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História Essência da Verdade - Capítulo 3


Escrita por: e MorganaLFay


Capítulo 3 - Cerre os dentes, não faça barulho


Fanfic / Fanfiction Essência da Verdade - Capítulo 3 - Cerre os dentes, não faça barulho

Atravessou a rua depois de soltar um pesado suspiro. Seria mais fácil conseguir um carro do outro lado.

Retirou o celular do bolso da calça e ficou olhando um tempo para a tela de bloqueio do aparelho. Será mesmo que eu devo ir embora? Shaka pensou desviando o olhar do celular e encarando o céu. Não estava completamente confortável com aquela decisão, pois preferia acreditar que ainda existia uma centelha do homem que conheceu no meio de toda aquela bagunça.

Ele só precisa de uma organização mental, e Shaka era bom em arrumar coisas. Mas não sabia se era possível consertar alguém que sequer sabia que estava quebrado. Longe de ser considerado um moralista conservador, não era contra a gana sexual do ruivo. Pelo contrário, achava saudável qualquer ser humano sentir desejo e vontade de satisfazê-lo. Sentia a ironia de originar do país que criou o Kamasutra e que ao mesmo tempo, colecionava histórico de abusos sexuais.

Assim, como seu temperamento normalmente fazia com que todos achassem que ele era algum tipo de celibatário, mesmo que sua aparência despertasse os mais lascivos desejos.

O prazer fazia parte da vida, não havia problema nisso. Agora, o que estava de alguma forma deslocado do normal, era a maneira como o francês enxergava sua necessidade de satisfação e acima de tudo, os motivos pelos quais ele começou a ter uma noção de mundo tão deturpada. 

Shaka ainda conseguia lembrar do quieto e educado Camus que conheceu na faculdade. O homem gentil e até certo ponto prático com quem dividiu o quarto do alojamento estudantil e com quem desenvolveu uma sólida amizade. O ruivo nunca foi do tipo sentimental, mas era sincero consigo mesmo e tinha noções definidas de honestidade, fidelidade e amor. Durante muito tempo foram quase inseparáveis, até o dia em que Camus voltou de um encontro dizendo que estava apaixonado.

No primeiro momento, Shaka vibrou com e pelo amigo.

Depois de algumas semanas, passou a perceber os hematomas, o rosto antes tão bonito e vistoso, agora estava cansado e cheio de olheiras profundas, o cabelo sempre arrumado parecia sem vida, assim como o próprio Camus. Enrolou o amigo e conseguiu ser apresentado ao tal namorado, a antipatia foi instantânea.

Poderia ignorar o fato repugnante de ter sido cantado pelo tal Surtr praticamente na frente de Camus, mas era impossível não perceber o mal que aquele demônio fazia ao francês.

O aquariano parecia viver constantemente em estado letárgico, só reagindo ao ver o namorado. Como se fosse uma espécie de droga, que causava euforia e depois fazia a pessoa cair na pior bad trip de todas. Tudo ficou mais problemático, quando passou a existir apenas a bad trip.

Shaka sentia-se culpado por ter sido menos enfático naquele momento. Conversou a exaustão com Camus e até mesmo com o insuportável Surtr, mas nada parecia fazer efeito. Acreditava piamente que deveria ter tentado mais, mesmo que não tivesse noção do que poderia ter feito.

Na época, tinha acabado de conseguir um estágio com grandes chances de efetivação e já não possuía mais tanto tempo quanto tinha no começo da faculdade.

Mesmo assim, não conseguia tirar da cabeça que parte do homem quebrado que Camus havia se transformado era culpa sua, e por isso, ainda continuava ali, olhando para o céu ao invés de chamar o motorista pelo aplicativo. Jogou alguns fios de cabelo pra trás e passou às mãos pela franja farta. “Você precisa satisfazer seus desejos, não importa como. Essa coisa de fidelidade, monogamia, amor, tudo isso é uma criação das pessoas para castrarem a si mesmas. Veja bem… se eu quiser foder com você eu vou foder e se amanhã eu achar a bunda do teu amigo aí mais gostosa que a sua, pode apostar que é nele que vou entrar”.

Shaka sentiu um arrepio assustador ao lembrar da voz detestável que aquele homem tinha.

Acompanhou uma vez um das sessões de lavagem cerebral que ele aplicava diariamente em Camus, e mesmo que tentasse intervir, só conseguia deixar o amigo bravo, e passava a noite preocupado com o que estava acontecendo com o ruivo. Aquele relacionamento tóxico e altamente prejudicial, durou mais tempo do que qualquer pessoa julgaria possível e terminou simplesmente porque Surtr alegou estar enjoado do francês.

Semanas depois ficou sabendo que o maníaco, porque sim, aquele homem era um maníaco, aparentemente havia voltado para sua terra natal com o pretexto de resolver problemas familiares.

Shaka nunca soube de onde ele era, se tinha irmãos, ou qualquer tipo de informação pessoal. Inclusive, acreditava que o próprio Camus não soubesse de praticamente nada, uma vez que, aquela relação era ancorada em dominação e sujeição.

O indiano sabia que existiam diversas formas de se entender os termos que aplicava para definir a situação do amigo, sendo assim, adotava a significado mais humilhante para cada um deles, e dessa forma conseguia a real proporção do que se passava com o francês. No fundo, sabia que não tinha culpa pela situação do amigo, e que o ruivo era uma vítima e como tal precisava de ajuda. Só não sabia mais o que fazer para que aquele francês tarado e cabeça dura percebesse isso.

Vibrou quando conheceu Milo e soube que depois de um bom tempo, o aquariano tinha aceitado começar um relacionamento sério com alguém. Gostava do grego risonho e carinhoso que tratava o ruivo com toda a pompa e circunstância de um rei. Assumiu que aquele era o começo da rendição de Camus, que todas suas feridas seriam curadas e que ele voltaria a ser uma pessoa mentalmente saudável.

Ledo engano! O que presenciou foi a aplicação prática dos ensinamentos de Surtr e o desespero de um apaixonado Milo em tentar extrair algum tipo de reciprocidade por parte do ruivo. 

Olhou mais uma vez para o celular, sorriu ao ver a tela se iluminar e a foto do bloqueio aparecer. Destravou o aparelho e entrou no aplicativo para chamar um carro. Estava cansado, físico e psicologicamente. Mesmo assim, ainda se sentia inseguro em partir. Tinha plena consciência que Camus estaria praticamente atirando para todos os lados e certamente sairia daquele lugar com alguém. Além de ser muito bonito, uma beleza exótica e ímpar, o ruivo era bastante insistente e sedutor. A última parte, Shaka acreditava que acabava por atrair um público específico, com o passar do tempo o francês havia desenvolvido a habilidade de deixar claro apenas com o olhar o tipo de sexo ao qual estava interessado.

Logo, suas táticas de sedução não eram sutis e imprimiam toda a necessidade de sordidez e decadência que esperava daquele com quem fosse compartilhar a foda. Ah sim… Camus queria uma foda, Shaka pensou apertando os lábios e decidindo finalmente chamar um carro. Direcionou o corrida para sua casa, precisava de um banho e de uma boa noite de sono. O motorista demoraria cerca de dez minutos, tudo bem. A rua era movimentada e segura, recostou-se no muro de uma das casas que ficavam próximas ao bar e pacientemente aguardou o carro. Tentava se convencer que estava tomando a decisão correta, não era um homem indeciso e inseguro, muito pelo contrário. Mas não conseguia parar de se preocupar com o que sabia estar sendo encaminhado dentro daquele bar. 

 

Camus se muniu do sorriso mais safado e revelador que podia adornar seu belo rosto. Então quer dizer que você conhece o menino caolho, Saga? Huuum… O francês pensou ao perceber que o rapaz se deteve mais tempo do que seria comum para a entrega de um pedido.  Acompanhou o jovem se dirigir a outra mesa, na qual um loirinho com um ar confuso estava sentado. Já havia observado o jovem em questão.

Como um animal em busca de sua presa, o francês já havia computado todas as possibilidades daquela noite. Algumas pareciam mais promissoras que outras, mas jamais poderia dizer que não existiam possibilidades latentes. Estalou a língua no céu da boca ao ver o loirinho sentar na mesa de Saga.

Gabava-se de sua percepção e não era à toa. Deteve o olhar por mais tempo no jovem que pareceu envergonhado na presença do monumento com quem tentava conversar. Saga tinha esse efeito, ao menos foi o que constatou da vez em que passaram a noite juntos. Um pouco mais novo do que estou habituado, mas não menos interessante. A juventude tem suas vantagens, não tem? Aposto que ele aguentaria uma noite toda! Camus sorriu com o pensamento bebendo o último gole de sua cerveja.

Olhou mais atento para o jovem loiro e imaginou o quão excitante seria se arremeter naquele corpo jovem e de aparência firme. Não descartava a possibilidade de levar o garçom caolho junto, afinal, ele deveria ter alguma compensação por falta daquele olho, só esperava que fosse em uma parte específica do corpo.

Construiu o estimulante quadro, no qual se via colocando o loiro de quatro, enquanto era ele próprio possuído pelo garçom caolho. Os sons dos gemidos em uníssono, o cheiro de suor e sexo, e um impassível Saga que olhava tudo enquanto se masturbava e aguardava sua vez de preencher o corpo do ruivo, enquanto seria lambido e sugado pelos outros dois. Sentiu o corpo esquentar e uma leve pulsação no baixo frente, estava um calor infernal naquele lugar… Ou era sua excitação que já estava chegando ao auge.

Estreitou os olhos ao ver o loiro corar minimamente e desviar o olhar de Saga.

Perdeu o interesse!

Entendeu aquele olhar sem jeito e a timidez, o rapaz não parecia estar completamente confortável com o que estava sentindo mediante a visão do grego, então era provável que ainda não estivesse se sentindo apropriado dentro de sua própria pele. Por alguns minutos, lembrou do ano infernal que passou até conseguir aceitar seus desejos, e agradeceu mentalmente por não ter conhecido Surtr naquela época.

Espantou o pensamento quase na velocidade da luz, afinal, não estava ali para divagações, mas sim para ações. O loirinho ficaria de fora. Camus não era nenhum criminoso, e sabia que era necessário paciência e compreensão nessas horas. Sendo assim, seria muito provável que o jovem desistisse do sexo na “hora h” e ele teria que entender. Poderia ser um puto de um tarado inconsequente, mas jamais seria um criminoso nojento.

E naquela noite, mais do em qualquer outra, ele queria alguém que estivesse seguro de si. Que aceitaria ser dominado e dominante, sem ressalvas e sem pudores. Ele queria uma foda inimaginável e não dormir de conchinha enquanto afagava os cabelos de alguém. Não hoje!

 

***

 

Sorento chegou ao seu provisório local de trabalho entediado e contrariado como sempre. Essa fase independente e desfavorecida estava se estendendo por muito mais tempo do que previu a princípio. Colocou o avental e ajeitou mais uma vez a camisa bem passada e os cabelos. Cerra os dentes, o sorriso falso praticamente parte do uniforme colado em seu rosto. 

Nesse momento Thetis entra no pequeno quartinho dos funcionários. Ela fala com delicadeza, malícia e num tom ameaçador e suave. Sem dúvidas algo muito sofisticado para aquele ambiente.

- Vejo que finalmente nos deu o ar de sua graça! O Salão está tomado nessa noite. E se eu ouvir Isaak reclamando mais uma vez vou deixá-lo sem o olho que ainda tem. Quem sabe, como cão guia ele te dá alguma atenção… 

- Adequadíssima em suas colocações profissionais como sempre senhorita Gerente. 

A animosidade entre eles era mais teatral que factual. Com uma mesura exagerada ele a cumprimenta e segue rumo ao inevitável.

Bar lotado. Gente bêbada, ansiosa e tensão sexual, litros e litros de tensão sexual mal resolvida costurada por vozes exaltadas, risadas e brindes.

Mesmo entre aquela pequena multidão ele avista de longe o garçom que deveria substituir: Isaak.

Que pesadelo aquele homem! Cabelos bagunçados, roupa de adolescente, atitude rebelde. Uma adorável fonte de perda de tempo. Isaak parecia reparar em todo e qualquer ser vivente como potencial parceiro, a única exceção era Sorento.

Enervante. Estimulante.

No balcão o recém chegado checa os pedidos presos com fita adesiva e é cumprimentado por outro garçom que vem e vai apressado, era Io, sempre modelo de dedicação.

Percebe em um dos cantos, ótimo observatório para predadores, quase sorri, um gatíssimo ruivo solicitando a presença de garçom e sendo solenemente ignorado por Isaak que passava com uma bandeja pesadíssima. Caminha até ele com sua altivez natural. Com precisão analisa todo o contexto e o cliente sustenta seu olhar. É com um cuidadoso sorriso profissional, ainda que com espaço a interpretações sutis, que pronuncia:

- Boa noite senhor, em que posso ajudar? 

 

Mas esse bar está saindo melhor que a encomenda, pensou um desejoso Camus enquanto analisava brevemente o novo garçom que parecia ter assumido o turno.

Já estava ficando puto com o que passou a denominar de “menino caolho do Saga”, já que o garçom parecia propositalmente não atender seus chamados. Odiava ser rejeitado, e sinceramente não entendia como isso poderia acontecer. Sabia muito bem de seu potencial estético, e se garantia nas demais necessidades, fossem culturais ou sexuais, mesmo que usualmente só utilizasse a última com seus parceiros.

De qualquer forma, o garçom novo parecia muito mais interessado em sua pessoa, e não podia deixar de notar que o rapaz era muito apetitoso. Poderia aplicar outros adjetivos, mais sutis, mas apetitoso era o que melhor se adequava ao que pretendia fazer com o jovem. 

 

- Acredito que em muitas coisas… - Deu um sorriso sugestivo e se recostou na cadeira, deixando-se analisar pelo garçom - Mas por hora, gostaria de saber o que aquele homem está bebendo? - Fez um gesto com a cabeça indicando a mesa na qual Kanon sorria levemente para Hyoga. 

 

Sorento acompanhou o sorriso, sabia muito bem o que aquele ruivo com pinta de modelo queria, e não via problema nenhum em fazer parte daquele jogo. Olhou para a direção na qual o cliente apontou e sorriu de lado. 

- Olhando daqui, acredito que seja uma taça de conhaque…

- Hum… e você poderia levar outra taça até a mesa com os meus cumprimentos? 

- Claro. Levo no nome de? - Aguardou o cliente se identificar. 

- Camus… e você seria? - Sorriu apoiando o queixo nas mãos. 

- Sorento.

- Muito… prazer, Sorento. - Camus fez uma pausa proposital, deixando no ar uma gama possibilidades, que ambos sabiam que poderia ser aproveitada. 

 

O garçom apenas sorriu e se dirigiu ao bar. Camus avaliou a silhueta do jovem que parecia mais arrumado do que aquele lugar pedia e anotou mentalmente o quão bem feito aquele traseiro ficava naquela calça de tecido leve. Aguardou com certa ansiedade a bebida chegar até a mesa de Saga, mesmo que já tivesse percebido um novo parceiro em potencial. 

Sorento trocou olhares com Isaac enquanto se dirigia ao bar e teve a impressão de ter visto uma certa preocupação… Além de algo mais que não sabia precisar na face do outro. Era sempre assim. Isaac lhe dirigia o olhar mais significativo, sem no entanto concatená-lo com suas palavras. Se porventura se deixasse levar por tudo que aquele único olho verde transmitia já estaria há muito tempo liquidado, portanto, acabava por aceitar o que saia daquela boca maldosa e não daquele olhar.

Voltou do bar com o copo de conhaque e se dirigiu a mesa indicada, atento ao olhar do ruivo bonitão e ao do próprio Isaac que agora, parecia acompanhar seu trajeto com mais interesse que o usual. 

- Com licença, senhor. - Falou no tom mais formal e até certo ponto charmoso que podia transmitir dentro daquela situação, em seguida colocando o copo na mesa. - Cortesia do Camus, o cavaleiro ruivo sentado naquela mesa. Imagino que já deva saber quem é. 

 

Kanon suspirou contrariado e balançou a cabeça positivamente.

Olhou na direção de Camus e levantou o copo de bebida como se agradecesse, contudo, não bebeu o que lhe foi ofertado.

Hyoga pareceu um pouco confuso, olhando do novo garçom, que acabou percebendo ser muito bonito, para Kanon e depois para o ruivo assustadoramente descarado que não parava de olhar a todos como se fossem peças de carne em um açougue. Era nítido que o ruivo esperava alguma coisa que não apenas um aceno de cabeça. Seu olhar transparecia toda a decepção e acima de tudo a indignação com aquele aceno cordial e insignificante.

Kanon por sua vez, se limitou a retornar a conversa com Hyoga, ignorando a fúria no olhar do francês e a sensação de ser congelado vivo que aqueles olhos de cor indefinida transmitiam. Pegou-se imaginando que ser preso em um esquife de gelo deveria ser menos mortal que aguentar aquele olhar.  Ele que se foda! Pensou contrariado e fazendo o possível para desconsiderar aquele homem.

Sorento pediu licença e se afastou daquela mesa atendendo aos demais pedidos que acabaram surgindo. Trocou um último olhar com Isaac, e teve a certeza que alguma coisa estava acontecendo.

O clima no bar estava diferente do usual, alguma coisa tão pesada pairava na atmosfera, que acreditava ser possível tocar no ar e retirar dali os pequenos retalhos que formariam a colcha daquela história. Acreditava que até o cheiro do lugar estava diferente, óbvio que podia ser só sua imaginação, mas talvez e só talvez, a batalha silenciosa que se desenrolava ali fosse responsável pelos odores que julgava ser possível sentir. Para o faro humano devia ser improvável sentir o cheiro de medo e desejo, mas Sorento tinha plena certeza que era a isso que o lugar exalava. Como se o bar tivesse virado uma selva e uma luta entre predadores em busca da dominação do mais forte estivesse ocorrendo. Welcome to the jungle, pensou sorrindo discretamente e ajeitando mais uma vez a roupa.

Não gostava daquele trabalho, mas naquela noite, estava curioso para saber quem ganharia a batalha e acima de tudo, se poderia tirar algum espólio dali. 

 

Mas o que diabos esse filha da puta desgraçado está esperando para vir aqui? Camus pensou mantendo a face inabalável, mas transmitindo em seu olhar toda a irritação e frustração que a ausência de atitude do outro estava proporcionando. Já estava cansado daquele joguinho e de ficar marinando aguardando algum sinal de aproximação.

Tudo que a postura e os olhares de Saga transmitiam era o avesso do que o ruivo pretendia. Tinha sido divertido nos primeiros minutos, quase como a dança de um felino antes de atacar uma de suas pequenas presas, e assim como um felino, já estava cansado daquela brincadeira e queria partir para a vias de fato. Não era possível que Saga não estivesse lembrando dele!

Sabia que a noite havia sido memorável para os dois, além disso, tinha ciência que não era portador de uma beleza trivial, logo, se não fosse pelo sexo digno de aplausos que proporcionou ao outro, ao menos de sua aparência ele deveria lembrar.

Era um fato que o grego não parecia estar interessado no garoto loiro, esse inclusive, parecia mais entretido em tentar disfarçar seus olhares do que com alguma outra coisa. Talvez o garoto caolho fosse o culpado. Não! O Saga que conheceu não iria limitar seus movimentos por conta de um reles moleque gostoso, de forma alguma! Além disso, sempre poderiam levar o garoto com eles, não se fazia de rogado com relação a isso.

Estava até curioso para saber a história daquela cicatriz e para verificar sua teoria de compensação. Sendo assim, alguma coisa estava fora do lugar. Será que faz parte de mais um joguinho dele? Não era uma suposição impossível, afinal, poderia ter passado apenas uma noite com aquele homem, mas brincaram o suficiente um com outro para o ruivo supor que tudo não passava de mais uma artimanha de Saga.

O motivo já não importava mais!

Decidiu que já estava na hora de dar o xeque naquele jogo e empurrou a cadeira para trás começando a se levantar. Por mais que fosse possível construir uma ponte com a quantidade de garrafas que se avolumavam na mesa do francês, ele ainda se mantinha sóbrio o suficiente para se levantar sem cambalear e demonstrar alguma dignidade em seus movimentos.

Percebeu que o menino loiro arregalou os olhos, captando sua movimentação e acabou perdendo o cenho franzido de Isaac e o sorriso de escárnio de Sorento.

A única coisa que conseguiu notar, além do garoto loiro, simplesmente porque teve vontade de gargalhar da cara dele, foi o olhar que Saga lançou em direção a porta do bar.

Não pôde deixar de acompanhar aquele movimento, pois ele foi seguido do sorriso mais deslumbrante e sincero que já julgou ter visto na face de alguém.

Deteve seus movimentos e acompanhou aquele olhar, estava curioso com o que ou quem poderia ter causado aquele sorriso, e ao mirar a entrada sentiu como se uma mão invisível pressiona-se seus ombros deixando-se cair novamente na cadeira.

Sentiu os nós dos dedos doerem ao perceber que apertava o assento, e se encolhia como se fosse possível fundir-se à madeira e desaparecer mediante a camuflagem. Mas que diabos está acontecendo aqui? Pensou nervoso, enquanto percebia a boca seca e a ausência de saliva, por mais que fizesse movimentos constantes para engolir.

Começou a cogitar que talvez tivesse sido melhor ter ido embora com Shaka. 

 

 

 

Continua...


Notas Finais


Camus estava mirando no Saga e quem estava no bar era Kanon.

Nesse bar estão todos no cio?

Em tempo: Hyoga estava bebendo soda italiana...


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