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História Estações - Uma História NaruSaku - Capítulo 20


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Notas do Autor


Olá pessoas queridas!
Que saudades de estar aqui. Posso pedir para me perdoarem por esse longo hiato? A vida me empurrou pra tantos caminhos nos últimos meses, que se eu começar a contar fica maior do que esse capítulo.
Mas estou de voltar e pronta para continuar contando essa história. E sim, ela está se desenrolando para o fim!
Se houver ainda alguém para ler, estarei aqui para contar. Obrigada pelas mensagens de incentivo, elas fazem uma diferença danada.
Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 20 - Sol Negro


Fanfic / Fanfiction Estações - Uma História NaruSaku - Capítulo 20 - Sol Negro

- Isso é tudo o que sabemos até agora. 

Ino acabara de atualizá-los sobre os últimos passos da espiã. Ela, Naruto, Sasuke e alguns membros da ANBU se apertavam no apartamento alugado de Saiury, localizado no bairro dos funcionários. Procuravam por pistas para o paradeiro desconhecido de Sakura.

- Então Sarada foi quem recebeu a ligação de Saiury – Naruto repetiu. – E logo depois Sakura-chan foi até o Departamento de Inteligência encontrá-la. 

- Há algumas testemunhas que dizem ter visto Sakura chegar ao departamento, mas não a viram sair. Era cedo, não havia muita gente por lá, só alguns poucos guardas. - Ino socou uma mesinha frágil da sala, que gemeu com o impacto. - Foi um encontro premeditado, Saiury sabia o que estava fazendo quando a chamou em um horário tão atípico.

- O fato de essa mulher ter sido a última pessoa com quem Sakura entrou em contato não a incrimina como a espiã. - Sasuke ponderou - As duas podem ter sido vítimas de um terceiro agressor.

Ino balançou a cabeça categoricamente.

- Bem, é difícil explicar, mas... – mordeu o lábio inferior em um gesto de aflição. – O que vi no mergulho da mente do ANBU que sofreu o ataque... Era uma mão de mulher. Eu vi unhas bem-feitas, dedicada a serviço leve, possivelmente administrativo. Eu sei reconhecer a ocupação de uma pessoa só de olhar para as mãos dela. E quando Sarada me contou sobre a ligação, preocupada com o sumiço da mãe, liguei os pontos. Eu sei que já vi essas mãos, e elas são da Saiury.

Sasuke ouviu ao relato quieto, avaliando o quão próximo da realidade poderia estar. Um leve rubor de constrangimento tingiu as bochechas da Yamanaka.

- Sei que é algo muito subjetivo, sem comprovação, mas uma intuição me diz que...

- Eu acredito em você. – Naruto a interrompeu, e ela lhe devolver um olhar agradecido – Temos que revistar esse apartamento, deve ter alguma pista de onde essa sequestradora levou Sakura-chan.

Mas Sasuke não poupou sarcasmo. 

- O que você espera, encontrar na gaveta um mapa com a localização das duas? Estamos lidando com uma pessoa que se manteve como espiã durante meses dentro do departamento mais protegido da vila. Ela não cometeria um erro tão básico.

- Se tiver alguma ideia melhor, gênio, estou aberto a ouvi-lo. – Naruto retrucou com azedume. 

- Talvez, se você parar de falar, eu consiga pensar em algo.

Pequenas faíscas saíam do espaço entre os ninjas, a aversão mútua palpável no ar. Ino encarou um após o outro com um tique nervoso na testa. Era como ter dois elefantes irritados disputando espaço em uma sala pequena. 

- Vamos acertar algo aqui, ok? Se não trabalharmos juntos, pior para Sakura. Então façam o favor de resolverem logo suas divergências! – e saiu balançando o rabo de cavalo no ar, irritada.

Com um muxoxo pesado, Naruto se derramou na única poltrona da casa. Coçou os olhos com vigor, os gestos do corpo expressando o conflito interno.

- Sasuke, ela está certa. – admitiu.

- ...

- Será que podemos esquecer nossos problemas por um momento? Por Sakura-chan. 

- Ok. – o Uchiha cedeu, a contragosto.

Imersos em pensamentos, nenhum dos dois notou que um novo elemento se colocou entre eles.

- Se me permitem uma intromissão, ambos estão certos.

O ninja mascarado de lobo capturou a atenção dos homens. Naruto acenou para que continuasse.

- Sobre a espiã. – começou. – Será difícil encontrar uma pista aqui, mas, levando em consideração o padrão de ações, estamos falando de uma pessoa fria e calculista. E todo psicopata tem orgulho de sua obra. Por mais limpo que o crime pareça, vai querer deixar uma espécie de marca, uma assinatura para que o mundo seja testemunha de seus atos. Será difícil de descobrir, mas podemos encontrar algo aqui que seja útil na investigação.

- Bem colocado, Isamu. Pode começar imediatamente. Eu sei que possui um faro excepcional, então não meça esforços em nos ajudar a encontrá-la.

- Às suas ordens, Hokage-sama. – fez uma mesura e se juntou aos outros ninjas de elite.

 “Pense, raciocine, Naruto”. Bateu os pés nervosamente no chão. Mas toda vez que tentava seguir uma linha lógica, a visão de Sakura sendo torturada atormentava seu juízo. Custava manter a postura segura de líder diante da situação de perigo da mulher que amava. 

Para as pessoas ao redor, suas palavras soavam seguras e firmes, mas sua testa brilhava pelo esforço em esconder a preocupação e a boca estava travada pelo gosto amargo da impotência.

Percebendo a situação, Sasuke o tirou do looping depreciativo.

- Eu vou até o escritório de Saiury. 

- Boa ideia. Leve alguns ANBU para te ajudar.

Alguns segundos de hesitação.

- Naruto.

- Hm? – levantou o olhar.

- Sakura não é uma mulher fraca. Ela sabe se proteger. 

O Uzumaki sorriu fracamente com o consolo inesperado. Apesar da rachadura gigantesca entre eles, ainda eram um time, afinal de contas.

Após distribuir as tarefas, ele decidiu esperar no escritório, que nunca lhe parecera tão solitário e opressivo. Como um homem feito para a ação, odiava se sentir tão impotente. O dia passou vagaroso, esnobando de seus anseios. Com custo ele conseguiu a concentração necessária para ativar o modo sábio e realizar o rastreamento energético. Sakura poderia estar em qualquer parte do país do fogo, até mesmo além, dependendo da técnica de transporte utilizada pelo inimigo. 

Graças a um dispositivo desenvolvido por Ino, Naruto conseguiu aperfeiçoar o alcance da detecção de chakra. O aparelho consistia em uma tiara de metal que amplificava seus poderes de rastreamento. Só precisava de um deslize para detectar alterações no bloqueio de ferro do clã do Sol. Esperava que Sakura entendesse a importância disso para ser encontrada, tal como acontecera no resgate a Sarada. "Isso se ela ainda estiver..." sacudiu a cabeça para afugentar a linha do pensamento.

Horas mais tarde, todos se reuniram no seu escritório para compartilhar os progressos da busca. Foi com grande expectativa que os recebeu.

O primeiro a se manifestar, Sasuke dirigiu-se aos presentes.

- Encontramos restos de um chá venenoso na sala de Saiury. Apesar de as xícaras e garrafa estarem limpas e sem digitais, colhemos amostras de respingos no chão. A concentração não é suficiente para matar, mas desacordar um adulto por algumas horas.

- Há sinais de luta, algo que indique alguma agressão a Sakura-chan? – Naruto perguntou.

- Não. Tudo em perfeita ordem. – Sasuke abriu uma pasta que continha formulários de requisições de material. – O surpreendente é que as plantas utilizadas nesse chá foram retiradas no herbário da vila. Há aqui inclusive solicitação de espécimes raros, os quais ela teve acesso durante um bom tempo. 

- Mas como ninguém notou algo estranho nisso? – o loiro exasperou-se.

Dessa vez, Ino se adiantou.

- Saiury trabalhava diretamente na investigação. Ela era funcionária autorizada e com liberdade para conduzir uma pesquisa relacionada ao clã. Não tínhamos como prever.

- Ok, ok. – Naruto passou a mãos pelos cabelos e dirigiu-se a Ino. – Algo mais do Departamento de Inteligência?

- Bom, interroguei o máximo de colegas de trabalho dela que consegui nesse tempo. Os relatos têm o mesmo padrão: que ela era uma ninja reservada, tímida, sem laços sociais fortalecidos. Sua rotina era de casa para o trabalho e vice-versa. Não possui parentes em Konoha, e de uns tempos para cá, sua personalidade antissocial se acentuou e ela passou a evitar contato com os demais com mais afinco.

- Isso é bastante conveniente. – disse Sasuke. – Sem conexões familiares ou pessoais, nem uma presença marcante. Ela era a pessoa perfeita para levar adiante um plano secreto e desaparecer sem levantar suspeitas.

- E não é só isso. Com uma certa frequência, ela se afastava das tarefas do departamento por motivos de saúde. Já me deixou na mão algumas vezes por conta disso.

- Porém, nunca dava entrada no hospital com alguma queixa. – Shizune completou a fala de Ino.

Naruto caminhou pelo escritório absorvendo as notícias, a testa franzida. A garota parecia ter surgido do nada e evaporado da mesma forma, e, no entanto, quase sempre estivera presente na tomada de decisões de assuntos importantes em relação ao clã. Parando para pensar com calma, eles nunca teriam duvidado de alguém tão ordinariamente comum. 

- Ela saiu alguma vez da vila, nesse tempo desde que descobrimos as ações do clã?

- Não há registro disso. Se saiu, foi por algum meio que desconhecemos. – Ino informou.

- Hokage-sama, permita-se trazer o que descobrimos no apartamento. - O nina ANBU que falara com eles mais cedo apresentou-se. - Encontramos dois elementos dignos de nota. Aparentemente, a funcionária Saiury morava com mais uma pessoa. – A revelação provocou agitação entre os presentes. – Encontramos peças de roupas masculinas no guarda-roupas e utensílios de higiene, como lâmina e espuma de barbear. Existe a possibilidade de que a espiã não esteja agindo sozinha.

- Algum namorado, talvez? – a Yamanaka chutou.

- Essa é a dedução esperada. Investigamos a respeito entre os vizinhos, e é nesse ponto que tudo fica mais confuso. – a voz abafada do mascarado de lobo adotou tons mais lúgubres. - Ninguém nunca viu um homem sequer passar pelo apartamento dela.

- Muito estranho. E qual o segundo elemento? – a cabeça de Naruto zunia com o mistério.

Isamu depositou na mesa um livro de capa dura vermelha com frisos dourados na lombada. Tinha aparência arcaica.

- É o único livro da casa. Veja por favor o destaque.

Naruto abriu-o onde uma folha dobrada marcava a página. Seus olhos se apertaram em reconhecimento.

- É um livro de poemas haikai – Como os demais não esboçaram compreensão, continuou, ligeiramente surpreso em ser logo ele o único a conhecer um exemplar de alta literatura - É um estilo de poesia japonesa curta, escrita em 3 versos e 17 sílabas. Fala sobre momentos ou sentimentos, de maneira curta e intensa. 

As mulheres da sala lhe dirigiram um olhar impressionado, ao que ele sentiu o rosto aquecer.

- Eu, hum, folheei alguns na biblioteca particular dos Hyuuga, dattebayo. – justificou-se apressado. 

- E o que diz nessa página? – Sasuke perguntou, e Naruto leu em voz alta:

Pelas vigas da ponte,

Os raios de sol

Na névoa da tarde.

Hokushi.

- Só isso? – Shizune expressou decepção.

- Sim.

- É possível que haja uma mensagem secreta nesse poema. – Ino empertigou-se. - Precisamos encaminhar para a criptoanálise, descobrir o método utilizado e criar um livro-código para podermos... – Mas Naruto a parou no meio do argumento.

- Argh, não temos tempo para isso. Nem sabemos se há realmente alguma mensagem nesse livro! Enquanto ficamos aqui, parados, Sakura-chan pode estar enfrentando sabe-se lá quais dificuldades!

Em um ponto perto da porta, ouviu-se um soluço baixo. Pela primeira vez, Naruto reparara na presença de Sarada, quieta a um canto do escritório, os olhos inchados e determinados. Naruto fez uma pergunta silenciosa a Ino sobre a presença da menina ali, ao que ela devolveu um gesto que dizia “não consegui evitar”.

Procurou medir as palavras dali em diante, para não assustá-la ainda mais. Imaginou que Sasuke fosse até a filha para acalmá-la, mas o Uchiha não moveu um milímetro. Às vezes, Naruto só tinha vontade de sacudi-lo com muita força. No seu lugar, Ino aproximou-se e aconchegou-a em um abraço. Disse-lhe baixinho, com a intenção que ninguém mais ouvisse, porém, Naruto capturou a conversa:

- Meu bem, está vendo aqueles dois ali? Apesar de serem idiotas às vezes, eles são os mais fortes ninjas do mundo. Não há o que temer enquanto se dedicarem a salvar sua mãe. - Sarada assentiu com os olhos aguados, demonstrando recuperar um pouco da esperança com as palavras.

Enquanto elas se consolavam, o ANBU apontou as conclusões do relatório.

- Se pensarmos na hipótese que existe algo que a inimiga deseja por meio de Sakura, então há altas chances de que ela esteja viva. Talvez a mantenha refém, como moeda de troca. Sendo assim, logo entrará em contato para negociar. Mas, se não for o caso e Sakura representa sua finalidade, então precisamos encontrar com urgência o local do cativeiro.

- Sim. Obrigado, Isamu, prossiga com as investigações e me reporte qualquer novidade. Os demais, sigam a mesma orientação. Por enquanto só temos esse poema para servir de norte, e mesmo assim pode ser uma pista falsa. Se houver alguma mensagem nele, eu quero que descubra, Ino. Estão dispensados. 

Todos se encaminharam para a porta quando Naruto tornou a falar.

- Você não, Sasuke. – Chamou-o.

O Uchiha mais velho aguardou, desconfiado.

- O que acha disso tudo? – Naruto perguntou assim que os demais saíram. Não se importou mais em manter a fachada e desabafou – Às vezes eu só queria ser tão inteligente quanto Shikamaru. Ele resolveria esse enigma em um piscar de olhos. 

Sasuke pegou o livro e releu a poesia em silêncio. Passados alguns minutos de reflexão, nos quais Naruto engoliu a ansiedade crescente, retomou - Se você ler no sentido literal, qual a primeira ideia que vem à mente?

- Hmm. O primeiro verso indica um lugar com ponte. O sol, bom, ele me lembra o próprio clã. E tem a parte da névoa... Sinceramente, pode parecer bobo, mas isso me faz lembrar nossa primeira missão rank-S no país das Ondas

- É isso. Foi o que pensei também – Sasuke disse simplesmente.

- Não é possível que seja tão fácil! – Naruto exclamou.

- Talvez por isso seja uma boa pista. Um gênio teria dificuldade em aceitar uma ideia tão óbvia. Além do mais, a ponte leva seu nome. Pensando como o inimigo, soa ofensivo escolher um símbolo como esse para realizar uma vingança pessoal. O clã do Sol tem prazer em debochar dos nossos esforços.

- Você tem um bom ponto. E não é como se tivéssemos tempo à disposição para tirar a dúvida. Vale a pena arriscar. Pode nos levar lá agora?

Sasuke aquiesceu. Antes de começarem os planos, alguém bateu na porta do escritório. O secretário de Naruto trazia uma carta em mãos.

- Ela acabou de chegar. Está avariada. – lamentou antes de entregá-la.

O pergaminho estava parcialmente queimado. Não havia dúvidas que alguém tentara interceptá-lo. Vinha endereçada diretamente da prisão de Hozuki e, após quebrar o selo, reconheceu a grafia de Shikamaru, interrompida por buracos chamuscados.

"Desmantelamos um esquema de corrupção na prisão. Uma de nossas [....] foi enviada no lu[.....]. Saiury Tamagushi está sob minha custódia. Redobrem o alerta de seguran[....] desaparecido. Voltarei em breve."

Naruto releu mais umas cinco vezes para ter certeza que não interpretara errado. Sasuke espelhava seu assombro. A sensação era de ter retrocedido muitos passos após o avanço mínimo que levaram o dia inteiro para chegar.

- Se Saiury está com Shikamaru na vila da Grama... – disse rouco. – Quem sequestrou Sakura-chan?

 

***

Apesar do convite à luta, Saiury se mantinha precavida. Elas se estudavam em silêncio no prédio abandonado coberto pelas sombras. Porém, se havia alguém entre as duas que corria contra o tempo, essa pessoa era Sakura. Seu corpo redobrava esforços para atrasar o efeito do veneno no sangue, a fim de evitar que o selo Yin se completasse. Se isso acontecesse, seu fim chegaria. E quanto mais ela usasse seu chakra, mais o amuleto se beneficiava. Não havia muitas opções de saída disponíveis.

Então, ela tomou a iniciativa.

Avançou para sua inimiga, que rebateu os ataques. Apesar do corpo franzino, Saiury lutava como uma ninja de elite, desviando dos golpes com o tipo de destreza que se adquire com muitos anos de treinamento. 

- Isso, dê o melhor de si! Apesar de ser inútil. - ela provocou com um olhar ensandecido.

Quando Sakura enganchou o punho para um golpe certeiro, uma explosão de energia a abateu e ela caiu metros à frente. Tal como acontecera durante o resgate de Sarada, devido ao poder de absorção do amuleto, seus membros perderam a sensibilidade, atrasando seus movimentos. 

- Quantas vezes vai precisar errar até perceber que não há como escapar? - Saiury tocou instintivamente no amuleto negro e dourado preso ao pescoço.

Mas o que Sakura fez a seguir deixou sua oponente confusa. Com um único golpe concentrado, abriu uma rachadura no chão, o qual se abriu o suficiente para derrubá-las para o térreo do prédio. 

Após a queda, enquanto a poeira lhe dava certa invisibilidade e aproveitando a vantagem adquirida pela surpresa do ataque, ela recomeçou a série de taijutsu contra Saiury, que ainda se recuperava do susto. 

Sabendo da especialidade do clã do Sol, estivera treinando nos últimos tempos para lutar por longos períodos poupando seu chakra, a fim de usá-lo só em casos de necessidade. Agora que o desafio chegara, o único objetivo em mente era eliminar a existência daquele amuleto maldito, dessa vez definitivamente.

- Enquanto ele recarrega, você não pode usar esse artifício pelos próximos minutos, nem me atingir com o amuleto. - Sakura encontrou um ponto desprotegido na defesa de Saiury e acertou o maxilar dela, jogando-a para o alto e perto dos escombros. - Vamos ver se sobrevive até lá!

Saiury cuspiu sangue da boca e a encarou. 

- Você acha mesmo que meu poder vem somente dele? - deu-lhe um sorriso enviesado.

Iniciou os selos de mão, mas Sakura não lhe deu tempo para finalizar. Enquanto a ninja não tivesse uma brecha ou tempo suficiente para executar os jutsus do clã, haveria uma chance. Por menor que fosse, ela se agarrou a essa esperança. 

Porém, antes de atingir seu intento, sentiu a familiar dormência seguida de dores agudas como facas afiadas retalhando corpo. Arquejou em agonia e quase foi atingida. Cada célula trabalhava no limite a fim de retardar o inevitável. 

Após erros sucessivos em que baixou a guarda perigosamente, Sakura conseguiu escapar do embate sem ser seguida e se escondeu atrás de pilastras danificadas, a fim de pensar em estratégias.

Zonza, olhou ao redor. No grande e escuro galpão onde estavam, havia entulhos, poeira e pedras para onde se olhasse. O cenário poderia ter saído de um filme de pós-guerra. Em alguma localidade desconhecida, o prédio que as acomodava sofria severas avarias. 

Mesmo debilitada pelo veneno e com a energia drenada em níveis alarmantes, até então Sakura vinha oferecendo uma luta difícil. Mas, seus esforços vinham cobrando o preço, e seu ânimo ficou tão arrasado quanto o ambiente ao redor. 

- Está com medo de aparecer? Cadê a coragem que mostrou mais cedo? - provocou-a.

O ar cheio de poeira de alvenaria a impedia de localizar sua oponente, mas sabia que ela estava la. Tão certo quanto o nascer do sol, sua oponente prosseguia na perseguição, o amuleto no peito pulsando como um ser vivo e devorando a essência de vida de Sakura a cada minuto.

Pingos de suor colavam o cabelo na sua testa suja de areia. Sem aviso, seu coração enlouquecera dentro do peito, batendo como tambores descompassados. Faltava pouco para o byakugou se manifestar em sua totalidade. Procurou aquietar a mente, contando mentalmente o tempo que levaria para o próximo ataque.

Foi ai que uma ideia se acendeu. Novamente, voz feminina zombeteira chegou até ela.

- Percebi que está mais lenta, e seus golpes aleatórios. E pensar que esse é o estilo de luta da mulher considerada mais forte de Konoha - desdenhou, de um ponto indeterminado -. Esperava mais de você.

- Sabe, depois de conhecer vários dos seus amiguinhos, também percebi que ser falastrão é pré-requisito para entrar no seu clube. - Sakura não se deixou intimidar. - Eu prefiro você de bico fechado.

Antecipando o ataque que viria, decidiu arriscar. Usando suas últimas reservas, varreu o perímetro do espaço, correndo entre pedras, paredes e equipamentos quebrados. Antes daquele caos e destruição, na certa ali um dia fora um galpão fabril, esquecido e abandonado no tempo. Tentou se lembrar de fábricas desativadas nas proximidades de Konoha, mas não conhecia nenhuma. 

Um local impenetrável e protegido por jutsus. Enquanto estivesse presa em um terreno que não lhe favorecia, menores seriam as chances de sucesso. Levou adiante o plano que se formava na mente, claro e ao mesmo tempo perigoso.

Sob seus pés, a cada pisada, fissuras finas e sinuosas se formavam no chão, ordenadas por doses calculadas de chakra. Ao finalizar o varredura, deu de cara com sua perseguidora.

Saiury caminhava até ela com a segurança de uma vencedora. As vestes sujas e rasgadas não diminuíam seu porte. Uma aura imponente emanava de seu corpo pequeno. 

Foi quando o amuleto pulsou mais uma vez em brilho e poder, a pressão comprimida tomou conta do ar e o mundo ao redor, por fim, desmoronou.

Com atraso de segundos, Saiury percebeu a armadilha em que fora colocada. 

Como efeito colateral da explosão de energia, o chão rachou em vincos profundos e os papéis explosivos plantados por Sakura detonaram ao redor, botando abaixo as colunas de sustentação e levando aos ares pedaços de parede e teto. O prédio inteiro tremeu e gemeu agourento.

Sakura estivera minando a estrutura física do galpão em pontos estratégicos, para que quando a outra usasse o poder do amuleto, ficasse imobilizada em uma prisão de pedras. Em vão, Saiury tentou se proteger com os braços da chuva de pedregulhos que caia do alto, enquanto a ninja médica desviava-se para as zonas seguras.

Sakura olhou para o teto destroçado e mais acima, entre as telhas, finalmente um pedaço do céu noturno estrelado. “Quem quer que esteja me procurando, agora poderá me ouvir”, viu-se revigorada por novo ânimo. 

Mas, desde o início, sabia que o plano era arriscado. Apesar de ter conseguido liberar o bloqueio, o prédio estava em perigo iminente de desabar por completo.

- Esse é o seu plano, pretende nos enterrar aqui, mulher estúpida. - Saiury gritou ao ser atingida no braço, mas sua voz foi sobreposta por outro estampido mais alto. 

Com as explosões, os equipamentos químicos no andar de cima se estilhaçaram e seus conteúdos reagiram, causando um incêndio imprevisto. O material inflamável lentamente escorreu para o térreo, formando uma poça cáustica flamejante que consumia o que estivesse pela frente.

- Se for para proteger minha vila e o mundo de suas loucuras, sim, estou disposta a morrer aqui com você. - afirmou, categórica, enquanto assistia Saiury se contorcer para se libertar. - Mas saiba que essa não é minha opção imediata. Tenho pessoas me esperando, e voltarei para elas.

Sob a luz do fogo cada vez mais próximo, o rosto de Saiury gravemente ferido ganhou formas cadavéricas.

- Eu te subestimei...- Arfou, direcionando o amuleto para empurrar para longe a pilha de cascalhos que a imobilizavam no chão.

De repente, incredulidade ficou estampada em cada linha do rosto de Sakura. Não era o jogo de luz e sombra que deformava a expressão da espiã. Ela estava realmente se transformando em outra pessoa.

- Um henge…! - exclamou, e no segundo seguinte, a revelação da sua verdadeira identidade a deixou atordoada. “Como isso é possível?!

Tudo aconteceu tão rápido que seu cérebro não teve tempo de acompanhar. Ao se libertar, aquela pessoa odiosa a prendeu imediatamente em cordas invisíveis a uma pilastra sobrevivente. No tempo de um piscar de olhos, ela estava invadindo seu espaço pessoal e aproximando os lábios do seu ouvido. Sakura assistiu a tudo, sem conseguir se mexer, aterrada.

- Creio que está na hora de levar isso a sério - Hiroshi murmurou, tão próximo que seus rostos quase se tocavam, ao mesmo tempo em que perfurava o abdômen de Sakura com um pedaço de vidro afiado, repetidas vezes.

.

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Notas Finais


*E temos aqui alguns mistérios revelados. Alguém já tinha suspeitado desse final? E ainda tem coisa para ser descoberta pela frente.
**Temerosa pela integridade da nossa Sakura. O próx. cap. se chamará "Sacrifícios".
*** Inclusive, já comecei ele, a espera não será longa. Não desistam de mim!
****Para quem curte song fic, digita no youtube a música "NEONI x UNSECRET - FALLOUT". Retrata bem as cenas de Sakura.
*****Gente, deixei vários coments sem resposta, pq ou bem escrevo ou bem respondo, mas falarei com todos aos poucos. E podem escrever à vontade, amo ouvir vocês.

É isso, inté breve!


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