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História Essência da Verdade - Capítulo 33


Escrita por: e MorganaLFay


Capítulo 33 - Tudo por mim mesmo


Fanfic / Fanfiction Essência da Verdade - Capítulo 33 - Tudo por mim mesmo

 

Era bem provável que sua desenvoltura na noite do domingo se devesse a descarga de adrenalina que todo aquele contexto absurdo disparou em seu organismo. 

Desde sua conversa decisiva com Hyoga, ou até antes, ele vinha se perguntando sobre sua sexualidade. Havia revisitado em sua mente todos os atos do que compartilhou com o loiro. 

Não existia um só motivo para negar como tinha sido bom, como lamentava ter estragado tudo. Ardia em sua garganta um grito que não se julgava merecedor de libertar. 

Então, ao ver aquele homem tão instigante e de beleza ímpar não pode evitar. 

Deveria ser mesmo um completo sem noção para ter esse tipo de pensamento enquanto o outro estava machucado por seu descuido. Talvez, fosse coisa pior. Todavia, agora, dois dias depois se via ligeiramente constrangido em encontrar com aquele homem, Camus, para entregar o celular que comprou como forma de ressarcir o que havia se danificado por sua culpa. 

Quando o outro homem respondeu sua mensagem comunicando que estava no Parque Central com um amigo, sentiu um misto de alívio e desconforto. 

Realmente não sabia como se portar com um flerte em geral, com outro homem então? 

Não que fosse inexperiente. Mas, teve a sério apenas uma namorada por muitos anos. 

Talvez nem todos os relacionamentos da adolescência tivessem a capacidade de se reinventar para continuar na idade adulta. A verdade, é que Esmeralda tinha outras ambições, ela queria viajar, se engajar em questões de ativismo pelo meio ambiente. Com o tempo acabaram se tornando apenas amigos e assim, quando surgiu para ela essa oportunidade eles fatalmente romperam. 

Ikki sofreu por meses. De certa forma era o fim de uma era em sua vida. 

Depois de Esmeralda, apenas emendou noitadas e casinhos sem futuro. 

Até que conheceu Pandora. Uma mulher que realmente o interessou, com quem conseguiu se sentir disposto a desbravar aspectos que nunca antes tinham lhe passado pela cabeça. Frequentavam a mesma academia. Se cruzaram algumas vezes e era evidente o interesse mútuo. Até que ela contou que tinha um namorado. Ikki desanimou no mesmo instante. 

Entretanto, o que é e não é o destino? 

Bom, culpar o destino não fazia parte de sua personalidade. A maneira como ela era direta, deixando claro que gostaria que ele dormisse com ela e que seu namorado acompanharia… Primeiro o chocou, posteriormente entendeu que ela manipulou a ambos para conseguir realizar seus desejos. Não havia como negar, porém, que uma conjunção de eventos facilitou para que acabasse na impressionante cobertura da família de Pandora com ela e o tal namorado, Hyoga, onde a fantasia sexual da mulher se realizou. 

E... Onde o começo do fim do mundo, que acreditava ter na palma de suas mãos, disparou, teve início. Ela queria fazer sexo com ambos e não como disse a eles em separado que o terceiro apenas assistiria. O que não foi previsto por nenhum deles foi o envolvimento que desabrocharia entre todos, de certa forma, após essa noite lasciva. 

Apertou a junção dos olhos cansado. Não queria voltar a essas memórias. Estava feito, acabado. De qualquer forma caminhava agora pelo parque, procurando a área indicada por Camus para finalmente entregar-lhe o aparelho novo e livrar um pouco do peso que lhe curvava a consciência. De tudo isso a melhor parte havia sido finalmente poder ser mais honesto com Shun e se sentir acolhido pelo irmão. Ao menos um deles havia dado certo. Avistou de longe os cabelos de cor inconfundível de Camus e quando estava a ponto de dizer algo para chamá-lo uma outra presença chamou sua atenção.   


 

***


 

Não podia negar a sensação de divertimento que o acometia ao constatar que estava realmente firmando uma amizade com o anteriormente ruivo psicopata. 

Desde o primeiro momento, duas coisas o haviam chamado a atenção na figura do francês, porque sim, agora sabia que tinha acertado o sotaque que havia captado na famigerada noite de fuga. A primeira delas era notória a qualquer ser humano dotado de visão e a segunda era a capacidade que aquele homem tinha de expressar toda sua bagunça interna através do olhar. Foi assim que entendeu a situação que se desenrolava no Imperador e era assim que havia compreendido que naquele momento, mais do que em qualquer outro, ele precisava de companhia. Assim que voltou para a mesa com as duas garrafas de água, deparou-se com o rosto sério que não parecia estar abalado, mas notou uma certa apreensão na maneira como ele fitava o celular. Sorriu minimamente ao notar que suas próprias atitudes diferenciavam das que tivera em outro momento para com aquele homem. 

Queria mesmo de alguma forma ajudá-lo e continuar a ver os sorrisos sinceros, afinal, ele própria já tinha se valido da ajuda de outra pessoa em um momento de necessidade. E quem sabe, se não fosse a companhia de Shun e até mesmo de Ikki, talvez, tivesse seguido por um caminho mais tortuoso. Não se imaginava criando ao seu redor o mesmo tipo de teia nociva da qual o ruivo tentava se libertar. Contudo, tinha plena consciência que existia mais de um tipo de veneno e qualquer um poderia acabar se deixando levar. De todo modo, abriu umas das garrafas de água colocando-a na frente de Camus, em seguida abriu a sua. 

A atenção do ruivo foi captada ao notar a bebida e ele suspirou, finalmente desfazendo o rosto sério, fitando Sorento em um misto de ansiedade e apreensão. 

Por mais que Ikki tivesse deixado claro que voltaria a procurá-lo para ressarcir o celular danificado, não esperava que ele agisse tão rapidamente. 

Uma parte de si agradava-se sobremaneira com a possibilidade de rever o rapaz, porém, outra parte o recriminava fortemente e gritava em sua mente que qualquer atitude que ultrapassasse a simples entrega do aparelho acarretaria uma queda vertiginosa, um retrocesso de tudo que tinha conseguido até então. 

No fundo, não tinha a mesma segurança que Sorento parecia ter ao afirmar que não havia problema em se envolver momentaneamente. A bem da verdade, sequer sabia se queria isso, só não conseguia ignorar o fato de Ikki ser ridiculamente atraente. 

Bebeu quase metade da garrafa de água em um único gole e mais uma vez despejou sua angústia, acompanhando o rosto sereno do aparentemente novo amigo e o sorriso mínimo que ele deu ao sugerir que respondesse a mensagem indicando o local no qual estavam e afirmando que esperaria com ele pela chegada do “tal atropelador”. 

Não sabia dizer ao certo o motivo, mas a possibilidade de efetuar aquele encontro com uma companhia a mais, o deixava mais tranquilo. Ikki indicou que chegaria em no máximo trinta minutos e já havia perdido a noção do tempo em meio a assuntos mais amenos, quando captou um leve tom de seriedade na voz do garçom.

- Uma coisa você nunca me contou. – Sorento falou terminando de beber a garrafa de água.

- Acho que não te contei muita coisa... – Camus riu. – A qual especificamente você se refere?

- O livro que comprou comigo. Nunca soube se o presente satisfez ou não.

- Sinceramente não sei. – O tom de voz melancólico era nítido. – Alguns contratempos aconteceram no meio do caminho e não pude confirmar a real opinião dele sobre.

- Entendo. Me agradaria saber se...

O flautista parou de falar ao notar o olhar de Camus sobre seus ombros. Virou a cabeça na direção em que ele olhava, não pôde deixar de levantar uma das sobrancelhas e não conteve o leve erguer de lábios que se desenhou em seu rosto ao avistar um de seus senhorios caminhando na direção de ambos com uma face interrogativa.  

Aparentemente essa cidade é mesmo uma rua. Ou algum ser superior definitivamente é partidário da ironia, pensou assim que Ikki parou próximo aos dois.

- Como vai Ikki? – Sorento cumprimentou sentindo o olhar de Camus sobre si.

- O que você está fazendo aqui? – Ikki perguntou no tom autoritário de sempre.

- A pergunta vai soar idiota, mas vocês se conhecem? – Camus questionou olhando de uma para o outro.

- Sim. Ele e o irmão são meus senhorios. – O garçom respondeu contendo o riso, mas não o olhar divertido. 

- Mundo pequeno… - O ruivo falou nitidamente sem jeito. 

Era palpável o desconforto que havia se abatido sobre os dois homens anteriormente envolvidos no acidente, e por mais que contivesse a vontade de gargalhar mediante a situação, o terceiro elemento daquela piada sem graça, não se furtava de olhar os dois com nítido interesse. 

- Não quer se sentar um pouco? - Camus questionou apontando a cadeira ao lado de Sorento.

- Estou em horário de almoço. Só queria mesmo te entregar o telefone novo e mais uma vez pedir desculpas. - Estendeu uma sacola ao francês. 

- Ah… - O desânimo na voz do ruivo foi sútil, mas não passou despercebido. - Realmente não precisava. - Pegou a sacola. - Meu celular ainda funciona. 

- Era o mínimo que eu poderia fazer… E eu também queria saber se você está mesmo bem. - Passou uma das mãos pela nuca, fechando o rosto em seguida ao perceber Sorento apertando os lábios em uma risada contida. - De onde vocês se conhecem?

- Basicamente eu fico salvando ele… - O garçom falou em um tom divertido trocando um olhar cúmplice com Camus. 

- Então, vocês? - Ikki apontou de um para o outro. 

- Nós somos amigos. - Camus complementou sorrindo em seguida.  

Aos poucos Sorento estava se acostumando com aqueles sorrisos, mas mesmo assim ainda se surpreendia com o quão belo eles podiam ser e com o efeito que causavam.  Ao que tudo indicava, Ikki ainda não tinha sido arrebatado por um deles, levando em conta a respiração suspensa e os lábios levemente abertos em sinal de assombro. Pigarreou desviando o olhar e soltando o ar aos poucos. Ok, aparentemente não era só Hyoga que conseguia o deixar sem palavras.

- Tem certeza que não pode sentar um pouco? - O flautista perguntou ao notar a reação do japonês. 

- No momento não, mas… - Olhou para Camus. - Estou desocupado depois do trabalho. 

O sorriso do ruivo se alargou e Ikki correspondeu. Foi a vez de Camus se surpreender.

- Preciso voltar agora… - Conferiu o relógio de pulso. - Te mando mensagem mais tarde e marcamos algo. Tudo bem? 

Camus ponderou sobre aquilo, até o momento estava com receio de encontrar aquele homem sozinho, e agora iria dar o seu aval para que ele lhe procurasse novamente? O fato de Ikki ser conhecido de Sorento, de alguma forma o deixava mais tranquilo. Não sabia identificar ao certo aquele sentimento, era como se a recém descoberta ao mesmo tempo em que era constrangedora, também trazia certo sossego. Olhou para o garçom e o viu balançar discretamente a cabeça de forma afirmativa. 

- Claro… - Respondeu com toda segurança que conseguiu juntar.

- Ótimo. Preciso ir. Até mais Camus. - Apertou levemente o ombro bom dele. - Sorento. - Olhou para o flautista que acenou com a cabeça. 

Ambos acompanharam a silhueta do japonês se distanciando, até que o perderam de vista. 

- Quer dizer que você foi atropelado pelo Ikki. - Sorento comentou rindo. - Ainda não acredito nisso! Agora entendo essa sua apreensão. 

- Como assim? 

- Não sou cego Camus, além disso, moro na mesma casa que ele. Consigo imaginar perfeitamente o seu esforço. 

O ruivo suspirou. 

- Gostoso demais. - Enfatizou as palavras fazendo Sorento rir com mais vontade. 

- Sim, muito. - Mordeu o lábio inferior pensativo - Mas, uma coisa me intriga. Achei que Ikki fosse hétero. Inclusive, lembro nitidamente de considerar isso uma lástima. 

- Não acho que seja o caso… - Colocou uma das mãos no queixo. - Ou talvez seja uma descoberta recente. 

- É uma suposição plausível. O interesse é inconfundível. De todo modo, acho que em breve você saberá. - Sorriu dando uma piscadela em seguida. 

- E é esse meu receio. 

- Fique tranquilo. Caso não tenha percebido, isso tudo já passou da etapa de ser uma caçada. Você está indo bem, Camus. 

Trocaram mais uma vez olhares, compartilhando uma cumplicidade recém descoberta. Sem que percebessem findaram aquela tarde juntos, tendo agora em comum a pauta que versava sobre um certo japonês ridiculamente gostoso. Despediram-se ao anoitecer constatando que o dia havia sido mais divertido do que julgavam ser possível. Camus acompanhou Sorento até o metrô e assim que ele desceu as escadas, pegou o celular e verificou que tinha uma mensagem de Ikki.

Sorriu internamente ao ouvir a voz do flautista em sua mente: “Você está indo bem, Camus.” Sim, ele estava. Aos poucos, começava a entender o que realmente significava estar bem. 

 

 

***


 

Hyoga aguardava, sentado em uma mureta, por Isaak. Eles haviam combinado de sair um pouco mais cedo da faculdade e passar no barbeiro. Ele acreditava que essa era uma maneira simbólica de animar o amigo e quem sabe marcar um momento de ruptura e recomeço. 

Se lembrava da Mãe dizendo esse tipo de coisa, ainda hoje fazia sentido. Era vaidoso e queria aparar seus cabelos também. Pegou o celular e lá constava uma mensagem de Milo: Bom dia! Já estou com saudades. 

Seus olhos brilharam e mordeu o lábio inferior pensando no grego. Quase não podia acreditar que estivesse mesmo sendo correspondido. O fantasma da insegurança gosta de assombrar. Respondeu rapidamente a mensagem: Bom dia moço bonito, também estou com saudades. Tudo certo por aí?

Guardou o celular no bolso da calça jeans, Isaak chegava nesse momento, eles se cumprimentaram com o abraço de sempre. Hyoga reparou no quanto os cabelos de Isaak haviam crescido, só as pontas permaneciam verdinhas e apesar de ter perdido um pouco do corte, a parte da nuca estava bem longa para baixo dos ombros, mas como os cabelos dele eram fininhos ficava até charmoso. 

Percebeu as olheiras profundas no rosto do amigo, preferiu porém não comentar. Mesmo sabendo da indecisão de Isaak e imaginando que a probabilidade era grande de que ele realmente não retribuísse as intenções de Kanon, era notável que a companhia do grego fazia bem a ele. Não haveria como ser diferente. O pouco que conviveu com Kanon mostrou que assim como Milo, o biólogo era uma pessoa de boa índole, constância e atitudes calorosas. Todas qualidades valoradas por Hyoga. Por outro lado, entendia que as vezes ser um bom partido não significa ser correspondido na mesma medida. Mesmo fazendo todo sentido, as vezes apenas não era para acontecer.

Não era fácil, mas, o ideal era que ambos pudessem ficar bem, juntos ou não. 

Eles caminharam por alguns minutos até a barbearia, era um estabelecimento tradicional do bairro operário. Não existia agendar horário, o corte era feito sempre na ordem de chegada, por sorte quando chegaram apenas um cliente estava sendo atendido por um senhor mais velho com cara de poucos amigos. Um rapaz porém, também barbeiro e claramente mais envolvido com questões de moda e estilo os atendeu super bem e escutou o que cada um deles pretendia fazer.

Seu nome é Fenrir e ele exibia uma cabeleira prateada muito bem cuidada. Ele fez sugestões para ambos e Hyoga acabou aparando os fios de forma desconstruída e desfiada, os cabelos formando uma moldura mais leve para seu rosto e mal chegando aos ombros. Isaak fez um corte bem diferente, raspando a maior parte da cabeça de forma decrescente e mantendo uma franja lateral sobre o lado esquerdo do rosto. Assim toda tinta verde foi embora, deixando a cor natural, um tom escuro e acinzentado de loiro a mostra. Os dois gostaram bastante do resultado final. 

Almoçaram juntos e cada um seguiu seu rumo. Hyoga para o trabalho e Isaak de volta para a faculdade, tinha uma reunião com um professor. 

Era o meio da semana e além do novo corte de cabelo ele havia decidido tomar outros rumos com relação aos seus estudos. Ter se mantido quieto por esses dias havia rendido algumas reflexões afinal… Crescer não era fácil, mas para ele não existia mais outra possibilidade. Sentiu alguma tranquilidade, finalmente. 

 

 

***


 

Os cabelos presos em um rabo de cavalo alto estavam empapados de suor. A expressão fechada enquanto executava a… Havia perdido a conta, depois de diversos abdominais passou as flexões de braço. Pela quantidade de suor que polvilham seu dorso nu devia estar há bastante tempo nisso. Sentiu o fremir dos músculos quando parou. Deixou seu corpo tombar no chão gelado. O bocejo desinteressado de Deusa o fez sorrir. 

Com metade de seu rosto apoiado no chão se permitiu pensar sobre os últimos acontecimentos. Tinha certeza absoluta e reconhecia a importância de sua decisão no que dizia respeito a Isaak, mas a sensação de derrota não o deixava.  

Era a noite de quarta-feira e seu trabalho estava acumulando, no dia anterior não conseguiu terminar nenhuma das leituras e menos ainda fichar os textos que precisava para enviar para seu orientador na Universidade. 

Como havia bastante coisa adiantada ainda não poderia se considerar atrasado, mas em breve isso aconteceria. 

Tinha louça acumulando na pia e uma caixa de pizza vazia junto de algumas garrafas de cerveja na mesinha da sala. Precisava de um banho urgente. E quem sabe fazer a barba. Tocou o próprio queixo sentindo que começava a despontar uns pelos, estava com preguiça de fazer isso. Fechou os olhos contrariado e emitiu um som de desgosto quando ouviu o interfone tocando. Só podia ser engano. Tentou ignorar, sem sucesso.

Se ergueu e atendeu. Para sua surpresa era para ele mesmo a visita.

No mesmo momento se lembrou da reunião que perdeu na noite anterior. Avisou que estava descendo e foi checar o celular. Sem bateria. Ótimo, pensou, mordendo os lábios, era tudo que eu precisava. Colocou o aparelho para carregar.

Desceu rapidamente e como previa estava no portão um distinto Julian exalando nobreza e requinte. Contraste perfeito a sua figura alquebrada. 

- Julian… - disse em um arremedo de sorriso - Entra.

- Kanon, que raios aconteceu com você? Não deu as caras na reunião da festa do Aiolos, não avisou nada para ninguém, só desapareceu! Não atende o celular mais? 

Kanon não respondeu nada, subiu as escadas com Julian pouco atrás. As bochechas do visitante coraram ao reparar que o corpo do amigo estava coberto apenas por um short larguinho, enquanto Kanon subia na sua frente ele pode reparar nos ombros largos, o corpo compacto e no traseiro firme e destacado naquele traje sumário.

Arregala os olhos secando aquele corpo impressionante, antes de desviar o olhar. Calou-se. Já na casa de Kanon aguardou alguma posição do amigo. 

- Meu celular descarregou. Acabei me enrolando aqui...

Julian olhou em volta e contabilizou a bagunça na mesa de centro. Ergueu uma sobrancelha. 

- Não vai me oferecer nem um copo de água, meu amigo?

- Claro, só um momento...

Seguiu o anfitrião até a cozinha e observou a pia acumulando alguns copos, pratos e xícaras sujos. Kanon pegou uma garrafa de água na geladeira e um copo no armário. E então pela primeira vez encarou o amigo. 

Julian leu naquele olhar uma tristeza que não identificava há muito tempo. Abriu a boca e não disse nada. Kanon depositou a garrafa e o copo na mesa. Abaixou a cabeça. Pelo tempo que conhecia o dono do Imperador deveria ter previsto que não conseguiria esconder nada dele.

Julian se aproximou e tocou seu cotovelo. Falou com suavidade buscando o olhar do outro.

- Kan… O que houve? - estava preocupado e a aura costumeira de enfado foi completamente dissolvida. 

- Você vai rir de mim Julian, eu sou um idiota. Terminei com o garçom e provavelmente quem está sofrendo mais sou eu e não ele. 

- Ãhn… Kanon, você realmente gosta desse garoto?

- Era bom, boa parte do tempo foi bom, mas não estou apaixonado se é o que quer saber, ainda não, eu só… Eu não queria deixar as coisas crescerem ainda mais. Estava na cara que não funcionaria… Estou cansado de tudo sempre dar errado! Preciso aceitar que tenho que ficar sozinho. Será que nunca mais eu...

Fez menção de passar e Julian parou a sua frente. O encarou intensamente.

- Não diga isso. Definitivamente não é o caso. Vai tomar um banho. Vou arrumar as coisas aqui e vamos sair para jantar.

- Não sei se tenho pique…

- Sem discussão, vai se arrumar. Vamos dar uma volta. E conversamos melhor se você quiser. 

Kanon sorriu francamente para o amigo. Realmente Julian era uma de suas relações mais sólidas. No fundo só podia contar mesmo com sua família e amigos.

- Obrigado Julian, já volto. 

Julian respirou fundo e se encostou na parede pensativo. Mordeu os lábios e viu a gatinha passando para comer em seu pratinho. Escutou o barulho do chuveiro e se aproximou da pia.

- Por acaso você sabe me dizer o que eu faço com esse seu humano, Deusa?

A gata deu um miado longo e Julian sorriu para ela. Olhou para a louça e dobrou a manga da camisa. Lavou rapidamente o que estava lá e deixou no escorredor. Secou as mãos em um pano de pratos e foi até a sala recolher a caixa de pizza e as garrafas. Deixou as garrafas sobre a pia e jogou a caixa no lixo. Foi até o lavabo lavar as mãos e sentiu o cheiro de sabonete e shampoo que vinham do quarto de Kanon. Olhou seu reflexo no espelho e passou as mãos pelos cabelos ajeitando-os atrás das orelhas.

- Se controle. - ordenou baixinho para si mesmo. 

Foi para a sala e sentou-se no sofá para aguardar o amigo. Logo Deusa voltou para a sala, subiu na mesinha de centro e ficou como uma esfinge o encarando. Ela quase fechava seus enormes olhos amarelos, só para abri-los lentamente. Julian ficou acompanhando aqueles movimentos encantado. Alguns minutos passaram e logo Kanon chegou na sala. Ficou alguns instantes observando aquela conversa silenciosa. Não pode deixar de sorrir pensando que apesar da inclinação de Deusa ser a de gostar de praticamente todas as pessoas, ele nunca havia visto ela tanto tempo fazendo aquele charminho para outra pessoa que não ele. 

Demorou seu olhar em Julian. Nesse momento o amigo o encarou e pareceu mimetizar a expressão da felina, quase fechando os olhos e os abrindo novamente. Kanon sorriu e o amigo devolveu o gesto. 

- Vamos? - Julian convidou já se levantando. 

- Vamos. Que tal japonesa?

- Perfeito! Algum lugar de preferência, ou te levo no melhor da cidade?

- Você decide o lugar…

- Ótima escolha! Confia que eu sei o que faço, você vai gostar.

- Eu confio em você Julian.

O sorriso do dono do Imperador se alargou. E Kanon não pode evitar de também sorrir. Eles saíram em um clima de camaradagem apagando as luzes. 

Na sala, Deusa ronronou contente lambendo suas patinhas. 


 

 

Continua... 


Notas Finais


Olá, como estão? Desejamos que bem. Por aqui seguimos com as preocupações e cobranças do mundo real.
Já na ficção, as coisas vão se encadeando para a animada festinha de Despedida de Solteiro de Aiolos, seu Casamento e... O fim. Sim, já temos uma previsão para esse momento.
Que frio na barriga!

Como sempre obrigada pela companhia. Até breve! <3


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