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História Estação Olimpo - Capítulo 3


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Notas do Autor


Eu tô muito emocionada que tem jeito acompanhando, <3
Por isso precise que você preste atenção, caro leitor:

-- é uma fanfic curtinha, em 5 capítulos vou concluir
-- por isso o tempo é corrido, as passagens de tempo acontecem várias vezes, mas sempre situo vocês durante os textos
-- Os textos em itálico são flashback para contextualizar a história
-- no final desse cap decidi colocar o ponto de vista da Annabeth, em vez de narrar em terceira pessoa, espero que gostem

Divirtam-se :*

Capítulo 3 - Cordialidade


Fanfic / Fanfiction Estação Olimpo - Capítulo 3 - Cordialidade

Pisar em Marte havia sido o maior alcance da humanidade no espaço, mas esse recorde ficou para trás. 

Tantos anos depois, Marte se tornou um planeta “estacionável” como dizem os cientistas. Um lugar onde você pode parar e tomar fôlego, antes de continuar sua viagem sideral. 

A missão da estação Olimpo não recebeu esse nome sem motivo. Depois de ter sua superfície mais explorada, a maior atração de Marte encheu os olhos ambiciosos das centrais de atividade espacial, na Terra. O monstruoso “Monte Olimpo”. 

Um vulcão extinto na região equatorial, que ganhou fama por ser o maior vulcão de todo o sistema solar. Nada se comparava a essa formação rochosa no planeta Terra. Era possível vê-lo mesmo fora da atmosfera.

— Não temos que continuar a missão — Annabeth cortou o pensamento de Percy, mas o ajudou a vestir a roupa de ambiente externo — o plano era fazer uma exploração com uma equipe de dez astronautas. 

— Vejo isso como algo positivo — contrapôs, os olhos eram atraídos para o lado de fora da estação, e num ponto há quilômetros de distância era possível enxergar a elevação que subia até a atmosfera do planeta — em vez de ser perturbado por nove pessoas, poderei ter privacidade. 

— Então eu também vou — bateu o pé no chão. 

— A estação precisa de alguém para checar as máquinas, Annie, você sabe disso. 

— Não vou ficar cuidando da estação enquanto você explora a maior montanha do sistema! 

— Vamos fazer o seguinte — a olhou através do capacete oval — eu vou até lá, colho umas amostras e prometo não chorar — sorriu — daqui a dois dias será a sua vez, vai ter mais informações e poderá curtir a montanha. 

Ela ponderou, de braços cruzados e lábios em linha reta. Muita coisa estava em risco. 

Um mês e três semanas haviam se passado. O tempo corria contra Percy e Annabeth.

— Tome cuidado — respondeu, por fim — não seja um idiota — acionou a abertura da válvula de saída. Gás encheu o corredor e uma porta unilateral deslizou. 

— Se eu encontrar um alienígena e morrer, escreva minha biografia — andou até a próxima porta — diga que salvei sua vida! 

A porta se fechou, e Annabeth foi resguardada do ar degradante da atmosfera. O astrofísico esperava a abertura da válvula, seu estômago embrulhava em ansiedade. Pisar em Marte era sempre divertido, até para quem fazia isso rotineiramente.

— Se encontrar um alienígena vai se borrar todinho — Annabeth falou pelo interfone. Olhava-o já com saudade — e vou contar isso para as pessoas. 

— Annie — resmungou de cenho franzido — eu sou o perfil do herói americano, não deixe isso morrer. 

— Vai logo, Perseu — o apressou. 

— Tá legal — repuxou o canto da boca, sarcástico — beijo de despedida! 

Percy grudou os lábios no vidro do próprio capacete numa cena embaraçosa que simulava um beijo. Até fechou os olhos e imitou o barulho. 

Riu do que tinha feito e abriu os olhos, Annabeth nem estava mais lá. 

— Grossa — revirou os olhos e saiu pela válvula aberta. 

As botas eram desenvolvidas para se fixarem no chão, tornavam os passos de Percy confortáveis, muito diferente das primeiras botas de astronautas criadas. 

A área em torno da estação Olimpo não era a mais organizada, com equipamentos e coisas abandonadas pela antiga equipe. Uma bandeira americana estava fincada no solo, e as linhas vermelhas contrastam com o solo alaranjado, aquilo o lembrava do Texas. 

Subiu no carro-trator, adaptado para a superfície marciana, e vedou as saídas de ar. Acionou a tubulação de oxigênio e um minuto depois pôde tirar o capacete. 

O painel do veículo era holográfico, uma tendência que irritava Jackson. Luzes coloridas e informações sobre a temperatura, coisas que ignorou. Ativou o microfone para a estação e sorriu, poderia se comunicar com Annie. 

— O capitão Perseu Jackson está seguro e segue sua jornada — falou ao microfone. 

— Já sabe o que vai fazer quando sentir vontade de fazer cocô? 

Balançou a cabeça, ela era tão estraga prazeres. 

— Sou um astronauta profissional, Annabeth — retificou e se apossou do volante — posso conter minhas necessidades biológicas. 

— Ótimo, ao menos o banheiro não vai precisar ser desinfetado a cada duas horas. 

— Tenho um fluxo intestinal intenso — se defendeu. 

O som do riso de Chase era agradável, soava familiar e o deixava mais à vontade para pensar que tudo ficaria bem. 

O motor do veículo rugiu, e um trajeto foi traçado. Percy estava se movendo mais rapidamente para longe da estação. Seria quase uma hora até o glorioso monte Olimpo. 

— Você não me contou o que veio fazer aqui — emendou o assunto, queria se distrair até chegar lá — não terminou de contar. 

— Comecei a história e você quis transar, ou uma coisa ou outra. 

Sorriu em satisfação. Agora que eram mais do que colegas de trabalho, a rotina na estação se tornara menos exaustiva. Faziam as tarefas, almoçavam juntos, assistiam os mesmos filmes na central de controle e quando sentiam vontade — muitas vezes ao dia — podiam ter prazer um com o outro. 

— Tá — Percy ajustou o único banco no veículo — me conta agora. 

Annabeth suspirou, mas assentiu. 

— Minha intenção era continuar trabalhando em bases na Terra, ou em naves-mães. A parte presencial nas estações nunca me atraiu — confessou, a voz mais séria — mas o dinheiro é muito maior. 

— Gananciosa, senhorita Chase — brincou. 

Um sorriso fraco se formou nos lábios de Annabeth, embora seus olhos estivessem distantes. Era um passado complicado. Respirou fundo e se repreendeu por pensar nas variáveis que estava pensando agora. 

— Minha mãe precisava de um tratamento mais caro, e o salário cobria as despesas médicas. 

— Sua mãe? — Percy franziu o cenho. 

— É, o câncer evoluiu como uma praga nas últimas décadas. Toda vez que acham que estão perto de curá-lo, o desgraçado se torna mais forte. 

Pelo tom da parceira, optou por não dizer nada. Imaginou uma Annabeth triste, de cabelo preso e farda militar, acompanhante num quarto de hospital. Não conhecia a família da loira, mas suspeitava de que o histórico não fosse feliz. 

— Enfim, paguei o tratamento e nesse momento Atena deve estar viva e saudável. É o que espero. — bebeu o café quente na caneca que Percy costumava usar, sentada na sala de controle. 

— Foi um sacrifício muito bonito, Annie. 

— Sou o perfil da heroína americana — ironizou, e o clima se tornou menos doloroso. 

No visor de Percy, uma série de cadeias rochosas ganhava forma. Um desfiladeiro. 

— Está pegando essas imagens? — ele digitou no painel para ter certeza de que transmitia para a sala de controle. 

— É fantástico — admitiu, a câmera na frontal do carro-trator repassava a gravação com uma imagem límpida e em tempo real — diminua a velocidade. 

— Não quero me atrasar para o jantar, querida. 

— Que bom, porque você vai ter que fazer o jantar — refutou, a atenção voltada ao desfiladeiro no holograma à frente — espera, viu aquilo? 

— Eu vi — sorriu largamente — era uma cratera do tamanho de um prédio! 

— Percy, diminui a velocidade, não é brincadeira — largou a caneca sobre a mesa — tem crateras aí. 

— Sou um excelente motorista, Annie.

— O ego masculino vai matar você — o avisou. Espalmou as mãos sobre a mesa e acompanhou o trajeto compenetrada — é a coisa mais linda que já vi. 

— Em dois dias, vai ver pessoalmente — garantiu — e vai se apaixonar. 

Chase sorriu de canto, as promessas de Percy eram bonitas e emotivas, mas em seu âmago duvidava da vitalidade delas. Não por causa dele, mas porque sua mente era matemática demais para lidar com soluções tão improváveis. 

De pé o acompanhou, prendia a respiração juntinho dele quando a paisagem era modificada, e também se assustou quando o carro quase derrapou devido ao solo instável.

Percy era um péssimo motorista, mas muito cordial.

 

[...] 

 

— A sala de navegação não é um parque de diversões! E eu não sou a babá de vocês! — em passos pesados e com uma careta de desgosto, a comandante Grace espalmou o painel de entrada para a sala de navegação. 

A porta se abriu para ambos os lados, e pôde ver os engraçadinhos sentados nas cadeiras que lhe pertenciam. 

— Ih, fodeu — ao perceber a comandante, o mecânico espacial Valdez ficou mais branco que poeira cósmica — Percy! — cutucou o amigo — Percy, levanta.

— Sou o capitão Perseu Jackson, mais respeito — girou a cadeira principal, acolchoada com um estofado branco e confortável.

— Por que o capitão Perseu Jackson — a comandante ditava entredentes, os olhos fervorosos de raiva — não vai estacionar sua nave no banheiro dos internos, e aproveita para lavar as privadas!

Percy saltou da cadeira giratória, emudeceu e sentiu um arrepio descer sua espinha.

— Sim senhora, comandante — prestou continência e saiu pelo canto da sala, seguido de um medroso Valdez.

— Ratos imundos! — comandante Grace continuou gritando, mesmo depois das portas da sala se fecharem.

— Vocês dois não aprendem nunca — Bianca Di Ângelo, a arrogante navegadora subalterna da equipe da comandante, os olhava de cima a baixo — pensam que estão numa colônia de férias. Isso aqui é o espaço sideral.

— Tecnicamente, isso aqui é o quadrante Touro, o que significa que — Valdez esboçou um sorriso malicioso enquanto falava — é muito divertido sim. Toca aqui.

Percy espalmou sua mão na de Leo, e os dois deixaram a navegante de cenho franzido.

— Idiotas — resmungou e entrou na sala de navegação.

— Prefiro o outro gêmeo — Valdez murmurou por cima do ombro.

— Nem acredito que saíram da mesma placenta — Percy concordou.

A nave-mãe havia se tornado casa da tripulação, cujo objetivo era a estação Olimpo, em Marte. Há uma semana, dividiam os corredores e saguões brancos da nave. Paredes que davam enjoo de tão claras, na concepção do astrofísico.

Sua melhor distração era poder contar com a minoria disposta a se divertir enquanto caminhavam para um trabalho que arriscava suas vidas.

Dentre essa parcela de otimistas, estava Leo Valdez — o mecânico espacial, Grover Underwood — o tenente astronauta e, quando estava de bom humor, PiperMcLean — a outra engenheira.

— Ainda não deu minha hora de checagem, quer fazer alguma coisa? — Valdez, mais baixo e com neurônios insanos, sugeriu — Tipo acordar o tenente K-pop?!

— Não vamos chamar o Zhang de tenente K-pop, porque não quero outra aula sobre xenofobia — contrariou — por mais que seja tentador, tenho que trabalhar — olhou o marcador de tempo em seu pulso, cada tripulante tinha o seu.

— Quando acabar me avise, estarei na sala de comunicações. — assim, Leo tomou outro corredor.

— Pare de mandar mensagens para Calipso, ela está transando com outra pessoa agora.

— Mas as coisas vão mudar quando eu voltar pra Terra, terei pisado em Marte, caro amigo — ajustou a gola da camisa e sorriu esnobe.

Percy também sorriu, adorava o senso de humor do colega. Pôs as mãos no bolso da calça cinza e seguiu em direção ao andar superior, onde passaria as próximas horas concentrado em decifrar equações e relativizar toda e qualquer variável que pudesse acontecer durante aquela missão. Sua função era ter certeza de que nada de ruim poderia acontecer até que chegassem em Marte.

Pairou a mão sobre o painel holográfico, que reconheceu sua digital de imediato e permitiu sua entrada. Na sala arquitetada com mesas e bancadas longas, mais pessoas trabalhavam.

Pegou uma caneca na entrada, e encheu até a metade na máquina de cafeína e néctar. Molhou os lábios e olhou para a cadeira que usava, no centro da sala.

— Sistema Hera — falou em alta voz — análise dos últimos dez minutos.

O sistema de inteligência Hera correspondia a um dos mais modernos desenvolvidos. Guardava a nave-mãe de probabilidades que o próprio cérebro humano deixava passar.

Habilitada com a doce voz de uma das atrizes hollywoodianas em alta, o holograma apareceu, simulava o rosto de uma mulher.

— A navegação está estável, temperatura da nave estável. Estimativa de chegada: uma semana — respondeu amena.

— É estranho quando tudo corre bem — colocou a caneca sobre sua própria mesa, e deslizou a ponta do dedo sobre as imagens que discorriam ali — me dê uma ajuda, Hera — digitou o nome “Monte Olimpo”.

— De acordo com as últimas constatações feitas pelo robô Inside, o Monte Olimpo permanece em temperatura fria, sua altura inalterada. Última varredura feita há quinze minutos atrás.

— Vamos subir essa belezinha — sorriu, projetou a simulação de carros-tratores que usariam para chegar até o vulcão extinto.

— Percy — Grover Underwood, que residia na mesma sala, chamou o amigo — dá uma olhada nisso aqui.

Esticou o aparelho plano até ele, que mostrou imagens em tempo real do robô Inside, que monitorava o vulcão dia após dia.

— São rochas vulcânicas — observou.

— Rochas vulcânicas de Marte, amigo — Grover sorriu eufórico — vou levar umas cinco pra casa, dar de presente pra família.

— É ilegal, e imoral — outra pessoa o cortou.

Annabeth Chase estava com o cabelo preso num rabo-de-cavalo esticado. Usava a blusa de malha cinza e preta e nenhuma aparição de sorriso no rosto. Parecia abarrotada de trabalho, submersa em computadores e telas coloridas.

— Se você não quer uma pedra de Marte, o problema é seu — Underwood a respondeu.

— Foi com esse discurso que os primeiros exploradores convenceram seus amigos, na América colonial.

Percy riu com aquilo, assistia os dois trocarem farpas o dia inteiro, só para no final ter um Grover irritado e uma Annabeth plácida, que saía como vitoriosa.

Antes que continuassem a tola discussão, algo apitou na mesa de Percy, um som estridente e diferente. Grover e Annabeth olharam-no de supetão.

— Hera, decodifique — o astrofísico já tinha abandonado a caneca de café, que esfriava tão rápido quanto seus dedos deslizavam sobre as telas.

— Uma propagação foi captada, vai atingir a nave-mãe em dois minutos.

— Uma onda? — Grover palpitou, já próximo da mesa central.

— Não vejo nada nos radares físicos — Chase os avisou.

— Hera, projetar — Jackson ditou.

Assim a interface o fez. A silhueta feminina desapareceu, e deu lugar a uma imagem concisa e azul. Era uma simulação do espaço que percorriam, e em linhas vermelhas a nave-mãe era retratada, navegando pelo imenso e escuro universo. Hera foi além, as imagens correram e um conjunto de roxo e rosa surgiu diante de seus olhos.

— É uma nebulosa — abriu um sorriso fascinado.

— Pode ser a atmosfera de algum buraco de minhoca, Hera cogitar mudança de rota — Annabeth permanecia séria, porém.

— Não precisa mudar a rota, é só poeira interestelar.

— Você não tem cem por cento de certeza.

— Meu trabalho é olhar para coisas assim e dar uma avaliação.

— E o meu trabalho — Annabeth cruzou os braços, inflexível — é duvidar do seu trabalho.

— Hera — Grover, nervoso com a discussão, se intrometeu — ligar para sala de navegação.

— Conexão estabelecida — a interface consentiu.

— Comandante Grace — o jovem tenente quem falava, porquanto Annabeth e Percy se encaravam como crianças birrentas — Percy detectou uma propagação, impacto em um minuto. Devemos mudar a rota?

— Eu já vi, tenente Underwood — Thalia Grace respondeu, calma e objetiva — é uma nebulosa, está bem na nossa frente.

O astrofísico, cujo cabelo penteado para trás o fazia parecer um ator de cinema, abriu os braços convencido do que falava. Annabeth revirou os olhos e voltou até sua própria mesa.

— Tripulação — comandante Grace falava a toda nave-mãe — preparem-se para o impacto, e apreciem a vista.

Thalia acionou a abertura do sistema de contemplação, e muitas paredes da nave se tornaram vitrais transparentes como águas cristalinas. A imensidão negra do universo estava ao redor de todos. Entretanto, o foco era a volúvel nuvem à frente, colorida de rosa e roxo, e muitos outros tons que os olhos humanos não podiam enxergar.

— Isso é fantástico — Grover correu para a parede de vitral, espalmou as mãos e assistiu de boca aberta o bico da nave apontar na nebulosa.

— Hera — Percy disse, os olhos refletiam a nuvem rósea — memorizar e mapear a nebulosa, permissão para dar um nome, comandante — pediu.

A nave inteira escutava a conversação.

Apesar da opinião pessoal pelo sujeito, Thalia deu o braço a torcer e seguiu o protocolo.

— Faça as honras, Jackson.

— Muito bem — desceu alguns dos degraus até poder se aproximar do enorme vitral, sentia-se mínimo diante àquele fenômeno da natureza. Toda a tripulação sentiu o chão vibrar, porque mergulhavam na nuvem — será chamada Nebulosa Anna, por ser teimosa demais.

— Nebulosa memorizada e mapeada, confirmação de nome: Nebulosa Anna.

— Ótima atitude, Percy — o tenente observou. 

A engenheira cruzou seu olhar com o do astrofísico, e os dois não disseram nada verbalmente, mas suas mentes mantiveram-se cheias. 

 

 

 [...]

 

Annabeth Chase 

 

Durante os últimos dias na instalação de treinamento, a sargento La Rue nos torturava com uma série de exercícios que, sinceramente, eram desnecessários. Estava embaixo, fazia a centésima flexão, quando parou acima da minha cabeça e disse o seguinte: 

— Um dia você vai querer muito uma coisa, e isso vai mostrar que tipo de mulher você é. 

O tipo de mulher que eu era não tem mais a ver com o tipo de mulher que me tornei. E o confinamento na estação Olimpo me deu tempo para pensar no assunto, como também me fez perceber que Percy não me conhecia como achava conhecer. 

— Aqui é nave-mãe Hera 77, contato com estação Olimpo. 

Entrei na sala de controle ainda a despertar do sono. Percy explorava o monte Olimpo como uma criança feliz no parque, e aproveitei para dormir sem sua insistente vontade de conversar. 

Agora alguém da nave-mãe fazia contato. 

— Aqui é Annabeth Chase, da estação Olimpo — respondi pela interface. 

Com alguns dígitos e um holograma surgiu do painel, era o rosto alvo de Jason o subcomandante da nave-mãe. 

— Annabeth, aqui é seu subcomandante Jason, conexão estabelecida? 

— Perfeitamente — me sentei na cadeira que Percy gostava de usar para cochilar. 

— Excelente, onde está Jackson? 

Jason era tão ranzinza quanto Thalia Grace, a comandante. E deveria ser, porque quando houvesse necessidade, ele quem sentaria na sala de navegação e daria as ordens. 

Mas, aqui entre nós, tinha uma ligeira impressão de que Thalia tenha um coração batendo no peito. Enquanto que Jason, era uma máquina por dentro e por fora. 

— Percy está fazendo uma ronda lá fora — omiti a totalidade da história. 

— Algum problema? — fechou seu enorme punho e apoiou o queixo. 

— Nada, senhor — maneei a cabeça — é só uma checagem de rotina.

— Certo, passe a informação para ele depois — pigarreou e se aproximou mais da projeção — tenho novidades da missão de resgate a estação Olimpo. 

E foi ali que comecei a cair no precipício do orgulho. 

— Sério?! — estatelei as mãos sobre a mesa — Isso é ótimo! 

— Ainda não ouviu a informação, Chase — retificou, austero — a equipe de resgate estuda a melhor maneira de enviar uma cápsula até a estação. Isso evitaria ter de voltar a terra e reabastecer. 

— Teríamos que deixar tudo para trás — ponderei — mas se é a única solução, que assim seja. Nosso oxigênio não deve durar mais do que duas semanas. 

— Sabemos disso — o cabelo de Jason era raspado, como de um rígido militar — mas ainda não passei tudo. 

— Estou ouvindo. 

Hesitou alguns segundos, umedeceu os lábios e atenuou o olhar. Era a expressão de quem conta uma enorme desgraça. 

— Depois da tempestade de meteorito, usamos a maior parte das cápsulas de resgate para salvar quem sobrou da tripulação. Tivemos êxito com muitos deles, não nos arrependemos da atitude tomada — explicou, em seguida suspirou fortemente — e agora nós só temos uma cápsula de resgate, Chase. 

— Mas cada cápsula só comporta uma pessoa — fiz a estúpida constatação óbvia. 

— Exatamente. 

— Subcomandante, — balancei a cabeça em negativa — eu não entendo como isso é uma missão de resgate. 

— Uma vida é melhor do que nenhuma, Chase. Entraremos em contato assim que se sentirem prontos para relatar um acordo. Nave-mãe desliga. Boa sorte, e que deus esteja com vocês. 

A projeção se apagou e a sala de controle ficou escura, assim como meu lado racional. 

Agitei as mãos procurando por ar, os pulmões pareciam apertados demais. 

— Sistema Hermes — murmurei com o resquício de força em mim — acionar oxigenação. 

Olá, sou seu sistema Hermes de inteligência e assistência. Medida de oxigenação acionada. Você é — as luzes de Hermes me sondaram, meu corpo cálido no chão, como um feto prestes a encontrar seu fim — Annabeth Chase, engenheira espacial da estação Olimpo. Minha análise diz que você precisa de ajuda. Vou acionar o protocolo “Annie precisa de carinho”, elaborado por Perseu Jackson. 

E naquele chão frio, escuro e oxigenado, a sala começou a tocar música de todos os alto falantes. 

The sailors say, “Brandy, you’re fine girl” 

What a good wife you would be, such a fine girl 

Yah, your eyes could steal a sailor from the sea

 


Notas Finais


ADORO UM DRAMA

Edit 1: o Monte Olimpo é real, existe mesmo lá em Marte :P
Edit 2: a música que toca no final é https://www.youtube.com/watch?v=gNjo5NzgswE ESSA MUSICA É LINDA AMO

Obrigada por ler até aqui, até a próxima :D


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