contragosto, eles se separaram, encostando suas testas, compartilhando quentes respirações. Eles se encaravam devotamente, e Law olhando no fundo daquelas orbes escuras, de repente, sentiu o mundo parar.

Parar literalmente.

Luffy ficou estático, com a mão parada em pleno ar, ele mexeu e mexeu no corpo alheio, mas Luffy não teve nenhuma reação. Ele então olhou ao redor, e ao olhar o mar, viu ao horizonte uma luz flutuar e brilhar em cima dela.

De repente, uma voz alta que provavelmente tinha atingido todos os cantos da terra, se fez presente. “Lembre”, foram as palavras dela e no mesmo segundo, Law se lembrou de tudo o que tinha feito na outra vida. Ele se lembrou que era Satan. Se lembrou da destruição, e se lembrou de matar Luffy, assim como se lembrou da dor que sentiu ao ver o outro morto em seus braços. Ele se lembrou de ter pedido, implorado para Deus uma outra chance.

E ele se lembrou das condições impostas por ele.

Aos prantos, chorando na direção da Luz, ele gritou. “Agora?”, e a voz disse: “Agora!”. Sabia que não tinha escolha, por isso abaixou a cabeça e em um segundo, tudo voltou ao normal. Ele olhou na direção de Luffy, e este lhe olhou confuso. “Torao? O que aconteceu? A gente não tava se…” 

Ele interrompeu o outro. “Eu te amo com toda a minha vida”, ele se ajoelhou na frente do outro, com suas mãos segurou e apertou fortemente as mãos alheias e novamente disse: “Eu te amo com toda a minha vida.”

“Mais do que tudo no mundo”

‘’Eu sou louco por você.”

‘’Eu faria toda e qualquer coisa por você.”

‘’Se você mandasse eu me matar, eu me mataria, aqui e agora.”

Luffy tinha os olhos arregalados, Law com lágrimas caindo dos olhos, abaixou a cabeça.

‘’Eu preciso te mostrar o que aconteceu… O que eu…”, a voz dele era fraca. ‘’O que eu fiz na outra vida… Vai ser muito doloroso para você… Porque é muito forte… Então… Me responda sinceramente.”, ‘’Você quer saber da verdade?’’, ‘’Do passado?”

E ele escutou Luffy dizer — sem pestanejar — ‘’Sim!’’.

E ainda de cabeça baixa, ele levantou suas mãos e envolveu a cabeça alheia com elas. Usando seus poderes de Satan, ele fez com que Luffy lembrasse de tudo.

Se lembrasse do sangue, das mortes, dos gritos de desespero dos humanos enquanto eram comidos por demônios, o fez lembrar da guerra. Quando terminou, suas mãos caíram, desabaram no chão e ele Satan, chorou mais e mais.

Era isso que Deus queria quando impôs a condição de fazer Luffy lembrar de tudo, de fazer Luffy saber quem ele realmente era e o que ele havia feito.

Deus queria que ele sofresse, pagasse por todos os erros que ele tinha aprendido. Ele, Satan, sabia que no mundo de Deus, você só recebe aquilo que dava e ele, um ser sujo e vil, ao mundo tinha dado matança e desgraça.

Ele merecia o mesmo.

Luffy era a única coisa que era valorosa para ele.

E agora, ele que nunca tinha tido nada, até aquilo, tinha perdido.

Foi então que Law sentiu uma mão tocar o seu ombro, ele sabia de quem era o toque mas ele não tinha coragem de olhar naquela direção. Ele sentiu outra mão, tocar o seu outro ombro, seguido de uma voz firme, que dizia: “Torao… Olhe para mim”. Law não se atreveu. Minutos se passaram, ele escutou um pesado suspiro. E as seguintes palavras de Luffy, o fizeram ficar em choque.

Luffy disse: ‘’Eu já sabia! Desde quando reencarnei nesta vida… Desde quando eu era uma criança, eu sempre soube. E por mais que eu soubesse… Eu jamais fiquei com medo de você…”. ‘’Eu não sei explicar… Talvez seja o amor que sinto por você, mas eu sou incapaz de relacionar você a qualquer sentimento ruim.”

Law em um surto de coragem, levantou a cabeça e com seus olhos embargados, olhou na direção de Luffy. Ele até ia falar algo, mas Luffy não deixou.

‘’Quando você partiu, eu entrei em pânico, pensei que você ia fazer tudo de novo e que eu não ia ter uma oportunidade de te impedir’’, ‘’Mas eu lembrei que… Antes de fazer a coisa toda… Você sempre vinha atrás de mim’’, ‘’Então eu esperei por você, todos esses anos’’.

E Luffy levou suas mãos até o rosto alheio e limpou as lágrimas que ali haviam. ‘’Eu fui um pouco rápido não é?’’, ‘’A gente se encontrou hoje e eu já vim te atacando desse jeito, me desculpe’’, ‘’É só que Deus me disse… Que essa seria a tua última chance...’’, ‘’Eu estava com tanto medo de te perder...’’.

Fracamente, Law disse: ‘’Isso é real?’’.

E Luffy, com um pequeno sorriso no rosto, respondeu: ‘’É sim’’, e ele deu um leve selar nos lábios alheios. ‘’Está vendo?’’, e deu outro. ‘’É super-real”, e deu outro e mais outro. Por fim, abraçou fortemente o corpo da pessoa que tanto amava.

‘’Vamos brincar de faz de conta e esquecer de tudo o que aconteceu’’, ‘’Aquele jogo de erros e mentiras acabou’’, ‘’Nós vamos… Recomeçar’’.

E aquelas palavras de Luffy, fizeram Law perceber várias coisas. Primeiro que ele estava errado. Deus… O seu pai, não era tão justo como ele pensava, pois se ele fosse, ele — Satan — jamais mereceria um final feliz como aquele.

De repente ele se sentiu grato por Deus, pois depois de quadragésima nona vez, finalmente eles tinham acertado, pois agora, Law — Satan — estava determinado a ser algo do qual Luffy se orgulhasse.

E pela primeira vez, em muito tempo, Law sorriu.

Um sorriso de lábios abertos, dentes à mostra. Ele gargalhou também. Depois ele olhou para Luffy e o abraçou fortemente. Separou-se do abraço e depois selou seus lábios com carinhos. Por fim — como uma noiva — colocou e carregou Luffy em seus braços, abriu suas lindas e majestosas asas — rasgando o tecido de suas roupas — e levantou voo.

Luffy — apesar de estar surpreso — não sentia medo. Ele agarrava-se no corpo de Law, e observava a cara de felicidade alheia enquanto sentia a forte briza do vento tocar-lhe a pele. Se na outra vida Luffy havia morrido em agonia, agora nesta, ele em vida estava experimentando a mais densa paz.

De repente, ele sentiu Law parar o voo. Luffy olhou ao redor e percebeu onde estava.

Na ponta do penhasco, onde tudo sempre começava.

Ele fez um pouco de força e desceu dos braços alheios, ficou de frente para Law e segurou as mãos da pessoa que tanto amava, entrelaçou seus dedos nos delas. Com amor, encarou os olhos dourados do anjo famoso por ter caído do céu.

‘’Torao… ’’

‘’Migiwara-ya…’’

Law abaixou sua cabeça e Luffy levantou a sua,  eles se aproximaram e se aproximaram e bem ali, marcaram o recomeço deles, com um beijo repleto do mais puro amor. Eles se beijaram e se beijaram, e no meio de tantos beijos, de repente, começou a chover.

Mas tanto Satan quanto Luffy, estavam desesperados um pelo outro. Eles se beijavam afoitamente, Satan mordiscava, chupava a boca alheia, sentido o gosto doce da saliva fundida ao da água da chuva. Ele segurava e apertava cada pedacinho da carne da pessoa que ele tanto amava e Luffy não era diferente.

Por anos ele tinha esperado por aquele momento, na verdade, por vidas. Ele sempre tinha amado, vivido por Law mas… Mas apesar de sentir que Law era o seu destino, o destino de Law era sempre… Destruição.

Mas dessa vez não era, pois Satan depois de tanto errar com Deus, com o mundo e com Luffy, finalmente havia aprendido a ter jeito. O loop infinito de finais infelizes havia se encerrado, a quadragésima nona chance que teve, não tinha sido o fim.

Mas a quinquagésima vez, era.

 

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado <3

Minhas outras fanfics lawlu: https://www.spiritfanfiction.com/listas/soluizy-minhas-lawlu-6701333


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