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História Estação Olimpo - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá melhores leitores do mundo, como vocês estão?
Pra quem não sabe - ninguém sabe - eu sou muito fã da saga Percy Jackson, já li todas as duas séries e meu sonho de princesa é poder compartilhar esse amor com outros fãs da série. Antigamente o público de Percy Jackson em fanfics era caloroso, e foi por meio dele que entrei nesse universo de fanfics, não sei como está agora porque só tenho escrito Naruto e Originais. Portanto, esse é um teste que quero muito fazer hsuahsah

Essa história é completamente alternativa, mas vou manter a essência dos personagens. Quem já me conhece de Naruto sabe o quanto eu viajo em universos alternativos.

Vai ser uma ShortFic, acho que de três capítulos.
Vai ter romance, sou otaria mesmo
Vai ter história triste, sou eu Fiona né kkk
Vai ter uma capa bonita em algum momento, assim torço

Divirta-se :*

Capítulo 1 - Confinamento


Fanfic / Fanfiction Estação Olimpo - Capítulo 1 - Confinamento

— Não dá pra explicar tudo o que tá acontecendo agora, não por chamada de vídeo. Eu com certeza vou precisar de mais tempo. Principalmente se for pra explicar ao Percy — maneou com a cabeça, Grover conhecia bem o amigo que tinha. 

— E o que a gente tem que fazer? 

A loira cruzou os braços sobre o emblema bordado na camisa de trabalho, seus olhos profundamente preocupados, o tom de cinza parecia triste. O suspiro de Percy precedeu a resposta, e ansioso o jovem cientista se agarrou — literalmente — a tela do computador. 

— Grover, o que a gente tem que fazer?

— Fica calmo aí — do outro lado da interface, Grover enfezou a testa como se tivesse sentido o acesso de raiva do colega de trabalho e também padrinho de casamento — gosto de fazer um suspense. 

— Ótimo — Percy esfregou o rosto irritado — tá tratando como se fosse brincadeira. 

— Percy — a engenheira espacial o chamou com autoridade, firmou os olhos sobre Grover e assentiu — pode dizer. 

— Vocês não serão resgatados agora. Fiquem na estação até que a equipe de suporte pense em alguma coisa. Essas são as únicas recomendações. 

— Caralho, merda! — Percy bateu o punho na estrutura metálica que compactava a sala de comunicação da estação. 

Quando aceitou a proposta de participar da Iniciativa Olimpo, não lhe passou a hipótese de perdurar mais do que os quatro meses acordados. Como um astronauta experiente e renomado da NASA, Percy certamente exigiria um aumento considerável no salário. 

A sala de comunicação era tão fria quanto qualquer outra parte da estação, construída como um lugar provisório e limitado, mas naquele momento conflituoso Annabeth Chase sentiu a temperatura subir e o peito comprimir. Sintomas claros de uma crise de pânico. 

— Sinto muito, gente — Grover procurava olhá-los nos olhos, mas os dois tripulantes já haviam perdido o foco da câmera do monitor — estamos fazendo o possível. Foi uma tempestade de meteorito inesperada, muita gente se perdeu. 

— Não existe tempestade de meteorito inesperada! — o astronauta já estava vermelho e aos berros — Essa merda de nave-mãe deveria monitorar qualquer porra que acontece no espaço! Como não previram isso?! Merda! 

— Não é assim que funciona a tecnologia, amigo. E seja mais empático com os outros colegas de trabalho que também se foderam. 

— Quanto? 

— Até agora, doze mortos. 

— Meu deus — Annabeth recuou alguns passos, a sala parecia fisicamente menor, mais escura e assustadora. 

— Annabeth, fica comigo, ei, ei! — observou os característicos sintomas na engenheira, e pediu suporte — Alguém do setor de psicologia, da saúde, alguém! — Grover gritou para os parceiros ao seu redor, anos-luz de distância da estação Olimpo — Estamos perdendo a engenheira Chase! Percy, faça alguma coisa! 

Sentiu um formigamente percorrer seu corpo, como se estivesse sendo abraçada por algo muito maior e mais forte. Perdeu a sensibilidade nos pés, assim como a capacidade de lucidez. Annabeth caiu gradativamente, bateu os joelhos no piso de aço e tentou se apoiar, mas as mãos falharam. 

— Annabeth! Olha pra mim! — gritava com a colega, mas ela não o respondia — Vai ficar tudo bem! — sua voz soava distante, como se estivesse submergindo num oceano congelante — Olhe pra mim! Vou ficar aqui com você! 

“Vou ficar aqui com você” o eco propagava a frase em sua consciência até a respiração diminuir o bastante para carregar Annabeth num sono pesado. 

Estavam presos na estação Olimpo, instalada na superfície árida do planeta vermelho. Marte seria o novo endereço dos dois, até que uma nova equipe de resgate chegasse. 

 

[...]

 

Annabeth sonhou com sua mãe. Seu cabelo ondulado e castanho estava enfeitado por flores do campo, pontos laranjas e amarelos contrastavam com sua pele queimada da Califórnia. Sardas apoiavam os olhos mais cinzentos que já tinha visto na vida, e um sorriso plácido a dava conforto. 

Ela gostaria que a filha tivesse sido médica, e não astronauta. 

 — Que bom que acordou — Percy, e não sua mãe, percebeu que estava de olhos abertos. Um copo de ferro surgiu na sua frente, e a claridade do cômodo a fez piscar mais de uma vez — beba, é néctar. 

Os astronautas tinham seu corpo testado no máximo de seus limites humanos, e com o passar dos anos a ciência medicinal trabalhou arduamente para esticar esses limites. A bebida com gosto doce e viciante era um desses medicamentos indispensáveis numa nave espacial. 

— Que horas são? — sentou na maca e tratou de estalar o pescoço. 

— Você dormiu por nove horas. 

— Merda, tsc — abaixou a cabeça — devia ter me acordado. 

— Pra que? Sorte sua ter perdido esse tempo dormindo. 

— As máquinas, Percy — forçou ficar em pé. O corpo ainda esquentava, e sabia que precisaria pegar leve consigo mesma. Entretanto, Annabeth ignorou a constatação, e deu largos passos até outra maca — as máquinas precisam ser checadas a cada cinco horas. 

— Já fiz isso. 

— Você é físico, não entende de máquinas — apertou os lábios um no outro, sentia gosto de ferro e uma tontura na cabeça. 

— A partir de agora você não é mais engenheira espacial, você vai ter de ser tudo o que for necessário — ditou firme — sobreviver é minha prioridade. 

Sobreviver. A palavra refletia sombria para si. As chances de sobreviverem eram mínimas sem um estoque de alimentos e equipamentos maior. Decerto que esse trabalho não teria o fim estudado. 

Suas mãos oscilaram e os joelhos a traíram. Annabeth não caiu por pouco. 

— Para de pensar que vamos morrer. 

— Nós vamos morrer — refutou apoiada na estrutura metálica da maca, estavam na área médica, um quarto estreito e feito para atender mínimas necessidades — é questão de tempo. Otimismo não faz parte dessa equação. 

— Você é engenheira, não física — Percy abriu a porta de saída e a luminosidade do corredor a fez desviar o rosto — não fale do que não sabe. 

— O que mais Grover disse? Não minta pra mim, Jackson. 

— Ele me pediu para não contar a totalidade das coisas para você. Vamos obedecer nosso superior, essa é a segunda regra da sobrevivência na estação Olimpo — riu com o humor afetado, manteve a saída aberta e não a tocou, mas acompanhou os passos frágeis de Annabeth pelo corredor. 

— Criou regras?! — franziu o cenho, ora pela dor de cabeça, ora pelo sarcasmo do colega. 

— São nove regras, mas estou trabalhando nisso — quase segurou seu cotovelo na virado do corredor por temer que fosse cair, mas Chase era uma mulher orgulhosa — é provável que chegue em até vinte e cinco regras. 

— São muitas regras para apenas duas pessoas — parou na metade do caminho, lhe faltava energia. 

Percy ponderava que ela ainda precisasse descansar, comer algo sustável e voltar para o repouso. A crise de pânico estava alinhada ao famigerado CAD

— Vou carregar você até o refeitório. 

— Não me toque, e nem me olhe com essa cara, isso não é CAD

— Isso é muito CAD — ele repuxou o canto da boca, seu jeito inflexível o impressionava. 

A Crise do Astronauta Desesperado era a soma de sintomas psicossomáticos observada pelos próprios atuantes na área espacial, e que se manifestavam em casos de emergência, como por exemplo, ficar preso numa estação-primária. 

— Não pode me analisar como uma pessoa doente. 

— Sinto muito — sussurrou irônico, e tornou a dar um único passo que se igualava a dificultosos quatro passos da engenheira. 

Percy Jackson fora conclamado para a missão Olimpo após uma série de testes em outros capacitados astronautas. E durante uma eliminatória circunstância de terror psicológico, os superiores tiveram a certeza de que ele era o homem certo para pisar na estação em Marte. Suas notas na avaliação renderam discussões no setor administrativo de recursos humanos, mas o rapaz se orgulhava delas. 

Em autodefesa: 8/10 

Em Inteligência Emocional: 7/10 

Em Sensatez: 5/10 

Mas os próprios avaliadores não puderam discordar que, para uma missão que exigia tamanha empatia como a Olimpo, Jackson era perfeito. 

Em Instinto Protetor: 10/10

— Vai me forçar a perguntar sobre essas regras idiotas? — Annabeth rompeu o silêncio, finalmente perto ao refeitório. 

— Prefiro que você anote, e leve mais a sério. 

Os dois entraram no saguão minimamente decorado para parecer-se receptivo a uma tripulação. Duas mesas retangulares ocupavam o maior espaço, um lavabo e as máquinas alimentícias. Um quadro estava pregado à parede, e a imagem de uma casa de campo simples e genérica costumava fazer os tripulantes da Olimpo rirem. 

Annabeth olhou a aquarela barata sem resquícios de um sorriso. Era só o peso da tragédia em seus ombros, acompanhado de uma inconveniente solidão. 

 

[...]

 

— Jackson é o primeiro a cruzar a linha de chegada! Jackson é o campeão! 

A faixa ainda estava agarrada em seu tênis enquanto tentava diminuir a velocidade. O suor encharcava a regata e a colava no corpo. 

De um ponto baixo na arquibancada do velho campo de atletismo da escola, um senhor com chapéu de pescador aplaudia e gritava “esse é o meu garoto”. Derrubou o cachorro-quente assim que viu o corpo esguio do filho mais velho transpor a linha de chegada, e nem se importou. 

— Jackson — outro corredor, mais baixo e abatido, o cumprimentou — parabéns. 

Assentiu a congratulação com um aceno. Seu coração parecia que ia estourar a qualquer momento. Entre lufadas de ar, Percy se sentou na grama mal cortada do campo. 

Seu pai pulou os bancos da arquibancada e ignorou a grade de contenção, não que alguém fosse adverti-lo. A população pacata da zona rural de Coney Island não agia assim. 

— Meu garoto, você conseguiu de novo! — o velho pescador estendeu a mão ao corredor, que ainda não queria levantar, mas assim o fez — Isso é o que chamo de ser rápido! Você é o número um! 

— Achei que ia rasgar as pernas — ofegante, ele se apalpou para ter certeza de que estava tudo no lugar. 

— Também achei que fosse — o cavanhaque grisalho se esticou com o largo sorriso — o que quer comer? Tem o direito de escolher o que quiser. 

Percy apoiou um dos braços no ombro do pai e se deixou ser carregado. 

— Qualquer coisa que não seja peixe — murmurou. 

Os dois tomaram rumo para fora do campo de atletismo, na modesta escola do bairro. Os moradores lotavam as calçadas perto do parque de diversões, no lado externo, qualquer atração atlética — por mais insignificante que fosse — era motivo de comemorar. 

Poseidon Jackson era o velho pescador dono da embarcação mais conhecida do porto, a Sally. Com a poupa tingida de azul e estampada por tridentes, era impossível não reconhecer a chegada do pai após finais de semana de pesca. Percy ficava ansioso no cais, com a expectativa de sentir o cheiro salgado nas roupas do seu coroa. 

Quando estacionou a caminhonete em frente a caixa de correio dos Jackson, havia mais pessoas do que deveria. 

— Esses caras querem falar com você? 

— Espera no carro, Percy. 

Tirou o cinto de segurança e saiu letárgico, seu tronco encurvado de tanto puxar redes de pesca estremeceu. Eram três sujeitos, parrudos e com uma nuvem de cigarro lhes contornando. 

— Pai — chamou em vão, ele já estava perto dos estranhos. 

Poseidon, apesar dos esforços, não era um homem perfeito. 

Quando foi acertado pelo primeiro soco, Percy espalmou o vidro da caminhonete. Assustado, o garoto com treze anos e alguns meses de puberdade, bateu no vidro e gritou verbos sem efeito. 

O trio de mal-encarados lidava com o modesto pescador sem piedade. 

O menino gritou dentro do carro, seus dedos se moviam em frenesi na tentativa de destravar a porta. Finalmente destravada, ele a empurrou com tanta força que quase levou a maçaneta junto. Pulou e tropeçou na grama alta do jardim. 

— PAI! — seus olhos lacrimejavam — SOLTEM ELE! 

Poseidon abanou com a mão para que ele se afastasse, mas era tarde, o garoto já estava enfiado no meio do tumulto. Levou um soco na boca e sentiu o sangue espirrar na medalha de campeão. A noite não seria justa com o garoto, mas ele estava obstinado a não sair enquanto não livrasse seu pai do pior. 

 

— O que foi, Jackson? Um gato comeu sua língua? — Annabeth o tirou daquele redemoinho de memórias. 

O busto estava coberto por uma fina camada de suor, que se alastrava conforme voltava para as máquinas calorosas do reator. Ele era o cara das ferramentas, só isso. 

— Você escolheu essa música horrível, estou chocado — mentiu e estendeu novamente a solda. 

Seja lá o que ela estivesse fazendo, parecia perigoso. 

— Você tem o gosto musical de uma criança — respondeu injuriada — Looking Glass é um clássico americano. Mais respeito. 

Olhou o visor do aparelho que reproduzia as ondas sonoras em hologramas coloridos, “Brandy (You’re a Fine Girl)” era o nome da canção com uma melodia humorada dos anos setenta. Annabeth não parecia ser o tipo de mulher que dançava, mas não parava de mexer o pé direito junto as notas da música. 

— Não tá mais aqui quem falou — desceu os olhos pelos ombros trabalhados da engenheira. 

— Perdeu alguma coisa?! — jogou a máquina de solda no peito de Percy, e passou duramente para longe da cabine. 

— Explica de novo a rotina da checagem das máquinas — mudou de assunto e pegou a caderneta que vivia no bolso de sua calça jogger. 

— Checar de cinco em cinco horas, sentido horário, cada cabine da estação. As principais são as cabines do reator — apontou para a porta que acabara de fechar com manivela — a cabine do conversor de energia, e a cabine do aquecedor. A temperatura é fria pra caralho — secou o suor da testa com o próprio antebraço — ficar aquecido é prioridade. 

— Oxigênio é prioridade — retificou, tentava escrever e acompanhar as diretrizes da engenheira. 

— Oxigênio não vai ser um problema, não pelos próximos dois meses — engoliu a seco e se afastou da área de máquinas, queria tirar aquela roupa suja e esfriar a cabeça. Pensar demais lhe custava caro — depois disso, seremos poeira estelar. 

— Melhor do que morrer numa chuva de meteorito. 

Annabeth parou repentinamente, encaixou o antebraço na curvatura do pescoço de Percy e estreitou os olhos. Era uma ameaça antes mesmo de falar qualquer coisa. 

— Já disse que preferia ter morrido com a equipe na merda da chuva de meteorito, não disse? 

— Chase — resmungou sufocado, embora não quisesse retrucar o golpe — se acalma. 

 — Vou me acalmar quando você começar a levar isso a sério. Nós vamos morrer em dois meses, e nem terei a chance de me despedir. 

Estava sendo uma difícil tarefa manter um clima ameno dentro da estação Olimpo, mesmo com o esforço de Percy. E tão cansado quanto ela demonstrava estar, a empurrou pela barriga com o joelho, agarrou seus ombros e estatelou suas costas na parede, o ruído ecoou pelo corredor. 

— Se você quer morrer em dois meses, sugiro que faça isso sozinha, do outro lado dessa estação — o azul em seus olhos tornou-se fervoroso, e a encarou sem hesitar — eu vou sobreviver. E para o seu bem, é melhor escolher o lado certo. 

Soltou seu corpo descuidadamente. Annabeth ainda estava presa em seu rosto endurecido, coisa que quase não havia visto desde que conheceu Percy Jackson no Centro de Pesquisa Espacial em Nevada. O astrofísico com ar jovial costumava passar alegre pelos corredores do prédio, até exagerava nas piadas. De acordo com o estereótipo científico, era extrovertido demais para o serviço. 

— Aonde você vai? — arriscou perguntar. 

De costas, Percy praticamente marchava pelo corredor. 

— Terminar a checagem. — sua voz estava austera. 

Ela seguiu o caminho oposto, resistiu ao choro e a sensação de medo em seu peito. Pegou uma maleta de ferramentas e balançou a cabeça. Arredar para um idiota não era coisa que uma Chase faria. 

Não foi assim que conseguiu se formar entre tantos alunos, e conquistar o título mesmo contra inúmeros homens que duvidavam de sua capacidade.

A sós na cabine do gerador de energia, jogou a maleta de ferramentas contra a parede, sem se importar com o corte que fizera no dedo indicador. Se encostou na porta e deslizou até sentir a vibração do chão da cabine. Ali ela poderia chorar distante de julgamentos. Como fazia na época da formação de engenheiros, num banheiro minúsculo que a preservava das ofensas dos outros candidatos. 


 


Notas Finais


Ai gente, se flopar eu apago e finjo que nada aconteceu

-- lavem as mãos --

Até a próxima :D


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