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História Essência da Verdade - Capítulo 41


Escrita por: e MorganaLFay


Capítulo 41 - Então você engole outra dose


Fanfic / Fanfiction Essência da Verdade - Capítulo 41 - Então você engole outra dose

 

Acreditou caminhar altivo pelo salão, em uma das mesas um copo baixo contando com pelo menos 3 dedos de líquido ambarino. Em um impulso recolheu o copo e o virou boca a dentro depositando-o vazio na próxima mesa. Sentiu o calor arranhando sua garganta e no mesmo instante pareceu ter acordado. Avistou mais um copo quase cheio displicentemente abandonado na mesma mesa e este teve o mesmo destino do primeiro. Olhou para o salão e ninguém parecia ter notado sua travessura, tateou as paredes do corredor propositalmente pouco iluminado e encontrou o banheiro masculino, abriu uma fresta e escutou vozes lá dentro. Uma nova ideia genial lhe ocorreu e percebeu pouco a frente a porta do banheiro feminino. Em uma festa como aquela o banheiro das mulheres estaria com certeza vazio. Abriu a porta e sorriu orgulhoso com sua atitude. Acendeu as luzes e observou seu reflexo no espelho. Estava ainda um pouco vermelho. 

— Que folgado aquele Afrodite — disse para seu reflexo no espelho que obviamente concordou. —  Sou o irmão da Noiva e ele… Ele nem é parente de ninguém! 

Jogou um pouco de água no rosto e sentiu a cabeça pesar. Apoiou as duas mãos sobre a fria e escura superfície da pia evitando se encarar no grande espelho à sua frente. Alcançou algumas toalhas de papel para secar o rosto e depois as jogou no cesto de lixo. 

Decididamente precisava se sentar. Talvez o segundo drink não tenha caído muito bem, era um tanto doce. Fez uma careta de desgosto para o espelho, abriu a torneira e pegou um pouco de água que bochechou em sua boca. Cuspiu. Sentiu o cômodo se inclinando alguns graus. Observou o aquela mudança e notou que o banheiro estava impecavelmente limpo. Analisou suas possibilidades. Podia se sentar no banco que ficava ao lado oposto dos espelho ou sobre a tampa de um dos vasos. 

Seiya olhou novamente para seu reflexo como se aguardasse concordância e decidiu por sentar em um dos vasos, não por estarem mais perto, claro, apenas pela comodidade. No meio do caminho sentiu vontade de urinar e decidiu o fazer sentado. Fechou a porta do reservado. O assento era bastante confortável. Abriu suas calças e dedicou-se a aliviar a bexiga. Finalizou suas necessidades, se organizou com as roupas e deu descarga. Sentiu um pouco de tontura e aproveitou que a tampa estava fechada para sentar-se só um minutinho. Então ouviu o som de alguma confusão. Instintivamente abraçou os joelhos sobre o vaso e aguçou os ouvidos. 

Conseguia ouvir as vozes que pareciam alteradas, mas não pelo álcool. Ao contrário do seu primeiro palpite aquelas pessoas não estavam brigando. Estavam se agarrando bem ali no banheiro! Tapou com a mão sua boca para evitar a risada que o denunciaria. Por algum motivo estava achando muita graça da situação. 

 

Dentro do banheiro uma batalha de dominância se iniciava. Nenhum deles poderia culpar o álcool. Era uma loucura completamente fora da curva para ambos. 

Dégel era um homem ponderado. Confiante e de certa forma até austero. Não costumava se perder em arroubos apaixonados. Especialmente com heterossexuais curiosos. 

Acontece que essa era a terceira vez que encontrava com Kardia. Na primeira um esbarrão. Que lhe fez olhar atento para o homem que parecia de alguma forma conhecido. Percebeu tarde demais que havia encarado o loiro de forma bastante aberta. Nessa noite entendeu que na realidade ele se parecia bastante com o simpático irmão mais novo, Milo, esse sim com o qual já havia cruzado em alguns eventos da escola. Aiolos sempre convidava seus familiares e vez por outra Aiolia aparecia acompanhado de Milo e as vezes de um dos gêmeos, não sabia dizer quem era quem. 

Então no dia do esbarrão na cafeteria de sua livraria preferida Kardia o olhou com curiosidade, em retorno ao seu próprio olhar. Talvez um magnetismo tenha quase despontado, desculpando-se Dégel deixou o local rapidamente. Estava quase se atrasando para uma reunião na Escola. Semanas se passaram antes que se vissem novamente, mais uma vez por acaso. 

O segundo encontro havia sido no Parque Central, local escolhido por Dégel para ler em uma manhã de sol e onde Kardia estava correndo, mesmo não sendo um hábito seu, já que preferia correr em locais menos movimentados. Naquela manhã, no entanto, obedeceu o ímpeto de ir para o parque e não podia estar mais satisfeito por ter seguido sua intuição e naquele dia Kardia havia puxado assunto. Conversaram por alguns minutos, antes que Dégel determinasse o fim do encontro. Aproveitou a companhia. O olhar caloroso, a aura passional. Uma cantada barata sobre destino, a qual respondeu que se houvesse um terceiro encontro aí sim ele poderia considerar como obra do destino. E lá estavam. 

Seu coração falhou uma batida quando viu aquele homem na festa de Aiolos. 

Não precisou de muito para entender de quem se tratava. Quando foi apresentado reconheceu o nome na hora. O amigo professor sempre falava de seus familiares. 

Aiolos já havia citado inclusive que Kardia e Saga, um dos gêmeos, tinham uma firma de advocacia e que ambos estavam preparando alguma surpresa para sua despedida de solteiro. 

O Diretor da Escola não sabia ainda do que se tratava, surpresa alguma superaria, ao menos para ele, a entrega daquele homem. 

Kardia o seguiu até a entrada do banheiro e o puxou para o banheiro feminino, olhou em volta e conferiu que estava vazio. 

— Está bom de destino para você? —  Se aproximou e sorriu como um predador — É a terceira vez. 

— Talvez. Certamente é. Devo presumir que você atribui algo místico a isso?

— Os Deuses sabem o que fazem caro Diretor. Existe a vontade Deles e ainda o nosso livre arbítrio. Eu, sei muito bem o que desejo agora. 

— É a festa de seu primo, Advogado. Não pega bem ficar cerceando a liberdade de outros convidados ou puxando-os para o banheiro feminino em uma festa onde todos os convidados são homens… 

— Pode ser nossa festa também —  falou olhando fixamente para a boca de Dégel — Pega bem sim. Garanto a qualidade da pegada.

 — Aiolos é um dos meus melhores amigos, se você não pensa nas implicações de seu momento de curiosidade — foi interrompido por Kardia que se afastou um passo claramente ofendido

— Como assim? Acaso acha que isso é algum capricho? Que não me importo com Aiolos, meu amigo, família que conheço por toda vida? Olha para mim. —  manteve o olhar magoado fixo nos olhos castanhos de Dégel — A primeira vista, eu me apaixonei. Isso nunca me aconteceu. Nunca. Longe de você meu coração parece a ponto de explodir.

Kardia falou solene, com a mão direita sobre o lado esquerdo de seu peito.

Dégel sentiu um frio correr-lhe a espinha. Aquele homem tinha olhos muito intensos. Olhar no fundo daqueles lagos de um azul quase escuro e misterioso era como olhar para um ser de natureza selvagem, místico quem sabe… Não podia se deixar levar. Era um homem racional, um educador e acadêmico. 

Não um jovenzinho que compraria um discurso passional de alguém que obviamente só queria foder com sua vida, literalmente foder. 

— Kardia, você bebeu?

— Pedi um drink e ele está intacto na mesa. Não bebi nada. É esse o seu receio? — já estava novamente próximo.

— Você não é gay…

— Eu não era. Ou não sabia que era. Dégel —  o nome dançou em seus lábios e acariciou os sentidos do Diretor da escola — me dê uma chance… Eu me apaixonei por você. 

— Permaneça uma hora sóbrio e poderemos conversar a respeito… Combinado?

— Sim… Você não vai nem me dar um beijo? — falou se aproximando ainda mais de forma sensual. — Por favor...

Um longo e pesaroso suspiro deixou os lábios de Dégel antes que ele em um só movimento erguesse o corpo de Kardia o erguendo e  posicionando sentado sobre a pia e o agarrasse para um beijo que não só surpreendeu como basicamente fez o advogado derreter em seus braços.

Era infinitamente melhor do que jamais pode sequer projetar. Estava perdido. Perdidamente apaixonado. 

Dégel nem tirou os óculos para o beijar. O deixou sem fôlego sentado na pia, levantou um dedo simbolizando o número um e lhe dedicou um olhar safado cheio de promessas. O Diretor saiu do banheiro.

Kardia estava sem ar, afogueado e tremendo. 

Apenas uma hora o separava de seu destino. Aiolos e sua família o entenderiam. Milo sempre entrou e saiu de relacionamentos, constantemente falando sobre amor e paixão e a ele sobrava o papel de ser o desgarrado. Nunca nenhuma mulher havia lhe despertado esse lado. Sabia que era uma pessoa passional, mas descarregava toda esse energia no trabalho, nos estudos e nas amizades. 

Porém, desde que viu aquele homem pela primeira vez uma chave virou em seu interior. Era a ignição de algo impressionante e que mudava toda a sua programação mental. Cada detalhe de Dégel, o formato de suas mãos. Seu nariz estreito, os olhos castanhos quase puxados, os cabelos da mesma cor, finos esvoaçando enquanto caminhava apressado. O corpo… O corpo que ele sentiu há pouco contra o seu. Era um homem em todos os melhores aspectos que o conceito pudesse compreender e Kardia estava sim apaixonado por ele.

O beijo que trocaram, o sabor daquela boca, o frescor da pele de Dégel, a voz e a força dele… Tudo isso apenas reforça o que ele já sabia. 

Remanescia agora uma lacuna a ser preenchida: Dégel tinha que se apaixonar por ele também.  

Olhou para a porta que se fechava com a saída tranquila do Diretor. Levou uns segundos ainda respirando fundo antes de confiar em suas pernas e descer do balcão da pia para também deixar o cômodo. Sorriu confiante, aguardou alguns momentos e saiu.

 

No reservado Seiya permanecia estático e parecia pensativo, olhava para a porta fechada abraçando os próprios joelhos. Ele ainda não estava pronto para admitir, mas também desejava mais do que tudo se apaixonar. 


 

***

 

A ideia de beber um refrigerante havia sido ótima, o açúcar o animou ainda mais e Kanon levantou para dançar. Olhou para Julian e estendeu a mão, o dono do bar apenas negou com a cabeça e continuou prestando atenção na conversa que se desenrolava entre Aiolos, Milo e Kardia que havia se sentado com eles muito animado.

Kanon se viu ligeiramente incomodado mediante a recusa, deteve por alguns segundos o olhar em Julian, soltou o ar pelo nariz de forma ruidosa em um gesto contrariado e por fim deu de ombros esquadrinhando o salão em busca de um novo parceiro de dança.  

O sorriso enviesado que ostentava desde o momento em que seu nível etílico atingiu um patamar no mínimo curioso, alargou-se ao identificar a face que fazia com que tivesse a nítida impressão de estar mirando um espelho. Mesmo que nesse momento a barba cumprisse seu papel e tornasse mais fácil identificá-los. 

Em outros tempos, fitar aquele rosto já lhe causou irritação, raiva e até ciúmes, na mesma medida em que lhe despertava carinho, companheirismo e amor. Nesse instante ele trazia a tona a saudade que guardava dentro de si. E foi tomado por esse sentimento que Kanon se dirigiu a mesa, com encantadoras passadas ritmadas, embalado pela música que tocava e estendeu a mão a Saga parando ao lado dele. O gêmeo três minutos e trinta e três segundos mais velho, analisou brevemente a mão estendida e retribuindo o sorriso aceitou o convite, olhando brevemente para Afrodite que apoiou o rosto nas mão e observou os dois com um olhar enigmático. Um misto de curiosidade e… Algo mais. 

— Dança com a gente? — Kanon perguntou esticando a outra mão. — Você é tão bonito! — Sorriu primeiro para Afrodite e depois para Saga, que apenas balançou a cabeça concordando. 

— Vejam só, a lisonja é de família. — Afrodite respondeu em um tom carinhoso. — Hoje eu vou só observar, meu querido. Você diz que sou bonito, mas não é todo o dia que eu vejo tanta beleza, ainda mais em dobro. Vocês sim são lindos!

— Viu, Saga, somos lindos! — Kanon falou rindo. — Gostei do seu namorado. 

Saga piscou um olho para Afrodite e se deixou puxar pelo irmão. A música dançante que tocava deu lugar a uma balada mais calma e Kanon enlaçou os ombros do gêmeo enquanto guiava a dança. 

— Vai me deixar guiar? — Kanon questionou sacana.

— Claro irmãozinho. — Respondeu no mesmo tom. —  Digamos que hoje estou muito bem humorado e você pode fazer o que quiser. 

— Aaaah, eu quero te ver mais Saga. Você some, estou com saudades. A única coisa conveniente de ter uma irmão gêmeo seria a tal conexão e a proximidade, mas nem isso… — Fez um muxoxo desviando o olhar.

— Ei… — Saga o chamou. — Desculpe. Você tem razão. Mas você sabe como eu sou. Tem momentos em que nem o Kardia me vê direito, e olha que trabalhamos juntos. — Sorriu. — Você só precisa saber que nada disso muda o fato de que você é meu irmãozinho, e que sempre estarei aqui pra você. Inclusive acho que você deveria maneirar na bebida.

— Todo mundo tirou a noite para me dizer isso. — Fez um bico quase infantil que tirou uma gargalhada alta do irmão. — Julian só fica dizendo que vai me levar embora, que estou bebendo demais, que tenho que maneirar.. — Fez uma careta.

— Tenho outra sugestão, então. Beba, beba bastante e depois caia de boca em cima do Julian, que tal? — Sussurrou no ouvido do irmão. — Vai que a bebida dá o empurrão necessário. — Essa foi a vez de Kanon gargalhar com a sugestão e balançar a cabeça em concordância. 

Os dois lançaram olhares maliciosos na direção de Julian, que mesmo de costas, passou a mão pela nuca, como se sentisse que estava sendo observado. Riram mais uma vez ainda em meio a dança, sendo acompanhados por Afrodite e Shura. 

— Definitivamente não é todo dia que eu vejo isso… — Afrodite falou em um tom baixo, como se falasse consigo mesmo. 

— Nem me fala. — Shura respondeu sério. — Os conheço há alguns anos e ainda sim não me acostumei completamente.

— Belo ciclo social esse seu, hein. — Comentou sem tirar os olhos de Saga. 

— Realmente não posso reclamar. — Trocaram um sorriso breve e continuaram a observar os gêmeos que dançavam, riam e trocavam cochichos. 

A atenção de Kanon foi captada quando notou que Dohko e Defteros pareciam empreender uma competição de quem consumia mais doses de tequila. Segurou o queixo do irmão e virou o rosto dele na direção do bar e soltou mais uma sonora gargalhada, que foi prontamente acompanhada seguida de um “Faça as honras, meu irmão. Vamos ver até onde você consegue ir.”

Julian virou a cabeça ao ouvir a risada dos dois gêmeos misturadas e captou o olhar malicioso de Kanon. Respirou fundo, tentando somatizar toda a calma e autocontrole que conseguia evocar. Franziu o cenho ao ver que o biólogo puxava Saga em direção ao bar e notou o sorriso debochado que o gêmeo mais velho lançou em sua direção. 

 

O noivo acompanhado dos primos mal pode conter a gargalhada com o desenrolar da cena protagonizada pelos gêmeos. Aiolia se aproximou deles e tratou de emendar a piada

— Achei que era o momento da valsa dos irmãos e vim conferir. Mas, pelo jeito o apelo da tequila foi maior. — Indicou com o polegar a aglomeração ao lado do bar.

— Que coisa linda de se ver não é mesmo? — Milo disse apontando pro irmão — Não quer dançar comigo? 

— Quero dançar Maçãzinha, mas não com você. — ergueu o copo em um brinde maroto. Aiolos e Aiolia deram de ombros. — Chama o Aiolia, vocês viviam aos abraços na adolescência, quem sabe não reacende a velha chama.

— Ta com ciumes Kardia? Eu te abraço também! —  Aiolia disse apertando a bochecha do mais velho que o afastou com um safanão teatral. 

— Não queimem meu filme seus moleques. — respondeu Kardia enquanto ajeitava sua camisa e olhava para um canto mais afastado do salão.  

Enquanto um corado Milo e Aiolia riam e se abraçavam enquanto se lembravam de alguma história da juventude, Aiolos seguiu a direção do olhar de Kardia e ergueu uma sobrancelha relativamente surpreso com o alvo das atenções do irmão mais velho de Milo. “Por essa eu não esperava… Mas se for pensar bem faz bastante sentido. O equilíbrio perfeito” — pensou maquinando alguma forma de facilitar esse encontro. Já tinha percebido o flerte de Kardia, que não se interessava em ser sutil, mas encontrar o olhar de Dégel retornando essa dedicação era um fator novo e muito agradável. Aiolos desviou o olhar, quando o grupo de primos se encaminhou para o bar para acompanhar seja lá o que estava acontecendo lá que rendia gritos de torcida ele resolveu ir até Dégel, quem sabe pudesse finalmente ajudar o amigo a se divertir. 

Saga olhou rapidamente para a mesa e viu que Afrodite acompanhava seus movimentos com um sorriso divertido, enquanto trocava algumas palavras com Shura que parecia incrivelmente à vontade em sua companhia. 

Focou na conversa animada que o irmão iniciou e quando percebeu estava fazendo as vezes de juiz juntamente com Defteros e computando quem virava mais doses de tequila em maior velocidade. Contrariando todas as expectativas e mostrando uma resistência invejável Dohko virava uma dose atrás da outra, sem esquecer do sal e do limão, enquanto mantinha um sorriso quase maroto no rosto jovial. 

As risadas e a fala alta chamaram a atenção dos convidados que basicamente se posicionaram ao redor dos dois homens, notando que há muita já existia um vencedor naquela competição. Saga percebeu o momento em que Julian se aproximou e tentou de forma discreta chamar a atenção de Kanon. 

— Muito bem irmãozinho… — Falou mais alto. — Acho que já temos um vencedor. O que acha Defteros?

— Sem dúvida, Saga. Desculpe Kanon, mais o velhote aqui… — Apontou para Dohko. — Ganhou disparado. 

— Como assim velhote? — Dohko perguntou em meio ao riso. — E agora que ganhei essa competição de forma justa, qual será meu prêmio? — Questionou olhando as garrafas de bebidas dispostas no bar. — Olha eu acho que...

A fala de Dohko foi interrompida e um assovio alto da parte de Saga seguida de uma risada e um “Se deu bem, meu velho”, da parte de Defteros foi ouvido quando Kanon inesperadamente se inclinou dando um selinho nele. Os demais convidados permaneceram em silêncio aguardando a reação daquele que praticamente era um dos poucos ali que não estava acostumado com o que poderia ser definido como “Kanon carinhoso.” 

O biólogo lançou o melhor sorriso que as inúmeras doses de tequila o deixavam demonstrar, assim que separou os lábios e encarou os olhos escuros que mantinham-se arregalados. 

— E então, gostou do prêmio?

— Bom… — Pigarreou. — Não esperava, mas, da onde eu venho acreditamos que as coisas precisam ser feitas por completo. Sem a língua não tem graça, Kanon. — Gargalhou. Sua risada desanuviando o pequeno clima de tensão que se instaurou por alguns segundos. — Já que você é o prêmio tem que fazer isso direito, não acha? — Piscou dando um sorriso lascivo. 

— Não seja por isso… — Inclinou-se mais uma vez, mediante o olhar divertido de Dohko e dos demais. 

— Kanon! Chega disso!  — Julian falou contendo a irritação e segurando o cotovelo do outro o encaminhou para longe do bar. 

Defteros e Dohko começaram uma nova disputa e Saga caminhava de volta para a mesa na qual Afrodite e Shura conversavam animadamente, enquanto observava seu irmão mais novo sendo conduzido pelo próprio Imperador. 

— Definitivamente está bom de bebida para você, Kanon. Onde já se viu… Beijar o Dohko! O homem mal entrou para essa família e você já o recebe assim?

— Acho que é uma bela forma de receber as pessoas. — Sorriu. 

— Kanon… Você não sai do meu lado, entendeu? — Falou de forma enérgica colocando uma das mãos no braço do outro. — Depois reclama que eu deixei você passar vergonha, mas não me obedece… Inferno. — A última palavra quase inaudível, Julian não costumava usar esse tipo de artifícios em suas narrativas. 

— Isso é uma ordem? — Encarou a mão em seu braço sorrindo em seguida. 

— E se for? — Aproximou-se de forma desafiadora. 

— Huuum… Não posso dizer que me desagrada. Tudo bem senhor Solo… — Lançou um olhar profundo e significativo, dando mais um passo em direção a Julian. — Não sairei mais do seu lado. Espero que saiba lidar com isso e assuma a responsabilidade. 

 

Dégel acompanhou a aproximação do Noivo sabendo que ele havia captado no ar que algo se desenrolava com seu primo. 

— Por que está aqui sozinho Dégel? Achei que estaria mais entrosado…

— Estava mesmo pensando em falar com você — buscou o olhar do amigo com franqueza. — Lembra do história do “Cara do Parque” ?

— Hurrumm — Aiolos concordou até que o entendimento o atingiu e um imenso sorriso se fez em seu rosto. — Você está me dizendo que ele… Ele é o Kardia?

— Droga Aiolos, fala mais baixo. — disse o Diretor da escola olhando em volta para ver se mais alguém havia escutado aquilo. 

Ele tinha acabado contando para Aiolos sobre o tal Cara do Parque e suas cantadas misteriosamente charmosas. Falou para se esquivar dos amigos tentando lhe arrumar algum parceiro. Bom, lá estava ele frente a frente com o primo do tal cara que agora sabia ser Kardia. 

— Eu não poderia estar mais surpreso e feliz… — interrompeu sua fala ao acompanhar o olhar analítico que Dégel lançava sobre seus óculos em direção ao bar. — Talvez exista algo que me surpreenda mais, afinal… 

Lá agora estava no centro das atenções um desenvolto Dohko girando no ar sua camisa antes de lançá-la no rosto de Defteros. Os homens à volta estavam agitados e rindo cada vez mais alto.

— Pois eu sou um homem de palavra, senhores. — Dohko falava de forma teatral enquanto olhava para sua recém formada platéia.— Não costumo perder em competições  alcoólicas, mas encontrei um oponente a altura. — Fez uma mesura para Defteros que repetiu o gesto contendo o riso. — E agora cá estou descamisado. 

Um coro de risadas foi ouvida, enquanto Defteros passava o braço pelos ombros de Dohko agradecendo internamente por ter ido a despedida. Parece que alguns dos familiares da noiva eram mesmo gente boa e Aiolos tinha feito uma escolha acertada. 

Enquanto as risadas aumentavam alguns decibéis, Io tentava da melhor forma possível passar em meio aos convidados e recolher os diversos copos de dose que estavam espalhados pelo balcão do bar e das mesas. Sorento parecia se ocupar da mesma tarefa e os dois trocaram olhares no momento em que Io sorria curioso ao reparar o enorme tigre tatuado nas costas de Dohko. Pararam um ao lado do outro, a bandeja cheia de copos vazios. 

— Animado esse grupo, hein. — Io comentou em um tom divertido. — Olha que tatuagem linda nas costas daquele ali. Muito bem feita, não acha? 

— Não entendo de tatuagem… — Comentou sincero analisando as costas do convidado. — Mas o desenho é muito bonito mesmo. Tão quanto a sua. 

— Não sabia que gostava da minha tatuagem Sorento. — Deu uma cotovelada de leve no colega de trabalho. — Não me parece o tipo de coisa que te agradaria. 

— Sempre acho graça da visão que vocês tem de mim. — Sorriu de lado. 

Por mais que não quisesse admitir, mais surpreendente do que a tatuagem do homem que agora parecia incitar os demais a continuar com mais uma rodada de competições, eram as atitudes que conseguia registrar no “Loiro alto do Isaak”.

Há pouco testemunhara o homem trocar um beijo com o moreno da tatuagem. Estava ocupado levando mais um drink para a mesa na qual um homem de aparente sotaque espanhol conversava com um dos tipos mais bonitos que já tinha visto em sua vida, quando foi pego de surpresa ao identificar que Kanon não parecia se comportar como havia mapeado em outros momentos em que pode observá-lo no Imperador. Não pôde conter o espanto e somou ao escopo de atitudes no mínimo contraditórias que estava identificando naquele sujeito. 

Isaak podia fazer o típico espírito livre, mas jamais sonhou que fosse tanto. Na verdade, sequer acreditava que fosse realmente esse o caso, levando em conta que havia sido abordado anteriormente com a estapafúrdia exigência de uma explicação sobre algo relacionado a um número de telefone. Não, definitivamente Isaak não estaria de acordo com o peculiar comportamento que estava presenciando. Um comichão começava a criar corpo, na mesma medida em que a curiosidade se aflorava. 

Franziu o cenho ao notar mais uma vez a proximidade de Kanon com Julian e se pegou pensando no beijo que havia compartilhado com o charmoso Ciclope, na sutil mudança de comportamento, no rosto corado e prendeu a respiração no momento em que a voz de Io chegou aos seus ouvidos. 

— Acho que cada um lida da sua forma, não é mesmo? Não sabia que a relação dele e do Isaak era tão profunda. 

— Desculpe Io, eu me distrai por alguns segundos. Pode repetir, por favor?

— Claro. — Sorriu. — Isaak e o bonitão ali, não estão mais juntos. Acho que por isso ele está bebendo tanto. 

— Desde quando? — Questionou com indisfarçado interesse. 

 

 

 

Continua... 


Notas Finais


E aí como vão as coisas?
Bate a realidade na porta e as obrigações da vida adulta não dão trégua. Agora que estamos a caminho da reta final de nossa fic talvez não seja possível a postagem de 2 capítulos toda semana como foi feito na maior parte das vezes.
De qualquer forma ao menos 1 por semana tentaremos postar para que a fic não se arraste tanto.
Para nós é uma grande surpresa uma fic que pensávamos que teria "12 capítulos no máximo" estar aqui...
Seguimos animadas com ela. E quanto a vocês?

Bebam bastante água e se cuidem o máximo possível.

<3

Obrigada pela companhia.
Até logo!


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